{The Ghost of...} Capitulo 2 - Copo De Leite


Lembram quando eu disse que eu tentaria meu máximo em ficar longe de meu colega de quarto? Pois é não rolou.

Claro que fiquei agradeci por Ryeowook tentar me ajudar me manter fora do alcance daquele moleque, mas não deu certo, porque quando cheguei no dormitório ficamos conversando. Foi mais ou menos assim.

Depois que Ryeowook me apresentou os outros lugares da escola, o toque de recolher soou pelos corredores. Acompanhei o baixinho até seu quarto, ele deixou claro que se precisasse era para eu ir até ele. Despedi-me de meu amigo, indo para meu quarto, mas não estava com muita vontade já que o que Ryeowook me dissera me deixara um pé atrás em relação ao meu coleguinha. Depois de sair do elevador, vi que o corredor estava escuro e assustador. Comecei a entrar em pânico, não gosto nenhum pouco desse tipo de escuridão.

Não me importo que a única luz de um lugar escuro, seja relâmpagos, desde que ilumine algo, mas quando ficava escuros, igual a agora, em que preciso tatear as paredes para saber qual o caminho que devo prosseguir, me deixar em estado de pânico, tudo por culpa dela.

Não iria me lembrar agora, se não isso poderia deixar meu estado um pouco pior. Caminhei mais rápido, até que achei a parede que procurava me endireitei agora procurando a maçaneta. Assim que a achei a girei, sentindo um alivio tomar conta do meu ser ao ver que a luz do quarto estava acessa. 

Adentrei no quarto fechando a porta sem fazer nenhum barulho. Um barulho no segundo andar me fez olhar diretamente, para a porta que eu achara ser o banheiro, mostrando Kyuhyun, sem camisa apenas de calça de moletom com a toalha na cabeça, sair da lá, isso confirmava o meu pensamento de que naquela porta realmente é o banheiro.

- Já que chegou, desligue a luz quando dormir. – Disse ele, com sua voz fria. 

- S-Sim. 

Realmente não gostara dele assim que o vi, apesar de ter uma beleza extraordinária, seu jeito frio e esnobe me deixa com raiva. Será que ele se achava o rei do colégio só por desafia as pobres almas que queriam descansar em paz? Se algo acontecer com ele, nada irá acontecer comigo certo? Pelo menos tenho que pensar assim, essas almas devem saber que eu sou inocente de tudo isso.

Peguei um pijama em meu guarda roupa, indo em direção ao banheiro. Assim que me certifiquei que a porta estava trancada pude relaxar, sentindo a água quente bater em meus músculos. Aquilo era muito bom, essa era uma sensação que eu não troco com ninguém, a sensação de se sentir leve, sem preocupações. 

Estava começando a me ensaboar, quando ouço a porta, que deve ser do quarto, bater. Ele deve ter saído ou alguém entrou. Mas não me preocuparia com isso, ele deve estar indo procurar o amigo dele para tentar provar a si mesmo que fantasmas não existem. Ignorei o barulho que vinha de fora e continuei meu banho.

Quando terminei de tomar o banho, corri para a minha cama, sentindo minhas costas doerem, fizera esforço hoje, arrumar mala, descer e subi escada, eu não podia aguentar dois minutos sem encosto, quando eu deitava na cama, era fato, minhas costas doíam. Assim que minha coluna parou de doer, me virei fechando os olhos tinha que descansar pois no dia seguinte, as aulas começariam.

Eu estava sozinho, em um lugar escuro. Escuro, escuro, escuro, escuro. Sentia meu coração bater mais rápido tamanha era meu medo. Internamente, implorava por uma luz, qualquer luz que seja, tinha que ter uma, apenas para iluminar o lugar da qual eu me encontrava. Não quero ser engolido pela escuridão.

Um rosto, porém não consegui ver quem era,apareceu no meio da escuridão. Senti medo, uma pessoa sem feição aparecera em meus sonhos. Sim eu sabia que isso era um sonho, pois se fosse verdade eu sentiria o colchão em meu corpo. 

- Você finalmente veio.

A voz da pessoa era rouca e lenta, ela se arrastava no meio da escuridão. Senti meu coração bater forte, mas não de medo, mas por algo que eu não poderia dizer o que era. Belisquei-me, tinha que acordar.



Acordei, sentindo a dor de meu beliscão, eu realmente havia me beliscado? Olhei para rádio relógio que havia na mesa ao lado esquerdo da cama, ele marcava 2h da manha. Suspirei aliviado ao ver que realmente era um sonho. Assim que olhei para ver ser tinha feito algum barulho que pudesse acordar meu colega de quarto, vejo o mesmo agachado de frente para minha cama, olhando para mim, com uma cara de surpreso. Quando me encontrei com seus olhos, dei um pulo do susto que havia levado, não notara sua presença.

- Te acordei?

- Você sempre faz isso? – Perguntou ele, sua voz não mudara fria e seca como sempre.

- O que?

- Se belisca? – Dei um risinho, ficara com vergonha, ele apenas suspirou. – Não acredito que deu certo.

- Hm?

- Te assusta, pensei que tinha me visto, mas me enganei.

Minha mente não acreditava naquilo, não sei era apenas intuição, algo em mim dizia para não confiar em nada no que ele diz, que ele era algo ruim, mas a minha curiosidade falara mais alto.

-Você realmente... - Começara a falar alto para chamar sua atenção, mas me arrependi quando me encontrei com seus olhos. – mexe com espíritos?

O garoto apenas sorriu voltando a andar em direção ás escadas, dei de ombros, não me importo com isso, ou pelo menos não deveria me importar. Deitei-me na cama novamente, assim que sentei na cama, um pensamento, que eu juro por tudo que me é sagrado, não era meu esse pensamento, passou pela minha mente. ‘’Não confie nele’’. Mesmo assim caí no sono, dessa vez sem pesadelos.

Acordei quando meu celular despertava, deveria ser umas 6h15min, horário que me dá certo tempo de liberdade. Levantei-me pegando meu uniforme, e indo para o banheiro para tomar banho. Assim que senti que estava cheiroso o suficiente, limpo o suficiente e acordado o suficiente, resolvi terminar de me arrumar. Passei um pouco de gel, deixando meu cabelo em um topete, como estava no dia anterior. Passei um pouco de perfume. Sim que adoro ouvir as pessoas dizerem que sou uma pessoa cheirosa.

Assim que terminei de me arrumar, peguei meu material, saindo do quarto sem me importa com a presença de Kyuhyun. Peguei o elevador, indo direto para o refeitório. Quando cheguei na porta, pude ver Ryeowook me chamando, ele segurava duas bandejas vazias.

- Estava te esperando. – disse o baixinho, mostrando seu belo sorriso.

Peguei uma das bandejas, que meu novo amigo me dera. Entrei na fila pegando um pedaço de bolo de morango e um suco de laranja. Sentamos na mesma mesa que havíamos sentado no dia anterior.

- Então como foi a primeira noite?

- Normal. – Disse dando de ombros, não iria contar á ele sobre o meu pesadelo, até por que não tenho muita confiança no baixinho.

Tomamos nosso café, tirei duvida perguntando onde seria minha sala, e fiquei feliz em saber que estudaremos na mesma. Me senti aliviado, mas meu alivio durou pouco quando Ryeowook dissera que era a sala de Kyuhyun e seu amigo que eu não tenho a mínima ideia de como se chama.

Além de dividir o quarto, eu teria que aguenta-lo na sala? Eu realmente deveria temer, pois ele sabe que eu tive um pesadelo e sabe que eu sou louco a ponto de me beliscar para acordar. E se ele contasse á todo mundo? Não, ele não é assim, ou é? Não posso baixar a guarda com ele, mesmo que não conte á ninguém.

Quando o sinal do inicio das aulas tocou, eu e Ryeowook seguimos para nossa sala. Conversávamos sobre os micos que passamos em nossas vidas, esse tipo de conversa me deixa distraído, me deixa mais calmo. Quando entrei na sala, toda a atenção foi virada para mim. Isso me deixou um pouco incomodado. Entreguei o papel que mostrava que eu era um aluno transferido, assim que o professor assinou, indicou a quinta carteira da fila do meio, ou seja, bem no meio da sala. Sentei-me tendo ao meu lado Ryeowook, que sorriu para mim.

O professor começara sua aula, que me parecia ser geografia. O professor era brincalhão, fazia parte das piadinhas dos alunos, brincava com eles, mas mantinha seu respeito, o que me fizera gostar dele. A atenção da aula foi para a porta, que foi aberta mostrando meu colega de quarto e seu amigo, eles pareciam ter chegado atrasado. Foi interessante ver o silêncio da sala, todo mundo ficou quieto de repente.

- Chegou tarde Kyuhyun. – Disse o professor

- Não dormi direito. – Todo mundo começou a cochichar, e novamente olhavam para mim, continuei a copiar a matéria do quadro, tentando ignorar todos aqueles resmungos que me pareciam indiretas.

- Bom, então, sente e preste atenção na aula. – O professor falara para chamar a atenção da turma.

Olhei para trás para ver o rosto de Kyuhyun, será que ele contaria? Será que fui eu o motivo dele não ter dormido? Assim que me virei pude encontrar seus olhos vidrados em mim. Seu rosto era bem sério, o que deixou um calafrio subir em minha espinha. Senti-me preso em seu olhar, não queria continuar a olhar para ele, mas algo me prendia em si, quando finalmente me libertei de seu olhar, o sinal do fim da aula tocara. Agora teria aguentar algumas aulas, com aquele ser, aquele olhar.

Todas as aulas se passaram rapidamente, e eu me esforcei ao Maximo para não olhar para trás, e ficar preso em seu olhar. Quando o sinal do almoço tocara, Ryeowook ficara em pé ao lado de minha carteira, me esperando. Levantei-me e caminhamos direto ao refeitório. Surpreendi-me quando novamente, Kyuhyun se se sentou à mesa atrás da nossa. Dessa vez fiz questão de ignora-lo.

- Que troca de olhares foi aquela Sungmin?

- O que? – Perguntei tentando parecer confuso.

- Todos na sala viram você e o Kyuhyun trocarem os olhares, se você quer fazer com que parem de falar contigo, vai ter que parar com isso.

- Eu não fiz nada. Esse colégio é estranho.

O assunto morreu, pois Ryeowook deve ter sentido o meu desconforto. Eu realmente não notara nenhum outro olhar a não ser o dele. Apenas o olhar dele me prendera fazendo me esquecer de que ainda tinha outras pessoas ao meu redor. Pensar nisso me deixa com medo.

Não pude segurar a vontade e curiosidade de olhar para ele. Desviei meu olhar para ver a mesa atrás de Ryeowook e dessa vez vi o amigo de Kyuhyun encarando Ryeowook de forma intensa, pude ver que algo pontiagudo em sua boca. Arregalei os olhos, como se pudesse enxergar direito, mas minha visão se tampara quando Kyuhyun beijou seu amigo. Eu fiquei cego? Kyuhyun beijou o cara no meio do refeitório? Pisquei algumas vezes para ver ser aquilo era verdade, como ele podia fazer aquilo no meio do refeitório numa hora dessas?

Quando o sinal tocou, fazendo os alunos voltarem para sala, eu puxei Ryeowook para sairmos de lá. Não ficaria ali, não quando tinha dois tarados na mesa atrás. E se aquele cara quisesse pegar o Ryeowook? Faz pouco tempo que o conheço, mas já criei um certo afeto por ele ser meu primeiro amigo que eu fiz quando cheguei nesse colégio. E tenho que dizer, como o baixinho mostrar preocupação comigo, acredito que tenho o direito de retribuir isso. E acredito que não devo deixa-lo sozinho.

- Ryeowook, você se importa, de a partir de hoje, eu buscar você no seu quarto, e te levar até o quarto?

- Por quê? – Perguntou o baixinho, com os olhos arregalados.

- Não me entenda mal, apenas gosto de sua companhia. 

- Ah, tudo bem.

Senti-me aliviado, o baixinho não tinha a mente tão poluída, ele me parecia inocente, principalmente por mostrar preocupação com um garoto estranho, como eu. Realmente ele era único. Não irei desperdiçar sua amizade, mas ainda não me sinto a vontade em lhe contar sobre meu pesadelo, talvez mais alguns meses de amizade e quem sabe eu possa falar sobre isso. Se bem que algo em mim diz que em meses algo irá acontecer, não sei direito.

O dia se passara de forma rápida, agora estou tomando meu segundo banho do dia, ainda tenho a tarde livre para fazer o que quiser. Como Ryeowook está dormindo, eu acho que seria uma boa eu sair para conhecer o jardim do colégio. 

Assim que terminei de tomar meu banho, coloquei uma roupa confortável, e me pus a caminho do jardim. Passei por vários alunos, ignorando os comentários, isso já estava me enchendo a paciência, por que ficar falando pelas minhas costas, tá eu sei eu sou garoto que não têm sorte na vida, que foi parar em quarto de um cara estranho e tarado.

Fiquei tão preso a esse tipo de pensamento que quando me dei conta, estava parado na frente do jardim. O céu dessa vez estava limpo, um azul calmo e bonito, a vista estava bonita, o campo de flores, de tamanho médio, me deixara calmo, me senti em casa. Sentei-me no banco que havia na grama, absorvendo da pureza que aquelas flores me davam. Uma flor me chamara atenção. Como era o nome mesmo, ah copo-de-leite, uma flor linda e branca, como pode ser tão bela aquela flor? Como posso me sentir tão bobo por uma flor?

Lembro-me de quando era criança e brincava na estufa de minha mãe. Quando ela não estava eu plantava plantinhas novas, mas ela nunca notara, mas ver aquelas plantinhas crescerem me davam inspiração, elas são lindas e tem vida curta, o que me fez valorizar a minha vida.

- Você é realmente estranho. – Eu conhecia aquela voz fria e seca, Kyuhyun. 

Olhei para ele surpreso, vendo que seu rosto ainda era frio, supus que ele estaria bravo com algo e eu não me candidataria a ser esculachado por algo que não fiz. Levantei-me do banco logo saindo do jardim.

- Por que, quando eu me aproximo você foge?

- Tenho medo de você. – Disse na lata, assim que senti seu olhar no meu.

- É por causa do que o baixinho falou?

- Sua aparência não ajuda muito.

- Bom, não acredite nele.

- E eu deveria confiar em você?

- Sim.

- Mas não irei.

- Por quê?

- Por que algo me diz que devo ficar longe de você, e é isso o que farei.

Virei as costas, começando a caminhar novamente, mas ele me deu uma respostas que me deixara um pouco acanhado.

- Fique longe de mim, que eu me aproximarei novamente.

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