{Sanctuaire Sacré} Capitulo 1


SANCTUAIRE SACRÉ é como se chama o grandioso castelo que abriga garotos jovens entre 5 á 15 anos. Localizado no da floresta Brzca, uma daquelas florestas em que uma pessoa não consegue caminhar, nem acompanhada muito menos sozinha. Nela, as arvores são de galhos secos, no solo não se encontra nenhum tipo de flor, apenas carne de animais mortos sendo comidos por outros predadores e vegetais, que posso afirmar são venenosos. Durante o dia só se pode ver a densa neblina, que não importando se é verão ou inverno traz consigo o vento gelado impedindo que os curiosos a atravessem. À noite o som das corujas é uníssono e único, os galhos caídos no chão e o som de algo sendo arrastado por algum tipo de animal feroz geram lendas absurdas. Por causa dessa atmosfera aterrorizante ninguém se atreve a ir mais além.

Bem no final da densa neblina, pode ser avistado um grande muro de pedras e concretos, no meio uma grande porta de madeira, conhecido como o grande portal, que esconde atrás de si um castelo grande tanto de altura quanto de comprimento.

      O castelo é conhecido por ser um lugar religioso. O povo que no lado de fora moram, acreditam que os meninos que ali entram são para se tornarem Padres, Papas, Bispos, e exportar o conhecimento que aprenderam pelo mundo a fora expandindo de sua religião. Mas o que eles não sabiam, é que na verdade não são apenas padres que os jovens garotos que ali moravam, iriam se tornar. Por debaixo dos panos se encontravam mais de 10 mil garotos acima de dez anos de idade aprendendo a como sobreviver, começar, terminar uma guerra, e principalmente a como matar. Só saiam dali quando o homem completava 25 anos, isso é se chegasse a tanto. Ao terminar essa fase de estudo, o homem é levado para a sede da SS onde receberá sua função, que deve ser cumprida, quer ele queira ou não. Aqueles que não chegam a esse ponto são considerados mortos, porque eles realmente morrem. Por dia cerca de 20 alunos são mortos por envenenamento, facadas, tiros e entre outros motivos, e no mesmo dia mais 20 jovens são colocados em seus lugares.

      Faz um ano que cheguei aqui, fui trazido sozinho e não faço a mínima ideia de como sobrevivi até agora. Lembro-me de que quando eu cheguei aqui com seis anos, antes disso não faço a mínima ideia de quem eu era, e se tinha alguma família. Quando adentrei ao castelo fui levado para a sala do Papa onde ele apenas me olhou e conversou com outro Redentor. Aquele redentor acabou por ser meu responsável, seu nome é Park Jung Soo,  um redentor celta, classe onde os redentores são nossos professores, enfermeiros e até mesmo bibliotecários.

      Redentor Jung Soo, ao contrário dos demais redentores, sempre foi muito amável comigo, e até mesmo cuidou de meus machucados daquela noite. Ele trazia comida para mim e me dava banho, assim como me contava de seu dia para mim como se fosse um pai. Aquele lugar era muito estranho para mim, assim que comecei a ver as aulas desejei sair dali. Queria poder fugir para uma vila, e fingir que isso foi apenas um pesadelo. O primeiro dia que fiquei naquele lugar não conversei com ninguém, apenas observava e imaginava a minha fuga, mas depois de ver a punição que os fugitivos levavam, caí em minha realidade e apenas aceitei que aquele lugar seria onde eu iria morrer.

      Hoje, depois de um ano, criei muitos amigos assim como descobri vários segredos sobre os redentores. Acabei me apegando ao meu responsável, que sempre me faz dormir à noite. Sem contar que apenas espero o dia em que tudo isso chegará ao fim. Durante uma manhã, Redentor Jung Soo me contou sobre a hierarquia que existe dentro do castelo, os redentores da classe mais baixa, os deltas, são os faxineiros, os guardas e aqueles que recolhem crianças. A segunda classe é celta, onde Redentor está inserido, a terceira é a beta, a classe dos vigias, eles seguem a regras do castelo à risca e que punem os acólitos. A classe mais alta é a alfa, onde estão os preferidos para se tornarem Papa, atualmente o redentor Hankyung e Zhoumi estão nessa lista, e pelo que soube está desse jeito á anos, apenas à espera da morte do Papa Tae Hwa.

      A vida por aqui é um pesadelo, mas se quer evitar a morte deve-se adequar ás regras. É isso o que faço, apesar de ter feito amizade com redentores amáveis ás escondidas, eu sigo as regras.

Já estava a noite e o toque de recolher já tinha ressoado pelos corredores. Havia voltando da biblioteca, acabara de aprender á ler e teria encontrado alguns livros com gravuras para me dispersar em meu tempo livre. Em meio de meu caminho para o meu quarto parei na janela do segundo andar, ela dava a vista para o portão de entrada do castelo, tal portão que estava sendo aberto e um redentor trazia uma fileira de crianças acorrentadas, pelos tornozelos e pulsos, com carinhas tristes e medrosas. A chuva caía de forma intensa e raios eram escutados em alto som, continuei observando aquelas crianças entrando, até que uma me chamou atenção.

      Não sei o porquê, mas aquele garoto não parecia ter medo. Ele apenas olhava tudo friamente, e se quer parecia se importar com as ordens dos guardas. Era o último da fila, e pelo que notei era o único a não estar machucado. Continuei a observá-lo com curiosidade, quem era ele? E por que parecia ser tão estranho dos demais garotos? Arrepiei-me ao ver seus olhos me encararem, me abaixei mordendo os lábios por ter sido pego por um garoto, e se ele contar aos guardas que me viu? Eu estaria em uma imensa encrenca.

      - Ei! – Assustei-me novamente caindo sentado no chão, olhei para cima reconheci Redentor Jung Soo olhar-me surpreso. – Não te mandei para o quarto?

      - E-Eu estava olhando a janela, hyung. – Sussurrei na hora, o redentor observou a janela e fez uma careta.

      - Vá para seu quarto, antes que te peguem.

      - Sim hyung.

      Levantei-me depressa ajeitando a bata preta sobre o meu corpo, caminhei lentamente pelo corredor do segundo andar até aproximar de sua escadaria, onde passei a correr em direção do dormitório dos acólitos. Os corredores estavam silenciosos como sempre, as janelas sem nenhuma cortina apenas iluminavam o local com a luz fraca do luar. Abrindo a porta de madeira pude ver vinte camas alinhadas, acólitos dormiam serenamente, alguns até tinham pesadelos, mas eu não poderia intervir. Caminhei até a penúltima cama que era a minha, e me deitei calmamente.

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      Na manhã seguinte pude despertar com o som dos sinos que soavam alta em plena seis da manhã. Ouviam-se os grunhidos dos acólitos que não queriam deixar suas camas, para irem a um lugar frio como a capela. Levantei-me e peguei de minha roupa, era o uniforme de sempre uma calça preta e uma bata pretas. Uma confusão estava sendo criada em frente á porta do banheiro, os acólitos queriam usar e evitar o atraso, já que isso resultaria em alguma punição. Suspirando uni de minhas forças para poder enfrentar o amontoado de gente em frente ao banheiro.

      Cruzei a primeira cama da fileira e virei á direita onde tinha um grandioso banheiro, ele continha apenas 10 chuveiros e 10 patentes a disposição. Consegui pegar o ultimo chuveiro e torci baixinho pelo ganho, me despi sentindo o frio daquele outono não me demorando para ligar o chuveiro na água quente. Pelo menos tínhamos isso, mas acho que para podermos ter água encanada os redentores tiveram uma longa discussão. Banhando-me com pressa logo me vestia e dava lugar a outro acólito.

      Segui o corredor enquanto ajeitava a bata, via acólitos seguindo para o andar inferior, onde nos reuníamos todas as manhãs. No lado de fora o sol se escondia entre as nuvens, tudo o que víamos era a intensa neblina que desaparecia com tudo de nossa visão. Não me demorei em chegar à capela e encontrar um lugar afastado, me sentei ali e fiquei à espera do rito daquele dia. Na verdade dentro do castelo seguíamos uma religião, ou fingíamos que seguíamos uma, é uma religião criada pelos redentores, e não sei qual a divindade que eles saldam, apenas sei que são bem fervorosos quanto a isso, e a maior punição que um acólito pode levar, é dizer algo contra essa religião.

      Brincava com os meus dedos enquanto ouvia os acólitos adentrar na capela e se sentarem, fiquei em silêncio apenas esperando que aquela cerimônia se iniciasse, e que o dia passasse depressa. Senti alguém sentar ao meu lado, não me interessei muito de início, mas o arrepio que surgiu em minha espinha em sentir um olhar intenso me fez erguer o rosto. Olhei para a minha direita encontrando um redentor de braços cruzados, era estranho ter um ali ao meu lado, os redentores guardas ficavam ali nos primeiros dias dos garotos recém-chegados. Olhei para a esquerda encontrando um garoto estranho, fiquei lhe olhando até arregalar os olhos em reconhecê-lo.

      Era ele, aquele garoto da noite passada, aquele que parecia não estar assustado. Desviei meu olhar corando levemente, por um momento senti um pouco de medo, ele tinha me visto ontem será que contou para alguém? E agora resolveu vir até aqui sentar justamente do meu lado para judiar da minha mente. Ah que horror. Cobri meu rosto respirando fundo, estava ficando cada vez mais enlouquecido, tinha que me acalmar, tinha que prestar atenção ao meu redor.

      Logo o Papa Tae Hwa adentrava na capela e começava a cerimônia, os redentores ficavam de pé e cantavam as músicas, ou hinos, com fervor. Suspirei entediado detestando aquelas coisas, mas era muito fanatismo por alucinações deles. Cruzei os braços e continuei olhando para frente, fiquei na ponta dos pés procurando o Redentor Jung Soo, ele deveria estar lá na frente como sempre. Formara um bico nos lábios, aquilo estava demorando, por um momento eu esqueci do garoto ao meu lado até que me lembrei de sua presença e estiquei o pescoço para observá-lo. Ele permanecia sentado e com aquele olhar, aquele como se fosse o único em seu mundo. Queria me sentar ao seu lado, mas os olhos dos redentores me deixavam com um pouco de medo.

      A cerimônia acabara, vi o redentor passar o braço na minha frente e segurar o garoto o puxando para fora da capela. Continuei a olhá-lo curiosamente, por que ele era tratado daquele jeito? Balancei a cabeça e sorri ao ver o Redentor Jung Soo saindo da capela, me adiantei em ir atrás dele, mas antes que pudesse pegar em sua batina, acabei por cair no chão. Olhei para trás vendo um pedaço de pedra, devo ter tropeçado. Sentei-me olhando o meu joelho formei um bico ao sentir a ardência do machucado que se formara.

      Toquei na ferida sentindo a dor aumentar, o que faria? Onde estaria o Redentor Jung Soo? Comecei a chorar alto, queria o Redentor Jung Soo, estava machucado e aquilo doía. Continuei a chorar, como se cada lágrima que caía pudesse me ajudar a levantar e ir ao refeitório. Sentira uma mão tocar em meu joelho, uma mão quente, parando de chorar abri de meus olhos e o vi novamente, ele olhava para meu ferimento com os olhos frios. Continuei a observá-los curioso, ele pegou um pano estranho de seu bolso e colocou em meu joelho.

      - Donghae! – Ergui o rosto vendo o Redentor aparecer e se ajoelhar em minha frente. – Está bem?

      - Doeu. – Fiz bico logo apontando para o pano. – Mas ele... hm?

      O garoto havia sumido, olhei ao redor e nada via. Estiquei os braços para o redentor que me pegara no colo, o abracei forte escondendo meu rosto em seu pescoço. Suspirei segurando o pano que estava em cima da minha perna e fiquei olhando.

      - Vou te levar para a enfermaria, tá bom?

      - Uhum.

      O mais velho adentrara no castelo, e a única coisa que eu conseguia fazer era olhar para aquele lenço. Como ele estava ali sem um redentor guarda do seu lado? Aliás, por que ele voltaria apenas para me ajudar, e como teria sumido daquela forma? Ao entrar na enfermaria o mais velho me deixou sentado na cama enquanto pegava algo para passar em meu joelho.

      - Hyung, você viu aquele menino? – Perguntei baixo.

      - Têm vários aqui.

      - Aquele lá. – Sussurrei formando um bico esticando o lenço. – Ele deixou isso aqui na minha perna.

      - Um lenço? – Ele ergueu o rosto e ficou olhando o lenço. – Que menino Donghae?

      - Ele chegou ontem.

      - Tome cuidado. – Dizia ele me tirando da cama deixando-me em pé no chão depois de ter feito um curativo rápido e sutil. – Sabe que eles não gostam disso. Agora vá para a aula.


      Assenti guardando o lenço em meu bolso e segui o caminho para a sala de aula. Não que eu realmente fosse prestar atenção na aula, não como de costume. Queria mais era saber sobre ele, senti meu rosto corar levemente, mas assim que o Redentor das guerras entrou na sala, tratei de baixar o olhar e me concentrar. Apesar de não saber do que eles falavam, para mim bastava passar cada dia ileso. 

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