{O Jardim Secreto} Capitulo 4 - O país das maravilhas

Fanfic / Fanfiction O Jardim Secreto - Capítulo 4 - Capitulo 4 - O país das maravilhas

Mas então”, pensou Alice, “eu não vou nunca ficar mais velha do que sou agora? Isso é um conforto, de qualquer maneira... nunca ficar velha...e então...ter sempre que estudar. Oh” eu não gostaria disso!”

Alice no país das maravilhas Capitulo 4, O coelho manda Bill O Lagarto

O corpo parecia doer com cada movimento que fazia, por mais que rolasse na cama e encontrasse a posição perfeita para descansar mais alguns minutos, logo algum membro começava a latejar. Estava ficando irritado com aquilo, sendo assim sentou-se na cama com certa dificuldade, pegou um dos frascos que havia em sua cômoda e tomou um dos comprimidos junto com um copo de água.

Encostando-se na cabeceira da cama, esperou que o efeito começasse e que pudesse, pelo menos, dormir mais alguns minutos. Enquanto esperava, ficou a olhar para o seu quarto. Não haveria muitos moveis, apenas um armário em frente á cama e a porta que dava para o banheiro, além da cômoda ao lado da cama. Olhando o rádio relógio, que marcava a hora próxima das oito da manhã, o senhor Park se ponderou na dúvida de voltar a dormir ou ir preparar o café da manhã.

Olhando para a cômoda encontrara os frascos de remédios. O relógio que marcava o horário correto de tomar o medicamento, não demorou para que se xingasse por ter esquecido de fazê-lo. Virando o frasco sobre a palma da mão, tomou mais um comprimido.

Logo os filhos iriam levantar, assim como as crianças. Iriam sentir fome e não ter nada para que pudessem comer isso poderia ser considerado um descaso. Havia se esquecido completamente que Sehun tinha feito compras. Soltando um suspiro prolongado, senhor Park resolvera levantar da cama, precisava ir no mercado levar sua lista de compras, que fizera quando Luhan e Sehun chegaram. Tomando todo o cuidado para que o peso de seu corpo não se concentrasse em um único ponto de sua coluna, fora até o andador e seguiu para o banheiro.

Com dificuldades, que acabavam por aumentar naquele dia, se despiu e entrou debaixo da ducha. Ao sentir a água morna bater em sua pele, soltou um gemido baixo de dor nas costas. Estava se arrepiando com a temperatura da água. Olhando para a vareta que ligava ao chuveiro, o idoso conseguira segurá-la para mudar a temperatura para mais quente.

Deixando a janela aberta, para evitar que sua pressão caísse com a água quente e o banheiro cheio de seu vapor, senhor Park se segurava na barra de inox enquanto tentava ensaboar suas pernas. O corpo estava enrijecido, os músculos pareciam doer com os movimentos que fazia. Mesmo tomando o cuidado, o sabão que ainda ficara em seu pé o fez deslizar dentro do box e bater as costas na barra de inox.

O baixo grito que soltou com a queda, além do barulho de seu corpo batendo contra o box, foi o suficiente para acordar os três filhos. Talvez estivessem prestes á despertar, por isso o sono estaria mais leve, mas ao ouvir aquele barulho se levantaram de imediato para saírem de seus respectivos quartos. Se entreolhando, os irmãos ficaram confusos com o que teriam ouvido.

- Também escutaram alguém gritar? – Jong In coçava a cabeça olhando a casa ainda escura, sinal de que ninguém teria levantado.

- Eu escutei alguma coisa. – Min Seok assentia.

- Papai!

Luhan fora o primeiro a ir correndo para o quarto do pai, sendo seguido pelos dois irmãos. Ao abrirem a porta viram a cama vazia, assim como a porta do banheiro fechada e o som do chuveiro ligado. Não perderam tempo em bater na porta pedindo licença, apenas a abriram e encontraram o senhor Park caído no chão se segurando na barra de inox.

Jong In e Min Seok, eram os mais fortes, seguraram o pai e o ajudaram-no a levantar com extremo cuidado. Enquanto isso Luhan conseguira entrar para fechar o registro e pegar a toalha para secar o corpo do pai.

O filho mais velho percebia que as mãos do pai estavam trêmulas pelo susto, a pele branca também seria sinal de que precisaria de um tempo para processar o ocorrido. Jong In por outro lado, percebera uma marca arroxeada nas costas do pai, provocada pelo baque com a barra.

Os três ajudaram o pai á sair do box, Luhan tratou de secar o corpo do pai com cuidado, ouvido os gemidos doloridos do mesmo quando apertava a região de sua cintura. Enquanto Min Seok e Luhan ajudavam o pai a se vestir, Jong In fora atrás do andador.

Imaginando a dor que ele iria sentir após a queda, o andador não seria o objeto ideal para aquele momento. Olhando em volta do quarto não encontrara nada que pudesse ser de grande ajuda naquele momento.

- Não tem nenhuma cadeira de rodas aqui?

Min Seok esticava o pescoço para observar o irmão, negando com a cabeça sabia que o pai detestava aquele tipo de coisa. Após terminarem de agasalhar o idoso, os dois irmãos ajudaram-no a se deitar na cama.

- Vou chamar alguém pra te examinar, então fique aqui com Luhan – Min Seok ordenava pegando o celular do bolso – E nada de se mexer de mais nessa cama.

Senhor Park dizia nada, estava envergonhado por ter sido pego pelos filhos em uma cena como aquela. Por mais que a queda não tenha sido proposital, ou algo realmente vergonhoso, se sentia daquela forma.

Luhan cobria o pai com os cobertores, e voltava para ajeitar os cabelos do pai. Enquanto isso, Jong In ia para cozinha preparar algum chá que pudesse acalmar a dor, isso á pedido do irmão mais velho que se recusaria a ver o pai a tomar mais algum remédio. Min Seok andava de um lado para outro enquanto procurava pelo número do médico que o pai frequentava, ao encontrar chamou-o com certa urgência.

Aos poucos os demais iam despertando ao ouvirem a movimentação na casa. Jimin fora direto ao marido, que desligava o telefone e já aparentava algum estresse.

- O que houve?

- Pai caiu no banheiro – Respondia o rapaz passando a mão na testa. A esposa lhe envolveu em seus braços e depositou um selar sutil em sua testa. – O médico vai chegar daqui a pouco, preciso que...

- Vai ficar tudo bem, seu pai é forte.

- Sabe o que mais irrita? – Min Seok olhava para a esposa, que negava com a cabeça – Já parou para pensar quantas vezes isso deve ter acontecido, enquanto ele morou sozinho? Somente dessa vez é que estávamos aqui para ajudar, mas e as outras?

- Isso mostra que seu pai é um homem forte e independente. Além de não querer preocupar os filhos com os seus problemas.

Era possível ver que Min Seok estava deixando a barreira entre ele seu pai, cair. Com o ouvir da história parava para perceber que senhor Park também teria vivido uma vida diferente e cheia de complicações. Só desejava saber até onde essas complicações estavam fazendo seu pai viver amargamente na solidão.

Assim que todos tivessem acordados e sidos avisados do decorrido, não demorou para que a cama de Senhor Park fosse dominada pelos cinco netos. Luhan ainda fazia um pouco de birra para tentar um espaço para si, queria ficar perto do pai para evitar outro acidente. A situação que parecia urgente, passou a ser cômica para Senhor Park, que se divertia com a briga entre o tio e os sobrinhos.

- Vovô olha o tio Luhan!

Sejeong jogava a manta sobre o tio e esfregava sua cabeça com as mãos. Mesmo que tivessem rindo naquele momento, todos estavam preocupados com a saúde de Senhor Park. O filho caçula retirava da manta e olhava para a sobrinha.

- Você tá morta!

Quando menos se esperava os dois tinham se levantado da cama e saindo correndo pela casa aos gritos.

- Meninos sem correr, por favor!

Min Seok ajudava Jong In á preparar o café da manhã, estava sentindo a responsabilidade de cuidar da família, mais uma vez, pesar em seus ombros. Jimin pegava a bandeja com o chá e um pedaço de bolo, levando para o quarto do sogro. Percebia que a bagunça não se seguia somente na sala, mas dentro daquele cômodo havia quatro crianças que brincavam de médico, tendo o avô como paciente.

- Meninos vamos deixar o vovô comer um pouco.

Mesmo com o pedido da nora, não houve negociações. Soojung tentava controlar os filhos, mas os mesmos estavam animados com as férias e não se deixariam abalar com broncas e pedidos. No final das contas, todos estavam em volta de senhor Park, o observando beber do chá e comer o bolo, enquanto dizia que estava bem.

-Já que está todo mundo aqui – Sejeong abraçava um travesseiro, enquanto olhava o avô – e esperamos o médico, que tal o vovô continuar com a história?

Senhor Park passou os olhos sobre os filhos e noras, percebia que todos ali presentes pareciam interessados em saber a continuação. Além do mais, não teriam muito o que fazer até a chegada do médico, que estaria vindo da cidade vizinha.

- Bom depois que vi a primeira provocação com o Baekhyun, senti mais vontade ainda de manter ele por perto de mim, talvez um instinto protetor...

Bulgwang-dong, 26 de marrco de 1965

Chanyeol percebia que estava em uma rodovia de mão dupla, ao mesmo tempo que parecia seguir em frente, fazendo amizade com Baekhyun além dos muros do jardim, estava regressando com as cenas de bullying que presenciava, com aquele garoto lhe empurrando para longe.

Saberia o motivo de terem tal implicância com o garoto, mas não se importava com aquilo. Na verdade, sentia-se com curiosidade, queria fazer perguntas para poder entender o que poderia ser.

Após terem feito a apresentação da atividade de história, Chanyeol continuava a conversar com Baekhyun na sala de aula. Sua aproximação tornou suspeita diante dos demais alunos, algumas garotas que nutriam sentimentos pelo rapaz alto, tentavam se aproximar para tentar a sorte de serem correspondidas, antes que algum boato da sexualidade de Chanyeol surgisse.

Ouvir os rumores deixava Baekhyun temeroso, saberia que aquela aproximação não traria um retorno legal para Chanyeol. Por isso ignorava suas conversas em público, e enquanto no privado pedia para que fosse cauteloso, para evitar que ficasse como si próprio.  Todavia não conseguia evita-lo por completo. Chanyeol era um rapaz brilhante, quando se esforçava sempre se dava bem nas matérias, além de seu visual rebelde ser atraente.

Não teria como negar que receber aquela atenção do rapaz alto, não iria mexer com seus sentimentos. Só não saberia como que o próprio Chanyeol se sentiria sobre isso.

Após ter recebido uma carta de seus pais, avisando que naquele final de semana não seria possível receber o filho, Chanyeol se encontrava animado naquela sexta-feira. Seguindo para o jardim no horário de almoço, saberia que encontraria Baekhyun cuidando de alguma flor. E de fato estava na ponta dos pés tentando alcançar algumas maçãs maduras. Sorrindo com a oportunidade, se aproximou silenciosamente ficando atrás do garoto. Esticou a mão e alcançou a maçã.

Baekhyun desviou o olhar para Chanyeol de imediato, o rosto avermelhara-se com a proximidade dos corpos, porém sorrira com a fruta que fora entregue. Colocando-a no cesto, deixou com que o mais alto retirasse as demais maçãs para si.

- Parece animado hoje.

Chanyeol ajeitava as maçãs na cesta, subia alguns galhos da árvore, tentando alcançar outras frutas que estavam mais ao alto. Baekhyun observava o maior com atenção, que parecia se divertir com aquela pequena tarefa.

- É sexta feira, não irei para casa dos meus pais, e você?

- Sempre passo o final de semana aqui.

Chanyeol olhara para o garoto e lhe jogara a maçã, pega com perfeição antes de atingir a cabeça do garoto. Os dois rapazes riram enquanto iniciavam uma conversa calma. O mais alto subia os galhos acabando por se esconder entre as folhagens, aproveitando estar camuflado, e apenas os dois naquele ambiente, resolvera arriscar.

- Como foi que os rumores começaram? – Esticando um pouco para ver o rapaz, percebia que não parecia animado com a pergunta. – Se quiser contar...fique á vontade, só me bateu a curiosidade.

- Foi uma brincadeira de mal gosto de alguns veteranos – Respondia Baekhyun, enquanto segurava outra maçã jogada pelo mais alto. – Quando entrei na escola, resolveram fazer uma brincadeira, e um deles tinha o desafio de dormir com um gay da escola.

- E como ele saberia que você é?

- Por que em uma apresentação eu disse que não tinha nada contra o relacionamento gay – O rapaz olhava para Chanyeol sob os galhos, rindo da forma desengonçada de subir para o galho acima – Então um dos veteranos se aproximou de mim e começou a fazer amizade, quando ele me beijou e eu o correspondi, fomos flagrados por seus amigos.

Chanyeol ficava a imaginar a cena, o que lhe repudiava alguém ter a mente tão pequena. Bufando e arrancando com mais força, as maçãs, tentava controlar a raiva que sentia de alguém que teria magoado aquele novo amigo. Ao entregar as últimas maçãs e descer da macieira, ajeitou as roupas ficando de frente á Baekhyun.

- E você gostava dele?

Baekhyun ficou a olhar o rapaz alto á sua frente, parecia sério enquanto sustentava seu olhar. Como deveria desvendar aquele rapaz á sua frente, que parecia ser a pessoa mais querida pelos alunos, e que de repente estava passando todas as horas vagas consigo naquele jardim tão discreto.

Fazendo uma comparação de fatos, Baekhyun percebia a semelhança entre a aproximação daquele rapaz com a de Chanyeol. Algo que iniciou do nada e que parecia progredir com o passar do tempo. Já se sentia nervoso diante de si, e ansiava por vê-lo no jardim. Parecia que a história estava se repetindo.

- É, eu gostava dele.

Como se o ritmo cardíaco tivesse aumentado, os dois rapazes permaneceram na troca de olhares. Chanyeol queria descobrir como era ficar com alguém do mesmo sexo, queria experimentar. Não iria enganar á si próprio quanto á isso, ficar sorrindo sob a presença de Baekhyun e admirar seu sorriso, já era sinal de que se sentia atraído. Mas estava com receio de que não fosse como imaginava.

Baekhyun fora o primeiro a se afastar do contato visual, carregando a cesta de frutas para fora do jardim. O rosto avermelhado e a mente que parecia confusa com diversos pensamentos, já trazia um sinal de alerta para o rapaz mais baixo. Não deveria deixar-se levar sendo que conhecia tão bem aquela história.

O sinal que findava o horário de almoço finalmente tocara. Chanyeol apenas suspirava bagunçando seus cabelos brancos, regressando para a sala de aula. Estava confuso quanto á Baekhyun, mesmo que quisesse tentar algo saberia que deveria ser daquela maneira. O que lhe perturbava era o sentimento tão repentino como aquele surgir do nada. Cada segundo que passava ao lado do garoto, era um segundo que fazia ter certeza de seus desejos.

Enquanto caminhava no corredor, fora parado por uma garota. Observando quem teria se colocado á sua frente, soltou um suspiro pesado em ver que Sun Hee parecia sorrir diante de si.

- O que acha de sairmos nesse final de semana?

- Não quero sair com você – A garota cerrara o cenho diante das palavras ríspidas e diretivas de Chanyeol. O rapaz percebendo que talvez tivesse descontado um pouco de sua raiva na garota, tratara de dar uma desculpa. – Já tenho compromisso com outra pessoa.

- Com quem? Seus amigos não estarão aqui, então com quem seria a não ser á mim?

Chanyeol olhava em volta á procura de um rosto conhecido. A sua sorte fora de Baekhyun estar voltando naquele exato momento. Segurando o pulso do garoto e mostrando á garota sua frente, Chanyeol sorria.

O garoto se assustara em ser puxado enquanto caminhava. Olhando á sua frente via uma garota bonita de braços cruzados e cenho cerrado enquanto lhe olhava. Desejando saber quem estaria lhe puxando, olhara para trás vendo Chanyeol sorrir belamente.

- Tenho compromisso com ele, então tchau!

Puxando Baekhyun para dentro da sala de aula, os dois rapazes se entreolharam. Chanyeol soltou o pulso do garoto e sussurrando um pedido de desculpas, cada um seguiu para sua respectiva carteira.

Antes que a aula se iniciasse Baekhyun olhou por cima dos ombros, encarando o rapaz alto sentado no fundo da sala. O mesmo estava debruçado na carteira lhe olhando, deixando uma piscadela para o garoto menor. Sentindo as bochechas se avermelharem, apenas virou-se para frente desejando não sentir aquelas emoções, com aquele garoto.


Com o fim das aulas e o início do final de semana, Chanyeol percebia que não teria algo para fazer naquele final de tarde. Enquanto reunia seu material, percebia que Sun Hee o esperava na porta da sala. Jogando a bolsa no ombro e saindo da sala parou ao lado da garota, já imaginando o que seria dito.

- Chanyeol – A garota se virou de imediato ao perceber a presença do rapaz ao seu lado – O que acha de sairmos agora?

- Eu já tinha dito que tenho compromisso com Baekhyun.

- Você é gay?

Chanyeol olhara para a garota e cerrou o cenho. Saberia que dependendo de sua resposta, poderia arranjar problemas iguais ás de Baekhyun. Mesmo assim não se sentia bem sendo abordado por uma garota tão direta. Talvez no início do ano teria aceitado saído com ela, entretanto houve uma mudança em seu comportamento que parecia repudiar aquele olhar interesseiro. Uma garota que parecia popular e queria tirar proveito disso consigo.

- Não ultrapasse o limite garota – Chanyeol deixava as mãos no bolso- Não te conheço para que acredite ter intimidade comigo á esse nível.

- Mas eu...

- Ah que saco.

Saindo da frente da sala de aula, e deixando uma garota envergonhada para trás, Chanyeol seguia o trajeto para o jardim secreto. Em meio do caminho encontrara Baekhyun seguindo o mesmo percursso, em passos lentos e olhar focado em seus pés. Inclinando a cabeça aumentou o ritmo de seus passos para acompanhar o garoto, que lhe olhava repentinamente.

- Chanyeol, onde pensa ir?

- No jardim, por que, quer me acompanhar?

Baekhyun olhava em volta mordendo o lábio com certa força. Apenas apressou os passos para andar mais á frente que Chanyeol, e chegar o mais depressa possível no jardim. O rapaz alto vendo o nervosismo do menor, soltara uma risada abafada enquanto o seguia calmamente para jardim.

Ao chegarem não deixaram nenhum assunto constrangedor atrapalhá-los. Baekhyun continuava á mexer com as plantas, as regando e podando quando necessário, enquanto Chanyeol deitava no banco observando o garoto e apreciando a sua voz enquanto cantarolava.


O médico que havia chego era um homem por volta dos cinquenta anos, tinha os cabelos acinzentados e um par de óculos com armação redonda. Enquanto examinava o senhor Park, e anotava as prescrições em sua prancheta, conversava fazendo perguntas sobre os sintomas. Min Seok era o único que contava ao médico sobre a queda do pai, além de ter aproveitado para questionar sobre os remédios.

Com a ajuda dos filhos, o médico conseguira virar Senhor Park o suficiente para ver a região de baque, o hematoma se prolongava pela cintura do idoso. Fazendo o exame necessário não demorou para que olhassem suas anotações e se direcionasse para os filhos.

- Acredito que seja ideal o uso de almofada e uma cadeira de rodas – Olhando para o senhor Park – Dessa vez, faça o favor de obedecer ao seu médico seu teimoso.

- Ele irá – Luhan assentia olhando para o pai, que sorria brincalhão. – Para quando ficou agendado o exame de raio x então?

- Podem ir na segunda mesmo, já que é urgente e ele tem mais de sessenta anos.

O médico juntava seu material dentro de uma maleta e se retirava do quarto. Min Seok acompanhava-o até o carro, tendo a dúvida em sua mente.

- Então não existe a possibilidade dele não fazer uso daquela medicação?

O homem se virou para o filho mais velho que parecia preocupado com o pai. Conhecia o senhor Park fazia alguns anos e nunca teria visto além do filho caçula. Não saberia o que poderia ter ocorrido naquela família para que o mais velho demonstrasse algum sinal de compaixão com o pai. Mesmo assim seria sincero, já que o homem á sua frente parecia preocupado.

- Não pode, já que eles ajudam no tratamento do Alzheimer.

- Alzheimer? – Min Seok arregalava os olhos -Ele me parece bem lúcido.

- Por enquanto, acredito que o seu irmão deva saber mais detalhes, já que foi ele quem suspeitou da doença logo em seu início e trouxe seu pai á mim.

Com apenas um aceno o médico adentrava em seu automóvel e saía pela rodovia deixando um Min Seok espantado. Virando-se para olhar a casa, ficou imaginando o que mais estava sendo omitido de si.

Jong In saía de casa com a carteira e a chave do carro, apenas entrou no automóvel preto e se retirou com certa pressa. Soltando um suspiro Min Seok adentrou na casa de madeira vendo que as mulheres já preparavam o almoço.

- Onde Jong In foi?

- Comprar uma cadeira rodas e o travesseiro – Soojung sorria para o cunhado enquanto mexia com a cebola.

Agradecendo pela informação e seguindo para o quarto do pai, via Luhan acariciar os cabelos do idoso enquanto sorria gentilmente. Dizia palavras bonitas ao pai enquanto cuidava de si. Uma pequena ponta de inveja crescia no peito de Min Seok, que observava a cena parado na porta.

Soltando um pigarro baixo, chamou a atenção do irmão que desviara sua atenção. Balançando a cabeça para o lado, os dois irmãos seguiam para um cômodo vazio.

- Alzheimer? – Min Seok perguntava á Luhan, que demonstrava certa surpresa pelo irmão ter descoberto. – É coisa séria, por que raios não nos contou?

- E isso mudaria alguma coisa? – Luhan tinha os olhos marejados – Enquanto morei aqui, quantas vezes eu liguei para você e para Jong In, desesperado por nosso pai não saber de pequenas coisas?

- Nunca ligou para falar disso.

- Liguei, mas toda vez que eu dizia ser sobre o papai, vocês dois fingiam estar ocupados demais para se preocuparem, e apenas diziam que eu conseguiria lidar com isso.

O silêncio cresceu entre os dois irmãos. Luhan passava a mão em seu rosto limpando as finas lágrimas que caíam em seu rosto. O relacionamento entre os irmãos nunca fora perturbadora, sempre se deram bem. Min Seok fazia seu papel de mais velho e protegia os mais novos quando viam os pais brigarem.

Pela primeira vez via o caçula esconder algo de si, algo que era importante em demasia. Por mais que tivesse suspeitado da dosagem dos remédios, não esperava que fosse alguma doença tão séria quanto aquela. Abraçando o irmão que chorava, ficaram a se confortar, sabendo que não poderiam preocupar em demasia, já que se encontravam em uma situação delicada.

- Vai ficar bem, ele vai ficar bem.

Ao saírem do quarto, mais calmos, retornaram aos aposentos de senhor Park que brincava com os netos com alguns bonecos. Não demorou para que Jong In retornasse com a almofada e a cadeira de rodas.

- Acho que essa dá, foi a única que eu encontrei nesse fim de mundo.

O filho do meio ajudara o pai á se levantar e se sentar na cadeira, ajeitando a almofada em sua cintura. Assim que posicionado, deixou uma coberta sobre suas pernas e ajeitou as meias nos pés frios do pai.
- Pronto senhor, agora ta melhor.

- Obrigado meu filho.

Ouvir aquelas palavras do pai fizera Jong In ter os olhos marejados, mas escondera sua súbita emoção com um sorriso singelo e um balançar de cabeça. Empurrando a cadeira de rodas para a cozinha, onde o almoço estava sendo servido, encontrou toda a família reunida ali para o desjejum.

Mesmo que estivessem todos preocupados sobre a saúde de senhor Park , queriam distrair a família de toda aquela tensão que residia entre eles. Como se alguém tivesse pedido, mesmo que silenciosamente, Senhor Park começava a contar toda a história de como teria conhecido Baekhyun. Min Seok fizera sinal para os demais que não interrompessem sua fala, onde provavelmente ele continuaria de onde parou no dia anterior.

Bulgwang-dong, 27 de marrco de 1965

O corpo de um adolescente passa por tantas transformações, que se torna cada vez mais difícil dele poder se compreender. Chanyeol sentia-se estranho enquanto passava a lamina de barbear sobre o rosto, com extremo cuidado. Não haveria muitos pelos em sua face, mas detestava a sensação de passar a mão em seu rosto e sentir algo pinicar.

A batida na porta do seu quarto parecia frenética. Cerrando o cenho e sem tempo para tirar o restante da espuma, tamanha era a euforia de quem batia na sua porta. Deixando a toalha envolta de seu pescoço, Chanyeol resmungava indo até a porta a abrindo.

- O que foi?

Imaginava que seria Jun Myeon ou Jong Dae, que gostava de quebrar algumas regras e trazer algumas grades de cerveja. Entretanto a pessoa que estava na sua frente era Baekhyun, a camisa esportiva estava suja de algo, os cabelos estavam molhados e branco por conta da farinha. Com a respiração ofegante o garoto olhara em sua volta, antes de empurrar o peitoral do mais alto e entrar no quarto.

- O que raios está acontecendo?

Deixando-se cair no chão, o rapaz pousava a mão no rosto suado esperando acalmar sua respiração. Ouvindo  som de pessoas correndo pelo corredor e alguém gritando algo, fez Chanyeol abrir a porta e olhar quem seria. Um grupo de garotas estavam segurando algumas sacolas, entre elas reconhecia a Sun Hee.

- Yah – O grupo de garotas viraram ao ouvir a voz de Chanyeol. Se aproximaram do rapaz, segurando o riso em vê-lo com a espuma branca espalhada no rosto – O que estão fazendo?

- Procurando uma pessoa, viu o Byun por ai?

Olhando para as mãos das garotas reconheceu o pacote de farinha, cerrando o cenho cruzou os braços fechando a porta atrás de si com o pé, sem que elas pudessem perceber.

- Estão fazendo algum tipo de bolo? – Sun Hee olhava para as próprias mãos e sorria sem graça – Façam alguma coisa e terei o prazer de ter uma conversa com a diretora sobre estarem andando na ala masculina.

 O rapaz abria a porta novamente e adentrava ignorando qualquer palavra dita pela garota. Olhando para Baekhyun segurou de seus braços o fazendo se levantar. Guiou-o até o banheiro, apontando para o chuveiro.

- Fique á vontade para se lavar, mas acho que seria melhor se passasse a noite aqui.

- Não vou passar a noite com você.

- Então seu cabelo vai receber outra xicara de farinha.  – Saindo do banheiro, Chanyeol fora até o armário onde separou uma troca de roupa deixando sobre a cama. Reparando que ainda estava com a espuma em seu rosto soltou uma arfada baixa.

Preferiu não adentrar no banheiro, deixou o rapaz levasse o seu tempo para se lavar. Imaginou como ele teria encontrado o seu quarto, mesmo assim sentiu-se aliviado por isso, afinal estava servindo como porto seguro para Baekhyun.

Passando a toalha sobre o rosto para limpar a espuma, o rapaz ficou ajeitando sua cama para que o garoto fosse dormir. Olhou em volta do quarto não encontrando muito espaço para que fosse dormir no chão, se quer teria algum sofá. Sorrindo levemente com a situação, adicionou alguns cobertores quando ouvira uma voz baixa soar pelo quarto.

- Ahn.. Chanyeol eu não tenho roupas.

O mais alto virou-se para a porta onde encontrou apenas a cabeça com os cabelos molhados do rapaz. Entregando a muda de roupa que havia separado, esperou alguns minutos antes que Baekhyun saísse do banheiro. A calça teria ficado comprida, a barra cobria parte dos pés de Baekhyun, assim como a camiseta cobria até a coxa.

- Melhor?

O garoto assentia envergonhado, tinha as bochechas rosadas por conta da timidez. Chanyeol sorria satisfeito. Deixando o garoto á vontade, o maior deles voltara ao banheiro para terminar de se barbear, voltando a passar a espuma na região que ainda faltava, aproximando a lâmina do maxilar, sentia a dificuldade em enxergar. Os resmungos de Chanyeol chamara a atenção do garoto, que estaria dobrando suas roupas.

Ao se aproximar da porta do banheiro presenciou a cena do rapaz de cabelos brancos se contorcer em frente do espelho.

- Precisa de ajuda?

Olhando pelo reflexo do espelho, apenas rira mexendo no cabelo.

- Sabe mexer com barba?

- Sei fazer a minha quando necessário.

Entrando no banheiro, Baekhyun guiou para que o mais alto ficasse sentado sobre a tampa da patente. Com um pedido tímido de licença, entreabriu as pernas do mais para poder se posicionar. Segurando delicadamente o queixo do maior, começara a deslizar a lamina com suavidade sobre sua pele.

Chanyeol ficava observando aquele garoto á sua frente, parecia concentrado no que fazia. Estavam tão perto um do outro, que o mais alto conseguia sentir a respiração bater em sua pele. A sua missão era evitar de agir inconscientemente, suas mãos seguraram com firmeza os próprios joelhos para não o tocar.

Seus lábios se contorciam na medida que deslizava a lamina retirando os fios, os olhos piscavam poucas vezes para manter o foco. “é bonito todo concentrado”.

Baekhyun percebia o olhar que recebia, sorria gentilmente enquanto finalizava passando a toalha sobre o rosto do maior.

- Pronto, acho que está apresentável.

- Obrigado...

Os sinos da escola soavam as doze badaladas enquanto a chuva caía em grandes pancadas. Os dois rapazes foram para a cama, mesmo que Baekhyun dissesse que dormiria no chão, por ser pequeno e magro conseguiria arranjar um espaço para si, Chanyeol fizera questão que dormisse ao seu lado na cama.

- Está frio, deita e durma.

- Chanyeol não deveria fazer isso...

O coração do garoto batia acelerado em apenas pensar dividir a cama com o rapaz mais alto. Não saberia como agir, sua mente já se confundia com tantos pensamentos. Seu pulso fora segurado pelo maior, que o fizera se deitar na cama. Jogou a coberta sobre o garoto, para poder se deitar ao seu lado.

- Chanyeol realmente não acho que deveríamos estar dividindo a cama.

- Estamos sozinhos aqui, não há o que temer.

Baekhyun estava de costas para o mais alto, encolhia-se o máximo que poderia para não tomar espaço de Chanyeol. As mãos pousadas sobre o peito sentiam aquele musculo cardíaco bater freneticamente.

A chuva batia violentamente contra a janela, Chanyeol observava as luzes do lado de fora sem sentir sono. Estava animado demais para dormir, principalmente ao lado da fonte de seu nervosismo. Mesmo que Baekhyun tivesse tomado banho com o seu sabonete, parecia que aquele aroma combinava com ele.

Percebendo que olhava aquele garoto dormir de costas para si, ajeitou-se na cama, ouvindo os trovões soarem no lado de fora do dormitório, suas mãos queriam puxar aquele corpo para ficar próximo á si.

Surpreendera-se quando Baekhyun se movia ficando de frente ao maior, percebendo que ambos estavam acordados. Ambos não iriam conseguir dormir, estando tão próximos daquela forma.

- Eu disse que era uma má ideia.

Chanyeol não respondeu o garoto, apenas queria experimentar as sensações que tanto imaginava. Seus dedos gélidos acariciaram as bochechas rosadas e quentes de Baekhyun.

- O país das maravilhas realmente existe?

A perguntava de Chanyeol pegara Baekhyun de surpresa. O garoto negava com a cabeça, imaginando o que viria em seguida. O toque que sentia em seu rosto, fazia com que ficasse mais corado, mesmo sem retirar os olhos dos orbes castanhas do mais alto.

- Então pense que acabamos de criar o nosso país das maravilhas.

Antes que Baekhyun questionasse, sentira o rosto do maior se aproximar lentamente de si e seus lábios sentirem pressão dos semelhantes. Os olhos se fecharam ao receber o selar, os dedos de Chanyeol pareciam se entrelaçar com os fios de cabelos do menor. Mesmo ignorando as trovoadas e a chuva, o mundo daqueles garotos era silencioso cheio de sensações.


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Eu ainda me lembrarei daquelas memórias
Mas estão borradas, é uma pena

Promise- Exo
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