{O Jardim Secreto} Capitulo 5 - A doença da memória

Fanfic / Fanfiction O Jardim Secreto - Capítulo 5 - Capitulo 5 - A doença da memória

Ela estava muito assustada com esta súbita mudança, mas sentiu que não havia tempo a perder, pois estava encolhendo rapidamente.

Alice no país das maravilhas Capitulo 5, conselho de uma lagarta


Senhor Park ficava olhando a televisão sem saber onde deveria apertar para liga-la. Estava esperando a família terminar de se arrumar, já que queriam ir andar á cavalo. Mas aquele fato parecia ter sido esquecido, já que a maior dúvida que cercava aquele idoso era saber como ligar a televisão.

Soojung fora a primeira a sair do quarto após se trocar, e segundo o pedido do sogro iria leva-lo primeiro para cuidar dos cavalos e prepara-los. Tão breve Sehun também surgira na sala para ajudar a cunhada.

- Senhor Park, vamos cuidar dos cavalos?

- Heim? – O idoso se virou para o genro e sorria – Ah vocês precisam conhecer os meus meninos, acho que irão gostar deles.

- As crianças vão gostar – Soojung sorria caminhando ao lado dos dois homens.

- Ah é verdade, eles vão gostar mais que os meninos.

Sehun olhava para o senhor Park e suspirava, mantendo-se em silêncio os três se aproximaram dos estábulos. Ao abrirem as portas encontraram alguns cavalos ali, Soojung e Sehun observavam senhor Park, que ensinava como alimentar os animais. O primeiro cavalo tinha a pelagem negra, era o favorito do idoso, o segundo era uma égua branca com algumas manchas negras. O terceiro cavalo era a cruza dos dois primeiros, tinha os pelos acinzentados com algumas manchas brancas.

Aos poucos o restante da família chegou nos estábulos, as quatro crianças se animaram em ver os cavalos comendo, e logo queriam dar os pedaços de cenoura para que comessem. Jong In se aproximou da cadeira do pai e o guiava onde pedia. Todos ajudaram a limpar os estábulos, enquanto Luhan levava os cavalos para tomar sol.

Tão em breve, Min Seok ajeitava as celas e posicionava as crianças sobre os cavalos. Com a ajuda de Sehun para andarem lentamente, acabaram por achar uma maneira de distrair aquelas crianças. Aproveitavam o sol daquele inverno, cavalgar seria bom não somente para os cavalos, mas também para as crianças que se sentiam entediadas dentro de casa.

As árvores balançavam com o vento que rodeava aquela cidade abandonada. Senhor Park olhava em sua volta, conseguindo se lembrar de alguns fatos de seu passado. A brisa que passava em seu rosto, trazia uma sensação estranha em seus lábios. Levando os dedos para sua boca, relembrava do toque íntimo, o primeiro deles, com Baekhyun.


Bulgwang-dong, 27 de marrco de 1965

O selar que trocaram entre as trovoadas do lado de fora, assim como as sensações que sentiam parecia vir fortemente como a chuva. Assim que os lábios se separaram, os dois rapazes se entreolharam. Uma pequena ponta de arrependimento se tornou presente, Chanyeol via o garoto á sua frente com as bochechas rosadas e os olhos marejados.

Não se arrependia de seu ato, mas se arrependia de como teria feito aquilo. Imaginando que a confusão não estaria somente em si, abraçou Baekhyun deixando seu rosto encostado no peitoral nu de Chanyeol.

- Por que me beijou?

A voz tímida do garoto arrepiara Chanyeol, o apertando contra si com mais força. Mesmo que se sentisse bem naquele braço, e de fato se sentia, ainda estaria preocupado que tudo fosse um sonho ou uma mentira.

- Não sei – A voz rouca do maior trouxe a mesma sensação em Baekhyun – apenas senti vontade de sanar esse desejo.

Erguendo a cabeça para poder olhar Chanyeol melhor, Baekhyun analisava a fisionomia do mais alto. Teria ele desejado as mesmas coisas que si, a diferença que o garoto mais baixo compreendia seus sentimentos unilaterais, e fazia questão de deixá-los escondidos. Mas com aquele breve selar deixava-o na beira de uma estrada com dois caminhos. Poderia continuar á esconde-los e afastar Chanyeol de si, ou mergulhar de cabeça dependendo do que o maior sentia.

Chanyeol por outro lado não sabia o que queria fazer, após ter agido de tal maneira pensava se teria ultrapassado o seu limite. Baekhyun poderia lhe afastar, e dessa vez teria sucesso caso o fizesse já que teria um motivo para isso, ao contrário das outras tentativas. Estava com medo daquilo acontecer consigo.

- Não deveria ter feito isso – Sussurrava Baekhyun, tendo a face ruborizada – se descobrirem irão te trazer problemas.

- Não tem ninguém aqui – Chanyeol ficava ansioso enquanto observava Baekhyun, que tinha as bochechas ainda ruborizadas, desviando os olhos de si. – Nunca terá alguém para nos atrapalhar.

- O que devo fazer? Estou com medo de tudo se repetir.

Chanyeol erguia o queixo de Baekhyun, fazendo lhe olhar. Passando as pontas dos dedos pela face do garoto, apenas encostara suas testas. Não sabia ao certo o que estava fazendo, um lado carinhoso que jamais surgira em si, nem quando se deitou com mulheres mais velhas. Mas estava cumprindo daqueles gestos no corpo de Baekhyun, e aquilo lhe deixava bem. Mesmo que acreditasse serem atos automáticos, deixaria que continuasse, pois assim o menor não ficaria longe.

- Se repetir, terá o direito de fazer o que quiser comigo.

Como se uma parede tivesse sido derrubada, Baekhyun envolvera os braços na cintura de Chanyeol, deixando com que seus lábios fossem de encontro aos do maior. O mesmo sentia sua pele se arrepiar com aquele toque repentino do menor, sentindo que poderia avançar seus toques, segurou de sua cintura o trazendo para perto podendo envolver seus braços no corpo do garoto.

O que antes era um breve selar, agora se tornava demorado. Chanyeol desejava aumentar aquele contato, pedindo a passagem timidamente, deixando a ponta de sua língua contornar os lábios do garoto. Os mesmos foram se entreabrindo diante do toque íntimo do maior, que não demorou em deixar que sua língua deslizasse para dentro da boca e intensificar o beijo. Um explorava a boca do outro enquanto as mãos se acariciavam.

Se anteriormente não sentiam sono, naquele momento a energia parecia ter aumentado e se quer cogitavam a hipótese de irem dormir. Como se tivessem encontrado algo para experimentar, o beijo se prolongava. Os toques de Baekhyun pareciam ser excitantes para o mais alto, deixando que acariciassem suas costas nuas com suavidade, mesmo que sentisse seu corpo ficar enrijecido. Tais toques lhe ocasionavam arrepios, tentava se controlar para não passar daquilo.

O beijo se findara pela falta de ar, sem que palavras fossem ditas, talvez por não serem necessárias. O mais alto observava o garoto á sua frente, fitando as orbes castanhas brilharem em meio á escuridão do quarto. Se não fosse pelas cortinas finas que permitiam a entrada da iluminação do lado de fora, não teria como apreciar tal olhar tão inocente e puro. Chanyeol aconchegava o corpo de Baekhyun levando seus dedos aos cabelos para iniciar uma caricia, ambos mergulhados no silêncio processando as sensações e sentimentos daquela noite.

Aos poucos a respiração do garoto batia suavemente no peitoral do rapaz de cabelos brancos, percebendo que teria dormido. Chanyeol não se importou em passar parte da madrugada, observando Baekhyun entre seus braços, em um sono tão profundo. Parecia inocente e intocável, sua bela fisionomia deixava-o perdido em pensamentos.

Mesmo que fosse algo repentino, Chanyeol estava certo de que iria entrar naquele mundo tão desconhecido.


As crianças pareciam gostar de cavalgar pelo campo, mesmo que precisasse de Luhan ou de Sehun consigo. Os dois eram os únicos que sabiam cavalgar, por isso ajeitavam uma das crianças em sua frente logo saindo em disparada. O vento que batia em suas faces trazia não somente a animação, mas o grito eufórico daqueles que pareciam se divertir.

Os pais assistiam a cena dos estábulos, enquanto dois iam, os outros dois netos tinham que esperar por sua vez. Soojung era a que conseguia controlar as crianças, depois de Sehun claro. Mantendo a caricia nos cabelos dos dois meninos gêmeos ficou a contar as curiosidades sobre aqueles cavalos, apenas distraindo a atenção deles.

Senhor Park ficava observando a vista do campo, conseguia se lembrar de como haviam casas espalhadas, distribuídas em lotes por conta das plantações. Porém, não conseguia se recordar do momento em que chegara ali, muito menos o que teria acontecido para que as casas vizinhas ficassem abandonadas. O olhar perdido pairava em cada ponto distante, aquele ponto que era possível de enxergar com sua visão falha. Apenas via as pequenas construções das casas, sem saber de qual material seria. Talvez de madeira, ou de concreto.

Mesmo que forçasse sua memória a trabalhar, não conseguia encontrar nenhum resquício que pudesse lhe ajudar. De onde vieram aqueles cavalos? Teria comprado? Pertencia á alguém? E aquelas plantas? Desviou sua atenção para o lado esquerdo da casa, onde encontrava uma extensão de plantas. Teria cultivado tomate? Uma bananeira, conseguira reconhecer suas folhas mais ao norte. Por que as cultivava?

O sorriso de Baekhyun passou em seus pensamentos. “Ah, ele me pediu”.

Jong In havia retornado da casa de madeira com algumas garrafas de água, deixando duas separadas para as crianças, fizera questão de que uma fosse entregue ao seu pai.

- Aqui pai, bebe para não ficar com sede.

Senhor Park acordava do devaneio e olhara para o rapaz á sua frente. Reconhecia suas feições, era o filho do meio, Jong In. Pegando a garrafa já sem tampa, bebericou alguns grandes goles da bebida gelada e sorria grandiosamente.

- Obrigado filho.

Tão breve os sons das trotadas eram ouvidas, Luhan e Sehun retornavam do passeio deixando os cavalos irem beber água e comer algo, antes que levasse os próprios gêmeos para um passeio. Todos pareciam com sede, e aproveitavam da água trazida pelo moreno. Mas o que permanecia ali era a admiração da vista rural.

Min Seok olhava para o pai e soltava um suspiro, percebia que mais uma vez tinha o olhar perdido em algum pensamento nostálgico. Como queria entende-lo e saber o que se passava consigo. Após a revelação do diagnóstico, ficou imaginando se contar a sua história seria saudável. O pai iria esquecer dos acontecimentos presentes, mas as do passado permaneceriam intactas. Chegará o momento em que senhor Park não iria mais reconhecer os filhos, e isso tornaria as coisas mais difíceis.

Se recusaria a tomar a medicação, por não se recordar do motivo de fazê-las, iria achar que foi sequestrado, por estar rodeado de gente estranha. No final das contas ele teria vivido sua vida rodeado de suas lembranças, as preciosas lembranças.

Min Seok sentia um gosto amargo na boca, estava ficando cada vez mais arrependido de ter negligenciado aquele pai.

Recebendo um toque acolhedor em seus ombros, desviou o olhar para trás encontrando Jong In. Pareciam pensar nas mesmas coisas e aquilo ficava cada vez mais perturbador.

- Ok vamos dar a ultima volta e então voltaremos para casa!

Sehun e Luhan mantinham a alegria por perto, deixavam de lado toda a assombração e medo que rondava a família. Era época natalina, e queriam se divertir. Montando no cavalo e ajeitando um dos filhos á sua frente, Luhan fora o primeiro á sair em disparada pelo campo, não demorando para ser seguido pelo marido.

Mais uma vez, todos observavam as cavalgadas de longe.


A cidade vizinha não tinha muitos prédios, não era uma cidade grande como Seoul, mas dava para o gasto. Para chegar nela seria necessário passar por uma estrada de terra até cair na rodovia, somente depois de meia hora se aproximavam do portal de entrada. Assim que tinham chegado ao centro, procuraram pelo endereço do médico.

Os três filhos foram acompanhar o pai na consulta, estavam ansiosos para saber se a queda do outro dia, tivera algum dano maior. Entretanto Luhan tinha planos ainda maiores do que apenas um raio-x, precisava atualizar os dois irmãos do atual estado que o Senhor Park se encontrava.

O idoso em questão ficava olhando a janela do carro, lembrava de uma ou outra casa. Entretanto não fazia tanta questão de dar importância á sua memória quanto á cidade, apenas estava entediado dentro do carro.

Não demorando para chegarem na clínica, Jong In fora o primeiro á sair do carro para ir pegar a cadeira de rodas e ajudar o pai a se sentar nela. Min Seok segurava a cadeira, para que a mesma não saísse rua á baixo, enquanto Luhan entrava primeiro na clínica para avisar a chegada do pai.

Assim que os três estivessem na recepção não demorou para que o médico fosse lhes atender. Estava com o cabelo arrumado do mesmo jeito, não parecia ter mudado absolutamente nada desde a última vez que o viram.

- A sala de raio x já está pronta, podem ir se quiser, mas vai ser necessário que ele fique em pé.

Jong In e Min Seok foram escolhidos para ajudar o pai a caminhar até a sala em questão, seguravam com firmeza o braço de senhor Park dando passos pequenos e sem pressa. A sala de raio x era levemente escura, tendo uma máquina grande posicionada ao seu centro. Os dois filhos mais velhos ajeitavam o pai em frente á maquina, seguindo as instruções do médico, que ajeitava a própria máquina.

Em alguns minutos, senhor Park afirmava que conseguiria manter-se em pé, e então o exame se iniciou. Ninguém falava nada, o médico tinha o olhar fixo sobre o monitor, enquanto a maquina fazia de seu trabalho. A imagem preta e branca surgia aos poucos, o médico analisava e girava a imagem de tudo quanto era jeito. Precisava ver cada ângulo necessário.

- Ah como previ – Dizia por fim, após a máquina terminar o exame, Jong In e Min Seok faziam o pai voltar a se sentar na cadeira de rodas, logo se aproximando do médico que já apontava para o monitor. A tampa da caneta que segurava, apontava para a região do cóccix. – Aqui parece um pouco lesionado, mas não quebrado, por isso ele deve sentir desconforto em ficar sentado por muito tempo.

- Então não precisa mais usar a cadeira de rodas?

- Pois bem – O médico voltava a analisar, dessa vez a tampa da caneta deslizava por toda a coluna vertebral – Eu já tinha avisado ao seu pai que logo as dores iriam aumentar, ele viveu grande parte da vida sentado, e ainda de forma errada. Isso compromete a anatomia da coluna, sendo assim as dores continuarão, e até arrisco dizer que aumentará.

- O que devemos fazer então?

- É necessário o uso da cadeira – O médico subia a imagem do raio x e a ampliava – Acho necessário fazer mais um exame, quero ver como estão os nervos, já que á qualquer momento ele poderá deixar de andar.

Antes que entrassem em detalhes sobre a suposição do médico, o mesmo fazia uma ligação para algum colega pedindo que organizasse a sala de exames. Os três irmãos não demoraram em levar o pai pelos corredores daquela clínica, seguindo para os fundos onde encontrando um extenso espaço dividido em salas de exames. O teste á ser realizado era ergométrico, onde senhor Park subiria em esteira e andaria uma determinada velocidade, o médico verificava os batimentos cardíacos, para averiguar se o mesmo está sobrecarregado.

Enquanto aqueles exames estavam feitos com certa urgência, o médico responsável juntava os demais exames antigamente fitos e realizava uma comparação. Demorou-se cerca de duas horas para que todos os exames que senhor Park fora submetido, tivessem se encerrado. Tão breve os três filhos, mais o pai, se aglomeravam ao redor da mesa do médico, esperando por sua fala.

- Ele ainda conseguirá andar por um tempo – Dizia o médico olhando os filhos sobre os óculos – Mas devo alertar que nenhum esforço físico deve ser exacerbado, quero ele ora sentado repousando e ora caminhando. Além disso existe algo que ele tenha se esquecido recentemente?

- Não que a gente saiba – Luhan afirmava – mas acho que ele já não consiga tomar banho. O corpo dele está ficando duro.

- Com fisioterapia isso pode ajudar um pouco – O médico assentia – Aos poucos o pai de vocês não conseguirá mais realizar as tarefas, recomendo que desde já conversem entre si o que irão fazer.

- Como assim? - Jong In Olhava o médico – Por que ele não conseguiria?

O olhar do médico sobre os outros irmãos deixara-os nervosos, percebia que nada havia sido dito para aquele filho, que julgaria ser o do meio.  Soltando um suspiro e olhando para o senhor Park, que parecia mais interessado em ler a cartilha sobre a saúde bucal, o médico voltara a falar.

- O senhor Park foi diagnosticado com Alzheimer, faz uns quatro anos. – O olhar surpreso de Jong In não pairou somente sobre o médico, mas também sobre os irmãos. O que mais lhe chocava era não encontrar a mesma surpresa no rosto deles.

- Vocês sabiam disso?

- Fui eu quem o trouxe para cá – Dizia Luhan – Suspeitei quando começou a esquecer os números de telefone e então o nome das pessoas que conhecia.

- E não disse nada por que?

- Conversamos isso depois, quero saber qual o estado do pai agora. – Min Seok se sobrepunha os dois irmãos, que se calaram naquele instante. Com um movimento de cabeça, o filho mais velho permitia o médico á falar.

- Bom, acredito que o pai de vocês tenha começado a desenvolver á doença por volta dos quarenta anos, leva tempo até que os sintomas apareçam. E foi como o senhor Luhan dissera, esquecer telefones, nomes de pessoas que acabou de conhecer, onde guarda determinado objeto.

- E agora? – Jong In se inclinava para o médico

- Agora ele se encontra em um estágio mais avançando do que antes, porém vendo a doença como um todo, ainda não está com os sintomas severos. – O médico mostrava a lista de medicamentos – Esses foram dados para que os sintomas fossem retardados, e de fato foram. Mas agora não tem mais como controlar, ele vai ficar cada dia mais adoecido.

Min Seok reconhecia o nome dos remédios, suspirava em pensar que estava certo em estranhar que o pai o fizesse diversas vezes. Olhando para o senhor Park que ouvia tudo, porém calado, sentia o seu coração apertar.

- No estágio atual ele poderá demonstrar sintomas como dificuldade em lembrar das pessoas que conheceu recentemente, leituras feitas recentemente, repetição de perguntas ou de alguma história, perder objetos de valor por não se lembrar onde os colocou ou que era tais objetos, e assim segue.

- E o que nos recomenda?

- É como eu disse, precisam conversar entre vocês. A partir de hoje, seu pai não pode ficar sozinho.

- O que acontece? – Jong In perguntara – Além de acontecer quedas, como dessa vez.

- Na medida que a doença avança, o senhor Park vai desconhecendo a vida em sua volta. Não irá conseguir tomar banho sozinho, e como podem ver agora, ele ficará cada vez mais silencioso quando era para ser mais ativo. – Todos os olhares foram para o Senhor Park, que apenas sorria brincalhão, mesmo sem estar acompanhando a conversa. – Vai chegar o momento em que ele vai esquecer o próprio endereço, e poderá se perder com facilidade.

- E essa doença pode afetar o corpo dele?

- Considerando o estado atual de seu corpo – O médico remexia nos resultados do exame – Acredito que aproximando dos estados severos da doença, ele poderá ficar acamado por conta dos membros rígidos demais.

Um arrepio se passava entre os três filhos. No final das contas estavam vivenciando algo pior do que imaginaram que seria.

Em breve momento os quatro estariam dentro do carro voltando para casa de madeira. Todos silenciosos depois de ouvir as palavras do médico. Para quebrar de tal silencio, Min Seok deixara o rádio ligado tocando alguma música antiga.

Senhor Park sorria nostálgico e a cantarolava animadamente no banco de trás.

- A papai, porque não continua contando a história? Depois que você beijou o Baekhyun pela primeira vez.

O idoso olhou para o filho caçula e soltou uma risada baixa, estava envergonhado por ter que contar aquilo aos filhos, principalmente por ser algo tão íntimo. Mas já teria sentido isso e até superado, entretanto ele retornava.

- Aquela noite foi a única vez que nos beijamos, depois disso investi na amizade. O resto ficava tudo para o jardim secreto.


Bulgwang-dong, 12 de maio de 1965

O período de aulas se seguia normalmente, Chanyeol mantinha suas notas na média e Baekhyun demonstrava seus dotes acadêmicos. Em meio aos demais alunos, os dois rapazes não demonstravam sinais de afeto, porém Chanyeol sempre escolhia o mais baixo para ser o seu parceiro nas atividades, e isso seria parte de sua vingança por Jun Myeon ter matado aula sem o amigo.

Entretanto os dois rapazes trocavam olhares cheios de significados, além dos sorrisos demonstrando a cumplicidade que crescia entre eles. Não importava o que acontecia ali, ambos eram culpados e aproveitavam bem daquilo.

Sun Hee, a garota popular do terceiro ano, estava ficando cada vez mais próxima de Chanyeol. Não enrolava quanto á seus objetivos, queria namorar o garoto Park. Percebendo que sua aproximação na sala de aula não surtia efeito, passou a almoçar com os três rapazes. Rindo de qualquer piada mal contada, mexendo no cabelo enquanto olhava para Chanyeol, lhe deixavam incomodado.

Assim que percebeu o jogo de cintura da garota, Chanyeol escapava no almoço, passando-o no jardim. Mesmo que ficasse sozinho sob um galho de árvore, escondido entre as folhagens, já que Baekhyun sempre almoçava no refeitório.

Mesmo assim Sun Hee não desistia, cercava o garoto de cabelos brancos na saída o acompanhando até o dormitório. De vez em quando o maior respondia-lhe com grosserias, mas nada que a afastasse de si. Estava se sentindo sufocado, e parte de sua irritação era devido os rumores de que ambos estavam namorando.

Não demorou para que tais rumores chegassem aos ouvidos do diretor, que os convocou em sua sala para tirar satisfação, e acentuar sobre as regras que não permitiam relacionamentos. Chanyeol ficara extremamente satisfeito em desmentir e dizer que o rumor iniciara por conta da garota que lhe seguia, sendo que uma ordem lhe fora dada. Sun Hee não poderia ser vista ao lado do senhor Park.

Enquanto ansiava pelos ponteiros do relógio, que iriam marcar as três da tarde, Chanyeol batia a ponta dos dedos sobre a mesa de madeira. Mordendo o lábio inferior, compreendia que o motivo de sua ansiedade se encontrava algumas carteiras á frente, copiando matéria com total calma. Seria o único a estar nervoso?

O sinal soara repentinamente, os alunos suspiravam aliviados e guardavam o material com certa pressa em saírem das salas de aula. Chanyeol não fora diferente, apenas socara seu caderno enquanto via Baekhyun já saindo da sala.

- Que rápido.

Rindo baixo, apena se despedira de Jun Myeon, havia dito que iria pular o muro e sair para a cidade. Em disparada conseguia ir se esquivando dos alunos, evitando de ser pego. Como criara o hábito, se escondia atrás do carro, esperando que o intenso movimento de alunos se dissipasse. Demorara alguns minutos, e assim que estava convicto, saíra correndo até a porta de madeira.

Antes que entrasse, tentou acalmar sua respiração e fizera uma contagem. Assim que fechou á porta atrás de si já conseguia ouvir a voz de Baekhyun, cantarolando próximo ao banco branco.

Deixou sua bolsa jogada no grama, e seguindo na ponta do pé ia se aproximando do garoto mais baixo sem que fosse pego. O encontrando de costas para si, abraçou-lhe a cintura e depositara um selar delicado em sua bochecha, fazendo Baekhyun sobressaltar-se arrepiado.

- Que susto Chanyeol! – O garoto ria logo voltando a atenção para as plantas – Pensei que iria sair com sua namorada.

Chanyeol permanecia com as mãos sobre a cintura do garoto, enquanto apoiava a cabeça sobre a semelhante.

- Não tenho namorada, estou interessado em outra pessoa.

- Quero ver falar isso para ela.

- Se você deixasse, eu diria.

Baekhyun olhava para Chanyeol, mostrou a língua e soltou um riso baixo. Estariam sozinhos em um jardim secreto, poderiam ser eles mesmos sem ter que dar satisfação á ninguém. Por isso Chanyeol sentia-se livre em segurar o queixo de Baekhyun, e depositar um demorado selar em seus lábios. Tal selar que fora bem retribuído pelo menor.

A troca da caricias sempre era feita ali, poderiam conversar sobre tudo o que quisessem e ainda não terem vergonha ou medo de segurar a mão do outro. Não se preocupavam com que título iriam ganhar, ou se precisavam de algum, apenas queriam aproveitar a presença um do outro.

Com os lábios ainda colados, Baekhyun soltava o regador, deixando que caísse no grama espalhando toda a água, para que pudesse se virar e abraçar a cintura do rapaz mais alto. Como se sentisse falta de um beijo, Chanyeol novamente passava a ponta da língua entre os lábios do menor, o persuadindo á aprofundar o toque.

Quando o fez as mãos do maior deslizaram por seu rosto, descendo em seu pescoço e braço até chegar na cintura fina, onde repouso e o apertou. Os dígitos de Baekhyun fazia o movimento contrário, subiam pelos bíceps do maior, onde ali apertavam com certa força. Quando menos se esperava, ambos os corpos estavam encostados, em uma certa urgência de sentirem o contato do outro.

Com o final do beijo, Chanyeol apreciava os lábios inchados e úmidos de Baekhyun, controlando seu impulso de toma-los outra vez seguida.

- Pretende ficar roubando meus beijos? – A voz do menor soava como sussurros, que arrepiavam a face do maior. Com os rostos ainda próximos, estava sorrindo diante do olhar petrificado de Chanyeol. – Sou tão irresistível assim?

- Você é, eu sou – O sorriso brincalhão despontou dos lábios de Chanyeol, fazendo ambos rirem.

Soltando a cintura do garoto, Chanyeol deixara com que ele retornasse á suas atividades, enquanto o outro tirava um cochilo no banco.

Os dois rapazes conseguiram aproveitar o final da tarde, quando o horário de retornarem aos dormitórios se aproximava. A troca de beijos e caricias ficara intenso, junto com o desejo que ficarem grudados um no outro. Mesmo que um risse do outro, por conta de piadas bobas e supérfluas, ambos se sentiam ansiosos pelo futuro.

Ao retornar para o dormitório, Chanyeol resolvera passar pelo hall de entrada onde ficava a recepção. Era uma certa rotina do rapaz mais alto, já que seus pais lhe enviavam cartas com frequência. Quando fazia as contas de vinte dias, saberia que uma nova carta estava á sua espera.

E de fato havia uma. Ao assinar a ata, confirmando ter recebido e pego a correspondência, Chanyeol seguia para seu quarto enquanto lia o conteúdo. Não demorou para que sua fisionomia descontraída desse lugar para uma de descrença. Negava com a cabeça o que lia, rejeitando por completo o seu conteúdo.

Ao fechar a porta do quarto e sentar-se na cama, deixou que as duas páginas de cartas ficassem sobre o colchão. O olhar furioso e o sorriso malicioso tomavam conta de si.

- Noiva? Só pode ser brincadeira.

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Naqueles dias bonitos
Cada pedacinho de memória dos tempos que eu passei com você...

Promise- Exo
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