{The Ghost Of...} Capitulo 15 - Capela


Espantado, essa era o que eu sentia agora. Sempre pensara e acreditara que meu irmão gêmeo havia morrido antes mesmo de nascer, mas agora vejo que na verdade vivera sempre ao meu lado e desaparecera diante meus olhos. Agora que sabia da verdade, sinto a imensa vontade de saber onde ele está, e se está vivo. Admito que ele é corajoso em seguir as etapas do livro, mas me pergunto se ele também teria sentimentos por Kyuhyun.

Kyuhyun estava estático, parecia nervoso, poderia dizer ansioso nada concreto. Seus olhos estavam vidrados em algum ponto enquanto sua mente divagava para longe. A atmosfera em si era quieta e tensa, ninguém se atrevia a falar, nem o copo se quer se movia.

- Então, o que faremos agora? – Perguntei quebrando o silêncio.

- Continue com sua curiosidade, quando chegar ao final do livro encontrará seu irmão. – Disse Yesung, como se aquela ideia fosse óbvia de mais.

Peguei o livro que estava guardado em minha mochila, abri exatamente onde havia parado, lendo que o personagem, agora livre do espírito cego, buscava pela passagem secreta que havia na sala. Fiquei perdido quanto á isso. Que sala? Que passagem secreta? Passei o livro para que Kyuhyun pudesse ler e entender do que se tratava. Ele pegou o livro analisando a pagina, seus olhos seguiam as linhas de forma cuidadosa, que por um instante me deixara fascinado.

- Na sala secreta que fica por detrás da estante das pedagogas, dizem ter outra passagem secreta, que levam até uma capela abandonada.

- Capela abandonada? – Perguntei curioso, além de alunos morrerem, corredores assombrados agora havia uma capela?

- Antes de construírem a escola, aqui era um cemitério. – Disse Yesung.

- O que aconteceu com o cemitério? – Ryeowook se mostrara curioso, o que me deixara surpreso.

- Ficou abandonado, as pessoas que vinham visitar seus entes, dizem que viam espíritos ou coisas do tipo, com o passar do tempo, o cemitério ficou esquecido. Já que não havia dono, o diretor da escola comprou o terreno e construiu os prédios. 

- E a capela?

- Não fora destruída, apenas enterrada. Como disse antes, a escola era direcionada por um frei, então sabe como é.

Tentei imaginar como seria tal capela e se ela deveria ter algum espírito. Peguei o livro de volta e continuei a ler o capitulo.

‘’Entre as paredes de madeira robusta, havia uma porta, o vento passava por ela, me deixando claro que havia algo além dela. Fiz força contra a parede fazendo a madeira ranger e se soltar, assim vendo mais lances de escadas, dessa vez mergulhada na escuridão.

Degrau por degrau, desci com a lanterna em mãos. Mesmo estando de sapatos, pude sentir que o piso era diferente, era escorregadio demais. Bancos estavam virados no chão, panos brancos rasgados cobriam estatuetas de santos e divindades, no centro havia um altar, onde uma luz dourada era emanada de um corpo desfalecido.

Aproximei-me do corpo, sentindo uma presença estranha, poderia dizer que havia alguém ali, que não fosse eu. Olhei para trás encontrando um homem com pele branca, olhos negros cabelos grandes e ondulados, em suas mãos se encontravam facas, que a meu ver pareciam afiadas. ’’

- Vamos, temos alguém para salvar.

Levantei-me, pegando minha mochila e saindo do porão. Não sei se estava sendo seguido, mas não iria fraquejar, procuraria por meu irmão, nem que eu teria que andar naquela imensa escuridão que fora descrita no livro. Senti uma mão entrelaçar meus dedos, e pela maciez só poderia ser Kyuhyun, caminhamos pelo jardim, indo em direção da sala das pedagogas.

Abrimos a porta do primeiro prédio, passamos pelo corredor que agora, estava deserto. Yesung passou primeiro para ver se havia alguém dentro da sala, como não tinha ninguém, fizera sinal para que avançássemos, deixando a porta aberta para nós. 

Entramos na sala, já estendo o braço para pegar o livro que abriria a porta, dando acesso á sala secreta, onde estariam os túmulos de Kyuhyun e Yesung. Descemos as escadas com cuidado, a fina luz emitida pela lua, iluminava o local deixando tudo mais sombrio. Fui direto para a estante de arquivos, pois era o único pertence que era feito de madeira. Olhei atrás dela, vendo que ela era pregada na parede, aumentando a minha suspeita.

- Tentem empurrar o fundo da estante. – Disse apontando para a madeira, que como o livro descrevia, uma corrente de ar se passava.

Yesung, Kyuhyun e Henry fizeram força, derrubando no chão todos os arquivos que ali continham. Logo a madeira caiu no chão, mostrando uma intensa escuridão e um som estranho soava em meus ouvidos. Henry fora o primeiro, ligou a lanterna e começou a caminha, todos foram na frente, me deixando para trás. Estava com medo de caminhar naquele escuro, estava com medo de que algo acontecesse enquanto andasse pelas escadas. Kyuhyun esperava por mim, segurou minhas mãos sem paciência, me colocando em suas costas.

- Feche os olhos, avisarei quando chegarmos.

Escondi meu rosto em suas costas, inalando de seu perfume que dessa vez era de cacau. Sentia seus passos cuidadosos, podendo assim julgar que o piso era realmente escorregadio. Mesmo quando ele parara de andar, eu não consegui criar coragem em erguer a cabeça e abrir meus olhos, estava com medo do que poderia ver, mas a curiosidade, como sempre era maior.

- Pode abrir, já chegamos.

Kyuhyun me pôs no chão, assim pude notar como aquele lugar batia com o descrevido no livro. Os bancos realmente estavam jogados no chão, alguns se encontravam quebrados e empoeirados. As estátuas religiosas estavam descobertas e sujas, algumas também estavam quebradas. No centro se encontrava o altar, mas nenhum corpo ou luz dourada, apenas um altar com um pano branco em cima.

Quanto a presença estranha, ela realmente poderia ser sentida. De inicio poderia ser confundida com a presença dos outros que me acompanhavam, mas essa era uma energia forte e sombria, causando-me arrepios na espinha. Virei para trás encontrando o olhar assustador de Wookie, novamente olhei para frente vendo um homem com a pele cinza cabelos negros e curtos olhos vermelhos e uma roupa branca rasgada, em uma de suas mãos estava uma faca, em seu rosto um sorriso diabólico que me fizera recuar alguns passos.

- Mais um para a coleção. – Disse tal homem, avançando em nós.

Kyuhyun me puxara, fazendo o homem errar o golpe, eu e Kyunnie caímos no chão, mas logo nos levantamos quando vimos que o homem já estava vindo em nossa direção. Corremos, pela capela, tentei procurar algum lugar onde pudesse me esconder, mas nada havia. O homem se aproximava, mas não alcançava, tendo isso em mente, ele jogara a faca em minha direção. Abaixei-me desviando da lâmina, que passara de raspão em meu rosto, fazendo um corte na bochecha.

- Você está bem Minnie? – Gritou Wookie preocupado.

- Ainda estou inteiro.

O homem caminhara para onde sua faca estava a pegou do chão e logo a jogou em direção de Ryeowook que tivera a proteção de Yesung o acertando na barriga. Wookie gritou em desespero, porém Yesung tirou a faca de si, como se fosse um fio de cabelo caído, seu sangue se passava em suas roupas, ele jogou a faca em direção do homem, que pegou a faca com facilidade. 

O tal espírito, jogou a faca novamente, dessa vez em minha direção. Como a faca vinha em baixa altura, tive que pular, mas do nada o homem apareceu puxando meu pulso, fazendo-me cair no chão. Senti minhas costas doerem, mas isso não importava no momento. O homem me arrastava, enquanto eu tentava me livrar de suas mãos, pedi por ajuda e logo Kyuhyun veio, acertando a água benta em seu rosto. Por alguns segundo o homem ficou queimando, fora tempo os suficiente para que eu pudesse correr.

Fiquei perto de Henry que logo me empurrara para outra direção, mostrando que o sangue em meu rosto poderia fazer com que ele fizesse alguma besteira. Kyuhyun correu em minha direção, me abraçando colocando sua mão em minha boca em pedido de silêncio.

Gritos pequenos e fracos chamaram a minha atenção. Desviei o olhar para o altar, onde a tal luz dourada era emanada. Senti minhas pernas se mexerem por conta própria, me fazendo caminhar até o altar que parecia ter sido feita com mármores. 

Tirei o fino pano branco, vendo assim uma tampa transparente, que mostrava alguém preso dentro do altar, como se fosse um caixão. Reconheci na hora, era ele, meu irmão Donghae, tinha que tira-lo da li, seu olhar pedia por ajuda. Procurei ao meu redor algo que pudesse quebrar o vidro, mas nada havia, e a faca que o fantasma usara era pequena demais para fazer um grande estrago.

- SUNGMIN, CUIDADO.

Ouvira o grito de Kyuhyun, vendo uma faca vinda em minha direção, me joguei para o lado, sentindo a faca arranhar meu braço esquerdo. Ao sentir o chão sobre meu corpo, pude ver que o machucado ardia, e por puro reflexo pressionei o machucado tentando parar o sangramento.

- SEGUREM O HENRY! – Gritei para Kyuhyun, quando vi que Henry tentava se conter.

Yesung era controlado disso eu tenho certeza, mas Henry não, ele era pequeno de mais para poder conter sua besta interior. Rasguei um pedaço da minha camisa, e enrolei no meu braço, quando senti firmeza de que não sangraria mais, peguei a faca que estava caída, e corri até o vidro onde Donghae estava. 

Pressionei a faca contra o vidro, mas apenas fiz rachaduras. Senti algo segurar meu pescoço, virei meu corpo vendo que o homem estava tentando me enforcar. Ele me fizera deitar sobre o vidro, pressionando meu pescoço não me deixando respirar. 

Mesmo sentindo minha mão trêmula, tateei a procura da faca, ao sentir sua lâmina, a finquei no olho esquerdo do homem, o fazendo recuar. Com a pouca coragem que eu tinha, tentei pegar o homem jogando contra o vidro, e seu peso fizera o vidro se quebrar. 

Cai no chão, me sentindo fraco e zonzo, mas ainda sim pude sentir os braços colhedores de Kyuhyun, que me pegava no colo mais uma vez.


Recobrei a consciência, reconhecendo a maciez de minha cama, estava no quarto que dividia com Kyuhyun. Tentei me levantar, mas minhas costas reclamavam de dor, algumas mãos me fizeram voltar a ficar deitado, mostrando que todos ali estavam preocupados. Assim que minha visão desembaciou, pude ver Kyuhyun, Yesung, Ryeowook e Donghae me olhando.

- Como se sente? – Perguntou Kyuhyun enquanto acariciava meus cabelos.

- Dolorido. Quebrei alguma costela, ou algo do tipo?

- Bom, digamos que você passou por uma transformação.

- Como assim?

Kyuhyun apenas apontou para o espelho. Levantei-me, sentindo a leveza de meu corpo. Assim que vi meu reflexo no espelho fiquei totalmente espantado. Meus cabelos estavam descoloridos, o corte ainda era o mesmo, porém estava loiro. Meus olhos vermelhos como sangue, minha pele branca como a neve.

- O que aconteceu?

- Uma costela perfurou seu coração. Henry ficou bem feliz em te morder.

- Quer dizer que eu sou um vampiro agora? Eu estou morto? É isso mesmo?

- Bom depois vocês falam disso, agora se me dão licença preciso de um momento com meu irmão.

Donghae se aproximara de mim me abraçando, pude sentir seu cheiro amadeirado que me recordara dos momentos felizes que havia passado em minha infância. O abracei com força, sentindo as lágrimas fluírem passando em meu rosto. Pela primeira vez eu chorara em um dia qualquer, que não fosse em um eclipse lunar.

- Como senti sua falta maninho. – Disse ele acariciando minhas costas.

- Desculpa por ter te esquecido.

- Não foi culpa sua.

Ficamos naquele momento família por um bom tempo, assim podendo conversar sobre tudo o que acontecera nos últimos anos, o que deixara Kyuhyun enciumado por eu dar mais atenção ao meu irmão. 

Mais tarde, conversei com Henry que parecia mais feliz, agradeci á ele, por ter me dado uma ‘’segunda vida’’. Agora eu teria toda a eternidade para viver ao lado de quem eu mais amara.

Kyuhyun, me abraçara dando-me um beijo doce e calmo. Mas como nem tudo é doce, suas mãos já passeavam pelo meu corpo tentando explorar algo que ele já conhecia. Ri em pensamento imaginando como iria aguenta-lo para toda a eternidade, ele é o motivo de minha existência. Infelizmente.

- Sei que me quer. 

- Kyuhyun eu já te disse que eu te odeio.

- Do jeito que me dá prazer.

Entre risos e beijos, brigas e desejos, ficamos assim por toda a eternidade.

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