{The Ghost Of...} Capitulo 7 - Segredos


Ficara espantado ao ver o tumulo com o nome de Kyuhyun, mas tentei imaginar se não era algum parente dele que morrera ali, por isso ele não vê repugnância em morar no quinto andar. Deve ser esse o motivo de ele não querer que eu viesse aqui, para não atrapalhar a sua família. Parecia aceitável essa desculpa, mas não passava de mentira. Sei que têm algo a mais escondido ali, se ao meu lado tenho um vampiro, nada mais me surpreende nessa vida.

Ficara curioso em saber de quem pertencia o outro tumulo, Henry mexia na única estante que havia naquele lugar, e a mesma estava cheia de papéis, separados em anos, cada ano é um arquivo. Deixara isso para depois, pois estava curioso em saber á quem pertencia o outro tumulo. 

Fazendo o mesmo com o anterior, tirei a poeira, vendo o nome ‘’Kim JongWoon’’, não conheço o nome, então me viro para Henry que me estendia um dos arquivos. Peguei a primeira que na frente dizia ‘’Cho Kyuhyun’’, abri ela me deparando com a foto 3x4 de Kyuhyun. Seus cabelos eram um pouco maiores e negros igualmente á seus olhos frios, sua pele era bem clarinha o que chamava minha atenção. Olhei para a ficha em si vendo que realmente era ele, aquele ser que dividi o quarto comigo, é um dos alunos mortos á mais de vinte anos. Aproximei-me da estante, procurando pela pasta de 1990, onde provavelmente teve o ocorrido. Queria saber do motivo de ele ter morrido. Peguei a pasta com o nome dele e abri vendo que nos arquivos tinha alguns papéis de jornais, descrevendo o ocorrido da época.

‘’Os alunos Cho Kyuhyun (17) e Kim JongWoon (18) foram encontrados mortos na manha do sábado (14). Seus corpos foram encontrados pela zeladora, que imediatamente ligou para a policia. 

Não se sabe a causa das mortes, sendo a única pista no pescoço de Kim JongWoon marcas de caninos.

Após o relato da morte dos alunos, a diretora criou uma sala secreta na ala de pedagogia, enterrando os corpos dos alunos. Duas semanas depois a mesma zeladora pedira demissão ao sofrer alucinações dos alunos, como vê-los em pé no quinto.

A diretora fechou o quinto andar do segundo prédio com as intenções de não deixar seus alunos assustados.’’

Me encostei na parede tentando absorver todas aquelas informações obtidas. Kyuhyun era um dos alunos novos. Isso é muito chocante. Estiquei minha mão vendo que a mesma tremia, como se eu fosse um covarde. Respirei fundo, o que não dera muito certo, ainda sentia minha mão tremer. Meus pés bambeavam, não me deixando andar. Queria sair Dalí, quero ficar longe de tudo isso, mas meus pés não se moviam, algo me prendia ali. Respirei fundo lembrando que ainda não descobrira o outro aluno.

Com toda a força que pude reunir, caminhei até a estante, peguei o outro arquivo com o nome do estranho. Abri a pasta, encontrando a foto de Yesung. Fechei os olhos sentindo meu coração bater rapidamente. Meu amigo, posso afirmar ser meu melhor amigo, Ryeowook está apaixonado por um morto. E nesse exato momento indo á um encontro com ele. Senti meu estomago embrulhar, o suor escorria pelo meu rosto deixando claro que era informação de mais.

Henry me pegou no colo de forma heroica, como se eu tivesse o peso de uma pena. Pegou as mochilas e logo caminhou para fora daquela sala escura. Não aguentei, queria dormir, queria de um momento de descanso, pois precisaria de energia para continuar. Sabia que ao acordar a minha curiosidade clamaria por mais informação, pois sempre fui assim, curioso. Encostei a cabeça no ombro de Henry, fechando os olhos me permitindo descansar.

Acordei com o vento soprando em meu rosto, mostrando que já era de manha. Olhei para o lado, e pude ver que estava deitado em uma cama. Olhei para a porta que dava a vista da sala da casa de Henry. Suspirei aliviado, menos mal, não conseguiria encarar Kyuhyun por um tempo. 

Cocei a cabeça me levantando, fui ao banheiro lavando o rosto. Fui para a sala, vendo que tudo estava escuro, as cortinas estavam fechadas bloqueando a luz que o sol trazia. Henry assistia televisão com um pacote de sangue em mãos, pude ver que o pequeno usava pijama azul com bolinhas brancas, ele dava risada baixa, se controlando para não exagerar. Ele fungou algo no ar logo se virando para mim. Terminou de tomar o liquido grosso em suas mãos, logo abrindo um sorriso.

- Hyung.

Me surpreendera ao ouvir a voz do pequeno. Nunca imaginaria que ele falasse, apenas pensei na hipótese de ele ter nascido mudo.

- Você fala.

- Ah, é uma história longa. 

Olhei no relógio, vendo que era nove horas da manha, e como era domingo não teria nada de interessante em se fazer. Também não sentia vontade em voltar para o dormitório, mesmo querendo saber se meu amigo estava bem, mas apenas sentia um frio na espinha ao pensar em quem estaria ao seu lado.

- Tenho tempo.

- Você está bem hyung?

- Claro. – Sorri ao ver Henry fazer uma cara de preocupado.

Me aproximei dele, vendo que o mais novo se preparava para contar o que sabia, a conversa seria longa, isso já dera para ser visto.

- No livro é citado que um vampiro espera por seu dono. Eu realmente espero alguém, sendo que essa pessoa é a única que pode escutar minha voz.

- E porque está falando comigo?

- Para falar a verdade, eu escolho quem vai ser a pessoa, não tem que ser necessariamente o meu criador, mas alguém que eu sinta que me faça companhia. E eu senti confiança em você, principalmente ontem a noite.

- Henry, isso foi muito emocionante. – Disse fazendo o Maximo para não chorar.

Poderia parecer bobagem, mas era real aquela história. O livro dizia que o vampiro têm dois lados, um que do mal que mata as pessoas friamente, apenas se importando com sua sobrevivência própria, e o lado do bem, que era caso de Henry, onde os vampiros, queiram viver entre os humanos de forma que acabe com seu tédio. Porém eles se sentem sozinhos, por isso esperam por seu dono de boca calada. Apenas esperando aquele que o criou para poder aproveitar da vida. Mas Henry sabe que seu dono iria demorar a chegar, por isso depositou suas esperanças em mim, e me senti muito honrado em me tornar importante para o pequeno, que de olhar eu sentia a minha solidão nele.

- E sobre ontem, você sabia sobre os dois? – Perguntei á ele.

- Bom, sabia que tinha algo diferente neles, mas nunca cheguei perto do JongWoon, ele é estranho, mas Kyuhyun têm um cheiro diferente.

- Defina diferente.

- O JongWoon têm cheiro de morte, um cheiro de ferro, não sei como explicar. Mas o Kyunnie cheira a enxofre.

Parei para pensar. Kyuhyun sendo um dos alunos mortos deve ter passado por algum tipo de ritual. Alguém, ou humano, trouxe ele á vida em base á um ritual que se usa o enxofre. Sendo isso o motivo do cheiro que Henry descrevera.

Depois dessa descoberta faz sentido que ele sempre descobre o que penso. Eu sabia que não falava alto o que pensava, era ele que lia. Se eu me afastar de Kyuhyun provavelmente irá ler meus pensamentos para saber o motivo de meu afastamento. Então o que eu deveria fazer para mantê-lo longe até que confirmasse tudo o que sei? Tenho apenas que parar de pensar, mas como se minha mente apenas me pergunta qual seria a próxima descoberta?

Fiquei pensando tanto que me esquecera de Henry, que já desistira de tentar falar comigo. Levantei-me indo para a cozinha, preparei algo para comer e logo fui tomar um banho, colocando uma roupa de Henry, que por incrível que pareça coube certinho em mim. Estava saindo do banho e me deparei com Kyuhyun me olhando incrédulo, logo os flashes da noite passada se passaram em um instante. Ele leria se eu continuasse desse jeito, resolvi criar uma fantasia para despista-lo. Parei de pensar e me aproximei de Kyuhyun com um sorriso no rosto, enquanto esfregava a toalha nos meus cabelos molhados.

- Bom dia Kyuhyun. – Disse vendo que o mesmo me olhava de cima a baixo com um olhar incrédulo.

- Posso saber por que está usando as roupas de Henry?

Fiquei quieto um tempo, sentindo meu rosto ficar quente. Kyuhyun me olhara de forma fria e penetrante, seria agora que ele iria invadir meus pensamentos. Criei uma fantasia em que eu e Henry passamos a noite juntos de forma sexual. Tentei imaginar o melhor que pude, gemidos suor, tudo nos mínimos detalhes. Tentara imaginar tudo para que parecesse de forma real, uma forma tão real que Kyuhyun pudesse acreditar.

Pude ver que a minha ideia dera certa, ao ver o olhar de Kyuhyun se baixar lentamente,ele juntou as mãos de forma nervosa, como se tivesse ficado arrependido de ter feito algo. Ele olhava para Henry que encolhia os ombros. O olhar de Kyuhyun fora de constrangedor para raivoso, ele olhava Henry de forma quente, com raiva, fazendo o mais novo sair correndo do sofá até mim, me abraçando pela cintura, escondendo seu rosto em minhas costas. Para dar mais realidade á situação, abracei Henry de forma calorosa, que deixou Kyuhyun sentar no sofá de forma grossa, como se fosse o dono da casa.

- Aconteceu alguma coisa? – Perguntei tentando fingir desentendimento.

- Nada. – Bufou Kyuhyun.

Tentei andar mas Henry não deixava, com ele em minha cintura, fiz força para caminhar até a cozinha indo preparar algo para o almoço. Perguntei se Kyuhyun ficaria para almoçar, recebendo em resposta um sim gritado e rouca. Conseguira deixa-lo com raiva com algo, não sei se dera certo, mas ao ver suas ações, julgaria que sim.

Coloquei Henry em minha frente depositando um beijo em sua testa, dando-lhe um sorriso de confiança, pedindo silenciosamente para que ele confiasse em mim, recebi um sorriso da parte do pequeno, que me abraçara mais forte.

Eu e Henry cozinhamos novamente, dessa vez fizemos panquecas recheadas com carne. Fizemos da melhor forma possível e também em grande quantidade, resultando muitas risadas e coisas para serem lavadas depois. Enquanto cozinhávamos Kyuhyun apenas nos olhava da sala, sentia seu olhar em mim, mas Henry sempre me chamara a atenção para que não me queimasse ou algo do gênero.

Não demoramos e logo botamos os pratos na mesa e comemos. Kyuhyun nos olhava, em cada mordida na panqueca que tinha enrolada a carne. Ele nos olhava de forma intensa, me deixando incomodado. Eu precisaria ser mais especifico em minha linha de pensamentos, deveria pensar em algo que o deixasse mais calmo? Senti meu coração vibrar em resposta, sim eu teria que pensar em algo que o deixasse feliz.

Tentei imaginar Kyuhyun sorrindo, em como gostaria de vê-lo sorrir do que ver a face carrancuda de que estava atualmente. Vendo que estava dando certo ele me olhara intensivamente, e logo um sorriso, do qual havia imaginado brotou em seus lábios. Para cortar o clima Henry depositara sua mão em cima da minha, vendo o sorriso de Kyuhyun desaparecer. 

O clima pelo resto do almoço fora assim, de forma pesada. Nada deixava a atmosfera mais leve e divertida. Depois do almoço Henry fora dormir, ele não havia pregados os olhos pensando na hipótese de eu ter um pesadelo e precisar de algo que me acalmasse. Enquanto ele dormia me sentei no sofá dando continuidade ao meu livro. Kyuhyun assistia televisão em silêncio, tanto para não acordar Henry quanto para atrapalhar a minha concentração.

‘’Depois de ver o que havia naquele lugar, ficara espantado ao ver os rostos conhecidos. Não queria acreditar que aquelas pessoas estavam mortas, sendo que mais cedo havia conversado com eles, juntamente ao um grupo de estudantes. 

Mas não poderia parar por aí, sabia que ainda eles escondiam muitos segredos, que havia muita coisa a ser esclarecida. Como, por exemplo, a pergunta que não se cala, como foi que aqueles estudantes havia morrido? 

Por acaso deveria voltar á sala secreta? Não, aqueles papeis me foram inúteis, não deixaram nada comprovado, a não ser a morte dos dois serem de conhecimento publico. Então quem os matou, porque deixariam tais marcas em seus corpos?’’

O livro descrevia tudo o que eu havia passado, mas uma parte me chamara atenção. A única coisa sobre marcas nos corpos, fora o que estava escrito em um dos artigos dos jornais, que falavam sobre marcas de dentes, os caninos, mas estavam no corpo de Yesung, nada relatava quanto ao outro corpo.

Olhei para o lado, procurando algum machucado ou cicatriz visível em seu corpo, mas a única parte expostas eram seus braços e pescoço, e nem se quer pelo ele tinha. Tentei afastar os pensamentos, para que o mesmo não soubesse o que eu tramava. Abaixei o livro, tentando imaginar algo como desculpa para o que eu fosse perguntar. Quando terminei de formular tudo, olhei para Kyuhyun.

- Ei, Kyuhyun. – Ele se demorou para olhar para mim, parecia entretido no que se passava na televisão. – Você têm alguma marca no corpo?

- Por que quer saber?

- O Henry têm uma marca, e quando perguntei ele disse que tinha sido feita quando resolveram jogar futebol e quebraram a janela, ele me disse que você também se machucou.

Kyuhyun olhara para mim de forma intensa, não ele não caiu na minha desculpa. Henry nunca me contara tal história, muito menos havia algum sinal em seu corpo, e vendo que Kyuhyun conhece o mais novo a mais tempo que eu, ele deve ter percebido que eu mentira para ele, ou que Henry havia contado alguma besteira, tentando se gabar.

- Tenho uma na barriga.

Ele se levantou, logo levantou a camisa mostrando a cicatriz em sua barriga. Ela parecia recente, pois estava inchada e bem vermelha. Queria tocar, e não segurei a vontade, toquei ela com a ponta dos dedos, de forma leve que não o machucasse. Olhei para Kyuhyun que me olhava friamente, percebi que havia agido de forma imprudente. Me recompus no sofá, ficando com a coluna ereta, e olhar baixo mostrando vergonha.

- Desculpa. – Foi o que eu murmurei para ele.

- Não tem problema.

Kyuhyun sentou-se novamente no sofá, porém perto de mim. Pude sentir meu coração batendo rapidamente e descompassada mente, coloquei a mão no peito, sentindo o coração bater. Respirei fundo por algum tempo, vendo que minha respiração estava tremula, estiquei meus dedos que tremiam levemente. O vento jogou as cortinas deixando a brisa fria passar pela sala, senti o aroma de enxofre invadir minhas narinas, olhei para Kyuhyun que me olhava de forma fria e curiosa.

Tentei desviar de seu olhar, mas ele erguera meu queixo com sua mão esquerda, deixando nosso rostos próximos. Os seus olhos negros, me penetravam a alma de jeito perturbador, me senti inofensivo, como um cachorro sem dono fugindo da carroçinha. Pude ver que seus olhos se variavam entre meus olhos e minha boca. Senti meu coração bater mais forte, uma sensação que jamais sentira em toda a minha vida.

- Nunca mais faça isso.

Foram as únicas palavras de Kyuhyun, antes de tomar meus lábios para si de forma possessiva. Ele começou com um beijo leve e carinhoso, como se quisesse apenas tirar uma duvida. Me afastei dele com um empurrão, cobrindo a minha boca, minha respiração falhava, junto com meu coração. Corri ao quarto de Henry, sem me importar em acordar o pequeno, apenas peguei minhas coisas e sai da casa de madeira, indo em direção do segundo prédio. Prescisava tirar ele de meus pensamentos, e acalmar as preocupações de meu coração. Sendo uma delas em saber como meu amigo estava.

Andava pelos corredores com certa pressa. Ainda com a mão em meus lábios não acreditando no que acontecera mais cedo. Ainda posso sentir a maciez de seus lábios fazendo pressão sobre os meus. A forma de como reagira ao seu toque foram surpreendentes para mim. Meu coração batendo rapidamente, pensar em mais nada, e ainda mais o desejo de querer mais. Não, não poderia continuar com aquilo, fiz bem em me afastar, ele poderia ter jogado um feitiço em mim, se é que isso fosse possível. 

Me dei conta de que estava parado em frente a porta do quarto de meu amigo Ryeowook, não se demorou para a minha preocupação me afligir. Sabia que de que Yesung estava morto, mas não sabia como andava. Claro que com os pés, obvio, mas ele seria um fantasma, ou algo do tipo? 

Criei coragem e bati na porta de madeira. No meu segundo toque a porta foi aberta, mostrando meu amigo baixinho, com os olhos surpresos. Pela suas vestes, pude perceber que não fazia muito tempo que havia acordado. 

- Minnie, entre. – Disse o baixinho me dando passagem para adentrar em seu quarto. 

- Com licença. Eu queria saber como foi seu encontro. 

- Ah, - Wookie, baixou a cabeça, escondendo o tom rosado de seu rosto. – Tenho uma coisa a te perguntar, sobre isso. 

Sentei em sua cama, e esperei a pergunta dele, algo dentro de mim sabia o que ele iria perguntar, ou pelo menos, esperava que ele perguntasse. 

- Você já sabia? – Perguntou ele em tom de voz baixo, me aproximei dele tentando escutar melhor. 

- Do que? 

- Que o Yesung é um vampiro? 

Arregalei os olhos surpreso. Sabia que estava morto, mas não que era um vampiro. Além de Henry a escola tinha outro ser sobrenatural, dessa vez escondido entre seus alunos. Não posso me esquecer de que Kyuhyun também é um desses seres, porém ainda me é indefinido. Poderia até cogitar a ideia dele ser outro vampiro, mas como isso explica o fato de ele sair no sol? Já havia reparado que Yesung sempre anda nas sombras, nunca pisou em locais onde o sol pegava, apenas nas sombras, mas na época havia pensando que ele não gostava do sol, pois tinha alergia ou algo do tipo. Agora sei que sua alergia pode lhe trazer a morte, ou algo do tipo. Nunca se sabe qual dessas lendas são verdadeiras. 

- Irei ser sincero, contigo Wookie, pois você é meu único amigo. 

Contei á Ryeowook tudo o que havia passado desde a minha entrada na escola. Sobre como Kyuhyun agia sob minha presença, sobre Henry, sobre o livro que pegara na biblioteca, sobre a descoberta, e tudo mais que lhe podia contar, até mesmo sobre o beijo que Kyuhyun me dera. Posso afirmar que senti um peso sair de minhas costas, guardar tamanho segredos é de certa forma cansativo, apenas me faz sentir solitário, como se fosse o único humano á ter que guardar esse segredo. Mas agora tinha Ryeowook que escutara tudo de forma compreensiva e sem me interromper. 

- Uau, sabia que tinha algo estranho nesse colégio. – Disse ele por fim. 

- E agora eu não pretendo me encontrar com Kyuhyun. 

- Mas vocês são colegas de quarto. Como poderá não vê-lo? 

- Não sei, darei um jeito, mas acredito que ele pensa muita besteira sobre mim. 

- Você dormindo com um vampiro que morreu aos dez anos de idade? Claro que ele pensaria. 

Continuamos a conversar, porém sobre seu encontro. Ryeowook me contava sobre como Yesung lhe fora gentil o suficiente em lhe contar o que realmente era, e de quão apaixonado estava. Me senti como uma garota que suspira ao ver um conto de fadas, mas aquilo não era um livro de princesa e finais felizes, era a minha terrível e horripilante realidade. Conheço dois vampiros, e um ser morto que julgo a ser um zumbi, já que não sei qual é a sua espécie, e não pretendo me formar, só se for em detetive, já que me intrometi em assuntos que não me diziam a respeito. 

A porta foi aberta mostrando a figura de Yesung, que me olhara friamente, mas seu olhar mais quente, o de Kyuhyun eu me sentia da Antártica. Ele entrou no quarto, dando um beijo em Ryeowook e me encarou. 

- Ele sabe, ele realmente sabe. 

- Imaginei, o vi saindo da sala da pedagoga junto com Henry na noite passada. – Disse ele com sua voz fria. 

- Bom, vou deixa-los sozinhos e vou voltar ao quarto. 

- Você pode encontra-lo lá, se for. 

- Então irei á qualquer outro lugar onde possa terminar de ler o livro e terminar de bancar o detetive. 

Saí do quarto, deixando os dois sozinhos. Andei até o primeiro prédio, procurando pela biblioteca, lá seria um lugar onde Kyuhyun provavelmente iria passar muito tédio. Ele não gosta de ler, disso eu tenho certeza, já que nossos professores pediam livros para interpretássemos, Kyuhyun olhava para a capa dos livros e já bocejara. 

Abri a porta, vendo que tinha alguns alunos sentados nas mesas. Escolhi uma mesa afastada, precisava de privacidade para a minha leitura. Tinha uma vaga, ela era de canto, e ninguém se sentava perto. Afastei a cadeira me sentando, já abrindo o livro onde havia parado. 

‘’Andei pelos corredores da escola, ouvindo vozes que não me eram familiares. Olhava para trás e nada via, apenas acelerei o passo. O corredor frio e escuro me trazia uma aura assustadora, principalmente por estar sozinho. 

Passara por várias portas, mas nada de encontrar a que eu procurava me pus a pensar desde quando a sala de laboratório era tão longe? 

Como os alunos puderam ter passado por aquele lugar semanas antes de morrerem? Ouvira boatos de que o laboratório não era mais usado, por ter assombração de outros alunos que morreram depois de fazer certos rituais satânicos. Dizem alguns alunos de que os corredores são amaldiçoados por almas impertinentes, que se recusam a ir para outro lugar, como paraíso ou inferno. 

Realmente era assustador passar por aqui, não havia um sinal de luz que não seja a fina luz branca da lua cheia. Escutar passos e carteiras se arrastando são coisas fora de questão. Mas alguns gritos, sim isso poderia ser escutado. Como a escola poderia ter tal lugar? Penso que por mais que demolissem e fizessem algo diferente as almas iriam buscar por vingança. Mas por quê? Não faço a mínima ideia. 

A porta já estava aberta, entrei nela, encontrando as mesas retangulares com azulejos brancos e quadrados, com algumas ampolas, frascos com líquidos e potes com algum espécime morto como cobras morcegos. Na parede á minha esquerda havia uma estante com diversos crânios, cavalo, cachorro, gato é até mesmo humano. Ao redor das mesas havia algumas prateleiras, com bonecos de anatomia humana, o quadro negro continha algumas equações resolvidas. 

Olhando para a sala, não poderia afirmar que aquele lugar fora abandonado á alguns anos atrás. Mas sim que fora usado alguns momentos antes de minha chegada. Aproximei-me da mesa que continha os líquidos nos frasco, encostando de leve, sentindo que estava fria e grossa. Peguei o frasco para cheirar, sentindo o aroma de enxofre misturado com água. O cheiro era forte, por isso o afastara rapidamente. 

Uma voz vinda do corredor me fizera lembrar de que provavelmente não estaria sozinho, meu amigo havia me avisado para não ir aquele lugar, mas ignorara por causa de aguça curiosidade, deveria escuta-lo de vez em quando, pelo menos agora que sabia sobre sua verdadeira identidade. ’’ 

Levei um susto quando a porta da biblioteca fora fechada com a força do vento. Pousei minha mão em meu peito, sentindo meu coração batendo acelerado. Olhei em volta vendo que os alunos já haviam saído, olhei de relance para o relógio, que já mostrava 4h da tarde. 

Agora que estava sozinho, gostaria de saber se era a verdade de que mais alunos haviam morrido antes de Kyuhyun e Yesung. Poderia pensar na ideia de perguntar ao vampiro, mas me parece que ele não gosta muito de mim, e provavelmente ele deve estar com Ryeowook, não seria legal atrapalha-los. Poderia perguntar á Henry, mas e se Kyuhyun ainda estiver lá? 

Ainda tem essa questão, Kyuhyun. Só de pensar em seu nome a cena do beijo me vem a cabeça. Mas acredito que não custaria nada em pergunta-lhe, já que ele quer tamanha intimidade comigo. Não, não seria legal, não seria honesto de minha parte seduzir um adolescente morto, apenas para saber se mais alguém havia morrido. 

Balancei a cabeça em negação, peguei o livro e saí em direção da casa de Henry, sei que Kyuhyun não ficaria muito tempo lá, pelo menos é o que eu espero que tenha acontecido, ele ter saído. Atravessei o jardim, já me agachando sobre o chão, vendo a casa de Henry. 

Passei pela porta recebendo um abraço de meu pequeno. Ele me olhara choroso, aposto que Kyuhyun lhe dera uma bronca por causa de meus pensamentos insanos de mais cedo, mas aquilo foi uma situação de emergência, não queria que ele soubesse sobre o que havia feito noite passada, nem sobre minhas descobertas, mesmo que se relacionem com ele. 

- Hyung, você não faz ideia do quanto tive que ouvir daquele chato do Kyunnie. 

- Imagino sim, e pode apostar que não pretendo olhar a cara dele por um bom tempo. 

- Por que, hyung? 

- Ele me beijou. – Henry fizera uma cara de espanto seguido por uma de raiva, ele fechou os punhos, deixando suas presas de fora, e seus olhos vermelhos, seu rosto ficara branco como a neve ressaltando as veias negras. 

- Eu nunca vou perdoar ele por ter feito isso contigo, hyung. Você está proibido de ver ele. 

- Sim senhor. – Respondi sorrindo. – Agora se acalme que eu vim aqui te perguntar algumas coisas. 

Henry relaxou a já me puxou para dentro de casa. Me sentei no sofá e Henry se sentou em minha frente ansioso para as minhas perguntas. 

- Algum aluno morreu antes do Kyuhyun e de Yesung? 

- Ah sim, havia me esquecido disso, eu ia te contar mas o Kyunnie meio que atrapalhou. 

- Hoje de manha? 

- Sim. Bom vou contar então. – Henry ajeitara sua cabeça em meu colo para que ficasse confortável para me contar a história, acariciei seus cabelos numa forma de segurança, para que ele não sentisse medo em me contar. – Antes da morte de Kyuhyun e de Yesung, teve sim algumas mortes. Na época fazer rituais satânicos era algo proibido aqui na escola. E sabe como são os jovens, sempre gostam de fazer coisas proibidas. 

- Não faço coisas proibidas. 

- Você me imaginou com você fazendo... 

- Tá bom já entendi, continue. 

- Bom alguns alunos, se juntaram em grupo dizendo que era mentira, que não existia tal coisa, por isso pegaram uma noite de sexta feira trezes, justamente , para fazerem o ritual. O diretor da época ficou sabendo e expulsou os alunos, sendo que os mesmo morreram dois dias depois. Na sexta feira treze seguinte mais um grupo foi fazer o ritual, dessa vez foram as meninas. Elas fizeram o ritual na sala de laboratório, que agora é desativado. Como anteriormente, elas foram expulsas e dois dias depois mortas. 

‘’Rola boatos, que suas almas, por se sentirem solitárias e com raiva de algo continuam a vagar pelo colégio, mais precisamente o andar do laboratório. Ele fica no terceiro andar do primeiro prédio. Ele era a única sala a residir aquele andar. Depois da morte desses alunos, alguns estudantes que usavam o laboratório disseram que viram o espírito dos colegas, por isso o diretor desativou a sala e o corredor. Hoje em dia é estritamente proibida a entrada dos alunos.’’ 

- Você sabe o que estou pensando? – Perguntei, depois de imaginar as cenas. 

- Aposto que quer entrar lá para saber. 

- Também, mas acredito que isso não nada a ver com a morte de Kyuhyun e Yesung. 

- Por que? 

- Se não a escola estaria fechada como mal assombrada. Como pode ocorrer tais lendas e os alunos continuarem a estudar aqui sem se quer ter um pingo de medo? 

- Apesar das lendas o nível de ensino daqui é elevado. Você sabe disso, por isso os pais ignoram qualquer rumor ruim que tenha, desde que seus filhos se tornem prodígios, está tudo bem. 

- E outra, Hoje fiquei sabendo que Yesung é um vampiro, por acaso ele é o dono que você espera? 

Henry se sentara em um pulo, me olhando surpreso. Fora o que eu realmente pensei. Além de andar somente nas sombras, Yesung evita de passar perto do jardim. 

- Ah, mais segredos sendo descobertos por Lee Sungmin. Sim ele foi quem me mordeu, mas fui mordido porque eu pedi. Na época eu estava apegado á ele, não queria soltá-lo de forma nenhuma. Yesung ficou chateado e bravo, na época em que ele morrera descobri que ele havia sido transformado em vampiro, e que Kyuhyun era diferente. 

- Diferente como? 

- Não irei tirar a graça da história, você tem uma curiosidade em tanto, por isso não te contarei. Então, eu descobri e implorei á ele que me mordesse, queria ficar para sempre com ele. Mas no final ele me botou aqui e disse que voltaria. Fiquei aqui todos esses anos e apenas senti seu cheiro nada mais. Só Kyuhyun cuidou de mim durante todo esse tempo. 

- Nossa Henry, não sabia que havia passado por tudo isso. – Disse dando um abraço no pequeno. 

- Por isso eu gosto de você Minnie, você gosta de proteger as pessoas e têm uma curiosidade incrível. Cuidarei de você do mesmo jeito que cuida de mim. 

Sorri ao ver que o pequena tinha tamanha confiança em mim. Pensara uma vez se ele não achava que eu estava ao seu lado por puro interesse, mas Henry sabia que não. Fiquei conversando com ele mais um pouco e logo voltei para o dormitório, mais cedo ou mais tarde teria que me encontrar com Kyuhyun. 

Quando o elevador deu sinal de que havia chego a meu andar, senti minhas mãos tremerem junto com meu coração, estava ansioso, e não sabia por que. Andei em passos longos, diminuindo a distancia entre eu e a porta. Girei a maçaneta, vendo que Kyuhyun estava sentado na janela abaixo da escada. Olhava fixamente para o lado de fora. Engoli em seco, tentando ignorar sua presença e fazer de conta de que ele não tinha me visto nem eu o visto. Dera passos normais para a minha cama, guardando o livro debaixo do travesseiro, e logo me deitando na cama. 

- Por que faz isso comigo Sungmin? – Disse ele com uma voz rouca e trêmula. 

- O que eu fiz? 

- Por que imagina besteiras, apenas para me esconder algo? 

- Por acaso lê pensamentos? 

- Você sabe que sim. – Tremi, ele sabia, não Henry não devia ter contado á ele. Era isso que ele queria que eu pensasse que fora pego. Tentei esvair o pensamento, colocando qualquer outra coisa em mente. 

- Não sei sobre o que está falando. 

- Sungmin, desde que te vira, senti algo por você, vê-lo aqui, no mesmo quarto que eu, me deixara atordoado. Agora todos esses sentimentos se foram, apenas me pergunto do porque me queres longe de você. 

- Kyuhyun essa é a primeira vez que te vejo. Não te conheço de nenhum outro lugar. Não posso corresponder teus sentimentos. Desculpe-me. 

Kyuhyun se levantara vindo em minha direção, ficara de frente comigo olhando fixamente para meus olhos não me permitindo pensar em mais nada a não ser a situação atual. Ele fora devagarosamente se deitando sobre mim, já podia sentir o colchão em minhas costas e seu halito fresco em minha face. Seu rosto fora se aproximando do meu de forma devagar, todos seus movimentos eram lentos, queria aproveitar aquilo, sei que ele queria. 

A distância entre nós fora cortada por ele, que logo selara meus lábios graciosamente. Novamente seu gosto entrar em minha mente, como da ultima vez. Ele queria aprofundar o beijo, eu queria afasta-lo, mas não tinha forças para tal ato. Demorara demais em tentar repudia-lo, pois havia deixando invadir minha boca. Sua língua explorava toda a minha boca, como se quisesse memorizar cada canto de minha boca. 

Pude sentir que seu beijo não era agressivo, como seu olhar frio. Muito bem pelo contrário, sentia necessidade de sentir mais dele, mas não sabia me controlar. Não sabia como parar, estava se tornando vicioso para mim, percebera isso agora que estava circundando sua cintura, tentando aproximar ele mais, como um pedido silencioso de quer queria ir além daquilo. 

Seu beijo doce e suave, como poderia me deixar de tal forma? Para que precisava de ar? Como ele poderia me fazer sentir desse jeito, como se seu beijo fosse a única forma de me sentir vivo? Lembrar-me de seu gosto era a única forma de sentir meu coração batendo rapidamente, de sentir minha respiração se ofegar. E agora novamente provara de seus lábios, dessa vez que tinha culpa, pois pedira por mais, eu deixara claro que não queria vê-lo, no final das contas, estou deitado em minha cama com ele em cima de mim, me dando um beijo. 

Afastamos-nos por falta de ar, ele me olhara carinhosamente, alisava meu rosto com seus dedos longos de gelados. Seus olhos me transmitiam paz, uma paz que nunca pudera imaginar. Sem se quer ter percebido entrelacei seus dedos com os meus, Kyuhyun levou minha mão até seu peito, onde nenhum batimento cardíaco era notado. Lembrei-me do fato de que acabara de beijar um ser morto, que não sabia o que havia acontecido depois de sua morte, ele era um fantasma, um vampiro, um zumbi? Não sabia, apenas sentia a necessidade de sentir seus lábios.

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