{The Ghost Of...} Capitulo 5 - Livro


Ter Henry na minha frente me fez pensar se eu estava agindo de forma certa. Ele é uma criatura sobrenatural, mas uma parte de mim acreditava que ele era apenas um menino que gosta de beber sangue e que odeia sair no sol. É muito improvável que criaturas como vampiros existam, é muito improvável, mas o que pensar quando tinha uma á sua frente? Devo dizer que medo não é umas das emoções que estou sentindo agora, muito bem pelo contrário, me sinto á vontade á sua presença.

Uma das coisas que me perturbam desde que começara a conversar com Henry era o motivo dele não falar, nem se quer um ‘’ah’’ ele fala, tudo escrito no pedaço de papel, será que ele quer esbanjar que sua caligrafia é a mais bela de todos os tempos? Não, não seria isso. Bem não importa o qual motivo, apenas sei que ele é uma criatura muito boa e compreensível, pois não me perguntara se estava com medo de si. A conversa estava boa, Henry me perguntara o motivo de ter mudado de escola, e eu contava tudo a ele sem temer algo. A porta de madeira rangeu com a entrada de Kyuhyun, que ao me ver deixou o olhar frio de lado mostrando surpresa. Ele dava passos lentos até estar próximo ao sofá em que eu e Henry estávamos, apontou o dedo em minha direção, tentando dizer alguma coisa.

- O que faz aqui?

- Conversando com Henry. – Disse dando de ombros, enquanto Kyuhyun se vira para o vampiro dando-lhe um olhar reprovador, o que fizera o pequeno se encolher atrás de mim.

- Como achou esse lugar? Não era para alguém ficar sabendo.

- Oras, pare de ser chato quem esconde o que aqui. E pare de ficar olhando feio pro menino.

- Menino? Você sabe o que ele é?

Olhei para Henry, puxando o corpo do mais novo próximo ao meu, pousando sua cabeça em meu peito, tampando seus ouvidos para que não escutasse as besteiras que Kyuhyun provavelmente iria falar.

- Não fala assim dele.

- Tá e não está com medo?

- Medo do quê, ele me morder? Não nem um pouco.

- Você realmente é estranho.

Ignorei Kyuhyun passando a dar atenção á Henry que me olhava admirado, acho que ele sentiu a minha sinceridade. Passei os dedos nos cabelos acastanhado do menor, em um gesto de carinho, ele não se demorou em fechar os olhos, como se tivesse dormindo ou apenas aproveitando do meu toque. Deitei sua cabeça em meu colo deixando-o deitado de forma mais confortável. Kyuhyun olhava tudo de forma incrédula, desistiu de tentar argumentar alguma coisa e resolveu ir á cozinha, abrindo a geladeira vendo alguma coisa.

- Não conte a ninguém, Sungmin.

- Sobre Henry? Nem que me matem.

- Por que está sendo tão generoso? – Era bom de mais para ser verdade, o olhar frio, ou melhor, congelante de Kyuhyun se voltara ao rosto, deixando-me envergonhado, parecia que ele olhava-me a alma, e isso não é legal.

- Com Henry? Gostei dele, menino bonzinho me entende e ele me parecia solitário, quero fazer companhia para ele.

- Não acredito que esse pirralho fez isso. – Dizia Kyuhyun como se o pequeno tivesse feito algo de errado e ele não aprovasse. – É só virar as costas que ele apronta. Sungmin vai embora, depois a gente conversa. 

Kyuhyun puxara a mão que mexia nos cabelos de Henry ,de forma brusca fazendo o mais novo acordar rapidamente. Kyuhyun fez força para me levantar do sofá, mas Henry soltara em cima dele, fazendo-o cair no chão. Henry parecia um cachorro, pois rosnava como se Kyuhyun tivesse mexido em seu osso. Peguei na cintura de Henry fazendo-o se sentar novamente. Assim que Kyuhyun se levantou Henry me abraçou de forma possessiva, só então eu havia entendido que ele ficara ofendido em ver Kyuhyun me tirando de seu lado. Envolvi Henry em um abraço de agradecimento, era a primeira vez que alguém demonstrava ciúmes dessa forma.

- Isso não é ciúme, é possessão mesmo. – Dissera Kyuhyun como se lesse os meus pensamentos.

Ignorei-o e olhei para o relógio em meu pulso, já estava tarde da noite tinha que descansar, e como amanha é sábado eu poderia vir aqui mais cedo para passar o dia com o vampiro. Virei-me para Henry, olhei em seus olhos puxando a sua mão, entrelacei nossos mindinhos.

- Henry, eu tenho que ir dormir, tem algumas coisas a fazer, eu prometo – Disse fazendo no mindinho. – que amanhã eu venho passar o dia com você. Tudo bem?

Henry me pareceu chateado, mas quando mencionei que no dia seguinte passaríamos a tarde toda juntos ele sorrira. Não ressiti á ele, dei-lhe um beijo na testa desejando-lhe uma boa noite. Kyuhyun que estava sentado olhando-nos apenas me fitou de forma repulsiva, ignorei seu olhar e sai da casa de madeira. 

Caminhei pelo pequeno jardim que mais cedo me parecera assustador e logo me agachei para passar pelo buraco de tijolos. Antes de sair por completo olhei pelos lados para ver se tinha gente por perto, mas como não tinha saí rápido, indo correndo para dentro do primeiro prédio, á procura da biblioteca.

Como já estava escuro as luminárias penduradas nas paredes do corredor era a minha única fonte de luz. Apesar de ter visto, pela primeira vez, um vampiro eu ainda tinha medo do escuro. Isso não me era normal, como posso ficar calmo em frente a um menino que sua única fonte de alimentação é sangue, principalmente humano, mas quando está presente em um lugar totalmente obscuro ser o meu maior pânico? Nossa eu realmente sou estranho, nisso Kyuhyun estava certo.

Os corredores me pareciam menores, cheguei rapidamente á biblioteca que para a minha sorte estava aberta. Fui em direção dos livros em que provavelmente teriam algum relato sobre o passado da escola. Tem que estar relacionado com vampiros, dedilhei livro por livro a procura de algum que fizesse sentido ao que eu procurava. Um livro negro sem nenhum símbolo, apenas escrito em branco ‘’The ghost of Falls School’’, só poderia ser esse, têm o nome da escola nele, junto com ghost que segundo o meu entendimento de inglês significa fantasma. O fantasma da Falls School.

Peguei o livro e fui em direção da bibliotecária que anotou meu nome, turma, e o nome do livro. Ela fez pouco caso do livro que eu havia pego o que me deixou triste, será que ele era apenas uma história para assustar crianças? Mesmo assim iria ler, pois me parecia intrigante. Sai da biblioteca a fui direto para meu quarto pelo caminho mais iluminado, como tudo estava silencioso fiquei com um pés atrás, não iria aparecer nenhuma alma da pior aparência atrás de mim, nem um zumbi querendo comer meu cérebro certo?

Peguei o elevador, não me demorei em entrar ao meu quarto quando a maquina abriu as portas. Corri até a porta, fechando-a assim que entrei, olhei para o segundo andar tentando ver se meu colega de quarto estaria presente, mas como estava escuro ou ele deve estar dormindo ou fazendo companhia para Henry. Tentei não pensar em Kyuhyun e me direcionei até minha cômoda, deixei o livro e logo peguei meu pijama, fui para o banheiro tomar um bom banho para relaxar.

A água quente, como sempre, levara embora todas as minhas preocupações, todos os meus choques, principalmente a de ver um vampiro em minha frente, se fora ralo a baixo. A única cois a que ficara em meu ser era a curiosidade sobre aquele livro. A sua capa simples negra com escrita branca deixara um ar misterioso, aquelas paginas deveriam ter algo escondido e eu tenho que ler pelo menos três capítulos. Terminei o banho, colocando meu pijama, assim que abri a porta do banheiro eu corri para a cômoda, pegando livro e me sentando confortavelmente na cama, logo abrindo o livro para ler seu conteúdo.

Cada pagina era interessante, o livro parece ter sido escrito por um antigo aluno, algum estudante bom em literatura que estudou na época do ocorrido. A história rodava em um aluno novo, que gosta de investigar acontecimentos sobrenaturais, principalmente nesse colégio. Ele procurou pelos livros da biblioteca algo que se relacionasse á uma história de fantasia. Senti nostálgico, isso tudo havia acontecido comigo, ou era apenas minha impressão? Continuei a ler o livro vendo que o personagem havia encontrado uma criatura das sombras em uma pequena casa de madeira, onde antigamente uma servente na escola morava. Como a casa era abandonada a besta usara como casa, ficando longe da concentração de alunos e da luz, apenas esperando aquele que lhe criou voltar um dia para mostra-lhe da vida obscura e seus caprichos.

Quando o aluno encontrou um livro que lhe chamasse atenção se pos a ler, vendo que o mesmo falava de que entre as portas longas do primeiro prédio, havia uma que dentro dela poderia ter uma estante, que como nos filmes de terror, ao mexer em um livro a estante se levantaria mostrando um lance de escadas, que levavam ao um andar subterrâneo.

Fiquei surpreso ao ver tamanha coincidência. Realmente existia uma casa de madeira abandonada e uma criatura das sombras vivia lá, que era Henry o vampiro que julgara ser inofensivo, mas seria verdade que ele esperava alguém, ou melhor, seu dono para poder lhe dar a vida obscura como realmente é. Que eu saiba as únicas coisas que um vampiro faz é beber sangue de humanos, sendo que alguns, por criarem laços com os humanos, tomavam sangue de quem assustasse seus ‘’amigos’’, ou coisa do tipo. Mas em relação á sala secreta, que fora assim que resolvera chama-la, era novidade para mim, nunca ouvira um rumor sobre tal sala.

A porta do quarto foi aberta mostrando a figura de Kyuhyun, ele me olhara de forma estranha, como se estivesse bravo com o ocorrido de mais cedo. Tirei os cobertores de cima de mim e me aproximei da escadaria, quem melhor do que ele para sanar as minhas duvidas?

- Kyuhyun, - Ele se vira para me encara, pude ver que estava cansado, mas a minha curiosidade não me daria sossego. – Você sabe alguma sobre uma sala secreta no primeiro prédio?

Kyuhyun olhou de relance para o livro em minhas mãos, assim que leu o titulo revirou os olhos, já se apoiando no corrimão da escada.

- Não acredito que mesmo morto ele me enche o saco. – Kyuhyun sussurrara, mas fingi não ter escutado, afinal poderia usar isso mais tarde. – Não têm nada que precise saber.

Kyuhyun me deu as costas subindo as escadas, como o meu nível de aegyo sempre fora elevado, resolvi usa-lo agora para arrancar alguma coisa dele. Deixei meu rosto de uma forma que ele provavelmente não iria resistir, espreitei os olhos como se fosse chorar a qualquer momento.

- Kyunnie. – O apelido feito de ultima hora fizera sucesso, já que ele me olhara de forma espantada ao ouvir seu apelido, assim que nossos olhos se encontraram a mesma frieza de sempre me rodava, mas pude ver que ele se contralava para não fazer algo já que seus punhos estavam cerrados. – Você não vai contar mesmo Kyunnie?

- 1, 2, 3... Ah dane-se. – Ele suspirou, descendo as escadas já me puxando para a minha cama. Ele se sentou na cadeira de minha cômoda, e eu me sentei na cama, esperando ele começar a falar. - É o seguinte, a sala secreta é chamada assim justamente para que nenhum enxerido vá entrar nela. Fim da história.

Kyuhyun se levantara, me deixando incrédulo, para impedir que saísse, puxei a sua camisa, o fazendo cair em cima de mim, deixando nossos rostos alguns milímetros de distancia, senti meu coração bater rapidamente, seus olhos foram diretos para a minha boca, um calor passou pelo meu rosto, que agora deve estar bem vermelho. Kyuhyun pigarreou e se sentou na cama, fiz o mesmo tentando amenizar os batimentos acelerados de meu coração.

- Bom, vou dizer tudo o que sei e já deixo claro que não é pra ir lá fuçar heim. – Assenti e ele continuou. – Bom a sala é atualmente o escritório das pedagogas, a estante de fato se levanta quando um livro é removido, e segue uma escadaria, mas o que se encontra lá embaixo é nada mais e nada menos do que um estoque. – Arregalei os olhos incrédulos, estoque? – Lá temos todo o estoque da cozinha, tem um freezer para guardar os frios, têm algumas janelas que dão uma boa iluminação para as pequenas plantações do diretor. É isso.

Kyuhyun de levantou indo para sua cama no segundo andar. Fiquei ainda processando a história que Kyuhyun havia me contado o que eu realmente não acreditara. Que história ridícula era aquela, ele realmente acha que eu vou cair nessa de estoque? Continuei a ler o livro vendo que a versão do mesmo era mais interessante.

O que o livro dizia era que depois dos lances de escadas, além de escuridão o que se encontrava era dois túmulos, onde os corpos de ambos os alunos mortos no quinto andar do segundo prédio, ou seja, meu atual quarto. O livro contava como o personagem desceu as escadas para poder ver a identidade dos alunos, pois parecia que no subterrâneo havia a todos os arquivos que eram relacionados com ambos os alunos.

Fechei o livro assim que senti meus olhos pesarem, guardei o livro em minha bolsa, amanha iria conversar com Henry sobre isso, acho que ele irá me dizer algumas coisas. Apaguei a luz e me pus a dormir, tentando esquecer qualquer assunto que se voltasse ao livro que havia pegado na biblioteca.

Novamente estava no escuro com aquele rapaz de que o rosto me era desconhecido, sua voz era bem grossa, o que não me deixara reconhecer.

- Fique longe de mim. – Dizia o homem autoritário. – Estou sendo bonzinho em não te perturbar, então faça o mesmo Sungmin.

Acordei sentindo meu rosto ficar suado, como na ultima vez Kyuhyun estava ao meu lado me olhando seriamente, por que quando eu tenho um pesadelo com aquele homem estranho, eu acordava com Kyuhyun me encarando, sou tão patético assim quando tenho pesadelos?

- Você nem imagina o quão patético é.

- Tá certo, eu tenho que ir para um psicólogo, estou ficando louco ou você sempre sabe o que eu penso?

- Você nunca percebeu que falas seus pensamentos?

- Não, não falo em voz alta.

- Você é quem sabe.

Olhei para o relógio, vendo que já estava na hora do café da manha. Tomei um banho rápido me embelezando todo. Quando sai do banheiro vi a porta do quarto se fechando, Kyuhyun já saíra, aproveitando que estaria sozinho me pus a pensar, se o que eu havia sonhado fosse algo da minha imaginação então... Ah nessas horas eu odeio a minha curiosidade. Estava com vontade de ver o que havia depois dos lances de escada. Em quem acreditaria? Na história ridícula de meu colega de quarto, sobre ter estoques de mantimentos, ou sobre o livro cujo autor parece estar morto, dizendo que os túmulos dos alunos mortos mais seus arquivos estavam lá, esperando para que eu fosse lê-los para desvendar o mistério. Sentira-me como o personagem do livro, e era exatamente isso o que eu faria. Iria seguir cada passo que o livro mostra, mas primeiro iria pegar algumas informações com Henry, já que ele deve ser a besta que está esperando pelo seu criador.

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