{OGO} Capitulo 4

Fanfic / Fanfiction O Garoto Ômega - Capítulo 5 - Capitulo IV

Puxava a cadeira e bebia do café enquanto observava a capsula á sua frente, perdia-se em pensamentos recordando de momento que para si eram precioso demais. Sorrindo largo soltou uma risada baixa e rouca e então sentiu a tristeza avançar contra si, tentaria se manter calmo para que não chorasse mais uma vez ou que perdesse as esperanças. Para evitar esse desastre, se esticou sobre a mesa e pegou um pequeno caderno de capa grossa com suas iniciais na capa, observou a mesma e passava os dedos quentes sobre as letras em alto relevo.

Abriu a primeira página e encontrou aquela dedicatória para si, a bela caligrafia com um recado romântico e promessas de amor que haviam feito alguns anos atrás. Sentiu as lágrimas escorrerem em seu rosto, desviando o olhar para o corpo que descansava. Soltando uma risada inalada pelo fracasso em não chorar, umedeceu os lábios.

- Quando acordar... Ainda vai me amar?

❄ ❄

Mais um dia de aula se iniciava e ainda seria uma avaliação. Kyung Soo tentava se acalmar e estalava os dedos das mãos para compensar seu nervosismo, ajeitava seu material á sua frente diversas vezes assim como posicionava a tela branca no cavalete como uma distração. Fazia alguns minutos que o professor saíra da sala para procurar um modelo para posar aos estudantes em sua primeira prova, e Kyung Soo queria que tudo saísse perfeito para tirar uma bela nota.

Logo se ajeitava na cadeira e observava o professor de meia idade adentrar na sala junto á um rapaz de outro curso, os murmúrios começavam novamente e o mais baixo apenas sentia aquele cheiro sem acreditar na tamanha coincidência. Jong In havia entrado na sala com um sorriso cordial no rosto, tirou do boné e a camisa social branca fazendo com que seu cheiro voasse com o vento se espalhando por todo canto do recinto. O ômega simplesmente respirou do ar e suspirava baixo sentindo suas bochechas avermelharem com a reação corporal, sentia novamente o desejo de se pendurar em seus ombros e inalar mais do seu perfume.

- Quero que façam o melhor que puderem, mas a pintura será preta e branca por isso usem bem de seus materiais e sem empréstimos. Caso precisem de algo me chamem que irei...

Não interessava muito que o mestre dizia diante da turma, Jong In se quer olhava para o menor mesmo sentindo que ele lhe observava atentamente. Fora por isso que atendeu ao pedido do professor depois de perguntar a turma da qual a prova seria aplicada, para que aquele garoto pudesse observar de si e reparar em sua perfeição e assim um passo fosse dado á vitória. E tudo ocorreria de tal forma, já que Kyung Soo observava o abdômen do moreno e tentava se acalmar, era a primeira vez que via alguém sem camisa onde poderia deixá-lo envergonhado.

Jong In se posicionou no espaço ao centro da sala e ficara em uma pose confortável para si, um pequeno estofado bege lhe fora disponibilizado junto com almofadas. Ajeitando os cabelos com seus finos dedos apoiou as costas no encosto do estofado, deixou o braço direito sobre a cabeça e o braço esquerdo abraçava uma almofada levemente decorada. Os lábios ficavam entreabertos e os olhos sedutores semicerrados com o olhar fixo no ômega á sua frente. As pernas sutilmente flexionadas e os pés descalços encostados no chão gélido da sala deixava-o totalmente provocante, arrancando suspiros das ômegas.

A prova se iniciava.

Kyung Soo pegou de seu lápis e observava o alfa á sua frente, corou violentamente quando encontrou com seu olhar e repetia mentalmente sobre aquilo ser apenas uma avaliação. Pigarreou baixo e voltou a se concentrar passando a rabiscar suavemente a tela montando o esboço do corpo do moreno. Voltava a olhar atentamente a posição de Jong In e então apagava o esboço voltando a ilustrar tentando ficar mais próximo do real. Teria toda o dia para poder desenhar e tentava manter a imagem do modelo apenas em sua mente para evitar a voltar olhar o alfa. Mas era impossível já que havia tantos detalhes a serem preenchidos.

Começou a contornar o corpo, retornou a observar Jong In passando os olhos por seus braços, os bíceps eram largos e fortes deixando sua musculatura bem á vista, porém condizia ao seu corpo magro. Umedecendo os lábios passava o lápis mais forte na tela e se concentrava em desenhar aquele alfa, passava os olhos por seu abdômen liso e magro que lhe arrepiava e fazia morder mais forte de seus lábios.

Suas reações eram incomodas para si mesmo, mas para Jong In era sua diversão no momento.

Notava o modo como o menor se concentrava diante da tela, o movimento que fazia com o lápis eram suaves e gentis sem nenhuma pressa. Descia o olhar por seu corpo e percebeu que ele jogava o peso para sua mão entre as pernas, permitindo seu corpo inclinar para frente, os pés não tocavam o chão e assim visualizava o corpo do garoto. Parecia ser algo de outro mundo, parecia na verdade que estava ficando mais interessado do que imaginava. E isso piorou quando reparou seus lábios, carne farta que era umedecida pela língua rosada, observava aquilo e espreitava os olhos se sentindo seduzido por aquele gesto tão inconsciente e ao mesmo tempo sensual.

Mais uma vez sentia vontade de beijar aqueles lábios.

A cada hora que se passava mais Kyung Soo se perdia nas curvas sutis do corpo de Jong In, e isso lhe deixava nervoso já que a todo instante reparava em algo novo e apagava o esboço para refazer o desenho. Forçava a ponta do lápis para fazer do contorno dos olhos, olhava suas pupilas levemente dilatadas miradas para si, sentindo suas bochechas ruborizarem mais uma vez. Retribuía do olhar quando vira aquele brilho em especial e o perfume do seu corpo mais uma vez o entorpecia, a janela aberta permitia o vento gélido correr pela sala silenciosa e fazer com que o perfume de Jong In chegasse ao calouro.

Jong In sorria sutilmente quando percebeu... através da troca de olhares ele finalmente conseguiu chamar sua atenção por completo.

O moreno piscou lentamente fazendo o calouro despertar dos pensamentos e voltar a olhar para a tela com a respiração descompassada. Dessa vez conseguia ter em sua mente a fisionomia de Jong In e com isso passava a desenhar mais depressa que conseguia, os rabiscos se tornavam mais reais a cada detalhe adicionado, e no final das contas tudo parecia ser mais belo do que esperava. O professor que passava por entre os estudantes parou atrás de Kyung Soo e se surpreendeu com o trabalho do aluno, que aplicava técnicas que ainda não foram ensinadas.

Simplesmente deixava tudo belo com o sombreado feito no desenho, a sensação de uma luz mesmo sem que a origem da mesma fosse desenhada dava um toque final á sua obra. E assim que finalizou com os detalhes dos cabelos descoloridos, Kyung Soo soltou o ar preso em seus pulmões e observara a tela por inteiro, sorriu satisfeito e então retornou a olhar para o alfa que alargava o sorriso para si.

Uma conexão havia nascido naquela manhã nublada.

❄ 

Já estaria pronto para começar o trabalho naquela sexta feira, depois do nervosismo por conta da avaliação se quer havia almoçado e apenas corria pelas ruas da pequena cidade para chegar o quanto antes em seu trabalho. Se tivesse ido ao refeitório poderia encontrar aquele olhar novamente, e se perder em pensamentos como se estivesse sido capturado pelo moreno.

Se quer havia esperado seu colega de quarto, apenas enviou uma mensagem para o mais velho e correra pela estrada de pedras brancas até o portão do campus. Queria o quanto antes chegar em Saturnus para se sentir aliviado e poder distrair com o trabalho. Sua memória era traiçoeira junto com seus pensamentos, era como uma reprise dos melhores momentos daquela manhã. Ainda se perguntava do motivo de Jong In estar em sua sala de aula e ainda mais o olhando daquela maneira, se sentindo ansioso seu estomago revirava e aquilo o deixava apreensivo sem saber do que deveria fazer.

Não sabia o motivo de ter se perdido no corpo do moreno.

Apressando os passos cruzava as ruas olhando em volta tentando pensar em qualquer outra coisa, em um primeiro momento começou a repassar as datas marcantes para a arte, o nome dos principais pintores com suas famosas pinturas. Assustou-se em ouvir uma buzina, em reflexo olhou para a origem do som percebendo estar no meio da rua com um carro vindo em sua direção, sentindo puxar de sua cintura seu corpo fora de encontro com algo quente junto com um aroma suave e delicado, talvez um que se assemelhasse com a mistura de amêndoas e aveia.

- Tome cuidado, por que está tão distraído?

Min Seok apertava a cintura do menor contra si o ajudando a ficar equilibrado, o calouro ajeitou as roupas tendo o rosto avermelhado e curvando-se em pedindo desculpas. Coçava a cabeça e fazia careta enquanto resmungava por seu descuido, ocasionando uma risada baixa por parte do mais velho que gostava ainda mais do menor.

- Vamos juntos? Ou está esperando alguém?

- Vamos, não quero te atrasar para o turno.

- Vou sobreviver.

Os dois rapazes passaram a caminhar para o bar enquanto conversavam, certo alivio para Kyung Soo que não queria mais pensar em um determinado rapaz popular. O DJ era animado e tinha muitas histórias a serem contadas, como suas aventuras na época de escola e até mesmo o seu primeiro cio, que para si fora um desastre total. O calouro ria das expressões que o mais velho fazia, fazendo breves comentários enquanto o ouvia atentamente.

Após terem chego ao bar e trocado de suas roupas, os dois novos amigos começaram a cuidar de algumas bebidas, já havia se passado uma semana e agora um novo menu de drinks havia sido criado sendo necessário um aprendizado para Kyung Soo. Tinha ficado concentrado demasiadamente em aprender a fazer os drinks que se quer notou a hora passar, o dia em si passava ligeiramente, estranhou o andar do pai do veterano de um lado para o outro enquanto olhava o relógio.

Deixando a coqueteleira no balcão olhou em volta percebendo que seu colega de quarto não havia chego no bar, pegou do celular olhando a tela notando nenhuma mensagem do mais velho para si. O que teria acontecido para que demorasse tanto? Os minutos avançavam e não poderia mais ficar parado esperando por noticias, sem falar que Min Seok precisava operar a aparelhagem do som para a noite, encurtando o tempo para ensinar o mais novo sobre as bebidas.

A porta dos funcionários fora aberta vários passos ecoavam pelo salão vazio, Donghae corria atravessando a pista de dança e falava alguma coisa que Kyung Soo não conseguira ouvir. Apenas farejou o ar e reconheceu o cheiro de Luhan e de Sehun, porém havia mais dois cheiros que para si despertavam uma nostalgia. Um primeiro aroma doce e floral como jasmim e baunilha juntos lhe despertava um sentimento doce de bondade, o segundo aroma era intenso e marcante como café e cacau, despertando em si doces lembranças. Ambos os perfumes doces como...seus pais.

Erguendo a cabeça observou a porta sentindo o coração falhar em uma batida, assim como as fragrâncias que havia sentido recordava de seus pais, havia acertado sobre essa relação. Na porta ao lado de Sehun e Luhan, Yi Xing e Jun Myeon estavam parados olhando para o filho que usava um uniforme retro atrás de um balcão. O casal apertara das mãos entrelaçadas e piscavam lentamente, o delta soltou a mão do esposo e correu para perto do filho, que por sua vez observava ainda atônito.

- Filho!

Kyung Soo piscou e saiu de trás do balcão indo á encontro de seu progenitor, sentindo os braços fortes do mesmo cercar-lhe o corpo em um abraço apertado. Soltou uma risada baixa e retribuía do abraço na mesma intensidade, afundando o rosto no pescoço do mais velho se sentindo em casa finalmente. Não que estando ali ele não se sentia bem, mas estar perto de seus pais trazia novamente a sensação de proteção e amor.

Jun Myeon aproximou-se lentamente e abraçou o filho junto ao marido, suspirou aliviado em ver que o pequeno garoto estava bem e a salvo. Passara a semana inteira ansiando pelo final de semana para poder viajar ao campus e rever o filho, e até mesmo planejaram chegar um dia antes do combinado para poder surpreendê-lo. Mas o casal é que ficaram surpreso ao chegar no dormitório e não encontra-lo, apenas depararam-se com seu colega de quarto.

- É... como ficaram sabendo?

- Desculpa saeng – Luhan tomou a frente coçando a nuca envergonhado, Sehun se manteve atrás com os braços cruzados deixando um sorriso divertido em sua face – Eles entraram no quarto e fizeram tantas perguntas que eu tive que responder... Tipo assim todas.

- Todas? – Kyung Soo inclinava a cabeça confuso e olhou para o pai que bufava enquanto cruzava os braços, logo lembrou-se que o colega havia passado pelo cio algumas semanas antes e logo cobriu o rosto com as duas mãos. – Que vergonha.

- Não se preocupe, acho que no final das contas tudo se resolve com uma boa conversa – Sehun abraçava o namorado e sorria para o mesmo.

- Mas afinal – Donghae olhava para o delta e abriu um sorriso largo, desviou o olhar para o alfa que abraçava possessivamente o marido. Recordando-se das palavras de seu filho sentiu o cheiro e então olhou para Kyung Soo. Aqueles três precisariam de ajuda no momento, e agora via seu filho sorrindo como jamais sorrira alguns anos atrás. Sendo assim sorriu carinhosamente para o garoto de pele leitosa – Onde eles vão ficar durante o final de semana?

- Ah... esqueci – O menor deixava um tapa em sua testa enquanto resmungava para si mesmo – Fiquei tão apavorado com as primeiras provas que esqueci de pesquisar.

- Sendo assim ficarei feliz em recebê-los em minha casa.

Donghae juntava as mãos e sorriu com o casal que aceitara do convite. Era a primeira vez que receberia visitas em sua casa, sem falar que queria muito conhecê-los assim como suas histórias.

- Omma vamos deixá-los a vontade até o bar abrir, enquanto isso prepara alguma coisa pra gente comer.

Luhan fazia bico e puxava a blusa do pai que ria e levando o pequeno casal para longe da outra família, fez sinal com a cabeça para que Min Seok os acompanhassem para assim dar total privacidade ao grupo familiar. Deixando o bar passaram pelo balcão entrando no quarto dos funcionários que daria acesso á casa principal.

Enquanto isso Kyung Soo guiou os pais até as cadeiras para ficarem mais acomodados. Mordia o lábio inferior segurando firmemente de seus dedos, sentou-se em frente dos mais velhos e suspirando baixando a cabeça sentindo uma pequena ponta de vergonha. Yi Xing levou a cadeira até o lado do filho e voltava a abraçá-lo, sendo imitado pelo marido.

- Ficamos preocupados – O alfa se afastou do abraço olhando o filho dos pés á cabeça, ajeitava suas roupas e cabelos sorrindo largo em sentir o cheiro de seu perfume no garoto. – Por que não nos contou que estava trabalhando?

- Pensei que iriam ficar bravos – O menor mexia na barra da blusa mantendo o rosto abaixado sentindo o rubor tomar-lhe a face, fazendo de um bico nos lábios deixando o progenitor ainda mais saudoso do pequeno, o abraçando novamente.

- Sabe que pode nos contar tudo meu pequeno – Yi Xing olhou o filho e sorriu carinhosamente – Já é um rapaz, logo não vai mais precisar de nós.

O delta tinha a pericia em acalmar as pessoas em sua volta com o seu sorrio carinhoso, tal forma que sempre deixava o marido abobado por si, principalmente em seus primeiros dias. Os dias em que ficava preso na cápsula e era observado por cientistas que o furava com agulhas e desenhavam em sua pele, fazendo testes todos os dias como um rato preso em sua gaiola. Ter Jun Myeon interessado em si e confiante em tirá-lo daquele horrendo lugar foi uma de suas bênçãos.

Em um primeiro momento jamais acreditou que aquilo poderia ocorrer. Alguém se interessar por si além dos motivos científicos, viveu seus vinte e cinco anos preso dentro daquele laboratório sem saber o que era sol, apenas vendo gráficos e ouvindo barulhos de máquinas. Aquele alfa que era apenas um aprendiz dos científicos passou a se interessar pelo delta, de inicio por sua beleza que deixava-lhe totalmente bobo e então por seu brilho nos olhos. Demorou um tempo para poder ver o sorriso dele, e no mesmo instante se apaixonou por aquele ser confinado.

O amor deixa as pessoas fazerem loucuras, Jun Myeon conversava com o delta sem receber respostas do mesmo e depois daquele singelo sorriso prometeu-lhe tirar daquele lugar. Quando o fez não se arrependeu, aquele sorriso havia ganhado mais brilho e vida, enchendo seu peito de amor. Assim como seu primeiro beijo e primeira vez, onde o nó fora feito deixando-os mais próximos.

Agora que viviam tão bem precisavam cuidar daquele ser que era precioso para eles, aquele garoto que era a joia e a fraqueza do casal.

- Mas – Kyung Soo engolira em seco e olhou para os pais, soltou o ar preso em seus pulmões tomando coragem para iniciar da conversa – Vivendo aqui eu acabei por aprender algumas coisas...

- Que coisas? – Jun Myeon se ajeitava na cadeira já sentindo o incomodo que aquele assunto poderia ser, tentava manter a fisionomia calma mesmo que sua vontade fosse de sair correndo a procura de uma maquina do tempo, para poder voltar para o mês anterior evitando a saída do filho para a faculdade.

- Sabe... eu disse que sinto cheiros diferentes, e as pessoas dizem o mesmo sobre mim sempre me perguntando sobre o perfume. Luhan hyung e o Sehun hyung me disseram sobre betas e alfas tudo mais... Por que eu não sabia que isso era real?

Yi Xing e Jun Myeon se entreolhavam surpresos, quando o filho dissera sobre entrar naquela universidade já sabiam que toda sua proteção e zelo viriam a cair com o tempo. O garoto teria contato com a realidade e eles não poderiam lhe proteger do jeito que gostariam, suas mentes ficariam ocupadas pensando em algo irreal que poderia ocorrer com o menino. Soltando de um suspiro Jun Myeon olhou para o filho e sorriu da melhor forma que poderia, entrelaçou seus dedos nos cabelos negros do menino que mantinha os olhos grandes e curiosos sobre si.

- Omma e Appa passaram por situações difíceis, e não queremos que isso se repita.

- Mas o que tem haver?

- Meu filho – Yi Xing segurou as mãos de Kyung Soo e olhou-lhe nos olhos – Acredite em nós, esse mundo é muito assustador para... mim. Perdoe-me por tudo isso hum? A-Apenas vamos...

O delta tinha as mãos trêmulas e os olhos começaram a marejavar, as memórias de seus primeiros anos de vida repassavam em sua mente deixando á tona as dores que tinham sido, duramente, escondidas. Jun Myeon sentia em si um aperto no peito, estava pressentindo seu marido se sentir angustiado. Segurou de suas mãos e manteve o olhar duro sobre o mesmo fazendo-o desviar os olhos para si.

- Xing! Chega.

A troca de olhares entre o casal parecia ser uma conversa por telepatia, Kyung Soo observava curioso ainda mantendo os dedos frágeis sobre os do progenitor. Por alguns segundos seguiu-se daquele silencio como uma cena congelada de um filme, assim que as respirações voltavam ao normal, Yi Xing voltou a sorrir docemente e a olhar para o filho.

- Preciso descansar um pouco. Gostaria de pedir que dormíssemos nós três... Juntos.

- T-Tudo bem omma, acho que eles estão atrás da porta dos funcionários.

Kyung Soo apontava para o progenitor onde deveria entrar, o delta se levantou da cadeira e seguiu o caminho indicado tendo os olhares sobre si. Toda vez que se recordava daquele lugar eram as mesmas reações... o medo era o principal componente para deixar aquele belo rapaz em estado de pavor. E para poder acalmá-lo só sentindo a segurança e o amor de sua família.

Jun Myeon voltava a olhar o filho e coçava a nuca sem saber o que deveria dizer, agora que ele conhecia toda a história dos híbridos sua curiosidade cresceria como uma árvore, gerando mais perguntas que nunca imaginou responder. Encostou-se na cadeira pousando a perna direita sobre a esquerda e cruzou os braços.

- Eu e Yi Xing vivemos algo diferente há alguns anos atrás – Começou o mais velho ganhando a atenção do filho, o mesmo se ajeitava na cadeira balançando as pernas enquanto se preparava para ouvir tudo com atenção. – Não me orgulho muito disso, na verdade penso que sou horrível, mas se não fosse por isso eu nunca conheceria ele.

- O que houve?

- Eu trabalhava com estagiário em um laboratório na capital. Ajudava vários médicos e físicos tudo quanto era profissional, e eles estavam estudando os híbridos. Por mais que não exista humanos, eles simplesmente queriam compreender mais sobre os híbridos e até mesmo criar uma nova raça. – Parou e olhou o menor que se segurava na cadeira inclinando o corpo para frente, soltou uma risada inalada e umedeceu os lábios para dar continuidade – Não sabia o que eles faziam exatamente, apenas fazia do serviço que me foi dado. Mas um dia eu tive que entrar no laboratório para pegar alguns relatórios que um médico havia esquecido, e simplesmente...

Como era doloroso relembrar daquele dia, não sabia se sentiria alegria ou ódio de si mesmo por ter tal destino. Kyung Soo segurou a mão do pai e sorrira carinhosamente para o mesmo, tal sorriso idêntico ao do delta. O alfa desabou com aquilo e puxou a cria para mais perto de si voltando a abraçá-lo. Parecia que as dores sempre diminuíam quando se estava com alguém que ama, é como se o amor, mesmo que fraterno, curasse qualquer machucado. Os dois ficaram abraçados até que o alfa se sentiu seguro novamente, sempre prestando atenção em sua reação corporal para o caso do delta, mesmo longe, se sentir em mau estado.

- Quando entrei no laboratório vi o seu pai preso dentro de uma cápsula. Ele estava nu e com grandes marcas roxas em sua pele causadas pelas agulhas. Estava encolhido de cabeça baixa, e quando percebeu que eu havia entrado na sala ele me olhava com medo... não, era pavor.

Kyung Soo ouvia atentamente as palavras do pai, agora que pensava era a primeira vez que ouvia a história sobre como o casal havia se conhecido. E aquilo era diferente do que teria imaginado, não havia romance ali, nada como risadas bobas em encontros e fogos de artifício em um evento importante onde seria o primeiro beijo. Era daquela forma que fantasiava as coisas entre seus pais, algo doce que lhe despertava a inveja.

- Depois desse dia pedi muito para que pudesse trabalhar naquela sala, e quando consegui ia me aproximando aos poucos. Até mesmo ficava até tarde da noite conversando com ele. Mas nada, apenas medo e silencio. Ele se quer comia o que eu lhe dava, aquilo me magoava e muito.

- Então fugiu com ele? – Presumiu o menor vendo o pai assentir abrindo um sorriso no rosto.

- Um dia eu fiquei preso naquela sala, um médico me esqueceu lá dentro – Ria o alfa ajeitando os fios de seu cabelos que caíam sobre o olho – E eu estava gripado, acabei ficando encolhido em um canto, e o Xing me olhava atento como se preparado para qualquer movimento brusco meu. E então fiquei olhando ele de volta, quando dei por mim eu estava de frente á capsula tocando no vidro.

- Uma troca de olhares pode ser tão poderoso assim Appa? – A voz do menor soava baixa, e tudo o que o mais velho fez foi assentir e voltar a encarar o teto. Não conseguia ver o rosto de seu filho e voltar ao passado para lhe contar... sentia vergonha.

- É o começo, você olha a pessoa e a conexão começa, e então fica fácil de se aproximar. – O alfa se levantou e olhou para o filho esticando a mão, sentia que uma cama estava a sua espera e também ansiava por isso já que poderia finalmente relaxar naquela noite. Kyung Soo segurou a mão do pai e ambos seguiam caminho para a casa do veterano. – De qualquer forma eu estava doente e ele meio que se aproximou mais de mim, e então as coisas foram facilitando até o dia em que eu simplesmente quebrei o vidro e tirei ele de lá.

- Mas disse que não se orgulhava... isso não parece algo errado Appa.

- O que não me orgulha foi de manter alguém preso apenas para estudar seu funcionamento filho. Poxa olha como estamos agora, seu pai parece tão feliz desse jeito, ele deveria estar feliz desse jeito desde o dia em que nasceu e não viver preso como um bicho. – Seguindo o filho pelo bar e atravessando o pequeno cômodo onde havia os armários, o alfa observava tudo em sua volta em uma análise profunda. – Claro que depois disso tivemos que fugir para várias cidades, e fomos encontrados algumas vezes.

- Por que?

- Eu sou fraco e tentei proteger Xing que é duas vezes mais alto que eu – O mais velho soltava uma risada abafada ao recordar da cena – Apanhamos muito, sem falar que ficamos presos por dias e novamente eu dava um jeito de fugir. No dia em que chegamos á Mugogi senti um alivio tão grande em sermos recebidos, e então nos disseram para vivermos ali e esquecermos o mundo lá fora. Foi o que fizemos.

- Mas Appa – O menor parou em frente á porta preta enquanto girava a maçaneta, olhou para o mais velho que parecia ter bolsas escuras abaixo dos olhos, era o sinal de noites mal dormidas – Por que omma estava em uma cápsula.

- Lembra quando era pequeno e você nos perguntou sobre os deltas e os gamas? – Kyung Soo assentira ao relembrar do dia em que fizera dever de casa junto aos seus pais, ele não havia entendido a matéria em sala e pediu, de forma manhosa, para os pais lhe ajudarem. – Disse naquele dia que eles eram tão raros quantos os alfas puro sangue,

- Uhm.. me lembro disso.

- Pois então, eu sou um alfa puro sangue e Xing é um delta legitimo.

Kyung Soo arregalava os olhos totalmente surpreso com a afirmação, piscou algumas vezes e fechou a boca, quando percebeu que a mesma estava entreaberta. Abrindo a porta soltou o ar dos pulmões dera um passo á frente e então voltou a olhar o pai por cima dos ombros, Jun Myeon o olhava tristemente e esboçou um meio sorriso como se pedisse desculpas de uma forma silenciosa.

- Isso me torna.. o quê?

- Um ômega, do tipo raro e incomum. Nossa família é rara.

Assentiu e voltou a caminhar pelo corredor claro sendo seguido pelo alfa. A casa do veterano era clara e cheia de pinturas assinadas por Luhan, os dois chegaram á uma sala onde todos estavam reunidos conversando. O alfa soltou um suspiro aliviado em notar o sorriso de seu delta enquanto conversava com Donghae animadamente, seria aquela uma nova forma de curar a angustia do passado? Talvez a vinda do filho para Nam-og não fosse repleta de momentos ruins, ali eles estavam fazendo amizade com pessoas de confiança. Claro que em Mugogi haviam seus vizinhos e amigos que traziam da mesma confiança e amizade, mas ali eles não precisavam omitir mais nada, nem de seu filho.

Donghae estava contente tanto quanto o filho em ter visitas, olhou para o mesmo que conversava com Kyung Soo animado e mostrava para si os quadros que havia feito em provas. O seu marido, HyukJae conversava com Jun Myeon sobre a cidade acalmando o casal visitante sobre os perigos que poderiam vir, assim como acalmando sobre o trabalho do filho no bar.

Min Seok logo chamou a atenção de todos para o horário do bar, Kyung Soo selou o rosto de seus pais e então correu para trabalhar junto aos amigos, o casal preferiu permanecerem dentro da casa para evitar confusão por conta de seus cheiros. Sendo assim Donghae deixou um jantar preparado para eles, que comeram deliciosamente.

❄ 

Jong In se deitava na cama depois de um dia inteiro de aulas, após servir de modelo para os estudantes de artes teve que repor as aulas perdidas naquela manhã. Sorriu quando se recordou da troca de olhares que ocorrera naquela manhã, e ousou rir animado com a conexão feita com o calouro. Agora tudo o que precisava era se aproximar dele e deixá-lo confortável consigo.

Mas tinha um pequeno problema, e ele era alfa também. Olhando para o relógio imaginou que o garoto pudesse estar no bar trabalhando junto com o colega de quarto, sendo assim estaria perto daquele DJ alfa, que lhe cercava sem deixa-lo sozinho. Rosnou em imaginar o que poderia estar ocorrendo naquele momento, teria de deixar aquele alfa longe do ômega já que este estava mais próximo e tinha total confiança do calouro.

Para Jong In aquilo era desvantagem.

❄ 

Duas horas da manhã e Kyung Soo se banhava para poder vestir a camisa larga de seu progenitor, se soubesse que dormiria na casa de seu amigo teria trazido algumas peças para não precisar emprestar. Passando o sabonete em seu corpo atentou-se em sentir de seu próprio cheiro, mas o aroma do sabão era mais intenso em sua pele o que lhe deixou soltar uma risada abafada. Desligou o registro e se enrolou na toalha para se secar, pegou a boxer nova emprestada de seu amigo e a vestiu fazendo o mesmo com a camisa preta de Yi Xing.

Saiu do banheiro foi ao quarto de hospedes onde seus pais já estavam dormindo calmamente, os dois deitados de frente para o outro onde havia um espaço em seu meio. Kyung Soo sorriu com aquilo e em passos lentos fora até a cama, apagou as luzes e subiu no colchão engatinhando até os dois e se ajeitava naquele espaço. Segurou a mão dos dois entrelaçando seus dedos e então fora abraçado pelos mesmos que selavam sua bochecha rosada.

- Obrigado – Sussurrava o garoto da pele leitosa, apertando a mão do casal. – vocês são especiais para mim também, eu os amo muito.

Não seria necessária uma luz naquele cômodo para ver o sorriso abobado e os olhos marejados dos dois mais velho, apertando as mãos entrelaçadas e do abraço, os três híbridos dormiam juntos depois de um mês longe um do outro. Dessa vez com o calor e amor da família que era rara e valiosa.

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