{OGO} Capitulo 10

Fanfic / Fanfiction O Garoto Ômega - Capítulo 11 - Capitulo X

Uma semana havia se passado e nenhuma outra melhora fora feita. Já teria voltado para sua casa no meio da noite não podendo combater o sono e o cansaço, os músculos estavam rijos e seu foco de atenção era o mínimo. Precisava dormir. Ao chegar a sua casa retirou os sapatos sociais pretos e passou a caminhar descalço no piso gélido até o seu quarto, tirava de sua blusa e suspirava em desanimo jogando as peças sobre o sofá quando passou pela sala. Ficando diante do colchão, se deitou soltando um suspiro prolongado e passou a observar o teto.

Em pensamentos revisava o que havia feito durante aquela semana, tentou pensar se teria deixado algo passar. Sentindo o pequeno reboliço em seu estômago voltou a se levantar e ir ao banheiro, despindo-se por inteiro adentrou abaixo da ducha e ligou o registro para que a água quente pudesse tirar as tensões musculares. Fechando os olhos enquanto se banhava fora que tivera a ideia.

Um banho sempre poderia trazer grandes ideias e pensamentos, principalmente um banho quente. O moreno apenas se banhava enquanto falava em voz alta algumas teorias á respeito do corpo rijo em contato com o calor, lembrou-se das aulas da faculdade e dos experimentos feitos. Por que não havia pensado nisso antes? Precisava fazer aquilo o mais depressa possível. Mas antes queria descansar, por mais animado que estivesse para testar de sua teoria, precisava estar recomposto para pensar melhor caso dê errado.

Ao desligar do registro pegou uma toalha branca e a enrolou em sua cintura, saiu do banheiro seguindo para a cozinha olhando dentro dos armários. Estava com uma imensa vontade de comer aquele ramyun em copo, lembra-se do sabor favorito de seu amante quando o mesmo estava vivo. Queijo era o sabor favorito, era incrível quando estava na correria para se formar e comia daquele ramyun apenas para se sentir mais próximo daquele ser.

Esquentando a água na chaleira, voltou ao quarto onde colocou uma calça de moletom cinza e uma regata preta, retornou á cozinha terminando de preparar a refeição. Ouvindo o toque do celular, olhou a tela do aparelho que havia sido deixado sobre a mesa. Se quer havia reparado que deixou o objeto ali, talvez suas ações tenham se tornado habituais demais para que percebesse. Olhando a tela vira mensagens do alfa e do delta, eles haviam se prontificado em ficar no laboratório. Sorrindo, discou o numero do casal deixando o aparelho apoiado entre o ombro e o ouvido, pegando o bule com água quente, despejava dentro do copo de plástico onde havia do ramyun.

- O que foi? – Ouvindo a voz do alfa no outro lado da linha, não conseguiu conter o sorriso.

- Pensei em uma coisa, o que acha de começarmos a descongelar o corpo? – O moreno mexia o macarrão com os hashis, pegando uma boa quantidade o comendo.

- Hum.... farei um teste e amanhã veremos o resultado.

❄ ❄

Despertando com os raios solares atravessando entre as cortinas, Kyung Soo se espreguiçava ainda sonolento. Olhando em sua volta encontrara seu quarto totalmente bagunçado, seus livros estavam abertos no chão, as cortinas pareciam fora do lugar do varão. Olhando para a cama vira os travesseiros no chão e seu corpo coberto apenas com um lençol. Ao sentir de um movimento ao seu lado, observou um moreno deitado de bruços, com o rosto parcialmente escondido no segundo travesseiro. Corou ao ver aquela fisionomia tão bela, Jong In dormia tranquilamente na cama e um ressonar quase inaudível, virando-se de frente para o alfa percebeu que o lençol cobria até a cintura, deixando á mostra as costas com arranhões avermelhados.

Em sua mente retomou o que havia ocorrido, teria passado os últimos seis dias em pleno prazer totalmente proporcionados pelo alfa. Tendo sua face ruborizada, voltou a olhar para o rosto adormecido do amante com suas palavras ecoando em sua mente. Alguns dias atrás teria se declarado para o alfa, e então obteve uma resposta positiva quanto á isso. Ele não havia lhe dito com todas as palavras os sentimentos, mas em suas ações durante o sexo conseguia sentir a possessão o carinho. Jong In simplesmente havia beijado de seu corpo, se deleitou ao prazer proporcionado e isso seria uma prova de quanto o queria.

Esticando de seu indicador, passou a ponta da digital pela face do moreno sentindo a pele morena e macia e afastando os fios descoloridos de seus olhos ainda fechados. A pequena caricia fez o maior estremecer e despertar aos poucos. Mesmo assim não parou de admirar aquela obra de arte que era Jong In. Os olhos sonolentos se abriam e fitava o ômega á sua frente, encontrando aquele rubor belo e os olhos curiosos lhe observarem fazendo com que sorrisse.

Ajeitando-se na cama, o maior não tardou em puxar da cintura do mais novo, deixando-o aninhado em seu peitoral para poder afundar o rosto nos cabelos negros e cheirosos de seu amante. Mesmo que timidamente, Kyung Soo envolveu a cintura do alfa com seus braços, e se permitiu encostar-se ao peitoral quente de Jong In e abraçá-lo o mais forte que poderia.

O ômega aproveitava do momento, ouvindo o coração do alfa bater acelerado enquanto o abraçava apertado. Assim como havia amado todos aqueles dias com Jong In, estava amando ficar daquele jeito em um abraço carinhoso depois de horas em um fervor carnal. Por mais que sua mente pudesse estar lhe enganado apenas para sanar de sua carência, acreditava que Jong In teria permitido um relacionamento entre os dois. O amava em demasia e já não poderia esconder, queria o alfa apenas para si tomando-lhe o corpo e a alma que não se importaria com mais nada, queria acordar todos os dias com aqueles braços em sua volta, com um sorriso largo e voz rouca lhe desejando bom dia seguido de um selar em seus lábios.

- Isso seria um sonho?

O sussurro rouco do menor não passou despercebido por Jong In, o alfa se afastou minimamente do corpo do menor e o olhava atentamente. Não conseguia deixar de tocá-lo, levando a mão em seu rosto acariciava a bochecha rosada e via o brilho dos olhos se intensificarem. Com aquele sussurro imaginou que o ômega poderia pensar besteiras, talvez não tivesse se expressado direito ao seu novo amante e isso o deixava confuso, com o pequeno ocorrido de antes do cio se iniciar o alfa compreendeu que Kyung Soo precisava de certezas ditas. Sendo assim, o alfa selou-lhe os lábios calmamente e sorriu tendo os lábios em um roçar.

- Não é um sonho meu garoto ômega.

Com sorrisos grandiosos e toques carinhosos poderiam ficar se amando por toda a eternidade, se não fosse pela peculiar textura que sentia na pele do ômega. Cerrando o cenho o alfa se afastou e percebeu que no pescoço havia uma mordida, teria ele mordido o seu ômega? Mantendo os olhos fixos naqueles buracos pequenos na tez, recordou-se do momento antes do ápice da noite anterior, onde Kyung Soo parecia totalmente perdido em seu deleite com aquela fisionomia prazerosa e o corpo sendo invadido pelo alfa. O momento em que o nó fora feito e a pergunta referente aos seus sentimentos fora feita pelo ômega. Não tivera como não se segurar, afinal de contas o corpo daquele garoto estava em seu colo e os olhos em expectativa esperando suas palavras, e o fez dizendo aquelas palavras doces que deixou a face do menor ruborizada e então prometendo um cuidar do outro seguido da mordida.

Ah, aquilo era a prova de seus sentimentos. O ômega observava a face do mais alto e então soltou uma risada baixa fazendo o outro despertar dos devaneios. Sob beijos o casal se levantou e tomaram banho, e ao ficar de frente ao espelho reparou na mordida. O ômega não escondia sua felicidade, ela era estampada em seu sorriso bobo enquanto acariciava o local mordido. Porém outra coisa lhe chamou a atenção, as manchas avermelhadas haviam desaparecido por completo de seu corpo, entretanto seus cabelos estavam descoloridos e finos.

- O que foi? – Jong In abraçava o namorado pela cintura e olhava o reflexo, arqueou a sobrancelha desviando os olhos para os cabelos do ômega, onde os fios da nuca se encontravam totalmente esbranquiçados. – Pintou o cabelo?

- Não pintei. – Sussurrava o menor temeroso tendo seu corpo apertado pelo maior. Passou a olhar seu rosto pelo espelho, fitou atento aos olhos e observou a pele levemente enrugada. – Estou... Envelhecendo.

- O que? – Jong In virou o menor na sua frente observando todo seu corpo, percebeu que os músculos estavam um pouco menores, e a pele perdera parte da elasticidade. Sorrindo levemente olhou para o menor acariciando seu rosto, não poderia deixar aquele momento tão feliz desabar. – Vamos descer e veremos com seus pais sobre isso.

Ambos sentiam a ponta do medo angustiarem, Jong In não sabia que o menor envelhecia rapidamente e mesmo se soubesse se acharia inútil por não poder fazer nada que o ajudasse. Sentia o incomodo do menor, em seu peito o coração se apertava com a ligação feita através da mordida, entendendo que Kyung Soo estava apreensivo. Suspirando baixo pegou uma roupa do menor e o vestiu, tentou lhe fazer graça e arrancar beijos para poder ouvir sua risada baixa. E o conseguira.

Minutos depois os dois desciam as escadas com as mãos juntas, eles seguiam para a sala onde os quatro híbridos se encontravam assistindo um programa culinário qualquer. Jun Myeon ergueu os olhos para o filho e se ajeitou no estofado tendo o marido sobre seu colo. Observando a fisionomia do pequeno ômega, se levantou de imediato aproximando-se do casal ainda surpreso. O delta e demais se levantaram e se aproximaram de Kyung Soo, fazendo o menor corar e se encolher nos braços protetores do alfa.

- O que... é isso no seu cabelo filho?

- Aqui tem algum médico que possa ajudar? – Jong In olhava para o outro alfa que apenas suspirava ao ver a mordida. Não poderia brigar com o moreno agora que tinha uma ligação com seu filho.

- Tem o médico que sempre cuidou de Kyung. – Sussurrava o alfa cruzando os braços – Ficaram todo esse tempo no quarto e não notou isso acontecer?

- Querido não implique – O delta se aproximou do filho passando a entrelaçar os dedos em seus fios brancos – Está sentindo alguma coisa?

- Não omma. – Sussurrava o menor olhando para Jong In, suspirando voltou a olhar para os pais e sorriu levemente. – Poderia chamar o Doutor Kim? Acho que agora precisaremos dele.

- Tudo bem meu filho – Yi Xing sorriu para o filho e então se virou para o outro casal – Tomem café enquanto chamaremos pelo médico, e lembre Luhan, coma bastante frutas e verdura, deixei uma salada de frutas separada para ti, está na geladeira.

- Uau obrigado Yi Xing – Luhan não conseguia deixar de sorrir, olhando para Kyung Soo o puxou para longe dos alfas e alargou o sorriso – Venha Kyung, precisamos nos atualizar de certas coisas.

- Vamos jogar – Sehun fora até o melhor amigo e sorriu ladino – Temos que quebrar o recorde de Jun Myeon no Xbox.

Se dispersando da casa Luhan e Kyung Soo conversavam na cozinha enquanto tomavam o café da manhã, contando da novidade de estar esperando por um filho de Sehun, Kyung felicitou o colega de quarto pedindo os detalhes de como era ter um pequeno ser em seu interior. Na sala Sehun e Jong In jogavam vídeo game gritando e rindo totalmente absortos nos gráficos do jogo.

Na parte mais afastada da sala, Yi Xing observava o marido discar o numero do médico e quando o mesmo atendia o casal pediu que o visse com urgência. Suspirando derrotado pela preocupação, os dois pais olhavam os jovens apreciando o olhar cúmplice de Jong In e Kyung Soo mesmo estando em cômodos diferentes. A casa parecia tão cheia de vida, que aqueceu o coração do delta, entretanto parecia que aquela animação não iria durar muito.

- Sabíamos que isso iria acontecer – Sussurrava Jun Myeon abraçando a cintura do delta, segurando de seu queixo fez o marido lhe olhar e então sorriu tristemente. – É por isso que não podemos ter um segundo bebê.

- É minha culpa, devo ter muitos anticorpos em meu sangue – As lágrimas finas do delta foram enxugadas pelo alfa, que abraçou o mais alto de forma desajeitada. – Me perdoe.

- Sh – A voz suave de Jun Myeon parecia uma melodia para Yi Xing, fazendo com que o mesmo se acalmasse e permitisse relaxar nos braços daquele que confia. Não gostava da auto depreciação que o delta tinha ás vezes, magoava seu coração. Queria tanto poder tentar reverter a situação e tirar-lhe aquele cargo de suas costas. – Acharemos um jeito, e quando fizermos conseguiremos ter um bebê. Imagine o Kyung sendo um irmão ciumento, acho que dessa vez poderemos ter uma menina.

- Você seria o mais ciumento – Sussurrava o delta erguendo o rosto – Mas você tem razão, vamos nos concentrar em nosso filhote e depois pensaremos nisso.

- É assim que eu gosto.

Depositando um selar demorado nos lábios de Yi Xing o casal se aproximou dos convidados transmitindo para eles a tranquilidade. Yi Xing conversava na cozinha sobre sua gravidez de Kyung Soo, era saudoso para si recordar-se dos pequenos movimentos que o menor tinha em seu interior, em geral o ômega era silencioso e sempre chutava quando o pai estava por perto. Enquanto Jun Myeon dava dicas para os jogos, ensinando Jong In e Sehun alguns macetes que aprendera. Se distraiam alegres mesmo sabendo que havia algo errado, mas queriam ter novas lembranças, ter momentos de risada e alegria total. E foi assim por alguns minutos, todos reunidos na sala fazendo uma pequena competição de jogos no Xbox, Kyung Soo mostrou sua habilidade com os carros de corrida e ganhou a partida contra Sehun. Luhan e Yi Xing não tinha interesse pelo jogo, e apenas assistiam em torcida gritando e aumentando a euforia dos alfas. Jong In vencera a corrida contra Jun Myeon e assim foi seguindo até a campainha tocar.

Jun Myeon saíra do sofá deixando o recente casal disputar o primeiro lugar, caminhando até a porta a abrindo revelando o doutor Kim, um beta de meia idade com os cabelos grisalhos, os olhos claros estavam atrás da armação de óculos de grau. Dando passagem ao mais velho, o alfa o guiou pela casa, mas a mesma já era conhecida. Desde os primeiros passos de Kyung Soo o doutor Kim acompanhava aquela família, ajudou Jun Myeon na composição do perfume, assim como atendera ao chamado do casal quando a mancha no pescoço do ômega surgira, entre outras situações da qual fora chamado.

Aproximando da sala onde os gritos de vitória de Kyung Soo ecoavam, todos se levantaram e cumprimentavam o médico que fora bem recebido. O beta examinou o pescoço do ômega e percebeu a mordida e a mancha que havia desaparecido, sorriu levemente ao ter suas hipóteses corretas mais uma vez.

- O que precisam de mim? – Deixando a maleta sob o sofá, o beta vestia de seu jaleco e colocava as luvas brancas em suas mãos.

- Meus cabelos – Kyung Soo se aproximou, tendo o olhar atento do alfa amante – Estão brancos e minha pele como pode ver está enrugada.

- Hum. – Aproximou-se mais do ômega, acariciou a pele abaixo dos olhos e apertou entre os dedos medindo de sua textura. Indo atrás do garoto analisou os fios brancos, percebendo a mutação de mais fios se acinzentarem. – Tire a camisa, por favor.

Atendendo ao pedido, Kyung Soo retirou a camisa branca que usava revelando a pele marcada dos arranhões e sucções feitas por Jong In. Tendo sua face ruborizada, o menor rezou internamente para que o médico não lhe perguntasse á respeito, porém o mesmo lhe questionou e recebeu como resposta o efeito de seu primeiro cio. Unindo as sobrancelhas e voltando a apertar a pele do menor, começou a usar diversos instrumentos que trouxera em sua maleta, testando as dores que o ômega sentiria, assim como reflexos.

Fazendo Kyung Soo sentar no sofá, puxou um pêndulo pedindo para que o menor seguisse com os olhos. Movendo de um lado para outro observava atentamente os olhos do garoto, ás vezes sem avisar, batia de leve o pendulo na testa do menor. Fizera o exercício por volta de vinte minutos, e o resultado foi uma marca arroxeada na testa, ficando de frente do menor examinou o hematoma e logo suspirou olhando para os demais híbridos que esperavam ansiosos pelos resultados.

- É o que previa, seu corpo está envelhecendo em um ritmo muito mais rápido – Olhando para Jun Myeon o médico cruzou os braços – Acredito que devemos começar o tratamento o quanto antes.

- Espere como assim envelhecendo?– Jong In dera um passo á frente olhando para o médico - Ele tem 17 anos.

- É uma condição que eu tenho desde pequeno – Kyung Soo segurou a mão do amante e a acariciou lentamente com a ponta do dedo – Sinto muito por não ter comentado.

- Mas por quê? – O alfa esbravejara olhando para o médico. Jun Myeon fora até o genro e pousou a mão em seu ombro.

- A história é comprida, mas saiba que isso tem haver com o fato de Xing ter nascido e vivido boa parte da vida dentro dos laboratórios da capital.

Compreendendo a situação o alfa voltou a olhar o menor que segurava levemente de sua mão. Suspirando pesado imaginando que aquela família também sofrera com a maldita curiosidade dos híbridos, e Kyung Soo o pequeno ômega da qual criou sentimentos estava sofrendo com aquilo. Abraçando o menor a sua frente, afundou o rosto no pescoço do namorado e aspirou seu cheiro, sentiu os dedos finos acariciarem suas costas e a voz suave ser sussurrada afirmando que tudo ficaria bem.

- Então – Luhan olhava para o médico, segurando a barra da própria camisa contendo seu nervosismo – Que tratamento é esse?

- Vou precisar das amostrar do Kyung Soo para poder preparar os remédios. E com os exames que ele fará, acredito que posso dar um diagnostico mais preciso.

Mesmo ouvindo as palavras do médico, Jong In não se afastou de Kyung Soo deixando seus braços de forma possessiva em volta do ômega. Olhando para os pais do ômega, soltou um suspiro ao sentir um nervosismo lhe incomodar.

❄ 

Um dos cômodos da casa havia se tornado um laboratório provisório, Jun Myeon e Jong In trouxeram várias máquinas e instrumentos que seriam necessários para o tratamento proposto por doutor Kim. O médico dera inicio ao tratamento, examinando por longos dias os genes e sangue do ômega, assim como criando formulas de remédios para que o menor ingerisse e pudesse retardar o seu envelhecimento. Os procedimentos fisioterápicos se iniciaram, e a cada dia Kyung Soo envelhecia mais, Jong In via o namorado da porta do cômodo, observava o menor tentar mover a perna direita na bola de plástico seguindo o exercício proposto pelo médico, mas não conseguia mover afirmando sentir os formigamentos. Doía em seu peito ver o amante daquele jeito, sua pele estava cada vez mais enrugada, os cabelos parcialmente brancos, não tinha mais nenhum reflexo, tudo isso se perdera em um período de dois meses.

Sentindo o aperto Kyung Soo olhou para a porta e conseguiu sorrir grandiosamente para o moreno, o mesmo fora até o ômega ficando atrás do menor, selou-lhe a testa e tentou se acalmar.

- Como está se saindo? – Acariciando os braços do namorado, Kyung Soo apenas coçou a nuca umedecendo a boca pálida.

- Hum, perdi uma perna. – Inclinando a cabeça para trás a encostando no abdômen do moreno, o ômega fez um pequeno bico nos lábios. – Estou com vontade de comer aqueles nachos que fez outro dia.

- Não pode comer nada picante – Alertava o médico que preenchia os papeis sobre a mesa.

- Se não contar a ninguém eu faço – Sussurrava o alfa no ouvido do menor que rira assentindo.

Esperando pela cessão terminar, Jong In segurou a cintura de Kyung Soo o erguendo em seus braços caminhando pela casa com o garoto. Luhan e Sehun já haviam voltado para a universidade a fim de resolverem as questões de estudo, o ômega se afastaria por conta da gravidez e Sehun queria ajudar a trancar a matricula de Jong In. Jun Myeon e Yi Xing ajudavam o médico á respeito dos cuidados de Kyung Soo, faziam-no tomar remédio, ajudavam a preparar comidas saudáveis e checar sua temperatura e pressão a cada duas horas. Jong In mimava o namorado, enchia-o de beijos e o abraçava dengoso arrancando risos do ômega. Todos seguindo o novo ritmo que a vida lhe proporcionou.

Aproximando-se da cozinha o alfa sentou o menor na cadeira almofadada e começou a preparar os nachos, sendo que tudo o que precisava fazer era um molho especial com o queijo cheddar que era o favorito de Kyung Soo. O ômega observava atentamente do moreno, via seus cabelos ficarem com as raízes pretas, e ficou imaginando como seria Jong In com aquela cor de cabelo. Não importando qual fosse sua aparência tinha certeza de que se apaixonaria por ele. Pensando desse modo bateu-lhe uma pequena tristeza, por mais que tivessem tirado os espelhos da casa, Kyung Soo sabia que parecia um ômega velho.

- Ne – Apertando os dedos sobre a mesa, o menor mantinha o olhar baixo ao sentir os olhos curiosos de Jong In sobre si – Por que não voltou com Sehun e Luhan?

- Que pergunta boba – Ria o mais alto continuando a misturar os molhos – É claro que é pra ficar com você.

- Mas estou feio – Os olho do menor focaram no do alfa, transmitindo suas emoções com sutileza – Estou velho Jong In-ah não tem mais nada aqui para te atrair... a não ser a mordida.

Suspirando o alfa deixou os pratos de lado e segurou o queixo do ômega mantendo os olhos fixos em si, selou-lhe os lábios que ainda estavam fartos e sorriu para o menor.

- Eu te amo hum? E vou ficar contigo até que me chute para longe.

Mesmo com a pele pálida o menor conseguira ruborizar e deixar um sorriso bobo em seus lábios, se beijavam calmamente tendo a paixão ainda acessa entre os dois. Por mais que tudo aquilo fosse tenso demais, Jong In não perdia as esperanças. Assim que terminou o molho, o casal comia nachos sentados no chão atrás do balcão, escondidos dos olhos vigilantes de Yi Xing que limpava a sala.

 

Mais dois meses haviam se passado e Kyung Soo perdera totalmente o movimento das pernas, precisando de uma cadeira de rodas para se locomover. Os cabelos todos brancos, os lábios afinados o corpo que emagrecera por conta dos remédios. Havia ocorridos tantos desmaios com o menor, que o médico deixava a bolsa de soro preso na cadeira de rodas tendo o acesso em sua pele todo o tempo. Jong In escondia sua preocupação, mas á noite não conseguia evitar de chorar em ver aquele garoto que tanto ama morrer aos poucos.

Não poderia mais sentir de seu corpo, não poderia lhe dar prazer e não poderia mais fazer com que sentisse grandes emoções. Ele estava frágil diante de si. Mesmo assim, Kyung Soo não desanimava, estava sempre com um sorriso nos lábios e ria rouco com as pequenas brincadeiras entre Jun Myeon e Jong In. Fazia todos os exames e tomava todos os remédios, assim como bebia as vitaminas que o progenitor lhe dava.

E mesmo assim nada melhorava.

Luhan e Sehun haviam voltado para visitar o amigo, os dois se assustaram ao ver Kyung Soo na cadeira de rodas com uma aparência destruidora, ele pintava um quadro de Jong In, sentado no sofá em uma pose natural. Não havia percebido a presença dos amigos, seu olfato já não era o mesmo, apenas os notou quando ouviu um pigarrear alto de Sehun. Se virando lentamente olhou os amigos lhe observarem surpresos, com aquela reação julgara que sua aparência estava piorando. Mesmo assim, o mais novo sorria para os amigos.

- Por favor, estou apenas treinando para ganhar de vocês na fantasia de Halloween.

Luhan estava com a barriga grande e viera á Mugogi para contar ao melhor amigo sobre o sexo do bebê. Ambos teriam um menino, e ainda pensavam em um nome para dar. Kyung Soo sorriu e acariciava a barriga do amigo sentindo o pequeno chute do feto, sorriu largo e olhou para Jong In afirmando que quando melhorasse os dois deveriam ter um bebê. Mesmo sentindo a tristeza no peito o alfa afirmara dizendo que teria dois filhos, um menino e uma menina e que viveriam em Mugogi novamente para poderem nunca sair da cidade dos betas.

Naquele dia em particular nevava, aproximava a data do natal e os flocos gordos e brancos caíam do céu se acumulando sobre o chão e as arvores. Algumas casas estavam belas com seus enfeites, as crianças se divertiam em fazer os bonecos de neve e riam ao enfeitá-los. Tendo uma manta sobre suas pernas, Kyung Soo sorriu enquanto a cadeira era empurrada por Jong In. Havia implorado para que o maior saísse consigo, queria mostrar um lugar secreto que ia durante a infância.

Ajeitava o gorro sobre sua cabeça e as luvas em sua mão, o ômega apontava para os locais que eram afastados da cidade. Jong In olhava em volta cada vez mais intrigado, e logo se surpreendeu em ver uma rústica casa de madeira feita em uma árvore. Parou Kyung Soo diante do pinheiro coberto de neve e ficou ao seu lado se agachando.

- Eu vinha aqui quando eu brigava com o Appa – Sussurrava o menor olhando para o namorado que ainda olhava animado para o lugar. – É uma base secreta.

Aproximou-se vendo as escadas totalmente cobertas de neve, alguns pregos até estavam congelados. Riu baixo na tentativa de subir que sucedeu em um pequeno tombo no chão. Kyung Soo ria tentando puxar o ar para os pulmões, sentia a dificuldade fazia alguns dias e isso lhe deixava rouco e com a respiração rápida.

- Tudo bem, eu espero até a primavera pra subir.

Batendo em seu casaco grosso para tirar a camada de neve, o alfa se encostou-se ao tronco ficando de frente para o ômega que sorria belamente para si. Pobre Kyung Soo, somente seu sorriso e o brilho dos olhos se mantinham animados, o restante de seu corpo parecia fraco. Mordendo os lábios e segurando as lágrimas, Jong In mexia no bolso do casaco segurando a caixa de veludo preta, a tirado do bolso se aproximou do ômega e se ajoelhou diante de si, segurou sua mão retirando a luva branca feita por Yi Xing.

- Eu quero que saiba, que eu não desistirei de ti – Selando os dedos afinados do menor viu o mesmo sorrir grandiosamente para si –Eu o amo tanto, por mais que meu coração doa em te ver desse jeito, saiba que eu estou fazendo o meu máximo para te ter saudável.

- Jong In – Os dedos do menor passavam sobre as bochechas levemente rosadas do alfa, que suspirava e sorria com a caricia. Sabia que Jun Myeon e Jong In se reuniam durante a madrugada, e conversavam com o médico e estudavam vários assuntos complicados apenas para lhe ajudar, mas sentia que seria falho naquele momento. – Por favor, apenas deixe acontecer.

- Não! – O moreno segurou firmemente a mão do menor e sorria largo – E-Eu vou conseguir, acredite em mim, Kyung eu irei...

Os olhos marejados de Kyung Soo e o leve balançar de sua cabeça fez o moreno cessar sua fala. Por que ele teria de perder as esperanças, por que Kyung Soo estava desistindo tão fácil? Jong In não conseguia mais controlar, suas lágrimas rolavam em seu rosto, mesmo assim abriu a caixa de veludo e pegou o anel prateado colocando no anelar do ômega. Selou a joia no dedo e Kyung Soo e lhe olhou encontrando aquele mesmo sorriso brilhante.

- Por favor... não desista Kyung.

- Eu sou a pessoa mais sortuda – O ômega se inclinou com dificuldade, pegando a caixa de veludo e encontrando a outra peça prateada com seu nome, segurando a aliança esticou sua mão pedindo pela semelhante de Jong In – Por te ter do meu lado mesmo estando desse jeito. Me sinto tão amado.

- E é para se sentir assim – A voz do alfa ficara rouca e sua vontade de chorar como uma criança era imensa, sentiu os deslizar dos dedos gélidos do ômega posicionando a aliança em seu anelar. – Eu não vou ser ninguém sem ti...

- Vamos aproveitar os momentos juntos. – Kyung Soo sorria entrelaçando os dedos e aproximou seus lábios dos de Jong In depositando um selar. – Por favor, vamos aproveitar cada minuto que me resta. E então poderá fazer o que quiser.

- Isso é uma promessa – Mantinham os rostos ainda próximos um do outro, Jong In não se cansava e beijar daqueles lábios que aprendeu a amar. – Eu prometo que farei de tudo para que fique bem, mesmo que não concorde comigo eu o farei.

- Acho que nossos filhos iriam puxar sua teimosia – Ria o menor acariciando o rosto do maior, invejava aquela juventude e saúde que ele tinha. Sentia-se entristecido por proporcionar ao alfa um momento daqueles. Por um instante desejou que nunca tivessem se conhecido, assim os dois estariam vivos e sem tristeza. Mas ao mesmo tempo amava ter aquele mimo do alfa, estava amando cada vez mais e isso lhe prejudicava. A cada momento de felicidade tinha como consequência um membro que parava de funcionar. Rindo, Jong In selou a testa do ômega que ainda o olhava com os olhos marejados. – Obrigado por tudo, Kim Jong In.

❄ 

Jong In despertou durante a madrugada quando sentiu algo frio em seu corpo, olhou para a janela e observou que os vidros estavam fechados, tal como deixara antes de se deitar. Com a luz do abajur ligado olhou para seus braços encontrando Kyung Soo sereno, permaneceu parado e prendeu a respiração buscando por algum sinal vital do ômega, e assim se desesperou.

- Kyung? – Sussurrava tocando de leve em seu braço que permanecia sobre seu abdômen, haviam dormido abraçados por conta do frio que o menor sentia, até mesmo riram quando Jong In fizera uma piada maliciosa. Tocando em seu rosto sem ter resposta, chamava-o mais uma vez – Ya Kyung Soo!

Ajeitou-se na cama erguendo o rosto do menor, sentiu a mesma totalmente gélida. Arregalando os olhos apertou de seu corpo procurando sentir seu coração bater, mas nada sentia. Tendo as lagrimas começarem a rolar por seu rosto, o alfa olhava em volta com a respiração ofegante.

- JUN MYEON! YI XING! Pelos céus alguém!

Os gritos do alfa despertaram o casal que dormia ao quarto do lado, levantando depressa os dois vestiam roupões sem conseguir espantar o frio com a preocupação. Os gritos despertava também o casal Sehun e Luhan que se levantaram de imediato, encontrando os pais do ômega no meio do corredor. Adentraram no quarto encontrando Jong In olhar com os olhos arregalados sobre Kyung Soo, o alfa mais velho se aproximou refazendo os mesmos processos que o moreno fizera, e então olhou para o moreno que o olhava com a mandíbula trêmula.

- F-Faça alguma coisa, pegue o remédio precisamos injetar nele.

- Jong In.

- T-Talvez uma dose a mais faça seu coração bater minimamente.

- Jong In.

- O desfibrilador deve ajudar mais não é mesmo? Devemos pegar e...

- JONG IN!

O alfa cessou as falas e olhou para o sogro que suspirava passando a mão na nuca. Respirando fundo manteve o olhar fixo e tentou ser calmo.

- Não dá... Ele se foi.

Finalmente deixava as lágrimas escorrerem por sua pele morena, Jong In negava com a cabeça olhando para o corpo desfalecido ainda em seus braços. O abraçava e afundava o rosto em seu pescoço sem sentir mais daquele aroma tão delicioso, não sentia nada mais sendo emanado de Kyung Soo. Yi Xing se aproximou em prantos segurando os braços do filho, gritava olhando para o marido afirmando ser culpa sua por conta dos diversos remédios que lhe foi injetado durante sua vida na capital. Jun Myeon já não se segurava, cobria o rosto e caía de joelhos diante da cama e soluçava junto ao marido.

Sehun era o que mais conseguira se manter calmo, abraçando seu amante, Luhan chorava silenciosamente com o rosto escondido na camisa do mais alto, acariciando suas costas vendo o melhor amigo encarar Kyung Soo. Era a primeira vez que o via daquela maneira, na verdade durante todo o relacionamento com o ômega, Sehun encontrou um Jong In que desconhecia um alfa preocupado, cuidadoso e amável. Agora via o lado frágil, o via chorar silenciosamente enquanto encara o rosto sereno do ômega.

Foram longos minutos e mesmo Jun Myeon batia na parede descontando de sua raiva e ao mesmo tempo tentava acalmar o marido que ficava perto do filho. Jong In abraçava possessivamente, sussurrando de sua promessa selada ainda naquele dia de neve. Para todos aqueles era um momento doloroso.

Kyung Soo havia falecido na madrugada do natal. 

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