{OGO} Capitulo 6

Fanfic / Fanfiction O Garoto Ômega - Capítulo 7 - Capitulo VI

A vida de um hibrido poderia ser instintual, já que seus sentidos são mais aguçados e age como um verdadeiro animal selvagem quando necessário. Entretanto um hibrido com histórico humanoide teria de conviver com as diversificações das emoções e tudo isso geraria um conflito angustiante. Esta protegendo porque ama ou por ser uma ótima pessoa para reproduzir?

O rapaz alto apenas observou a máquina funcionar do jeito que deveria, assim como havia calculado meses atrás para que um avanço fosse feito. Observava aquele ser descansar dentro da cápsula e suspirou em ver que seus cabelos ainda estavam descoloridos, quase esbranquiçados. Só poderia tirá-lo de lá quando aquelas feições que aprendeu a admirar voltassem.

Desviando o olhar para a parede de seu pequeno escritório, percebeu a pintura feita de si mesmo e sorriu terno com aquilo. Lembrou-se da forma como o garoto subiu na escada, por não conseguir alcançar a altura necessária para pendurar o quadro. Soltou uma risada baixa quando o menor havia lhe olhado e percebido que o imaginava de forma luxuriosa.

“N-Não seja assim”, a forma como havia dito aquela frase com seu tom manhoso e pequeno bico nos lábios, ah simplesmente faziam-lhe sorrir bobo com meras lembranças. Apesar do tempo juntos ele ainda gaguejava diante de si, era o seu nervosismo tomando conta. Amava aquilo, pois sabia que era um sinal de ter efeito sobre o garoto.

Agora bastava ir para o próximo passo. Pegou as chaves do escritório e fechou a porta deixando trancada. Voltou a guardar o molho de chaves em seu bolso e seguiu para o outro cômodo onde iria trabalhar disfarçadamente. Agora sim, iria trabalhar em algo que lhe rendesse um salário.

❄ ❄

Kyung Soo apenas observava aquele moreno se dispersar entre os clientes, os dedos esbranquiçados passavam por seus fartos lábios como se sentisse o selar que havia ganhado á momentos antes. Foi o seu primeiro beijo e ainda se sentia estranho, algo remexia em seu estomago deixando seus pensamentos em um vazio completo. Era como uma onda grandiosa que levava consigo todas as suas conquistas e organizações mentais. Agora se quer se lembrava do trabalho, apenas olhava sem piscar para a porta do bar e dedilhando sua boca.

Jun Myeon e Yi Xing puxava o filho para perto do bar, o alfa rosnava olhando em volta á procura daquele garoto de cabelos descoloridos. Como poderia ele ousar tocar em seu precioso filho? Havia desconfiado de suas intenções no momento em que o vira, porém o sorriso e a comportamento de Kyung Soo lhe fazia se reter, mas na verdade estava certo em desconfiar. O delta passava a mão em frente aos olhos do garoto que ainda se encontrava catatônico, formando um bico nos lábio olhou para o marido que respirava fundo controlando de sua raiva. O casal sentou-se na cadeira apenas olhando o pequeno ômega despertar de seu transe quando o som alto da musica ecoava pelo salão.

O ômega levantou-se rapidamente voltando ao bar atender os clientes que já resmungavam por uma bebida gelada, deixando o casal preocupados consigo. Sua mente voltara a se encher de pensamentos, todos gritantes e desorganizados com o ocorrido. Suspirava depois de atender os clientes, encostou-se na bancada e olhou para os pais que se aproximavam lentamente de si mais uma vez. Sentindo uma pequena coceira em seu pescoço, passava as unhas curtas no local e se arranhava levemente. Estaria avoado demais naquele momento, o alfa não gostou de perceber aquilo.

- Por que ele fez isso? Sente algo por ele? – Jun Myeon não aguentava mais de sua curiosidade, querendo fazer alguma coisa que fosse ajudar o seu filho. Mas não poderia fazer nada se ele estivesse se envolvendo sentimentalmente.

- Não – Kyung Soo baixou o braço e mexia na barra da camisa ao ter a face ruborizada – Apenas me pediu pra ajudá-lo com uma coisa.

- Com um beijo?

O delta segurou o braço do marido que já estava alterado, soltando um resmungo baixo olhou o filho parando os olhos na pequena mancha no pescoço. Kyung Soo coçava a região enquanto se perguntava mentalmente sobre o ocorrido mais cedo, jurava ter ouvido o moreno dizer sobre estar lhe chamando a atenção. De fato desde que chegou ao campus tem sempre visto Jong In por perto, acreditava que isso era apenas por ele ser um garoto popular... Um alfa popular.

Por que teria chamado de sua atenção sendo que não tinha nada de tentador em si? Assustou-se em sentir os dedos gélidos de seu pai em sua pele, o olhou e lembrou-se que os dois eram híbridos raros e incomuns o que o tornava um também. Teria sido esse o motivo de ter Jong In interessado em si? Apenas por seu biótipo?

- O que é isso filho?

Até mesmo o delta se encontrava surpreso com a mancha na pele do ômega, o casal havia se aproximado e tocavam sem sentirem algum relevo, era apenas uma pigmentação na tez do menor. Apesar de terem de esperar um momento para verem melhor, todos estavam surpresos com o ocorrido.

A pior parte era que Kyung Soo não tinha nenhuma marca em seu corpo, não até agora.

❄ 

Apesar de todo o seu esforço em tentar se focar no caminho para o quarto de hóspedes, Kyung Soo não conseguia deixar de pensar em Jong In. Parecia que sua pele sentia ainda a forma como seus dedos estavam sutilmente entrelaçados em seus cabelos, sentia a pressão de seus lábios e a forma como seu corpo se arrepiou com o contato, mesmo que mínimo, com o corpo do moreno. Tudo passava-se em sua mente lhe deixando avoado mais uma vez. Corou ao recordar do corpo de Jong In na sala de aula durante a prova, havia lhe desenhado e mesmo reparando em si não havia percebido o corpo como um todo. Ele era forte e o que mais lhe chamava atenção naquele momento eram os bíceps do moreno, queria poder dedilhar aquela região e até mesmo se embebedar no prazer em tocar, apenas tocar, o seu corpo. Como sua mente era trapaceira em fazer-lhe lembrar daquele momento, estava sentindo o coração palpitar em seu peito.

O casal havia deitado o filho na cama sem que o mesmo o percebesse, olhavam a mancha com cuidado e apertavam a região sem obter alguma resposta reflexiva de seu corpo. Sentando na cama, Yi Xing observou o filho com as pupilas dilatas olhando fixamente para a parede branca do quarto, acariciou de seu rosto ganhando sua atenção. Sorriu-lhe da melhor maneira que poderia sem que pudesse notar a sua preocupação e talvez a ponta do medo, deixando o menor sorrir de volta para si.

- Estou doente? – Kyung Soo sussurrava olhando para os pais, Jun Myeon sorriu, dessa vez mais calmo, e se deitava ao lado do filho – O que está acontecendo?

- Não está doente – Yi Xing cobria os dois e os ajeitava sob os travesseiros e deitou-se ao lado do filho também – O que sente?

- Que... – Kyung Soo corava e mordeu os lábios em reflexo. Olhou para o progenitor á sua frente e piscou lentamente – De novo...

- Entendi.

Jun Myeon acabava por adormecer antes dos dois, e se quer havia escutado aquela ultima parte. Kyung Soo admitiu ao delta, mesmo que por uma palavra apenas, sobre sua vontade de sentir aquela sensação novamente. No dia seguinte o casal teria de voltar á Mugogi para o trabalho de Jun Myeon, apesar de estarem ainda mais preocupados sobre a mancha estranha. Kyung Soo havia se olhado no espelho antes e se assustou com a marca avermelhada se destacando na pele leitosa. Na verdade todos se assustaram, alguns até pensariam em alguma coisa luxuriosa á respeito, mas conhecendo Kyung Soo saberiam que nunca iria ser algo assim.

Apenas suspirando os outros dois acabaram por adormecerem e então descansarem daquele dia tão agitado de suas vidas. No dia seguinte, o casal se despia do filho e prometiam um ao outro sobre conversas por vídeo durante a semana, além de fazerem o os pais de Luhan prometerem sobre ficarem de olho no ômega. Ao final da despedida do casal, Kyung Soo sorrira e seguiu com os amigos para o campus retornar ao dormitório naquele domingo de folga.

Nada á respeito do beijo fora dito para Kyung Soo, quem o olhasse poderia perceber sua confusão ou então não receberia uma resposta com sua dispersão. Não saberia ao exato como prosseguir, na verdade a cada esquina que se aproximava do campus mais se sentia ansioso com a possibilidade de encontrar-se com Jong In. Como seria sua reação ao ver o moreno, como o próprio alfa iria reagir ao ver o ômega? Na cabeça de Kyung Soo o próximo passo seria um relacionamento que nasceria, pois o primeiro beijo deveria ser com alguém que amasse de verdade. Jong In com certeza não amava Kyung Soo, e esse pensamento deixou o menor entristecido.

Teria ajudado ao moreno apenas á resolver sua confusão mental, onde aparentemente ele próprio era fruto dessa confusão. Mas e as sensações que teve? Aquele reboliço em seu estomago e os pensamentos focados naqueles lábios? E o desejo de ter aquele selar mais uma vez? O que seria tudo aquilo para o próprio ômega? Agora que refletia admitiu a si mesmo sobre sua curiosidade no alfa, e agora ele seria o seu foco de atenção sempre que estivesse por perto.

Passando pelos portões do campus os três caminhavam pelas pedras esbranquiçadas em silêncio. Luhan e Sehun não sabiam ainda do ocorrido e apenas concluíram que o silencio do calouro era devido ao cansaço do trabalho. Não iriam sentir o cheiro de Jong In sobre Kyung Soo, para que seu cheiro se impregnasse totalmente seria necessário passar a noite juntos com os corpos encostados um ao outro. Sendo assim não poderiam imaginar que seu novo amigo estaria seguindo um caminho desconhecido. Pelo menos desconhecido pelo próprio ômega.

Ao chegarem no dormitório os olhos grandes do ômega percorriam os corredores e salões á procura daquele alfa. Mexia os dedos em sua blusa descontando o nervosismo que sentia, enquanto a língua umedecia os lábios incessantemente. Seguia o trajeto para o seu quarto, teria se lembrado que o quarto do moreno poderia ser por perto, pois quando o mesmo lhe trouxera uma vez o viu percorrer aquele corredor. Repreendeu-se por estar tão focado em Jong In, balançou a cabeça e entrou em seu aposento depois do casal.

Ao se jogar na cama voltava a esfregar os dedos em sua pele avermelhada, olhava distraído para o celular revendo as conversas dos grupos em redes sociais sobre as aulas daquela semana. Torcendo os lábios deixou o aparelho de lado e observava a sacada onde o casal estava abraçados se beijando. Gemeu ao sentir suas curtas unhas arranharem o local da mancha, baixou o mão e virou-se de costas para os amigos sentindo o pequeno aperto no peito.

Queria poder o quanto antes se sentir amado daquela maneira.

❄ 

Mais uma semana se iniciava, Kyung Soo havia levantado antes de o despertador tocar em sua mesa ao lado da cama. Tomou um banho demorado esfregando o sabonete sobre seu corpo até ter plena certeza de que o perfume estaria impregnado em sua pele. Olhando pelo espelhou mordeu o lábio inferior em ver a mancha aumentar em seu pescoço. Passou do perfume caseiro em seu pescoço e pulsos e assim começou a se arrumar. Estava ansioso mais uma vez, as chances de encontrar o moreno alfa seriam maiores do que as do dia anterior. Olhava suas roupas e combinava as peças em mente, torcendo o nariz quando achava simples demais.

Luhan havia acordado e já tomava de seu banho enquanto o calouro olhava as camisetas. Já havia decidido usar a calça preta que segurava firmemente de seus músculos das pernas, deixando bem destacado as curvas de suas coxas roliças. Olhava as camisetas e não sabia qual deveria usar, estava em duvida entre uma peça branca social e outra preta simples com estampa de uma banda qualquer. Acabou por optar a branca, vestindo-a rapidamente, assim como seus tênis brancos. Ainda estava incomodado com aquela mancha, poderiam lhe olhar e pensar coisas terríveis que justificavam sua origem, sendo assim pegou um lenço grande e ajeitou em seu pescoço escondendo a pigmentação.

Estava pronto e esperava por seu colega de quarto, Luhan se arrumava em um ritmo lento se comparado com Kyung Soo, o ômega sentado em sua cama tamborilava os dedos em seu joelho observando atentamente do veterano terminar. Assim que chamado, pulou da cama e correu para a porta resultando em uma risada no mais velho que balançava a cabeça.

Andar em direção da universidade fazia com que se perdesse entre os numerosos estudantes que seguiam o mesmo caminho. Kyung Soo observava e procurava tentando manter sua fisionomia calma, como se quisesse enganar sobre seu estado atual. Soltava o ar dos pulmões com um muxoxo quando não encontrava aquele que procurava, seguindo o caminho para o refeitório onde poderia tomar de seu café da manhã. Adorava os cafés da cafeteria, eles teriam uma grande variedade em seu menu deixando Kyung Soo totalmente embriagado nos sabores diferentes que experimentava a cada dia. Assim era com os doces, adorava as tortas com cremes saborosos e os salgados que não tinham tanta gordura e ainda permaneciam gostosos. Passou a tomar daquele café e comer daquele lanche ao invés do almoço completo do refeitório.

Assim que os amigos se sentaram para poder comer Kyung Soo ouvira os murmúrios, ergueu os olhos de imediato observando a porta aberta e o quarteto adentrar no refeitório. Bebericando do café notou Jong In adentrar calmamente com as mãos no bolso. Por que ele estaria tão calmo sendo que o próprio ômega se encontrava uma pilha de nervos? Como ele conseguia isso? Será que todo o ocorrido não seria algo tão importante para si, já que afinal tudo o que queria eram respostas para uma suposta confusão.

Mesmo assim continuou a observá-lo atentamente, observou seu corpo direcionar para a mesa á sua frente como de costume, assim como os olhos que se encontravam com os seus e um sorriso ladino crescia em seus lábios. Um sorriso travesso talvez. Baixando a cabeça o ômega sorriu descrente, apenas segurando o copo com o café se levantou e seguiu para fora do refeitório.

Estaria Jong In brincando consigo?

Seguia os corredores indo em direção de sua sala, bebia do café esquecendo-se de como se sentia minutos antes. Agora que havia visto do moreno todo o seu nervosismo se fora, assim como sua curiosidade em saber a reação dele diante de si. Tudo o que vira fora um sorriso travesso como se não tivesse se importado com o que ocorreu na noite de sábado, como se aquilo fosse apenas uma brincadeira para lhe deixar constrangido. E talvez tivesse dado certo.

Enquanto caminhava sentira algo puxar de sua cintura, olhando por cima de seu ombro tendo seu corpo puxado para um corredor desconhecido. Kyung Soo iria gritar se sua boca não fosse tampada por uma mão quente, olhando novamente sobre seus ombros vira os olhos felinos de Jong In sobre os seus, o guiando pelos corredores até adentrarem em um cômodo apertado. Assim que se soltou, o menor observou em volta ajeitando as roupas e o lenço, suspirando com a parca luz que havia no local. Por fim, olhava para o moreno alfa á sua frente que soltava de sua cintura sem desviar os orbes negros dos seus.

- Eae – Sussurrava rouco o maior, Kyung Soo se se encostou à parede do cômodo pequeno e abraçava seus braços em reflexo – Por que saiu daquele jeito?

- Por quê? – O olhar descrente de Kyung Soo deixou o alfa mais curioso ainda – Você me beijou!

- Sim e daí?

- Não acredito.

Passou os dedos brancos em seu rosto massageando as têmporas, seu coração batia rápido por estar tão perto novamente daquele rapaz, mas ainda se sentia confuso quanto ao que deveria pensar sobre o assunto. Sendo observado pelo maior que apenas sorria cada vez mais largo, era como se o menor deixasse transparente seus pensamentos, era fácil de desvendar uma parte de Kyung Soo.

- Ah foi o seu primeiro beijo. – A voz de Jong In soava tão casual que por um minuto o ômega pressentiu uma discussão breve sobre o amor. Mas ao voltar a encarar aquele rapaz sua mente se esvaiu novamente, sua fisionomia ficara suavizada, porém nenhum sorriso era esboçado. Aproximando-se lentamente o maior passava as mãos em frente aos olhos do calouro. – Kyung Soo?

As pupilas se dilatavam e os lábios se entreabriram, respirando normalmente o menor sentia do aroma de Jong In, diferente daquele que sentia durante as semanas anteriores. Aproximou-se do maior sutilmente inalando mais de seu perfume, era um cheiro amadeirado e sofisticado como se lembrasse do âmbar. O moreno percebendo da aproximação e reação do menor mordeu seu lábio inferior e se achegou em seguida deixando apenas as pontas dos dedos sobre a cintura fina de Kyung Soo.

Olhava o calouro de forma curiosa e viu o estado de transe em que ele se encontrava, sentia os dedos finos e gélidos do ômega passarem por seu braço e se afundarem nos músculos do moreno. Os olhos se fechavam e Kyung Soo ficou na ponta dos pés aproximando a ponta do seu nariz no pescoço de Jong In, deixando uma breve cócega que causou arrepios no moreno.

- Ei.

Nenhuma resposta tivera, sorriu malicioso quando se recordou de seu próprio cio estar se aproximando e passou a olhar atentamente a sedução que tinha. O menor afundava mais os dedos e suspirava contra a pele do maior, aspirando com prazer daquele aroma tão deslumbrante. Voltou a escorá-lo na parede e encostou ambos os corpos, erguendo o queixo do garoto á sua frente via as pupilas voltarem ao normal e sua consciência se recobrar.

- Por que está fazendo isso? – Sussurrava o menor sem se afastar do maior, o olhava apertando levemente os dedos em seus braços.

- É como eu disse, está me chamando atenção e me sinto atraído.

Queria se afastar do alfa, ele sentia uma mera atração e isso não lhe deixava confortável. Mesmo assim seu corpo não se movia, estava preso entre os braços de Jong In sentindo de seu cheiro. O rosto do maior aproximava-se do menor e o hálito fresco e gélido tocando em seu rosto lhe arrepiava. Era como se as vontades daquele dia tivessem retornado como um tsunami, a vontade imensa de beijá-lo mais uma vez.

- Se tiver se sentindo estranho como eu, então vamos tentar.

- O que?

- Vamos tentar entre nós, e veremos o que vai dar.

- Não quero fazer isso Jong In- A forma como seu nome soara na boca e na voz do menor lhe deixou mais animado do que esperava, apertou sua cintura o trazendo para mais perto sem quebrar o contato visual que tinham. – E-Eu apenas quero fazer isso com alguém que eu ame.

- Então se apaixone por mim. – A ponta do indicador passava pela bochecha rosada do menor, suas bocas se aproximavam diminuindo cada vez mais a distância que tinham. Abrindo um sorriso largo e ladino deixando o menor ainda mais ansioso. – Porque não pretendo te deixar tão fácil assim.

Não queria perder mais de seu tempo em uma conversa, queria o quanto antes mais daquele ômega que tanto lhe trazia a discórdia. Tomando de seus lábios em um selar demorado, sentia o corpo do menor sobre os seus braços se enrijecerem. Por que teria de se sentir atraído por ele? Era apenas um ômega qualquer, mas que trazia segredos, apenas isso. Entretanto depois do beijo que lhe dera no bar, seus pensamentos e seu corpo reagiram diferente do esperado, pensamentos á seu respeito e a vontade de tocar mais de seu corpo. A mente insana que imaginava aquele garoto nu á sua frente o fazendo se masturbar durante o banho abafando o gemido que lhe chamava com o chuveiro quente em seu corpo.

Aquilo se quer seria uma vergonha para si, na verdade admitiu que estava adorando aquela sensação. Nenhuma parceira sexual havia lhe trazido tanto prazer, apesar de que não teria Kyung Soo deitado em sua cama implorando pecaminosamente para que seu corpo fosse invadido pelo maior. Mas apenas a imaginação daquela cena, de um ômega totalmente submisso a si trazia uma onda de prazer jamais sentido pelo rapaz. Todavia era a primeira vez que se sentia desse jeito com um semelhante, poderia imaginar que seus amigos não deixariam de fazer piadas e brincadeiras á seu respeito. E por isso estava ali, ninguém poderia saber que estava se entregando á suas vontades e ainda mais com um outro homem. Ali teria a privacidade que precisavam, em um quarto pequeno e trancado com chave, quase que um armário de um zelador de escola fundamental.

Kyung Soo suspirava em deleite, ignorou os pensamentos que lhe perturbava para que se afastasse e fugisse, aproveitou do momento que seu corpo implorava para que tivesse novamente. Seu corpo demonstrava aquilo como uma mensagem. Mensagem essa captada por Jong In, que prontamente passava a ponta da língua sobre os lábios fartos do menor sugando sutilmente os mesmos. Entreabrindo a boca lentamente, o ômega apenas sentiu o músculo quente e úmido passava para sua cavidade e explorá-la aprofundando do beijo. Outra sensação nova que sentia uma língua em sua boca explorando-o com curiosidade, sugando de sua semelhante causando-lhe arrepios. Os braços do maior apertavam mais do corpo de Kyung Soo contra o seu mesmo o encostado na parede e os corpos encostados o maior sentia a vontade de ir á mais. Não somente ele, ambos tinham dessa vontade.

O modo como movia os lábios sobre os de Kyung Soo já deixava claro que ele o guiava para esse novo mundo de sensações, era incontestável que o menor não tinha experiência com beijo e isso interessou ainda mais Jong In que mantinha o beijo lento e poderoso. Oras se não tinha experiência isso o tornaria seu primeiro toque, automaticamente poderia ser o primeiro amor de Kyung Soo, a ideia lhe agradava mais ainda. O que lhe deixava mais afoito era o fato de tê-lo diante de si o deixando tomar rédeas da situação, era como um pedido silencioso para que o guiasse, pois necessitava dele para guiá-lo. Timidamente os dedos do menor passavam pelo pescoço do alfa voltando a ficar na ponta dos pés passou a corresponder do beijo na mesma intensidade, deixando o maior sobre seus braços se arrepiar ao enroscar as línguas.

O seu cheiro e agora o seu gosto, apenas pioravam o estado de frenesi de Kyung Soo. Queria mais e muito além do que poderia imaginar, já havia desistido de entender aquele garoto, já havia ignorado totalmente seu superego lhe dizendo que o aquilo era errado. Deixava seu corpo se encaixar na quentura de Jong In, e seus lábios fartos usurparem de si.

Ao se separarem do beijo intenso o alfa distribuía selares pelos lábios do menor sem conseguir se afastar, agora que provara mais um pouco do menor poderia ter certeza de que não se distanciaria com facilidade. Voltou a encostar seus dedos no rosto do garoto e o acariciava, as orbes dilatadas de ambos se encontravam os fazendo se beijarem mais uma vez dentro daquele cômodo.

Os dois estudantes perderiam as primeiras aulas, mas ninguém iria sentir tanta falta.

 

O que seriam aulas em comparação ás memórias e trocas de mensagens? A única aula que Kyung Soo prestou atenção fora a disciplina que desenhou Jong In como avaliação, e assim como o moreno havia dito no bar o professor fizera muitos elogios lhe dando a nota máxima proposta na prova. Os colegas de classe do ômega o parabenizavam cordialmente, deixando-o corado coçando o pescoço novamente.

O intervalo que se aproximou o ômega ficou com seu veterano que conversavam sobre assuntos irrelevantes, o alfa sentado na mesa á frente observava o calouro atentamente e sorria para o mesmo quando os olhos se encontravam. Como se fossem cúmplices em um plano ardiloso. Jamais iriam se esquecer daquela manhã, onde um beijo intenso e cheio de desejo os deixou sem fôlego e ansiosos para os próximos encontros.

Obviamente a mente do ômega dava-lhe broncas, sabia que seria errado se intimidar daquela maneira com um alfa que não se conhecia muito bem. Jong In era amigo de Sehun, e confiava no mesmo sendo assim poderia confiar no outro alfa. Seus pais com certeza poderiam lhe dar uma bronca e ficarem chateados ao saberem dessa aproximação, mas o ômega não sentia remorso do beijo, e até mesmo se permitiu sorrir para o mais alto quando o mesmo lhe dissera um “te vejo depois”.

Porém teria de se preparar para o pior, ainda não sabia quais as intenções de Jong In diante de si, o beijou três vezes e ainda deixara claro que aquele ato iria se repetir. Se fosse alguma brincadeira, como o ômega pensava, então não poderia se sentir entristecido. É uma decisão que tomou, da mesma forma que ele poderia estar brincando consigo faria igual. Tudo o que desejava era poder ter controle de seus sentimentos.

O sinal tocara e Kyung Soo não teria mais aulas á tarde e ainda era cedo para ir ao bar, levantou-se e despediu de Luhan e seguiu pelos corredores indo para o quarto andar entrando na biblioteca. Ficou entre as estantes olhando os livros e dedilhando suas capas, queria ler algo fantasioso e romântico para deixar sua imaginação livre e sem qualquer pensamento sobre um certo alfa.

Tal fato que caíra por terra quando aqueles braços quentes e aroma amadeirado se tornaram presentes. Olhando para o sorriso brilhante de Jong In ficou de frente e sorriu timidamente mordendo o lábio inferior. Para o alfa um sinal verde brilhoso que lhe dava a chance de prosseguir. Havia se esquecido da aposta feita com os amigos, apenas queria ver aquele sorriso crescer cada vez mais para si. O que lhe chamava cada vez mais atenção e o fazia se afastar de seu círculo de amizades, somente naquele dia teria deixado os amigos conversarem sozinhos entre si.

- Hoje recebi a nota do quadro – Começava o menor olhando finalmente para as orbes negras de Jong In – Foi como disse, nota boa.

- Tem que confiar mais em mim. – Olhando em volta o maior mordera os lábios e se aproximou de Kyung Soo selando seus lábios em um estalo. – Senti tua falta.

O rosto de Kyung Soo se avermelhou no mesmo instante, desviando o olhar movia os dedos na barra da blusa e piscava lentamente tentando manter o foco da conversa. Ah para Jong In ver o menor daquela maneira apenas acendia mais a chama de desejos, queria ter uma câmera para fotografar aquela fisionomia, provavelmente guardaria em um álbum onde iria admirar bobamente em seu tempo livre longe do ômega.

- Mas nos vimos antes...

- Eu sei – Segurando levemente o rosto do garoto á sua frente, Jong In o fez lhe olhar nos olhos e então abriu um sorriso largo – Mas é como eu disse, você me vicia.

Pela quarta vez selavam de seus lábios para dar inicio á um beijo calmo, tendo dessa vez conseguido se controlarem diante do outro e aproveitar do momento á sua maneira. Sem que os impulsos tomassem conta da realidade. O beijo parecia tomar conta do tempo, e ao ouvirem passos próximos se afastaram subitamente, Jong In se aproximando da janela olhando o movimento, ou fingindo, e Kyung Soo vira de costas voltando a procurar do livro que queria ao encontrar abriu uma pagina qualquer e afundou o rosto envergonhado. Um grupo de estudantes passaram pelo corredor onde os dois estavam, cumprimentaram Jong In que apenas sorria cordialmente e acenava. Assim que os estudantes se foram o moreno voltou a ficar do lado do ômega e selou-se a bochecha avermelhada.

- Te vejo de noite garoto ômega.

 

Havia ligado para seus pais após ter chego do trabalho, baixando o lenço de seu pescoço mostrou a mancha que havia dobrado de seu tamanho em poucas horas. O casal na cidade de Mugogi chamou um amigo beta médico para poder avaliar a mancha mesmo por um vídeo. Kyung Soo tirou fotos com qualidade para enviar ao pai e respondeu todas as perguntas feitas, sentando-se em sua cama ajeitava o material sobre a cama e seguia para a sacada sentir o vento gélido da noite.

Apoiou-se na madeira da sacada e observava o céu estrelado, sorria ternamente e ouvia os pais no outro lado da linha.

- Parece ser uma reação diante de algo. Tem experimentado alguma coisa estranha?

Kyung Soo parou para pensar, a voz do velho médico era rouca e mesmo assim sentia a aura intelectual dele. Não poderia lhe enganar e seria melhor contar mesmo que resulte em seus pais mais aflitos consigo. Olhando a adiante do campo de futebol vira Jong In se aproximar do dormitório, olhando fixamente para si aumentando gradativamente de seu sorriso.

- Hum, beijei um alfa.

- Ah então pode ser isso. – Ouvia o som de papéis, o ômega se debruçou na madeira e continuava a olhar o alfa que parou diante da janela de seu quarto, apesar da distância de alguns metros os dois conseguiam ver muito bem suas respectivas fisionomias. – Acredito que isso não seja um bom sinal.

- Por que? – Erguendo-se ficou de costas para o moreno alfa e cruzou os braços enquanto mordia os lábios – Isso tem haver com o fato de estar... envelhescendo?

- Pode haver, talvez o seu corpo possa reagir diferente meu caro, tenha todo o cuidado possível. Poderá perder o controle e seus instintos o fará viver o mais rápido.

Olhando para o lado vira do moreno escalar a primeira saca que havia, sorrindo largo voltou a se debruçar, mas logo o sorriso se fora quando ouviu o médico e soltou uma risada baixa e triste depois de morder o lábio inferior. Uma mania que adquiriu quando ficava ansioso e nervoso.

- Meus instintos estão querendo que tudo acabe – Jong In escalava a sacada e se aproximou de Kyung Soo deixando os rostos próximos mais uma vez. Observando aquele ser diante de si o ômega olhava tristemente, e com a mão livre tocou em seu rosto acariciando sua pele morena e macia. – Então está tudo bem eu deixar levar por enquanto. 

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