{Seulement Vous} Capitulo 18

Fanfic / Fanfiction Seulement Vous - Capítulo 18 - Capitulo 18
Coreia do Sul, 21 de setembro, 03h da manhã
O grito de Min Seok despertou o casal que dormia no quarto ao lado, o ômega segurava o amante em seus braços tentando despertá-lo do súbito desmaio. Assim que o casal chegou ao quarto iniciou-se uma intensa correria. Pijamas trocados por roupas e um Jong Dae inconsciente deitado no colo do namorado no banco traseiro do carro e logo se direcionavam para o hospital mais perto de sua casa. A senhora Kim, que não abandonou o sobrenome de seu falecido marido em respeito e amor ao mesmo, controlava de suas lágrimas enquanto dizia em voz alta para que Min Seok ficasse calmo, mesmo que o garoto se mantivesse sério enquanto olhava a face do alfa desacordado.

O alfa mais velho dirigia rapidamente pelas ruas noturnas e sem movimento, não demoraram em chegar no hospital e entrarem ás pressas para que alguém pudesse ajudá-los. Uma enfermeira ômega atendeu a família, ao trazer a maca onde Jong Dae foi deitado foi direcionado para uma sala de emergência. Porém os três híbridos restantes não podiam dali passar, e ficaram a encarar a porta branca com faixas vermelhas sentindo seus corações se despedaçarem.
Senhor Xing, padrasto de Jong Dae, abraçou a esposa e o ômega tentando manter a calma entre eles, mas o choro alto demonstravam as intensas preocupações. Sentando em um banco, Min Seok ficou a encarar sua própria mão direita onde havia em seu anelar a aliança prateada com o nome do alfa que amava, mordendo os lábios com força e deixando com que as finas lágrimas escorressem por seu rosto apertou a joia rezando aos céus para que seu amado ficasse bem.
Sentia-se aliviado por não ter sido mordido, temeria que sua dor e sofrimento fossem lhe deixar angustiado e até mesmo depressivo demais naquele instante. Ali não saberia o que deveria sentir, mas sentia que sua culpa estava voltando com intensidade. Cobrindo o rosto com suas mãos limpava as lágrimas ao optar por não desistir em lutar. Ficara ali por alguns minutos, que pareciam horas extensas e demoradas, apenas um olhando para o outro sem nenhuma palavra á ser profanada.
A porta da emergência fora aberta quando a enfermeira ômega acompanhada de um médico beta saíam de lá. Os três híbridos se levantaram depressa e ficaram á frente do médico que apenas sorria levemente e retirava a máscara de seu rosto. Sua juventude era estampada, porém na mente daquele médico estaria um vasto conhecimento e sabedoria sobre a medicina e suas vertentes. Min Seok o reconhecera de imediato, a maioria dos artigos científicos que lera tinha o rosto daquele médico estampado como autor.
- Sou o doutor Oh, podemos conversar em minha sala, por favor?
Guiando os híbridos, o médico caminhava lentamente com as mãos nos bolsos de seu jaleco branco e sem dizer nenhuma palavra. Min Seok e o senhor Xing se entre olhavam e depois observavam o médico admirado em vê-lo em pessoa. Oh Se Hun era um dos maiores nomes da medicina moderna, sendo considerado o maior em sua área, desde pequeno sua notoriedade fora considerada brilhante quando aos dezesseis anos regressou á uma universidade forasteira própria para medicina, e considera-se difícil de entrar nela. Sempre era convidado a dar palestras e a dar aulas, todos convites recusados. Se quisessem de sua sabedoria a teriam em seus livros e artigos, apenas isso.Era um gênio inalcançável.
O consultório era pequeno e simples, contendo apenas uma mesa preta e várias placas brilhantes penduradas nas paredes contendo raio-x nelas e na parede oposta uma estante cheia de livros. Sentando-se em sua cadeira, ele pegava uma folha branca e começava a escrever a ficha de Jong Dae, relatando os procedimentos usados na emergência assim como os remédios. Os três híbridos ainda observavam estupefatos aquele beta que apontava para as cadeiras em frente á sua mesa, onde poderiam se sentar.
- Devo dizer que estou muito interessado nesse Jong Dae – O médico ajeitava os óculos em seu rosto e passava ter uma fisionomia mais séria e fria. – Pelo o que pude ver a pele dele é manchada, pupilas dilatadas e um desmaio causado por insuficiência de oxigênio.
- Insuficiência? – Min Seok arregalava os olhos surpreso – Está me dizendo que ele teve uma parada respiratória?
- Os pulmões estão bem inchados pelo o que eu pude ver, há quanto tempo ele está nessa condição?
- Faz quatro anos – A senhora Kim apertava a bolsa em seu colo e se inclinava olhando ao médico como se pudesse finalmente desabafar – Ele foi para aquele lugar...mas eu não sei o que fizeram com ele.
- Aquele lugar – O médico se pôs a refletir e logo entendia o que a mulher dizia. Era comum para aquele rapaz reconhecer os olhares opacos de familiares quando se referiam á aquele local, não fora nem uma e nem duas vezes que tratara pessoas de lá – O laboratório americano. Eles procuram por híbridos de tipos raros e fazem diversos testes farmacológicos para deter a possibilidade de uma nova mutação em nosso gene.
- Meu filho foi levado pra ser rato de laboratório? – Min Seok se surpreendia em ver que o Senhor Xing se dirigia á Jong Dae como seu filho, como queria que o alfa ouvisse aquilo.
- Isso eu não sei meu senhor, mas a questão aqui é que ele está em um estágio avançado em meio da mudança de raça. Mas o corpo dele não está reagindo bem pelo o que pude ver. Preciso do nome de todos os remédios que ele tomou e realizar novos exames.
- Quando que ele vai acordar? – Min Seok tinha a voz calma, porém medrosa. Ela soava baixo e seus olhos mostravam a curiosidade. O doutor Oh já havia percebido que o garoto reconhecera o nome correto para o que teria ocorrido ao paciente, sendo assim...
- Não sei, acredito que até ele normalizar a respiração pode ser que demore algumas semanas.
- Sobre os remédios... eu criei alguns em casa e surtiram efeitos por mais de dez dias...
O médico olhava o ômega e analisava de seu rosto, compreendendo que seria um caso extremamente interessante o beta retirava dos óculos e se preparava para uma intensa madrugada com o seu mais novo objeto de estudo.
Londres, Reino Unido, 21 de setembro, 06 da manhã
A manhã estava nublada e Jun Myeon ainda sentia o arrepio em sua pele. Tomando o café da manhã preparado por Yi Xing, o ômega junto com o alfa de cabelos platinados ficavam a ver a rua em seu inicial movimento, algumas pessoas caminhavam segurando o guarda chuva olhando sempre para o céu averiguando de choveria á qualquer momento. A vontade que sentia era de voltar á sua cama e se enrolar nas cobertas para adormecer e apenas acordar quando aquela má sensação fosse embora.  Porém tinha uma importante avaliação á fazer naquele dia, teria estudado até a noite no dia anterior, e agora precisava se manter calmo para se recordar das matérias.
Assoprando a xícara de porcelana, bebericava do café doce e ouvia o celular do alfa tocar quebrando do silêncio. Os três que estavam sentados nas cadeiras na sala de jantar desviaram a atenção para o objeto em si, até que Yi Xing atendesse a ligação ainda sonolento.
- Bom dia mãe.
- Meu filho...volte para cá.
- De novo essa história? Achei que...
- Não estou pedindo para que volte para sempre, apenas volte....
A voz da ômega começou a ficar tremula e com soluços, o alfa olhava para o namorado ao seu lado e logo deixava o celular no viva voz. Era evidente que a progenitora estaria chorando, e com o pequeno trovão soando no lado de fora do apartamento, Jun Myeon tivera certeza de algo acontecera. Acariciando a mão do alfa, lhe instigara com o olhar á chamá-la outra vez, e ao ver Chanyeol também interessado na conversa entendera que a aquele choro da ômega não era apenas de saudade do filho caçula.
- Mãe?
- Yi Xing sou eu.
A voz rouca do pai do chinês fizera tanto Yi Xing quanto Chanyeol se arrepiarem, sabiam que aquele tom de voz grosso, frio e baixo era apenas para quando alguma situação estava fora de controle. Foi o mesmo tom de voz que usou para dizer ao filho que seu irmão fora pega pela policia americana e levado para longe, e talvez para sempre. A partir de então o alfa passou a temer aquela voz, saberia que algo extremamente ruim aconteceria. Tal sensação não passou despercebido por Jun Myeon, ao sentir aquela emoção se repreendia em sentir seus calafrios e temer que o dia nublado em Londres fosse apenas uma coincidência em relação á aquela ligação.
- O que houve pai?
- Gostaríamos que viesse para cá... o seu irmão está na UTI agora.
Os dois outros híbridos encaravam Yi Xing que fitava o celular sem dizer nada por alguns segundos, Chanyeol cutucava o ômega e apontava para o celular, sabendo que o amigo não responderia tão cedo. Jun Myeon tentava encontrar algum pensamento de Yi Xing, algum sinal de que ele responderia, mas o silêncio parecia ser um vento soando em sua mente, estava em completo choque. Segurando a mão do alfa, puxou o celular para perto de si e corava levemente amedrontado em conversar com o sogro pela primeira vez.
- A-Ahn Senhor Xing sou Jun Myeon sou o namorado de Xing.
- Me desculpa que nossa primeira conversa seja tão amarga meu genro...Xing está...
- Surpreso. Mas o que houve com Jong Dae?
Por mais que tivesse ouvido uma curta risada por parte do alfa no telefone, Jun Myeon sabia que era apenas para que não ficasse com uma má impressão. E ainda por cima já conseguia sentir uma intensa preocupação subir em sua mente, olhava para Yi Xing já via seus olhos marejarem e fitá-lo de imediato, aquelas pupilas dilatadas que por algum segundo pareciam ser tão sombrias. ”Ele não se meteu em brigas, acalme-se” dizia como uma mensagem telepática ao alfa, que passou a segurar de sua mão firmemente como apoio emocional.
- Uma parada respiratória. Gostaríamos que voltassem para cá, precisamos conversar á respeito e segundo o médico, Jong não vai acordar tão cedo.
Aquela sombra escura nos olhos de Yi Xing dava lugar para sua determinação. Ainda olhando para o amante assentira em sinal de que iria para Coréia o mais rápido que pudesse. Se quer esperou a ligação terminar, apenas se levantou ás pressas e seguiu para o seu quarto onde arrumava uma pequena mochila para poder partir o quanto antes. Jun Myeon sorria levemente diante do amor que o namorado sentia por seu irmão, demonstração total de que a barreira entre os dois havia sido destruída de fato.
- Tudo bem, mas acredito que não consigamos chegar ai muito cedo.... Daqui até a Coreia leva cerca de onze horas...mas sairemos de imediato.
- Obrigado, vejo vocês em breve.
Desligando a chamada, Jun Myeon se levantou indo para o quarto também prestes á arrumar suas bolsas. Porém Yi Xing o abraçou e direcionou-se para a sala onde Chanyeol estava parado em pé esperando por alguma resposta do que os dois planejariam. Mesmo que o ômega olhasse surpreso, o alfa sorria gentilmente, sem esconder o seu medo do que poderia ter ocorrido em sua casa.
- Temos que ir.
- Não – O alfa se levantara olhando o namorado- Fique aqui com o Chanyeol e eu vou, você vai fazer sua prova.
- Mas Xing...
- Aqui é o meu lar agora, e quando voltar eu espero que tenha passado no seu vestibular, e mostraremos aos seus pais que fomos feitos um para o outro.
A mão carinhosa do alfa acariciava o rosto pálido de Jun Myeon, “porque me diz isso desse jeito? Não terei como recusar a sua doçura”. Aquele sorriso crescera nos lábios do alfa, que selava os lábios do namorado ternamente e o abraçava em seguida. Não iria esconder a sua fragilidade diante do ômega, saberia que as coisas poderiam ser difíceis e a mordida não permitira que segredos fossem escondidos, além do mais Jun Myeon era o único que seria capaz de lhe entender.
Após o abraço, despediu-se de Jun Myeon que partia para ir á universidade e continuar o seu plano de estudo com seus amigos. Uma despedida dolorida e romântica, demoraram cerca de dez minutos em frente á porta do apartamento até que se sentissem confiantes em ficarem separados pela segunda vez. Uma vez que a porta foi fechada Yi Xing mostrava os olhos raivosos e sombrios para o melhor amigo, Chanyeol que estava encostado na porta sorria diante da imagem nostálgica.
- O que eu devo fazer pelo meu líder? – Uma frase costumeira de Chanyeol quando reconhecia os olhos de Yi Xing, típico de quando iriam entrar em alguma briga de gangues.
- Traga Baekhyun para que faça companhia á Jun Myeon, e não deixe de forma alguma que ele fuja de seus olhos.
- Como quiser.
Cerca de uma hora depois o alfa embarcava em um voo que havia disponível para aquele horário, rumo á Coréia do Sul.
Coreia do Sul, 21 de setembro, 20:30h da noite
A gangue dos Zagan não era apenas um bando de adolescentes que estavam á procura de uma figura heroína para poderem se espelhar e sentirem protegidos e muito menos para encontrarem suas identidades novas. Zagan foi criado no propósito de batalhar as diferenças que surgiam no colegial que pareciam no decorrer dos anos. Chanyeol era o principal fundador da gangue, inúmeras vezes trocava de colégio por conta das brigas em que entrava, simplesmente por gostar de garotos. Com apenas 13 anos de idade conhecera Yi Xing durante uma briga em um entardecer e desde então se viam nessas ocasiões.Quando se reencontraram na nova escola as lutas não pararam, alunos de outros lugares vinham á procura apenas para acender de seu curto pavio sobre sua sexualidade, e o alfa chinês estava sempre ao seu lado.
A fama que adquiriram foi quem trouxe os demais alunos com suas peculiaridades, não se sabe ao certo o que Jong Dae defendia quando criou os Phenex, mas sabia que a rixa entre os irmãos era algo que iria além de um briga física. Pelas incontáveis vezes em que o alfa chinês lhe ajudara, Chanyeol jurou sua lealdade como se fossem de uma máfia. Pesou que ao saber sobre a relação sexual tudo em sua vida teria virado  um verdadeiro inferno, porém com a ajuda de Jun Myeon e até mesmo dos demais hibridos, teria percebido que aquilo era uma pequena parcela da vida que se seguiria.
Muitas responsabilidades surgiam em um tornado e se perguntava se aquilo seria a sua recepção ao mundo adulto. Não imaginaria aquilo como um bicho de sete cabeças e impossível de se compreender, mudando o ângulo das coisas conseguiria ver o trabalho de seu pai como um aluno desconhecido que viera lhe dizer que é incapaz de fazer qualquer coisa. “Você é capaz de tudo Chanyeol, e eu estarei do seu lado para te dar poder”. Não teria como deixar de sorrir diante das palavras sussurradas de Baekhyun antes de seu embarque para Londres, realmente teria amadurecido ao usar sua mente jovem para enfrentar o mundo adulto.
No dia em que chegou em Londres pensou que Yi Xing teria perdido de sua força quando soubera dos sentimentos de Jun Myeon, imaginou que o líder silencioso,mas zagas teria amolecido por uma paixão qualquer. Entretanto o ver naquele ambiente esbanjando de sua felicidade com um sorriso e ainda por cima se descobrindo, mesmo com uma culinária, fez o alfa de cabelos platinados sentir uma ponta de inveja. Entretanto a ligação naquela manhã demonstrara que nem tudo estava perdido, o líder dos Zagan ainda tinha a sua raiva escondida e que poderia explodir á qualquer instante, e pelo o olhar que ele lhe dera quando dissera de suas ordens, deixara claro que a bomba estava por emergir.
Mesmo sabendo disso não se apavorou, pois sabia que existia um pequeno ser que conseguiria dar conta de esconder a bomba do fogo. E estar longe não seria um problema, os pensamentos e sentimentos ainda estariam conectados.
Desligando do celular o alfa olhava para a cozinha onde Jun Myeon cozinhava, seguira as instruções do alfa pedia para Baekhyun para que pegasse um voo de imediato em um jato de sua família. Estava cansado de andar, aproveitou que o ômega estaria na universidade para poder ir visitar a empresa de seu pai e se apresentar como aprendiz. Tivera que levar algumas pastas contendo os principais relatórios sobre a empresa e seus principais pontos de interesse para estudar, e apenas não sentia tanto interesse naquilo. Mesmo assim se obrigou a sentar no sofá e começou a ler, sempre olhando vez ou outra pra a porta da cozinha averiguando que o ômega estivesse ali e bem.
Não imaginava que em menos de alguns meses iria se tornar pai, e que a pessoa que ama e o principal, que trabalharia com o seu pai. A viagem de formatura que parecia ser algo apenas passageiro e simples, virou a vida daqueles estudantes de cabeça para baixo. Suspirava sorrindo apenas imaginando que finalmente teria a vida que sempre imaginou, não importasse o que faria em relação á trabalho, tudo valeria á pena se tivesse aquele ômega consigo. Pigarreando se ajeitou no sofá finalmente prestando atenção nos relatórios deixando com que o tempo passasse até que Jun Myeon servisse a janta.
Forçou-se a prestar atenção no que os relatórios diziam, queria pelos menos ler três daqueles antes da meia noite para que não acumulasse em suas horas vagas. A única pausa que seria feita era dali a meia hora quando Jun Myeon servisse a janta. Quando assim foi feito os dois comiam em silêncio presos em seus próprios pensamentos, Chanyeol se quer perguntou o que o afligia, já que o outro alfa não estar ao seu lado o deixaria desanimado.
- Quando que o Baekhyun chega?
- Amanhã provavelmente. – Bebendo um gole do suco de maçã, encarou o amigo que apenas assentia e comia calmamente – Acho que vai ser melhor ele ficar contigo enquanto eu estiver fora.
- Realmente vai ser bom – Jun Myeon erguera o rosto e demonstrava um singelo sorriso, enquanto terminava de cortar a picanha ao molho vermelho – Faz tempo que não o vejo, temos muitas coisas á conversar.
Entenderia que o pedido de Yi Xing para que Baekhyun fosse á Londres não seria apenas para fazer companhia, mas também para distrair o ômega. P próprio alfa de cabelos platinados tinha os seus planos, uma vez que queria ficar longe de seus pais então aquela seria a chance única, já que a partir do quarto mês Baekhyun não poderia mais viajar de avião. Se conseguir estender toda a sua programação como aprendiz e assinar os papéis do casório o quanto antes, então teria a sua liberdade mais cedo.
Coreia do Sul, 23 de setembro, 00:30h da noite
O senhor Xing era um homem jovem com 38 anos de idade, um alfa chinês bem estudioso que se não fosse por seu grande conhecimento sobre química, estaria vivendo outro tipo de vida, talvez mais agitada e acalorada como um chefe de cozinha. Herdou ambos os conhecimentos de seus pais, e ficara muito satisfeito quando via seu filho também herdá-los.
Conhecer a senhora Kim foi algo que não planejava e se quer cogitou que aconteceria. Sua aparência jovem e triste despertou em si uma simpatia enorme e grande vontade de enxugar de suas lágrimas. Não havia conhecido seu falecido marido, mas queria que tivesse imagina que era um grande homem com muita coisa á ensinar. Os encontros iniciais entre os dois híbridos era apenas para tirar a tristeza daquele olhar feminino e ao longo do tempo algo cresceu ao ponto da ômega receber a sua segunda mordida da vida.
Mesmo tendo um enteado o Senhor Xing não sentia-se obrigado em parecer como um pai ao garoto, apenas o tratava da mesma forma como tratava o seu próprio filho, que nasceu alguns anos mais tarde. Jong Dae tinha apenas quatro anos quando conheceu o seu novo irmão, e dali em diante uma bela harmonia se criava.
Quando recebera a ligação de que Jong Dae estava preso em um laboratório após ser pego durante a noite em uma briga entre estudantes, sabia que as coisas não seguiriam da mesma forma. Já teria percebido que o garoto era especial e por isso tentava o esconder e protegê-lo da melhor forma que podia, mesmo assim ele foi pego sem que soubesse. Como se sentira incapaz, triste e solitário, mesmo sendo amparado pelo filho caçula a grande culpa que sentia era predominante em seu ser.
E agora tudo se repetia de uma forma diferente. Dirigia de volta a sua casa pronto para receber Yi Xing, mas também queria levar novas roupas e alimentos á sua esposa, que se negava em sair do lado do filho ainda desacordado. Mas ficara aliviado em saber que Min Seok estava descansando em casa, mesmo que em breve o garoto surgisse no hospital pedindo para ficar ao lado do namorado. Por algum motivo sentia-se aliviado em ver que ambos os filhos estariam bem e felizes com quem amam.
Desajeitado, arrumava as roupas dentro da mala e as fechava, somente então ouvia o bater na porta e seu coração acelerava. Correndo entre os corredores chegou á escada descendo os degraus cuidadosamente evitando um outro acidente, e então estendia a mão na maçaneta já sorrindo tristemente em ver seu filho de volta depois de meses afastados.
Assim que a porta fora aberta e os olhares trocados, pai e filho se abraçavam apertado em um misto de emoções. Beijando-lhe a testa não escondeu a felicidade em vê-lo diante de si, porém os olhos do garoto pareciam ansiar algo á mais.
- Há quanto tempo meu filho.
- Não queria ter que voltar para casa nesse tipo de situação...mas é o que temos não?
- Estou voltando ao hospital, sua mãe ficará aliviada em te ver.
Enquanto Yi Xing olhava em sua volta suspirando em nostalgia ao estar em casa, o progenitor subia as escadas rapidamente retornando em alguns minutos com a mala fechada e pronta. Em breve os dois se mantinham em silêncio dentro do carro á caminho do hospital, o senhor Xing deixara claro que todas as duvidas deveriam ser tiradas pelo médico responsável, e que assim poderia compreender toda a história.
Ao chegarem no hospital foram de imediato ao terceiro andar onde se encontrava a UTI, mas antes da porta havia um extenso corredor cheio de cadeiras onde sua mãe estava sentada com o rosto coberto pelas mãos. Quando sentiu o cheiro do filho chinês, erguera-se e finalmente o abraçava, assim como o senhor Xing anteriormente ela estava com as emoções bagunçadas. Contente por ver o filho e triste pelo outro.
O abraço apertado e o choro alto fez o fez se sentir cada vez mais pesado e angustiado, por não saber do que se tratava realmente. Mas esperou pacientemente para que sua mãe se acalmasse e pudessem conversar. Senhor Xing sentou-se ao lado da esposa e contou sobre o recém relacionamento e o momento em que Jong Dae desmaiou, Xing cerrava os punhos sentindo os olhos lacrimejarem ao imaginar o que poderia ter ocasionado a parada respiratória . A conversa tão pouco durou, logo o médico com suas roupas azuladas saíra da UTI e estendera o braço para chamar os três hibridos á seguirem para sua sala mais uma vez.
Yi Xing se manteve em silêncio ainda abraçando sua mãe, mas seus olhos analisavam o tempo todo a fisionomia do médico, imaginando que mesmo sendo jovem não acreditaria muito em sua capacidade para ajudar seu irmão. Suspirando sentiu algo em seu peito crescer e logo sorria em imaginar que Jun Myeon em Londres estaria tentando acalmá-lo.
Ao entrarem no consultório sentaram-se, apenas Yi Xing manteve em pé olhando fixamente ao médico e que retirava das roupas azuladas sobre sua roupa e trocava por um jaleco branco.
- Esse é meu filho mais novo, irmão de Jong Dae. – Senhor Xing apresentava vendo que o alfa filho apenas acenava com a cabeça, mantendo os braços cruzados sobre o peito. – Filho esse é o doutor Oh, responsável pelo Jong.
- Doutor como ele está?
O médico olhava a ômega com seus olhos inchados e avermelhados, suspirando puxou a prancheta começando a anotar o que teria visto alguns minutos atrás ao fazer uma verificação sobre o estado do paciente.
- Os remédios via intravenosa estão surtindo efeito e seu pulmão desinchou em grande parte, mas ainda necessita dos aparelhos para ajudar.
- Quanto tempo eu vou ficar aqui sem saber do que se trata?
Senhor Xing olhava para o filho encontrando o olhar furioso, desviando para a esposa que parecia querer chorar mais, sabia que aquela situação não seria agradável. Levantou-se pedindo para que a ômega fosse consigo trocar de roupa e comer algo, e pedia ao médico, com extrema suplica, que explicasse. Doutor Oh suspirava retirando os óculos, detestava quando aquela situação ocorria, sempre teria um que não iria compreender o estado do paciente e brigaria consigo como se médico devesse curar á pessoa.
- Sente-se senhor Xing – Dizia o médico assim que a porta fora fechada. – Seu irmão veio á nossa emergência á dois dias depois de sofrer uma parada respiratória, fizemos os procedimentos emergências de reanimação e o internamos de imediato. Baseado nos exames que fizemos cheguei á conclusão de que seu irmão é um sigma.
- Sigma? – Yi Xing se sentava na cadeira e apertava sua mãos na blusa de moletom, olhava fixamente para o médico esperando por alguma explicação, mas o mesmo apenas observava a prancheta á sua frente, averiguando que as informações fossem dadas corretamente. – E o que raios é isso?
- Sigma é uma nomenclatura para aqueles que estão entre betas e alfa. Um hibrido incapaz de se dizer qual a sua raça, pois seu cheiro pode ser peculiar assim como demais traços.
- Meu irmão sempre cheirou como um alfa, o cio dele é de um alfa, porque raios diz não saber qual a raça dele?
- Não estou a dizer isso senhor Xing – Pousando as mãos sobre a mesa o olhar categórico do médico não fez o alfa relaxar. – Estou dizendo que o um quarto do gene de seu irmão é alfa, o resto é um sigma.
Encarando o médico o alfa suavizava as mãos, nunca pensou que Jong Dae não fosse um alfa, sempre imaginou que ele fosse um. Sua voz grossa sempre foi sedutora quando queria acoplar-se com alguma ômega, desde o seu primeiro cio. Jong Dae era fascinante como um alfa deveria ser, e Yi Xing sempre o admirava por aquilo. Até mesmo em suas brigas, aquele garoto era belo e parecia que tudo em sua volta era charmoso.
- E isso o fez parar de respirar?
- Não, pelo o que eu entendi de sua família ao ser levado para um laboratório americano há chances de terem feito dele uma cobaia para medicamentos e outras drogas. Provavelmente uma delas, ou a mistura de todas, estão surtindo efeito.
- R-Rato de laboratório? Meu irmão foi pra aquele maldito lugar por ele ser um sigma e foi feito de rato de laboratório? – Controlando as lágrimas para que não saíssem rolando por seu rosto tão livremente, o alfa encarava o médico voltando a cerrar o punho. – Mas se ele teve um desmaio agora, então está começando e temos chance de combater não?
- Segundo seus familiares já faz algum tempo que Jong Dae tem mostrado alguns sintomas. Corpo manchado, dores de cabeça, visão turbulenta, zumbido no ouvido, perca de movimento em algum membro inferior... a lista de sintomas é devasta.
Piscando sem conter as lágrimas o alfa passava as mãos pelos fios negros e suspirava sem saber o que dizer. Teria percebido que de uma hora á outra Jong Dae teria se reservado mais, ficado em seu quarto por tempo e se metendo em diversas brigas e quase parecendo irreconhecível. Lembrara-se da vez em que encontrava no banheiro do alfa um vidro contendo remédios, mas não sabia para que eram e apenas cogitou a hipótese de ser alguma droga.
- Há quanto tempo ele tem isso?
- Estipulo que os sintomas tenham surgido cerca de dois anos.
Cobrindo o rosto com as mãos o alfa imaginava o quanto teria visto seu irmão sofrer diante de seus olhos, e se quer percebera. Imaginou que todas as vezes que afrontava-o poderia ser um pedido de que não somente o notasse e o amasse, mas que o ajudasse. Deveria se sentir um ordinário por ter ignorado o pedido silencioso de Jong Dae, e imaginou os diversos medos que sentiria em imaginar contar algo assim. Limpando das lágrimas respirou fundo olhando para o médico, que apenas o observava friamente.
- O que deverá fazer a partir de agora? Algum tratamento?
- Isso irá depender de seu estado quando despertar. Jong Dae está fraco e atualmente há grandes chances de pegar alguma doença que possa piorar o seu quadro clinico. Estamos focados apenas em diminuir o inchado do pulmão, já que os sintomas estão controlados.
- Acabou de me dizer que estão focados no inchaço então como controlaram os sintomas dele?
- Acredito que sua família não tem te mantido á par da situação meu caro. Mas segundo o seu cunhado nos últimos meses os remédios caseiros feitos por ele mesmo tem surtindo um grande efeito além de amenizar os sintomas em 30 á 35%.
- Meu cunhado?
Yi Xing inclinava a cabeça se perguntando quem seria o individuo que se passaria por seu cunhado, o celular em seu bolso vibrava com a mensagem de Jun Myeon, e o alfa então se recordou de uma das mensagens de Jong Dae relatava que teria pedido Min Seok em namoro. Fechando os olhos, cerrando o cenho o alfa controlava a raiva e preocupação que sentia em ter sido mantido longe da situação de seu irmão mais velho. Sem dizer absolutamente nada, apenas se levantou e saíra do consultório sem saber o que fazer e nem o que sentir.

❖❖

Nenhum comentário:

Postar um comentário