{OGO} Epilogo

Fanfic / Fanfiction O Garoto Ômega - Capítulo 12 - Epilogo

Era difícil fazer Jong In se soltar do corpo desfalecido do amante, o abraçava possessivamente com os olhos arregalados e lágrimas escorriam em seu rosto moreno. Afundava os dedos nos fios esbranquiçados e o apertava em seus braços, repetindo em voz baixa que não desistiria tão fácil. Era difícil de assimilar toda a situação. Assim que calmo, Jun Myeon ajudou o genro a se distrair pedindo que tomasse um gole do café feito pelo delta, enquanto o médico segurava o corpo o movendo para uma pequena cápsula com nitrogênio que havia montado durante seu tempo ali. Doutor Kim tinha uma noção que aquilo poderia ocorrer caso Kyung Soo não reagisse bem aos tratamentos, sendo assim precisava da cápsula para manter o corpo conservado e até que a família tomasse a decisão do que deveria ser feito.

O beta ajeitava o falecido com as roupas grossas que usava antes de morrer, arrumava os fios de cabelos e os braços sobre o abdômen. Fechou a cápsula que começou o processo de congelamento. Jun Myeon via a cena com o rosto ainda molhado pelas lágrimas, porém o café quente em suas mãos o deixava mais calmo e assim pensar com clareza. Mordia os lábios afundando os dedos na xícara de porcelana, cerrava o cenho tentando organizar sua mente. Logo a ideia veio em sua mente.

- Doutor, me corrija se estiver enganado – O beta se virou para o amigo e retirava o par de luvas brancas, Jun Myeon bebia um gole do café pensando antes de dar continuidade – Há chances de ressuscitá-lo com o corpo congelado de imediato, não é?

- Como assim Jun Myeon? – O beta se aproximou do alfa que abria um sorriso esperançoso.

- Kyung faleceu á poucos minutos e com o corpo congelado nenhum órgão será prejudicado a não ser que sofra um trauma imenso, como... Derrubar a capsula de uma escada. – Deixando a xícara vazia no criado mudo, o alfa pousou as mãos sobre os ombros do médico. – É como se tivesse parado o tempo para o Kyung.

- Ahn – O médico olhava em volta recordando-se de artigos e comissões da qual participou, tentando encontrar em algum fio de memória á respeito da criogenia – Acredito que sim, há tentativas de uma criogenia no corpo para que desperta séculos á frente talvez.

- Acha que podemos fazer isso em um curto tempo?

Jong In adentrara no quarto e ouvira da conversa, enxugando o rosto com as mangas da blusa que usava se aproximou do alfa. Jun Myeon não poderia afastar aquele garoto mesmo após a morte do filho, vira o sofrimento imenso que assolava o garoto e isso sanara quaisquer duvida á respeito de seus sentimentos para com Kyung Soo. Até mesmo se sentira feliz por seu filho ter experimentado de um amor verdadeiro. Sendo assim, acreditava que o alfa seria um belo parceiro para mais uma ideia.

A ultima ideia que tivera foi no inicio da adolescência de Kyung Soo, quando o cheiro do garoto começou a surgir e deixar os betas ligeiramente atraídos pelo ômega. E quando o beta médico dizendo que nada poderia ser feito a não ser que houvesse um aroma falso em Kyung Soo, Jun Myeon teve a ideia da criação de um perfume. De inicio tanto doutor Kim quanto Yi Xing acreditavam que era uma ideia maluca que ultrapassava os limites, e as opiniões perduraram até ver os primeiros aromas serem criados e resultarem no fracasso. Mas o alfa não desistia, queria ver o filho mais extrovertido brincando e conversando com os amigos, e não preso em casa sem poder ter uma janela aberta. Após inúmeras tentativas o perfume fora criado com sucesso.

Olhando para o moreno, Jun Myeon ficou pensativo por uns minutos e logo estufou o peito e erguendo a cabeça.

- Jong In que curso faz na faculdade?

- Ciências Biológicas, estou no meu ultimo ano. – Inclinando a cabeça olhou para o médico e então voltou a encarar o alfa – Por quê?

- Acho que se fizermos certo... Conseguiremos ressuscitar o Kyung.

- C-Como assim? – Os olhos do moreno se arregalaram e a animação voltava á tona. Doutor Kim olhava para o alfa ainda esperando alguma explicação. – Tem certeza?

- Não tenho certeza, mas com o corpo congelado talvez conseguiremos ter tempo para criar alguns remédios que possam agir no corpo dele, ou até mesmo encontrarmos a cura para o estado de envelhecimento.

- Não é tão simples assim – O beta retirou a armação do rosto e limpava as lentes com a barra da blusa de lá que usava por baixo do jaleco – Vai levar meses para poder encontrar a cura, e seria necessário um outro anticorpo que pudesse trazer de volta a juventude do corpo dele com os órgãos parados. Isso tudo levaria anos para que o corpo pudesse passar pelo processo de descongelamento.

- Se o Kyung voltar para mim eu farei de tudo – Jong In se virou para o beta e segurou-lhe as mãos, firmou seus olhos negros nas orbes claras do médico mantendo uma pequena conexão. – Seja sincero, é possível isso?

- Seria necessária uma atenção total, vocês teriam de viver em um laboratório praticamente. E mesmo que pequenas, existem chances sim dele voltar.

Jong In abriu um sorriso largo brilhante, abraçando o médico o alfa se virou para o ex-cientista e logo os dois começavam a conversar. Yi Xing ainda estava abatido sendo amparado pelo casal de amigos, Luhan e Sehun tentavam erguer a estima do delta mesmo recebendo um silêncio de vez em quando. Ouvindo os passos brutos no chão, os três ergueram os rostos encontrando os dois alfas eufóricos. O delta se preparava para dar uma bronca, se recusaria a ouvir risadas em um momento tão triste como aquele, entretanto a alegria que Jun Myeon lhe transmitia o fez esperar, e então os três ouviram atentamente a recente ideia de Jun Myeon e Jong In.

De inicio o projeto de trazer Kyung Soo de volta a vida parecia ser fantasiosa demais, porém Yi Xing sabia que aquilo era viável. Afinal de contas viveu em um ambiente onde tudo “era possível”, talvez compreendia a animação do marido, já que trabalhava arduamente. Recordou-se dos momentos em que estava sentado dentro da cápsula e via Jun Myeon sentado ao longe, lembrava-se com perfeição de sua fisionomia séria de quando ele trabalhava e anotava com precisão alguma coisa em seu caderno de capa amarelada. Sabia que aquele alfa faria de tudo o que pudesse para ter o filho de volta, a teimosia dele era encantadora.

Concordando com aquilo os dois alfas não se demoraram em andarem pela casa, buscavam por livros e antigas anotações de Jun Myeon em sua época de cientista. Apesar de ter fugido com o delta em seus braços, ao se instalarem em Mugogi escreveu todas as teorias das quais se recordava, claramente algumas estavam incompletas, mas com o passar do tempo as completava quando estudava um pouco. Aquele era de fato uma característica do alfa que encantava o delta.

Doutor Kim fizera o seu máximo para prestar os conhecimentos aos dois alfas, ajudou em seus primeiro movimento até ter a certeza de que ficar naquela casa não seria frutífero por conta das estações climáticas que atrapalhariam o congelamento do corpo. Sehun e Luhan também ajudavam no que podia, assim como Jong In, o outro alfa fazia do mesmo curso e os dois se completavam em questões diplomáticas. Na verdade aquele era um momento emocionante para Luhan que via o namorado agir tão seriamente, soltou um riso baixo em se sentir tão atraído pelo mais alto mesmo quando sério.


Seis meses haviam se passado desde a morte de Kyung Soo. Jong In dirigia o carro com Sehun ao seu lado, ambos com os diplomas em mãos e sorrisos largos em seus rostos, pois haviam acabado de se formar. A ideia de retornar aos estudos fora de Yi Xing, o alfa moreno estava extasiado demais em ter resultados junto ao sogro para trazer a vida de volta ao amado, mas como o delta havia dito para si sobre os ensinamentos que poderia obter durante as aulas serviriam de alguma ajuda. E de fato ocorreu. Não foram poucas as vezes que em meio da aula, Jong In rabiscava o caderno e pedia a supervisão de seus professores sobre alguns compostos encontrados em animais raros. Algum tipo de toxina ou até mesmo um antibactericida que serviria para Jun Myeon estudar e criar um remédio.

O celular de Sehun tocava em meio do caminho, vendo a mensagem do namorado perguntando se chegariam á tempo do jantar e logo em seguida a imagem do pequeno alfa, Henry, que segurava a mamadeira. O filhote havia nascido havia dois meses e já era esperto como o pai, um motivo de admiração para o ômega que mimava o filho. Digitando rapidamente uma resposta, Sehun sorria largo com a imagem e logo virava o aparelho para olhar o cenário rural.

Jong In dirigia para a pequena casa que ficava entre as províncias de Nam-og e Mugogi, era a ultima casa em que seus pais haviam vivido consigo antes de falecerem. Com a ajuda do melhor amigo, o moreno conseguira ter a casa de volta e a adaptou totalmente para receber a cápsula com o corpo do ômega. Na verdade aquele ambiente era perfeito, longe das cidades e do radar dos agentes, ficava perto das montanhas que permitiam um clima fresco sem muito frio e sem excesso de calor. Nos últimos meses passou a ficar naquela habitação a adaptando para o clima gélido, instalou o ar condicionado o deixando programado para a temperatura dita pelo médico beta. Ajeitou uma sala apropriada para Jun Myeon estudar e uma para si mesmo trabalhar.

Até mesmo arranjara um emprego com o sogro, passaria a viver em Mugogi onde os betas demonstraram grande interesse por seu intelecto, na verdade naquele curto período o alfa conseguira criar a cura para algumas doenças que surgiram devido a queda brusca de temperatura. Com isso conseguiu se estabilizar economicamente o suficiente, comprou uma casa perto da árvore onde Kyung Soo o levara e lá vivia sozinho com o quadro seu pintado pelo ômega em sua primeira avaliação da faculdade. Vivia como se o esperasse.

E naquele dia o receberia finalmente, não dormira o suficiente tamanha era sua ansiedade, até mesmo apressara o reitor a entregar seu diploma, pois precisava pegar a estrada junto com o amigo e ir para a casa. Luhan e Sehun o ajudavam no que podiam, viviam em uma cidade rural próxima de Mugogi e atendendo aos pedidos do alfa moreno, o ômega e seu pequeno filhote esperava-os na casa bolha, nome dado por Luhan por conta do isolamento.

Girando o volante e estacionando o carro em frente da casa sorriu largo em ver o caminhão blindado estacionado. Havia chego! Saiu afobado do carro, entrou na casa ficando ao lado do alfa e do delta que ajudavam aos betas a posicionarem a cápsula coberta dentro do compartimento de aço, feito sob medida por Jun Myeon. Assim que posicionado os dois alfas incomuns fixavam os cabos na capsula e retiraram a capa encontrando o corpo sereno de Kyung Soo.

Olhou para a pele que havia perdido de sua palidez com o ultimo anti corpo criado, Jun Myeon ficara feliz ao ver no seu relatório o sucesso em retirar as celular mortas do corpo do filho, agora precisava pensar em uma maneira de criar novas células sem que morressem congeladas com a criogênização.

O delta se aproximou limpando o grosso vidro que permitia a visibilidade do corpo, suspirou saudoso desejando tocar no rosto do filho. Pensava consigo que era um sono profundo, Kyung sempre fora preguiçoso quando adolescente ele adorava dormir nos finais de semana e somente despertar á tarde. Principalmente no inverno onde tinha férias. Soltando uma risada triste, o delta desviou sua atenção para Jong In que também olhava para a cápsula com as pupilas dilatas.

Segurando de sua mão e acariciando seus cabelos, sorriu para o alfa quando teve sua atenção.

- Ao trabalho.

Sehun puxava os dois alfas para a mesa bagunçada de papéis, para darem inicio a uma discussão sobre seus novos planos. Luhan e Yi Xing olhavam para o pequeno filhote alfa que agora dormia nos braços do progenitor. Resolvendo deixá-los trabalharem, os dois híbridos se retiraram para ajeitar o pequeno cômodo que Jong In disponibilizou como uma cozinha provisória, alguns eletrodomésticos pequenos que serviria para sanar a fome da tarde. Afinal aquele seria o primeiro dia de trabalho dos meninos, e precisavam de muito incentivo para continuarem ás pesquisas, nem que fosse uma xícara do delicioso café feito por Yi Xing.

E fora assim, por um longo tempo.


❅Quatro anos depois ❅

Jong In dirigia para a saída de Mugogi, não se importava em ser apenas seis horas da manhã, queria o quanto antes ir para o laboratório e saber das ultima noticias. Havia desperto com a mensagem do celular, Jun Myeon apenas lhe dissera que começou o processo de descongelamento, porém sem nenhum adicional. O corpo ficara congelado por quatro anos e demoraria em retornar á sua temperatura ambiente, ou não se naquele inicio de verão fizesse alguma diferença, mesmo assim sentia uma emoção enorme em seu corpo e não queria perder nenhum momento se quer daquele passo.

Sofrera tantas decepções durante aquele tempo, várias tentativas que deram erradas e a única coisa que lhe aliviava a tensão era ver que o corpo não se deteriorou, ele se mantinha o mesmo. Passara por tanta coisa apenas para obter o sucesso, acreditava que superou os próprios princípios á respeito, nunca imaginou que uma mordida seria tão poderosa a ponto de deixá-lo obsecado com a ideia de ressuscitar de seu amante. Entretanto não acreditava ser uma obsessão, poderia ser usada uma palavra mais dócil e leve, como o amor.

Entrando por uma passagem de terra de chão o alfa dirigia vendo apenas as arvores com seus galhos caídos, tomava cuidado ao passar com o automóvel e em poucos minutos já podia ver a casa laboratório. Estacionando entre as pedras brancas, saíra em disparada para dentro da casa indo para o quarto onde Jun Myeon o olhava surpreso.

- Mas já? – O alfa ria se levantando ficando de frente ao genro – Bom veio a calhar, preciso ir ver Yi Xing.

- Ah sim – O moreno passou a mão sobre os fios negros enquanto acalmava a respiração ofegante, havia deixado crescer e cortado o cabelo para deixar ao natural quando reencontrasse seu ômega. – Como ele está? Quer dizer... eles.

- Estão bem – O mais velho pegou uma prancheta e entregou ao alfa – Vou acompanhá-lo no ultrassom, o doutor disse que hoje conseguiremos ver o sexo.

- Aposto que é uma garota.

- Se for, sinto que ela será mimada – Tirou de seu jaleco e pendurou no gancho perto da porta, Jun Myeon pegou de seu celular o colocando no bolso e se despediu do alfa, porém parou na porta e o olhou por cima dos ombros. – Durma um pouco, ainda ta cedo pare ter resultados.

Jong In apenas acenou segurando a prancheta as anotações de Jun Myeon apontavam por um certo movimento das ondas cerebrais e o quadros de leves espamos, o horário coincidia com a chamada que fizera no dia anterior afirmando que o calor poderia ajudar. Olhou para a cápsula ao se aproximar da mesma tendo o monitor apitando por conta do aumento da temperatura, ela aumentava gradativamente de acordo com o novo costume do corpo, caso houvesse uma resposta a máquina cessaria o seu trabalho até que a norma se reestabeleça. Encostou-se levemente no aço, deixou a mão sobre o vidro enquanto olhava para o ômega.

- Que incrível não? Seu pai está esperando por um bebê. – Suspirando Jong In ficou a pensar como seria o seu atual estado, caso Kyung Soo estivesse vivo consigo. Talvez com filhos em sua casa, com as crianças correndo pelo gramado enquanto o casal os observava rindo. Uma lágrima escorria de seu rosto, mordendo o lábio inferior apertou os dedos no vidro. – Acorde, eu preciso de você.

Encostando a testa no vidro o alfa fechou os olhos se permitindo chorar por aquele momento. Estava cansado de esperar, estava cansado de se sentir carente e sem sentir os carinhos daquele ômega. Não sabia por mais quanto tempo poderia aguentar aquela monotonia, mas agora estava ficando mais perto ou pelo menos acreditava que poderia estar se aproximando. Levantando-se enxugou o rosto e se sentou na cadeira ao ouvir o alerta da maquina afirmando que seu calor excedia ao limite, devendo esse calor ser emanado do corpo do alfa. Olhou os papeis e passou a se debruçar em suas folhas. Já haviam sido administradas todas as drogas criadas, além de obter resultados positivos em relação á sua absorção no organismo.

Olhava os sinais vitais e a temperatura, porém nada mais precisava ser feito. Já teria, ao longo de todos esses anos, tirado quaisquer vírus e bactérias do corpo do ômega, provavelmente seu corpo estaria cheio de hematomas por conta das agulhas. Observava os gráficos e fazia novas anotações, segurando o controle do ar condicionado diminuiu alguns graus da temperatura. Encostou-se na cadeira e sentiu os olhos pesarem, no relógio via que não chegara a ser oito da manhã e mesmo saindo de casa tão cedo sem café da manhã, não sentia fome.

Suspirando enquanto coçava a nuca o alfa fechou os olhos por um momento tendo o sono pesando completamente, os músculos relaxaram e não demorou para que dormisse por completo.

As horas se passaram rapidamente entre as montanhas, o calor da casa já era temperatura ambiente e a cápsula estava coberta de gotículas. A maquina afastada que controlava a respiração do ômega desligou-se sozinha, monitores registravam o batimento cardíaco retilíneo em aumento gradativo. A taxa de oxigênio aumentara e uma pequena câmara da capsula fora ativada automaticamente cobrindo parte do rosto como uma máscara, lhe transmitindo o ar necessário.

Aos poucos o nitrogênio se cessou e o processo de descongelamento havia chegado ao fim antes do horário estipulado. A tampa de vidro fora aberta minimamente tendo o forte som das trancas despertado Jong In de seu sono. O moreno olhou a cápsula arregalando os olhos em surpresa, levantando-se de imediato observando os monitores e não se demorou em aproximar da cápsula tirando por completo do vidro. Fizera força extrema para retirá-la, a tampa era de vidro com as beiras cobertas de um metal pesado. Com cuidado, deixou o vidro encostado na parede, limpando as mãos na calça olhava para o interior da cápsula.

Abrindo um largo sorriso, o alfa esticou a mão em direção da cápsula, e então um braço esbranquiçado se esticou e os dedos agora quentes se entrelaçaram aos dedos do moreno. Segurando firme de sua mão, o alfa puxava aquele ômega recém-desperto.


Jun Myeon estava dentro de uma sala escura, olhava atentamente para o monitor á sua frente ouvindo um som de um coração bombeando sangue rapidamente. Apertando os dedos de seu delta, que também olhava admirado para o monitor, o casal viam aquele pequeno ser em desenvolvimento, e como tinha dito Jong In mais cedo, era uma bela garota. Doutor Kim afastava o pequeno instrumento e limpava a barriga levemente avantajada do delta, o silencio fora quebrado pelo toque de celular do alfa.

Olhando para a tela do aparelho, suspirou baixo preparando mentalmente a possível proposta feita pelo genro.

- Fala Jong In, você estava certo... é uma menina.

- O que? – A voz do moreno parecia ofegante, cerrando o cenho desdenhoso o alfa olhava para o delta. – A-Ah parabéns, mas eu preciso que venha urgentemente para cá.

- Aconteceu alguma coisa com a cápsula?

- Aconteceu, venha logo.

Desligando do aparelho o alfa apenas agradeceu ao beta e puxava de seu marido para fora da sala de ultrassonografia. Não poderia pensar em outra coisa que não fossem xingamentos para Jong In, havia saído fazia algumas horas e já teria quebrado uma máquina. E não seria uma qualquer, era uma cápsula de ultima geração! Pobre alfa, sentia os nervos causarem dores ao imaginar o tamanho do estrago que teria que enfrentar.

Yi Xing apenas acompanhava o ritmo do marido enquanto acariciava a barriga, entrando no carro olhava para o alfa e acariciava sua nuca tentando lhe acalmar. Por conta da mordida sentia a ansiedade do marido e aquilo poderia ser prejudicial ao bebê. Tentando acalmá-lo, sua única forma fora de uma masturbação rápida no membro do alfa, mesmo recebendo os protestos o delta movia de seus dedos até sentir o liquido quente lambuzar de seus dedos.

Por algum motivo aquilo dera certo.

Ao terem chego em frente da casa Jun Myeon apertava o volante e olhava para o marido que ria da situação, estava imensamente envergonhado. Tendo seus lábios selados e com as roupas ajeitadas sem o indicio de um momento prazeroso, ambos saíram do carro. A brisa das montanhas passara na casa e batia no rosto dos dois híbridos mais velhos, porém seus músculos enrijeceram ao sentir do aroma que há anos saudavam. Trocando olhares, os dois caminhavam para dentro da casa em passos apertados atravessando o hall de entrada indo direto para o cômodo laboratorial, abrindo da porta surpreenderam-se.

Jong In estava em pé encostado na mesa encostada na parede branca, os braços cruzados e os olhos voltados para a cadeira que estava de costas para o casal. Ao vê-los ali, o alfa abriu um largo sorriso voltando a olhar para a cadeira arqueando a sobrancelha.

- Eu não disse? Ama mais o laboratório do que a mim.

Inclinando a cabeça para o lado Jun Myeon já preparava novamente os xingamentos, porém quando a cadeira se virou seu coração passou a bater descompassado. Yi Xing cobria a boca e arregala os olhos ao encontrar as orbes curiosas e o sorriso em formato de coração transmitindo sua sinceridade. Em passos iguais, tanto o alfa quanto o delta foram até o ômega abraçando forte de seu filho ainda não acreditando que aquilo seria real. Mesmo sentindo suas mãos quentes os apertarem, ouvir sua voz dizendo que estava bem e sentindo o corpo do menor em seus braços, tudo parecia ser apenas uma ilusão.

Olhavam o corpo inteiro do garoto, observavam apenas os hematomas leves causadas pelas agulhas, tirando daquilo nenhum sinal de envelhecimento. Jong In havia chamado o outro casal que já estava a caminho, enquanto isso Jun Myeon e o genro olhavam os gráficos que haviam sido impressos com os resultados á respeito do despertar repentino. Enquanto isso Yi Xing contava sobre a gravidez, e sentia as mãos de Kyung Soo abraçarem a cintura e encostar a cabeça em sua barriga conversando com o feto.

Alguns minutos se arrastaram e logo Sehun com sua pequena família chegavam ao laboratório. Ouvia-se de longe entre as montanhas o grito eufórico de Luhan, que apenas deixara o filho com o marido para poder abraçar seu antigo colega de quarto. Aquele momento de reencontro era extasiante, mas ainda confuso para Kyung Soo que não compreendia tantas mudanças para um curto período de tempo. Para si teria se passado apenas algumas horas, á momentos atrás havia se assustado em ver o seu alfa com os cabelos negros e agora se surpreendia em ver o seu pai com uma barriga grande.

Com as cobertas em seus ombros, o ômega recém desperto via aquelas cinco pessoas com sorrisos largos enquanto o olhavam, sentindo uma pequena ponta de vergonha apenas encolheu-se se sentindo amado e protegido. Olhou para Jong In e tinha em mente o abraço apertado que havia ganho do moreno, assim como os diversos beijos e carinhos que aquele alfa lhe dava. Tamanha era sua saudade.


Finalmente em casa no seu quarto, Kyung Soo repousava na cama sobre os braços protetores de seus progenitores. Ambos contavam o que havia ocorrido, as mudanças que sofreram e como teria vencido os genes que ocasionavam a envelhescência do ômega. Porém, tudo o que fazia era fitar a porta do seu banheiro, Jong In estava tomando banho e iria dormir depois de muitas broncas de Jun Myeon e Sehun. Mas o ômega estava ansioso para poder ficar com seu amante, sentia isso.

- Sabe – Yi Xing acariciava os cabelos do filho tendo sua atenção. – Jong In foi um ótimo rapaz durante esses anos, acho que o amor dele é maior do que imaginávamos.

- Por que? – O ômega ria em baixo tom e então olhava para o pai alfa que fazia careta.

- Odeio admitir, mas ele chorou tanto e se esforçou demais. Tinha noites que ele não comia e ficava olhando para a cápsula. Era... perturbador.

- Eu disse que ele era especial – Kyung Soo corava e olhava para a porta – Eu disse.

Por mais que tivesse aceitado do romance com seu filho, Jun Myeon ainda tinha uma pequena birra com Jong In. Fazendo careta o alfa se levantou puxando de seu marido para irem descansar, afinal de contas precisavam cuidar de um gestante. Kyung Soo permanecia deitado apenas olhando para a porta, esperando que a mesma se abrisse. E assim se fez, a porta abriu deixando o cheiro do alfa embriagar as narinas do ômega, vendo o moreno sair com o pijama e os fios de cabelo molhados.

O alfa parou na porta e olhava aquele hibrido, parecia ser uma fantasia quase erótica. Aproximou-se da cama e se sentou perto do ômega, abraçou-lhe apertado mais uma vez e escondia o rosto na curvatura do pescoço alvo do ômega.

- Senti muito sua falta – A voz embargada de lágrimas do moreno fez o ômega rir em baixo tom, ele apertava o alfa contra si e acariciava suas costas larga. – Estou com medo de que isso seja um sonho.

- Vou te provar de que sou real.

Afastando o alfa de seus braços, o ômega segurou o rosto do moreno e aproximou sua face a ponto de sentir o hálito quente do outro bater em sua pele. Encostou seus lábios carnudos nos de Jong In em um breve selar, assim que o contato fora feito o alfa segurou do rosto de seu amante e tratou de aprofundar o selar para um beijo afoito e apaixonante. Sentia seu corpo vibrar ao encostar-se em Kyung Soo, há anos não sentia aquelas sensações tão maravilhosas. Por mais que imaginasse, nada era comparado com a realidade do toque de sua língua, o movimento de seus lábios que esperava-o para conduzir, e aquelas mãos que acariciava seu corpo.

Encostando ambas as testas, os dois híbridos se olhavam apaixonadamente. Passando a acariciar o rosto de Kyung Soo, Jong In deixou um sorriso largo apossar de seu rosto e o brilho de seus olhos serem encontrados nas orbes do outro.

- Eu te amo para sempre, meu garoto ômega. 

❆FIM❆

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