{O Jardim Secreto} Capitulo 1 - Saindo da rotina


Alice estava começando a ficar muito cansada de estar sentada ao lado de sua irmã e não ter nada para fazer: uma vez ou duas ela dava uma olhadinha no livro que a irmã lia, mas não via figuras ou diálogos nele e ‘para que serve um livro’, pensou Alice, ‘sem figuras nem diálogos?’
– Alice no País das Maravilhas Capitulo 1, para baixo na toca do coelho.


Já havia parado para pensar sobre o tempo? Ele era ligeiro, quando se pisca já haveria envelhecido alguns anos. Mesmo com o corpo ainda em forma, fisicamente falando, ele parecia doer a cada movimento que o senhor fazia. Dormir já não era algo prazeroso, mas uma tarefa difícil de se cumprir, o sono era de alguns minutos, e talvez os demais minutos da hora fossem para trocar de posição e tentar voltar á dormir.

Mesmo com toda aquela dificuldade, não estava zangado e muito menos frustrado consigo mesmo. Fazia anos que não conseguia dormir em sua cama, e o motivo era simples o suficiente para entender. Não conseguiria dormir sem aquele sujeito do seu lado.

Incomodado com súbita lembrança, e os sentimentos de saudades que lhe acompanhavam, o senhor de sessenta e oito anos se virou na cama olhando para o relógio averiguando estar no horário bom o suficiente para que pudesse se levantar.

Concentrando toda sua energia para as pernas, o senhor se sentou no colchão e soltou um suspiro baixo. Esperou um pouco para que seu corpo se acostumasse com o frio que o ambiente se encontrava, para então se levantar da cama e seguir o trajeto para o banheiro.  Mesmo que vivesse sozinho, acreditando que daria conta de se cuidar, sabia no fundo que já havia perdido a vontade de viver. Mesmo assim existia alguma coisa que lhe puxava para a vida e a realidade em que se encontrava.

Tendo em seu box uma barra de inox, o senhor se apoiava para poder se banhar devidamente. Não se importaria que o banho demorasse mais que trinta minutos, sabia que em seu estado atual e sozinho, iria demorar. Mas a conta de água vinha mínima do mesmo jeito, daria para pagar com sua aposentadoria.

Após o banho tratou de se vestir devidamente. Enquanto calçava a calça, uma pontada em sua coluna lhe fez arfar. Queria não ter que depender do seu andador ou qualquer outro objeto, preferia sua autonomia, como sempre preferiu. Mas não haveria jeito, se quisesse amenizar suas dores e evitar de causar problemas para si mesmo, então naquele dia deveria depender de um simples andador ortopédico.

Agasalhou-se como podia, pegando o andador ortopédico, jogou seu peso para os braços evitando que sua coluna sofresse com sobrecarga. Arrastava os pés do andador pelo assoalho de madeira e em passos lentos conseguiu atravessar a porta do quarto. Ao chegar na cozinha, começou a preparar alguma coisa para beber, mesmo que seu médico lhe proibisse, ainda iria fazer uso do açúcar em seu café.

A paz que sentia naquele momento só poderia durar pouquíssimo. Uma buzina soou no lado de fora da casa de madeira. O senhor virou-se lentamente ainda segurando a xicara de porcelana, e bisbilhotou de longe a janela, reconhecendo o carro que estava estacionado em frente á sua casa. Deixando a xicara vazia dentro da pia, voltou a se apoiar no andador e se direcionar para a porta de casa.

Antes de abrir, fez uma pequena oração. Precisava ter paciência para aguentar todos os seus netos fazendo bagunça em sua sala. Ao abrir a porta, não demorou para que os gêmeos entrassem em disparada e aos gritos por terem finalmente chego na casa do avô.

- Moleques, não vão cumprimentar seu avô?

O senhor resmungava vendo os meninos então correrem em sua direção e ficarem girando em sua volta enquanto puxavam suas vestes. A gritaria apenas aumentava, mesmo que o senhor falasse de forma ríspida, os dois meninos apenas comemoravam. Adoravam aquele avô.

Na porta um homem de cabelos loiros e bagunçados cumprimentava o sogro, para então começar a brigar com os meninos que pulavam no sofá. O senhor apenas ria, esperando que mais alguém entrasse na casa. O filho mais novo, que tinha por volta de seus trinta e dois anos, deixava toda a bagagem na porta de casa, para que pudesse dar um abraço apertado em seu pai.

- Pai que saudade!

- Faça-me favor Luhan, conversamos ontem á noite.

O rapaz de cabelos castanhos e a fisionomia jovem, apenas ria negando com a cabeça. O senhor lembrava-se que de todos os seus filhos, o caçula era o mais apegado. Tinha o jeito igual á daquela pessoa em especial, e era o único homoafetivo. Acariciando o rosto do filho, os dois conversavam enquanto o genro segurava os gêmeos pelo braço para que pudessem cumprimentar o avô corretamente.

- Entrem entrem, acabei de acordar e ainda não fiz absolutamente nada de importante.

- O senhor bebeu café? – O genro, chamado de Sehun,  sorria soltando os braços dos filhos. O senhor sorria assentindo – Então fez algo de importante.

Enquanto Luhan guardava as malas no quarto, que antigamente lhe pertencia, o genro ajudava o sogro a irem para sala onde se sentaram no estofado, iniciando uma conversa. Em poucos minutos outra buzina soava, dessa vez que abriu a porta foram os gêmeos á pedido do avô, que já teria se cansado de se mover tanto. Mais duas crianças passaram correndo, dessa vez um casal. A menina tinha cabelos negros e os olhos amendoados, assim como irmão mais velho. As quatro crianças se enturmaram rapidamente, passando a correr para a sala.

Logo em seguida um casal adentrava, a mulher tinha cabelos castanhos comprido e liso, estava acompanhada do marido que tinha a pele bronzeada e os cabelos bagunçados. A roda de cumprimento se iniciou, e assim que o filho chegou ao pai, sorria o mais cordial que poderia fazer.
- Como o senhor está?

- Estou vivo moleque, estou vivo.

Não haviam se abraçado, Jong In sempre foi arisco com o seu pai, já que era apegado á mãe. Claramente que o senhor vivenciou com a mágoa de não poder abraçar o filho, e sabia que o mesmo acreditava em todas as histórias que sua mãe lhe contava. Mesmo que fossem mentiras. Entretanto a distância entre pai e filho diminuiu quando Luhan contou á mãe que estava apaixonado por Sehun e que pretendia se casar com ele. O caçula da família acabou ser expulso pela mãe que rejeita o rapaz até os dias atuais.

O senhor não gostou nenhum um pouco daquilo. Mesmo estando em idade avançada conseguiu pegar um avião e fora para Seoul onde enfrentou a ex esposa. A discussão se sucedeu em frente dos três filhos. As palavras cuspidas pela mulher, apenas deixou claro para o filho caçula que o romance entre seus pais nunca teria existido. Os outros dois se quer se interessavam pelo assunto.

No final da discussão, o senhor pegou todos os pertences de Luhan, assim como do rapaz com que namorava, e levou-os para sua casa. A melhor escolha possível. Desde então os três viviam juntos cuidando um do outro. Porém o pai teve de aconselhá-los á seguirem uma vida maior do que ficar em uma cidade pequena e abandonada apenas cuidar de si. Principalmente quando o casal tinha plano de adotar um filho.

Mesmo com Luhan e Sehun vivendo em outra cidade, não deixou de lhe ajudar quando o caçula lhe procurava. Sempre fora braços abertos. E o laço cresceu quando o pai fora honesto em contar sua história para o casal, que agora compreendiam cada vez mais o pai.

Os outros dois irmãos não sabiam de tal história, sempre foram ligados á mãe e achavam que a fonte de seu sofrimento era o pai. Por isso cresceram sendo ariscos com o velho senhor. Luhan tentava persuadir os irmãos á serem menos irritadiços com o progenitor, mas nunca revelou o motivo dos pais jamais se entenderem. Era algo que o próprio pai precisaria contar aos filhos.

Com a situação de Luhan, e a reação do pai dos rapazes em recebe-los tão bem, os dois filhos resolveram dar uma chance, e assim concordaram que nos finais de ano iriam visita-lo. Com o passar dos anos não houve progresso, Luhan percebia que aos poucos o pai parecia mais distante e entristecido. Por isso naquele ano conversou com o seu companheiro e concordaram que seria o ano ideal para que todas as mágoas fossem resolvidas.

O senhor da casa deixou com que todos ali conversassem, moravam separados e ainda era apegados entre si. Sabia que se ficasse ali não receberia atenção alguma, por isso direcionou-se para a cozinha onde mexia nos armários preparando uma lista de compras, que deveria ser levada ao mercado naquela mesma tarde.

Uma terceira buzina soava, era a chegada do filho mais velho. Abriu a porta e encontrou a nora e a neta mais velha, por volta dos vinte anos. As duas mulheres sempre gostaram do senhor da casa, adoravam ir visitar, e por outro lado tinham antipatias pela sogra. Por isso elas se davam muitíssimo bem com Luhan e Sehun.

A última pessoa á entrar na casa era Min Seok, o filho de quarenta e um anos que abraçava o pai cordialmente. Ele fora o único que vivenciou todas as brigas dos pais e que ainda juntava as peças para poder entender aquele relacionamento. Mesmo depois de casado, Min Seok não sabia ao certo se deveria seguir os caprichos da mãe, que dizia se sentir solitária, ou do pai que nunca dissera uma palavra.

No final das contas, tanto Min Seok quanto Jong In estavam afastados do pai e precisariam de muitas explicações. Durante a adolescência eles detestavam o pai por conta das brigas que fazia sua mãe chorar, e mesmo que os rapazes fossem até si brigar, o senhor da casa erguia a voz e dava a última palavra. Ninguém poderia entender aquele pai. Até o nascimento de Luhan e a revelação de sua sexualidade.

Os três irmãos conversavam na sala, animados pelo reencontro. O senhor da casa olhava para aquele cômodo tão cheio de vida e então percebeu. O que o mantinha naquela vida eram seus filhos.

Pegando seu chapéu e o ajeitando sobre a cabeça, o senhor da casa apenas pigarreou chamando a atenção dos demais.

- Irei dar comida aos cavalos, fiquem á vontade que logo voltarei.

- Quero ir junto vovô.

- Ah eu também quero vovô!

As quatro crianças acabaram por seguir o avô, enquanto os adultos permaneciam observando a porta se fechar.

- Não entendo o porquê dele se afastar quando estamos aqui para ver ele – Resmungava Jong In, que se jogava no sofá.

- Não adianta o que a gente faça, nada vai melhorar – Sussurrava Min Seok que olhava a janela.

- Vocês é que são cabeças duras. – Luhan caminhava até a estante de livros e sorria com o tanto de exemplares que haviam nas prateleiras. – Já repararam que aqui tem tantos livros, mas nunca vi o nosso pai ler.

Min Seok se encostava na parede e cruzava os braços. Recordava-se que quando jovem, seu pai jamais deixou que mexesse naqueles livros, em especial o de Alice no País das Maravilhas. Entretanto houve um dia, o único dia que o homem recordava ser a lembrança mais feliz com o pai. Quando teria seus oito anos, teve pesadelos e o pai leu aquele livro da Alice até que o garoto dormisse.

- Nunca o vi ler um livro.

- Verdade, para quê tanto livro se esse velho nem lê?

Luhan virou-se para Jong In, aproximou-se do irmão e desferiu um tapa em seu rosto.

- Aquele velho é o seu pai, tenha mais respeito por ele.

O rapaz soltou uma risada abafada, via o irmão mais novo com as bochechas avermelhadas, mas com a respiração acelerada e os olhos vidrados em si. Estava com tanta raiva.

- Respeito? Por que deveria?

- Jong In por favor – A esposa pedia – Estamos aqui para visita-lo e Luhan disse que tinha algo para nos contar, será que esse ano não poderíamos viver como uma família de verdade?

- Soojung está certa – Jimin, esposa de Min Seok acariciava o braço da filha que olhava em volta sem entender o motivo dos homens estarem tão alterados – O pai de vocês sempre viveu sozinho após a separação da vossa mãe, não podemos alegrá-lo esse ano?

Luhan suspirava e voltava sua atenção para a estante de livros. Ao se aproximar dedilhou cada exemplar á procura de um em especial. Era observado pelos irmãos, que estavam curiosos em ver o caçula com um sorriso imenso em seu rosto.

- Enquanto morei aqui descobri que o papai nunca gostou de ler, e que mesmo assim esses livros eram preciosos para ele. – O rapaz pegara o exemplar de Alice no País das maravilhas e um outro caderno de capa amarelada – Ele nunca brigou comigo por mexer nos livros, e quando perguntei sobre cada um deles, ele disse que esses dois eram os mais importantes.

- Você sempre foi o filho preferido dele – Min Seok encostava a cabeça na parede e suspirava.

- Não sou o preferido – Luhan folhava as páginas do caderno e sorria corado – Esses livros pertenciam á alguém muito especial ao nosso pai.

Os olhares surpresos recaíram em Luhan. Sehun apenas sorria de lado enquanto observava a janela, onde o senhor da casa parecia se divertir com as crianças que queriam acariciar a crina dos cavalos.

- Está se referindo á amante dele?

Luhan reconhecia aquela história, sua mãe havia contado que o pai tivera tantas amantes que poderia ter mais filhos pelo mundo sem que soubesse. Mas ao se mudar para a casa do pai sabia da verdade, e então começou a se sentir enojado. Uma repulsa crescia dentro de si, e nunca mais queria saber sobre sua mãe.

- Nosso pai nunca traiu a mãe – Sussurrava o garoto que olhava os irmãos – Mesmo não a amando, ele nunca a traiu.

- E você sabe de tudo isso? Você sempre diz que o nosso pai teve um motivo para viver desse jeito, mas nunca falou.

- É por isso que estamos aqui – Sussurrava Sejeong, a neta mais velha – O vovô tem mais história do que parece.

Min Seok olhava para a filha com desdém, a menina encolhia os ombros se encostando na mãe que repreendia o marido com o olhar.

- E que história seria?

Luhan erguia o caderno e sorria como se tivesse uma carta na manga.

- O diário do papai, de quando ele tinha dezesseis anos. – Olhando o caderno por fora, percebia que as folhas amareladas tinham algo preso nelas. Algumas páginas estavam com clipe, tendo anexado alguma foto, papel de bala, bilhetes. Luhan sorria tocando em uma das fotos, como queria conhecer aquela pessoa.

A porta de casa fora aberta pelo senhor da casa. Não demorou para que sentisse a atmosfera tensa entre os filhos e as noras. Sejeong se levantou do sofá e fora até o avô sorrindo para o mesmo. O velho senhor não entendia o motivo de tudo parecer tão intenso, porém ao reconhecer o diário na mão do filho caçula, era como se um arrepio passasse em sua espinha.

- Vovô, hoje farei o almoço, minha mãe me ensinou uma receita que eu tenho certeza que o senhor irá gostar.

O senhor da casa desviou a atenção para a neta e soltou uma risada baixa e envergonhada. Suas mãos estavam suando e estava nervoso por rever aquele diário.

- Tudo bem, a cozinha é toda sua.

Seguindo para a sala o senhor da casa voltou com sua fisionomia séria. Os três homens ajeitavam a postura, sempre que o pai estava daquele jeito seria sinal de que estaria bravo, e como lhes foram ensinados, deveriam demonstrar sinal de respeito. O senhor fora até o filho caçula, e olhou o diário, soltou um suspiro e passou os olhos sobre todos que pareciam também curiosos.

- O que está acontecendo? Por que o rosto de Jong In está vermelho? – Olhou entre os irmãos e ergueu a voz – Andaram brigando? Mesmo sendo homens feitos, estão brigando como moleques?

- Desculpa papai – Luhan tomava a frente – Jong In faltou com respeito e acabei por dar o tapa.

- Falta de respeito? – O rapaz citado novamente ria abafado – Não posso se quer expressar minha opinião e já sou esbofeteado no rosto.

- Se vieram aqui para brigar então arrumem suas coisas e saiam daqui – Resmungava o velho senhor – Não tenho mais idade para isso.

- De quem são esses livros?

O senhor da casa que teria se virado para sair do cômodo, apenas parou o seu movimento ao ouvir a pergunta do filho mais velho. O mesmo sempre fora quieto e observador, mas isso não significava que deixaria quieto algum tipo de assunto que lhe incomodasse. O idoso se virou e encarou a estante de livros, as recordações que tinha ali eram numerosas e não sabia ao certo como se organizar.
- É uma grande história.

Se retirando da sala e indo á cozinha para ver sua neta, o senhor da casa procurava por algo que distraísse da onda de saudade que tinha em sua mente. Os três apenas observavam aquele homem enrugado e cheio de tatuagens, Luhan tão breve se aproximou dos irmãos e sussurrou.

- Lembram quando a nossa mãe e o pai brigaram por minha causa? – Os dois outros irmãos assentiam, sem muito entusiasmo – Papai nos abrigou aqui, e eu fiquei com tanta curiosidade em saber o porquê que ele tinha nos defendido. Quando perguntei o motivo, ele apenas disse uma coisa.

Os irmãos haviam se inclinado para frente, ansioso em ouvir a resposta que pai teria dado ao seu irmão.
- “Por que eu já passei por isso, e não tive á quem recorrer”.

Os dois irmãos cerravam o cenho curiosos para saber mais. Porém Luhan não era alguém que simplesmente contava os segredos. Se afastando, o homem seguia para a cozinha, ajudar a sobrinha e o pai á fazerem o almoço. Não teriam outra escolha a não ser perguntar ao idoso, mas isso só poderia ocorrer após o almoço, quando as crianças fossem brincar no gramado com suas mães, e tivesse um momento entre pai e filhos.

O almoço seguiu com calma, os filhos conversavam entre si tentando esconder do pai a ansiedade em saber o que conteria naquele diário. Teriam chegado á conclusão que tudo o que viram em sua infância e juventude, antes de saírem da casa de sua mãe, era parte de algo maior. Luhan deixara claro para os irmãos que eles iriam se arrepender de toda a rispidez com a qual trataram o velho pai.

Mesmo que os pais tivessem ignorado o mais velho da casa, as noras e os netos gostavam bastante do senhor. Contavam sobre história que vivenciaram naquele ano, além de claro ouvirem histórias que o senhor da casa contava sobre aquela cidade.

- Antigamente, aqui costumava ser uma cidade pequena que vivia das plantações. E era conhecida pelo internato Saint Claire, que foi onde eu e a mãe dos meninos estudamos no colegial. – O senhor ria com as lembranças – Todo filho de gente rica ia para lá, era um tormento para mim andar em todo lugar, simplesmente por ser um Park.

Os três filhos ouviam a história também, talvez fosse a primeira vez que ouviria o pai contar sobre algo de seu passado. Sabiam que o avô deles era alguém importante, inclusive que o senhor da casa teria cuidado da empresa, assim como Min Seok atualmente cuida. Mas nunca haviam imaginado como teria sido a vida do pai, antes do casamento.

- Era gente me seguindo para todo lado, perguntando sobre as ações de nossa empresa. E eu nem ligava pra isso. – Ria o senhor que esticava os braços mostrando as tatuagens. – Fiz essas aqui para poder irritar meus pais, que me queriam todo engomadinho atrás de uma mesa preenchendo papeis e falando coisas complicadas. Nunca fui disso, gostava da farra, adorava meus amigos e se eu sentisse tédio dava um jeito de matar aula.

Jong In arregalava os olhos com a rebeldia de seu pai. Recordava-se das tatuagens, e sempre achava aquilo legal. Mas nunca imaginou que a vida do pai era como a mãe deles havia dito.

- Saía com mulheres mais velhas, ficava o final de semana em pequenas boates. – o velho senhor ria e negava com a cabeça. – Mas foi uma fase que acabou rapidinho, acabei enjoando daquela rotina.
- Por que o vovô enjoou?

- Porque eu conheci uma pessoa que me fez mudar. – O olhar do velho senhor era de pura nostalgia. Mexia o arroz e levava á boca enquanto olhava a mesa pensativo. E então direcionou o olhar para os filhos – Ele seria o dono de todos aqueles livros.

- Ele?

A resposta unanime dos dois filhos não surpreendia o senhor da casa, e muito menos á Luhan. Entretanto o assunto se encerrara por ali, o desconforto nos olhos do pai era perceptível. Sejeong logo chamou a atenção de todo mundo, passando a fazer piadas.

Por volta da tarde as crianças de fato teriam saído para brincar junto com as mães, deixando apenas os três filhos e a neta junto com o senhor da casa. Sehun fora o único que se disponibilizou a ir fazer as compras dos mantimentos que faltavam, e preferiu assim já que queria explorar a cidade sozinho. Luhan confiava plenamente no marido, e sabia que ele iria precisar de momentos sozinho para poder se inspirar, já que era um escritor e gostaria de escrever um romance naquela cidade.

O senhor da casa havia se sentado em sua poltrona, jogando uma coberta dobrada sobre suas pernas. Percebia que os meninos estariam lhe rondando, curiosos para saber alguma coisa. Mesmo assim, fingia saber de nada. Somente fora saber o motivo da curiosidade, quando Luhan se sentou no tapete, ficando de frente ao idoso. Segurando seu diário, e fingindo ignorar os irmãos que também fingiam assistir televisão, o caçula mostrava o diário para o pai e abria em uma página pré-escolhida.

- Pai, me conte essa história de novo, quero saber os detalhes, já que Sehun aceitou escrever sua história.

O senhor lembrava-se de quando Sehun morava consigo, quando ele ouviu sua história e ficou encantado dizendo que deveria publicá-la como um romance. Obviamente o senhor ficou imaginando como seria um livro, e por isso pediu para que o genro o fizesse. Talvez como uma forma de desabafo.

Olhando a página escolhida, leu sua própria caligrafia para que pudesse recordar novamente. De canto de olho, observou os filhos de braços cruzados, mas pareciam lhe observar pelo reflexo da televisão. Enquanto Luhan apenas assentia ao receber o olhar duvidoso do idoso. Saberia que o caçula estaria aprontando alguma coisa, então apenas seguiria o fluxo. Perderia nada contando aquela história novamente.

- 14 de fevereiro era o início do meu ano letivo, na época eu tinha dezesseis anos e estava indo para o segundo ano...

Bulgwang-dong, 14 de fevereiro de 1965

O internato Saint Claire era particular e frequentada somente pela alta elite. Filhos de empresários que iniciam o seu negócio, presidentes de empresas, futuros artistas e entre outros, são alguns exemplos das profissões daqueles que se alto declaram de linhagem pura. O seu ensino ficava entre os melhores, não havia nenhuma discordância quanto isso, principalmente por conta de método de ensino extracurricular, que ajuda os herdeiros á seguirem na área dos negócios.

Park Chanyeol era filho herdeiro de uma empresa de entretenimento, a maior que poderia haver em todo o país. Sua popularidade na escola era grande desde o seu primeiro dia de aula, e isso apenas aumentava uma parte do seu ego. Seus amigos, os verdadeiros, eram apenas dois e ambos futuros empresários de empresas diferentes. Sempre andando juntos, e raramente os viam brigar. Por isso eram conhecidos como trio real.

O motivo do nome seriam os rumores que outros alunos criaram, para viverem tão poderosamente na atualidade, só poderiam ter sido belos reis em outras vidas. Alguns dizem que a beleza que os três rapazes têm é algo equiparável, não há igual ou melhor. Além de suas habilidades esportivas e acadêmicas chamarem atenção, o comportamento rebelde também parecia ser um charme real.

Colocar os pés na frente da escola precisava de alguns segundos de preparação psicológica. Seria mais um dia como os outros, sem nada de interessante para ver. Ajeitando os cabelos brancos, o rapaz de tatuagens sorria jogando a bolsa sobre o ombro, e passava pelo portão. Logo os gritos femininos junto com os murmúrios se iniciaram.

Falar de si esse era o esquema que gostava. Fingindo ignorá-las, seguia o seu percurso para o refeitório onde encontraria seus amigos. Não havia muito movimento, preferia chegar cedo apenas para aproveitar a calmaria que antecedia o pico dos alunos. Além de que dentro da escola não iria receber nada dos seus pais, que provavelmente ligariam para saber o que o filho pensou sobre o futuro. Não saberia se quer o que comeria naquele café da manhã, quanto mais sobre o seu futuro.

Parando na porta do refeitório, ficou à procura dos meninos. Não os encontrando apenas suspirou indo até a cantina, onde comprou alguns salgados. Segurou a bandeja, passando a seguir os vinte passos até a mesa central desocupada. Deixando a bandeja sobre a mesa e a mochila no banco ao seu lado, tratou de comer um dos salgados.

Estava entediado demais. Seus olhos vagavam pelo refeitório, parando nas janelas. Nunca havia reparado que os vidros eram tão grandes e que davam vista ao grama que ficava entre os prédios. Como haviam lugares, que após um ano frequentando aquela escola, nunca conheceu.

Enquanto olhava as janelas, percebendo que alguns alunos sentavam no gramado para aproveitar o sol do dia, algo percorreu em sua mente. Faziam alguns dias que sua rotina era a mesma coisa. Vir á escola, falar com seus amigos sobre as mesmas coisas, assistir ás aulas sobre a mesma matéria. E quando chegava no dormitório, não sentia vontade de fazer absolutamente nada. Passava o restante do dia deitado na cama olhando para o teto, sentindo falta do algo á mais.

Quando que isso teria começado? Em que momento de sua vida, a sua rotina parou de ser interessante? Antes passar pelo portão da escola não era motivo de hesitar, mas naquela manhã precisou se preparar para os murmúrios. Aquilo estava lhe incomodando? Por que? Algo estava diferente, algo havia mudado para si e não teria percebido.

Estava tão imerso em seu próprio pensamento, que não percebia o movimento ocular que fazia. Estava seguindo um garoto que se sentava em uma mesa próximo á janela. Ele tirava um livro da mochila e ficava lendo as páginas, enquanto tomava algum suco de caixinha. Nada demais, apenas um garoto como os demais. Voltando a encarar o salgado, o rapaz tatuado apenas soltou um suspiro.

Aos poucos o movimento no refeitório aumentava, e com ela a vinda de dois rapazes. Um deles tinha a pele branca, um lábio levemente carnudo que parecia em sonhos de várias garotas, tendo de seus cabelos lisos e negros ajeitado em uma franja. O segundo tinha a pele clara como leite, os cabelos castanhos ajeitados em um topete e a fisionomia calma.

Chanyeol os avistou e ergueu o braço acenando á eles. Assim que reunidos, se cumprimentaram para então voltarem sua atenção ao braço direito do mais alto.

- Mais uma tatoo! – O rapaz mais baixo segurava o braço de Chanyeol e olhava de perto – quanta ousadia.
- Lhe rendeu quantos castigos? Uns vinte?

Chanyeol ria dos amigos negando com a cabeça, puxando o braço olhou o desenho do relógio que havia feito em antebraço.

- Eles ainda não viram, fiquei de moletom em casa no último final de semana.

O riso de ambos os jovens ecoou pelo refeitório. Se sentando os meninos começaram a conversar, ignorando totalmente os olhares indiscretos de quem passavam por eles. Não demonstravam que ficavam contentes com a atenção que recebia, se mostrassem que gostam daquilo, provavelmente arranjariam mais brigas. Rivalidades com outros rapazes era terminantemente proibido, se a diretora soubesse de qualquer briga seria o fim dos três rapazes na escola.

- Aliás, o que acham da Sun Hee, do terceiro?

Chanyeol mantinha o olhar no pequeno pedaço de salgado. O enfiou na boca ignorando os olhares intensos dos dois amigos. Os mesmos se entreolhavam e suspiravam, apenas pegando seus respectivos lanches.
- Sabe Chanyeol, acho que deveria ver como ela é, dizem que é um broto legal.

- Não estou interessado.

- Nunca está – Sussurrava o outro deixando o copo vazio de café. – As de boate são melhores dos as daqui?

Chanyeol segurava o copo com o suco de laranja e refletia. Quanto tempo teria se passado, desde que passou um final de semana em alguma balada flertando com as mulheres, e aproveitando de seus corpos para o prazer dos envolvidos? Não teria ido á balada nos últimos finais de semana, estava entediado demais para ir, além de parecer ter perdido o interesse naquelas mulheres.

Mesmo assim deixou um sorriso travesso em seu rosto. Se fosse para comparar as mulheres da boate que apenas querem dormir com um Park, e as garotas da escola que querem namorar um Park, então iria escolher aquela opção que menos lhe deixaria preso á algo único e daria a liberdade que tanto gosta. Mulheres da boate.

- Com certeza.

A troca de risos entre os três amigos continuou até alguns minutos após o sinal tocar. Mesmo assim permaneceram sentados sozinhos, esperando a vontade de ficar horas dentro de uma sala de aula. As matérias já não eram mais interessantes, e aquilo ajudava com o tédio que os rapazes sentiam. Mesmo assim estavam no segundo ano, e queriam se livrar da escola o quanto antes e entrar de férias antecipadamente. Agarrando as mochilas, os três seguiram para a classe, da qual somente o mais baixo e o próprio Chanyeol estudavam juntos.

Se despedindo de Jong Dae, Chanyeol e o menor Jun Myeon, entraram na terceira sala do segundo andar, apenas movendo a cabeça sussurrando um pedido de desculpas nada sincero. O professor que iniciava suas explicações, ajeitou o par de óculos e assentia, engolindo a sua pequena ponta de raiva por ter sido atrapalhado novamente.

Sentando-se nas ultimas carteiras vagas, os dois rapazes tentaram seguir a aula. Até faziam as anotações, mas não conseguiam manter o ritmo. Quando o quadro era apagado, Chanyeol jogava o lápis sobre a mesa e resmungava, já perdia o interesse naquela aula tão complicada. Desistindo em saber o que estava sendo explicado, olhou para Jun Myeon que já dormia escondido atrás do livro.

Deveria imitar ele?”, deixando as mãos em seu bolso da calça, o rapaz deitou a cabeça sobre o caderno e ficou a olhar a janela. Estava um dia ensolarado, as folhas da imensa árvore que ficava em frente ao seu prédio balançavam em ritmo ao vento. Parecia um movimento gracioso e calmo, que rendeu a atenção do rapaz por alguns minutos.

Desviando os olhos para o livro, leu algumas linhas fazendo careta. “Como podem entender isso sem figuras? ”. Passando o indicador no livro, o fechou e suspirou baixo. Mesmo com um dia ensolarado no lado de fora, Chanyeol estava preso dentro de uma sala onde todos pareciam máquinas da aprendizagem. Talvez o mundo lá fora fosse como um livro ilustrado, apenas vendo e vivendo é que se aprenderia.

Por algum motivo, as janelas estavam chamando sua atenção naquele dia, como se fizessem algum convite. Entretanto, Chanyeol não sabia exatamente o que iria encontrar no lado de fora, e por isso negava-se á acreditar em seus instintos. Iria permanecer na sala de aula, e como estava tudo tão entediante, ficaria imerso em seu silêncio, sem vontade de atrapalhar o professor.


Quando o sinal do almoço soou alto em todas as salas de aulas, os alunos saíram das classes afobados. Chanyeol permaneceu na sala, ainda com a cabeça deitada sobre a mesa olhando para a janela. Jun Myeon observava o amigo, estranhando seu comportamento naquele dia. Dando a volta na carteira e sentando-se em frente do campo de visão do mais alto, o rapaz sorria sorrateiramente.

- Está doente?

O rapaz de cabelos brancos piscou algumas vezes antes de erguer a cabeça e olhar em sua volta, percebendo que a sala estava vazia. Quanto tempo teria se passado, apenas olhando para o nada? Encostando-se na cadeira, coçava a nuca envergonhado por estar distraído naquele dia.

- Não sei, uma sensação estranha mesmo.

- Deve ser tédio, vamos matar aula.

Finalmente alguma coisa parecia sair de sua rotina. Apesar de que já teria feito aquilo outras vezes. Mas não se recordava quanto exatamente. Estranhando a sua súbita onda de esquecimento, Chanyeol se levantava da cadeira e arrumava seu material.

- Bora.

Como se energia voltasse para si, os dois jovens guardaram o material e se retiraram da sala. Passando pelo corredor, eram cumprimentados por alguns jovens, o que para eles era a melhor parte do dia. Entretanto, Chanyeol não se sentia bem o suficiente, o desanimo de antes retornava aos poucos.

Ficando no refeitório junto com Jong Dae, o rapaz dos cabelos castanhos e fisionomia calma, os três amigos planejavam como iriam ocupar o tempo das últimas aulas da tarde. Poderiam pular os muros dos fundos e irem para algum shopping, fliperama, ou até mesmo paquerar algumas mulheres. Ideias que sempre fizeram parte da rotina de Chanyeol, mas que naquele dia perdeu-se o encanto.

O mais alto apenas remexia o copo vazio, perdido em pensamentos novamente. Estava sentindo falta do que? Por que estava tão vazio? Um sentimento ruim e que lhe angustiava ao mesmo tempo. Pensar nisso deixava-o com um desconforto no peito. Sutilmente olhou para a janela que reparou antes das aulas, lá estava aquele mesmo garoto com o mesmo livro e a mesma caixa de suco.

Inclinando a cabeça, o rapaz ficou observar o tal garoto. Parecia diferente dos demais garotos, o contrário do que teria imaginado anteriormente, além de estar imerso em um livro. Espreitando os olhos, como se pudesse enxergar melhor, Chanyeol conseguira reconhecer a capa.

- Alice no país das maravilhas? Que infantil.

Levando o copo descartável em seus lábios, passou a morder a borda enquanto voltava a conversar com os amigos. Tão breve o sinal tocara novamente fazendo os alunos retornarem para suas salas. Enquanto esperavam por Jong Dae juntar seu material, os dois outros jovens seguiram para o pátio dos fundos, onde poderiam se esconder dos inspetores.

- Podemos ir lá no meu quarto, jogar alguma coisa – Jun Myeon sorria largo enquanto caminhava para perto do muro por onde iriam pular – Ganhei uns jogos do meu primo, daqui ó.

Chanyeol cerrava o cenho enquanto via o amigo levar as pontas dos dedos até o lóbulo da orelha, teria escutado aquele mesmo discurso no dia anterior, quando decidiram não assistir as duas últimas aulas. Uma sensação de deja-vu.

- De novo? Spacewar?

Jun Myeon parou de andar e olhou curioso para o amigo mais alto. O mesmo estava com os cabelos despenteados e um rosto sério demais. O que poderia ter acontecido com aquele rapaz que sempre parecia animado?

- Como assim de novo? Ganhei hoje de manhã.

Os dois rapazes ficaram em silêncio, Chanyeol suspirava bagunçando seus cabelos enquanto resmungava. Logo Jong Dae se aproximava, jogando a mochila sobre os ombros enquanto corria em alta velocidade.
- VAMO BORA!

Chanyeol e Jun Myeon não entenderam o motivo do amigo estar correndo daquela forma, mas ao verem a figura do inspetor o desespero tomou conta. Jun Myeon e Jong Dae conseguiram alcançar um dos muros mais baixos que havia naquele lugar, escalaram e pularam até conseguirem até chegarem ao outro lado. Chanyeol não conseguira pular o muro, e sendo avistado pelo inspetor, apenas correra para o estacionamento dos professores, se escondendo atrás de um carro vermelho.

Se agachando e com espiadas o rapaz alto se esquivava do inspetor, que olhava todos os carros. Passando pela frente do carro vermelho, o rapaz correra, ainda agachado, para o automóvel seguinte. A cabeça do inspetor era visível, sendo possível de Chanyeol ter noção se deveria se agachar mais ou correr o risco de fugir novamente.

Porém o homem de alta estatura não desistia de procurar. Olhava todos os carros, se agachava e procurava por algum par de pés. Chanyeol se escondia atrás dos pneus, esticava o pescoço ao ver o homem de costas para si, estava bem escondido do campo de visão daquele inspetor.

Olhando em volta, o jovem rapaz encontrou atrás de si uma parede de cimento coberta de plantas, tendo uma porta de madeira. Antes de dar um passo, averiguou se o inspetor estava próximo, e aproveitou para passar pela porta a fechando rapidamente, evitando de fazer algum barulho alto que o denunciasse.

Respirando fundo e esperando que sua respiração normalizasse, o rapaz mais alto ficou parado alguns minutos de olhos fechados. Seus ouvidos estavam atentos á qualquer som que viesse de fora, e por isso apenas esperava. Ao perceber que havia apenas o silêncio, virou-se para a porta de madeira, abriu uma fresta e olhou em volta, percebendo que o inspetor ainda estava no estacionamento.

- Vou ter que esperar aqui, que droga!

Virando-se para ver onde teria se escondido, surpreendeu-se em encontrar um jardim. O local era grande, a partir da posição de Chanyeol havia uma trilha de pedras grandes, e avisos para não pisar nas plantas. Haviam canteiros de flores bem cuidada, mais ao fundo árvores com frutas maduras.

Era um lugar tão verde que parecia ser irreal. O rapaz alto pulava nas pedras enquanto observava em volto totalmente curioso para o que iria encontrar ali. Não sabia que a escola teria um local como aquele, ainda mais escondido de todos. Ao chegar na última pedra, encontrou uma trilha de terra que dava para além daquelas árvores frutíferas. Antes de seguir a trilha, olhou para sua esquerda encontrando apenas o muro de cimento.

- Que raios de lugar é esse?

Tendo que esperar tempo suficiente para que o inspetor desistisse de encontra-lo, Chanyeol resolvera seguir a trilha, como uma forma de explorar a escola e sair da rotina. A trilha era imensa, passava pelas árvores que cobriam a visão de quem entrasse. Afastando alguns galhos, o rapaz encontrou um lugar que parecia ser imensamente belo.

Estava surpreso com a visão que tinha, nunca pensou que encontraria um lugar como aquele. Havia um chafariz no centro, uma escultura angelical que jorrava água. Em volta da grama, um banco branco vazio. Se sentando ali, Chanyeol passou os olhos em sua volta. Ali estava completamente escondido pelas árvores e arbustos, flores era o mais tinha ali para embelezar o local.

Não era de admirar a beleza de alguns lugares, já que as únicas que o fazia era quando viajava de carro para a casa de campo dos Park. Mesmo assim não seria ignorante ao ponto de negar que aquele lugar era belo demais.

Encostando-se no banco, o rapaz tatuado ficou sem saber o que fazer. Ficou pensando no que os seus amigos estariam fazendo depois de pularem o muro, provavelmente indo se divertirem sem ele. Soltando um riso baixo, Chanyeol se deitou ajeitando a mochila abaixo de sua cabeça e cruzando os braços sobre o peito.
Se tivesse que esperar por uma brecha para fugir, o melhor seria que fosse dormindo.


O senhor Park olhava para o filho caçula que sorria ansioso. Ele já teria lido as próximas páginas do diário e saberia muito bem o que aconteceria. Mesmo assim encerrou a leitura com a chegada dos netos, que entravam em gritaria e extrema energia. As mães ajudavam Sehun a entrar com as compras, e a deixar as sacolas sobre a mesa.

- Onde colocamos esses mantimentos? – Sehun tocava a sacola com alguns congelados, Chanyeol apenas levantou-se com a ajuda de Luhan, e seguiu até o andador para continuar seus passos até a cozinha.

- Eu te ajudo. – Antes de entrar na cozinha, o senhor virou-se encarando os três filhos – Mais tarde continuo com a história.

Os dois primeiros filhos olhavam para Luhan, e logo tentavam pegar o diário para saber o que lhes aguardavam.

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Na escuridão, eu fecho as portas e em silêncio sinto-me impotente
O palco mudou, certamente deixou uma reflexão de arrependimento
Promise - Exo

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