{The Ghost Of...} Capitulo 4 - Casa de Madeira


Na hora do almoço fiquei sozinho, estava esperando Kyuhyun, que mais cedo me pedira para se encontrar comigo. Estava nervoso, não com raiva, mas ansioso. Batia os pés no chão de tão impaciente que estava ficando. Olhava para os lado procurando por ele, estava perdendo meu almoço, sendo que só comeria á noite.

Logo vi sua silhueta se aproximando de mim, seu rosto era sério, acho que nossa conversa não irá ser das melhores, nem mesmo acredito que um de nós irá sair bufando, talvez os dois. Kyuhyun se aproximou de mim, pegando em meu braço me puxando para o jardim, onde a concentração de alunos era menor. Quando ele sentiu que estávamos sozinho os suficiente para conversarmos, ele soltou um suspiro logo começando a questionar.

- Mal faz uma semana que chegou e já fica de intimidade com os outros? – Franzi o cenho, tentando adivinhar o motivo de seu temperamento.

- O que?

- Já deu um apelido para aquele baixinho, mas eu, que já te vi antes, nem sequer oi me dá.

- Você me ajudou em alguma coisa?

- Ontem á noite, acredito eu.

- Eu disse para sair, você é que quis ficar.

- Ta bom, o que eu quero dizer é que, eu quero ficar a próximo de você, mas não me deixa. Agora quando se trata do baixinho desmilinguido, até apelido você dá a ele.

- Se quer virar meu amigo, então pare de com isso. Tudo bem você já ter me visto, mas eu não sei quem você é. E não estou a fim de mexer com almas que devem estar descansando em paz.

- É por causa disso? – Perguntou Kyuhyun incrédulo. – Se tivesse me falado antes...

- Que, que ouvira dizer que você e seu amiguinho ficam perturbando as pobres almas dos antigos estudantes? Não obrigado. 

- Quem perturba quem – Resmungou ele, pensando que eu não havia lhe escutado. – Tá, então que tal começarmos do zero?

- Você tem problema.

- Eu sei então amigos?

Kyuhyun estendeu sua mão para que eu a apertasse, como se aquele aperto de mão fosse selo de nossa futura amizade. Parei para pensar um pouco, mas minha mão se movera sozinha á sua, como se fosse um imã. Kyuhyun dera um sorriso tão belo que eu esquecera como expirar. 

Ele saiu primeiro dizendo que tinha algumas coisas para se resolver, eu então fui para o refeitório, já que me faltava alguns minutos, antes das aulas começarem. Entrava no local, quando Ryeowook puxara meu braço, me levando até nossa mesa, onde tinha duas bandejas.

- Peguei para você.

Sorri em agradecimento, enquanto comia ouvira meu amigo dizer o quão ansioso estava pelo encontro que teria no dia seguinte, que não fazia ideia de como se vestir, em qual lgar iria e o que fazer para deixar Yesung interessado em si. Senti-me feliz por saber que mesmo tendo lendas e passado obescuros a escola podia deixar seus estudantes confortáveis em suas relações pessoais. Queria poder ver meus pais, mas eles estariam viajando á negócios, então não teria quem ver. Ficar aqui no final de semana deve ser a coisa mais chata e entediante, mas acho que explorar um pouco a escola não me seria uma má ideia. 

O sinal tocou, fazendo os alunos se dirigirem para suas salas. Durante o resto das aulas, prestei atenção no que os professores diziam, já que era o único jeito de fazer o tempo passar. Mas ás vezes sentia algo queimando em minhas costas, como se alguém olhasse para mim. Ficara me perguntando se seria Kyuhyun, já que das outras vezes fizera assim. Aproveitei que o professor passava matéria no quadro e olhei para trás, rindo de meu pensamento que estava certo. Kyuhyun realmente olhava para mim, mas dessa vez sorria quando encontrou meu olhar sobre o seu. Devolvi o sorriso fazendo o dele aumentar, como se tivesse ficado feliz em saber que eu estava de bem com ele.

As aulas terminaram, deixando os alunos correrem para seus dormitórios, alguns pegavam as malas e se encontravam com os parentes com quem passariam o final de semana. Fui para o quarto, tentando arranjar algo para se fazer. O elevador demorava para vir, resolvi subir as escadas. Quando cheguei no meu andar vi que uma faxineira estava dentro do elevador olhando fixamente para a porta de meu quarto. Pigarreei chamando a atenção da senhora, que acordara do transe.

- Precisa de ajuda com algo? – Perguntei sendo educado.

- Garoto, você é daquele quarto. – Perguntara a senhora apontando para a porta de meu quarto.

- Sim.

- Então, não gosto muito de ir lá, então tudo bem se eu pedir á você que faça a faxina.

- Tudo bem, não tenho nada a fazer.

Aproximei-me da senhora, pegando a vassoura o rodo, um balde de água com produto de limpeza misturado e um pano. Olhei em volta e vi que a poeira começara a ficar grossa nos cantos do quarto, realmente precisava de uma faxina. Joguei minha mochila para dentro do guarda roupa, troquei de roupa colocando uma que pudesse sujar. Ergui as cobertas que se encostavam ao chão. Primeiro passei a vassoura pelo chão, peguei uma pá pegando a poeira e jogando em um saco plástico preto. Depois de passar a vassoura no andar de baixo, me agachei pegando o pano que estava mergulhado no baldo. Torci-o tirando o excesso de água, estendendo no rodo, logo passando ele pelo chão. Ao ver que o pano ficara sujo, me assustei, a quanto tempo não passam pano aqui? Assustei-me novamente quando a porta fora aberta mostrando Kyuhyun.

- Cuidado onde pisa, o chão está molhado. – O alertei.

- Por que não deixa a faxineira limpar? – Perguntou ele.

- Ela não quis se aproximar daqui. Quer que eu limpe o andar de cima?

- Não. Assim que você terminar, me passe os baldes, eu mesmo limpo.

Senti-me aliviado, pois não teria que limpar degrau por degrau, já que ele deve fazer isso. Kyuhyun subiu as escadas ficando no andar de cima, esperando eu terminar. Estava ficando entediado quando Kyuhyun ligou o rádio com uma musica animadora. Senti que minha energia havia voltado, ficara animado com o som da musica. Continuei a passar o pano por todo o chão, debaixo da cama, no banheiro do andar de baixo, próximo aos pés do guarda roupa. Assim que terminei de passar o pano no chão, resolvi passar na minha mesa, tirei os meus livros meu notebook, passando outro pano molhado na superfície da mesa. Quando terminei resolvi lavar o banheiro. Mas para poder fazer isso eu precisaria da vassoura, e Kyuhyun ainda não tinha varrido o chão. Ouvi um barulho vindo da escada, vendo que o mesmo descia as escadas pegando a vassoura, já passando pelas escadas e no segundo andar. Era como se ele tivesse lido minha mente.

Fiquei esperando Kyuhyun terminar de varrer o segundo andar, enquanto isso eu arrumei minha mesa, até que sentisse que ela ficara perfeitamente limpa. Kyuhyun me entregara a vassoura já pegando um dos panos molhados e o rodo, subindo novamente as escadas. Peguei o balde e mergulhei a vassoura nele, logo esfregando a vassoura nas paredes, esfreguei tudo, logo depois passando um pano no Box. Passei o pano na pia e no lado externo da privada. Pude ver que atrás da pia, tinha uma vassourinha, peguei um pouco do produto de limpeza que havia no balde e joguei dentro da patente, assim passando a vassourinha dentro esfregando e limpando dentro. Quando senti que estava limpo dei descarga. Pronto agora sim estava tudo limpo.

Sai do banheiro, o cheiro dos produtos de limpeza estavam me deixando tonto, avisei á Kyuhyun que iria sair um pouco, me pondo a caminhar pelos corredores. Apertei o botão do elevador tendo a sorte que ele estava em nosso andar. Adentrei nele prestando a atenção no pequeno mapa dos andares da escola que havia grudado em uma das paredes do cubículo. Uma zona do lado de fora do prédio, ficava perto do jardim, me chamara a atenção, pois estava escrito ‘’Zona Proibida’’. Fiquei curioso em saber do porque ela ser proibida será que teria alguém vigiando aquele lugar? Acho que não, eles devem contar histórias de terror aos alunos relacionando os estudantes que morreram, só para mantê-los longe.

Quando o elevador parou mostrando que havia chego no andar desejado, eu corri para fora. Cheguei perto do jardim, procurando por algum caminho que fosse que me levasse á zona proibida. Mas não achava nada. Vi que havia uma espécie de parede coberta por musgos e trepadeiras. Aproximei-me mais, afastando alguns arbustos, encontrando um buraco grande, dava para uma pessoa passar. Agachei-me e engatinhei, vi uma casa de madeira, ela parecia abandonada, continuei a engatinhar até sentir que já havia passado pelo buraco com sucesso. Caminhei até a casa, pisando em folhas secas, reparando que ao seu redor havia muitas arvores de galhos secos, parecia outono, sendo que estávamos na primavera. 

Caminhei até a varanda ouvindo a madeira ranger sob meus pés. Abri a porta com delicadeza, procurando por um interruptor, já que estava começando á escurecer. Liguei a luz, vendo que tudo dentro da casa era bem mobiliado, todos os moveis combinavam com a casa, a mesa que ficava no centro da sala, por exemplo, era de madeira. O sofá parecia ser de couro, tinha uma TV LCD, tinha uma escada que provavelmente levava á um segundo andar e uma cozinha atrás dela. Ouvi um barulho, sentindo um vulto correr, dei um passo para trás sentindo os pelos do meu corpo de eriçarem.

- Olá, têm alguém aí? – Perguntei.

Aproximei-me mais da mesa em que havia a TV, vendo que não tinha nenhuma camada de pó, alguém estava lá, se não estaria tão limpo assim. Novamente um vulto se passara em minha frente, senti meu sangue correr rápido de pura adrenalina. Virei meu corpo em direção que tal vulto havia passado, vendo um canto da sala estar escuro. Aproximei-me, curvando meu corpo para enxergar melhor. Vi um par de olhos vermelhos vivos, mas não senti medo. Estiquei minha mão, como se tentasse afastar a escuridão daquele canto, para que pudesse enxergar melhor. 

Os olhos ficaram ferozes, será que seria um lobo rosnando para mim? Ainda assim tentei me aproximar mais, dessa vez fui devagar, para não assustar o que estivesse escondido.

- Não tenha medo, sou amigo. – Disse com a voz suave, tentando por confiança naquele ser desconhecido.

Os olhos vermelhos desapareceram na escuridão, logo senti alguns dedos segurarem minhas mãos de forma suave e delicada mostrando que ainda estava com medo de mim. Por ter dedo acredito que seja alguém, mas de olhos vermelhos? Será que os meninos daqui usam lentes de contato? Fechei minha mão segurando os dedos, me agachei demonstrando um sorriso, puxei de vagarosamente a minha mão, vendo um pequeno menino, cabelos castanhos escuros, bochechas fofas e grandes, os olhos que antes estavam vermelhos vivos agora eram negros. Ele olhava em meus olhos procurando por confiança. 

Não senti medo daquele garoto, ele parecia ser novo, deveria ter o quê, uns dez anos de idade mais ou menos. Mesmo assim, ele abrira a boca, mostrando as presas. O que era ele? 

- V-V-Vampiro? – Perguntei, mas o garoto não fechava a boca, seus olhos novamente mudaram de cor, um vermelho bem intenso. - Não irei te machucar.

O pequeno garoto pareceu ter me entendido, pois se acalmara, correndo em direção da cozinha, abriu a geladeira tirando uma bolsa com uma etiqueta enorme escrita ‘O’, arregalei os olhos ao perceber que era sangue, o garotinho pegou a bolsa de sangue e tomou tudo o que havia dentro, quando terminou, ele limpou a boca com as costas da mão, jogando o pacote no baldinho, que me parecera um lixo. Ele novamente se aproximou de mim.

Senti um aperto no peito, será que ele se sentia sozinho. Não senti medo ao ver suas presas, apesar de ser totalmente incomum encontrar um vampiro, mas baseado na história de minha escola, nada mais me surpreendera, já que todos os alunos evitavam chegar perto do andar em que eu e Kyuhyun ocupávamos. 

Dessa vez quem estendeu a mão fora ele, parecia um convite, caso que eu o aceitasse viveria se o rejeitasse morreria. Mesmo sem pensar segurei sua mão dando um sorriso á ele, queria saber mais sobre a lenda da escola, que me parecia verdadeiro, mas sinto que tem algo por trás da morte dos dois estudantes.

O pequeno menino me puxara para a sala, me fazendo sentar no sofá de couro, ele logo se sentou do meu lado curioso por algo. Percebi que em seu pescoço havia um colar, no colar havia um morcego com algo escrito.

- Henry. – Olhei para o garotinho que agora sorria. – Esse é seu nome?

O menino nada falara apenas assentiu mostrando seu belo sorriso. Que sorriso que ele tinha, eram brancos os dentes todos certinhos, mas suas bochechas o deixavam mais fofo ainda.

- Sou Sungmin, aluno novo. – Respirei fundo, vendo que ele não falaria nada. – Então, você que fez aquele buraco?

Henry saíra do sofá, correu até o segundo andar, não demorou muito e logo desceu, com uma caneta e um papel. Fiquei curioso com o que ele iria fazer, então apenas o fitei, vendo que ele escrevia em uma caligrafia perfeita.

‘’- Não, foi o Kyunnie’’ – Fora o que escrevera no papel, parei para pensar quem seria o tal de Kyunnie, Henry deve ter percebido meu desentendimento e voltou a escrever. – ‘’Cho Kyuhyun’’.


Arregalei os olhos ao ver que o meu colega de quarto sabia da presença de um vampiro, deve ser por isso que todos na escola devem ficar longe dele, ele sabe onde um vampiro de esconde, sendo que ele poderia ser um dos estudantes mortos, mas o que aconteceria caso, todos soubessem, sobre Henry? Acho que irá ser melhor se eu ficar quieto, Henry me parecera muito assustado, os alunos poderiam judiar dele, ou evita-lo mais ainda. 

Agora eu tinha um segredo, e uma curiosidade imensa, quem era Cho Kyuhyun, quero saber mais dele e de seus motivos em manter esse segredo mesmo que isso signifique perder sua dignidade de colegial. E também estava curioso mais sobre aquele ser sobrenatural que estava sentado ao meu lado, com um sorriso doce nos lábios. Ele não faria mal a ninguém, isso eu sentia, mas quem faria mal á Henry.


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