{OGO} Capitulo 8

Fanfic / Fanfiction O Garoto Ômega - Capítulo 9 - Capitulo VIII

Observavam aquela cor encorpar todos os fios de cabelos do ser em repouso, assim que terminado a mutação os três híbridos se aproximaram dos monitores estudando atentamente os gráficos. Sentiam a pele arrepiar ao ouvir o bipe de uma das máquinas começar a ritmar os batimentos cardíacos artificialmente, por mais que o músculo cardíaco do garoto estivesse congelado o processo deveria ser iniciado aos poucos e assim iniciar o descongelamento de forma lenta. A máquina alta com a tela de valores numéricos estava encostada pelos cantos, apenas esperando a vez em que voltaria a funcionar, ela foi criada com sensores conectados dentro da cápsula criogênica. Sendo assim se algum órgão se contrair, mesmo que minimamente, o computador registraria o movimento feito dando inicio ao processo de reanimação. No caso do garoto congelado, seria a contração do músculo cardíaco feita pela máquina até que o órgão possa bater em seu ritmo sem nenhuma ajuda.

Com a coloração dos fios, que seria uma demonstração externa do sucesso sobre o medicamento, e o funcionamento do coração artificial, todos ficaram ansiosos e alegres por ser um sinal de que em breve o garoto despertaria. Mexendo em suas gavetas o moreno pegou suas antigas pastas e juntamente ao casal passou a retornar de suas pesquisas para o próximo passo a ser dado.

❄ ❄

Ficaram a espera dos homens saírem do campus para evitar possíveis confusões futuras, assim que livres Sehun soltou o namorado e se entre olhavam mais uma vez com o medo estampado em seus rostos.

- O que devemos fazer? Eu disse que o Kyung não me respondeu ainda – O menor suspirava temeroso, torcendo os lábios enquanto olhava em volta, ao mesmo tempo o mais alto permanecia calmo e coçava a nuca de forma pensativa. O veterano olhou o celular checando suas mensagens e ligações, mas nenhuma delas parecia pertencer a seu novo colega de quarto. Ainda mexendo na lista de contatos abriu um pequeno sorriso e logo arqueou a sobrancelha. – É uma situação desesperadora não?

- Claro que é, só pelo cheiro do Jong In saberão que ele é alfa incomum, e se ele está rodeando o Kyung então ele também vai ser pego. – Sehun olhou o namorado e cerrou o cenho, vendo o menor passar os dedos no celular e posicioná-lo em seu ouvido. – O que está fazendo?

O ômega esticou o dedo pedindo por silêncio e logo abriu um sorriso aliviado.

- Yi Xing? É o Luhan.

Sehun puxava o ômega em direção dos dormitórios novamente, dessa vez seus passos eram apressados e os olhos atentos em qualquer movimento em sua volta. Ouvia a conversa do outro no telefone, afirmando sobre o que haviam visto antes, não achara estranho a atitude do mais velho já que antes de irem embora os pais do calouro lhe fizeram prometer sobre cuidar do filho. Não seria um problema já que Luhan parecia animado com o possível romance que estaria vendo no menor.

Enquanto caminhavam os alunos olhavam de forma curiosa para o casal, Sehun rosnava mostrando de suas pequenas presas afastando os curiosos de si. Todos sabiam sobre o temperamento do alfa, apesar de nunca terem visto-o perder controle. Seguindo pelos corredores do dormitório em uma corrida adentraram no elevador. Desligando do celular o ômega abraçou o namorado e selou-lhe a testa acariciando suas orelhas o vendo relaxar aos poucos. Alguns truques poderiam ser aprendidos com o tempo de relacionamento, basta ter paciência e amor para compreendê-los.

No inicio de seu relacionamento, os dois eram tímidos e queriam demonstrar o melhor de si para o outro. As primeiras tentativas de se assumirem publicamente resultou em algumas brincadeiras de mal gosto de um grupo de ômegas do dormitório feminino, que vestiram o veterano como se fosse sua boneca de plástico. Sehun ficara devastado ao ver o rosto molhado com lágrimas no garoto, perdera o controle com facilidade naquela noite. Selando promessas e passando a criar modos de se encontrarem para sanar a saudade, poderiam dizer que eram agradecidos pelo ocorrido no passado. Já que agora tinha plena certeza de seus sentimentos, e nada se arrependeriam.

Ao ouvirem o som do elevador chegar no andar desejado, os dois voltaram a correr olhando o numero dos quartos. No momento em que mais seria necessário o uso da memória ela falhava. Sehun tomara a iniciativa de procurar pelo quarto do amigo moreno, assim que chego em frente á porta de madeira e a abrindo encontrou apenas o alfa Jong Dae, sentado na mesa em frente á um computador. O garoto olhou para o outro alfa e sentiu o cheiro da companhia do ômega, abrindo um sorriso largo se virou na cadeira e cruzou os braços.

- Eae Hunnie, qual é a boa com esse moleque?

- Onde está Jong In? – Ofegante o alfa ignorava a pergunta feita pelo outro que apenas dava de ombro.

- Sabe como ele é durante o cio, deve estar no dormitório feminino.

Luhan apenas olhava com curiosidade o quarto, ele o cheiro característico de dois jovens alfas, mas com certeza havia a predominância do aroma intenso de Jong In. Caso aqueles homens pudessem entrar naquele quarto o moreno não conseguiria escapar com muita facilidade, e se o fizesse poderia se tornar um alvo do governo. Não seria confortável imaginar o que poderia ocorrer caso fosse pego, desejaria isso se quer para o seu inimigo.

Porém sua preocupação era com um certo ômega que não tinha muito conhecimento sobre a vida dos híbridos fora dos muros de Mugogi. Envolvendo seus dedos finos na camisa de malha do namorado, Luhan puxava chamando a atenção do mesmo que bufava em ter que procurar pelo amigo em outro lugar.

- Vamos ver o Kyung depois procuramos ele.

Agradecendo á Jong Dae pela informação o casal seguiu pelos corredores. Segurando firmemente a mão um do outro, sentiam a tensão e a adrenalina correr pelo corpo deixando seus sentidos mais aguçados. Teriam de ir para fora do campus o mais rápido possível, e ainda dar um fim tanto ás roupas do moreno quanto do calouro, nenhuma prova concreta sobre a existência daqueles dois poderia ficar naquele dormitório. Nenhum relatório da faculdade traria informação á respeito de sua “raça”, ali não teria levado tanta consideração sobre o assunto, sendo assim menos coisas a preocupar o casal.

Chegando ao quarto, Luhan abrira a porta afobado e olhou para a cama do calouro. Surpreendeu-se, não somente ele assim como Sehun, em ver que Kyung Soo dormia serenamente encolhidos nos braços de Jong In, sendo que este estava acordado zelando o sono do menor. Passava a ponta dos dedos no braço nu do garoto vendo a mancha de alastrar para a região tocada, mesmo assim não parava com sua aproximação. Sentindo o cheiro estranho o moreno ergueu o rosto e sorriu fazendo um sinal de silêncio com o indicador direito.

- O que....

Repetindo do sinal o maior apertava a cintura do garoto ômega que se remexera no colchão, voltou a olhá-lo e passou o polegar pela bochecha levemente corada do menor que despertava aos poucos preguiçosamente. A presença de Luhan e Sehun era totalmente ignorada pelos outros dois, e ao abrir os olhos Kyung Soo apenas deixou as orbes focadas naquele alfa á sua frente e um pequeno sorriso tímido ser desenhado em seu rosto. Não teria como não sorrir com aquilo, Jong In acreditava que aquele sorriso seria belo não importando quando que fosse visto, dormindo ou acordando, brincando ou até mesmo para ser cordial com alguém. Aquele sorriso poderia ser sempre admirado por si.

- O que raios está acontecendo aqui? – Sehun esbravejara enquanto olhava os dois, apenas Kyung Soo esboçara uma reação surpresa, sentando na cama e se afastando dos braços do moreno.

- É... N-Não é o que estão pensando.

- Isso não importa agora – Luhan puxava o namorado para trás de si e olhava seriamente para os dois amantes na cama – Preciso que peguem suas coisas agora.

- Por que deveria? – Jong In se se encostava à cabeceira da cama e cruzava os braços. A forma como fuzilava com o olhar o seu melhor amigo já deixava claro o seu descontentamento em ter atrapalhado aquele momento tão único.

- Explicaremos enquanto se arrumam. – Sehun se aproximou de Luhan mantendo o tom de voz alto – Eu ajudo o Jong In e você o Kyung, nos encontramos no portão atrás das câmeras.

- Tenha cuidado.

O ômega mais velho ficara na ponta dos pés e selava os lábios do namorado com ternura, deixando uma breve caricia em sua nuca. Ao se separarem Sehun puxava Jong In da cama soltando resmungos enquanto seguiam para fora do quarto. Os dois ômegas ficaram em silêncio por um minuto, se mantinham pensativos em assuntos divergentes. Luhan voltava a digitar no celular pensando em algum plano para tirar os dois incomuns da cidade, acreditou que seria muito melhor escondê-los em Mugogi e rezava para que os pais de Kyung Soo pudessem estar resolvendo rapidamente a situação por lá.

Enquanto isso o outro ômega tinha o rosto ruborizado e mordia constantemente o lábio por conta da vergonha que sentira, pensou rapidamente sobre o que havia feito nos últimos dias e aquilo lhe chocou muito ao perceber que havia se deitado com alguém. Sempre teve a intenção de entregar seu corpo á uma pessoa que lhe fazia juras de amor, alguém que pudesse se embebedar em seu cheiro e simplesmente não conseguisse ficar sem os seus beijos e caricias. Jong In em nenhum momento dissera lhe amar, na verdade tudo o que admitiu foi de sua vontade em deixar aquilo que crescia, aquilo que não havia um nome certo, continuasse secretamente. Que deixasse aqueles beijos e atração desenfreada de forma continua entre os dois, como se ambos pudessem sair ganhando com a situação.

Não poderia mentir para si mesmo, Kyung Soo teria amado aquelas sensações e sem falar que passou a admirar a beleza natural de Jong In. Sorrisos discretos, a forma como move seus dedos em sua pele, os lábios se encaixando perfeitamente entre os seus, a forma como seu corpo é quente. Tudo isso era admirado pelo menor, sendo assim deveria ele tirar esse proveito? Vendo a mancha em sua pele seria um sinal de que deveria aproveitar. Então o faria sem se arrepender?

Luhan voltou a guardar o celular e puxava o menor para se vestir, enquanto isso pegou até de suas próprias malas e ajeitava todos os pertences, que eram poucos, para serem levados para fora do dormitório. Não poderiam conversar sobre o motivo de ter um alfa incomum, e popularmente conhecido por dormir com qualquer garota ômega no cio, deitado na cama romanticamente com Kyung Soo. E se quer era necessário uma explicação, o veterano já havia notado com a chegada do menor que aquele ano lhe traria algo interessante para acompanhar. Pensou que seria uma grande quantidade de alfas, e até mesmo outros ômegas, implorando e correndo atrás de um garoto que não sabia nem o motivo disso. No final das contas sua curiosidade aumentou junto com uma preocupação quando vira o primeiro movimento ser feito por Jong In.

Mas agora sabia que aqueles dois juntos eram o algo interessante, mesmo assim não esperava que as coisas saíssem do controle. Terminando de fechar a ultima mala, ajeitou-as em um pequeno carrinho seu, que havia utilizado em sua chegada á dois anos atrás na faculdade. Kyung Soo vestia seu casaco depois de passar o perfume, e olhava o veterano ainda confuso com a situação. Seria aquilo semelhante á uma brincadeira feita com os calouros? Como um segmento de iniciação das aulas? Mas porque seria feito uma com Jong In sendo que ele já estudava ali ao mesmo tempo que os demais amigos? Balançando a cabeça aproximou-se do veterano o ajudando a arrumar as malas no carrinho.

- O que está acontecendo hyung?

- Existem alguns agentes do governo fazendo inspeções nos dormitórios á procura de híbridos incomuns.

Kyung Soo tivera sua face ruborizada dando lugar á cor leitosa de sua pele, olhando surpreso para o veterano se recordou da história contada por seu pai á respeito do modo conhecera o delta. Agora compreendia a urgência no jeito do ômega veterano. Saber sobre os agentes, não necessariamente atrás de si, mas por perto e que poderia fazer atrocidades das quais seu pai delta havia passado, já lhe fazia tremer de medo. Pegando seus documentos e celular seguia o ômega pelos corredores puxando o carrinho com as malas, seguia pelos corredores passando pelas portas que davam acesso ás escadas, em um trabalho em conjunto os dois ômegas desciam sem fazer quaisquer barulho, erguendo do carrinho e descendo apressadamente os degraus.

Assim que chegado ao lado de fora do dormitório olharam em volta antes de correr em disparada para as árvores. Luhan suspirou cansado ao parar perto do muro e olhar o celular vibrando, encontrou várias mensagens tanto de Sehun, avisando que demoraria por conta de Jong In, quanto de Yi Xing afirmando que havia preparado as autoridades da cidade para a chegada dos estudantes. Assim que as mensagens foram respondidas, ergueu o olhar para o calouro que olhava em volta temeroso, acreditando terem tempo para pensar aproximou-se do menor e segurou ambas as mãos.

- O que Jong In fazia na sua cama com você Kyung?

A pergunta pegara o menor de surpresa, suas mãos começaram a suar frio e seus pensamentos recorriam á memórias onde algum momento ele pudesse encontrar uma resposta. O ômega não tinha o que dizer, na verdade tinha certeza do que sentia, mas não sabia como dar palavras á aquele sentimento. Apertando levemente os dedos nas mãos do veterano, o mais novo apenas suspirou e sorriu largo mostrando a fileira de dentes brancos.

- Hyung, acho que me apaixonei pelo Jong In.

- E como...? Jong In estava no cio não me diga que... se entregou a ele apenas por isso.

- Oh não – Kyung Soo se encostou em uma arvore sendo imitado pelo amigo – Na verdade sim, é confuso. Não sei o que aconteceu, eu senti um cheiro tão bom que de repente veio um monte de coisas... E ele foi tão gentil comigo.

- Foi o que pensei que aconteceria – Luhan sorria olhando o menor que parecia ter aquele brilho peculiar nos olhos, um brilho que todo apaixonado carregava – Todo mundo percebeu que existe algo entre vocês dois, na verdade algo como uma atração.

- Não sei controlar isso – O menor ajeitava o lenço em seu pescoço e mostrou apenas uma parte de sua pele avermelhada – Acredito que ele iria embora, me achar repugnante por estar reagindo dessa forma á seus toques.

- Pelos céus Kyung o que é isso? – Luhan se aproximou e tocou na pele do menor o vendo se arrepiar – Reação? Mas nunca vi disso antes.

Luhan olhava curiosamente para a mancha, puxando mais do lenço deixando á mostra a pele alva do menor. Kyung Soo era sensível aos toques, quaisquer temperatura lhe causava arrepios e não foi diferente com o toque gentil de Luhan. Seus olhos observavam o veterano e ali percebeu a beleza que o outro tinha, nunca reparou que os lábios levemente finos tinham um sutil bico, e os olhos mesmo sem nenhuma maquiagem eram bem delineados e femininos. As bochechas do ômega mais velho eram rosadas e contrastava o brilho em seus olhos castanhos, na verdade Luhan eram excepcionalmente lindo e jamais havia notado aquilo.

O ômega mais velho teve sua cintura puxada por alguém, Kyung Soo se assustou com o brusco movimento do veterano e olhou para o seu lado direito encontrando Jong In segurando de seu braço. Não havia sentido de seu cheiro, muito menos ouvira algum som de passos que se aproximavam. O moreno cerrava o cenho e rosnava para Luhan que mantinha os olhos curiosos e confusos sobre o alfa. Atrás de si segurando sua cintura, Sehun olhava para Kyung Soo com a fisionomia parecida com a de Jong In, todos ali em estado de alerta e prontos para um suposto ataque.

- O que foi? – Luhan se pronunciava tentando se soltar dos braços protetores de Sehun, porém o mais alto não estava disposto em lhe deixar apenas apertando os braços fortes em volta de sua cintura – Sehunnie está me machucando, tenha calma. O que aconteceu?

- N-Não sei. – Kyung Soo olhava fixamente para Jong In que mantinha o olhar feroz sobre o veterano. O arrepio que se passava em sua espinha não era de ansiedade, e mais a intensidade do aperto que sentia em seu pulso poderia ter plena certeza de que sentia medo dele.

Sehun afrouxava o abraço ao farejar o ar, sentia o cheiro silvestre de cumaru até mesmo de ervas finas ou similares a estas. O cheiro era sutil e mesmo assim parecia estar chamando a atenção apenas dos alfas. Olhando para Luhan que lhe observava por cima dos ombros, sorriu levemente e diminuiu a força de seus braços mantendo a posse em seu abraço. Jong In por outro lado, olhava para Luhan deixando as presas afiadas de fora, o outro olhava aquilo sem compreender a situação.

Luhan não conseguiria sentir o cheiro de Kyung Soo por conta da mordida, era como se o próprio Sehun pensar em bloquear aquele efeito no namorado fosse acatado pela mordida. Era um controle indireto que o alfa tinha sobre o seu ômega. Jong In finalmente desviara a atenção para o garoto da pele leitosa, que tinhas orbes grandes miradas para si como se esperasse alguma resposta. Abraçando de sua cintura aproximou o rosto do pescoço do ômega e aspirou fortemente de seu cheiro.

Era demoniacamente saboroso.

Deixando os dois um pouco mais a vontade, Sehun e Luhan pulavam o muro com todo cuidado além de ajudarem a passar o carrinho com as bagagens. Jong In segurava sua mochila nas costas, sendo essa a única coisa que resolvera trazer consigo deixando com que seu colega de quarto o ajudasse a escapar. Passou os braços na cintura de Kyung Soo o erguendo com facilidade e pulava sobre o muro com agilidade. O menor se segurou no pescoço do alfa, sentindo um frio em seu baixo ventre lhe incomodar superficialmente ganhando apenas a ignorância do ômega.

É claro que se apaixonaria por Jong In, o moreno despertava emoções em seu corpo e parecia totalmente ativo em lhe ajudar. Mesmo que de inicio os dois tenham se ignorado, agora que haviam provado um do outro nada os separaria. O motivo disso seria além de uma chama atrativa por uma união de híbridos, havia sentimentos nobres nascendo ali. Pelo menos para Kyung Soo havia.

Assim que pulado o muro os quatro amigos caminhavam correndo pela rua abaixo da do campus onde encontraram um carro parado. Ao lado da porta do motorista, Donghae esperava-os e assim que os viu correu em direção do filho pegando rapidamente da bagagem ajeitando no porta malas. Sehun puxava o namorado para dentro do carro o fazendo se sentar em seu colo, parecia que o cheiro de Kyung Soo despertara em si uma pequena necessidade sexual que somente seu amante poderia sanar. Mesmo que o momento não fosse propicio, se seguraria ao máximo para chegarem ao bar onde não teria vez para o ômega.

Jong In observava aquela cena ao seu lado e sentira uma pequena ponta de inveja, entrou no carro em seguida sentando ao lado do melhor amigo. Olhou para Kyung Soo que ajudava Donghae a ajeitar as bolsas no porta malas fechando o compartimento. Não se demorou em abraçar sua cintura o trazendo para seu colo também, porém o abraço era possessivo em demasia, aquele cheiro que sentia entorpecia seus sentimentos e quase que poderia perder os sentidos com o garoto.

Mas assim que o carro começara a andar, os dois se perdiam em sua troca de olhares habitual. Kyung Soo estava envergonhado, e isso era demonstrado em sua face ruborizada, suas mãos estavam sobrepostas no peitoral do alfa moreno sem conseguir movê-las dali. Jong In afundava os dedos na cintura fina do menor e o puxava para perto de si, tomando cuidado com os movimentos sinuosos que poderia lhe causar uma ereção. Esboçando um pequeno sorriso ladino para o ômega, o mais alto aproximou seu rosto ao do menor e selou-lhe os lábios docemente e carinhosamente sendo correspondido de imediato.

- Está com um cheiro muito bom – Sussurrava o alfa, passando o indicador pelos fios de cabelo negros do menor. A forma como os fios lisos caiam em sua digital, o alfa suspirava admirando até mesmo aquilo. Voltando a olhar as orbes castanhas claras de Kyung Soo piscou lentamente e manteve o sorriso cordial. – Acho que está pra entrar em seu cio.

- O que? – O susto que o menor levara lhe ocasionou em uma leve pancada em sua cabeça no teto do carro, resmungando baixo acariciando o local, o moreno ria baixo divertido com as reações. – C-Cio? Quer dizer que eu vou.... ficar tipo....igual a você... no outro dia?

- Nunca passou pelo cio? – Por mais confiante que tinha sido não pensou que o mais novo assentiria para si, mais uma vez aquele garoto lhe surpreendia. Imaginaria o primeiro cio de Kyung Soo, na verdade não saberia ao certo se aquele aroma era devido ao cio, mas de qualquer forma a imagem daquele garoto com corpo cheio de curvas deitado em uma cama bagunçada, mantendo aquela face envergonhada adicionando os gemidos impetuosos.... Aquilo resultaria em um estrago em seu senso. – Tem certeza? Não está falando isso apenas para me agradar, certo?

- Por que eu iria te agradar?

- Então não sabe o que lha aguarda. Vai sentir dores, e uma vontade imensa de que alguém lhe foda...

Os termos usados por Jong In deixava o menor totalmente envergonhado. Imaginando a cena parecia ser ridícula para si, algo digno de uma humilhação por não saber o que fazer. Pousando a mão na boca do moreno, apenas negou com a cabeça sem encarar seus olhos.

- Não diga, se isso acontecer então deverei me trancar em um lugar até que passe.

- Posso cuidar disso. – Sussurrava abafado, passando a ponta da língua na palma da mão do menor que a afastou de imediato. – Qual é, acho que estamos juntos nessa.

- Quando disse que era para deixar rolar... era a isso que se referia?

A pergunta pegara o moreno de surpresa assim aumentando o silêncio entre os dois. Suspirando baixo o menor olhou para a janela encontrando a fachada do bar, assim que o carro parou saiu imediatamente do colo do maior sem esperar por uma resposta. Segurava as lágrimas passando direto pela porta em frente do bar, seguindo direto para o balcão de bebidas se encolhendo ao chão deixando as finas lágrimas rolarem em sua pele esbranquiçada.

Que maldade era a de Jong In havia fantasiado um romance digno de suspiros e alegria. Até mesmo havia admitido seus sentimentos para com o moreno, julgando que através de seus atos ele estaria totalmente apaixonado por si. Mesmo sem dizer nada para o próprio ômega, parecia ser capaz de compreender o sentimento através dos gestos e carinhos que cuidava até mesmo sob a forma de um abraço possessivo como havia notado mais cedo naquele dia. Assim como as pessoas ao seu redor, acreditava que ele teria sentimentos entretanto que houvesse uma pequena vergonha em admiti-los. Não seria necessário palavras quando se tinha ações, era isso o que sentia ao ser beijado pelo moreno, amor.

Sentando-se atrás do balcão encolheu seus braços e pernas, escondendo o rosto para então soluçar. Min Seok havia visto o menor correr para o bar, deixando o som de lado seguira o trajeto feito pelo ômega, encontrando-o encolhido enquanto chorava. Não se demorou ao sentir aquele cheiro, sabia que pertencia á Kyung Soo e o vendo naquele estado não seria certo se aproximar com segundas intenções. Sendo assim sentou-se ao seu lado e passou o braço em volta dos ombros curvados do menor o trazendo para seu peito.

Kyung Soo sentira o perfume do DJ e se permitiu chorar mais e silenciosamente. Tendo os dedos finos do mais velho em seus negros fios, se acalmava aos poucos até levantar o rosto e observar o sorriso singelo do alfa.

- O que aconteceu para que chorasse? – Passando os dedos em seu rosto, limpava os resquícios de lágrimas salgadas do menor vendo o mesmo baixar o olhar sem se afastar do abraço.

- Eu sou um completo idiota em acreditar nas pessoas. – Balançando a cabeça voltou a encarar Min Seok, fazendo o bico inconsciente – E-Eu pensei que seria correspondido, ou que pelo menos ele sentisse o que eu sentia sabe?

- E o que você sentia? – O DJ não tinha a intenção de saber de quem se tratava, aliás não seria necessário. Jong In havia passado pela porta do bar e procurava pelo menor, só pelo cheiro já sabia que era ele quem havia magoado o ômega.

- A-Algo que nunca senti antes.

- Hum... – Ergueu os olhos sobre o balcão e vira Jong In se aproximar do mesmo os avistando. Sorrio de lado em certa rivalidade com o moreno, apertou do abraço com ômega ganhando atenção de ambos. Desceu o olhar para o menor e sorriu levemente. – Posso te ajudar então, eu vou te beijar e você, dependendo do que sentir, irá se decidir se vai se declarar á essa pessoa ou se deverá desistir e se afastar dela.

- Isso não seria...

- Não é errado Kyung – O DJ acariciava a bochecha do menor e o olhava calmamente – Não está namorando com ninguém, e nem foi mordido. Então é livre para tomar suas decisões.

Jong In observava tudo com o punho fechado, deixando marcado em sua palma as unhas curtas. Cerrando o cenho e deixando a mandíbula intensa se aproximou com passos fundos para o bar mantendo os olhos focados nos dois. Kyung Soo estava frágil demais para perceber o moreno por perto, e se quer teve tempo em pensar em alguma coisa. Min Seok não perdera tempo em selar os seus finos lábios nos de Kyung Soo em um selar profundo e demorado. O menor não fechara os olhos e enrijecera no mesmo instante sentindo apenas aquela pressão e, como indicado pelo mais velho, nas suas reações.

O pequeno movimento que os lábios de Min Seok fazia sobre os seus pareciam tomar cuidado com uma peça de vidro que se quebraria com facilidade. Sentia naquela pressão as mãos do DJ esquentarem em volta de seu pescoço e ombro, era um abraço acolhedor e se encontrava confortável ali. Porém nenhuma sensação estranha em sua barriga deixava-o ansioso como se sentia ao ser beijado por Jong In. Até mesmo a forma selvagem de ter seus lábios usurpados, as mãos curiosas do alfa lhe trazia um misto de sensações jamais provados, e havia criado um vinculo com aquilo.

Seus pensamentos foram bruscamente interrompidos ao sentir os lábios de Min Seok se afastarem do seus. Entreolhando-se os dois estavam com a pupilas levemente dilatadas, tal observação também feita por Jong In que pulou a bancada do bar sem esperar mais. Puxando o braço do outro alfa o empurrou contra a estante cheia de vidros das bebidas, fazendo-o soltar um gemido baixo ao ter as garrafas quebradas atrás de si, rosnando alto fora até o garoto prontamente para lhe socar, sendo segurado por um Kyung Soo assustado.

Sentia raiva dos dois, como poderia alguém tomar aqueles lábios fartos de si? Era sua diversão particular tomá-los e somente o próprio Jong In poderia se embebedar do gosto daquele ômega. Puxando Kyung Soo para si vira um braço circundar a cintura do garoto, olhando atrás do mesmo via Min Seok com as presas prontas para serem fincadas na pele do ômega. Mais raiva do que poderia sentir, uma fúria escaldante que fazia empurrar o mais novo para o lado e uma luta corporal dar-se inicio.

A forma de seus corpos estava totalmente modificada, apesar de Min Seok estar apenas em um jogo de provocações, Jong In levava á serio toda a situação. Seus pelos eriçados, as presas grandes e pontiagudas prontas para perfurar, rasgar e até mesmo mastigar, as unhas afiadas que passavam sobre os braços do DJ que apenas se protegia.

- Chega!

A voz tênue e poderosa de Kyung Soo fizera o alfa parar os movimentos, mas ainda assim pronto para um ataque caso fosse surpreendido. O ômega fora até o DJ e o puxou para longe do alfa, o fazendo bufar furioso e quebrar alguns copos por perto.

- Apenas vá – Dissera o ômega ao DJ – Obrigado pela ajuda, e me perdoe por esta situação descontrolada.

Não esperou por uma resposta do Min Seok o mesmo fora levado por Luhan e Sehun, que haviam chego ao ouvir o barulho dos vidros serem quebrados. Virando-se para o bar, Kyung Soo observou atentamente o alfa com sua fisionomia habitual, porém com os olhos carregados de uma fúria gritante. Não ousou se aproximar e apenas mordeu os lábios em perceber que havia de fato se apaixonado por aquele alfa, um alfa que lhe era uma incógnita.

Passou por si em ritmos lentos prendendo sua respiração para que não perdesse o controle com aquele aroma tão viciante. Mas Jong In não estava tão propicio á esquecer aquele ocorrido, havia procurado pelo menor assim que saiu do carro e até mesmo pediria desculpas, algo que raramente ocorria consigo. Para Jong In tudo era novidade e pela primeira vez não sabia o que deveria ser feito. Vendo o ômega passar por si sem lhe dirigir uma palavra o fez segurar de seu pulso para olhá-lo calmamente.

Uma calma que não jazia em Kyung Soo.

- O que raios foi aquilo? – Rosnava o maior se virando para o ômega – É assim que fará? Sempre procurando por alguém que lhe satisfaça?

- Alguém que me satisfaça? Vivi meus dezessete anos sem precisar disso. E acho que sabemos o motivo de estar essa bagunça comigo.

- Essa bagunça é culpa de seu gene, não minha. – Jong In apertava os dedos em volta do pulso do menor e então suspirou o soltando – Acho que interpretei mal a nossa relação.

Não havia como não se arrepiar com tal afirmação feita pelo mais alto, Kyung Soo deu meio passo para trás e arregalava os olhos. Teria o alfa se arrependido de ficar consigo? Aquilo seria um absurdo, teria entregado seu corpo e seus sentimentos para aquele rapaz, e ele mesmo havia dito, á momentos atrás, sobre a relação ser algo sexual apenas. Ele havia atirado a primeira pedra. Agora era o menor que cerrava o punho.

- N-Nossa relação? Para você tudo não passou de uma diversão, e eu como um perfeito idiota caí nessa. - Estava frustrado e guardava muitas emoções consigo mesmo, desde o primeiro abraço pensou que a possessão de Jong In era romântico, mas no fim era apenas para manter um ego inflado, e ele seria um prêmio. Talvez ele ainda pensasse naquela aposta, e nem se quer havia arrependido daquilo. Com os olhos cheios de lágrimas o ômega ofegou baixo com a ardência em sua pele. Tirando o lenço do pescoço, fez com que o maior o olhasse, queria que sentisse culpa por estar ocorrendo aquilo consigo. – ESTOU MORRENDO POR SUA CULPA!!

- Minha culpa? Devo te lembrar que o que fizemos por seis dias não foi apenas decisão minha.

- Com certeza, minha ingenuidade causa minha própria ruína. – O menor suspirava olhando para baixo. – E-Eu disse que queria fazer isso com alguém me ama e ainda me diz que estamos juntos nessa apenas para sanar um cio?

Jong In havia compreendido o mal entendimento que ocorrera entre os dois, e agora via que o ômega se magoava com facilidade. Porém correr para os braços de outro não parecia ser digno de um garoto cujas ideias sobre sexo aborde totalmente o romantismo. Aproximando do menor o via recuar dois passos, mordeu os lábios e tentou controlar a imensa vontade de deixa-lo de lado e seguir com sua vida despreocupada.

- Bom vejo que você é pior do que imaginava. – Pousando as mãos em seu bolso da calça, ganhou a atenção do ômega. – Visto que veio correndo para ser beijado por outro alfa.

- Min Seok apenas queria me mostrar...

- Como beijar? Ou como trair? Ah claro, quem sou eu para dizer a ti o que é isso. Desde a tua chegada recusei ficar com qualquer outra pessoa, e até mesmo deixei com que ficasse comigo durante o cio.

- Meus sentimentos. – Dissera o menor com os olhos ainda marejados, os lábios avermelhados assim como suas bochechas, o alfa retesou por um instante e logo assentiu para que o mesmo continuasse a falar – E-Ele me disse que baseado no que eu sentiria deveria...me declarar.

- Se declarar a quem Kyung Soo.

- A você. – Mexendo em sua blusa o menor respirava fundo tentando manter a calma, porém o bar tinha o cheiro intenso de Jong In, o aroma que se espalhou em seu momento de fúria. Voltando a sentir a pontada em seu baixo ventre tentou manter a calma, mas o seu cheiro já alarmara o maior que se aproximava lentamente de si. O deixou se aproximar, por que iriam brigar quando se desejavam? Kyung Soo compreendia a raiva de Jong In, a entendeu quando ouviu de suas palavras lhe fazendo sentir vergonha por agir tão infantilmente. O mesmo sentia Jong In, aquela situação trouxera uma nova aventura sobre conhecer Kyung Soo. Não seria tudo aquilo emoções contidas e sensações aprendidas? Deixando de se aproximar ficou de frente do menor, tendo apenas alguns milímetros de distância, mesmo assim Kyung Soo mantinha o olhar fixo sobre o maior. – Me apaixonei por você, Kim Jong In. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário