{OGO} Capitulo 5

Fanfic / Fanfiction O Garoto Ômega - Capítulo 6 - Capitulo V

Limpava as lágrimas que escorria de seu rosto e voltava a prestar atenção nos gráficos que surgiam na tela do computador. Formulava os pensamentos e revisava seus conceitos se distraindo da pequena tristeza que se apossava de si. A porta do pequeno laboratório fora aberta pelo casal de amigos, os mesmos sorriam levemente e se aproximavam de si trazendo-lhe uma caixa com as compras que precisava. Havia feito uma lista no dia anterior de algumas peças que precisava para dar suporte á capsula onde o corpo repousava.

Não cumprimentou os amigos, apenas correu afobado até os mesmos e segurou a caixa observando atentamente as compras para ver se nada faltava. Assim desligava os cabos de energia depois de confirmar a bateria sem fio da cápsula, e então começava a trabalhar.

Na verdade detestava mexer com as engrenagens e sujar suas mãos com graxa, mas não confiava em ninguém além de si mesmo para fazer as melhorias na máquina. Teria de ser somente ele mesmo. Agachando no chão gélido e arregaçando as mangas, começou os reparos com calma e paciência, precisava montar apenas uma vez para que quanto antes a ultima dosagem de hormônios XY coletados de seus progenitores fosse introduzidos em seu organismo.

E assim finalmente despertar.

❄ ❄ 

O final de semana havia começado com animação na casa dos Lee. Luhan e Sehun jogavam vídeo game com Kyung Soo entre gritos e exclamações quando o menor ganhava sem perceber, apertava os botões do controle sem saber direito suas funções. Os dois casais mais velhos conversavam enquanto terminavam de almoçar, e mais uma vez Jun Myeon contava de sua história deixando em entrelinhas um pedido silencioso para que cuidasse de seu filho em sua ausência. Se entendessem o motivo de tantas omissões então mais fácil tudo ficava.

Sehun se sentou no chão e mexia no celular conversando através de mensagens com Jong In, o moreno fazia perguntas sobre o ômega de pele leitosa e isso o deixava acanhado fazendo caretas enquanto olhava para o aparelho. Luhan olhou para o namorado e deixou o amigo jogar concentrado para poder ir ao seu lado e olhar o celular. Leu as mensagens e trocaram olhares.

- Não deixe ele saber – Sussurrava Luhan – Ele deveria ter noção que não pode simplesmente ficar seduzindo quem quisesse só por ser alfa.

- O que eu posso fazer? – Sehun apontou para o celular – E outra o garoto sabe se cuidar, não precisa da gente em cima dele.

- Sehun assim não dá. – O ômega citado cruzava os braços – Eu não consigo quebrar seu recorde, tá muito difícil.

O casal apenas deixou o assunto por encerrado, então o mais alto iria até o calouro o ajudar com o jogo. Na verdade tudo parecia um jogo, a tal aproximação de Jong In era lenta e cuidadosa deixando os dois amigos em estado de alerta para evitar um desastre maior. O que não sabiam era que existia algo maior atrás de suas perguntas, talvez uma curiosidade para poder sanar suas vontades.

Enquanto que no campus, o moreno estava em seu quarto e jogava o celular para longe ao não ter uma resposta do melhor amigo, sentando-se na cama acariciou os cabelos deixando o olhar vago sobre o piso escuro. Queria ver aquele ômega, e desejava se aproximar mais de si depois da troca de olhares que ocorrera no dia anterior. Sentiu naquele momento que se fizesse algum esforço poderia, com êxito, se aproximar do menor. Entretanto precisava fazer aquilo o mais depressa.

Olhando o relógio que marcava o horário do almoço, ainda seria cedo para o bar abrir o que lhe causaria um motivo. “Vim para me divertir”, seria a sua desculpa caso lhe fosse perguntado. Levantou-se da cama indo até a sacada de seu quarto e observou a quadra de futebol, apesar de ter tantos jogadores com um corpo consideravelmente sedutores, nenhuma curva parecia ocupar sua mente como as curvas cobertas do corpo de Kyung Soo. Observar aquele garoto andar acabou por ser seu ultimo vicio adquirido. Era a primeira vez que olhava homens daquele ângulo, como parceiros sexuais, e tudo por causa de um ômega.

Estalou a língua e voltou ao quarto pegando uma blusa e seu celular, apenas digitou rapidamente a mensagem para Sehun e seguiu o caminho para fora do dormitório. Não teria nada para fazer, e isso poderia enlouquecê-lo de tanto que pensaria naquele garoto. Precisava agir o quanto antes para sanar a sua curiosidade, e quem sabe sanar a vontade de ter aqueles fartos lábios sobre os seus. Talvez sua mente fosse insana á esse ponto, tal forma como pensava naqueles lábios fartos e avermelhados pudessem ficar umedecido com o toque de sua língua rósea. Simplesmente lhe causava um arrepio nas costas de tentação.

Pensa que aceitar a aposta de seus amigos seria errado, ou apenas o seu método em adquirir respostas para um cheiro desconhecido e sedutor seria o método errado. Na verdade não estava em seus planos passar dos limites de observação, não imaginava que aquele garoto poderia romper as barreiras de seu mundo intimo de forma arrebatadora. Acreditava que uma simples pergunta á respeito seria o suficiente para acabar com aquilo, mas pensar que poderia terminar toda aquela emoção que sentia... ah nada equivalia á aquela sensação.

Enquanto caminhava era cumprimentado por ômegas, o cheiro de cada uma era intenso e enjoativo para Jong In. O que poderia ser estranho já que até então apenas sentia o cheiro do cio se aproximando e fazia questão de tentar ganhar uma noite com elas. Mas parecia que nenhum aroma seria tão embriagante quanto o de Kyung Soo. Tentava sorrir cordialmente e negar educadamente os pedidos de noites prazerosas. Conseguia sentir de longe a necessidade de terem um parceiro para seu cio.

Com as mãos no bolso da jaqueta caminhava para o portão do campus, passando pelo mesmo depois de cumprimentar o porteiro de idade. O velho homem apenas mexia a cabeça resmungando baixo para o alfa, já se preparava para inventar alguma desculpa para ajudar o garoto a evitar punição da reitoria. Quantas vezes aquele senhor teria lhe ajudado? Desde o dia em que fora para o campus realizar a prova de admissão. Sentia o celular vibrar em seu bolso, ao olhar a tela sorriu de lado em ver seu amigo ligando ligeiramente para si.

- O que foi?

- Não pode vir aqui, está maluco?

- Ué, por que não? – Olhava para os lados e atravessava a rua enquanto seguia o caminho que havia aprendido na ultima vez que seguira o ômega.

- Apenas não pode vir aqui. Seja lá o que quiser falar espere até segunda.

- Ah que coisa – Jong In alargava de seu sorriso ao parar em frente do bar, esticava o pescoço ao ver que o mesmo estava fechado. Enquanto conversava com Sehun, pensava em alguma desculpa mais elaborada para sua vinda. Não poderia apenas dizer que queria ver o garoto para saber se estava bem, sendo assim precisaria de um outro motivo...algo que realmente chame a atenção de Kyung Soo. – Eu estou aqui na frente do bar, ou me atende ou eu faço alguma cena.

- Aish, você é inacreditável.

Adorava fazer o seu melhor amigo relembrar os tempos da escola, onde uma aposta era tudo o que sabiam fazer para se divertirem. Jong In tinha a destreza em atuar para os professores e safar seus amigos de encrencas da qual se metiam por conta das tais apostas. Eram testes de coragem sem o menor sentido, mas servia para matar o tempo tedioso de adolescentes. Claro que usava de suas técnicas teatrais apenas quando lhe convém já que misturava seus sentimentos profundos e guardados retratando dramaticamente para alguém acreditar em si, o que dava certo na maioria das vezes.

Chutava as pedras da calçada esperando ser atendido, ao encostar-se na parede Sehun aparecera com o olhar reprovador, como sempre fazia quando encontrava seus amigos na diretoria. Poderia dizer que aquele quarteto de amigos eram inseparáveis e que Sehun seria o único maduro o suficiente para pará-los. Principalmente depois de começar seu relacionamento, era como se uma alma protetora se apossasse diretamente do loiro o deixando como um super herói. Jong In invejava isso.

- Eu juro que se você tentar...

- Eu apenas quero conversar com ele, isso é crime? – O moreno soltava uma risada baixa mantendo a calma em seu rosto. – E eu sei qual o resultado da prova dele, não seria uma má ideia dar essa noticia ao baixinho.

- Se fizer alguma coisa, eu juro que vou sentar e rir da sua cara.

O moreno dera de ombros e então seguia o outro alfa para o beco que dava acesso á rua de trás do bar. Apesar do silencio entre os dois amigos, suas mentes eram barulhentas. Jong In usava a desculpa da avaliação para poder chegar ao menor, e em sua mente aquilo era um plano brilhante.Lembra-se de suas feições enquanto lhe desenhava, e a forma demorada de se retirar da sala olhando para o quadro mordendo o lábio inferior. Ter sido o modelo da avaliação prática tinha umas vantagens além de fazer Kyung Soo lhe observar, na verdade nem sabia que poderia olhar as provas e ver as notas, apenas ocorreu ao acaso quando fora conversar com os professores sobre sua reposição de aula.

E imaginar que aquele garoto simples e baixinho tinha um talento inato para a arte, encontrou seu professor conversando com outro que aplicava prova á turma de Kyung Soo e as telas estavam enfileiradas encostadas na parede. Era estranha a sensação de se ver retratado naqueles quadros, alguns até estavam bonitos e outros havia algumas partes de seu corpo desproporcionais com a realidade. Menos um, havia um quadro que estava simplesmente belo, sem olhar o nome do aluno aproximou-se da tela cativado pelos traços realísticos que via. Parecia algo tridimensional e irreal para o próprio alfa. Era como olhar para si em um espelho, mas um espelho sem cores. Baixou os olhos para ver o nome do pintor e sorriu largo com o nome do ômega que tanto lhe chamava atenção.

Agora havia entendido Sehun, gostaria muito que aquele ômega pintasse quadros seus para que nunca esquecesse de si.

Adentrando em um sobrado branco, os dois amigos passaram por uma entrada onde Luhan os esperava pacientemente, atrás de si apenas uma cômoda e um pequeno corredor que levaria para dentro da casa, ao lado direito a porta que dava para o bar. O ômega observou os dois alfas e soltou um suspiro baixo para focar-se totalmente no moreno, abriu um sorriso meigo e se aproximou de Jong In.

- Não me apresentei direito na ultima vez que nos vimos, sou Luhan.

- Jong In, obrigado por permitir a minha vinda, espero não ser um incomodo.

- Acredito que não será um problema, certo?

Luhan saberia ser sutil quando quisesse, assim como Sehun conhecia o namorado o suficiente para entender que aquele sorriso cordial poderia ser tão diabólico quanto se esperava. Não que o garoto pudesse fazer alguma atrocidade, mas como o ômega era apegado ás pessoas em sua volta, saberia ser bem criativo em elaborar vinganças para deixar seus inimigos longe de si. Sehun amava aquilo.

O veterano acompanhou os dois até sua sala onde todos estavam reunidos, Jong In estava mais atrás e sentia os cheiros diferentes, alguns bem peculiares que jamais sentira durante toda a sua vida. Como o do ômega. Olhava ansioso para a sala e via que a casa estava cheia, e entre os olhares encontrou aquele que tanto procurava. Kyung Soo vestia roupas escuras que davam destaque á sua pele branca, e seus lábios se encontravam avermelhados como se alguém tivesse sugado os mesmos. Sua mente pervertia a cena, permitindo que aquele ser de aparência angelical se banhasse nas águas da luxuria.

Os pais de Luhan se aproximavam com um largo sorriso e cumprimentavam Jong In, a recepção deles era calorosa como se recebesse um filho que há tempos não viam. O outro casal observava o moreno e não se sentiam tão confortáveis com sua vinda, na verdade Jun Myeon analisava o rapaz por inteiro, sentindo de seu cheiro via que era como si mesmo, um alfa puro. O delta olhava para o filho, sentiu uma reviravolta no estomago com o olhar fixo do pequeno garoto. Não estavam lá acostumados com aquilo, sabiam muito bem no que daria a vinda daquele garoto á cidade grande.

- Ah Kyung Soo vim aqui lhe dizer sobre sua prova – Jong In dera um passo em direção do ômega, mas o outro alfa rosnava para si o fazendo voltar o passo.

- A-A muita gentileza de sua parte vir aqui para dizer apenas isso – Kyung Soo olhou confuso para o moreno, entretanto abriu um sorriso, levantando-se do sofá indo até o mesmo sentia seus músculos enrijecerem de ansiedade para saber do resultado de sua prova. – O professor falou algo? Não gostou do meu desenho? Reprovei na matéria?

- Calma meu pequeno – O delta advertiu, o ômega corou no mesmo instante ao ouvir a risada baixa de Jong In, havia se precipitado em cuspir as palavras antes e resultaria em um momento envergonhado – Deixe seu amigo dizer primeiro.

- Me desculpe.

- Está tudo bem.

O moreno sorria olhando para o casal sutilmente. Puxou o ar e sentiu novamente os aromas, havia três cheiros desconhecidos e entre eles um parecia ser o melhor, aproximou-se habilmente de Kyung Soo confirmando o cheiro vir de si. Jun Myeon não baixava o olhar do moreno e percebeu quando o mesmo se aproximou do filho para sentir de seu cheiro, iria se levantar para afastá-lo quando o delta passou os braços calmamente em sua cintura depositando um selar molhado em seu pescoço. O ômega paralisou apenas arregalando os olhos quando sentiu da aproximação do maior á sua frente, na verdade o ato fora rápido demais, se quer os outros híbridos da casa haviam percebido aquela aproximação.

Jong In olhava o casal de canto e percebeu a beleza imensurável do outro, e pela forma como havia chamado Kyung Soo julgou que os dois eram seus pais. O cheiro dos dois eram deliciosos não seria nenhuma duvida que o filho teria um perfume tão sedutor quanto o dos pais. Olhou para Sehun e se recordou das palavras do amigo sobre algo maior proteger o calouro, talvez as peças começassem a se encaixar. Percebendo o olhar assustado de Kyung Soo sorriu-lhe belamente e passou a ponta dos dedos sobre a camisa do menor, segurando o pequeno inseto que estava pousado ali. Jogou o pequeno inseto e voltou a deixar as mãos em seu bolso.

- Na verdade ele estava olhando os quadros e anotando algumas coisas no caderno dele – Pigarreava antes de falar, e voltou a olhar Kyung Soo que mexia na barra da camisa assim que o maior começara a falar, contendo seu nervosismo em saber sobre sua nota – Pode ser que ele tenha alguma coisa para lhe dizer.

- Isso seria ruim?

- Alguns professores gostam de dar algumas dicas para os alunos – Dissera Luhan sorrindo carinhosamente para o colega de quarto – Digamos que é uma forma de ajudar os alunos em seu desempenho, como por exemplo a forma de segurar o pincel.

- Ah entendi, então vou ter que esperar até segunda? – O menor formava um bico nos lábios, Jong In soltou uma risada baixa e afagou os cabelos do ômega que corou no mesmo instante.

- Você foi bem pode apostar que em seu quadro tem uma nota alta.

Jun Myeon e Yi Xing poderiam estar preparados para a qualquer momento ficarem em frente do filho e afastá-lo daquele alfa, mas suas mentes se esvaíram ao ver aquele sorriso em seu garoto. Um sorriso largo que formava um coração, era sincero e cheio de animação que juntamente aos olhos brilhantes davam uma beleza maior ao garoto. Se Kyung Soo sorria daquela maneira era porque aquele alfa tinha algo em especial, e era além de uma nota de prova. Encostando-se no sofá Jun Myeon soltou um suspiro, percebeu que o filho havia feito de uma ligação com Jong In, e aquilo lhe frustrara em demasia.

- Meninos vamos comer? Daqui a pouco temos que abrir o bar. – Advertia Donghae chamando os mais jovens para a cozinha, deixando apenas os dois casais mais velhos. Aproximou-se do alfa e do delta sorrindo calmamente para os dois. – Se soubéssemos da situação antes, acredito que teríamos evitado isso.

- Também percebeu? – A voz do delta era baixa, o pequeno bico nos lábios demonstrava a ponta de ciúmes do filho.

- Não tem como não perceber. – Jun Myeon esbravejara, Yi Xing apertou do abraço fazendo o menor encostar-se em seu peito. Luhan observava a conversa da porta da cozinha, acabou por suspirar e ir a sala aproximando dos pais de seu amigo, agachando-se em frente deles imitou o sorriso do progenitor.

- E-Eu sei que querem proteger o Kyung, eu também quero já que é meu primeiro amigo, mas vamos deixar ele se decidir hm? – O ômega segurou as mãos dos dois mais velhos e os puxava para se levantarem – Eu não sei vocês, mas sinto que algo muito precioso está crescendo entre eles.

Os quatro olhavam para a cozinha onde Kyung Soo questionava Jong In sobre sua nota, tentando fazer o moreno revelar para si sendo que o mesmo negava em um tom de brincadeira. O casal observava o filho agir de tal maneira, e sorriram levemente tentando ignorar a pequena ponta de ciúmes em ter que dividir sua preciosidade com alguém desconhecido. Assim como Luhan havia dito, existia uma animação presente em Kyung Soo, uma aura pura e animada que há minutos atrás não havia antes da chegada de Jong In.

De fato, algo precioso nascia ali.

❄ 

A musica tocava alta pelo DJ Min Seok, o numero de pessoas na pista de dança estava o dobro da semana anterior. Até mesmo Jun Myeon e Yi Xing permitiram-se dançar e se divertir, depois de Kyung Soo passar o seu perfume no delta, deixando todos ali menos nervosos e paranoicos. O pequeno ômega servia as bebidas longe do som alto, e lhe observando estava o moreno alfa que apenas sorria em ver as bochechas rosadas do calouro.

- Por que não vai dançar? – Perguntava Sehun olhando o amigo em alerta, sabia que Luhan não iria deixar o amigo sozinho com Jong In, e para evitar desastres o ajudaria. – Ficar aqui parado nem sempre é legal.

- Pra você é legal porque tem namorado para beijar, eu não.

- Homem é o que não falta aqui – Luhan sorrira abraçando o namorado – E desculpe, mas preciso do meu namorado por uns instantes.

- Me poupando dos detalhes, ele é todo seu.

Sehun sorrira largo com o olhar perverso do namorado e os dois se perdiam entre os clientes embriagados. Assim que houve uma folga Kyung Soo se aproximou sutilmente do moreno, mordia o lábio inferior e olhava para os clientes torcendo para que nenhum lhe chamasse. O que não dava tão certo, um ou outro se aproximava do bar o chamando, fazendo o ômega retroceder os passos e fazer as bebidas pedidas, e então retornava onde havia parado para se aproximar. Tudo sendo observado por Jong In que fingia olhar o movimento, enquanto segurava a vontade de rir.

- N-Ne – O menor chamava a atenção de Jong In, o mesmo olhava para si despreocupado ainda fingindo não ter percebido-o. – Se falar apenas o primeiro numero... acho que pode né?

- O primeiro numero de sua nota? – Kyung Soo assentia exprimindo os lábios em nervosismo – Hum tudo bem....um...

- Um? A prova valia... 40 pontos... Ah céus eu fui mal.

Jong In ria da reação do menor que passava as mãos em seus cabelos escuros, parecia ser uma catástrofe para si. E de fato era, Kyung Soo era um bolsista e precisava manter suas notas altas para evitar ser expulso. Sua primeira prova fora aquela e estudou com afinco junto á seu colega de quarto, Luhan passava todas as dicas sobre o professor e avaliava os desenhos do menor para poder ajudá-lo a diminuir seu nervosismo. Tudo isso parecia ser apenas uma ilusão diante daquilo. Jong In apenas segurou a mão do ômega que parou de se mover no mesmo instante para lhe observar com os olhos esbulhados e rosto avermelhado. Aquilo apenas fez o moreno alargar seu sorriso e aproximar-se mais de si.

- Fique tranquilo garoto, você se saiu bem.

- Mas disse que tirei 1.

- Eu estava pensando, não era necessariamente uma nota– O moreno dava de ombros e ria ao receber um tapa do garoto que fazia bico se afastando de si.

Finalmente conseguira se aproximar e agora teria total liberdade para poder iniciar uma conversa em seguida de aproximação. Mas tudo parecia ir tão bem até Min Seok sair do palco e chegar ao bar abraçando o pequeno garoto pela cintura o fazendo se arrepiar. Jong In soltou os braços do ômega e apertou o copo em suas mãos quando observou a cena, havia demorado alguns dias para poder se abordar Kyung Soo para que ele não se assustasse consigo, e então um alfa inferior á si já tinha tamanha intimidade para abraçá-lo daquela maneira?

Claramente aquilo parecia ser uma provocação quando Min Seok lançou o olhar para Jong In, o sorriso divertido e a forma como apertava do abraço deixava o moreno mais enciumado do que esperava. Na verdade estava gostando daquele jogo de provocações. O ômega apenas olhou para o DJ e inclinava a cabeça sem saber do que se tratava aquela aproximação, afastou-se sentindo o rosto avermelhar e voltou a servir dos clientes deixando aqueles dois alfas em seu mundo de disputas.

- Kyunggie qual é do cara? – Min Seok fazia bico se debruçando na bancada do bar olhando o menor que apenas servia uma tequila em um copo pequeno. – Ele fica te olhando o tempo todo.

- A-A Jong In veio me falar sobre a prova – Kyung Soo alargou o sorriso para o recém amigo, sendo este espreitava os olhos – Gentil da parte dele não?

- Claro, mas sabe estou com ciúmes dessa gentileza. Acho que vou estudar na sua faculdade.

Kyung Soo apenas teve seus olhos esbulhados diante da afirmação, Min Seok rira do menor e bagunçou seus cabelos lembrando ao menor que era apenas uma brincadeira. Uma brincadeira com meias verdades, sentia ciúmes e queria muito estudar naquela faculdade, principalmente depois de conhecer um certo ômega.

Jong In apenas observava de longe a cena e bebia em grandes goles o seu refrigerante, deixou o copo de lado se aproximou dos outros dois com os pulsos fechados pronto para entrar em uma briga. Por que alguém teria de ter uma vantagem que o próprio Jong In não tinha? Ele era alfa, um alfa puro de linhagem direta dos híbridos de humanos com lobos, Min Seok estava abaixo de si com sua linhagem indireta e ainda por cima querendo competir consigo o prêmio que era aquele garoto.

Mas tinha uma aposta para ganhar, e talvez o prêmio fosse o próprio Kyung Soo pois sabia que assim que o garoto se apaixonasse por si ele teria os segredos revelados, uma vez ganho a aposta poderia ter o garoto para o seu deleite. Mas havia um empecilho em forma de gente o atrapalhando, e esse empecilho tinha uma grande vantagem. Acabaria com ela naquele mesmo instante.

Aproximou-se de Kyung Soo e segurou firme em sua mão, desviando o olhar para o DJ.

- Pode cobrir ele enquanto está aqui não é? – O sorriso sádico do moreno fazia o outro alfa cerrar os dentes. – Quero uma dança como pagamento por revelar sua nota.

- Vai me contar? – Kyung Soo segurava forte o braço do moreno, o mesmo levou suas orbes negras para o ômega e abria um sorriso sincero, brilhante até mesmo.

- Contarei mas só se dançar comigo.

Não ouviu uma resposta do ômega, Jong In retirou o casaco do garoto e jogou para o DJ enquanto sorria vitorioso. Era isso o que gostava de fazer, era vencer e ver a fisionomia incrédula dos perdedores. Puxava o ômega para dar a volta no bar e seguirem para a pista de dança, onde a musica lenta começava a soar pelos alto falantes. Kyung Soo percebia aura em sua volta o deixando envergonhado em ser pego durante o turno dançando com o garoto popular. Porém queria aproveitar daquele momento, por algum motivo estranho ele se sentia atraído por Jong In e aquilo iria além de saber sobre uma nota.

O moreno abraçou a cintura do garoto com seu braço direito, com o esquerdo segurava sua mão mantendo o jovem mais perto de si. Kyung Soo pousava os dedos sobre os ombros de Jong In e o olhava em seus olhos mantendo a conexão cada vez mais forte. Como uma rajada de vento que pudesse prendê-los longe de qualquer um que estivesse ali por perto, o mundo era deles.

De acordo com a musica o garoto popular guiava o calouro em pequenos passos, mantendo sempre seus corpos próximos e olhares fixos um no outro. Kyung Soo não sabia dançar, mas da forma como era conduzido nem seria necessário algum conhecimento. Afinal se sentia confortável daquela forma, sentia-se protegido com aquele braço em sua volta, um braço que ainda tinha em mente de seus detalhes. Segurando a mão quente de Jong In os dois dançavam entre os clientes girando em torno da pista de dança com os passos longos que o moreno permitia. Abrindo um sorriso largo, Kyung Soo corava, era um sorriso belo e brilhante que havia sinceridade e sedução.

- Está vermelho.

Até mesmo a voz do alfa era inebriante, em um tom baixo e rouco soava em seus ouvidos causando um arrepio em sua espinha. Soltava um suspiro baixo deixando os lábios entreabertos novamente, um ato inconsciente. Lembrou-se que era uma afirmação feita por Jong In, assim suas bochechas ganhavam uma cor mais atenuada de vermelho, tendo um alfa sorrindo belamente para si.

- É apenas o meu jeito.

Para Jong In não haveria momento melhor como aquele, olhou para os lados enquanto rodopiava com Kyung Soo durante a dança, deixando-se camuflar entre os demais casais que dançavam e fugindo dos olhares protetores dos pais do ômega. Assim que um lugar consideravelmente bom o alfa diminuiu o ritmo dos passos e passou a olhar o menor á sua frente com um sorriso leve e sutil.

- Você tem me chamado atenção esses dias. O que devo fazer?

- O que?

Kyung Soo arregala os olhos e se afastava, em reflexo, de Jong In. O moreno segurava firmemente a cintura do menor encostando os corpos deixando a ligação totalmente finalizada. Agora não teria mais jeito, o que poderia fazê-los se separar seria alguém bem mais raro que Kyung Soo surgir e fazer o nó ou mordê-los. Caso não aconteceria, os dois iriam tomar o rumo para uma aproximação cada vez mais intima. Tal como ocorrera com Sehun e Luhan, algo lento e progressivo até que finalmente a primeira noite chegasse fazendo com que os corpos suados e banhados em seu próprio aroma os fizessem mais reféns um do outro. Tudo isso levaria á possessão e á mordida.

- Não se afaste – Advertiu o moreno suspirando aliviado com o corpo do menor parado diante de si – Apenas... deixe rolar.

- Rolar? E-Eu não posso – Kyung Soo se afastava dos braços de Jong In, segurando de suas mãos enquanto o olhava tristemente – Me perdoe não era a minha intenção causar algum incomodo na verdade...

- Fique, eu estou enlouquecendo e isso jamais aconteceu. Nunca me senti atraído por homens

A afirmação do moreno deixou Kyung Soo surpreso, se quer saberia dizer sua própria sexualidade já que para si não achava que haveria problemas tais questões. Em Mugogi as pessoas passavam suas vidas com quem elas quisessem desde que não ultrapassassem os portões. No entanto olhar as orbes negras e confusas de Jong In, fizera-lhe compreender o seu pedido. Porém não compreendia do porque ser consigo, porque somente ele poderia ajudá-lo? Se quer havia dado seu primeiro beijo, isso não o tornaria alguém menos apropriado para essas questões sedutoras?

- Eu quero fazer uma coisa – Os dedos gélidos de Jong In passavam sobre as bochechas quentes de Kyung Soo, sem que o mesmo esboçasse alguma reação o moreno o olhava curiosamente – Apenas fique parado.

- Eu tenho que voltar a trabalhar...

- Serei rápido.

E de fato fora, Jong In mantinha o braço em volta da cintura do menor o erguendo minimamente, a mão que passava por seu rosto agora pousava em seu pescoço ainda acariciando de sua bochecha avermelhada do ômega com o polegar. Sua face aproximou-se da do menor e os olhos se fecharam ao encostar os lábios levemente, um selar consideravelmente leve e quente. No mesmo momento o corpo de Kyung Soo reagira com arrepios e correntes elétricas, sem que compreendesse o motivo de seu corpo agir daquela maneira, acabou encostando-se mais em Jong In deixando os olhos semi cerrados com um brilho peculiar. Nesse momento sua mente se esvaiu.

O moreno aumentou a pressão nos lábios carnudos do garoto e pretendia aprofundar do toque se não fosse pelo cheiro de um alfa e um delta se aproximando de onde estavam. Afastou-se ligeiramente e olhou para Kyung Soo que mantinha a fisionomia em deleite, não deixou de sorrir antes de aproximar seu rosto do ouvido do garoto. Agora que tivera a oportunidade de selar aqueles lábios, passou a ponta do nariz na pele do garoto e sorriu com o aroma adocicado. Aquele perfume falso que ele usava não era mais necessário, na verdade ele parecia desperta-lhe a vontade de sentir o puro aroma de seu corpo.

- Obrigado pela ajuda, garoto ômega.

Saindo em passos largos ainda se camuflando entre os demais clientes, Jong In se fora deixando um Kyung Soo tocar seus lábios que formigavam. Jun Myeon segurou firme o pulso do filho e o puxou para o bar novamente, onde o delta abraçava possessivamente do garoto o guiando para dentro do quarto dos funcionários.

O pequeno perfume que fora feito por Jun Myeon perdia sua essência depois do primeiro beijo de Kyung Soo.

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