{The Ghost Of...} Capitulo 14 - Gêmeos



Estava já pensando em minha morte, um centímetro a mais eu estaria morto. Mas ao meu ver ela parecia parada, apenas me fitando, seu olhar era horripilante, me deixara assustado. Ela de repente se afastou, como se tivesse sido jogada, pude ver Kyuhyun, parando em minha frente, pousando suas mãos em meu rosto, sua face estava preocupada, seu medo estava estampado em seus olhos.

Mas não conseguia me mexer, nem se quer piscar os olhos eu conseguia. Pude sentir aquela presença, a mulher cega se aproximava, Kyuhyun se mexera pegando alguma coisa em cima de minha cômoda, e jogou contra a mulher. O espírito jogou suas mãos aos olhos, logo uma fumaça branca, saíra de si, para ter esse efeito quando em contato com espíritos só poderia ser água benta.

Não vi mais a mulher cega, ela desaparecera, assim que sua presença se desfez, pude sentir o peso de meu corpo, me puxando para baixo. Caí nos braços de Kyuhyun, que me abraçara fortemente, enquanto me perguntava se eu estava bem. O medo me deixara paralisado, minha boca tremia, juntamente com as minhas mãos, sentia o ar bater de contra meus olhos. Tentei piscar voltando á realidade, mexi um pouco os dedos, que parecia enrijecidos. Consegui virar a cabeça para fitar Kyuhyun, que esboçara um pequeno sorriso, seguido de um ‘’Ainda bem’’. 

- O que aconteceu? – Perguntei ouvindo a minha voz falha.

- Calma Minnie, ela conseguiu entrar em seu subconsciente no momento em que fora dormir, assim podendo entrar aqui no quarto. 

- Como você sabia que ela estava aqui?

- Senti o cheiro dela, cheiro de terra.

- O que vai acontecer agora?

- Não sei Minnie, não sei.

Kyuhyun me abraçara, me dando permissão de inalar seu doce cheiro de baunilha. Sentir seu cheiro me deixara calmo, assim podendo cair em um sono com direito á sonhos doces e gentis.


Estávamos no refeitório, já era hora do almoço. As aulas haviam passado rapidamente, pois eu estava com sono. Kyuhyun contara á Yesung e á Ryeowook o ocorrido de noite passada. Os dois pareciam surpresos, mas não fazia o motivo do por que. 

Ainda podia sentir que eles me escondiam segredos, tudo é um grande pesadelo. Isso é o que eu tenho repetido á mim mesmo durante esse tempo, mas quando toco em Kyuhyun vejo que é a realidade, uma realidade da qual mesmo tendo espíritos me seguindo, eu não trocaria por nada, somente para tê-lo em meus braços.

Marcamos de passar a tarde juntos, para saber mais sobre os detalhes do livro. Caminhamos pelos corredores amontoado de alunos, que corriam para suas salas, passávamos várias salas, sendo ignorados. Respirei em alivio, os alunos se aquietaram depois das cenas entre eu e Kyuhyun. Sentei em minha carteira, o professor já estava passando matéria no quadro, quando recebo um papel dobrado de Wookie. Desdobrei o papel, vendo em sua bela caligrafia, um pedido.

‘’Minnie, gostaria de te pedir um favor. Gostaria de marcar o encontro de Yesung com Henry, hoje á tarde. Deixa-los á sós, para conversarem.’’

Podia entender seus motivos. Eu ficaria sufocado em saber que meu filho estaria a alguns metros de distância, e eu ter medo de conta-lo a verdade tendo como resposta a sua distância. Mas acredito que Henry aceitaria isso, pois sempre espera por Yesung, todos os dias, pelo menos quando vou em sua casa, Henry se senta na soleira da janela, e olha para a imensa escuridão, á espera de quem o criou.

Realmente seria uma cena interessante de se ver, o reencontro dos dois. Já faz cerca de 10 anos que não se veem. Devolvi o papel com minha resposta, recebendo um sorriso grande de Wookie e sua dançinha discreta. Mal poderia esperar por esta tarde.


Como havia planejado, Wookie levaria Yesung até o jardim, onde as quadras de esportes ficam perto. Eu faria o mesmo com Henry, com a promessa de que ele veria quem esperava. No momento estou sentado no sofá de Henry, esperando-o terminar de se arrumar. Estava impaciente, já fazia meia hora que o pequeno havia ido tomar banho e se produzir.

- Vamos Henry, você não quer deixa-lo esperando.

- Estou pronto hyung. 

Henry surgira na sala, usando uma calça jeans preta, uma camiseta branca com um casaco em xadrez vermelho, estava muito bonito. Estiquei minha mão para que ele a segurasse e pude sentir seu nervosismo, ele tremia e não parava de pular tamanha era sua anciosidade. Coloquei minha blusa no chão, entre o buraco para que o pequeno não sujasse a roupa que demorara tanto tempo em escolher. Ele passara me esperando, assim caminhando ao local marcado.

Não demorou em ver o Wookie junto ao amado sentados em uma mesa, com um guarda sol. Yesung estava sentado de costas para nós, e provavelmente não saberia o que estava prestes a acontecer. Nos aproximamos, logo Wookie se levantou, sorri á ele,soltando a mão de Henry. Yesung se levantou e seguiu o olhar do amado, se deparando comigo, mas quando seus olhos encontraram com os de Henry pude sentir o quão surpreso havia ficado.

- Bom Yesung, hoje Kyuhyun saiu para fazer algumas compras, para Henry, e eu teria que ficar para cuidar dele, mas eu tenho que sequestrar o Wookie por um momento. Tenho medo de deixar o Henry sozinho, por isso conto contigo para cuidar dele.

Depois de falar tamanha mentira, peguei a mão de Ryeowook o puxando para o primeiro prédio. Corremos em direção da biblioteca onde Kyuhyun nos esperava. Chegamos de fronte a grande porta de madeira, e logo avistamos Kyuhyun sentado em uma das mesas mais afastadas, com os olhos fechados. Nos sentamos em sua frente e logo ele começou a dizer, ainda mantendo os olhos fechados.

- Temos algo de errado.

- O que é? – Disse uníssono.

- Sungmin, como seu pai te trata?

Pensei nas vezes em que falara com meu pai. Mas não havia memória para com isso. Quando o assunto é família, eu já deixo claro que minhas lembranças são poucas e infelizes. Não me lembro de meu pai, largar seu trabalho para brincar comigo. Ele sempre me ignorou, nunca sorriu para mim. Mas minha mãe fora diferente. Sinto que me esqueci de algo importante, mas a única lembrança fora em uma noite de eclipse lunar, onde ela chorava escorada no pé da cama de um dos quarto que havia naquela grande casa. Lembro-me de perguntar á uma de nossas empregadas, e ela respondera que um ente querido morrera.

- Não me lembro de muitas coisas, principalmente de minha infância, mas acredito que nunca o vi sorrir.

- Foi o que pensei. – Kyuhyun suspirara. – Você têm irmãos Minnie?

- Já ouvira uma história, de que era para ser gêmeos, mas o meu irmão, morrera no sexto mês de gestação.

- Entendo. Agora faz sentido.

- O que faz sentido? – Perguntou Wookie, mostrando sua curiosidade.

- Bom, acredito que o filho do autor, já tenha estudado aqui, e acredito que fora no ano passado. Mas ele desaparecera, alguns dizem que ele morreu.

- Que tenso. Será que ele está vivo?

- Não sei, apenas sei que ele fizera todos os passos que o livro dera, mas quando chegou no ultimo, ele simplesmente desaparecera.

- Não sei por que mas sinto que ele está vivo. – Disse Wookie.

- talvez nós devamos salvá-lo. – Disse sentindo algo dentro de mim chamar por ajuda.

- É muito arriscado. Aliás, para ser sincero, você está quase no final do livro, se conseguires tirar a garota cega de teus pensamentos e seguir para o capitulo seguinte, seria o exato momento em que desaparecerá.

- Farei isso.

- Sungmin, não brinque com essas coisas. Posso estar morto, mas se você morrer não será materializado para cá novamente, ou irá para o inferno ou para o paraíso.

- Kyuhyun, eu sinto que alguém me chama por ajuda.

- Não Sungmin, essa é a sua curiosidade, que não sossega.

Bufei contendo a minha raiva. Eu realmente sei diferenciar curiosidade com sentido. Eu sinto que alguém me chamas, que não fora por acaso que eu viera aqui. Eu tenho que fazer algo, para chegar em algum ponto para resolver algo, mas fazer o quê, chegar aonde, resolver o quê? Discussão não nos levaria a momento algum, tentei seguir a linha de pensamentos de Kyuhyun, mas não chegara á lugar algum. Peguei o livro em minha bolsa que carregara, abri no capitulo em que havia parado de ler.

‘’Um lugar escuro, era isso o que via quando meus olhos se fechavam. Por mais cansado que meu corpo pudesse reclamar, o medo era o meu sentido. Aqueles olhos cegos me fitavam, pensamentos de suicídio e imagens minhas fazendo rituais da peste, eram consecutivas. Ela me levaria ao suicídio, iria se deliciar de alma fraca. Mas algo me chamava para viver, algo necessitava de mim vivo para que pudesse ama-lo. Era ele, era ele quem eu iria viver, seria ele o motivo de minha vida, para viver para todo o sempre ao seu lado.

Mas como poderia me afastar de tal mulher, que parecia uma erva daninha, grudada em um muro? Teria que achar um jeito, de afasta-la de mim. Lembrei-me daquele fantasma do porão do vampiro, aquele fantasma seria a minha salvação, pois era ele, quem podia falar com os mortos e afasta-los de nós humanos, essa fora sua função durante todos esses anos, após sua morte. ‘’ 

- Aqui diz que para afastar do espírito cego, teríamos que falar com fantasma que conversamos no porão de Henry.

- Kyuhyun, você sabe esse livro de trás para frente, porque temos que seguir o livro sendo que temos você? – Perguntou Wookie, me fazendo lembrar o fato de que o autor do livro fora amante de Kyuhyun, o que deixara meu coração despedaçado.

- Sou inteligente demais, para querer que as pessoas que me cercam, fizessem essa besteira. Se dependesse de mim vocês estariam a dez metros de distância do livro.

- Enfim, iremos á casa de Henry esta noite após o jantar, iremos conversar com o tal Park Jung Soo.

- Fico me perguntando como os dois devem estar agora.


Chegamos ao local onde havíamos deixado os dois á sós, vendo uma cena emocionante, Yesung e Henry se abraçando. Wookie chorava ao meu lado, sentindo que sue pedido fora algo bom. Aproximamos-nos deles, sem tirar sarro ou fazer brincadeira. Dissemos o que havíamos discutido durante a tarde, e o combinado de nos reunir na casa de Henry para conversar com tal espírito do bem.

Marcamos então de nos reunir na casa de Henry ás nove em ponto. Com Kyuhyun ainda bravo comigo, fomos ao dormitório. O caminho todo fora silencioso e tenso, ele não falava nada e muito menos eu. Chegando ao quarto, me sentei na cama, sentindo minhas costas doerem por ter ficado tanto tempo sem encosto. Não me atrevi a fechar os olhos, para que não parecesse um convite para o espírito cego. Kyuhyun se sentou na escada e fitou-me em silencio. Aquela atmosfera estava me deixando nervoso.

- Espero que não me tenha entendido mal, Minnie.

- Entendo seu lado, assim como espero que entenda o meu.

- Eu te entendo e por isso nada faço para te impedir, mesmo querendo.

Me sentei, vendo Kyuhyun estava sentado ao meu lado, não havia percebido seu movimento. Ele segurou minha mão, puxando meu corpo para cima do seu, fiquei sentado em seu colo, recebendo suas caricias.

- Gostaria de tomar suas dores para mim. – Disse ao ver que seus olhos pareciam sofridos e infelizes.

- Passe comigo esse tempo, e verás minha felicidade.

Sorri e selei nossos lábios, pude sentir que ele precisava disso, que ele estava com saudade de mim, ao seria eu quem sentia saudade de seu corpo e de sua presença? Certo incomodo entre minhas pernas provara que era eu o culpado, era eu quem necessitava de seus carinhos para acalmarem meus nervos.

Kyuhyun entendera o meu recado, pois passara a me beijar com mais ferocidade e mais audácia. Suas mãos acariciavam meu corpo, deslizando entre minhas curvas como se quisesse decorara cada parte de meu ser. Eu fazia o mesmo, minhas mãos passavam por sua cintura fina, sua coxas grandes e perfeitas, seu abdome que não era definido, mesmo assim me levava á loucura.

Não nos demoramos para estarmos sobre os edredons nos amando, deliciando do gosto um do outro. Desfazendo-nos sobre um do outro, sentindo o cheiro de sexo, misturado com a alegria de ter a presença um do outro perto de si.

- Sungmin, como pode ter um corpo tão viciante? – Dizia Kyuhyun enquanto depositava selares em meu pescoço.

- Como pode ter um corpo tão perfeito, Kyuhyun?

Decidimos tomar um banho, que nos rendera mais alguns minutos de diversão, Kyuhyun não se aguentara e muito menos eu. Estava se tornando um vicio, ter seu corpo sobre o meu.


9h em ponto, e estávamos todos reunidos no porão da casa de Henry, com a cartolina e o copo posicionados. Como antes, posicionamos nossos dedos sobre o copo, e logo me atrevi a chamar pelo espírito.

- Têm alguém aí?

O copo fora se mexendo, quem fazia as anotações era Yesung, que fazia com mais rapidez. As palavras foram se formando, e logo o copo parara de se mexer.

- Ele disse que estava á nossa espera, e que ficaria feliz em tirar o espírito cegueiro de perto de Sungmin.

- Ficaria agradecido com isso. – Disse Kyuhyun.

Mesmo sem fizermos alguma pergunta, o copo se mexera, formando novamente as frases, ficamos todos em silêncio, esperando a frase ser terminada.

- Bom, ele disse o seguinte, que deveríamos nos apressar para salvar aquele que foi amaldiçoado.

- Alguém fora amaldiçoado? – Perguntei tentando pensar se havia pulado algum capitulo do livro que falasse sobre uma possível pessoa amaldiçoada. 

Um momento de silêncio se apoderou, ninguém sabia do que se tratava o assunto, o espírito deve ter achado incomodo, pois movera o copo novamente. Yesung anotava palavra por palavra, sem perder um movimento se quer.

- Ele disse, que a um ano uma alma espera por ser salva, essa alma é irmão de alguém aqui presente.

Nos olhávamos esperando que alguém pudesse afirmar que havia irmão, mas ninguém falava, apenas o silêncio reinando sobre nós novamente.

- Eu sou filho único – Disse Ryeowook quebrando o silêncio.

- Eu também. – Disse Henry.

- Nunca conheci minha família. – Dissera Yesung.

- A única irmã que eu tinha, foi morta. – Comprometeu Kyuhyun, então todos os olhares foram para mim, pesando em meus ombros.

- Ah, gente, eu tive um irmão gêmeo, mas ele morreu no sexto mês de gestação, eu falei disso antes.

- Tem certeza Minnie? – Perguntou Wookie.

Yesung desviou o olhar para Kyuhyun, que se manterá em silencio como se guardasse um segredo. Kyuhyun suspirou e logo tomou o ar para começar a falar.

- Tá bom, acredito que o Sungmin depois disso vai querer terminar comigo, mas é necessário. – Kyuhyun tomara minhas mãos, dando-me um selar nos lábios, como se fosse á ultima vez. – Bom depois que o autor do livro, morreu deixando a dedicatória para mim, dizendo que seu filho iria seguir seus passos, eu fiquei com medo e resolvi fazer algo que não deixasse a criança perto do livro. Procurei pela mulher grávida, e a segui por toda a vida.

- Tá explicado seu sumiço de vez em quando. – Disse Henry fazendo um bico nos lábios.

- Enfim, era uma mulher grávida de gêmeos, como ela tinha que trabalhar para sustentar a casa, um homem desconhecido ofereceu uma casa, comida, roupa lavada, tudo mais, desde que ela se casasse com ele. Antes de tudo, ela contou á esse homem quem era o pai das crianças.

-Uma nota, para quem não conhece a história, - Pronunciou Yesung, - O autor do livro ficou conhecido pela região, se for perguntar aos alunos eles dirão que o fantasma é ele.

- Continuando, o homem desconhecido mesmo tendo repulsa, ele cuidou da mulher. Ela teve os gêmeos lá, eles cresceram, mas sem o amor do pai, pois o desconhecido se recusa, até hoje, de tocar nas crianças com medo de ser perturbado ou coisa do tipo. Acontece que um dos meninos gêmeos, era curioso que ninguém segurava, mexia por tudo. O homem não gostou disso, e sempre brigava com o menino. Por causa dessas discussões o homem expulsou o gêmeo mais velho, enviando aqui. Ele veio acredito que uns três anos atrás, ou até mais.

‘’O garoto veio, e ficou aqui por alguns anos, e quando soube sobre o livro ele seguira todos os passos, sendo que quando chegou no ultimo capitulo, ele desaparecera. Dizem por aí que o garoto morreu, mas isso ninguém sabe dizer de verdade.’’

- Tá e o que eu tenho a ver com isso? – Perguntei ainda sem entender o assunto da conversa.

- Minnie, por que choras no eclipse lunar? - Perguntou Kyuhyun

- Não me lembro do motivo, apenas me lembro de minha mãe chorando nesse dia, ela chorava muito.

- Hyung, por que sentes curiosidade em saber o que te espera no final do livro?Perguntou Henry.

- Sinto alguém me chamando.- Só então entendi o que eles estavam me dizendo. – Espere um momento, não é possível. 

- Sungmin, está na cara. – Disse Yesung.

- Por achas que quando veio aqui em casa e disse que o livro era parecido com o que ocorria contigo, eu fiquei espantado? – Perguntou Henry.

- Mas eu não me lembro de ter um irmão.

O copo se mexera, formando novas palavras, fiquei curioso, aquilo não parecia ser real.

- É por que fora hipnotizado a esquecer. 

- Gente, isso é ridículo, se eu tivesse um irmão, eu me lembraria dele.

- Sungmin, você sabe o nome que seria dado a seu irmão, caso tivesse vivo? – Perguntou Wookie.

- Donghae, Lee Donghae.

- Esse é o nome do garoto desaparecido.

- Gente, isso é uma coisa da qual não se pode brincar.

Kyuhyun largou o copo, sentou-se entre eu e Henry, pousando suas mãos em meu rosto, seus olhos eram frios, e me fitavam sem piscar, me fazendo seu prisioneiro. Pude sentir um calor em minha cabeça, e quando me dei conta, estava de olhos fechados, vendo imagens que antes julgara ser esquecidas.

Era eu, pequeno, deveria ter uns 13 anos, estava atrás da porta, escutando um discussão de meu pai, com alguém, olhei na porta vendo que na cozinha realmente estava meu pai e um garoto de minha altura, olhos pequeno rosto fino, parecia ser um peixe, ele estava com a face fechada, deveria estar zangado. O garoto saiu da cozinha, parando de frente comigo, me abraçara fortemente.

- Hyung ficará bem Minnie, não chores, é eclipse lunar, deves sorrir e não chorar.

O garoto pegou algumas maças que estavam perto da porta que dava para o lado de fora da casa, e saiu dando apenas um sorriso para mim e assim fechando a porta atrás de si. Subira as escadas parando na porta de meu quarto, vendo minha mãe chorar ao pé da cama, onde meu irmão dormia. Corri para a janela o vendo partir em direção do eclipse lunar, sentindo assim as lágrimas descerem pelo meu rosto, enquanto pedia silenciosamente para que ele voltasse e não me deixasse sozinho.

Abri meus olhos, vendo que era real, que aquilo que vira, não era sonho, mas sim lembrança, lembrança do motivo de minhas lágrimas caírem apenas no eclipse lunar. Não eram lágrimas contidos durantes os anos por causa de brigas ou discussão, eram lagrimas de quando meu coração se lembrara de meu irmão, e pedindo para que voltasse.

- Donghae. – Sussurrei ao sentir um aperto em meu peito.


Eu tinha um irmão gêmeo mais velho, que poderá estar vivo, sou filho do escritor do livro que antes de morrer fora amante do meu namorado. O que mais a vida pode me reservar? Estava já pensando em minha morte, um centímetro a mais eu estaria morto. Mas ao meu ver ela parecia parada, apenas me fitando, seu olhar era horripilante, me deixara assustado. Ela de repente se afastou, como se tivesse sido jogada, pude ver Kyuhyun, parando em minha frente, pousando suas mãos em meu rosto, sua face estava preocupada, seu medo estava estampado em seus olhos. 

Mas não conseguia me mexer, nem se quer piscar os olhos eu conseguia. Pude sentir aquela presença, a mulher cega se aproximava, Kyuhyun se mexera pegando alguma coisa em cima de minha cômoda, e jogou contra a mulher. O espírito jogou suas mãos aos olhos, logo uma fumaça branca, saíra de si, para ter esse efeito quando em contato com espíritos só poderia ser água benta. 

Não vi mais a mulher cega, ela desaparecera, assim que sua presença se desfez, pude sentir o peso de meu corpo, me puxando para baixo. Caí nos braços de Kyuhyun, que me abraçara fortemente, enquanto me perguntava se eu estava bem. O medo me deixara paralisado, minha boca tremia, juntamente com as minhas mãos, sentia o ar bater de contra meus olhos. Tentei piscar voltando á realidade, mexi um pouco os dedos, que parecia enrijecidos. Consegui virar a cabeça para fitar Kyuhyun, que esboçara um pequeno sorriso, seguido de um ‘’Ainda bem’’. 

- O que aconteceu? – Perguntei ouvindo a minha voz falha. 

- Calma Minnie, ela conseguiu entrar em seu subconsciente no momento em que fora dormir, assim podendo entrar aqui no quarto. 

- Como você sabia que ela estava aqui? 

- Senti o cheiro dela, cheiro de terra. 

- O que vai acontecer agora? 

- Não sei Minnie, não sei. 

Kyuhyun me abraçara, me dando permissão de inalar seu doce cheiro de baunilha. Sentir seu cheiro me deixara calmo, assim podendo cair em um sono com direito á sonhos doces e gentis. 


Estávamos no refeitório, já era hora do almoço. As aulas haviam passado rapidamente, pois eu estava com sono. Kyuhyun contara á Yesung e á Ryeowook o ocorrido de noite passada. Os dois pareciam surpresos, mas não fazia o motivo do por que. 

Ainda podia sentir que eles me escondiam segredos, tudo é um grande pesadelo. Isso é o que eu tenho repetido á mim mesmo durante esse tempo, mas quando toco em Kyuhyun vejo que é a realidade, uma realidade da qual mesmo tendo espíritos me seguindo, eu não trocaria por nada, somente para tê-lo em meus braços. 

Marcamos de passar a tarde juntos, para saber mais sobre os detalhes do livro. Caminhamos pelos corredores amontoado de alunos, que corriam para suas salas, passávamos várias salas, sendo ignorados. Respirei em alivio, os alunos se aquietaram depois das cenas entre eu e Kyuhyun. Sentei em minha carteira, o professor já estava passando matéria no quadro, quando recebo um papel dobrado de Wookie. Desdobrei o papel, vendo em sua bela caligrafia, um pedido. 

‘’Minnie, gostaria de te pedir um favor. Gostaria de marcar o encontro de Yesung com Henry, hoje á tarde. Deixa-los á sós, para conversarem.’’ 

Podia entender seus motivos. Eu ficaria sufocado em saber que meu filho estaria a alguns metros de distância, e eu ter medo de conta-lo a verdade tendo como resposta a sua distância. Mas acredito que Henry aceitaria isso, pois sempre espera por Yesung, todos os dias, pelo menos quando vou em sua casa, Henry se senta na soleira da janela, e olha para a imensa escuridão, á espera de quem o criou. 

Realmente seria uma cena interessante de se ver, o reencontro dos dois. Já faz cerca de 10 anos que não se veem. Devolvi o papel com minha resposta, recebendo um sorriso grande de Wookie e sua dançinha discreta. Mal poderia esperar por esta tarde. 


Como havia planejado, Wookie levaria Yesung até o jardim, onde as quadras de esportes ficam perto. Eu faria o mesmo com Henry, com a promessa de que ele veria quem esperava. No momento estou sentado no sofá de Henry, esperando-o terminar de se arrumar. Estava impaciente, já fazia meia hora que o pequeno havia ido tomar banho e se produzir. 

- Vamos Henry, você não quer deixa-lo esperando. 

- Estou pronto hyung. 

Henry surgira na sala, usando uma calça jeans preta, uma camiseta branca com um casaco em xadrez vermelho, estava muito bonito. Estiquei minha mão para que ele a segurasse e pude sentir seu nervosismo, ele tremia e não parava de pular tamanha era sua anciosidade. Coloquei minha blusa no chão, entre o buraco para que o pequeno não sujasse a roupa que demorara tanto tempo em escolher. Ele passara me esperando, assim caminhando ao local marcado. 

Não demorou em ver o Wookie junto ao amado sentados em uma mesa, com um guarda sol. Yesung estava sentado de costas para nós, e provavelmente não saberia o que estava prestes a acontecer. Nos aproximamos, logo Wookie se levantou, sorri á ele,soltando a mão de Henry. Yesung se levantou e seguiu o olhar do amado, se deparando comigo, mas quando seus olhos encontraram com os de Henry pude sentir o quão surpreso havia ficado. 

- Bom Yesung, hoje Kyuhyun saiu para fazer algumas compras, para Henry, e eu teria que ficar para cuidar dele, mas eu tenho que sequestrar o Wookie por um momento. Tenho medo de deixar o Henry sozinho, por isso conto contigo para cuidar dele. 

Depois de falar tamanha mentira, peguei a mão de Ryeowook o puxando para o primeiro prédio. Corremos em direção da biblioteca onde Kyuhyun nos esperava. Chegamos de fronte a grande porta de madeira, e logo avistamos Kyuhyun sentado em uma das mesas mais afastadas, com os olhos fechados. Nos sentamos em sua frente e logo ele começou a dizer, ainda mantendo os olhos fechados. 

- Temos algo de errado. 

- O que é? – Disse uníssono. 

- Sungmin, como seu pai te trata? 

Pensei nas vezes em que falara com meu pai. Mas não havia memória para com isso. Quando o assunto é família, eu já deixo claro que minhas lembranças são poucas e infelizes. Não me lembro de meu pai, largar seu trabalho para brincar comigo. Ele sempre me ignorou, nunca sorriu para mim. Mas minha mãe fora diferente. Sinto que me esqueci de algo importante, mas a única lembrança fora em uma noite de eclipse lunar, onde ela chorava escorada no pé da cama de um dos quarto que havia naquela grande casa. Lembro-me de perguntar á uma de nossas empregadas, e ela respondera que um ente querido morrera. 

- Não me lembro de muitas coisas, principalmente de minha infância, mas acredito que nunca o vi sorrir. 

- Foi o que pensei. – Kyuhyun suspirara. – Você têm irmãos Minnie? 

- Já ouvira uma história, de que era para ser gêmeos, mas o meu irmão, morrera no sexto mês de gestação. 

- Entendo. Agora faz sentido. 

- O que faz sentido? – Perguntou Wookie, mostrando sua curiosidade. 

- Bom, acredito que o filho do autor, já tenha estudado aqui, e acredito que fora no ano passado. Mas ele desaparecera, alguns dizem que ele morreu. 

- Que tenso. Será que ele está vivo? 

- Não sei, apenas sei que ele fizera todos os passos que o livro dera, mas quando chegou no ultimo, ele simplesmente desaparecera. 

- Não sei por que mas sinto que ele está vivo. – Disse Wookie. 

- talvez nós devamos salvá-lo. – Disse sentindo algo dentro de mim chamar por ajuda. 

- É muito arriscado. Aliás, para ser sincero, você está quase no final do livro, se conseguires tirar a garota cega de teus pensamentos e seguir para o capitulo seguinte, seria o exato momento em que desaparecerá. 

- Farei isso. 

- Sungmin, não brinque com essas coisas. Posso estar morto, mas se você morrer não será materializado para cá novamente, ou irá para o inferno ou para o paraíso. 

- Kyuhyun, eu sinto que alguém me chama por ajuda. 

- Não Sungmin, essa é a sua curiosidade, que não sossega. 

Bufei contendo a minha raiva. Eu realmente sei diferenciar curiosidade com sentido. Eu sinto que alguém me chamas, que não fora por acaso que eu viera aqui. Eu tenho que fazer algo, para chegar em algum ponto para resolver algo, mas fazer o quê, chegar aonde, resolver o quê? Discussão não nos levaria a momento algum, tentei seguir a linha de pensamentos de Kyuhyun, mas não chegara á lugar algum. Peguei o livro em minha bolsa que carregara, abri no capitulo em que havia parado de ler. 

‘’Um lugar escuro, era isso o que via quando meus olhos se fechavam. Por mais cansado que meu corpo pudesse reclamar, o medo era o meu sentido. Aqueles olhos cegos me fitavam, pensamentos de suicídio e imagens minhas fazendo rituais da peste, eram consecutivas. Ela me levaria ao suicídio, iria se deliciar de alma fraca. Mas algo me chamava para viver, algo necessitava de mim vivo para que pudesse ama-lo. Era ele, era ele quem eu iria viver, seria ele o motivo de minha vida, para viver para todo o sempre ao seu lado. 

Mas como poderia me afastar de tal mulher, que parecia uma erva daninha, grudada em um muro? Teria que achar um jeito, de afasta-la de mim. Lembrei-me daquele fantasma do porão do vampiro, aquele fantasma seria a minha salvação, pois era ele, quem podia falar com os mortos e afasta-los de nós humanos, essa fora sua função durante todos esses anos, após sua morte. ‘’ 

- Aqui diz que para afastar do espírito cego, teríamos que falar com fantasma que conversamos no porão de Henry. 

- Kyuhyun, você sabe esse livro de trás para frente, porque temos que seguir o livro sendo que temos você? – Perguntou Wookie, me fazendo lembrar o fato de que o autor do livro fora amante de Kyuhyun, o que deixara meu coração despedaçado. 

- Sou inteligente demais, para querer que as pessoas que me cercam, fizessem essa besteira. Se dependesse de mim vocês estariam a dez metros de distância do livro. 

- Enfim, iremos á casa de Henry esta noite após o jantar, iremos conversar com o tal Park Jung Soo. 

- Fico me perguntando como os dois devem estar agora. 


Chegamos ao local onde havíamos deixado os dois á sós, vendo uma cena emocionante, Yesung e Henry se abraçando. Wookie chorava ao meu lado, sentindo que sue pedido fora algo bom. Aproximamos-nos deles, sem tirar sarro ou fazer brincadeira. Dissemos o que havíamos discutido durante a tarde, e o combinado de nos reunir na casa de Henry para conversar com tal espírito do bem. 

Marcamos então de nos reunir na casa de Henry ás nove em ponto. Com Kyuhyun ainda bravo comigo, fomos ao dormitório. O caminho todo fora silencioso e tenso, ele não falava nada e muito menos eu. Chegando ao quarto, me sentei na cama, sentindo minhas costas doerem por ter ficado tanto tempo sem encosto. Não me atrevi a fechar os olhos, para que não parecesse um convite para o espírito cego. Kyuhyun se sentou na escada e fitou-me em silencio. Aquela atmosfera estava me deixando nervoso. 

- Espero que não me tenha entendido mal, Minnie. 

- Entendo seu lado, assim como espero que entenda o meu. 

- Eu te entendo e por isso nada faço para te impedir, mesmo querendo. 

Me sentei, vendo Kyuhyun estava sentado ao meu lado, não havia percebido seu movimento. Ele segurou minha mão, puxando meu corpo para cima do seu, fiquei sentado em seu colo, recebendo suas caricias. 

- Gostaria de tomar suas dores para mim. – Disse ao ver que seus olhos pareciam sofridos e infelizes. 

- Passe comigo esse tempo, e verás minha felicidade. 

Sorri e selei nossos lábios, pude sentir que ele precisava disso, que ele estava com saudade de mim, ao seria eu quem sentia saudade de seu corpo e de sua presença? Certo incomodo entre minhas pernas provara que era eu o culpado, era eu quem necessitava de seus carinhos para acalmarem meus nervos. 

Kyuhyun entendera o meu recado, pois passara a me beijar com mais ferocidade e mais audácia. Suas mãos acariciavam meu corpo, deslizando entre minhas curvas como se quisesse decorara cada parte de meu ser. Eu fazia o mesmo, minhas mãos passavam por sua cintura fina, sua coxas grandes e perfeitas, seu abdome que não era definido, mesmo assim me levava á loucura. 

Não nos demoramos para estarmos sobre os edredons nos amando, deliciando do gosto um do outro. Desfazendo-nos sobre um do outro, sentindo o cheiro de sexo, misturado com a alegria de ter a presença um do outro perto de si. 

- Sungmin, como pode ter um corpo tão viciante? – Dizia Kyuhyun enquanto depositava selares em meu pescoço. 

- Como pode ter um corpo tão perfeito, Kyuhyun? 

Decidimos tomar um banho, que nos rendera mais alguns minutos de diversão, Kyuhyun não se aguentara e muito menos eu. Estava se tornando um vicio, ter seu corpo sobre o meu. 


9h em ponto, e estávamos todos reunidos no porão da casa de Henry, com a cartolina e o copo posicionados. Como antes, posicionamos nossos dedos sobre o copo, e logo me atrevi a chamar pelo espírito. 

- Têm alguém aí? 

O copo fora se mexendo, quem fazia as anotações era Yesung, que fazia com mais rapidez. As palavras foram se formando, e logo o copo parara de se mexer. 

- Ele disse que estava á nossa espera, e que ficaria feliz em tirar o espírito cegueiro de perto de Sungmin. 

- Ficaria agradecido com isso. – Disse Kyuhyun. 

Mesmo sem fizermos alguma pergunta, o copo se mexera, formando novamente as frases, ficamos todos em silêncio, esperando a frase ser terminada. 

- Bom, ele disse o seguinte, que deveríamos nos apressar para salvar aquele que foi amaldiçoado. 

- Alguém fora amaldiçoado? – Perguntei tentando pensar se havia pulado algum capitulo do livro que falasse sobre uma possível pessoa amaldiçoada. 

Um momento de silêncio se apoderou, ninguém sabia do que se tratava o assunto, o espírito deve ter achado incomodo, pois movera o copo novamente. Yesung anotava palavra por palavra, sem perder um movimento se quer. 

- Ele disse, que a um ano uma alma espera por ser salva, essa alma é irmão de alguém aqui presente. 

Nos olhávamos esperando que alguém pudesse afirmar que havia irmão, mas ninguém falava, apenas o silêncio reinando sobre nós novamente. 

- Eu sou filho único – Disse Ryeowook quebrando o silêncio. 

- Eu também. – Disse Henry. 

- Nunca conheci minha família. – Dissera Yesung. 

- A única irmã que eu tinha, foi morta. – Comprometeu Kyuhyun, então todos os olhares foram para mim, pesando em meus ombros. 

- Ah, gente, eu tive um irmão gêmeo, mas ele morreu no sexto mês de gestação, eu falei disso antes. 

- Tem certeza Minnie? – Perguntou Wookie. 

Yesung desviou o olhar para Kyuhyun, que se manterá em silencio como se guardasse um segredo. Kyuhyun suspirou e logo tomou o ar para começar a falar. 

- Tá bom, acredito que o Sungmin depois disso vai querer terminar comigo, mas é necessário. – Kyuhyun tomara minhas mãos, dando-me um selar nos lábios, como se fosse á ultima vez. – Bom depois que o autor do livro, morreu deixando a dedicatória para mim, dizendo que seu filho iria seguir seus passos, eu fiquei com medo e resolvi fazer algo que não deixasse a criança perto do livro. Procurei pela mulher grávida, e a segui por toda a vida. 

- Tá explicado seu sumiço de vez em quando. – Disse Henry fazendo um bico nos lábios. 

- Enfim, era uma mulher grávida de gêmeos, como ela tinha que trabalhar para sustentar a casa, um homem desconhecido ofereceu uma casa, comida, roupa lavada, tudo mais, desde que ela se casasse com ele. Antes de tudo, ela contou á esse homem quem era o pai das crianças. 

-Uma nota, para quem não conhece a história, - Pronunciou Yesung, - O autor do livro ficou conhecido pela região, se for perguntar aos alunos eles dirão que o fantasma é ele. 

- Continuando, o homem desconhecido mesmo tendo repulsa, ele cuidou da mulher. Ela teve os gêmeos lá, eles cresceram, mas sem o amor do pai, pois o desconhecido se recusa, até hoje, de tocar nas crianças com medo de ser perturbado ou coisa do tipo. Acontece que um dos meninos gêmeos, era curioso que ninguém segurava, mexia por tudo. O homem não gostou disso, e sempre brigava com o menino. Por causa dessas discussões o homem expulsou o gêmeo mais velho, enviando aqui. Ele veio acredito que uns três anos atrás, ou até mais. 

‘’O garoto veio, e ficou aqui por alguns anos, e quando soube sobre o livro ele seguira todos os passos, sendo que quando chegou no ultimo capitulo, ele desaparecera. Dizem por aí que o garoto morreu, mas isso ninguém sabe dizer de verdade.’’ 

- Tá e o que eu tenho a ver com isso? – Perguntei ainda sem entender o assunto da conversa. 

- Minnie, por que choras no eclipse lunar? - Perguntou Kyuhyun 

- Não me lembro do motivo, apenas me lembro de minha mãe chorando nesse dia, ela chorava muito. 

- Hyung, por que sentes curiosidade em saber o que te espera no final do livro?Perguntou Henry. 

- Sinto alguém me chamando.- Só então entendi o que eles estavam me dizendo. – Espere um momento, não é possível. 

- Sungmin, está na cara. – Disse Yesung. 

- Por achas que quando veio aqui em casa e disse que o livro era parecido com o que ocorria contigo, eu fiquei espantado? – Perguntou Henry. 

- Mas eu não me lembro de ter um irmão. 

O copo se mexera, formando novas palavras, fiquei curioso, aquilo não parecia ser real. 

- É por que fora hipnotizado a esquecer. 

- Gente, isso é ridículo, se eu tivesse um irmão, eu me lembraria dele. 

- Sungmin, você sabe o nome que seria dado a seu irmão, caso tivesse vivo? – Perguntou Wookie. 

- Donghae, Lee Donghae. 

- Esse é o nome do garoto desaparecido. 

- Gente, isso é uma coisa da qual não se pode brincar. 

Kyuhyun largou o copo, sentou-se entre eu e Henry, pousando suas mãos em meu rosto, seus olhos eram frios, e me fitavam sem piscar, me fazendo seu prisioneiro. Pude sentir um calor em minha cabeça, e quando me dei conta, estava de olhos fechados, vendo imagens que antes julgara ser esquecidas. 

Era eu, pequeno, deveria ter uns 13 anos, estava atrás da porta, escutando um discussão de meu pai, com alguém, olhei na porta vendo que na cozinha realmente estava meu pai e um garoto de minha altura, olhos pequeno rosto fino, parecia ser um peixe, ele estava com a face fechada, deveria estar zangado. O garoto saiu da cozinha, parando de frente comigo, me abraçara fortemente. 

- Hyung ficará bem Minnie, não chores, é eclipse lunar, deves sorrir e não chorar. 

O garoto pegou algumas maças que estavam perto da porta que dava para o lado de fora da casa, e saiu dando apenas um sorriso para mim e assim fechando a porta atrás de si. Subira as escadas parando na porta de meu quarto, vendo minha mãe chorar ao pé da cama, onde meu irmão dormia. Corri para a janela o vendo partir em direção do eclipse lunar, sentindo assim as lágrimas descerem pelo meu rosto, enquanto pedia silenciosamente para que ele voltasse e não me deixasse sozinho. 

Abri meus olhos, vendo que era real, que aquilo que vira, não era sonho, mas sim lembrança, lembrança do motivo de minhas lágrimas caírem apenas no eclipse lunar. Não eram lágrimas contidos durantes os anos por causa de brigas ou discussão, eram lagrimas de quando meu coração se lembrara de meu irmão, e pedindo para que voltasse. 

- Donghae. – Sussurrei ao sentir um aperto em meu peito. 

Eu tinha um irmão gêmeo mais velho, que poderá estar vivo, sou filho do escritor do livro que antes de morrer fora amante do meu namorado. O que mais a vida pode me reservar? Estava já pensando em minha morte, um centímetro a mais eu estaria morto. Mas ao meu ver ela parecia parada, apenas me fitando, seu olhar era horripilante, me deixara assustado. Ela de repente se afastou, como se tivesse sido jogada, pude ver Kyuhyun, parando em minha frente, pousando suas mãos em meu rosto, sua face estava preocupada, seu medo estava estampado em seus olhos. 

Mas não conseguia me mexer, nem se quer piscar os olhos eu conseguia. Pude sentir aquela presença, a mulher cega se aproximava, Kyuhyun se mexera pegando alguma coisa em cima de minha cômoda, e jogou contra a mulher. O espírito jogou suas mãos aos olhos, logo uma fumaça branca, saíra de si, para ter esse efeito quando em contato com espíritos só poderia ser água benta. 

Não vi mais a mulher cega, ela desaparecera, assim que sua presença se desfez, pude sentir o peso de meu corpo, me puxando para baixo. Caí nos braços de Kyuhyun, que me abraçara fortemente, enquanto me perguntava se eu estava bem. O medo me deixara paralisado, minha boca tremia, juntamente com as minhas mãos, sentia o ar bater de contra meus olhos. Tentei piscar voltando á realidade, mexi um pouco os dedos, que parecia enrijecidos. Consegui virar a cabeça para fitar Kyuhyun, que esboçara um pequeno sorriso, seguido de um ‘’Ainda bem’’. 

- O que aconteceu? – Perguntei ouvindo a minha voz falha. 

- Calma Minnie, ela conseguiu entrar em seu subconsciente no momento em que fora dormir, assim podendo entrar aqui no quarto. 

- Como você sabia que ela estava aqui? 

- Senti o cheiro dela, cheiro de terra. 

- O que vai acontecer agora? 

- Não sei Minnie, não sei. 

Kyuhyun me abraçara, me dando permissão de inalar seu doce cheiro de baunilha. Sentir seu cheiro me deixara calmo, assim podendo cair em um sono com direito á sonhos doces e gentis. 


Estávamos no refeitório, já era hora do almoço. As aulas haviam passado rapidamente, pois eu estava com sono. Kyuhyun contara á Yesung e á Ryeowook o ocorrido de noite passada. Os dois pareciam surpresos, mas não fazia o motivo do por que. 

Ainda podia sentir que eles me escondiam segredos, tudo é um grande pesadelo. Isso é o que eu tenho repetido á mim mesmo durante esse tempo, mas quando toco em Kyuhyun vejo que é a realidade, uma realidade da qual mesmo tendo espíritos me seguindo, eu não trocaria por nada, somente para tê-lo em meus braços. 

Marcamos de passar a tarde juntos, para saber mais sobre os detalhes do livro. Caminhamos pelos corredores amontoado de alunos, que corriam para suas salas, passávamos várias salas, sendo ignorados. Respirei em alivio, os alunos se aquietaram depois das cenas entre eu e Kyuhyun. Sentei em minha carteira, o professor já estava passando matéria no quadro, quando recebo um papel dobrado de Wookie. Desdobrei o papel, vendo em sua bela caligrafia, um pedido. 

‘’Minnie, gostaria de te pedir um favor. Gostaria de marcar o encontro de Yesung com Henry, hoje á tarde. Deixa-los á sós, para conversarem.’’ 

Podia entender seus motivos. Eu ficaria sufocado em saber que meu filho estaria a alguns metros de distância, e eu ter medo de conta-lo a verdade tendo como resposta a sua distância. Mas acredito que Henry aceitaria isso, pois sempre espera por Yesung, todos os dias, pelo menos quando vou em sua casa, Henry se senta na soleira da janela, e olha para a imensa escuridão, á espera de quem o criou. 

Realmente seria uma cena interessante de se ver, o reencontro dos dois. Já faz cerca de 10 anos que não se veem. Devolvi o papel com minha resposta, recebendo um sorriso grande de Wookie e sua dançinha discreta. Mal poderia esperar por esta tarde. 


Como havia planejado, Wookie levaria Yesung até o jardim, onde as quadras de esportes ficam perto. Eu faria o mesmo com Henry, com a promessa de que ele veria quem esperava. No momento estou sentado no sofá de Henry, esperando-o terminar de se arrumar. Estava impaciente, já fazia meia hora que o pequeno havia ido tomar banho e se produzir. 

- Vamos Henry, você não quer deixa-lo esperando. 

- Estou pronto hyung. 

Henry surgira na sala, usando uma calça jeans preta, uma camiseta branca com um casaco em xadrez vermelho, estava muito bonito. Estiquei minha mão para que ele a segurasse e pude sentir seu nervosismo, ele tremia e não parava de pular tamanha era sua anciosidade. Coloquei minha blusa no chão, entre o buraco para que o pequeno não sujasse a roupa que demorara tanto tempo em escolher. Ele passara me esperando, assim caminhando ao local marcado. 

Não demorou em ver o Wookie junto ao amado sentados em uma mesa, com um guarda sol. Yesung estava sentado de costas para nós, e provavelmente não saberia o que estava prestes a acontecer. Nos aproximamos, logo Wookie se levantou, sorri á ele,soltando a mão de Henry. Yesung se levantou e seguiu o olhar do amado, se deparando comigo, mas quando seus olhos encontraram com os de Henry pude sentir o quão surpreso havia ficado. 

- Bom Yesung, hoje Kyuhyun saiu para fazer algumas compras, para Henry, e eu teria que ficar para cuidar dele, mas eu tenho que sequestrar o Wookie por um momento. Tenho medo de deixar o Henry sozinho, por isso conto contigo para cuidar dele. 

Depois de falar tamanha mentira, peguei a mão de Ryeowook o puxando para o primeiro prédio. Corremos em direção da biblioteca onde Kyuhyun nos esperava. Chegamos de fronte a grande porta de madeira, e logo avistamos Kyuhyun sentado em uma das mesas mais afastadas, com os olhos fechados. Nos sentamos em sua frente e logo ele começou a dizer, ainda mantendo os olhos fechados. 

- Temos algo de errado. 

- O que é? – Disse uníssono. 

- Sungmin, como seu pai te trata? 

Pensei nas vezes em que falara com meu pai. Mas não havia memória para com isso. Quando o assunto é família, eu já deixo claro que minhas lembranças são poucas e infelizes. Não me lembro de meu pai, largar seu trabalho para brincar comigo. Ele sempre me ignorou, nunca sorriu para mim. Mas minha mãe fora diferente. Sinto que me esqueci de algo importante, mas a única lembrança fora em uma noite de eclipse lunar, onde ela chorava escorada no pé da cama de um dos quarto que havia naquela grande casa. Lembro-me de perguntar á uma de nossas empregadas, e ela respondera que um ente querido morrera. 

- Não me lembro de muitas coisas, principalmente de minha infância, mas acredito que nunca o vi sorrir. 

- Foi o que pensei. – Kyuhyun suspirara. – Você têm irmãos Minnie? 

- Já ouvira uma história, de que era para ser gêmeos, mas o meu irmão, morrera no sexto mês de gestação. 

- Entendo. Agora faz sentido. 

- O que faz sentido? – Perguntou Wookie, mostrando sua curiosidade. 

- Bom, acredito que o filho do autor, já tenha estudado aqui, e acredito que fora no ano passado. Mas ele desaparecera, alguns dizem que ele morreu. 

- Que tenso. Será que ele está vivo? 

- Não sei, apenas sei que ele fizera todos os passos que o livro dera, mas quando chegou no ultimo, ele simplesmente desaparecera. 

- Não sei por que mas sinto que ele está vivo. – Disse Wookie. 

- talvez nós devamos salvá-lo. – Disse sentindo algo dentro de mim chamar por ajuda. 

- É muito arriscado. Aliás, para ser sincero, você está quase no final do livro, se conseguires tirar a garota cega de teus pensamentos e seguir para o capitulo seguinte, seria o exato momento em que desaparecerá. 

- Farei isso. 

- Sungmin, não brinque com essas coisas. Posso estar morto, mas se você morrer não será materializado para cá novamente, ou irá para o inferno ou para o paraíso. 

- Kyuhyun, eu sinto que alguém me chama por ajuda. 

- Não Sungmin, essa é a sua curiosidade, que não sossega. 

Bufei contendo a minha raiva. Eu realmente sei diferenciar curiosidade com sentido. Eu sinto que alguém me chamas, que não fora por acaso que eu viera aqui. Eu tenho que fazer algo, para chegar em algum ponto para resolver algo, mas fazer o quê, chegar aonde, resolver o quê? Discussão não nos levaria a momento algum, tentei seguir a linha de pensamentos de Kyuhyun, mas não chegara á lugar algum. Peguei o livro em minha bolsa que carregara, abri no capitulo em que havia parado de ler. 

‘’Um lugar escuro, era isso o que via quando meus olhos se fechavam. Por mais cansado que meu corpo pudesse reclamar, o medo era o meu sentido. Aqueles olhos cegos me fitavam, pensamentos de suicídio e imagens minhas fazendo rituais da peste, eram consecutivas. Ela me levaria ao suicídio, iria se deliciar de alma fraca. Mas algo me chamava para viver, algo necessitava de mim vivo para que pudesse ama-lo. Era ele, era ele quem eu iria viver, seria ele o motivo de minha vida, para viver para todo o sempre ao seu lado. 

Mas como poderia me afastar de tal mulher, que parecia uma erva daninha, grudada em um muro? Teria que achar um jeito, de afasta-la de mim. Lembrei-me daquele fantasma do porão do vampiro, aquele fantasma seria a minha salvação, pois era ele, quem podia falar com os mortos e afasta-los de nós humanos, essa fora sua função durante todos esses anos, após sua morte. ‘’ 

- Aqui diz que para afastar do espírito cego, teríamos que falar com fantasma que conversamos no porão de Henry. 

- Kyuhyun, você sabe esse livro de trás para frente, porque temos que seguir o livro sendo que temos você? – Perguntou Wookie, me fazendo lembrar o fato de que o autor do livro fora amante de Kyuhyun, o que deixara meu coração despedaçado. 

- Sou inteligente demais, para querer que as pessoas que me cercam, fizessem essa besteira. Se dependesse de mim vocês estariam a dez metros de distância do livro. 

- Enfim, iremos á casa de Henry esta noite após o jantar, iremos conversar com o tal Park Jung Soo. 

- Fico me perguntando como os dois devem estar agora. 


Chegamos ao local onde havíamos deixado os dois á sós, vendo uma cena emocionante, Yesung e Henry se abraçando. Wookie chorava ao meu lado, sentindo que sue pedido fora algo bom. Aproximamos-nos deles, sem tirar sarro ou fazer brincadeira. Dissemos o que havíamos discutido durante a tarde, e o combinado de nos reunir na casa de Henry para conversar com tal espírito do bem. 

Marcamos então de nos reunir na casa de Henry ás nove em ponto. Com Kyuhyun ainda bravo comigo, fomos ao dormitório. O caminho todo fora silencioso e tenso, ele não falava nada e muito menos eu. Chegando ao quarto, me sentei na cama, sentindo minhas costas doerem por ter ficado tanto tempo sem encosto. Não me atrevi a fechar os olhos, para que não parecesse um convite para o espírito cego. Kyuhyun se sentou na escada e fitou-me em silencio. Aquela atmosfera estava me deixando nervoso. 

- Espero que não me tenha entendido mal, Minnie. 

- Entendo seu lado, assim como espero que entenda o meu. 

- Eu te entendo e por isso nada faço para te impedir, mesmo querendo. 

Me sentei, vendo Kyuhyun estava sentado ao meu lado, não havia percebido seu movimento. Ele segurou minha mão, puxando meu corpo para cima do seu, fiquei sentado em seu colo, recebendo suas caricias. 

- Gostaria de tomar suas dores para mim. – Disse ao ver que seus olhos pareciam sofridos e infelizes. 

- Passe comigo esse tempo, e verás minha felicidade. 

Sorri e selei nossos lábios, pude sentir que ele precisava disso, que ele estava com saudade de mim, ao seria eu quem sentia saudade de seu corpo e de sua presença? Certo incomodo entre minhas pernas provara que era eu o culpado, era eu quem necessitava de seus carinhos para acalmarem meus nervos. 

Kyuhyun entendera o meu recado, pois passara a me beijar com mais ferocidade e mais audácia. Suas mãos acariciavam meu corpo, deslizando entre minhas curvas como se quisesse decorara cada parte de meu ser. Eu fazia o mesmo, minhas mãos passavam por sua cintura fina, sua coxas grandes e perfeitas, seu abdome que não era definido, mesmo assim me levava á loucura. 

Não nos demoramos para estarmos sobre os edredons nos amando, deliciando do gosto um do outro. Desfazendo-nos sobre um do outro, sentindo o cheiro de sexo, misturado com a alegria de ter a presença um do outro perto de si. 

- Sungmin, como pode ter um corpo tão viciante? – Dizia Kyuhyun enquanto depositava selares em meu pescoço. 

- Como pode ter um corpo tão perfeito, Kyuhyun? 

Decidimos tomar um banho, que nos rendera mais alguns minutos de diversão, Kyuhyun não se aguentara e muito menos eu. Estava se tornando um vicio, ter seu corpo sobre o meu. 


9h em ponto, e estávamos todos reunidos no porão da casa de Henry, com a cartolina e o copo posicionados. Como antes, posicionamos nossos dedos sobre o copo, e logo me atrevi a chamar pelo espírito. 

- Têm alguém aí? 

O copo fora se mexendo, quem fazia as anotações era Yesung, que fazia com mais rapidez. As palavras foram se formando, e logo o copo parara de se mexer. 

- Ele disse que estava á nossa espera, e que ficaria feliz em tirar o espírito cegueiro de perto de Sungmin. 

- Ficaria agradecido com isso. – Disse Kyuhyun. 

Mesmo sem fizermos alguma pergunta, o copo se mexera, formando novamente as frases, ficamos todos em silêncio, esperando a frase ser terminada. 

- Bom, ele disse o seguinte, que deveríamos nos apressar para salvar aquele que foi amaldiçoado. 

- Alguém fora amaldiçoado? – Perguntei tentando pensar se havia pulado algum capitulo do livro que falasse sobre uma possível pessoa amaldiçoada. 

Um momento de silêncio se apoderou, ninguém sabia do que se tratava o assunto, o espírito deve ter achado incomodo, pois movera o copo novamente. Yesung anotava palavra por palavra, sem perder um movimento se quer. 

- Ele disse, que a um ano uma alma espera por ser salva, essa alma é irmão de alguém aqui presente. 

Nos olhávamos esperando que alguém pudesse afirmar que havia irmão, mas ninguém falava, apenas o silêncio reinando sobre nós novamente. 

- Eu sou filho único – Disse Ryeowook quebrando o silêncio. 

- Eu também. – Disse Henry. 

- Nunca conheci minha família. – Dissera Yesung. 

- A única irmã que eu tinha, foi morta. – Comprometeu Kyuhyun, então todos os olhares foram para mim, pesando em meus ombros. 

- Ah, gente, eu tive um irmão gêmeo, mas ele morreu no sexto mês de gestação, eu falei disso antes. 

- Tem certeza Minnie? – Perguntou Wookie. 

Yesung desviou o olhar para Kyuhyun, que se manterá em silencio como se guardasse um segredo. Kyuhyun suspirou e logo tomou o ar para começar a falar. 

- Tá bom, acredito que o Sungmin depois disso vai querer terminar comigo, mas é necessário. – Kyuhyun tomara minhas mãos, dando-me um selar nos lábios, como se fosse á ultima vez. – Bom depois que o autor do livro, morreu deixando a dedicatória para mim, dizendo que seu filho iria seguir seus passos, eu fiquei com medo e resolvi fazer algo que não deixasse a criança perto do livro. Procurei pela mulher grávida, e a segui por toda a vida. 

- Tá explicado seu sumiço de vez em quando. – Disse Henry fazendo um bico nos lábios. 

- Enfim, era uma mulher grávida de gêmeos, como ela tinha que trabalhar para sustentar a casa, um homem desconhecido ofereceu uma casa, comida, roupa lavada, tudo mais, desde que ela se casasse com ele. Antes de tudo, ela contou á esse homem quem era o pai das crianças. 

-Uma nota, para quem não conhece a história, - Pronunciou Yesung, - O autor do livro ficou conhecido pela região, se for perguntar aos alunos eles dirão que o fantasma é ele. 

- Continuando, o homem desconhecido mesmo tendo repulsa, ele cuidou da mulher. Ela teve os gêmeos lá, eles cresceram, mas sem o amor do pai, pois o desconhecido se recusa, até hoje, de tocar nas crianças com medo de ser perturbado ou coisa do tipo. Acontece que um dos meninos gêmeos, era curioso que ninguém segurava, mexia por tudo. O homem não gostou disso, e sempre brigava com o menino. Por causa dessas discussões o homem expulsou o gêmeo mais velho, enviando aqui. Ele veio acredito que uns três anos atrás, ou até mais. 

‘’O garoto veio, e ficou aqui por alguns anos, e quando soube sobre o livro ele seguira todos os passos, sendo que quando chegou no ultimo capitulo, ele desaparecera. Dizem por aí que o garoto morreu, mas isso ninguém sabe dizer de verdade.’’ 

- Tá e o que eu tenho a ver com isso? – Perguntei ainda sem entender o assunto da conversa. 

- Minnie, por que choras no eclipse lunar? - Perguntou Kyuhyun 

- Não me lembro do motivo, apenas me lembro de minha mãe chorando nesse dia, ela chorava muito. 

- Hyung, por que sentes curiosidade em saber o que te espera no final do livro?Perguntou Henry. 

- Sinto alguém me chamando.- Só então entendi o que eles estavam me dizendo. – Espere um momento, não é possível. 

- Sungmin, está na cara. – Disse Yesung. 

- Por achas que quando veio aqui em casa e disse que o livro era parecido com o que ocorria contigo, eu fiquei espantado? – Perguntou Henry. 

- Mas eu não me lembro de ter um irmão. 

O copo se mexera, formando novas palavras, fiquei curioso, aquilo não parecia ser real. 

- É por que fora hipnotizado a esquecer. 

- Gente, isso é ridículo, se eu tivesse um irmão, eu me lembraria dele. 

- Sungmin, você sabe o nome que seria dado a seu irmão, caso tivesse vivo? – Perguntou Wookie. 

- Donghae, Lee Donghae. 

- Esse é o nome do garoto desaparecido. 

- Gente, isso é uma coisa da qual não se pode brincar. 

Kyuhyun largou o copo, sentou-se entre eu e Henry, pousando suas mãos em meu rosto, seus olhos eram frios, e me fitavam sem piscar, me fazendo seu prisioneiro. Pude sentir um calor em minha cabeça, e quando me dei conta, estava de olhos fechados, vendo imagens que antes julgara ser esquecidas. 

Era eu, pequeno, deveria ter uns 13 anos, estava atrás da porta, escutando um discussão de meu pai, com alguém, olhei na porta vendo que na cozinha realmente estava meu pai e um garoto de minha altura, olhos pequeno rosto fino, parecia ser um peixe, ele estava com a face fechada, deveria estar zangado. O garoto saiu da cozinha, parando de frente comigo, me abraçara fortemente. 

- Hyung ficará bem Minnie, não chores, é eclipse lunar, deves sorrir e não chorar. 

O garoto pegou algumas maças que estavam perto da porta que dava para o lado de fora da casa, e saiu dando apenas um sorriso para mim e assim fechando a porta atrás de si. Subira as escadas parando na porta de meu quarto, vendo minha mãe chorar ao pé da cama, onde meu irmão dormia. Corri para a janela o vendo partir em direção do eclipse lunar, sentindo assim as lágrimas descerem pelo meu rosto, enquanto pedia silenciosamente para que ele voltasse e não me deixasse sozinho. 

Abri meus olhos, vendo que era real, que aquilo que vira, não era sonho, mas sim lembrança, lembrança do motivo de minhas lágrimas caírem apenas no eclipse lunar. Não eram lágrimas contidos durantes os anos por causa de brigas ou discussão, eram lagrimas de quando meu coração se lembrara de meu irmão, e pedindo para que voltasse. 

- Donghae. – Sussurrei ao sentir um aperto em meu peito. 

Eu tinha um irmão gêmeo mais velho, que poderá estar vivo, sou filho do escritor do livro que antes de morrer fora amante do meu namorado. O que mais a vida pode me reservar?

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