{The Ghost Of...} Capitulo 11 - Término


- O QUÊ?

Gritara Kyuhyun ao saber que o fantasma que anteriormente havia se passado por ele, me beijara no meio do refeitório. Eu contara tudo o que havia acontecido desde que acordara sem a sua presença. Contara de como havia percebido as falhas do fantasma, mas a principal parte que deixara Kyuhyun chocado, fora exatamente a do beijo.

Não sei se fico feliz ou triste, pois consegui entender todos os motivos, por detrás de seu grito. A primeira hipótese, seria de que ficara com ciúmes, de que não gosta nem um pouco a ideia de alguém tocar em mim, que não seja ele. A segunda seria que nosso relacionamento está totalmente explicito, agora todos sabem, ou pelos menos pensam, que eu e Kyuhyun somos um casal. A terceira seria a...

- Sungmin, não é isso que você está pensando. – Disse ele, depois de ficar alguns momentos em silêncio.

- Meus pensamentos são de minha privacidade.

- Sei disso, mas não é isso. Sungmin eu não sinto isso.

- Não vejo outro motivo para tal negação.

- Não estou negando, mas vocês sabe como odeio gente intrometida em meus assuntos pessoais.

- Uma hora ou outra, todos ficariam sabendo.

- Faria o possível para esconder isso dos outros.

- Ou seja, tens vergonha de mim.

Sim, pensara na possibilidade de Kyuhyun ter vergonha de admitir ás pessoas de que tem sentimentos por mim. Sei disso, pois os senti em suas palavras quando sussurradas, eu senti que ele realmente se importa comigo. Para mim, estava tudo certo, não teríamos que esconder, poderíamos agir normalmente, para Kyuhyun isso era uma ponte de corda, preste a se arrebentar. Entendo que se nosso relacionamento fosse de conhecido dos outros alunos, provavelmente iriam se aproximar de Kyuhyun, assim descobrindo seus segredos, pensando desse jeito, é claro que teríamos que manter nosso segredo. Mas agora a besteira está feita, o que custa então continuar, não vejo motivos, para ele recusar tal ideia.

- Sungmin, pensa comigo, você também saíra afetado nessa história. Eu já tenho dor de cabeça demais com você, imagine com o resto do colégio.

Respirei fundo, baixando a cabeça. Eu dou dor de cabeça para um cara com quem dormi duas vezes e ainda por cima é morto. Agora me senti ofendido. Só por causa de minha curiosidade sem fim eu estou lhe dando dor de cabeça. Porque ele nunca me falou isso, assim eu parava de lhe atormentar, faria o que fosse possível para que eu aquietasse tal mania.

- Não, Minnie, não foi isso o que eu quis dizer.

- Entendi tudo bem então. Negaremos o fato de que estamos juntos. 

Dei o melhor sorriso para lhe mostrar de que estava tudo bem. Para encerrar o assunto, andei até minha cômoda, iniciando as tarefas que os professores haviam pedido. Tentei ocupar minha mente, para que não fosse invadida. Pude ver de canto, que Kyuhyun estava relutante com algo, mas agora meu orgulho fora ferido.

Gostaria que ele tivesse me dito que o fato de investigar sobre sua morte era uma dificuldade para ele. Assim tomaria mais cuidado, tentando não o envolver. Mas nada disso acontecera, Kyuhyun ficara quieto em seu canto e nunca me proibira de fazer algum ato. Então para mim, ele não se sentia ofendido nem nada do gênero. Mas parece que fora um engano meu.

Continuei com as lições de casa, faltava uma hora para o jantar. Mesmo assim resolvera ir ao refeitório, deixando Kyuhyun sozinho no quarto. Caminhei pelo corredor ás pressas, com medo da escuridão. Peguei o elevador, parando no térreo, já caminhando para o refeitório. A porta estava fechada, como imaginara, resolvi dar uma caminhada pelo jardim da escola. Caminhei pensando na pequena discussão de mais cedo, entendia o lado dele, entendia perfeitamente, mas mesmo assim meu orgulho ficara ferido e meu ânimo para baixo.

Quando me dei conta estava encarando a pequena flor copo-de-leite, que ainda me parecia a mais bela de todas as flores. Como antes, olhar para suas pétalas brancas, me trazia uma harmonia que não trocaria. Sentei-me no banco por perto, fechando os olhos e sentindo o vento ir de contra meu rosto. As cenas do ocorrido dessa manhã ainda passavam em meus olhos. Lembrava-me de cada detalhe, até mesmo do batimento cardíaco que havia batido erroneamente, quando o falso Kyuhyun tocara em meus lábios. Tinha que para de pensar em tal ato, ficaria louco com isso. 

Abri meus olhos de vagarosamente, avistando um ser com capa negra no meio do jardim. Espreitei meus olhos tentando enxergar melhor. O capuz da capa negra, cobria totalmente o ser que estava ali, e por ela ser grande, nenhuma parte de seus corpo aparecia, me lembrei de quando era criança, que imaginara o anjo da morte. Era idêntico, apenas faltava a foice, mas não deixava de ser aterrorizante. O vulto começou a andar em minha direção, senti o pânico em minhas veias, e por puro impulso, começara a correr para o refeitório, onde já estava cheio.

Parara para pensar, por quanto havia caminhado e perdido em meus pensamentos. Olhei para trás, sentindo um arrepio em minha espinha, rezando para que nada encontrasse. Mas nada via, apenas o corredor iluminado pelas pequenas lâmpadas. Entrei no refeitório, em uma tentativa de me acalmar, iria-me alimentar para não pensar em mais nada.

Entrei na fila, pegando o jantar e indo para a mesa que comia de costume. Sentei-me, começando a comer desfrutando do delicioso Kimchi. O sabor da pimenta me pegara desprevenido, tomei um gole grande do refrigerante, diminuindo a queimação em minha língua. Terminei de comer, me sentindo satisfeito, mas eu não queria voltar para o quarto e eu tinha algumas coisas que deveriam ser esclarecidas. Optei em passar a noite na casa de Henry, pois sei que aquele pequeno sabe demais.

Andei pelos jardins, engatinhando pelo buraco, batendo na porta da casa de Henry, que fora aberta pelo pequeno que pulava em meus braços de tamanha alegria. 

- Hyung, ainda bem que veio. Estava entediado.

- Fico feliz, eu tenho que desabafar com alguém, e não vejo outra pessoa que não seja você.

Henry sorriu e me convidou para entrar em sua casa. Nos sentamos no sofá, ficando acomodados, e mais uma vez eu iria me lembrar de todo o ocorrido. Contei ao pequeno tudo nos mínimos detalhes, deixando claro a minha linha de pensamentos. Henry escutara tudo de forma passiva e não me atrapalhava. No final ele me abraçara fazendo carinho em minhas costas. Me senti protegido e mais leve, contar á Henry meus medos me fez perder 10 toneladas em minhas costas.

- Mas pode dizer, quais são as perguntas. – Dissera Henry, me deixando surpreso.

- Ah você sabia que ia vir.

- Kyunnie passou agora pouco, ele estava com cara de bravo, ele apenas veio deixou sangue para mim e saiu, sem dizer uma palavra.

- Bom, deixando ele de lado. Quero saber de toda a verdade, sei que o livro pode me dar um toque de aventura, mas agora eu quero saber sobre o perigo da qual eu corro.

- Faz sentido. Bom acho então melhor dormir aqui esta noite, pois a história é longa.

Concordei com o pequeno, mas antes de começar a nossa conversa, Henry fez questão de que eu tomasse banho e vestisse um de seus pijamas, e foi o que fiz, sentindo a exaustão indo embora dando lugar á ansiedade para o que estava prestes a ouvir. Agora que estava com o corpo quente, confortável e ansioso, Henry começara a contar toda a história.

- Bom, eu tinha uns nove anos na época, e no meu aniversário de dez Yesung me mordeu. Por isso meu corpo é pequeno desse jeito, porém minha mentalidade aumentou, se estivesse vivo teria cerca de 27 anos, mais ou menos. Posso dizer que conheci o Yesung após sua morte, mas mesmo assim fiz o possível para saber sobre sua vida passada.

‘’Foi mais ou menos assim. Antes da entrada dos dois nesse colégio, um numero elevado de morte, fora assustador. Antigamente a escola era mista, mas depois do ritual satânico ocorrido no laboratório, a escola resolveu separar. Então foi feito aqui um internato masculino, que antigamente era dirigido por um frei, e do outro lado da cidade, um internato feminino que até hoje é dirigido por freiras. Durante a diretoria do frei, nenhuma atividade paranormal ocorreu, mas sim após sua morte, que foi no mesmo dia em que Kyuhyun e Yesung entraram aqui. 

Os dois se conheceram e logo fizeram uma amizade que dura até hoje, essa amizade começou por eles dividirem o quarto, que você usa atualmente. Mais ou menos duas semanas depois um professor novo entrou. E durante as quintas e sextas feiras a turma dos dois tinha aula com esse professor. E ele sempre aparecia com uma mancha em sua camisa, uma mancha vermelha, mas quando perguntavam a ele o que era, ele simplesmente respondia ser mancha de ketchup, porém Yesung e Kyuhyun nunca acreditaram nisso.

Quando a morte dos alunos do laboratório havia completado 2 anos, justamente em uma sexta feira 13, os dois espertinhos foram investigar sobre o professor, vendo que ele era um vampiro. ‘’

- Mas como eles sabiam que o professor era um vampiro?

- Quando entraram na sala dos professores viram ele sugando o sangue de uma das professoras. Enfim, eles descobriram sobre esse segredo, e para mantê-los quieto o professor brincou com o psicológico deles. Durante semanas, ele invadia os sonhos deles, fazendo os meninos acharem que estavam loucos, ou que tinham alguma doença, sendo que eram manipulados pelo professor. Teve um dia que estava começando a ficar suspeito, o fato de todas as professoras que saiam com o professor novato, sempre pediam demissão após o encontro dele.

- Espere aí, quer dizer que o professor era bonito, fazendo com que as professoras caísse de amor por ele, pedindo um encontro, e quando estavam no ponto alto do encontro ele as matava, e no dia seguinte colocava uma carta de demissão na mesa do diretor, como se elas tivessem sidos despedidas?

- Exatamente. Então o professor estava quase sendo despedido, e como ele realmente gostava daqui, ele deixou um presente. Assim ele mordeu o Yesung transformando em um vampiro, e depois matou Kyuhyun, assim abrindo a barriga dele, tirando seus órgãos fora.

Senti meu estomago embrulhar, pensa na cena de Kyuhyun deitado morto e ainda por cima com os órgãos para fora, é uma cena repugnante. Mas o meu peito doeu, pois ele morrera injustiçado, apenas fora morto, porque um professor vampiro não queria sair do colégio, e isso provavelmente porque aqui seria o lugar mais fácil de esconder.

- Bom depois disso, Yesung saiu da escola, e foi quando eu o conheci. Como eu sou órfão, nunca conheci meus pais, então fora fácil seguir o Yesung, porém ele me dava atenção na época, para mim ele era meu herói, pois ele não tinha medo de nada, simplesmente encarava o mundo de cabeça erguida. Mas ele apenas me usou, ele apenas me queria para realizar um ritual que trouxesse Kyuhyun á vida. E eu o fiz.

- Por isso ele cheira a enxofre.

- Isso mesmo. Se abríssemos o tumulo dele, arrisco dizer, que não acharíamos nada. Mas depois que ele reviveu, Yesung me botou aqui, depois de me morder, e nunca mais voltou. O motivo eu não sei, e pretendo não saber, apenas tenho raiva, pois só fico aqui porque não tenho para onde ir.

- Hum, agora tens motivo que sou eu, pois não estás mais sozinho.

- Fico muito feliz em te conhecer, hyung. Mas continuando a história. Bom, como havia dito antes, alguns alunos foram embora depois de alegarem que haviam visto os dois malandrinhos. O que é verdade, pois eles acharam divertido assustar os alunos. Mas ficaram aqueles que não acreditavam em assombração, que são os atuais professores. Quando eles tiveram certeza de que todos os estudantes de sua época havia se graduado, eles se matricularam aqui, e foi assim durante vários anos. Até os dias de hoje.

- A diretora nunca desconfiou dos dois?

- Não, pois a cada três anos o diretor muda.

- E o autor do livro?

- Ah, esse é um assunto da qual você vai ter que aguentar as barras, pois é meio forte. 

- Acredito que posso aguentar.

- Pois então lhe contarei. O escritor desse seu livro, ele fora um dos namorados antigos de Kyuhyun, porém ele tinha a mesma curiosidade que a sua. Tudo, o que está escrito no livro, são suas próprias aventuras. Ele mesmo entrou na sala secreta, ele que entrou no laboratório, fora ele quem descobriu sobre os dois estudantes. E o mais incrível de tudo isso, fora que no final do livro ele deixara uma observação.

Me levantei indo até a minha mochila, pegando o livro, voltei para a cama em que eu e Henry estávamos sentados. Abri as ultimas páginas do livro, vendo que realmente havia um espaço com observação.

‘’Aqui deixo minha marca, estou a beira da morte, e uso as minhas ultimas energias para lhe contar o que prevejo. Antes de lhe conhecer tive relações com uma mulher, ela está a espera de um filho meu. O meu filho, seguirá meus passos, até mesmo te amarás, porém com mais fé do que eu. Peço-te que cuides dele, e não lhe deixes cometer o mesmo erro que eu cometi, o de perder a vida, pensando em viver ao seu lado, sendo que tais rituais não me deram certo.’’

- O que é isso? – Perguntei olhando para Henry.

- Para dizer a verdade, isso é uma carta do escritor para Kyuhyun. Se você for perceber esse é o único livro que existe em nossa biblioteca. O escritor fizera a promessa de que morreria para viver sempre ao lado de Kyuhyun, mas quando foram tentar fazer o ritual, o corpo dele ao invés de reviver, queimou virando cinzas. Ele sentira necessidade de morrer para que pudesse viver ao lado de Kyuhyun, mas fora pouco julgando que seus sentimentos não eram tão grandiosos. Antes de fazer o ritual, ele sabia que não iria conseguir, por isso julgou que o filho que sua antiga namorada estava a espera, iria fazer os mesmo passos que ele, pois herdara seu sangue.

- E onde está essa criança agora?

- Posso afirmar que sei onde estás, mas nada falarei.

- Por quê?

- Isso é algo que tem que acontecer naturalmente. Ele saberá de tal segredo na hora certa. Enquanto isso espere.

Senti-me arrasado. Kyuhyun já amara alguém antes de mim, e isso no me deixou nem um pouco feliz. Tudo bem, esse pode ser uma linha de pensamento ingênuo, mas não Kyuhyun já está machucado por perder essa pessoa. Agora vejo do por que dele ter falado que eu lhe dera dor de cabeça, porque comigo ele volta ao seu passado, abrindo as feridas, que julgara estarem fechadas. Senti-me culpado, posso dizer com toda a certeza do mundo, de que eu o amo, eu amo Kyuhyun, e não pretendo deixa-lo machucado novamente, se o que faço é como uma chicoteada em seu rosto. 

Henry viu minha aflição interna, pois ele deitara minha cabeça em seu colo, fazendo carinhos em meus cabelos negros. Senti meus olhos pesarem, mas um estrondo na porta me fez abri-los novamente. Assustei-me ao ver Kyuhyun parado na porta, com um olhar frio e sério. Ele desviou o olhar para Henry que saíra do quarto com os ombros encolhidos. Ficamos sozinhos, e a atmosfera muito tensa.

- Volte para o dormitório, agora. – Disse ele por fim quebrando o silêncio.

- Por que deveria?

- Quer dormir na casa de um vampiro.

- Sabe que não é a primeira noite.

- Volte agora Sungmin.

- Por que sem a minha presença não consegue sentir a dor de cabeça?

- Sungmin. – Kyuhyun parou para respirar logo voltando a falar. – Deixe de ser tão cabeça dura, e não me deixe preocupado, volte agora.

As palavras que Henry havia me falado retornaram á minha mente, me deixando decidido do que iria fazer. Tenho certeza de que irá doer em mim e nele, mas não quero machuca-lo, não dessa forma.

- Kyuhyun, vamos terminar.

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