{OGD} Capitulo 3


Apesar do gelo ao redor de seu rosto, e no próprio vidro da cápsula, Jun Myeon conseguira perceber que havia um rapaz ali dentro. Aparentemente os cabelos eram negros, o nariz comum e a boca fina. Ficara boquiaberto por alguns momentos, o bipe de uma das telas que o despertou de seus devaneios. Virando-se percebia que as telas estavam monitorando os sinais vitais da segunda cápsula, não ousou tocar em alguma coisa daquela mesa, porém queria se sentar na cadeira e ficar lendo aqueles gráficos.

Não poderia ficar ali por muito tempo, por mais que fosse intrigante aquelas cápsulas, poderia perder seu emprego se fosse pego ali. Dando uma última olhada na cápsula de criogenia, Jun Myeon voltou ao escritório do pesquisador, virando-se para a prateleira de livros, puxou a madeira fazendo força para colocá-la no lugar. Não conseguira por completo, ainda sentia a brisa gelada tocar em seus tornozelos. Coçando a nuca enquanto olhava em sua volta, percebeu que um livro ainda estava no chão. Segurando-o e colocando no único espaço vazio, a estante fora para frente, se fechando por completo.

Sentou-se na cadeira soltando um longo suspiro, deixou os dedos gelados tocarem os fios de cabelo enquanto se perguntava se aquilo que viu era real. Mesmo que olhasse a mesa cheia de deveres para serem cumpridos, o alfa não conseguia se lembrar do que precisava fazer. Precisou de quinze minutos para que movesse a cabeça e voltasse ao seu trabalho.

Por mais que quisesse saber o que era aquele rapaz, precisaria se manter no emprego para fazer a sua descoberta, dessa vez secretamente.


A reunião com os inspetores teria sido finalizada tarde, já havia passado das três da tarde e a temperatura no lado de fora estava diminuindo á cada hora. Jun Myeon já havia terminado de preparar os chás para intravenosa, assim teve tempo para pesquisar sobre criogenia. Era um tema interessante, porém nunca havia se aventurado. Sendo esse um modo de passar as horas, o alfa lia alguns livros que o próprio pesquisador tinha em sua estante, dessa vez tomando cuidado ao retirá-los, temendo que alguma outra passagem secreta se abrisse.

Sobressaltou-se quando a porta fora aberta mostrando a figura séria do pesquisador. Levantando-se depressa ofereceu a cadeira para que sentasse, esperando que não fosse pego. Porém doutor Oh parecia cansado demais para reparar em algum livro fora da estante, ele apenas se debruçou em sua mesa onde poderia observar com atenção as seringas.

- Está certo. – Suspirando o pesquisador se virou para o alfa – irei adicionar as vitaminas, então quero que faça uma pesquisa para mim.

- Sobre o que?

- Criogenia, mais precisamente sobre o processo de descongelamento.

Jun Myeon sentiu o coração acelerar, parecia que havia sido pego em questão de segundos. Porém o olhar sério de doutor Oh não mostrava nenhum sinal de que estava bravo.

- C-Criogenia?

- Sim, e eu quero pelo menos 5% da pesquisa para hoje.

Era comum o pesquisador ter pressa em seu trabalho, Jun Myeon engoliu seco e resolveu por esperar alguma outra palavra, alguma coisa que o médico dissesse e que poderia afirmar que sabia o que o alfa estava fazendo. Porém o curto período de silêncio permaneceu, sendo assim o alfa juntou seus pertences e se retirou da sala, indo em direção á ala 300.

Enquanto caminhava se perguntava se teria sido pego ou não, mesmo que fosse acreditar que o pesquisador não iria agir de forma tão calma como fez anteriormente. Seria algum tipo de jogo mental? Se fosse, o alfa faria o que pudesse, se manteria no laboratório para ter acesso aquela capsula de criogenia e descobrir o motivo de ter um corpo de um rapaz congelado.

Ao passar o crachá no scanner, Jun Myeon pegou um dos livros que carregava, abriu na página marcada com a caneta e começou a ler. Criogenia era algo que os humanos comuns esperavam, e acreditavam que seria uma forma de enganar a morte. Congelar o corpo para esperar um momento em que a sociedade estivesse melhor de se viver, para então descongelar e voltar á vida. O alfa também acreditava naquilo, porém suas esperanças eram outro ponto de atenção.

Enquanto dedilhava as linhas do livro, caminhou de forma automática até uma das mesas do laboratório. Antes que mergulhasse em toda aquela rede de raciocínio, assegurou que uma xícara de café com leite quente estivesse ao seu lado para lhe manter acordado.

- Vamos ver o processo de descongelamento.

Procurando por um título, se pôs a ler com atenção. Antes de iniciar o descongelamento do corpo, seria necessário uma bateria de exames sobre o corpo, verificar quais componentes estavam ausentes para fazer uma recolocação dos mesmos. Vitaminas são essenciais para fazer com que o metabolismo volte a trabalhar de forma lenta, além de alguma droga que incitasse o trabalho do cérebro.

- Vitamina hm? – O sorriso de Jun Myeon crescia na medida em que lia as pesquisas. – Então o nosso chefe de pesquisa está tentando reanimar aquele corpo...

Inclinando a cabeça o alfa começou a fazer uma lista dos procedimentos necessários para a reanimação. Como era um pré-requisito que antecede o descongelamento, acreditava que deveria ser minuciosamente ministrado para evitar a morte do ser congelado. Sendo assim criar a lista seria uma receita á ser seguida. Entretanto, fazia apenas três dias que o alfa começara a trabalhar ali, poderia haver outros detalhes que o doutor Oh administrou e que Jun Myeon não saberia.

Soltando a caneta passando a acariciar a têmpora, o alfa olhou em sua volta. Lembrou-se que o médico havia dito que os frascos sumiam e por isso tinha controle em uma tabela. Levantando-se buscou pela prancheta que estava pendurada em uma prateleira, folheou as páginas tomando nota de cada componente químico que foi usado e que poderia fazer parte do processo de descongelamento.

Assim que a lista ia sendo preenchida, o alfa puxava setas fazendo explicações sobre o motivo daquele componente ser requisitado no pré-descongelamento. Acabou por ficar um bom tempo debruçado na mesa se mantendo concentrado, até que se deu conta de que não teria parado para almoçar, estava com fome. Se espreguiçando e bocejando, o alfa olhava em volta rindo da bagunça que havia feito na mesa.

Levantando-se seguiu para cozinha onde haveria uma torta salgada perto da cafeteira. Para que iria sair se tinha algo como aquilo? Apenas puxou uma banqueta na própria cozinha e se sentou para poder fazer o desjejum. Tamborilava os dedos sobre a mesa, estava tão gelada por conta da brisa. Como que poderia o tempo de uma cidade ser tão fria?

- Qualquer um congelaria nesse fim de mundo.

Rindo sozinho, o alfa mordia da torta observando a janela. As imagens daquele rapaz congelado pareciam tão nítidas em sua mente, era como se visse aquilo de novo ao vivo. Como teria um corpo daquele ser escondido? E porque o médico lhe pediria para preparar os chás no próprio escritório... e ainda lhe disse para tomar cuidado com o vento. Como ele saberia que um vento forte seria essencial para que o alfa descobrisse aquele pequeno laboratório?

Era tudo tão sinistro, Jun Myeon simplesmente se arrepiava diante das coincidências. Porém vivia no campo da ciência, deveria haver um motivo para aquilo tudo. Coincidência não era o suficiente. Empurrando a cadeira até a pequena geladeira, pegou uma garra de água e bebeu grandes goles pra se acalmar. Os pensamentos vinham rapidamente e lhe deixava perdido.

- Ele apenas queria que eu soubesse sobre o corpo... seria um pedido silencioso de ajuda?

Cortando mais um pedaço da torta, o alfa se levantou e encostou-se na parede. Pensativo relembrou do ocorrido mais cedo, onde o doutor teria pedido para que fosse ao escritório e fizesse a sua tarefa.

- Ele sussurrou – Lembrou-se o alfa – então ele estaria... escondendo?

Arregalando os olhos, Jun Myeon acreditava que a empresa estaria escondendo o corpo criogenizado, entretanto percebera que no dia anterior, doutor Oh não parecia contente em saber da visita dos inspetores. Sendo assim era um segredo apenas do pesquisador.

Sorrindo largo pelo triunfo, o alfa engolira toda a torta e bebia mais goles da água. Retornado á mesa onde estava trabalhando, segurou da prancheta e retornou á sua pesquisa.


Já havia anoitecido e o alfa teria terminado a sua pesquisa, estava tão empolgado sobre os detalhes daquele corpo que não se importou em fazer tudo naquele mesmo dia, principalmente quando tinha o silencio á sua disposição. Dera tempo de arrumar a mesa e ajeitar os resultados e demorou cerca de quinze minutos para que doutor Oh retornasse ao laboratório.

Estava descabelado, os fios descoloridos desorganizados, o óculos na ponta do nariz, os olhos pareciam querer se fechar de tanto sono. O alfa ficara surpreso com o desgaste daquele homem. O pesquisador deixou a pasta vermelha sobre a mesa e suspirou ao se debruçar, apoiando a cabeça em seus braços.

- Ei estagiário, espero que tenha cumprido o seu dever.

A voz estava rouca e grossa, sendo capaz de arrepiar os pelos de Jun Myeon. O alfa se inclinou em direção do pesquisador, como se procurasse ouvi-lo mais precisamente.

- Sim senhor.

Entregando a prancheta, o alfa ficava a olhar aquele pesquisador, ele se movia de forma lenta, quase preguiçosa, ajeitava os óculos e se punha a ler. Não falou muita coisa, apenas deixou todo o material sobre a mesa quando termino, e então olhou para o alfa.

- O que achou?

- Do que?

- Do corpo.

Jun Myeon arregalava os olhos surpreso, no final das contas havia sido premeditado. O pesquisador de fato queria que Jun Myeon visse o corpo congelado, e ainda queria tentar deixá-lo á par com aquela pesquisa. Alguns momentos atrás teria se convencido de que seria alguma coincidência de fato, entretanto estava errado.  O alfa se ajeitou na cadeira, inclinando-se um pouco mais sobre a mesa olhando fixamente para o doutor Oh.

- Mas como...

- Aqui é uma das maiores empresas e por isso seus recursos são de primeira linha, é o lugar perfeito para criar um delta. Mas com essa inspeção...

Um estalo se fez na cabeça do alfa, uma de suas hipóteses estava correta, doutor Oh estava escondendo o corpo do diretor da empresa. Sendo assim, o motivo do pesquisador estar tão cansado só poderia ser aquela inspeção.

- O que aconteceu na inspeção?

Doutor Oh se levantou, verificou se as portas estavam fechadas, assim como as janelas. Aproveitando que estava de pé, se serviu do café quente e voltou-se a se sentar na cadeira. Tomou um gole, esperando ficar desperto e ter uma voz mais apresentável para detalhar os acontecimentos á seu estagiário. Foram alguns longos minutos de espera, até que tornasse a falar.

- Desconfio que são eles que tenham sumido com as minhas amostras.

- E pegariam as amostras para que? – Jun Myeon olhava em volta, verificando as prateleiras.
- Pense bem, eles já estão desconfiados que eu escondo algo. – Bebendo mais um gole do café, o médico deixou a xícara sobre mesa, deixando com que seus dedos finos passassem na borda da louça. – Será questão de tempo até que descubram tudo.

 - E o corpo? É a prótese?

Apenas um balançar de cabeça foi necessário para que Jun Myeon se encostasse na cadeira, estava estupefato. Quando imaginou que a prótese de um delta estava sendo analisada, parecia ser algo superficial e não humano. Porém o que doutor Oh tinha feito, e que o próprio alfa teria percebido naquele mesmo dia, era que o pesquisador estava em meio á um processo de descongelamento. Aquele rapaz congelado era de fato um delta, um raro delta.

Entrelaçava os dedos em seus cabelos, ficara boquiaberto com a nova descoberta. Doutor Oh não lhe poupou tempo, logo se pôs a explicar todos os detalhes para Jun Myeon.

O corpo havia sido guardado, os primeiros deltas á serem criados não tiveram sucesso em sobreviver, porém aquele corpo conseguira. Entretanto não era mais necessário deltas na sociedade, sendo assim o corpo fora congelado e repassado por anos, somente os chefes de pesquisas da Easton sabiam sobre a existência de um delta. O objetivo era puramente cientifico, entretanto era sempre necessário novas tecnologias para realizarem os exames e análises do corpo. A criogenia deveria durar mais tempo, o que de fato durou.

- E como sabe que agora é hora de descongelar?

- Você viu os gráficos rapaz, todo ano realiza-se uma manutenção da cápsula, e nunca houve uma rejeição se quer.

Jun Myeon recordou-se dos gráficos que analisara no dia anterior, onde descobrira que as vitaminas artificiais já não seria o suficiente para a prótese. Aquele seria o sinal de que o corpo, aos poucos, voltava a trabalhar. E segundo a sua pesquisa, da qual deu toda atenção durante aquele dia, uma vez que o corpo comece a trabalhar, se não for descongelado, o sujeito morrerá.

- Então está correndo contra o tempo? – O alfa tentava se manter calmo, o seu cheiro já se fazia presente no laboratório.

- Estamos senhor Kim. Devo te lembrar que o motivo de ser o meu único estagiário é para que fique no meu lugar.

O fato de haver uma inspeção deixou claro que o tempo de doutor Oh dentro da empresa estava se encerrando. Á qualquer momento ele seria desligado do seu trabalho deixando á prótese de delta desprotegida. Jun Myeon agora compreendia o motivo de sua chegada ali, o diretor da Easton lhe usaria para descobrir os segredos dos chefes de pesquisas e assim tirá-los de sua jogada.

Doutor Oh passara o restante do turno explicando sobre o corpo do delta. Foi um dos poucos corpos que sobreviveu após a criação dos primeiros deltas. Não havia utilidades, e uma vez que deltas eram extremamente raros de se encontrarem, era necessário que aquela prótese ficasse segura.

Jun Myeon não sentiu maldade no falar do pesquisador, na verdade confiou que o mesmo estivesse de fato cuidando daquele corpo. Não iria se quer imaginar o que poderia acontecer se aquele individuo caísse em mãos de pessoas ambiciosas. E aquilo parecia acontecer tão em breve.

- Quero descongelar o corpo e tirá-lo daqui o quanto antes. Mas para isso vou precisar da sua ajuda.

Não havia formulas secretas escritas em um diário secreto. Doutor Oh esticara um pequeno vidro, onde dentro havia um microchip, Jun Myeon segurou aquele vidro com curiosidade, imaginando o que mais iria descobrir naquele lugar. Todas as recomendações estavam guardadas em um microchip, que eram implantadas abaixo da pele do novo chefe de pesquisa que realmente aceitasse á missão. Jun Myeon recebera do micro chip, não vendo o pequeno corte que havia no braço do doutor Oh.

- Use-o em um leitor digital que conecte a um computador de confiança. Não faça cópias, a única coisa que poderá fazer é adicionar suas fórmulas.

- Mas eu não sei se sou capaz.

- Irá tentar, rapaz eu realmente preciso de sua ajuda.

O olhar fixo do pesquisador sobre o alfa o fez prender a respiração. Parecia que estava entrando em um mundo totalmente fantasioso e cheio de segredos que não conseguia compreender. Entretanto precisava pensar rápido, aceitando do micro chip. O pesquisador se levantou e fora até uma das estantes onde pegou uma caixa de primeiro socorros, e tão em breve estava cortando a pele do pulso do alfa para implantar o micro chip.


Em casa Jun Myeon puxava seu laptop e o ligava, enquanto plugava um scanner de leitura que o doutor Oh lhe dera. Ainda não havia assimilado toda a conversa de mais cedo, parecia tudo confuso em sua cabeça. Se sentando em sua cama, o alfa ajeitava a tela do computador e logo aproximava o scanner de seu pulso. Havia ficado uma cicatriz, e pretendia cobri-la para poder ir trabalhar no dia seguinte. O essencial era não levantar suspeitas.

O fio de luz passara sobre seu pulso, e o uma janela se abriu na tela. Digitando uma senha o alfa conseguira ter acesso á várias pastas nomeadas com ano. Teria tempo de ler cada uma delas, e assim o fez. Ficou horas lendo cada relatório, parando apenas para jantar e tomar um banho quente para poder se agasalhar.

Era quase três da manhã quando chegou á pasta de doutor Oh, o sono que sentia se foi ao abrir a pasta e começar a ler os relatórios. Precisamente o corpo iniciara as atividades lentas duas semanas antes de anunciarem ás vagas em Easton, o que explicaria a única vaga aberta para ser aprendiz do chefe de pesquisa. Ele teria pressa em encontrar um sucessor que fosse capacitado para cuidar do corpo delta. E Jun Myeon foi o escolhido ao quebrar o recorde de doutor Oh nos testes de admissão.

No decorrer do documento o alfa reconhecia os compostos químicos dos últimos dias, assim como os resultados que ele mesmo analisara e que foram arquivados dentro do chip. Sabendo do que precisava, o alfa teria de criar um composto químico, o único que faltava, para que o coração bombeasse sangue para todas as partes do corpo, e então iniciar o processo de descongelamento.

Levantando-se, o alfa procurou em sua estante alguns livros, cortou pedaços de plantas necessários e guardou tudo em pequenos vidros. Não conseguira dormir, passou a noite inteira em claro apenas estudando aqueles relatórios. Não poderia cometer erro já que lidava com uma vida, por mais que estivesse congelada, ainda assim era uma vida preciosa.

Quando dera sete da manhã, o alfa se banhava e se arrumava para ir correndo até o carro e seguir em direção da Easton. Dirigia ao máximo de atenção que conseguia, já que não dormira e poderia adormecer em qualquer instante. Olhava para o banco passageiro e via sua mochila completamente cheia de vidros, sorria divertido em ter que bancar o cientista tão cedo.

Quando estacionou o carro fora em passos rápidos para o subsolo, guardou sua mochila após retirar cada vidro e vestir o seu jaleco e as luvas, além dos óculos de proteção que iria precisar. Tentava manter o equilíbrio dos vidros em seus braços enquanto andava rapidamente pelos corredores em direção da ala 300. Tivera dificuldade em passar pelo scanner, porém o alivio veio quando deixara as amostras sobre as mesas de granito.

Garantindo que ficaria acordado não perdera tempo em fazer um café na cozinha da ala, enquanto isso ajeitava na mesa os compostos, pegando alguns das estantes, claro anotando na prancheta. Assim que o café já estava liquido em sua xícara, Jun Myeon ajeitou os óculos de proteção e começou a misturar os componentes.

O silêncio que o laboratório trazia o ajudava a se concentrar, e em poucos minutos doutor Oh já se encontrava no laboratório ajudando o alfa á criar algumas drogas. Eram necessárias cinco drogas diferentes, apesar de terem um objetivo semelhante, estas deveriam ser utilizadas quarenta e oito horas antes de descongelar a cápsula. Cada uma tão diferente da outra que não poderia errar nada em sua fórmula.

Jun Myeon pegou um tubo de ensaio e despejou um liquido transparente, os compostos sólidos que misturou momentos antes foram jogados nesse tubo. O levou para o fogo e esperou que a cor de terra mudasse, os componentes derreteram e ao misturar com o liquido transparente a droga adquiriu uma cor azulada.  Usando de um palito de metal misturou mais um pouco e retirou do fogo.

Andando de um lado para o outro, os dois cientistas ficaram presos á criar aquelas drogas nos momentos que antecediam o almoço. Deixando todos os tubos de ensaios dentro de uma geladeira, doutor Oh puxava Jun Myeon para a ala 200 onde iriam iniciar o processo de forma lenta.

- Consegui trazer cerca de três aquecedores, isso será o suficiente para que a cápsula descongele por fora.

Era perceptível que o pesquisador estava animado, ao mesmo tempo que parecia ter pressa em seus atos. Ao chegarem no escritório e a porta trancada, doutor Oh retirou o livro da estante para que a mesma se afastasse e desse abertura para o local secreto. Os três aquecedores estavam sobre cadeiras, enquanto a cápsula de criogenia parecia ter sido arrastada.

Os dois cientistas seguraram e puxaram a cápsula, fazendo extrema força por conta de seu peso, e arrastaram para o centro do laboratório secreto. Jun Myeon resolvera empurrar a mesa com os computadores para longe dos aquecedores, evitando futuros estragos. Doutor Oh observou uma última vez os computadores, verificando se de fato o processo de calor externo pudesse ser efetivado. Com o sinal verde, Jun Myeon posicionou as cadeiras, não deixando de olhar para o vidro onde o rapaz delta estava congelado.

- Aguente firme hm? Vou fazer meu melhor pra te trazer de volta em segurança, por isso... se esquentar muito grite.

Rindo da própria piada, Jun Myeon ligou os aquecedores deixando-os virados para a cápsula. Assim iniciava o processo de descongelamento lento.


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