{OGO} Capitulo 2

Fanfic / Fanfiction O Garoto Ômega - Capítulo 3 - Capitulo II

O homem saiu de seu carro após estacioná-lo na vaga de sempre, olhou para o céu vendo o dia nublado lhe deixar mais ansioso por cada passo que dava nas pedras escuras. Caminhou para dentro da casa esbranquiçada enquanto olhava em volta suspirando baixo em encontrar os barulhos costumeiros da máquina, seria aquilo um sinal de que nada havia mudado desde a ultima vez que estivera ali? Abriu a porta e encontrou o alfa e o delta olharem para a cápsula com os braços cruzados, deveria ter deixar um pequeno aviso para que não ultrapassem o tempo estipulado para visitas, mas no final das contas era culpa sua por eles estarem tão saudosos assim, eles mereciam aquela atenção especial diante da capsula.

Soltando um segundo suspiro o rapaz ajeitou os cabelos e então se direcionou a eles tentando dar o melhor sorriso.

❄ ❄

Entrava em sua sala de aula depois de se despedir de Luhan, olhou em volta ganhando os olhares curiosos dos alunos que já estavam sentados em seus devidos lugares. Encolheu os ombros baixando um pouco da cabeça, caminhou para a fileira da janela olhando as carteiras que tinha um adesivo com os nomes dos alunos, parecia algo do colegial, entretanto facilitou seu trabalho de evitar confusão por se sentar em um lugar onde poderia pertencer á alguém. Sendo assim se sentou na penúltima carteira disponível.

Colocou a mochila sobre a mesa tirando o celular de um dos bolsos, olhou as mensagens que seus pais haviam mandando para si na noite anterior, uma pena ter ido dormir sem responder. Sorriu saudoso com a foto de seus pais, eles haviam tirado mostrando que teriam chego em casa, mas Kyung Soo estava com seus amigos andando pelo dormitório que se quer sentiu o celular vibrar em seu bolso. Digitou rapidamente um mensagem contando sobre o ocorrido daquela manhã, apesar de não se importar muito admitiu que aquilo mexeu com sua curiosidade.

(...) O que achei mais estranho foi o meu colega ter dito sobre meu cheiro, será que me acostumei tanto ao perfume que se quer sei se ele é forte?

Guardou o celular pensando ser cedo demais para que seus pais visualizassem a mensagem, porém se assustou com o vibrar do aparelho sobre a mesa.

“É a inveja de você por ter um pai que faz um perfume mega cheiroso e exclusivo para ti”

Soltando uma risada baixa, KyungSoo apenas digitava uma resposta e logo voltava a guardar o aparelho na mochila quando o professor se fez presente. Apenas se apresentou ao mentor e o mesmo não fez nenhuma menção em lhe chamar para falar diante da turma, o que deixou o mais baixo aliviado já que não gostava de tamanha atenção sobre si. Abriu seu caderno e começou a copiar a matéria, por mais que queria ir para a ação e pintar quadros, era necessário compreender a história da arte em seus diversos aspectos. Talvez isso lhe trouxesse uma criatividade maior mais adiante.

Enquanto o menor assistir sua aula, um grupo de estudantes passava pelo pátio da universidade indo em direção ao laboratório, onde iriam ter suas aulas práticas. O grupo de garotos que gostavam de andar juntos estavam separados naquele momento, apenas Sehun e seu amigo de cabelos descoloridos permaneciam no mesmo curso, fora ai que fizeram amizade no primeiro ano da faculdade. Os dois sentindo o cheiro peculiar do outro, tendo de fazer trabalhos juntos e então as coincidências surgiram nas primeiras conversas. Se davam bem e raramente discutiam, ao contrário dos dois outros amigos que tinham uma atmosfera agitada, Sehun transmitia paz e sagacidade, e até mesmo um toque de sinceridade.

Sehun caminhava com as mãos no bolso com sua tranquilidade sem demonstrar interesse com o mundo afora, já seu colega de cabelos descoloridos parecia pensativo e até mordia os lábios em uma leve frustração. Não queria ver aula, estava avoado demais para permanecer ali, mas tinha que manter suas notas para que os demais alunos mantivessem o interesse em si, gostava tanto daquela atenção que recebia. Coçava o cabelo e resmungava passando a olhar para o amigo calado, o puxou antes que adentrassem na sala e lhe olhou de forma curiosa.

- Quem era ele?

- Quem? – Sehun logo abriu um sorriso de lado e então o seu interesse aumentava. – Ah o aluno novo?

- É, quem é ele? – O loiro alfa suspirava impaciente, por que raios se intrigou com aquele ômega? – Ele é tão...

- Normal? – Sehun bagunçou os cabelos do amigo que rosnava para si.

- Ele não tem nada demais, só que...

- Ele é interessante – Sehun movia a cabeça concordando.

O loiro olhou para o amigo surpreso, era a primeira vez que o via demonstrar importância á alguém, durante os três anos e meio que estava ali era a primeira vez que via o interesse. Aquilo lhe deixou com um nervosismo desconhecido no estomago, seria aquilo o resultado de não ter tomado café da manhã? Depois que havia percebido a presença daquele garoto novo, mal conseguira comer direito o que lhe deixou frustrado saindo rapidamente da cafeteria.

- Quer saber? Que se dane.

Os dois garotos entraram na sala de aula e passaram o restante da manhã acompanhando o professor e sua aula. Ou pelo menos tentaria manter o foco ali.

❄ 

O sinal bateu dando indicio do almoço, Luhan esperava pelo novo amigo temendo que o mesmo pudesse se perder, preferindo assim sair de aula alguns minutos antes. Mantinha-se em frente á sua sala e sorriu quando os alunos saíram, procurou pelo calouro de cabelos negros e pele leitosa logo puxando Kyung Soo que rira baixo e aliviado em encontrar o amigo.

- Como foi? – Luhan perguntava enquanto caminhava pelos corredores. Seus passos eram apressados, junto aos demais estudantes que se dirigiam ao refeitório.

- Normal, sem apresentações.

- Que alivio.

Os meninos se direcionavam para o refeitório, o problema era que o mesmo estava completamente cheio. Kyung Soo suspirou e acabou entrando na fila para poder comprar algo, enquanto isso olhou em sua carteira e percebeu que o dinheiro estava acabando. Teria o suficiente para a refeição, mas as futuras nem teria mais. Sem falar que tinha vergonha de pedir dinheiro para os pais, os mesmos poderiam pensar mil e uma coisas sem nenhuma conexão com a realidade como que algum valentão tivesse lhe roubado.

- Hyung – Sussurrava o menor ao pensar na ideia que tivera. Mordia levemente o lábio inferior olhando seu amigo sentindo uma ponta de vergonha, deixando seu rosto com uma coloração vermelha – Aqui os alunos podem trabalhar?

- Claro que podem – Luhan sorria largo e então se virou para o amigo, segurou em suas mãos sorrindo animado – Precisa de emprego?

- Bom... meu dinheiro está acabando. – O menor coçava os cabelos ainda sentindo o rubor em suas bochechas leitosas. Luhan apenas ria e andava na fila junto ao amigo.

- Eu posso te apresentar lá no meu trabalho. – Luhan comentara em baixo tom de voz. – Só que pode ser meio estranho para você.

A risada baixa de Luhan deixara Kyung Soo um pouco curioso á respeito do emprego, seria muito melhor se conseguisse no mesmo lugar que seu colega de quarto assim não ficaria sozinho em um ambiente desconhecido. De qualquer forma precisava trabalhar para ter seu dinheiro, com certeza aquilo seria omitido de seus pais já que os mesmos iriam preferir mandar dinheiro a ele, o que geraria em uma carga horária maior no trabalho. O casal já tinha feito demais por seu filho, e o mesmo queria que eles descansassem e tivessem tempo apenas para si mesmos, quantas vezes se sentiu levemente culpado por seu pai ter sido negado sexualmente diante de sua presença? Apesar que entre quatro paredes os dois pareciam sanar suas necessidades, mesmo assim diante de si nada faziam.

Agora eles poderiam aproveitar mais do casamento, iriam se preocupar menos com o menor por estar em um dormitório cheio de regras. Sendo assim não seria benéfico que fosse a procura do primeiro emprego? Era isso um de seus princípios, explorar o mundo afora de sua cidade iria ter o preço de uma estalagem. Apesar de na universidade poder ter um toque da realidade, desejava saber mais. Qual era a arte que o mundo iria lhe apresentar?

Os meninos pegaram o almoço e então começaram a caminhar pelo refeitório á procura de uma mesa para se sentarem, enquanto caminhavam passaram pela mesa com o grupo de amigos que conversavam de forma animada e em bom som. Luhan olhara para o alfa que namorava, e sorriram um para o outro sem que ninguém os percebessem, se quer Kyung Soo notava que o outro amigo estaria ali, já que mais uma vez se sentia observado por outro alfa de cabelos descoloridos, Pela segunda vez naquele dia eles trocavam olhares, não sabia o real motivo daquele alfa lhe chamar atenção até sentir um perfume forte e sutilmente doce, aquilo eriçou os pelos do braço do menor fazendo com que farejasse o ar á procura da origem daquele perfume. Aquele ato fora bem reparado pelo outro alfa.

Luhan percebera a demora do amigo e tratou de lhe puxar para sentarem na mesa atrás dos garotos. O ômega suspirou baixo e olhou para o namorado, que observava seu colega de classe. Era uma teia de troca de olhares, sem que ninguém dissesse algo. Kyung Soo fora desperto de seus pensamentos assim que um pedaço de pizza passava sobre seus olhos, Luhan rira com o desvio de atenção de seu calouro, e então lhe entregou a comida.

- Está perdido em pensamentos?

- Apenas... senti um perfume muito bom. – Kyung Soo mordia o queijo puxando do mesmo agora sem interesse em olhar para a mesa da frente.

- Hum, vai dizer que se apaixonou por Jong In?

- Hyung – Kyung Soo olhava o maior enquanto comia, cobrindo educadamente de sua boca. Não queria entrar em detalhes sobre o garoto do perfume, seria cedo demais conversar sobre o amor, um assunto tão complicado quanto se podia imaginar. – O trabalho.

- Ah sim – Luhan olhava para o celular e então se endireitou na cadeira aproximando-se do menor. – Eu trabalho como garçom em uma boate gay.

- Gay? – Kyung Soo engasgara com o suco de amora, o seu veterano ria baixo entregando papéis toalha para limpar os lábios do menor – E... como é?

- Não me visto como uma puta se é isso o que pensa – O mais alto voltava a comer calmamente, porém corava com o olhar curioso do menor. Ele estava totalmente interessado e queria mais detalhes, fazendo o mais velho suspirar e voltar a sussurrar – É de meio período e o bar é da família, meus pais são os donos. Acho que eles podem te ajudar.

- S-Sério? Wah isso seria simplesmente perfeito hyung.

Na mesa da frente os amigos conversavam animadamente, mas de fato o cheiro de Jong In deixava os ômegas lhe rodearem prontos para chamar sua atenção e ter a chance de ter uma noite consigo, talvez aquele aroma tão voraz deixasse claro que seu cio se aproximava. Porém o mesmo ainda observava aquela aproximação entre os dois, nunca havia visto dois homens tão próximos um do outro, ali era comum homens e mulheres aos beijos pelos corredores. Porém não era a questão sexual que lhe deixava tão curioso.

Sehun suspirava baixo, parecia tão tranquilo sobre seu ômega talvez aquela mordida tenha deixado as coisas mais simples entre a relação. Pensando sobre isso percebera o quão amadurecido se sentia, no começo via Luhan como um ômega audacioso por lhe seduzir mesmo que essa não tenha sido a intenção do mesmo. Porém o que viera a seguir foram sentimentos abruptos e recíprocos, sem falar na forma como os corpos se entrelaçavam durante os períodos de cio. O que no começo era uma brincadeira passou a ser algo necessário. Luhan era manhoso demais e se sentia inseguro com facilidade, principalmente por conta de Sehun ser acompanhado por demais alfas que são desejados e ambicionados por outros alunos ômegas. Com a mordida, sentia bem melhor já que a ligação entre eles se fortificou e assim um sabia sobre os sentimentos e pensamentos do outro.

Porém, o casal parecia mais interessado no que viam diante de si, JongIn em um olhar totalmente absorto sobre Kyung Soo, e o menor tendo mais interesse sobre o almoço e nas informações do emprego. Os demais amigos dos dois conversavam sobre coisas alheias, ignorando totalmente sobre os olhares ou até mesmo se quer os percebendo. Sehun cutucara o amigo por baixo da mesa, o mesmo lhe olhava com as pupilas dilatadas.

- O que?

- Pare com isso, aquele garoto não é o seu tipo.

- O meu... Tipo? – Jong In sorria de lado com aquilo, como havia pensado ele realmente teria algum interesse sobre o aluno novo? O problema era que o loiro não sabia que seu amigo já estava em um relacionamento sério há quase dois anos. – E qual seria o seu tipo Sehun-ah?

- O meu? Gosto de ômega, - Sehun sorria e olhou por cima do ombro observando o namorado – Que curse artes plásticas e goste de me desenhar o tempo todo. Assim ele se lembrará de mim.

- Não sabia que curtia homens – O garoto alto abraçava o amigo, balançou os cabelos esbranquiçados rindo em escárnio – Me conte como é ser fodido?

- Não sou fodido – Sehun respondeu com simplicidade, pegou a maçã de sua bandeja e olhou para o colega – Eu fodo.

O garoto se retirou da mesa ao mesmo instante em que o sinal tocara, deixando o amigo alto totalmente surpreso consigo. Ocultava seu relacionamento com Luhan para evitar o garoto de tais comentários, o mesmo se irritava com facilidade e não queria vê-lo chorar tamanho nervoso. Não via a hora de se formarem e passarem a viajar pelo mundo onde não precisariam se preocupar com mais ninguém, a não ser com os pequenos seres que iriam criar dentro de casa. Havia prometido ao ômega que teriam uma vida boa e repleta de felicidade, e para isso não mediria esforços.

- Bocão. – Jong In jogara o guardanapo no amigo alto que coçava a cabeça ainda confuso. – Deixa ele, isso está ficando cada vez mais legal.

- Por que tanto interesse nele? – Jong Dae olhava para o aluno novo se levantar junto ao veterano, os observavam sair do refeitório e então o cheiro levemente doce desaparecer por completo do ar. – Ele não tem nada demais.

- Ele tem algo – Jong In olhou para os amigos – E eu acho que Sehun sabe o que é.

- Vamos deixar isso interessante? – Jong Dae se apoiou no amigo alto e sorriu de forma travessa. – Eu aposto que mesmo que você passe o cio com aquele moleque, ele não falará nada.

- Não seja trouxa – O loiro rira se encostando na cadeira em que estava sentado, baixou as mãos dentro de seu bolso e sorriu interessado. – Não é necessário o cio para que eu saiba sobre ele.

- Bom. – Chanyeol abriu um largo sorriso para o amigo á sua frente – Sehun não fez nada, e está a sua frente. Eu aposto nele, já que o garotinho tem um jeito melhor a ele.

- Aposta feita.

Os garotos selavam sua aposta, e parecia que aquilo era interessante de qualquer forma. Todos sentiam que aquele ano seria o melhor.

❄ 

Luhan e Kyung Soo passavam pelos portões calmamente, apesar da extensa caminhada feita até lá os meninos não desanimavam, O mais velho comentava como era o trabalho e suas experiências, o mesmo estava animado que o colega de quarto fosse trabalhar consigo quando antes se sentia solitário, tanto na faculdade quanto em seu quarto sozinho. No bar havia seus colegas, porém não era o suficiente, se quer podia contar seus segredos para alguém que realmente lhe passasse segurança queria conversar com alguém sobre o seu namorado e como tinha sorte em tê-lo, da mesma forma que queria ser confidente de alguém. Eis que o vice-diretor lhe avisa sobre a vinda de um colega de quarto.

Esperou ansiosamente por Kyung Soo, se quer sabia sobre ele apenas imaginava em finalmente ter um amigo. E ali estava ele com o menor, que era exatamente o tipo de amigo que esperava toda a vida, e ainda lhe trazia o mistério sobre sua existência.

Caminhavam pelas ruas seguindo para a avenida principal, o bar era no final do bairro e o mais perto da universidade, ali era conhecido pelas casas de sexo e bares, principalmente por serem frequentados pelos homossexuais. Aquilo se quer era um problema nesta nova época, já que os homens ômegas se mostravam receptivos á terem gestação, mesmo assim alguns se mantinham na antiga tradição e em algumas cidades eles eram divididos.

De toda e qualquer forma, aquilo estava para mudar com a nova geração.

O bar se chamava Saturnus, e sua fachada era simples sem nada muito chamativo. Os meninos adentraram ao local que tinha um corredor levemente escurecido onde no chão pequenas luzes de LED guiavam o caminho. Logo o bar se mostrava, parecia um cabaré da antiguidade com um grande lustre em seu centro e cadeiras de veludo vermelhas espalhadas pelo imenso salão. As toalhas eram cobertas com renda branca e sobre elas candelabros dourados. Á direita um imenso palco com cortinas vermelhas com bordados em dourado, á esquerda o balcão onde ficava o bar, mais ao centro uma grandiosa pista de dança.

Luhan seguiu para a pista de dança onde havia dois homens consideravelmente altos, os dois pareciam ser jovens e tinham cabelos castanhos assim como os olhos, ao mesmo tempo que haviam similaridades os dois tinham também suas singularidades, eles olhavam para o palco, onde havia um mini balcão onde um rapaz operava o som que se ouvia. O veterano abraçou os dois homens que se viraram surpresos com o menor, os dois o abraçaram e logo a musica se cessou.

- Filho, como tem estado? E as aulas?

- Ah estou bem e não temos aula á tarde – Luhan esticou a mão chamando pelo colega de quarto que se aproximou timidamente – Omma, Appa esse é o colega de quarto que eu falei. Kyung Soo esses são meus pais, Donghae e Hyukjae.

- Muito prazer sou Kyung Soo colega de quarto de seu filho.

O mais novo e reverenciou diante dos homens que apenas sorriram belamente para si, logo o rapaz que estava no som viera ao seu encontro conversando com os mesmos. O que de longe parecia ser uma silhueta de um rapaz forte agora se confirmava com uma mistura perfeita com suas feições juvenis. Luhan apenas sorrira em cumplicidade com o menor demonstrando sua animação. O jeito como o homem gesticulava e falava de forma pensativa já demonstrava que era ele quem comandava todo o bar, o que propiciou um leve arrepio na espinha do menor.

- Omma, Kyung quer um emprego, pensei que seria legal ele ser garçom junto comigo.

- Oh garçom? – O homem olhou para o menor, ele tinha feições delicadas e os olhos pareciam um mar em uma noite bela. – Por quê?

- Não quero incomodar meus pais – Kyung Soo sussurrou levemente corado. – E acho que seria legal para eu aprender a me virar sozinho.

- Tudo bem – O homem sorrira e então olhou pensativo para o rapaz do som que observava tudo apenas sorrindo – Minnie ajude ele com o uniforme e então essa noite ele irá começar no bar, durante as tarde Luhan irá lhe ensinar a servir e então poderá começar.

- Muito obrigado senhor, obrigado mesmo.

Fazendo de sua referência causou risadas envergonhadas por parte dos pais do veterano. O rapaz do som se aproximou de Kyung Soo, abriu o seu melhor sorriso e esticou a mão, sendo apertada pelo menor que mantinha o rosto avermelhado.

- Sou Min Seok, sou o DJ no período da noite – O garoto se apresentava guiando o caminho para o menor, passaram pelo bar atravessando parte do salão aproximando-se de uma porta preta, ao chegarem encontra-se um estreito corredor branco e logo uma sala cheia de armários. – Aqui deve ter um uniforme para o seu tamanho, se troque que eu te ensinarei algumas coisas.

- Desculpa atrapalhar de seu trabalho – Kyung Soo voltava a se reverenciar diante do garoto que apenas ria e negava com a cabeça enquanto mexia nos armários. Assim que o uniforme fora encontrado percebeu o menor que corou levemente.

- Te espero lá fora.

As roupas não eram constrangedoras, a calça preta era levemente apertada, uma camisa social branca que tinha por cima um colete vermelho com a logo do bar estampado. No final das contas aquele uniforme parecia ser mais simples do que poderia imaginar. Após se despir e vestir a roupa, pegou seus trajes os dobrando colocando dentro do armário á sua frente, o fechando e pegando da chave a guardando no bolso da calça. Saiu do pequeno quarto e foi até o DJ que estava no balcão do bar, o mesmo o observara atentamente.

- Wah está bonito – Min Seok sorrira vendo o menor corar – Fique tranquilo aqui um monte de homem dará em cima de você, principalmente com esse perfume.

- P-Perfume? – Kyung Soo inclinava a cabeça, novamente o seu cheiro vinha a tona, mas logo riu baixo. Deveria pedir á seu pai para vender os perfumes, parece que faziam um extremo sucesso – Tudo bem... por onde devo começar?

- Acho que seria melhor que fique aqui no bar hoje.

Aquela tarde se passava incrivelmente rápida principalmente para Kyung Soo que aprendia as bebidas mais pedidas com tamanha facilidade. Luhan observava o amigo e enviava mensagem ao namorado falando á respeito, parece que as coisas na faculdade estavam ficando cada vez mais animadas, obviamente aquilo preocupava o mais velho que já sentia vontade de proteger o calouro como se fosse seu filho. O olhava atentamente enquanto ajeitava as ultimas mesas e recebia os primeiros clientes que chegavam para a noite, sorriu terno em ver que uma amizade havia nascido entre o calouro e o DJ.

- Tem certeza que ele é ômega? – Luhan se assustara com seu pai sussurrando em seu ouvido, os dois riram e voltaram a olhar Kyung Soo que misturava as bebidas – Ele tem cheiro diferente...

- É um perfume – Luhan rira olhando para o pai que parecia tão confuso quanto si– Nem ele sabe quem é, e pelo jeito alguém não quer que saiba por isso ele passa perfume.

- Que interessante.

- Eu disse, esse ano vai ser muito legal.


A noite já havia chego com toda a pressa possível, Luhan e Kyung Soo terminavam seus horários e já se direcionavam para os fundos do bar onde o pai do veterano os esperava no carro. O mais novo dali estava em uma completa animação pelo seu primeiro dia, tudo o que viu dentro do bar lhe encantava, sem falar que ria das brincadeiras de Min Seok que lhe deixou á vontade. Estava quebrando tantos paradigmas que ficou se perguntando sobre sua demora em viver aquilo.

Durante todo o trajeto, Donghae e Luhan escutavam Kyung Soo contar sobre sua família, tudo o que dizia eram suas brincadeiras e rotinas na cidade de Mugogi e suas paisagens belas. Olhando para o celular vira uma mensagem dos pais ocasionando um sorriso largo e saudoso no menor, seus dedos passavam rapidamente pela tela do aparelho digitando uma resposta aos mais velhos.

- Mas me diga Kyung Soo, seus pais poderiam vir morar aqui – Comentou Luhan pensativo – Se eles estão preocupados...

- Ah Appa não gosta muito da ideia de cidades grandes – O menor voltou a guardar o aparelho no bolso e olhou para o colega de quarto – Ele é ciumento, e omma chama muita atenção pela aparência.

- Os seus pais são aqueles da foto? – Kyung Soo assentia vendo o amigo corar levemente, acabava de dizer que viu os objetos particulares do menor. – Sério, achei que fossem seus amigos, aparentam ser tão novos...

- Eu invejo isso deles.

- Como assim? – Donghae olhava o menor ao parar em frente aos portões da universidade – Ainda é jovem.

- Quantos anos acham que eu tenho – Kyung Soo perguntou de forma tímida, porém mantendo os olhos curiosos sobre os dois mais velhos.

- Hum... eu te daria uns 22 anos. – Donghae concordava e olhava para o filho que assentia.

- Tenho 17.

- O que? – Luhan olhou o colega com os olhos surpresos, e então começou a rir – Waah espera o que?

- É eu envelheço mais rápido – O menor formara um pequeno bico nos lábios.

Não conseguiram se manter sérios com o menor, sua manha era adorável. Assim que os dois garotos foram deixados no portão passaram pelas laterais, já estava tarde e o horário do toque de recolher se aproximava tendo assim portões grandes fechados e encadeados. Luhan já havia se acostumado em pular o muro sozinho, porém estaria acompanhado a partir de então, de tal modo ajudou o mais novo a subir o muro e se apoiar sobre ele. Apoiando os pés na parede o mais velho se pendurou no muro para então pular novamente, ajeitando as roupas e limpando das possíveis sujeiras adquiridas os dois colegas caminhavam pela longa estrada até o dormitório.

Luhan se sentia pesado, talvez um sentimento conflituoso gerasse dentro de si que o deixava em uma leve angustia. Colocando as mãos no bolso tentou se acalmar, não queria preocupar seu alfa que poderia estar dormindo á essas horas, sabia que ele era atento em demasia quando o assunto era si mesmo, sabia que Sehun não mediria esforços em atravessar o oceano só por sentir que algo minúsculo havia de errado com seu amante. Amava isso nele, porém queria que o mesmo tivesse seu tempo de descanso, acreditava que ficar sempre atento custa energias.

Sorriu abertamente quando pensou mais um pouco á respeito, reconhecia aquela sensação de vazio e angustia, sentia um leve formigamento em seu baixo ventre e aquilo só poderia ser um sinal de que seu cio se aproximava. Desviou o olhar para Kyung Soo que digitava no celular, provavelmente contando aos seus pais sobre seu dia sem revelar sobre o trabalho, sorriu internamente e então soltou um suspiro alto que chamou a atenção de seu novo colega.

- Ne, essa semana vou ficar em casa – Luhan olhava para o céu estrelado enquanto caminhava lentamente com o menor.

- Por quê? Está se sentindo mal? – O mais velho esperava que seu cheiro denunciasse o seu atual estado, apesar de que o cio se quer havia se iniciado, mesmo assim seu corpo já demonstrava sinal de que em breve ele precisaria se ausentar. Entretanto Kyung Soo não fora apresentado para essa realidade, não conhecia os cheiros e pensava que os mesmos fossem algum tipo de perfume que se vende em uma farmácia.

- Hum... como devo explicar? – Os meninos olhava para frente evitando o contato, não por vergonha, mas apenas para dar uma liberdade maior para conversarem. – Onde você mora as pessoas devem levar uma vida mais tranquila e despreocupada, mas no restante do mundo não é bem assim que funciona.

- Como assim hyung? – Kyung Soo já demonstrava sua curiosidade, e olhava para o mais velho que sorria tenro enquanto escolhia bem as palavras para se direcionar ao mais novo. – Percebi que Mugogi é uma cidade muito conhecida, mas nunca vi estrangeiros por lá.

- Mugogi é uma cidade proibida digamos assim. Eles não permitem que pessoas que não sejam betas entrem.

- Betas? – O menor se aproximou do mais velho com sua curiosidade cada vez mais aguçada, queria ouvir bem mais sobre aquilo.

- Hum estudei uma vez na escola sobre a cidade de Mugogi, somente betas entram lá. – Mexendo no bolso encontrou o celular com uma mensagem de Sehun apitando na tela, digitou uma resposta rápida e então voltou a dar atenção ao seu dongsaeng. – Você sabe sobre nossas existência não é?

- Hum.... seria relacionado aos cientistas? – Kyung Soo formava um bico nos lábios enquanto relembrava de suas aulas na escola. – Disseram que cientistas tentavam criar híbridos.

- E eles conseguiram, não existem mais seres humanos...

Durante todo o trajeto Luhan contava ao seu colega de quarto sobre a nova humanidade de híbridos que havia sido criado e dominado aquele planeta, e aquilo deixava o mais novo surpreso tendo uma leve dificuldade em acreditar que esse era o mundo novo que precisava ser explorado. Dificuldade imensa essa já que o que via naqueles dias eram apenas algumas pessoas agindo normalmente, assim como seus vizinhos da cidade natal. Ao saber sobre os cios e mordidas suspirou e relembrou da preocupação de seus pais quando disse querer ir á outra cidade.

Agora as coisas pareciam fazer sentido.

O mais velho não contou muita coisa já que era necessária a voz da experiência para sanar as duvidas restantes, mas o pequeno garoto sentia-se estranho com aquilo, precisava saber mais para poder se situar novamente. Acreditava que a humanidade teria evoluído, mas não achou que era algo mais instintual do que via diante de si. Duvidas e duvidas nasciam em sua cabeça e agora se sentia amedrontado em ir á aula no dia seguinte. Mesmo assim respirou fundo e ergueu a cabeça para poder entrar no dormitório, agora que havia tomado a decisão de viver ali e recompensar seus pais, o faria mesmo que eles tenham lhe omitido algo importante como aquela nova realidade.

❄ 

Alguns dias haviam se passado, Luhan comentou com Kyung Soo sobre sua ausência e o motivo de precisar privacidade assim como implorou para que lhe ligasse caso algo acontecesse. Porém o mais novo se sentia ansioso com sua pequena liberdade, como Luhan iria para casa cuidar de seu cio junto á Sehun, ele poderia ter um tempo livre para pesquisar mais sobre sua existência. Os dias que haviam se passado o garoto perguntou tudo sobre o assunto para os dois amigos, os mesmos lhe respondiam na medida que sabiam, já que as informações não eram entregues aos alunos em seus primeiros anos de ensino, queriam que eles soubessem apenas o necessário.

Teve de lutar de sua vontade em ligar para os pais e pedir por mais informações, mas Sehun lhe aconselhou a não fazê-lo já que os mesmos devem ter seus próprios motivos para não contar á respeito para o garoto. O casal ensinou ao menor como sentir o cheiro do cio, mais precisamente o de Luhan que estava em seu inicio do ciclo. O menor ficou com tamanha surpresa com aquilo que refletiu á respeito, se o cheiro era tão adocicado e totalmente atraente precisaria tomar cuidado com as pessoas em sua volta, elas poderiam perder o controle para poder ter uma noite ter prazer selvagem com alguém em cio.

Assim que a semana se iniciou Kyung Soo teve de se acostumar a se virar sem seus amigos, passar o almoço afastado das pessoas, ir ao trabalho á pé sem se perder e pular o muro evitando ser pego pela câmera de segurança. Apenas os dois primeiros dias se seguiram assim, seu novo amigo Min Seok parecia interessado em lhe ajudar o acompanhando até a faculdade e o esperando nos portões após as aulas da tarde. Com isso o menor conseguiu se abrir e expressar sua confusão sobre os híbridos assim como perguntar algumas coisas para o mais velho que respondia de bom grado. Na verdade o que Min Seok tinha de conhecimento, era equivalente á uma biblioteca e aquilo encantava o menor.

Enquanto caminhavam para os portões da universidade Min Seok acariciava os cabelos de Kyung Soo que, por sua vez, tinha o rosto avermelhado.

- Não pense muito á respeito, isso é algo que acontece naturalmente e não afeta muito o nosso cotidiano, e você ainda tem que aprender a fazer algumas bebidas novas.

- Ah é verdade – Kyung Soo coçava a nuca e sorria envergonhado, estava tão absorto em sua recém-descoberta que havia se esquecido de sue trabalho. – Obrigado por me ajudar hyung, tem sido muito mais fácil assim, e me perdoe se estou te atrapalhando.

- Fique tranquilo não atrapalha de modo algum, é legal ter alguém como você por perto. – O mais velho mordia o lábio inferior e depositou um selar na bochecha do menor que apenas corava mais do que poderia imaginar – Entre antes que alguém te pegue.

Kyung Soo assentia e então escalou o muro para pular, agora já não precisava de ajuda. Assim que dentro do campus foi até o portão e acenou ao seu amigo DJ que retribuiu o cumprimento para começar a andar pelas ruas. O menor ajeitara suas vestimentas e então se virou assustando-se com a silhueta do garoto popular de cabelos descoloridos.

- Hum... Isso é interessante.

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