{O Jardim Screto} Capitulo 3 - O garoto impopular

Fanfic / Fanfiction O Jardim Secreto - Capítulo 3 - Capitulo 3 - O garoto impopular
Eu acho que não deveria ter mencionado Dinah”, ela disse em um tom melancólico. “Parece que ninguém gosta dela aqui em baixo, e eu tenho certeza que ela é a melhor gata do mundo! Oh minha querida Dinah! Eu queria saber se volto a vê-la algum dia!”

Alice no país das maravilhas Capitulo 3, uma corrida de comitê e uma longa história


Com o céu nublado e a chuva ainda caindo, todos estavam aconchegados no sofá enquanto olhavam atentos para Senhor Park que dava continuidade á sua história. Min Seok e Jong In eram os mais atentos, a curiosidade para tantos segredos sendo revelados crescia á cada palavra dita pelo pai.

- No final das contas aquele garoto tinha razão – Senhor Park bebericava um gole do café, feito por Sejeong. – No dia seguinte o nosso professor de história tinha pedido por um trabalho em dupla...

Bulgwang-dong, 16 de fevereiro de 1965

Chanyeol olhava para o professor de forma incrédula. Aos poucos os alunos começavam a opinar sobre quais seriam os parceiros. Jun Myeon, assim como outros, queriam fazer com o rapaz de cabelos brancos, e aquilo apenas aumentou a discussão entre os estudantes.

Soltando um suspiro o professor ajeitava os óculos no rosto e pedia pelo silêncio, que fora feito de imediato. Olhando para o aluno em questão, o professor pigarreava.

- Já que não entramos em um acordo, senhor Park com quem você fará o trabalho?

O rapaz alto recebia todos os olhares curiosos, Jun Myeon juntava as mãos e movia os lábios rapidamente, como se implorasse para fazer consigo. A matéria de história não seria um problema para si, gostava e até fazia questão de esbanjar o seu conhecimento com notas altas. Entretanto sabia que seu amigo não era bom na disciplina, e por isso o seu desespero em fazer com o mais alto.

Os olhos do rapaz passaram por todos os rostos na sala, e apenas uma pessoa não lhe encarava. Era aquele do jardim, que parecia mais interessado em observar o lado de fora. Lembrando-se do pedido dele no dia anterior, Chanyeol soltou um suspiro e apontava para o garoto em questão.

- Farei com ele.

Todos seguiam a direção apontada por Chanyeol, os sobressaltos, além dos cochichos, se iniciaram. O rapaz alto se quer se importava, mas parecia querer cumprir parte do acordo, além do mais gostou de ver Jun Myeon fazendo-lhe careta enquanto lhe xingava. O professor apenas sorria enquanto anotava.

- Tudo bem, Senhor Park fará dupla com o Senhor Byun.

O garoto citado acordara do devaneio e olhou surpreso para o professor. Chanyeol abria um largo sorriso por observar aquela descrença estampada na fisionomia do seu colega de classe. Assim o professor deu continuidade á divisão dos grupos, quando terminado explicou a atividade e concedeu aos grupos o restante da aula para dar início ao trabalho.

Chanyeol ajeitava a carteira ao seu lado, vendo que o garoto juntou seu material para se ajuntar ao mais alto. Assim que próximos, o garoto sentia os olhares quentes sobre si, e por algum momento sentiu-se totalmente arrependido por ter pedido aquilo á alguém tão popular em uma escola.

- Por nada – Sussurrava Chanyeol que abria o caderno. O garoto ao seu lado lhe olhava surpreso, e claramente nervoso. – Cumpri o que me pediu, espero que faça o mesmo.

- Eu disse que faria – Resmungava o garoto.

- Aliás – Chanyeol olhou para o garoto, percebendo que o mesmo lia a folha de atividades. – Qual teu nome?

O garoto em questão desviou os olhos da folha de atividades para encarar Chanyeol. Sabia muito bem quem era ele, não apenas por dividir a sala, mas por conta de sua popularidade com os demais alunos. O consideraria uma pessoa que saberia o que acontece em toda a escola, mas a fisionomia séria, como se de fato o rapaz á sua frente fosse um desconhecido, lhe surpreendia cada vez mais.

Nunca teria ouvido falar de si.

- Baekhyun. Byun Baekhyun.

Chanyeol assentia, e logo deixou a conversa de lado. Os dois rapazes e debruçaram sobre as atividades as cumprindo até o sinal do final daquela aula soasse pelos corredores.

Com o horário de almoço, Chanyeol apenas via o garoto desaparecer de sua vista junto com seu material. Sem se incomodar com aquilo o rapaz alto apenas se juntou aos amigos e seguiam pelos corredores até o refeitório.

- Pensei que iria me escolher para fazer o trabalho, sabe que preciso de nota.

Jun Myeon ainda resmungava, e por mais que mostrasse uma fisionomia brava,  tudo o que arrancava de Chanyeol eram risos. O mais alto acariciou os cabelos do amigo e deixou que um riso sorrateiro escapasse de si.

- Essa é a sua prenda, por terem se divertido sem mim no outro dia.

Com a capital sul coreana em pleno inverno, os alunos se sentiam aliviados com o sol que saía naquele dia. Sendo assim a maior parte dos estudantes estavam indo almoçar nos pátios da escola, deixando o refeitório quase vazio. Os três amigos seguiam na fila, e ao pegarem o almoço optaram por permanecer no refeitório, onde poderiam ter um pouco mais de privacidade para poderem conversar mais á vontade.

- Sabe Chanyeol, o que te deu para escolher o Baekhyun como sua dupla?

Jong Dae que estudava em outra sala pareceu interessado no assunto. Ficando de cócoras na cadeira, se inclinou para os amigos, enquanto limpava os lábios, sujos do molho de tomate, com o guardanapo.

- Baekhyun? Ta falando do Byun Baekhyun?

Chanyeol arqueava a sobrancelha para os dois amigos, que pareciam se divertir á suas custas. O mais alto continuava a comer sem dar muita atenção, entretanto a forma como Jong Dae havia se referido ao colega de trabalho de Chanyeol, haveria de fato algo que o próprio não saberia.

Recordou-se do dia anterior onde Baekhyun teria lhe dito que não era o único a ser fonte de rumores. Chanyeol saberia muitíssimo bem que aquele garoto não era popular, caso contrário estaria naquele círculo de amizades. Levando tudo aquilo em consideração, e ainda somando com as reações de seus colegas de classe e de Jong Dae, resultava em algo que queria descobrir.

- Vocês conhecem ele?

Os dois amigos ficaram a observar Chanyeol. Tentaram encontrar algum traço de brincadeira em seu rosto, mas a seriedade prevalecia. Os dois se entreolharam e soltaram um suspiro, voltaram a comer sob os olhos vigilantes de Chanyeol. O rapaz alto puxou a bandeja dos amigos e arqueou a sobrancelha.

- Vou ter que repetir?

Jong Dae soltou outro suspiro pesado, olhou em volta vendo que ninguém prestava atenção neles.

- Baekhyun é gay, todo mundo sabe disso.

Jun Myeon cuspira o suco que bebia, Chanyeol inclinava a cabeça e fazia careta diante do falar do amigo. Jong Dae contava aos amigos sobre os boatos que rondavam na escola acerca de Baekhyun. Ninguém saberia de quem ele era filho, e seria mais provável dizer que era um bolsista, levando em consideração suas notas. Os boatos se iniciaram no ano anterior quando alguém disse ter visto o garoto em um momento intimo com outro estudante, da qual o nome era desconhecido.

Haveriam muitas histórias, e Jong Dae afirmava que sempre davam um jeito de tentar de irritá-lo e humilhá-lo. O preconceito na escola era grande, mas Chanyeol nunca teria visto algo do tipo. Se quer sabia sobre o seu colega de sala, e agora que o conhecia não saberia o que pensar dele. Mesmo tendo tais informações para sanar sua curiosidade, Chanyeol dava de ombros e devolvia as bandejas aos amigos.

Ao final do almoço os três rapazes seguiam para suas salas, quando entraram no corredor percebiam que havia uma garota bonita, cabelos medianos e ondulados, a pele levemente bronzeada e os lábios pintados com uma cor rosada. Jong Dae dera alguns tapas no ombro de Chanyeol antes de seguir para sua sala, o rapaz alto arqueava a sobrancelha sem saber o motivo do amigo ter agido de tal forma.

Antes que os dois amigos entrassem na sala, a garota segurou o paletó de Chanyeol, fazendo o rapaz lhe olhar.

- Olá, posso conversar um instante com você?

- E quem seria você?

A garota soltou o paletó do rapaz e sorria grandiosamente.

- Sun Hee, estou no terceiro ano. – Chanyeol assentia, recordando dos amigos terem a mencionado em uma conversa. – Sabe, acho que seria interessante que duas pessoas populares da escola finalmente se conhecessem.

- Boa sorte para se conhecerem então.

Chanyeol ria entrando na sala, deixando a garota perplexa na porta.

- Foi assim que conheceu nossa mãe?

Jong In finalmente quebrara o silêncio, senhor Park ajeitava a coberta sobre suas pernas ao sentir o vento gelado passar pela fresta da janela. Ao olhar o filho do meio, o senhor sorria levemente assentindo.
- Não sei se foi para minha desgraça ou por uma benção.

Os filhos saberiam que o pai não iria mentir, e muito menos deixar de falar mal da mãe em sua frente. Jong In suspirou ignorando o sentimento raivoso que veio ao ouvir aquilo de sua mãe, mas se estava ali para descobrir coisas, então teria de ter a paciência.

Ao contrário do filho do meio, Min Seok estava imerso em seus pensamentos. Recordava das palavras de Luhan quando chegaram ali, dizendo sobre o pai já ter passado por uma situação de ser expulso de casa e não ter á quem recorrer. Antes daquela parte da história ser contada, Min Seok havia descartado a hipótese sobre o pai ser homoafetivo. Mas naquele momento parecia que isso teria sido verídico.

Olhava para o senhor Park e o analisava, não conseguiria imaginar o pai em um relacionamento com outro homem. Mas se o que pensava fosse o correto, então entenderia o conforto que Luhan teria recebido e também o motivo do pai ter ficado tão bravo com a ex esposa, para irem discutir sobre o assunto.

- Isso explica muita coisa.

- Mas mesmo que esse Baekhyun fosse gay, qual seria o problema?

Sejeong tinha dificuldades em imaginar a realidade dos anos 60. Saberia que na atualidade haviam muitos problemas, mas naquela época teria sido tão difícil quanto hoje?

- Ninguém gostava disso na época, e como se tratava de um internato então relacionamentos eram estritamente proibidos.

Todos assentiam com a explicação, tão breve a chuva começara a soar alto e o vento soprava batendo contra as paredes. Não demorou para que a energia da casa caísse, as crianças soltando gritos dos quartos fez com que os pais corressem até eles.

Min Seok se levantou do sofá e colocara mais lenha na lareira, que iluminava parte daquela casa. Apenas ele e o Senhor Park estavam na sala, já que o restante foram procurar por velas e acalmar as crianças.

- Quando falou que não sabia se conhecer nossa mãe foi uma benção ou uma desgraça... á que se referia?

Senhor Park observou o filho, estava sério enquanto ajeitava as lenhas próximas á lareira. O semblante do filho poderia ser daquela maneira, o que de certa forma fazia se lembrar de si mesmo quando tinha sua idade.

- A única benção que sua mãe me deu, foram os meus filhos – Resmungava o idoso, logo abrindo o sorriso para o filho – Do restante, nenhuma outra memória boa.

- Nem para se deitar na mesma cama com ela, para nos conceber, você a amou?

- Você foi o único filho da qual eu precisei me deitar com ela. – Senhor Park olhava para os quadros de fotos que haviam sobre a lareira. – Seus irmãos foram através de inseminação artificial.

- Espero que eles não saibam disso.

- Luhan já sabe – Senhor Park puxava mais da coberta e tossia sentindo o peito arder. Assim que conseguiu ajeitar as cobertas sobre seu peito, sentiu-se aquecido.

- E ele mesmo assim te ama, que filho não?

- Min Seok aposto que já teve essa conversa com sua filha – Senhor Park voltava a olhar o filho com seriedade – Nunca se deve fazer sexo apenas por prazer. E a minha única vez que fiz isso com sua mãe, ela acabou por engravidar de você, mas o modo como ela me persuadiu a me deitar na cama, nunca a perdoarei.

Min Seok teria feito mais perguntas ao pai, mas o restante da família retornara á sala para continuarem a ouvir o restante da história que o senhor Park queria contar antes que todos fossem fazer alguma outra coisa antes de jantarem. Entretanto o frio que passava pela casa de madeira, fazia com que todos ficassem juntos ao redor da lareira, era um momento familiar que o senhor Park agraciava em silêncio.

- Então vô, depois de saber sobre esse Baekhyun, o senhor foi conversar com ele?

- Ah acho que fui, não me recordo muito bem dessa parte – O Senhor Park olhava para a neta mais velha, a curiosidade como poderia ser tão conveniente naquele momento – Para ser sincero depois de saber sobre esses fatos, não cheguei a conversar sobre isso com ele. Apenas falávamos sobre a atividade que tínhamos de fazer.
Bulgwang-dong, 23 de fevereiro de 1965

Ir para o jardim secreto, como Chanyeol resolvera denominar, passou a ser um ponto crucial de sua rotina. Após o termino das aulas, passou a ir no jardim para conversar com Baekhyun. Nos primeiros dias a sua desculpa seria por conta da atividade de história, mas após o seu termino não saberia qual o novo motivo de sua vinda.

Após ter descoberto sobre os boatos que rondavam aquele garoto, Chanyeol percebia que estava interessado sobre aquilo. No refeitório e em sala de aula, seguia aquele rapaz e ficava imaginando como teria acontecido toda aquela cena, para que tais boatos se iniciassem. No final de seus pensamentos, sempre se perguntava como era ficar com um homem.

Por mais que isso lhe deixasse confuso, o que resultava em tapas em sua própria cabeça e xingamentos, Chanyeol não conseguia não pensar em se aproximar de Baekhyun.

Sentado no banco ficava observando o garoto cortar alguns espinhos e folhas das roseiras. Era um cuidado intenso que tinha com aquelas plantas, suas mãos pareciam delicadas quando tocava em uma flor. Todas as vezes que vinham se encontrar ali, á pedido do próprio Baekhyun para evitar rumores, Chanyeol ficava observando-o mexer com maestria com aquelas plantas. Mesmo que pudesse ficar olhando-o, saberia que o silêncio entre eles ficaria tenso demais. Soltando um pigarro e tentando encontrar outro assunto, Chanyeol iniciou uma conversa.

- Nós estraçalhamos, não é?

Baekhyun se virou para olhar Chanyeol, que sorria grandiosamente como se participasse de alguma brincadeira. Por mais que seus avisos para que ficasse longe de si estivessem sidos dados ao rapaz alto, parecia que os mesmos foram ignorados com plenitude. Os cochichos que o garoto ouvia cada vez que andava nos corredores, passaram a lhe incomodar por justamente ouvir o nome de Chanyeol junto ao seu.

Não saberia dizer se aquele rapaz tinha compreensão de tudo aquilo, se ele saberia o motivo de Baekhyun não ser escolhido para fazer dupla, ou de não participar das aulas de educação física. E se soubesse, então queria saber o motivo de Park Chanyeol estar lhe dando atenção daquela maneira.

- É, estraçalhamos, apesar de alguns alunos quererem fundir a cuca.

Chanyeol soltava uma risada baixa em ver o garoto usar gírias. Baekhyun não aparentava alguém tão atualizado, e acreditava que ele usaria palavras difíceis para conversar consigo.

- Aliás, por que falta as aulas de educação física para ficar aqui?

- Pedi ao diretor para fazer essa troca, já que nas aulas de educação física de repente eu viro a bola.

O olhar perdido do rapaz não passou desapercebido por Chanyeol. Talvez fosse um assunto que ele gostaria de não falar e por isso preferiu não dar continuidade. Ao som do fim da aula os dois rapazes seguiram para a sala de aula onde iriam ter a última aula antes do almoço.

Baekhyun fora o primeiro a entrar na sala e ao ouvir os risos dos alunos e os olhares sobre si, já saberia que algo aconteceria. O quadro negro estava enfeitado, as palavras coloridas pareciam ser um chicote no coração do garoto.

“Doença homoafetiva, Baekhyun tentando flertar um Park?”

Por mais que doesse e sentisse vontade de sair chorando, permaneceu parado olhando para o quadro. Não demonstrava emoções em sua fisionomia, apenas lia o que estava escrito. Baekhyun sentia algo em sua cabeça pesar, olhando levemente para cima percebia que Chanyeol teria se apoiado sobre si enquanto lia o quadro.

- Ah isso é interessante. – Deitando a cabeça sobre o braço, ainda apoiado no garoto – Estamos flertando Baekhyun?

- C-Claro que não!

Chanyeol segurou o apagador e passou sobre o quadro. Baekhyun o observava surpreso, esperando ainda alguma reação repulsiva do maior. Mas nada era direcionado para si. Com o quadro apagado, o rapaz de cabelos brancos se virou para a turma, que teria cessado dos murmúrios.

- Seja lá quem escreveu isso, espero não saber – Chanyeol seguia para sua carteira com as mãos no bolso e o sorriso diabólico em sua face – Se eu souber terei o prazer de infernizar sua vida.

Não demorou para que aquele evento fosse contado de aluno para aluno, passado de classe em classe. No horário do almoço, aquele era o assunto em pauta. Jong Dae e Jun Myeon haviam aconselhado o amigo para que não fosse ao refeitório, já que muitas pessoas iram querer conversar consigo sobre o assunto.

Sendo assim seguiria para o ponto de refúgio que haveria descoberto, o jardim. Ao passar pelas árvores, encontrara Baekhyun sentado com o rosto avermelhado. Coçou a nuca sem saber se deveria se aproximar ou apenas fingir uma conversa habitual. Com sua demora em escolher sua ação, percebia que Baekhyun deslizava os dedos por suas bochechas, como se limpasse algo. O som de um ofego fez Chanyeol ter certeza que aquele garoto estaria chorando.

Aproximou-se ficando de frente á Baekhyun, que se assustara com a súbita presença do maior.  Chanyeol inclinou-se de frente para o garoto e analisou seu rosto.

- Por que está chorando?

- Porque gosto de chorar inutilmente.

Chanyeol sorria sorrateiramente assentia enquanto ajeitava a postura. Com as mãos no bolso da calça, apenas assentia e erguia a mão em rendição.

- Continue, está se saindo bem, vou me retirar para que fique á vontade.

O rapaz mais alto se virou para sair do jardim, mas seu braço fora segurado por Baekhyun. Olhando para o garoto encontrava a face ruborizada, os olhos ainda marejados deixavam um brilho peculiar em suas orbes castanhas, os lábios avermelhados estavam comprimidos em sinal de nervosismo. Por que teria achado aquela visão tão bela?
- Obrigado por hoje – Sussurrava o garoto que evitava o olhar de Chanyeol. Entretanto respirou fundo e deixou seu nervosismo de lado, soltou o braço do rapaz alto e sorria levemente – Agora entende, o por que eu ter pedido para que não conversasse comigo?

- Eu entendo, mas não significa que não irei conversar com você – Chanyeol levara os dedos aos cabelos de Baekhyun, fazendo uma caricia. Os fios macios que sentia em sua palma pareciam penetrar em suas veias. Ao olhar para a feição do garoto, que parecia avermelhar-se ainda mais com o toque, Chanyeol o desfez. – Enquanto estiver comigo não precisará se preocupar com nada.

Indo para o gramado onde se deitaria, Chanyeol fechou os olhos enquanto esperava pelo término do horário de almoço. Baekhyun ficou a observar o rapaz mais alto, suas mãos acariciaram seus cabelos enquanto um sorriso singelo crescia em seus lábios.

- Que toque quente.

A luz voltara cerca de três horas depois. Senhor Park resolvera que iria ajudar na janta, e por isso já havia levantado da poltrona e se apoiado no andador ortopédico. Com a ajuda de Sehun e Sejeong, os três começaram a revirar a cozinha e iniciar uma bagunça de ingredientes sobre a bancada, apena para preparar algo diferente para comerem naquele dia.

Enquanto isso, os três irmãos estavam juntos sentados em frente á lareira, ainda digerindo a história contada naquele dia. Não teriam muito o que pensar, eram fatos e não seria necessária uma aprovação deles para declarar aquilo como verdade. Além do mais, isso seria possível de ser comprovado somente olhando para aquele idoso.

- Então nosso pai é gay.

Jong In quebrava o silêncio mais uma vez, olhava para Luhan que soltava uma risada enquanto maneava a cabeça.

- Bissexual talvez, já que sentiu atração por mulheres antes.

- Isso explica muita coisa.

Min Seok se mantinha em silêncio, parecia difícil para si, e talvez de fato fosse, imaginar o pai tendo um relacionamento homoafetivo dentro de uma escola. Não sabia o que exatamente iria se dar depois da aproximação do senhor Park para com Baekhyun, mas para ter um olhar vazio durante anos, só poderia ser algum sentimento forte. E se assim for, o que teria acontecido para que se separassem? Nunca havia ouvido falar de um Baekhyun, sendo assim teriam ele sido separados? Min Seok sentia que de alguma forma, sua mãe estaria envolvida nisso.

Luhan passava para os irmãos a foto que mostrava Baekhyun e Chanyeol naquela época, e ambos ficaram surpresos. Já teriam vistos fotos do pai, e sabiam que ele era bonito. Mas ali a sua beleza parecia ter sido realçada com o sorriso que dava, ao lado daquele garoto baixinho que também sorria.

- O famoso Baekhyun.

- É, o que será que aconteceu com ele? – Jong In olhava para Luhan.

Os olhos pedintes era algo comum entre os irmãos, Luhan ria divertido com o olhar que recebia de Jong In. Mesmo com tamanha súplica, negou-se a contar o final da história. Min Seok bagunçava os cabelos negros de Jong In, enquanto os dois irmãos ainda tentavam persuadir o caçula á revelar pedaços da história.

Senhor Park observava os filhos da cozinha, enquanto amassava uma massa de pizza. Tão breve a bagunça fora aumentada quando as quatro crianças saíram do quarto cansados de brincar com as mães. Sehun fora tirado de seu serviço na cozinha, para que fosse brincar, entrando em seu lugar Luhan tomava as rédeas das panelas.

Parecia que a vida naquela casa teria retornado. E com aquilo mais um dia de senhor Park havia saído de sua rotina, com sorriso, risadas, saudades e sensações nostálgicas.

Olhando para a janela, não deixou de alargar o sorriso com o fim da chuva. Agora conseguiria ir cuidar de suas plantas.
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Irei proteger os seus olhos sorridentes independente de tudo
Só por você
Promise- Exo
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