{OGD} Capitulo 1


A capital, era assim que se chamava a grande cidade onde a maior parte dos laboratórios e hospitais  com avanço tecnológico se encontravam. Ninguém sabia ao certo qual era o seu verdadeiro nome e a sua localidade exata, apenas se sabe que era ali que as coisas aconteciam. Se você é um jovem á procura de uma carreira promissora no campo da ciência, a capital era o local para se aventurar.
Mas tome cuidado! O que acontece na capital... permanece na capital.

Os segredos que rondam a cidade passam despercebidos por seus moradores. Se isso é algo que os próprios escolhem ignorar, ou são forçados á esquecer fica é mérito de você, caro leitor. Mas um palpite eu vos darei...

Um garoto foi criado nos laboratórios Easton através de uma junção de células que foram geradas por computadores. Uma decorrência cientifica que acabou por trazer resultados positivos aos estudos de anos de alguns estudiosos. Esse garoto vivenciou alguns meses dentro da cápsula de observação, para somente então entrar em observação natural. A observação natural trouxe resultados significantes, quando o garoto criou um laço interacional com dois humanos comuns.

No final das contas, o garoto passou a viver com tais humanos. Parecia que os cientistas de Easton teriam aceitado o fato de que sua criação daria certo... porém aqueles dados não foram suficientes. Precisavam saber como que ele iria reagir diante de cada situação que o mundo e a vida poderiam lhe dar. O primeiro passo foi analisar seu metabolismo diante de diversas doenças, desde a gripe até doenças mais fortes e desconhecidas. A criança reagiu bem, seu corpo criou anticorpos e conseguiu se curar com extrema facilidade. O segundo passo foi alteração nas relações afetivas, e somente então o caso se estagnou.

Para saber como a criança reagiria diante da separação dos pais, os cientistas analisaram cada hipótese. Um pai saindo para trabalhar, uma mãe indo ao mercado, o casal indo á uma viagem... e a morte de ambos. Não, aquela pequena criança não conseguiu reagir á morte dos pais humanos, e acabou por demonstrar um comportamento violento. O gene de lobo, conhecido como gene delta, sofreu mutação no corpo do garoto. Os caninos e as unhas das mãos cresceram e ficaram pontiagudos, prontos para segurar, rasgar e estraçalhar. A voz engrossara para que o rosnado fosse alto o suficiente para demonstrar o seu poder e força. Os olhos tinham as pupilas dilatadas por completo, sem nenhum sinal de consciência humana.

Devido á dificuldade de qualquer cientista em se aproximar do garoto, o caso foi arquivado.

Não se sabe sobre ele, há boatos de que foi morto pela força policial da capital, uma forma de manter os segredos em segredos. Outros dizem que ele ainda está vivo andando nas ruas planejando a sua vingança, o que faz nascer lendas urbanas e o medo na população. Porém o mais instigante, é que os boatos menos ditos pelas bocas nos fala, o garoto viver preso em uma cápsula de observação, dentro de uma sala que se quer se encontra na planta de Easton. Uma sala com vigias fortes e armados, uma sala completamente confinada. É lá que se encontra o garoto Hildron[1].

O céu na capital sempre fora cinzento e com um vento forte, nunca fazia sol e se quer poderia ver as estrelas. O motivo ninguém se importava, e muito menos iriam parar para apreciar a beleza do céu noturno ou diurno. O ritmo acelerado fazia com que todos cumprissem seus objetivos do dia, trabalhar e produzir. O jovem de dezenove anos sabia que entraria naquele ritmo em breve, em uma hora para ser mais preciso, e mesmo assim fazia questão de parar alguns minutos para apreciar a vista de sua janela.

Não era algo muito belo, porém o vento gélido que soprava, balançava as pouquíssimas árvores que havia na rua, apenas as duas que estavam plantadas em frente á seu prédio. Aquele lugar era sua nova casa fazia alguns meses, ali passou tempos difíceis tentando estudar para garantir a sua vaga em um dos maiores laboratórios de pesquisa cientifica que existe na atualidade. Tivera sorte em não ganhar um companheiro de quarto, porém o prédio não deixava de ser uma republica, onde todos os dias saíam os recusados, e entrava os novatos. Sendo assim poderia ganhar um inquilino em breve.  

Bebericando um gole do cappuccino, sorria ajeitando os dedos também gelados em volta da caneca. Era uma boa forma de manter a calma quando deveria estar aos prantos para ir pegar o trem. Desviando sua atenção para o carro estacionado em frente á calçada, inclinou a cabeça enquanto soltava uma risada baixa.

- Posso ir de carro.

Tinha dezenove anos e havia tirado a carteira de motorista, como aquilo poderia ter passado batido? Talvez as noites em claro para passar na ultima fase da prova, e algumas xícaras de café forte, tenham recalcado alguma lembrança que não fosse útil para a avaliação.

Virando-se, caminhou pela sala indo em direção da cozinha, não seria necessário mais que três passos, uma vez que o apartamento era pequeno demais. Bebeu o ultimo gole da bebida quente que restava na xícara e pousou-a sobre a pia, passando a mão sobre os lábios, correu para a sala onde pode pegar a sua mochila e a chave do carro. Enquanto caminhava calmamente, olhava a mochila verificando se havia preparado tudo o que era necessário para o seu primeiro dia de trabalho.

- Ficha de tesidus[2], um caderno novo, minha lapiseira, minha garrafa de água... minha carteira está aqui também.

Por mais que seus olhos estivessem focados na mochila, seus pés conseguiram se desviar do pequeno puff que se encontrava perto da porta. Depois de verificar que cada documento necessário estava consigo, saíra do apartamento deixando a chave em um bolso dentro da mochila. Respirando fundo, se pôs a caminhar pelos corredores silenciosos do prédio, onde se quer um assobio de pássaro era ouvido.

Já havia visto outros moradores do prédio, porém nenhum deles pareciam animados ou educados o suficiente para lhe desejar bom dia, mesmo que fosse um desejo falso. Na verdade era peculiar que todos ali tinham algo em comum além de prestarem ás avaliações para entrar na empresa, e eram as olheiras. O jovem rapaz acreditava ser o único a ter o incomodo em seu rosto, deixando sua aparência deselegante, porém na semana da primeira prova onde todos seguiam o mesmo caminho de forma desanimada, percebeu que não era o privilegiado a estar desgastado.

Porém uma coisa era reparar olheiras em vários humanos, outra era um hibrido ter olheiras. Não deveria ter, porém conseguiu tal proeza.

Rindo da própria ironia, o rapaz saiu do elevador e seguiu pelo hall de entrada completamente deserto. Checou novamente o horário em seu relógio de pulso, ainda lhe restava quarenta e cinco minutos. Passando pela porta de madeira, aumentou os passos até o carro, esquecendo seu nervosismo por ir dirigindo como um adulto. Precisava chegar cedo a seu primeiro dia, deixar a impressão de que levaria á sério o seu trabalho.

Assim que se ajeitou no banco do motorista e ligou o motor, o rapaz não se demorou em seguir pelo atalho que havia pesquisado antes, queria evitar o trânsito da manhã em direção ao centro, já que deveria cortar um pedaço dela para chegar ao leste e seguir para a rodovia, onde em meio ao nada estaria a imensa construção.

Saberia que o motivo do prédio ser tão afastado da cidade em si, precisavam manter longe os olhos curiosos, ou melhor, evitar incitar a curiosidade humana. Apesar de ser muito curioso tal fato, ainda precisaria ter cuidado em não se intrometer onde não deve, e acredite é uma tarefa difícil para os aventureiros.

O jovem rapaz conseguira evitar o trânsito da avenida principal que seguia para o centro, passando a dobrar á esquerda e seguir para á entrada da rodovia que seguia para o leste. Para onde essa estrada levaria... ninguém sabe. E nem querem descobrir. Deixando o rádio tocar uma musica baixa e antiga, ou alguma musica que o tocador do carro aguentasse tocar, o rapaz sorria diante da visão que surgia, aos poucos os primeiros prédios da empresa ficavam visíveis.

Tão em breve estacionava o carro e agarrava a mochila, enquanto caminhava para a entrada principal, pendurava o crachá que havia ganho três dias anteriores, o que demarcava o seu passe livre por qualquer canto da empresa. Ao entrar parou sobre o tapete de boas vindas, olhou em sua volta e sorrira largamente. O local continha câmeras de segurança, porém o que mais chamava atenção eram os painéis eletrônicos que orientavam pacientes para salas de consultas médicas, a calmaria dos pacientes sentados esperando serem chamados, as enfermeiras andando de um lado para outro, fazendo triagem.

- Este é o hospital...

Em passos pequenos seguiu á mesa central de recepção, a mulher de meia idade se quer lhe pediu documentação, apenas averiguou o crachá e se levantou, abrindo um sorriso simpático.

- Seja bem vindo á Easton, entre por aquela porta – Com as mãos delicadamente apontadas para a porta á direita, em extremo á sala de recepção, que havia uma placa que dizia “apenas funcionário”, o rapaz assentia ter compreendido a primeira orientação – siga reto seguindo as setas azuis que se encontram no chão, o seu superior estará á sua espera.

- Muito obrigado.

A empolgação chegava ao máximo, o rapaz seguia as orientações da recepcionista, tendo firmeza em não se perder. Á medida que se aproximava de um corredor estreito, suas mãos começavam a suar. O seu caminhar se encerrou quando parou em um corredor sem saída, havia apenas uma porta dupla e branca á sua frente, onde as setas azuis se encerravam.

Olhando em volta procurou por alguém que pudesse se parecer com seu superior, apesar de se quer saber quem seria a tal pessoa. Virando-se novamente para a porta dupla, deparou-se com um homem de meia idade, os cabelos acinzentados penteado em um topete, terno preto e uma gravata azul escura, e um sorriso falso.

- Venha comigo.

A voz grossa do homem causou arrepios no jovem, ambos seguiram por um corredor de paredes brancas com faixas vermelhas. O cheiro do local era inteiramente de produto de limpeza, o que incomodou o nariz do rapaz. Ao chegarem a um portal um par de seguranças esbarrou-no, que rapidamente apresentou o crachá enquanto observava o homem seguir á diante sem lhe esperar. Com rosnados, os guardas o deixaram passar, seguindo-o com o olhar intenso.

Mesmo que se sentisse minimamente incomodado, teria de levar em consideração que era um local de pesquisa, deveriam evitar que intrusos e espiões de outras empresas roubassem alguma pesquisa significativa. Nunca se sabe sobre isso, todos ali podem ser suspeitos.

- Entre, por favor.

 O homem havia parado em frente á um escritório minimamente grande, o rapaz adentrou e ficou á observar em volta sem encontrar algo de interessante. Era um escritório comum, uma mesa grande e bagunçada com folhas e pastas, e ao centro um computador, duas poltronas, estante repletas de livros e nada além disso.

- Sente-se.

Sentando na poltrona de couro preta, o rapaz ajeitou a bolsa sobre o colo e observou o homem sentar atrás da mesa, onde pousava suas mãos lentamente. Seus olhos pousaram sobre uma folha com uma foto pequena do rapaz, segurando a mesma se pôs a ler os dados.

- Senhor Kim Jun Myeon – O homem olhou para o rapaz que assentia. – É um hibrido?

- Ahn... sim, segundos meus exames, sou um alfa.

- Um alfa comum?

- Nunca busquei algo além senhor. – O homem arqueou a sobrancelha diante da resposta do rapaz alfa. – Acredito que saber disso não me ajudará em... meus estudos.

Deixando a ficha sobre a mesa, o homem se encostou na cadeira cruzando os braços. Uma pose típica de alguém que quer demonstrar bravura, como se aquilo fosse uma armadura.

- Foi o primeiro nas avaliações, além de demonstrar uma resposta interessante na ultima questão.

- Fizeram uma pergunta sobre o motivo de eu estar fazendo a prova, porque eu deveria ser hipócrita quanto á isso?

- Ganhar dinheiro, além de ganhar um prêmio que temos em nossa empresa. Vejo que é bem ambicioso senhor Kim.

O rapaz sorria ficando levemente encabulado com sua originalidade, quando fez a prova não considerou a hipótese de a mesma ser levada á sério, e muito menos de conseguir o primeiro lugar de todo o teste. Lembra-se quando olhou o site e vira seu número de inscrição, piscara tantas vezes para verificar ser aquela era de fato a sua inscrição parecia ser totalmente irreal. Além dos olhares zangados de outros competidores, que tinham curiosidade em saber quem era o candidato á tomar aquela posição especial.

O motivo de todos ficarem irritados com Jun Myeon, era do rapaz ter quebrado o recorde com sua nota. Em toda a história de Easton, somente um candidato conseguira uma nota alta, e que seria um dos chefes do centro de pesquisa da empresa, doutor Oh. O rapaz alfa conseguira quebrar tal recorde com treze pontos de diferença, algo gritante e desconcertador para qualquer outro que passou os últimos três meses estudando e ficar em décimo lugar.

- Moro sozinho senhor, preciso ser ambicioso ou não sobreviverei.

- É um bom pensamento. – O homem levantou esticando a mão para o rapaz. – Seja bem vindo á Easton, senhor Kim.

Levantando-se o alfa segurou a mão do homem e selou o contrato de trabalho. A partir daquele dia, Kim Jun Myeon era o novo pesquisador da Easton.

Jun Myeon segurava a chave com afinco, mordia o lábio acreditando que ainda seria algum sonho seu enquanto saía do elevador seguindo para o subsolo. Estava indo para o vestuário, uma pena que o diretor da empresa não pudesse lhe acompanhar no tour. O que seria desnecessário, já que o alfa pretendia explorar tudo sozinho. Assim como lhe foi indicado, seguiu o corredor onde as paredes continham faixas amarelas, e tão em breve entrou em um grandioso vestiário. As paredes brancas contrastavam os armários também brancos, motivo esse que o alfa teve de espreitar os olhos. Observou o chaveiro de sua chave e encontrou preenchida á laser, o número de seu armário “57”. Procurou pelos armários alguma inscrição negra que condizia com a do chaveiro, tão logo se deparou com ele, além do papel colado na porta.

Segurando o papel impresso, averiguou que eram as regras e o pior eram rígidas. Por mais que tivesse se arrumado com uma camisa polo branca e um colete cinza, deveria usar o jaleco azul e a luvas brancas, além dos óculos protetores. Abrindo do armário encontrou o vestuário que teria de usar, soltou um suspiro enquanto se arrumava novamente, e guardava a mochila. Novamente encarou a folha, o que seria necessário levar em seu primeiro dia?

- Não diz... Nenhum papel e nem caneta? – Olhando o verso, encontrou um pós escrito, dessa vez manuscrito. – “Se apresentar na ala 200”. E onde fica isso?

Soltando um suspiro pesado, o alfa fechava o jaleco e colocava em seu bolso a chave do armário e o papel impresso. Não era permitido o uso de celulares, além de claro não ter um aparelho daquele. Para quem telefonaria? Não precisava de um, conseguira viver dezenove anos sem aquele objeto.  Querendo, ou não querendo, havia absolutamente nada para levar consigo além da chave do armário e a folha.

Deixando o crachá á vista para evitar esbarrar com os seguranças, o alfa caminhava seguindo as indicações que havia nas placas penduras no teto. Ao longo de sua caminhada percebia que a ala 100 eram quartos que tinham as portas fechadas, e um intenso trânsito de enfermeiras e médicos. Não deveria ali ser a ala de internamento? Porém o térreo continha mais quartos que os demais andares.

Guardaria as suas indagações para mais tarde, não poderia deixar transparecer sua curiosidade diante dos segredos. Focando nas placas no teto, logo chegara á um corredor com paredes acinzentadas. As luminárias estavam parafusadas nas paredes guiando o caminho sombrio que teria de seguir, engolindo em seco adiantou os passos ansiando por algo que assinalasse a ala 200. E logo a encontrou.

Uma porta branca, com o número 200 em vermelho e grande tamanho. Batendo na mesma, esperou por alguma resposta antes de girar a maçaneta e colocar a cabeça dentro do cômodo. Uma fumaça branca fora bufada em seu rosto, endireitando-se na porta, tossira diante dos componentes da tal fumaça. Abriu um olho e vislumbrou o rapaz alto, cabelos loiros ajeitados em um topete, os óculos que davam ao rosto jovem uma pose “cientificamente correto”.

- Espero que seja o meu estagiário.

O olhar frio do homem fez o alfa engolir em seco, Jun Myeon pigarreou baixo e tentara sorrir o mais simpático que pôde.

- Sou Kim Jun Myeon.

- É você mesmo. – O homem esticara a mão, sem retribuir do sorriso – Doutor Oh, sou o diretor chefe da equipe de pesquisa.

O estalo na cabeça do alfa se fez após a apresentação, aquele seria o individuo que teria criado o primeiro recorde nas avaliações, e que o próprio alfa teria quebrado naquele ano. Talvez sua face séria demonstrasse um pouco de descontentamento para tal fato, afinal o cara seria uma lenda entre os candidatos. As apresentações foram curtas, e com um balançar de cabeça, o diretor chefe seguia para dentro da ala 200.

Jun Myeon observava tudo, o local era um laboratório por completo, estantes cheias de livros, mesas com instrumentos espalhados, líquidos de diversas cores, máquinas de análise de última geração, freezers e geladeiras para guardar as coletas, além de quadros com algumas anotações estranhas. As maiores partes das mesas estavam ocupadas por cientistas, que olhavam um microscópio e escreviam ao mesmo tempo, assim como havia imaginado o trabalho ali era levado á sério.

O aroma que predominava parecia com âmbar, mas o alfa sabia que não era aquilo. Seu nariz sentia vários componentes misturados no ar, e peculiarmente um desses componentes parecia lhe agradar. Não conseguia explorar o tal aroma, na medida que se focava nele parecia que ficava distante e misturava-se com os demais cheiros. Umedecendo os lábios, o rapaz seguia o médico em passos automáticos, queria se focar no cheiro.

- Aqui você irá me acompanhar na minha pesquisa – O pesquisador atravessou a grandiosa sala e entrou em outra com mesa totalmente desarrumada. Assim que Jun Myeon adentrou na sala, o pesquisador fechou a porta e fora até sua mesa, abrindo uma gaveta e procurando por algo nela. – A minha equipe é reduzida, por isso precisa ser sigiloso com qualquer informação.

- Reduzida quanto?

O homem olhou para o alfa sobre os óculos, e apenas sorria. Um sorriso ardiloso, como se houvesse ponta de orgulho por encontrar alguém que lhe questionasse alguma coisa. Por uns segundos, Jun Myeon acreditou te falado algo que não deveria ser dito, porém a risada abafa do mais velho pareceu comprovar que não levara para o lado pessoal.

- Agora conta com dois, eu e você. – O alfa se surpreendera com a resposta, e coçava a nuca desconcertado – O fato de ter quebrado o meu recorde me fez ser ambicioso e te querer apenas para mim. Espero não me arrepender disso.

O médico esticara uma pasta vermelha, estava transbordando de folhas o que fez o alfa ter cuidado em segurá-la com ambas as mãos. Evitou de olhar a mesma, apenas segurando o olhar do médico.

- Estude isso para ficar á par de minhas descobertas, sendo assim te dispenso por hoje e irei te esperar amanhã ás oito na ala 300. Para entrar encoste seu crachá no scanner. Além disso, use o caderno para fazer suas próprias anotações.  Alguma duvida?

Negando com a cabeça, o médico deixou á sua disposição o escritório para que fizesse a leitura da pasta. Assim que sozinho o alfa farejou o ar, franzindo o nariz ria baixo ao notar que todos do hospital escondiam o próprio aroma. Havia percebido que alguns eram humanos e outros eram híbridos, porém com a mescla dos aromas ficava difícil de ter certeza.

Sentando-se na mesa, abrira a pasta e começou a ler os documentos, procurou pelo tal caderno e o encontrou sobre a mesa, tinha o seu nome escrito.

- Estava realmente preparado para a minha chegada.

O sorriso do alfa fora despercebido pelo mesmo, logo voltou-se aos estudos procurando entender o que seria que lhe esperaria na ala 300 no dia seguinte.
a




[1] Hildron se refere á lenda do garoto em si. É uma palavra que lembra hibrido e pode fazer relação com a cápsula de observação cheia de água, onde o garoto viveu seus primeiros meses de vida dentro da Easton.
[2] Ficha que contém o resultado do teste para entrar em Easton.

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