{The Ghost Of...} Capitulo 6 - Sala Secreta


Sai correndo de meu quarto indo em direção do refeitório, estava tão ansioso pelo dia que iria passar, que gostaria que o anoitecer chegasse rapidamente. Á noite iria ao escritório das pedagogas ver qual é a verdade por detrás da porta ‘’secreta’’. Apesar de ter que ir no meio da noite, ou seja no escuro, eu tinha aquela necessidade de desvendar o mistério. Sei que o que Kyuhyun me dissera noite anterior poderia fazer sentido, mas para os alunos, para mim aquilo era ridículo, eu conheci um vampiro então essa história de estoque realmente parece boba.

Cheguei no refeitório que me parecia vazio, alguns alunos devem ter ido ontem para suas casas. Achei o Wookie sentado em nossa mesa sozinho, comendo ás pressas. Passei pelo Buffet e peguei algumas frutas cortadas mais um suco de manga. Andei até meu amigo, vendo que se assustara comigo. Dei um sorriso torto, ver Ryeowook retribuir o sorriso pôde notar o quão nervoso ele estava com seu encontro. 

Tudo bem, faz pouco tempo que eu havia chego aqui, mas não dá para não notar o quão apaixonado o meu amigo está, e temo dizer que isso me deixa muito feliz. 

- Coma devagar, se não vai se engasgar. – Falei.

- Desculpa, é que eu ainda tenho que ir à cidade comprar uma roupa para hoje.

- Você parece uma garota. 

- Hahaha muito engraçado. – Wookie desviou o olhar para a minha mochila. – Aonde vai?

- Conhecer os arredores do colégio, fiquei curioso sobre aqui.

- Tenha cuidado heim, ouvi dizer que tem um maníaco aí por fora.

- Se o maníaco for o Kyuhyun, então não me será novidade.

Tomamos nossos cafés em uma harmonia, uma paz que me parecia tão boa, sempre é assim quando estou próximo á ele, Ryeowook tira minhas preocupações fazendo-me relaxar, ele me lembra da água quente de um chuveiro. Wookie me deixou sozinho, indo para o centro da cidade ver a roupa para seu encontro. Aproveitei que a concentração dos alunos que ficaram no colégio, era pouca e me pus a ir ao jardim. Caminhei de forma calma e pacifica, não do mesmo jeito que correra para ir ao refeitório, os alunos devem ter pensado que eu era um esfomeado ou coisa do tipo.

Assim que cheguei no jardim, fui direto para os arbustos e trepadeiras onde escondia-se o buraco, me agachei jogando minha mochila primeira, engatinhei pelo buraco, me levantando enquanto limpava meus joelhos e a minha bolsa. Caminhei até a casa batendo o pé para tirar a sujeira já que no dia anterior a casa estava impecavelmente limpa. 

- Henry, cheguei – anunciei, vendo o pequeno vindo em minha direção e pulando em meu colo.

Ele me se aconchegava em meu peito, provavelmente feliz por me ver cumprido a promessa. Quando o mais novo terminou de fazer sua saudação, me levantei indo para a cozinha dele. Tinha que por um pouco das besteiras que havia trazido. Kyuhyun me dera no amanhecer, ele deu alguns pacotes de salgadinhos, que havia comprado na cantina e que não havia visto que eram os mesmo era do sabor que odiava então me deu. Peguei os salgadinhos e coloquei em cima da bancada. Enquanto tirava as besteiras da mochila, encontrei o livro da capa negra. Senti-me relutante, mas eu precisava fazer aquilo. Com o livro em mãos, fui até a sala, sentei ao lado de Henry que assistia a um programa de televisão já com o caderno e a caneta em mãos. 

- Henry. – Chamei-lhe a atenção e ele prontamente olhou para o livro, fazendo uma cara de que não gostara. – Você conhece o autor desse livro?

Henry pegara a folha de papel e já escrevia algo nela, logo me mostrando.

- ‘’Ele era um dos estudantes daqui. Mas ele morreu depois de escrever esse livro’’.

- Morreu do que?

- ‘’Não sei. Mas dizem que tudo o que está escrito ai é mentira. ’’

- Não acho que seja mentira.

- ‘’Por que não?’’.

- Tudo o que o personagem viveu pelo menos no inicio da história, é parecida com o que eu vi.

Henry arregalou os olhos, logo pegando o livro de minhas mãos, folheando as primeiras paginas. Leu os dois primeiros capítulos de forma rápida, o que me deixara espantado, depois de ler pegou a caneta e o papel escrevendo algo.

- ‘’Você é aluno novo, viu uma criatura das sombras que vive em uma casa de madeira, ou seja, eu. Você realmente parece o personagem. O Kyunnie sabe disso?"

- Kyuhyun? Apenas perguntei sobre a sala secreta, mas ele mentiu. Acho que não sabe de nada.

Henry engoliu em seco, seu rosto parecia assustado, ele olhava para a janela como se chamasse alguém, mas nada acontecia, cheguei a me perguntar se estava tudo bem com ele, mas fiquei quieto, não sabia se ele estava irritado com algo ou não. Henry logo voltou ao sofá, pegando a caneta e o papel novamente se pondo a escrever.

- ‘’Você pretende ver essa sala?’’

- Sim, depois que eu sair daqui, durante a noite.

- ‘’Kyunnie me disse que tens medo de escuro. Quer que eu te acompanhe?’’

Senti-me muito feliz em saber que o mais novo queria vir comigo para me proteger, mas eu estava espantado em saber que Kyuhyun lhe contara sobre meu medo. Mas do jeito ele falou dá impressão de que é só apagar a luz que o bicho papão viria me pegar, sendo que meu medo é maior do que isso. Kyuhyun não tem o direito de sair contado para a escola toda sobre meus medos, isso... É imperdoável, eu juro que ser o ver novamente quebro a cara dele em dois.

- Está tudo bem em você sair?

-‘’Se for a noite não vejo problemas. Mas têm uma coisa que me incomoda.’’

- O que?

-‘’Posso te chamar de Hyung?’’

- Pode.

Sorri ao ver que Henry estava se sentindo a vontade em minha presença. Ele parecia jovem, se ele fosse humano realmente o daria dez anos de idade, queria perguntar mas acredito que seja falta de educação, por isso mantive minha curiosidade longe, não queria estragar a aura divertida que fora crescendo entre nós.

Henry soltava seu sorriso a cada cena engraçada do desenho que se passava na televisão, sem perceber eu estava rindo junto com ele, como poderia ser tão contagioso o seu sorriso? Ficara rindo com o pequeno até ouvir minha barriga reclamar, olhei no relógio em meu pulso que marca meio dia, fiquei surpreso em ver que o tempo realmente se passara rapidamente.

Henry me puxou pelo braço até a cozinha mostrando que em sua geladeira havia comida, como legumes, verduras, frutas algumas sacolas com carne dentro, duas jarras de suco que me pareciam naturais. Olhei para o mais novo que escrevia apressadamente.

- ‘’Kyunnie comprou tudo isso ontem, depois que você saiu. ’’

Kyuhyun comprou tudo isso para um vampiro que mora sozinho? Ele comprou isso para ele mesmo ou então porque sabia que eu almoçaria aqui. Mas que ideia besta Sungmin é claro que ele sabe, ele estava presente na hora em que prometi á Henry que passaria o dia aqui. Ri da minha falta de atenção, quando Henry novamente erguia o caderno fazendo uma cara de pidão.

- ‘’Hyung, me ensina a cozinhar?’’

- Ensinarei tudo o que sei.

Henry abrira um grande sorriso, botando o caderno na mesa e voltando a atenção em mim. Lavei minhas mãos sendo seguido pelo meu dongsaeng, que repetia tudo o que eu fazia. Peguei um milho em conserva que havia em um dos armários, juntamente com ervilha. Mostrei como se abria a pequena lata, sem se cortar, deixando o liquido que havia dentro escorrer, deixando apenas metade. 

Vi que na geladeira havia presunto, e mostrei e Henry como cortar o presunto em cubinhos, tendo o cuidado de não deixa-lo cortar o dedo. Depois de cortar, ensinei a ele como fazer arroz, indo etapa por etapa, como lavar, como colocar o alho no fundo da panela, esperando o tempo certo em se colocar o arroz, a quantia certa de sal a se por, a colocar água e esperar que o arroz a absorvesse colocando mais água em seguida, para depois colocar o milho a ervilha, o presunto.

Perguntei-lhe se tinha mais alguma coisa que quisesse no arroz, e ele disse que sempre gostou de pizza, não poderia por uma pizza ali, mas tentaria fazer o gosto aparecer. Perguntei se ele tinha alguma vasilha grande, Henry logo pegou uma de vidro grosso de forma oval. Despejei o arroz dentro, logo pegando o queijo, colocando em cima do arroz. Ensinei-lhe a cortas azeitonas, mas Henry só sabia comê-las, tirando risos de mim. Jogamos as azeitonas em cima do queijo. Dessa vez pedi a Henry que cortasse o tomate, do mesmo jeito em que lhe ensinara a cortar o presunto.

Fiquei olhando o pequeno trabalhar, todos seus movimentos com a faca eram cuidadosos, e sem dizer na perfeição, parecia que ele dançava com a lâmina, fiquei impressionado com Henry. Depois que ele terminou espalhamos o mesmo em cima do queijo, ao lado das azeitonas, jogando por cima um orégano. Colocamos dentro do forno, olhando o queijo derreter, sentindo o grandioso cheiro delicioso que tomava conta da cozinha. Quando o queijo ficou derretido por completo, tiramos a vasilha, levando para a sala. E logo estávamos desfrutando de um belo almoço.

Esperei Henry provar, ele pegou um pouco do arroz levando-o até a boca. Mastigou por um tempo degustando, logo pegou o caderno em mãos e se pôs a escrever.

- ‘’Hyung está uma delicia, com certeza essa é a melhor refeição humana que eu já provei’’.

Parei para pensar um pouco, se ele era vampiro e necessitava de sangue, como ele sentira gosto da comida. Eu havia esquecido disso por completo enquanto cozinhávamos.

- Henry, você sente o gosto da comida?

- ‘’Sinto gosto, mas ela não mata a fome. Só fico satisfeito quando tomar sangue. ’’

Apesar desse pequeno detalhe, eu fiquei impressionado com Henry. Ele parecia saber cozinhar, tinha talento para isso,já que para cortar um presunto e tomate, abrir latas, e tudo mais ele parecia estar em uma fase de concentração não humana. Ele poderia ser chef de cozinha, é claro que ele precisaria de algum tempo de estudo, mas com certeza seria um dos melhores.

Parei de pensar no assunto e comecei a comer, vendo que Henry tinha razão, estava muito bom e com o sabor de pizza que ele desejara antes. Comemos em silêncio apenas aproveitando da comida saborosa que havias preparado. O que sobrara guardamos em um pote dentro da geladeira, logo lavando tudo o que havia sujado. Mas como era de esperar, começamos uma guerra de sabão, Henry tinha detergente na cara na camisa, e eu também, riamos da aparência do outro até que a barriga doesse.

Durante a tarde fizemos várias brincadeiras, como guerra de travesseiros, jogar vídeo game, jogo de tabuleiro, tudo que pudesse nos distrair e dar risada. Mas no momento em que olhara para o relógio vira que já era sete horas da noite, e novamente a barriga implorava por comida, já que não comemos nada durante a tarde.

Esquentamos do arroz, que havia feito na manha, e comemos. Logo Henry fora tomar banho, se preparar para a nossa aventura noturna. Enquanto ele se arrumava eu organizava o que precisaríamos, como lanterna, o livro, e a câmera digital.

Não se demorou muito e logo passávamos pelo buraco para ir em direção do primeiro prédio, na parte dos fundos, onde se encontravam a sala da pedagoga. Caminhamos pelo jardim tomando cuidado em não deixar algum aluno nos ver, poderia ser perigoso tanto para mim quanto para Henry.

Caminhamos até a porta dos fundos, abrimo-la passando pelo corredor escuro. Senti minhas mãos tremerem, mas passou assim que Henry, segurando minhas mãos, ligou a lanterna. O corredor pareceu-me maior. Procuramos pela sala, passando por várias portas, encontrando ela na sala da direita. Olhei com cuidado para o teto procurando por câmeras de segurança, vendo nenhuma era instalada ali.

Henry abriu a porta rapidamente, entramos sem fazer barulho. Assim que passei pela porta eu a fechei para ninguém pudesse suspeitar que alguém estivesse ali dentro. Caminhei pela sala, vendo que havia apenas uma estante de livros. Olhei para Henry que logo entendera o recado. Começamos a mexer nos livros, um de cada vez eu do lado direito e Henry do esquerdo. O livro de capa azul claro sem titulo, que estava no lado de Henry fez com que a estante se destrancasse, indo apenas um pouco pela frente. 

Pude sentir o vento gélido vindo por detrás da pequena fenda escura. Juntamente com Henry empurramos a estante para a esquerda, estava sentindo o suor escorrer pelo meu rosto, pois a madeira era pesada demais, mesmo com a força de Henry. Quando vimos que havíamos empurrado o suficiente para que possamos passar, pegamos as lanternas indo na frente, pois o mais curioso era eu.

Passei a lanterna no chão vendo que havia vários degraus, que provavelmente desciam em espiral. Desci degrau por degrau tateando a mão na parede, tendo o cuidado de não cair. Quando fizemos a curva da escada, pude ver o termino da mesma, senti meus pelos eriçarem e um nervosismo tomar conta de mim, era agora, a hora da verdade.

Vi que o lugar não era tão escuro assim, porém era claro, apenas iluminado com a luz fraca da lua. Passei a lanterna pelo centro da pequena sala, vendo duas elevações no centro. Parei ao lado de uma delas, com Henry ao meu lado, pude perceber que a elevação era de pedra e que havia algo escrito nela.

Passei os dedos afastando a poeira, vendo que tinha uma identificação. Arregalei os olhos, sabia que tinha algo errado com aquela pessoa, ele não me parecia confiável, mas o que tudo aquilo significava, porque ele mentira para mim?

- Henry, isso são túmulos, esse é o tumulo de Cho Kyuhyun.

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