{The Ghost Of...} Capitulo 8 - Laboratório


Ficamos no olhando por um tempo, tentando absorver todas aquelas emoções que se tornaram presentes durante nosso beijo. Não sabia o que estava fazendo, estava fora de mim. Isso é errado, não posso fazer isso. Soltei a minha mão da dele, pousando o dorso das mãos em meus lábios, virei meu rosto para o lado fechando os olhos para voltar á realidade. Kyuhyun não se afastara, pois não sentira nenhum movimento seu. 

Pensei em como ele poderia agir daquela forma comigo, como ele podia me deixar nesse estado? Sem eu ter percebi eu tinha puxado ele para acabar com aquela distancia, e agora ele deve estar pensando que eu gostara do que acabara de acontecer. Parei para pensar mais. Como eu me sentia em relação á isso. Eu realmente precisaria sentir de seus lábios? Ele sentia o mesmo que eu? Provavelmente não, ele está morto, não têm batimentos cardíacos, e está preso aqui por algum motivo, se eu desse de cabeça nesses sentimentos, iria me machucar, pois uma hora ele teria de partir definitivamente, e eu ficaria só apenas me lembrando de nossos momentos. É realmente seria mais fácil deixar ele longe de mim, antes que tudo desse errado.

Abri os olhos, e encontrei aquele par de olhos frios novamente. Ele me analisava de forma critica, podia sentir que ele não havia gostado do que eu acabara de pensar. Mas antes que eu pudesse dizer algo, ele tomou novamente meus lábios, dessa vez em um breve selar.

- Não fale nada, não pense em nada, apenas curta o momento.

Não tinha o que dizer. Realmente, uma parte de mim queria mais dele, mas meu outro lado ainda me batucava dizendo para sair da li o mais rápido o possível. Apenas fiquei quieto, queria saber o que ele faria a seguir, o que me surpreendera. Kyuhyun apenas acariciava meu rosto de forma leve e delicada, me fazendo esquecer do mundo que me rodeia, e de todos esse seus mistérios, apenas me focando no quão gelado eram seus dedos, e acolhedor que eram seus olhos, apesar de ter aquela camada de frieza.

Me pusera a pensar em como fora uma presa fácil. Ele queria que isso acontecesse e que caíra em sua armadilha. Se o que Kyuhyun queria era diversão, então eu ele, talvez, tenha acreditado que comigo seria uma montanha russa. Tenho que lhe mostrar que não é isso, que eu não quero ser apenas mais um.

- Não será. – Resmungou ele, lendo mais um vez meus pensamentos.

- É privacidade. – Disse vendo que minha voz falhara, me deixando constrangido por parecer tão fraco.

- Você é adorável desse jeito.

Senti meu rosto ficar vermelho, era assim que eu reagira com suas palavras, ele sempre me deixa desconcertado com apenas um suspiro. Como pode ele ter tanto poder sobre mim, sendo que faz pouco tempo que nos conhecemos? Acabo de passar meu primeiro final de semana nesse colégio e já ganhara um beijo, e possivelmente um bando de espíritos querendo correr atrás de mim, pois minha curiosidade Dara sinal de vida.

Sim, eu iria ver o tal corredor, quero ver se existe tal coisa, e não iria contar á ninguém, iria sozinho, mas não á noite, e sim de manha. Para isso precisaria faltar aula, mas qual dia seria perfeito para isso? Talvez amanhã? É poderia ser, amanha de manha daria um jeito de sair mais cedo do dormitório e entrar no corredor no período de aulas, por mais que eu fosse pego por um dos professores a minha curiosidade se calaria, pelo menos até que o próximo local assombrado viesse.

Voltei a realidade quando vi Kyuhyun deitar a cabeça em meu peito, minha mão que estava estendida pelo colchão, era serpenteada pelos dedos dele, que se entrelaçaram com os meus. Sorri ao ver nossas mãos abraçadas, como se fossem uma só. Realmente tinha caído em sua armadilha, mas era uma armadilha que não queria me soltar. Posso afirmar que gosto de Kyuhyun.

- Fica comigo. – Disse ele por fim quebrando o silêncio.

- Ficarei.

Kyuhyun ergueu seu olhar para me encarar, pude ver um brilho em seu olhar, ele realmente estava falando sério. Ele ficou sentado em cima de mim, puxando meus braços para ficar na mesma posição que ele. Assim puxou meu rosto e selara meus lábios de forma possessiva. Não devo mentir que aquela entra para a minha lista de melhores sensações. Retribui seu beijo, pedindo passagem para sentir sua boca, que logo fora atendida. Nossas línguas travaram uma guerra por espaço, mas ao mesmo tempo tudo era maravilhoso. Puxei a barra de sua camisa, fazendo seu corpo ficar próximo ao meu, pelo menos é o que eu queria pensar, sendo que eu sentia certo desconforto em minhas calças.

Tirei sua camisa, vendo seu peito branco e fino, porém delicado e provocante. Ele fizera o mesmo comigo, tamborilando os dedos em meu abdome. Sentia um calafrio se passar em minha espinha, como sempre reagira aos seus toques. Kyuhyun fora beijando meu pescoço descendo seus lábios, formando uma trilha em minha barriga. Ele chegara perto do botão de minha calça jeans, me deixando na pura excitação. Queria sentir mais, como todo jovem quer sentir quando se chega a esse ponto. Kyuhyun abrira a minha calça, tirando-a de meu corpo, jogando a peça em um canto qualquer do quarto. Fiz o mesmo com a sua deixando nós dois apenas com nossas boxer, já podia sentir o que iria acontecer, e não fora diferente do que imaginara. Cada penetrada, cada gemido, cada gota de suor fora de fato uma das sensações mais deliciosas que já havia sentindo. Seu corpo dançando sobre o meu, gemer seu nome baixinho, com certeza ultrapassara a minha ideia de como seria a minha primeira vez, que sempre imaginara que seria com uma mulher e nesse caso foi com um homem e ainda por cima, morto.

Kyuhyun fora gentil comigo, pude sentir isso, cada toque seu era como uma pena caindo levemente na água. Por mais que ouvisse comentário de que doeria, nunca imaginei que essa dor poderia ser tão prazerosa. Realmente fora uma experiência muito boa. Kyuhyun não desgrudou seu corpo do meu em nenhum momento, nem se quer falava coisas que poderia me deixar constrangido, muito bem pelo contrário, ele me abraçava, me invadia, me beijava com sentimentos, sentimentos que eu nunca senti antes. Agora que estávamos mergulhados em nossos fluidos, descansávamos ofegantes sobre a cama, espaço entre nossos corpos, simplesmente não existia. Kyuhyun apenas acariciava meus cabelos, e os cheirava, suas pernas estavam entrelaçadas com as minhas, enquanto eu estava totalmente submisso á ele.

- Sungmin, eu te falei. Fique longe de mim que eu te seguirei.

- Não duvidarei de você.

- Você não faz ideia do quanto esperei por esse momento. – Disse ele escondendo seu rosto nos fios negros de meus cabelos, enquanto eu escondia meu rosto em seu pescoço nu.

- Quanto tempo?

- 5 anos, desde a primeira vez em que te vira.

- O que você sente por mim Kyuhyun? – Era uma pergunta que nunca se calava em minha mente, para mim fazer aquilo seria apenas com a pessoa da qual já teria uma certa confiança. Mas e ele? O que ele sentia por mim? Era um sentimento do qual seria digno de minha atenção?

- Um sentimento que nunca senti antes. Eu te amo Lee Sungmin.

Senti meu coração acelerar os batimentos, novamente aquela sensação boa, de ansiedade e nervosismo. Como ele poderia dizer tais palavras com tamanha certeza? Eu sentira o mesmo? Juro que gosto dele, mas gostar é diferente de amar, que é diferente de paixão. Tanto paixão quanto gostar são emoções momentâneas, enquanto o amor dura, para todo o sempre. Posso admitir que sua companhia é boa, sua voz melodioso em meus ouvidos, seu jeito frio e arrogante me dá nos nervos, me deixando com vontade de saber qual o motivo de tal frieza, para depois dar-lhe a cura. Sim eu gosto dele, mas não sei o quanto, tudo isso é novo para mim, porém sinto a necessidade de lhe dar uma resposta. Dependendo do que lhe falar, ele poderá se afastar de mim, me deixando com a solidão e a ilusão. Se lhe dissesse que correspondo a seus sentimentos, ele ficara feliz, mas eu não, pois estou confuso quanto a isso.

- Não precisa me responder. Apenas fique ao meu lado que será suficiente.

- Já disse que meus pensamentos é privacidade.

- Não, eles são apenas o segredo de minha mágica.

- Kyuhyun, você ficou bravo quando eu soube o que havia acontecido com você?

- Não, pois você apenas sabe que eu estou morto, mais nada. E não lhe contar, sei que gosta de investigar as coisas. Por isso acredito que será mais divertido se você fizer por conta própria.

Sorri ao ver o tamanho de sua confiança em mim. Ele soube através de Henry, disso não tenho duvida, o mais novo sente medo de Kyuhyun, por isso quando eu saí ele deve ter feito o pequeno falar. 

- Tive medo. – Disse Kyuhyun quebrando minha linha de raciocínio.

- Do que?

- Tive medo de que assim que soubesse sobre mim, você fugisse que nunca mais quisesse olhar em meus olhos. Fico muito contente em saber que estás comigo.

- Fico feliz, que no fundo você seja esse rapaz doce.

- Apenas com você.

Novamente ficamos trocando caricias. Sei que meus sentimentos irão crescer e que no final eu irei me machucar. Mas não posso evitar, me odeio por ter caído em sua armadilha de forma tão fácil. Mas mesmo assim as sensações que ele me traz é algo que eu não irei trocar por nada, daria a minha vida, para que todo sempre sentisse isso.

Acordara cedo dessa vez, Kyuhyun fora para a sua cama, depois que eu caí no sono. Agora são 6h, hora perfeita para sair. Tomei um banho rápido, colocando o uniforme. Peguei minha bolsa mais o livro, e sai do quarto rumando para o primeiro prédio. Olhei em volta vendo que a concentração de alunos era pequena, apertei o passo, passando pelo primeiro andar, que era a biblioteca, refeitório, salas dos professores. Subi as escadas indo para o corredor dos primeiros anos, subi mais um lance de escadas indo para as salas dos segundos anos, e mais um lance de escadas que eram dos terceiros. O próximo andar seria dos grupos de aulas extracurriculares, como dança, teatros, canto, esportes. No final do andar tinha mais um lance de escadas que no primeiro degrau havia uma corrente impedindo a minha entrada.

Na corrente havia uma placa de ‘’Não ultrapasse’’, que fora ignorada por mim. Pulei a corrente, subindo o primeiro degrau, me apoiando na parede. Precisaria esperar, queria saber se realmente existia algum tipo de espírito, e para isso teria quer ser depois que o sinal tocasse, para não confundir com os murmúrios dos alunos. Como havia chego cedo, me sentei no degrau e continuei a ler o livro, para saber o que fazer caso visse alguém.

‘’Olhei para a porta lá estava eles. Um garoto que deveria ter dezessete anos, estava com o rosto pálido, os olhos totalmente negros e seus cabelos desgrenhados. Seu rosto era aterrorizante, mas nada fez apenas sorriu e veio em minha direção. Comecei a correr indo para a porta dos fundo do laboratório, quebrando tudo quanto era frasco enquanto pulava as mesas que tinha em meu caminho. Cada passo meu mais perto aquele garoto ficava de mim, abri a maçaneta dando de cara com uma garota de cabelos lisos, pele branca e olhos negros como o do outro fantasma. Um grito de pavor se entalara em minha garganta, mas nenhum som era proferido.

Cai no chão, já vendo que a minha morte seria agora. Porém nada aconteceu, os fantasmas me olhavam seriamente, um deles mexeu o nariz como se fossem um cão farejador. Ao sentirem um cheiro, eles se afastaram. Quando em vi livres deles, puxei minha jaqueta, tentando sentir o aroma que teria feito aqueles fantasmas irem embora. Era cheiro de meu amigo fantasma. Aquele amigo que mais cedo me abraçara como um ato de proteção, seu cheiro ficara impregnado em minhas roupas. Meu amigo fantasma me ajudara, mais uma vez. ’’ 

Ouvira o sinal bater avisando que a aula começaria. Guardei o livro em minha mochila, e me pus de pé. Bufei, pois não tinha um amigo fantasma que havia me abraçado deixando seu cheiro em mim, teria que morrer se fosse o caso. Comecei a subir as escadas, que me mostravam um longo corredor em seu final. O corredor era extenso e estava claro, o que me deixara mais aliviado.

Comecei a andar em passos lentos, tentando absorver algum tipo de som vindo do além. Olhei á minha volta, vendo que algumas portas estavam abertas, mostrando salas escuras e destruídas. Ouvi uma risada, parecida com a de uma criança divertida. Olhei para trás, mas nada via, voltei a andar novamente, tendo a risada rondando em minha cabeça. A cada passo olhava ao meu redor procurando por alguma presença, mas nada vendo.

Mais uma vez a risada ecoara pelo corredor, olhei para frente vendo o laboratório com a porta fechada. Girei a maçaneta vendo que a mesma estava destrancada. Entrei no laboratório que era do mesmo jeito que fora descrevido no livro, as mesas retangulares, os espécimes guardados em pote em conserva, as anatomias humanas, até mesmo o frasco contendo uma mistura. Aproximei-me do frasco sentindo o cheiro de enxofre com água, realmente era forte o cheiro, o mesmo cheiro forte que Kyuhyun exalava. Coloquei o frasco na mesa, ouvindo a risada novamente ecoar pela sala. Olhei para a porta, deixando meu corpo virar também, mas nada encontrara, ao me voltar novamente para o frasco, dera de cara com um garoto pequeno com o rosto pálido e olhos negros, seus cabelos estavam para cima em forma de topete, sua roupa era branca rasgada e suja de sangue. 

Dei um jeito de engolir meu grito e me pus a correr para fora da sala. Exatamente como no livro o fantasmas se aproximava mais de mim enquanto eu corria. Dessa vez corri para as escadas onde anteriormente subia. Mas quando cheguei perto da escada uma garotinha surgira, ela estava deitada no chão, com uma poça de sangue ao seu redor. Não dera tempo de parar de correr, acabei tropeçando em seu corpo caindo escada abaixo, sentindo minhas costas doerem e latejarem, uma dor maior veio ao sentir meu rosto batendo em algo solido.

Ficara tonto com a queda, vi que ainda estava no primeiro lance de escadas, que para chegar ao corredor de salas de aulas extracurriculares, teria que descer o segundo lance. Mas estava fraco, senti algo escorrer em minha testa, passei os dedos, vendo que era sangue, tentei me levantar mas tudo doía. O pânico tomou conta de mim quando vira o menino se aproximar novamente de mim com uma faca em mãos, a faca estava sujo de sangue, e ele sorria para mim.

- Mais um para a coleção. – Dissera o menino.

Meu coração batia rapidamente, não tinha mais nada a fazer. Meu corpo doía, principalmente a cabeça, não tinha forças para me levantar e sair correndo. A visão do menino fora ficando embaçada, e então a escuridão tomou conta de tudo.

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