{Olimpo} Capitulo 1


◆━━━━━━━▣ 17 ANOS DEPOIS▣━━━━━━━━◆
O TEMPO se passou para os humanos, algumas das crianças que nasceram já estavam se preparando para cuidar de seus postos e cumprir com seus destinos. Na capital sul coreana, dois garotos em sua juventude apreciavam de seu café da manhã esperando mais um dia monótono, nenhuma novidade e nada a ser falado, apenas o silencio constante.

A mulher de cabelos presos e levemente esbranquiçados lia o jornal procurando noticias pelo qual poderia escrever em seu trabalho, adorava criar histórias fantasiosas para seus leitores, e estava a um passo de criar uma empresa onde seriam fabricadas revistas mensais com história de seus leitores. Á sua direita um garoto de cabelos negros comia calmamente enquanto olhava seu quadro de aulas, se preparando para as aulas do dia e ter certeza de que pegou o material correto. Mais á diante um jovem rapaz de cabelos castanhos escuros comia sem ânimo, apenas observando seu irmão enquanto suas bochechas ganhava uma coloração rosada.


A mãe ao nota-lo sorriu e voltou a olhar seu jornal saberia que o amor entre os irmãos era precioso demais para ser desmanchado com alguma palavra mal pensada. O caçula, dando-se por observado, apenas baixou o rosto envergonhado em ser pego olhando o mais velho, e iniciou o seu desjejum. Uma família calma onde uma mãe trabalhava para sustentar dois filhos, mas apenas isso.

- Vamos Hae-ah - Suspirava o mais velho terminando de beber o suco já pegando sua bolsa. - Vamos antes que nos atrasemos.

- Sim hyung.

- Meninos, não se esqueçam de que hoje virei mais cedo, por isso nada de chegarem tarde.

- Sim mãe. - Respondiam uníssono.

Os garotos despediram de sua mãe e puseram a caminho da escola. Donghae, o irmão mais novo, caminhava segurando a blusa de seu irmão enquanto corava. Desde pequeno fora apegado ao seu semelhante, era totalmente dependente do mais velho, sempre precisava dele. Não gostava da forma como chamavam atenção, e tudo isso piorava por estarem em classes diferentes. A mãe dos garotos já o levou á diversos especialistas, mas disseram ser apenas fase, onde o garoto precisava de incentivo para se enturmar na sociedade, mas para Donghae aquela era uma tarefa difícil, já que seu mundo era apenas sua mãe e seu irmão.

- Não quero que saia da sala antes que eu te busque Hae. - Dizia o mais velho caminhando calmamente sabendo estar sendo ouvido. - Irei á sua sala e almoçarei com você.

- Mas hyung...

- Ninguém vai falar algo Hae. - Sorria o mais velho parando em frente á escola, se virou e encarou seu irmão que tinha o rosto vermelho, destacando os olhos arroxeados brilhantes. - Você é um ótimo garoto e eu te amo, por isso se comportará bem, certo?

- Certo. - Sorria Donghae.

Assim adentraram na escola, não era algo para alunos de elite, e nem para alunos carentes, mas apenas uma escola onde poderia ser perfeito para os garotos se misturarem. Estudantes corriam de um lado para outro, atrasados para suas aulas. O mais velho caminhava calmamente enquanto Donghae mantinha a cabeça baixa para não chamar atenção. Pararam em frente á turma do segundo ano, o mais velho segurou a mão do caçula e beijou-lhe a testa sorrindo largamente, fazendo o outro se sentir mais calmo para agüentar três aulas.

- Te vejo no almoço.

Donghae viu o irmão se afastar e sentiu novamente o aperto no peito, odiava ficar sozinho parecia que ainda não estava pronto para enfrentar o mundo, aquele lugar simplesmente aparentava não lhe pertencer. Suspirou ajeitando a mochila em seu ombro e adentrou a sala, baixou os olhos evitando qualquer contato visual com os colegas de classe, e se sentou na carteira ao meio da sala. Era o único lugar onde podia se sentar, não importa onde ficasse as pessoas sempre o olhavam com curiosidade. Não era para menos, onde já se vira uma pessoa com os olhos roxos? Até hoje, Donghae queria saber o porquê de ter nascido assim.

Suspirou vendo o relógio na sala acima ao quadro negro, havia chegado cedo. Bocejou cruzando os braços sobre a carteira e deitou a cabeça, fechando os olhos se permitiu dormir novamente. Seus pensamentos eram traiçoeiros, novamente trazia a imagem de um homem com os olhos castanhos claros, pele clara assim como seus cabelos, não parecia ser oriental, e de certa forma era muito bonito. Novamente aquele homem surgia em seus sonhos e lhe sorria, a calma de Donghae aumentou. O homem esticou para si um livro ilustrativo, o que tinha escrito não chamara atenção, não entenderia de qualquer maneira. Abriu o livro folheando as paginas vendo as figuras dos deuses gregos. Sorriu, adorava ouvir aquelas histórias, para si era fascinante.

Fora desperto de seu sono quando o livro grosso do professor de física batera em sua mesa, ergueu o rosto lentamente encarando a figura a sua frente, se endireitou e pediu desculpas, ouvindo as risadas abafadas das garotas ao seu redor. As meninas adoravam o jeito tímido de Donghae, seus olhos eram atrativos, mesmo assim a aparência daquele jovem seria tentadora demais para as garotas da puberdade. Parecia ser o típico cavalheiro, faltaria apenas seu cavalo branco.

- Como eu dizia, - O professor voltou á frente da sala olhando para todos os seus alunos. - A professora de história de vocês, pediu-me para avisar sobre o passeio que irão fazer em breve. Depois da aula irei distribuir essa folha, - O professor pegou a folha que continham vários dados á respeito do passeio. - Onde seus pais deverão assinar autorizando a ida de vocês, será permitido apenas um acompanhante.

Donghae olhou para os lados piscando lentamente, não se lembrava de algo relacionado com passeios, mas se poderia ir um acompanhante, com certeza já sabia com quem. Olhando para seu professor, tentou ocupar a mente da matéria que era dada, mas tudo o que conseguia fazer era rabiscar o caderno com desenhos aleatórios. Apenas suspirava cansado, queria poder chegar o dia seguinte onde iria no passeio dito, e assim acabar a semana onde afundaria nos livros.

Novamente pensava em seu irmão, não deixava de sorrir e rabiscar de seu nome na folha, como o amava, adorava sua proteção e sentia que deveria fazer o mesmo, mas não era forte o suficiente, e nem corajoso, para encarar o mundo que lhe assustava. Donghae odiava isso e claro já fora motivo de discussão entre os irmãos, mas nada era feito. Para si, estar com sua família já era o suficiente. O sinal tocara para a terceira aula, logo a professora de artes adentrava a sala e explicava o que iriam fazer. Donghae revirou sua mochila, pegou o lápis apropriado para desenho, e seguiu os colegas para a sala de artes.

- Donghae-ssi. - Gritava uma garota de cabelos ruivos. - Sente-se ao meu lado, por favor.

- Nem vem Kim, ele vai se sentar ao meu lado. - Sorria a garota dos cachos acobreados.

- Com licença.

O garoto apressou o passo e seguiu para perto da professora, onde ninguém poderia lhe incomodar. Adentraram á sala de artes, Donghae rapidamente escolheu um cavalete arrumando seu material, pouco se importou com as garotas que ainda discutiam e se sentavam ao seu lado, apenas tinha em mente o que deveria desenhar naquela aula. Teria que se concentrar nas sombras e na iluminação do desenho, e quem sabe poderia pintar. Olhou a tela em branco e se pôs a desenhar.

A única imagem que vinha em sua imagem, era do homem que sempre invadia seus sonhos. Então os traços rudimentares começaram a ser erguidos, a imagem em si estava se tornando real demais para Donghae, a figura tomava conta da tela por inteiro, os olhos, que agora eram detalhados por ele, pareciam encarar Donghae de forma intensa como se desejasse falar-lhe algo. Olhou o desenho e pensou, precisava de uma veste para seu desenho, nunca prestou atenção em seu sonho se ele vestia algo.

- Está perfeito Sr. Lee. - Donghae acordou de seu devaneio e notou que a turma, por inteira, olhavam impressionados para sua tela, seu rosto ganhou cor avermelhada e sorriu timidamente á professora. - Está com dificuldades?

- U-Um pouco. - Sussurrou escolhendo virar-se para tela.

- Vamos pessoal quero a tela de vocês pronta para hoje - Gritava a professora puxando uma banqueta se aproximando de Donghae. - Vou lhe ajudar um pouco, apesar de preferir que use sua imaginação, como estava fazendo.

- Não sei... desenhar uma roupa pra ele. - Sussurrou pensativo, a professora sorriu pegando o lápis de ponta fina e iniciou traços bem leves sobre a tela rabiscada fortemente pelo lápis de desenho do garoto, criando uma figura que parecia ser uma regata um tanto feminina, de uma única alça.

- Acredito que sabe o que fazer agora. - Sussurrou a professora se levantando seguindo para olhar os demais alunos.

O garoto simplesmente pegou o lápis e seguiu os traços finos feito pela professora, logo a idéia do traje surgiu em sua mente, e começou a esboçá-lo, o desenho ficou mais real a cada detalhe embutido, a sombra deixava a figura como uma fotografia, um orgulho para o próprio Donghae. Sorrindo olhou para sua obra finalizada, sentiu uma mão tocar em seu ombro e olhou assustado vendo o irmão mais velho sorrir.

- Hyung, que susto.

- Digo eu. - Sorria se sentando ao lado do irmão. - Te procurei por toda a escola, encontrei sua professora e ela disse que estava aqui.

- Ham? - Donghae olhou ao redor e viu a sala estar vazia. - Ah, fiz de novo.

- Qualquer dia vou morrer, terei de pôr um GPS em você. - O mais velho acariciou o cabelo do caçula e lhe esticou um pote. - Já comi o meu almoço, então estou aqui para certificar de que o comerá todinho.

O mais novo sorriu sem graça segurando do pequeno pote encontrando o almoço feito por sua mãe, segurou os hashis e começou a comer. O mais velho olhava para o desenho com desdém, cerrou o cenho reconhecendo a figura. Olhou para o caçula que comia apressado em fome, e suspirou baixo voltando a ver a figura do desenho.

- Melhorou seus traços Hae. O que vai fazer?

- Hm? - Donghae ergueu o rosto olhando para o irmão que rira limpando seus lábios, e assim direcionou a cabeça para tela sendo seguido pelo caçula. - Ah, acho que vou dar a mamãe. Vai ficar orgulhosa de mim, não vai?

- É. - Sorriu largamente. - Ela vai sim.

- Oppa. - Os garotos se sobressaltaram olhando para a janela onde uma das garotas da sala de Donghae, parecia surpresa. - Eu pensei que não almoçaria e...

- Muita gentileza a sua, se preocupar com Donghae. - Sorria o mais velho. - Mas pode comer, eu cuido dele.

- Ah sim.

A garota se retirou da janela chateada o que deixou os irmãos rirem por um tempo. Conversaram pouco, o sinal foi maldoso em tocar e quebrar o clima tão apaziguado que havia entre eles. O mais velho levou o irmão para a sala, e assegurou de que não perderia o horário da saída, onde deveriam chegar em casa cedo naquele dia.

- Irei procurar algo para cobrir sua tela, eu te ajudarei a levá-la.

- Obrigado hyung.

O mais velho deixou um selar na testa de Donghae, que adentrou a sala suspirando baixo e cansado. Ajeitou sua mochila para a próxima matéria e deixou sua mente concentrar no que era ensinado. Enquanto isso o mais velho seguia para a sala de artes olhando o quadro que o irmão fizera, acariciou a tela e sorriu largamente olhando para a janela onde via a figura dos cabelos negros e levemente cacheados e olhos rosados com um brilho sensual.

- O tempo está passando, quando vocês virão?

- Creio que essa semana. - Sorria o mais velho. - Mas não espere demais meu caro, você vai ser deixado para trás.

- Sai dessa. - Ria a figura adentrando a sala ficando ao lado do mais velho. - Sungmin-ssi você é muito fantasioso.

- Veja você mesmo. - Apontou para a tela, a figura olhou o desenho e arregalou os olhos.

- Bom, parece que tenho de avisar a minha mãe para preparar uma cama.

- De preferência perto da minha. - Alertou Sungmin olhando a figura de cabelos negros e lábios fartos. - Não o deixarei sozinho, e creio que ele não quer sair de perto de mim.

- Criastes um demônio Sungmin-ssi.

- Não, estou para criar um demônio. E os demais herdeiros?

- No acampamento junto aos demais, menos... é você sabe.

- Não gosto disso. - Suspirava Sungmin se aproximando da janela vendo o tempo mudar. - Ele vai fazer de um tudo para ganhar.

- Então prepare o coração Sungmin-ssi, alguém vai com ele, e pode ser que seja seu protegido.

Na sala de aula, Donghae perdia-se nas suas anotações, seus olhos cansados pareciam querer se fechar e não permitir que fique atento ao horário. Sentindo algo encostar em seu cotovelo, abriu os olhos em alertar vendo o sorriso da professora que lhe entregava a folha de autorização do seu passeio. Donghae olhou com cuidado e sorriu vendo a oportunidade lhe surgir. Guardou seu material e saiu da sala assim que a aula terminou, e seguiu para onde guardava sua tela, a sala de artes. Viu o irmão embrulhando a tela e sorriu o abraçando.

- Vamos hyung?

- Hm, sinto cheiro de Donghae aprontando. - Sungmin olhou o caçula. - O que tem a dizer em sua defesa?

- Hyung a professora de história vai fazer uma excursão á um museu de história grega, e eu posso levar alguém, venha comigo.

- História grega? - Sungmin olhou o irmão perplexo e respirou fundo. - Nossa, ham tudo bem eu te acompanho. Mas vamos logo para casa, está esfriando.
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   O modo como o tempo mudava na capital sul coreana, deixava a velha escritora com uma péssima sensação em seu peito. Á sua frente havia um pequeno calendário, que além de ter acentuado algumas datas de entregas de seu projeto, havia pequeno desenhos com escritas um tanto quanto especiais. Suspirando para o alto viajava em seu tempo de memórias, onde se lembrava de adentrar no mundo intenso que jamais haveria imaginado. Tomada nos braços do grande homem, onde era tocada e desejada pelo mesmo. Seus finos dedos passeavam pelo seu corpo esbelto. Sorrindo com as lembranças não deixou-se ficar contente por muito tempo, saberia que era questão de chegar o momento certo. Aquelas nuvens carregadas era sinal de que a vida na Coréia já estava chegando em seu limite, já haviam descoberto onde os últimos herdeiros se encontravam.

   - Omma. - Ouvia a doce voz de um de seus filhos, a mulher largou a caneta e seguiu para a sala recebendo-os da escola.

   - Olá meninos, como foi o dia de vocês?

   - Foi tudo bem. - Respondia o mais velho deixando o quadro do irmão encostado no chão. - Hae fez um desenho na aula de artes.

   - Um desenho? - A mulher olhou o quadro e já ansiava qual seria a obra que o filho teria feito dessa vez.

   - Eu ia pintar. - Sussurrava o mais novo. - Mas o hyung disse que está bom desse jeito.

  Sungmin ria do irmão estar tão envergonhado com apenas presentear sua mãe. Tirou do pano que cobria o quadro deixando mostrar os traços que eram típicos de Donghae, a mulher olhando de primeira mão se assombrou com a figura desenhada, porém não deixou por demonstrar em seu rosto, apenas se virou para o filho que a olhava esperando algum comentário.

   - Hae meu anjo, onde tirou essa inspiração? - Perguntou suavemente enquanto Donghae sorria calmamente.

   - Apenas um homem que aparece nos meus sonhos, só veio ele na minha mente para retratar.

   - Ah sim. - A mulher sorriu por sua ingenuidade. - Está perfeito Hae, podemos pendurar na nova casa.

   - Hm? - Os gêmeos se entreolharam curiosos. - Que casa?

   - Ah meninos teremos de nos mudar. Para ser mais exata, em dois dias.

   - Por quê? - Questionava Donghae. - Eu ia pedir permissão para ir em uma excursão em um museu de história grega.

   - Ah Hae não se preocupe hm? - A jovem mulher se aproximou do filho mais novo o abraçando forte. - Desculpe a omma, não fiz por maldade.

   Os olhos do irmão mais velho se encontraram com as da mãe, deu-se por entender para onde iriam e o motivo de saírem dali. Sungmin suspirou e olhou para o irmão temendo o que poderia vir para os dois. A mais velha deixou um breve selar na testa dos filhos, pegou o quadro e o carregou para seu quarto, deixando os gêmeos sozinhos com seus pensamentos. Sungmin olhou para o caçula e se perguntava se já era hora de lhe contar aquilo que lhe foi escondido, e como ele reagiria diante desse fato.

    Olhou em suas mãos que segurava o folheto que seu irmão entregava, analisou o anuncio e sorriu ao ter uma brilhante ideia. Donghae não era simplesmente fanático pela história grega, apenas sentia a necessidade de saber mais dela, mesmo que o motivo dessa curiosidade seja desconhecido. Mas isso parece nunca ter lhe incomodado, afinal de contas parecia um conto de fadas, algo irreal, mas real ao mesmo tempo.

    - Hae-ah - Chamou o mais velho ganhando a atenção do mais novo. - Iremos para um bom lugar.

   - Mas e o passeio? - Donghae formava um bico nos lábios enquanto se aproximava do irmão. - E você sabia que iríamos nos mudar?

   - É, eu sabia. - Suspirava o mais velho acariciando o rosto do irmão. - Nós todos temos alguns assuntos a resolver nesse novo lugar, e acredite tenho plena certeza de que vai gostar de lá.

    - E como sabe hyung?

    - Hm, tem haver com o nosso pai. - Donghae olhou para o irmão mais velho curioso, era a primeira vez, depois de tamanho tempo, que falavam sobre o pai, apesar de sua curiosidade por nunca ter tido a figura paterna durante sua vida, os gêmeos evitavam falar disso por conta do medo da reação de sua mãe. - E também, tem haver com isso.

   Donghae esticara a mão segurando o folheto do passeio. Olhou para as palavras escritas no papel tentando raciocinar sobre o que estava para ser dito, e então sorriu. O folheto falava de passeio para um museu grego, então onde mais teria um local rico de informações sobre a história grega, se não a própria Grécia.

   - Sério mesmo? Mas o que a Grécia tem haver com o nosso pai?

   - Hae primeiro arrume suas coisas e tome banho para jantar, amanhã ajudaremos a nossa mãe.

    - Mas hyung...

   - Se-gre-do.
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     A manhã iniciava-se nublado como se o dia já prometesse não ser desfrutado pela população. A mulher mais velha da casa já havia se levantado para assim continuar com suas arrumações, olhava para o quadro mais uma vez e sorrira lembrando-se do homem para quem um dia se entregou. Lembrou-se de como fora difícil acreditar nas palavras daquele homem, e imaginara que talvez seria uma árdua tarefa para seus filhos.

    - Eu os amo. - Sussurrava passando o polegar pela tela. - Proteja-os meu amado.

   Suspirou virando-se para pegar da mala feita de couro. Passou pelo quarto dos meninos os vendo abraçados enquanto dormiam na cama do mais velho. Sorria largamente sabendo que estavam seguros desde que tivessem um ao outro. Passou para o seu quarto pegando de suas roupas as dobrando e colocando dentro da mala junto á outros de seus pertences, ficava pensando no que faria com os móveis, mas logo deixando de lado já que aquela era uma questão trivial. Pegou a bolsa que carregaria consigo e tirou de lá as passagens para aquela noite, talvez fosse melhor irem cedo, e assim ficar mais fácil de manter os meninos protegidos.

     Como iria contá-los sobre a verdade, era uma questão que a incomodava. O gêmeo mais velho já sabia de seu destino, ou acreditava saber, mas e quanto ao mais novo, ele fora privado de sua vida, seus olhos já mostravam que suas técnicas em breve surgiriam e poderiam sair em descontrole. Tinha que deixá-lo com alguém que o ajudasse, assim como deixou o mais velho.

    - Omma?

    A mulher se virou surpresa, estar compenetrada em seus pensamentos estava se tornando um hábito. Sorriu em ver o gêmeo mais velho próximo a si.

    - Bom dia meu anjo.

    - Bom dia omma. O que estava pensando?

    - Eu? Em nada de mais. - Sorria fechando a mala.

    - Omma estamos sem tempo, não é? - O mais velho formava um bico nos lábios, talvez queria viver daquela vida por mais um tempo, já que pressentia que os perderia. - Como iremos contar ao Hae?

     - O pai de vocês irá contar. E Sungmin, já que não poderei entrar no acampamento, quero que jamais saia de perto de seu irmão.

    - Omma...

    - Você já controla seus dons, então ajude ao seu irmão.

    - Tudo bem, eu prometo.

    A mulher sorriu e continuou a arrumar de suas malas. O gêmeo mais velho retornou ao seu quarto e observou seu irmão dormir. Se apoiou no colchão e acariciou os cabelos do menor que formava um bico nos lábios, incomodado por seu sono estar sendo atrapalhado.

   - Vamos acorde Hae. – Ria o mais velho ao ver o irmão acordar sonolento. – Temos muitas coisas a serem feitas.

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   A animação de Donghae contagiava Sungmin e sua mãe. Ao saber que estavam se mudando para as terras gregas, o garoto esqueceu seu aborrecimento e passou a ter admiração. Por gostar das histórias gregas, para si aquela era uma realização tremenda. Sem contar que poderia absorver da cultura o quanto quisesse, e quando quisesse. Porém em um canto de seu coração, estava um pequeno escuro, um pequeno canto onde o medo se instalava. Iria conhecer seu pai, pela primeira vez depois de tantos anos, ouvia sua mãe falar dele, e dizer com um sorriso simpático no rosto, que os gêmeos veriam o pai em breve.

    Agora saberia para quem puxou os olhos roxos, que tanto chamavam atenção. Agora saberia o porque de ter sido abandonado pelo pai, agora saberia o porque de tantas perguntas. Durante o vôo via coisas que julgava ser loucuras, talvez a grande altitude do avião tivesse alternado os mecanismos de seu cérebro, passando a ver coisas inexistentes.

    Donghae continuava a ver o irmão interdito com os movimentos estranhos que fazia com as mãos. Sungmin suava, estava nervoso em fazer aquilo propositalmente em frente ao irmão. Queria que ele visse aquilo, mesmo não acreditando, para que o impacto da noticia não fosse tão grande ao ponto de assustá-lo. Aos poucos, durante sua infância, Sungmin fazia suas artimanhas em frente ao irmão para que o mesmo visse que eles eram diferentes dos demais. E talvez desse certo.

    O caçula arregalava os olhos em ver que pequenos raios se formava no centro das mãos do irmão, ele coçou os olhos e viu que o mais velho estava com as mãos vazias. Suspirou castigando a si mesmo por ver coisas. A mãe dos gêmeos dormia tranquilamente, enquanto os dois perdiam em seus pensamentos.

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     O avião já havia pousado no aeroporto, a pequena família já tinha saído pela cidade conhecendo as pessoas enquanto procuravam a casa á qual passariam a morar. Donghae ainda não havia se acostumado com a linguagem, talvez devesse aprender mais tarde, mas Sungmin estava totalmente imerso no idioma, desde mais novo aprendera a falar grego e adorava esbanjar tal feito. A mãe dos gêmeos caminhava tirando foto dos garotos, olhava o papel e para as placas a procura de algum endereço em especial. Já havia se passado por várias ruas até encontrar a que desejavam. Pararam em frente a uma casinha, não parecia ser muito grande, e também não esbanjava muito, ao contrário, eram igual ás demais casas daquela rua, a mulher retirou a chave a abriu a porta dando entrada para a nova residência dos Lee.

    A casa estava limpa e tinha uma claridade que deixava todos de boca aberta. Donghae caminhou olhando os cômodos, se sentindo bem-vindo. Encontrara aquele que poderia ser o seu quarto, não era muito espaçoso, mas também não era apertado, gostava de lugares arejados e que poderia espalhar bem seus pertences, sem que ficasse bagunçado demais. Colocando ali suas malas, sentou-se na cama que já estava arrumada, pedido da Sra. Lee antes de sua chegada, e sorriu retirando de seus livros já arrumando suas coisas. Sungmin fazia o mesmo, porém, manteve em uma caixa seus livros de inglês e matemática, deixando em sua pequena estante o livro sobre os poderes mitológicos, deuses do Olimpo e tudo que fosse referente sobre sua existência.

    Sra. Lee olhava para a porta ansiosa, olhava para o corredor querendo saber se os filhos estariam ali ao seu lado, mentalizava como deveria agir, como um treinamento psicológico de como dizer á Donghae a verdade. Lembrou-se de quando Sungmin descobriu sobre si, o garoto não ficou assustado e apenas seguiu cada ensinamento que sua mãe lhe dava, mesmo que a mortal apenas fizesse o que lhe foi dito quando os meninos nasceram. Logo Donghae voltava e olhava para o quadro, sorriu o segurando.

    - Omma onde vai pendurar?

   - Ah sim - A mulher sorriu em finalmente encontrar alguma coisa que a distraísse da ansiedade - Onde acha que seria um bom lugar?

    - Aqui - Donghae apontou para a parede próxima ao corredor, a mulher sorriu posicionando o quadro ali - Isso isso ficou bom.

    - Oh - Sungmin adentrou na sala e sorriu - Realmente um bom lugar omma.

    Sra. Lee sorriu totalmente admirada com os filhos, deixou quadro em cima do sofá e pegou o martelo e o prego para poder prender o quadro, mas antes alguém batera na porta. Tudo na Sra. parou, suas pupilas dilataram e as lembranças voltaram para si, Sungmin vendo que a mãe estava um pouco nervosa, abriu a porta encontrando aquele homem que tanto ansiava conhecer. A mãe dos gêmeos largou do prego e do martelo olhando para a porta, abrindo um sorriso grande, Donghae olhava para aquela pessoa arregalando seus olhos, era muito parecido com o homem que surgia em seus sonhos.

    - Há quanto tempo Lee - Sorria o homem com o brilho em seus olhos amarelos.

    - É... - A mulher puxou o homem para dentro da casa fechando a porta. - Nunca pensei que esse dia chegaria.

    - Sinto muito em te colocar no meio disso - Dizia o homem abraçando a mulher de cabelos bagunçados.

    - Não sinta - A mulher sorria deixando finas lágrimas soltarem em seus olhos. - Me deu grande presente.

     Ambos se soltaram do abraço e olharam para os dois garotos que olhavam para o homem de cabelos dourados.

    - Esses são Sungmin. - Sra. Lee acariciou a cabeça de Sungmin que fez uma referência com os olhos brilhando. - E esse é Donghae.

    O caçula ainda olhava perplexo não acreditando, virou para trás olhando seu quadro e depois para o homem, e comparava eles em sua mente, seus olhos arroxeados brilhavam depois olhava para a mãe totalmente perdido em pensamentos.

    - Meninos. - A mulher puxou o ar criando coragem para dizer àquela frase que tanto esperava. - Esse é o pai de vocês, Zeus.

    O recém-nomeado Zeus olhou os seus filhos com orgulho, sempre esteve olhando por eles, mesmo que não saibam. Aproximou-se deles e os abraçou sendo correspondido por Sungmin, mas Donghae ainda estava perplexo. O homem olhou para o sofá e viu o quadro, olhou para a mulher que apontara a cabeça para o caçula e logo entendera a situação.

    - Acho que estão um pouco nervosos não?

    - Moço! - Donghae chamara ganhando a atenção de seu pai - Por que você aparece nos meus sonhos?

    Sra. Lee ria da inocência de seu filho, ele já tinha 16 anos, mas agia como uma criança de seis totalmente curiosa. A mulher olhou para Sungmin que parecia muito ansioso para mostrar algo ao pai.

    - Filhos vamos nos sentar, temos muitas coisas á conversar - Donghae correu para o sofá se sentando olhou o quadro sorriu largamente e depois ansioso para o velho homem que se sentava ao seu lado. - Bom, Donghae tem algumas coisas que são difíceis de se dizer.

    - O que? - O garoto desviou o olhar para a mãe.

   - Bom... digamos que não somos uma família normal. - A mulher se perdia nas palavras, não sabia como esclarecer ao filho - Já notou se tem algum... dom?

    - Dom? - O garoto baixou o olhar. - Nunca percebi isso. O hyung tem?

    - Claro que tenho. - Sungmin se levantou orgulho e esticando a mão fez um pequeno raio aparecer e desaparecer, Donghae arregalou os olhos se levantando para olhar mais de perto, Sungmin fizera novamente vendo o irmão ficar mais curioso. - E o que achou?

    - Estou ficando louco. - Sussurrou o garoto desmaiando em seguida.

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     Antes que Donghae despertasse, Zeus e Sra. Lee comentavam com Sungmin sobre sua descoberta com os poderes, talvez fosse necessário algum plano para poder levar os garotos para o acampamento. O que Zeus queria era acabar com o acampamento, os garotos iriam ficar longe de sua mãe por muito tempo, e seria necessário que eles aproveitassem, o pobre homem tinha muitas idéias e planos na cabeça, mas nada que pudesse ser feito naquele momento.

     - Como contaremos á Donghae? Ele vai achar que está entrando em surto psicótico.

    - Seria melhor que os poderes dele estivessem despertados. - Sussurrava Zeus. - Não temos muito tempo.

    - Acho que seria melhor se eu fosse conversar com ele á sós.

    Sra. Lee se levantou do sofá e foi em direção ao novo quarto do filho, que já estava acordado e se encontrava sentado, pensando se no que havia visto era real ou não. A mulher bateu na porta ganhando a atenção do caçula que abriu um sorriso pequeno, sentou-se ao seu lado acariciando de seus cabelos vendo o mais novo suspirar perdido.

    - Omma o que era aquilo?

    - Meu filho, eu disse que não somos uma família normal - Donghae ergueu o rosto para a mãe. - Você também tem esses poderes, mas eles estão dormindo.

    - Quem é o nosso pai?

    - Sabe quem é Zeus na mitologia grega? - Donghae assentira olhando para seus pôsteres. - É ele, eles existem, e você é filho dele. Você e seu irmão são filhos de Zeus.

    - Ainda acho isso uma loucura. - Donghae olhou para o lado. Muitas informações estavam entrando em sua mente naquele dia, o pequeno garoto acreditava que tudo ainda seria um sonho, uma mera fantasia de sua mente. Olhando a mãe tão esperançosa, achou melhor por entrar na brincadeira, quem sabe não renderia um bom sonho no final? - Mas me acostumo não é?

    - Sim sim - Ria a mulhe. - Não se preocupe o seu irmão cuidará bem de você.

    - Como assim? - Donghae franziu o cenho, tal ato que reconhecera ter herdado do pai.

    - Seu pai levará você e o seu irmão para um acampamento onde irá aprender a liberar os seus poderes.
    - Ficaremos longe de você?

     - Não se preocupe, tudo ficará bem. – A mulher suspirava temendo aquele dia, queria que tudo acabasse de uma vez por todas, estava cansada de ficar ansiando aquele momento de sua vida. Observando o filho caçula, teve a leve impressão que ele sofreria longe de seus braços cuidadosos, e isso a afligia. Por mais que confiasse em seu amante, não confiava em quem o cercava. – Hae-ah, me prometa uma coisa?

     - Diga omma.

     - Me prometa que nunca irá fugir de suas obrigações.

     - Claro.

     Donghae apenas aceitava aquela situação como parte de seu mundo imaginário, até mesmo esperava por ver dragões e escudos bem esculpidos. Se era aquele um sonho, então o que não seria possível para si? Seus pensamentos foram atrapalhados quando a porta de seu quarto foi aberta, vendo a imagem daquele homem musculoso e alto, ainda não acreditava ser o próprio Zeus, ou até mesmo seu pai.

     - Precisamos ir. – Sungmin aparecia com duas bolsas grandes, as mesmas que os meninos haviam feito para se mudarem. Um arrepio passou pela espinha do caçula, uma ponta de medo surgia em seu coração. – Manterei contato.

     - Obrigada. – A Sra. Lee não conseguia esconder sua preocupação, e por isso se sentiu aliviada em saber que receberia notícias dos meninos. – Bom, eu acho que isso é um...até breve.

     - Omma cuidarei bem do Hae. – Dizia Sungmin. – Ficaremos bem, irei treinar bastante.

     - Eu sei que vai.

     Um abraço que poderia demorar milênios, mas que ainda transmitiria a dor de perder um filho. Sra. Lee segurava de suas lágrimas ao abraçar os seus filhos, ambos indo embora para longe de si. O pensamento de que em breve ambos voltariam, e ainda vitoriosos, consolava seu coração. Zeus olhava a cena se sentindo um pouco culpado, apesar de grandes aventuras amorosas que teve, sabia que separar uma mãe de seu filho era pior que uma espada cravada no peito.

     - Por favor, cuide deles. – Sussurrava a mulher com o rosto avermelhado. – Não deixe que nenhum mal os pegue.

     - Eles seguirão de seu destino, mas farei o possível para mantê-los vivos.

ψ
     O silêncio era avassalador, tanto Sungmin quanto Zeus se sentiam culpados pelo silêncio de Donghae. A pequena viagem que era feita até o acampamento, estava sendo á pé. Sungmin olhava seu irmão cabisbaixo e suspirava, como um sinal para que alguém o ajudasse a sair dessa angustia. Zeus abraçava os dois filhos e mexia em seus cabelos, mas nada além de sorriso pequeno era arrancado do caçula.

     Adentrando as matas e subindo uma pequena montanha, dava-se entrada para uma pequena trilha de terra. Sungmin se animava e não escondia isso, a vontade imensa de finalmente usar de seus poderes por pouco poderia ser contagiante, sempre tivera de controla-los para não assustar a Donghae, mas agora queria exibir a todos, como uma obra de arte em uma exposição. Seus dons eram preciosos para si, e ansiava pelo que poderia fazer ao usá-los. Queria aprender, tinha sede disso, apenas ansiava, apenas.

Donghae olhava ao redor curioso, o sentimento de estar deixando algo importante para trás não lhe abandonava. As lembranças de mais cedo, onde Sungmin mostrava seu raio, ainda lhe perturbavam a mente. Esticou a mão para frente e ficou a imaginar se algo assim poderia ocorrer consigo. Talvez sim, talvez não, tudo dependia de sua mente naquela fantasia. Desistindo de pensar a respeito, passou a observar a trilha, queria saber para onde ela levava, e por que da demora para chegarem no local.

     Zeus não se continha em seu sorriso largo, um orgulho para si, levar os dois filhos para o acampamento, onde em breve poderão herdar de seu lugar. Indo na frente o maior tirava dos galhos de arvores na frente de seu caminho, e no final da trilha via-se o grandioso portal.

     - É aqui meninos. – Parou em frente ao portal olhando os dois filhos – Iremos entrar e levarei vocês aos seus quartos, lá conversaremos melhor.

     - Parece divertido. – Sungmin apertava a alça de sua mochila ansioso, olhou para Donghae que apenas piscava cansado da viagem. – Se anime, estaremos juntos, certo?

     - Certo hyung.

     Os três adentraram o portal e seguiram o caminho, logo cabanas feitas de madeiras começaram a surgir, o lugar parecia abandonado se não fosse pelo centauro a estar á espera. Donghae parou de andar e ficou boquiaberto, sendo empurrado por Sungmin que apenas ria da situação.

     - Só faltavam vocês. – Ria o centauro que se aproximava dos três. Donghae desviou o caminho e agachou tocando na pata dianteira dele. – Oh, creio que...

     - Fase de aceitação. – Zeus olhava o filho que ria enquanto tocava. – Como está a situação?

     - Nenhuma mobilidade, só será iniciado quando eles estiverem prontos.

     - Tudo bem, iremos descansar agora, amanhã começaremos.

     - Como desejar.

     Sungmin puxara Donghae a força para seguirem seu pai, havia cabanas por todos os lados e nenhum sinal de que haveria alguém por ali. Zeus olhou para cima e riu de sua pequena artimanha, gostava de chamar atenção, mas para os meninos aquilo era sinal do ridículo. O maior subiu as escadas da arvore que levava para a cabana de madeira montada sobre os galhos, os meninos boquiabertos apenas o seguiam, e adentravam encontrando um local aconchegante.

     A cabana em si era bem espaçosa e com poucos móveis, as camas dos garotos era uma ao lado da outra. Perto da parede uma mesa com um computador montado, no outro extremo uma estante com livros. Havia uma pequena porta que dava para o banheiro. Tudo organizado para a chegada deles. Zeus se sentou em uma das camas, enquanto os garotos se sentavam na outra, ficando em frente ao pai. Retiraram de suas mochilas e olhavam ao redor ainda sem acreditar naquilo tudo.

     - Bom. – Zeus iniciou olhando os garotos. – O motivo de vocês serem chamados aqui é simples.

     - E quão simples é? - Donghae sussurrou ainda incrédulo com sua realidade.

     - Nós deuses do Olimpo cuidamos dos humanos nos últimos séculos, porém o mundo tem se expandido demais, e necessitamos de ajuda.

     - E nós ajudaremos? – Sungmin olhou para o irmão que começava a se interessar pelo assunto.

     - Oh sim, foi decretado a necessidade de um segundo Olimpo, onde será escolhido doze de nossos filhos que irão nos herdar.

     - E por que viemos aqui?

     - Ora Hae-ah. – Sungmin olhou o irmão um pouco chateado pelas perguntas insistentes. – Somos filhos de Zeus viemos aqui para treinar.

     - Ah sim.

     - Não só treinar. – Zeus ria. – Vocês sairão em busca de um objeto que dará o direito de ser o deus supremo do segundo Olimpo.

     - Mas eu não quero ser um deus grego. – Donghae formava um bico nos lábios.

     - Sinto muito meu jovem. – Zeus olhou para o caçula e tentou transmitir seu sentimento paterno. – Vocês nasceram para isso, eu realmente sinto muito.

     - Então...- Sungmin olhava curioso. – Como será?

     - Vocês irão criar laços com os filhos dos outros deuses e tentarão pegar os amuletos. Ah, aqui – Zeus pegou de sua mochila pegando um pergaminho enrolado, abrindo-o deu a ver que era um mapa bem desenhado. – Sigam esse mapa e conseguirão.

     - Só isso?

     - Bom... os outros detalhes serão dados amanhã. – Ria Zeus. – Eu sei que é muita informação para um dia..mas peço a ajuda de vocês meus meninos, pela mãe de vocês.

ψ
     Fazia algumas horas que Zeus havia partido, os meninos resolveram conhecer o acampamento um pouco melhor. Donghae parecia mais animado ao ver estátuas espalhadas pelo local, até mesmo se esquecia de quem era e o motivo que o trazia ali. Talvez imaginasse que aquele seria o museu que visitaria na escola coreana. Sungmin andava com as mãos no bolso enquanto ria do irmão, suspirava enquanto sentia uma ponta de saudade da mãe, e a ansiedade do amanhã.

     - Hae-ah, vamos comer? To com fome.

     - Sim.

     Os irmãos passaram a procurar algo como refeitório, o que não foi difícil de encontrar. A cabana era grandiosa, não apenas feita de madeira, mas com arranjos de flores e árvores além de panos dando um toque rustico ao local. Os garotos entraram e logo sentiam o cheiro do banquete que era servido, porém não via sinal de nenhum outro semideus. Donghae correu até o buffet onde encontrou dos diversos alimentos, sanduiches, batata frita, empadão, arroz e outros alimentos que com certeza seriam desfrutados pelos gêmeos.

     Sungmin se servia calmamente enquanto Donghae pegava de tudo que via pela frente, a fome era tanta que se quer se preocupava se sentiria alguma indigestão mais tarde. Ao se sentarem passaram a comer e assim divagar pelos seus pensamentos.

     - Olá!

     Donghae olhou para o lado e se assustou soltando um grito e caindo para trás, o que fez Sungmin rir para logo ajudá-lo a se levantar. Limpando de suas roupas e de seu rosto, o caçula olhou para o ser que havia se sentado ao seu lado, era um garoto de cabelos loiros e olhos azulados como o mar.

     - Desculpa pelo susto, fiquei animado quando vi que tinha mais alguém além de mim aqui.

     - Não foi nada. – Ria Sungmin enquanto voltava a se sentar. – Sou Sungmin, e esse é meu irmão, Donghae.

     - Ah os gêmeos de Zeus. – Ria o garoto loiro estendendo as duas mãos para os garotos. – Sou Hyukjae... Lee Hyukjae.

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