{Seulement Vous} Capitulo 15

Fanfic / Fanfiction Seulement Vous - Capítulo 15 - Capitulo 15
Coreia do Sul, 18 de agosto, 4 h da manhã
O dia não teria sido tão cheio de surpresas quanto imaginava que seria, apenas por morar com o alfa. Pensou que haveria pessoas estranhas mal encaradas, curto temperamento batendo na porta atrás de Chanyeol. Mas nada era tão surpreendente quanto ver o pai do alfa olhando para si com uma fisionomia tão séria. O cenho franzido era idêntico ao do alfa menor quando o mesmo estava bravo. A forma como as palavras pareciam rudes apenas por conta de seu tom de voz baixo e grosso, também eram semelhantes ás do filho.

Virava de um lado para outro sem saber exatamente o que o manteria acordado no meio da noite, olhar o relógio na cômoda ao lado o fez pensar que teria apenas duas horas de sono antes de se levantar e ir para a escola. Min Seok teria sido gentil em conversar com a diretora e explicar a situação do ômega, sendo assim o mesmo poderia faltar as aulas sem se preocupar. Entretanto ficar somente dentro de casa o fazia se sentir covarde, alguém que não tem a capacidade de se adaptar ás mudanças que a vida lhe traz. Seria igual á sua mãe.
Suspirando baixo olhou para o lado vendo o alfa adormecido em um sono pesado, não cogitava que ele dormiria tão facilmente depois de beber alguns goles de cerveja, apesar de ser uma das mais fortes. Baekhyun não imaginava aquilo também, ter de carregar Chanyeol até a cama e o mesmo lhe puxar para que dormisse consigo. Se deitar novamente seria a primeira vez desde a noite esquecida, e isso trazia memórias sobre as sensações que teve, e mais uma vez aquilo lhe tirava o sono.
Durante os dias que haviam se passado Baekhyun demonstrava mais sintomas, o corpo que lateja, as tonturas que vinham quando não se alimentava direito, os enjoos quando se alimentava de algo muito picante e salgado, o corpo que se inchava com as mudanças climáticas. O ômega suspeitava o que seria motivo de tudo aquilo, porém quando refletia sobre quando poderia ter acontecido o seu estomago embrulhava e novamente o fazia chorar.
Com isso o ômega ficava cada vez mais imerso em seus pensamentos, tentava pensar em diversas formas que pudessem explicar o que teria ocorrido para que se sentisse daquela maneira, não precisaria ser aquilo....poderia ser uma doença. Quanto mais imerso Baekhyun ficava, mais Chanyeol suspeitava. O alfa cercava o garoto e o fazia perguntas imaginando que seu pai teria dito algo ao garoto, chegando ao ponto de deixá-lo daquela maneira. Entretanto, o mais baixo não respondia, apenas sorria e encontrava de outro assunto para se falarem.
Agora que refletia, tudo o que o pai do alfa teria lhe pedido era que não interferisse no futuro do garoto, e que sentia muito pela situação a qual teria passado. Apesar da sua rigidez, Baekhyun sentiu que o coração daquele homem era amável. Teria confirmado que quando tivesse capacidade para arranjar um emprego e ter dinheiro o suficiente, sairia da casa do alfa e procuraria por onde viver sozinho, mas que não teria a intenção de atrapalhar a vida de Chanyeol, mesmo que achasse impossível o alfa vestir terno e se comportar em frente aos adultos durante uma reunião. Recordando-se das reuniões do grêmio, o ômega sorria diante da memória do tédio que o alfa demonstrava quando Jun Myeon contava sobre os planejamentos da semana esportiva.
Mais uma vez olhava para aquele alfa, Chanyeol era estranho e perdia a paciência com muita facilidade, se não gostava de algo deixava bem claro e evitava de voltar em suas palavras. Com Baekhyun, o alfa mostrava um lado mais calmo e protetor, um individuo que era capaz de tentar cozinhar, mesmo sabendo que o faria mal, apenas para evitar que o ômega se machucasse. “Ele deve mostrar esse lado apenas para mim?”.
Esticando o indicador tocava no rosto do alfa que se mantinha parado enquanto dormia, uma vez que o sutil toque de seu dedo não causou reações, pousou toda a palma em sua bochecha, sentindo um corpo quente. A caricia que iniciou ali subia para então chegar em seus cabelos platinados, entrelaçava os dedos aos fios e depositava um selar demorado em sua bochecha.
- Obrigado por estar ao meu lado.
Suspirando o ômega fechou os olhos podendo descansar por um momento. Chanyeol que despertava ao sentir o primeiro toque do indicador, abria os olhos e sorria largo com o pequeno passo que conseguira dar. Puxando dos lençóis sobre o corpo do garoto, se aproximou dele sem que o acordasse, permitindo os rostos próximos ficou a encarar aquela face serena. Não demorou para que o cheiro que sentisse o fizesse cerrar o cenho, o aroma não era de Baekhyun apenas, e tinha essência amadeirada. Sorrindo de lado o alfa desceu o olhar pelo corpo do garoto e então fechava os olhos podendo voltar ao seu sono.
O despertador tocava fazendo os dois híbridos se sentarem na cama de imediato, quanto mais Baekhyun se sentia ansioso ou passasse algum tipo de estresse mais daquele aroma misturado surgia. Chanyeol farejava o garoto que o olhava com a face ruborizada.
- O que está fazendo?
- Bem o que eu suspeitei – Chanyeol se apoiava na cama olhando para o garoto – Os seus enjoos não é por causa da minha comida.
- Está pensando besteiras Chanyeol. – O ômega depressa engatinhava na cama, soltando um gemido ao ter um desconforto nas costas. O alfa o puxava novamente para a cama, fazendo com que o menor se deitasse.
- Você sabia disso.
- Eu não sei do que está falando. –O menor virava o rosto para o lado, sentindo cada vez mais que seus pensamentos sobre o que seria a causa de seu desconforto voltarem á consciência.  – Preciso ir me arrumar.
- Acha que vai esconder o seu cheiro? Dá pra sentir de longe se você suar – O alfa suspirava ficando sobre o menor – Era por isso que ficou acordado até tão tarde?
Baekhyun olhava surpreso para o alfa, não via uma face irritada em sua frente, mas sim algo...triste. Seus olhos estavam brilhantes e levemente caídos, os lábios torcidos como se segurasse para não chorar. O ômega dormia tão tarde para que o alfa não visse de seu desespero, o corpo que doía, os enjoos que não paravam, a fome que crescia cada vez mais. Não queria dar mais trabalho para aquele rapaz além do que já dava.
- Por favor Chanyeol, não fale,
- Você está a espera de um filhote Baekhyun.
O ômega fechava os olhos mordendo o lábio inferior. Não queria que suas suspeitas estivessem tão corretas assim, e parecia que seu corpo deixava tudo transparecer. O alfa ficava a observar o garoto e logo percebia o motivo de sua angustia, deixando com que sua cabeça tocasse no peitoral do mesmo fechando os olhos abraçando-o gentilmente.
- Podemos não ir para a aula hoje? – Sussurrava o maior continuando abraçado ao menor. O mesmo ficava olhando surpreso e acariciava os cabelos do garoto, compreendendo de seus sentimentos. – Eu vou comprar o teste de farmácia e dependendo do resultado eu te levo ao médico.
Baekhyun não respondia, sabia que a mente do rapaz o atormentava também. Deixando com que uma fina lágrima caísse de seu rosto, apenas assentia continuando com as caricias no cabelo do alfa, e por algum motivo aquilo o acalmava também.
Londres, Reino Unido, 22 de agosto, 22h da noite.
O tempo que teria passado tão apressado deixava o ômega mais ansioso na hora de fazer a sua escolha. Não teria descoberto qual curso desejaria fazer, e por isso aceitou o convite de seus professores em ir á um evento profissionalizante que os universitários estariam preparando. Para isso Jun Myeon teria que escolher dez profissões das quais gostaria de conhecer, e que seria possível dele cursar. Obviamente não conseguira montar de sua lista, já que não fazia ideia no que ele seria bom.
Yi Xing teria percebido que o cansaço do companheiro estava maior, mesmo depois de seus pais já terem retornado para Coreia, o ômega se mantinha preso em pensamentos. Saberia do que se tratava, mas o alfa não conseguia encontrar uma forma de ajudar o mais novo, sendo assim tudo o que lhe restava era um jantar fora de casa, onde os dois poderiam desfrutar da presença um do outro. Não teria levado Jun Myeon ao restaurante que descobria, Victorian London ainda estava em sua lista como possível lugar de encontro. Com o ômega carregado de obrigações seria a chance perfeita para levá-lo ao local.
Por ser segunda feira o garoto voltou da universidade ás 15 horas, e como Yi Xing previa, ele tirou o resto da tarde para estudar os assuntos que não teria compreendido em sala de aula. Com muito esforço conseguira fazer com que fosse dormir por algumas horas, enquanto o próprio alfa iria fazer compras. Durante seu caminho ao mercado ficou a pensar no que deveria fazer, sentia inveja da indecisão de Jun Myeon, já que o ômega iria estudar apenas. Mas Yi Xing tinha que correr contra o tempo novamente, e detestava aquilo.
O senhor Kim fora criterioso em dar somente aquele semestre para os garotos, porém deixou claro que se o ômega ficasse em Londres, os dois teriam de se virar para bancar a vida. Se no mês de dezembro os dois não estivessem com um financeiro apropriado o futuro dos dois seria interrompido bruscamente, e o ômega seria tirado de seus braços.O alfa não se preocupava com o fator universidade, sabia que Jun Myeon adorou e pretendia fazer curso por lá, se não fosse assim não existiria motivos para que o ômega ficasse tão aflito em escolher o curso.
Sendo assim já estava estabelecido que ficariam em Londres por alguns anos, e agora Yi Xing sentia a pressão de arranjar um emprego. Faltavam dois meses para a prova de Jun Myeon e se ele for aceito o alfa tem que correr atrás de trabalho. Porém todo o seu tempo em Londres só descobriu ser capaz de fazer atividades domésticas, se não encontrar algo que gostasse teria de trabalhar no ramo. Era como seu pai dizia no inicio da adolescência, o mundo adulto é cheio de responsabilidades com várias coisas acontecendo ao mesmo tempo.
Sua ida no mercado fora rápida, seguindo a lista que tivera feito antes de sair do apartamento, pegou o que era necessário e seguia para o caixa. Tão em breve voltava a caminhar pelas ruas e passar em frente ao restaurante, encontrando um novo menu ser escrito em um quadro negro exposto na rua. Sorrindo divertido, vira que a sorte estava ao seu lado. O relógio já marcava sete horas, apressando os passos voltava ao apartamento para poder acordar o pequeno dorminhoco.
Jun Myeon dormia pesado, um sono que parecia gostoso para quem o via. Yi Xing sentia-se culpado em despertá-lo nas manhãs, quase como se cometesse um grande pecado. Assim que chegou ao apartamento e deixar as compras na cozinha, atravessou a sala para entrar no quarto e despertar o garoto que estava enrolado entre as finas cobertas de plush.
- Vamos pequeno, acorde precisa ir se arrumar.
- Só mais cinco horas.
- O que? – Rindo o alfa tirava das cobertas e puxava os braços do mais novo – Venha venha, vamos comer.
Com alguns resmungos e muita água gelada em seu rosto o ômega despertara e fora tomar banho para se arrumar. Enquanto isso Yi Xing voltava á cozinha para guardar as compras enquanto pensava no que poderia fazer no dia seguinte. Quando entrava naquele cômodo era tiro certeiro que seus pensamentos seguiam para as diversas receitas que aprendera pela internet. Evitava de fazer muitas frituras apenas pensando na saúde do ômega, e também na própria já que não teria uma academia como na Coreia. Mantinha uma rotina de exercícios no próprio apartamento e adicionando ás caminhadas, que de vez em quando se tornavam corridas matinais, conseguia manter o seu físico.
Olhando o celular verificava qual a receita que iria fazer para que o ômega levasse para a aula no dia seguinte, provavelmente teria de deixar pronto assim que voltassem do jantar. Sorrindo de lado sentira o intenso cheiro de perfume, ergueu os olhos para a porta da cozinha vendo o ômega se olhar no espelho da sala ajeitando o cabelo molhado. A calça esportiva cinza destacava a camiseta laranjada que estava sobre a leve jaqueta cinza listrada. Os cabelos penteados em um desajeitado topete o deixava mais belo, como no primeiro dia de aula.
- Uau – Deixando o aparelho sobre a mesa foi em direção do ômega o abraçando pela cintura depositando um selar em seu pescoço – Vem sempre aqui?
- O que? – Rindo em seguida, Jun Myeon negava com a cabeça – Se esse é seu jeito de dizer que estou apresentável, então sim eu sempre venho aqui.
Jun Myeon se virava e piscava para o maior, soltando-se do abraço. Vendo que o mesmo já teria se arrumado o alfa correra para o banheiro se aprontar igualmente. Vinte minutos depois os dois rapazes já saíam do prédio com os dedos entrelaçados, seguindo pelas ruas escuras e iluminadas apenas pelos postes espalhados.
Teriam se acostumado com a paisagem, mas sempre que saíam juntos o cenário parecia ser de outro mundo, algo novo. Mesmo sendo inicio de semana o movimento das ruas de Mayfair eram intensos, talvez por ser um bairro cheio de atrativos que traziam seu publico, principalmente aqueles que conhecem de sua história. Seguindo o caminho que o alfa fazia todas as manhãs, tão breve chegavam em frente do restaurante Victorian London, que se encontrava parcialmente cheio.
Escolhendo a mesa ao centro do recinto, Yi Xing puxava a cadeira para um ômega que tinha o rosto brilhante, o sorriso que crescia em sua face juntamente com os olhos brilhantes eram sinais de que o lugar realmente o impressionava. Assim que sentados foram recepcionados por um garçom com traços asiáticos, sem demonstrar nenhum sotaque em sua fala. O rapaz que os atendera era alto com cabelos castanhos claros, quase loiros, e os olhos castanhos escuros.
O menu continha pratos típicos de Londres, porém suas especialidades eram doces. Pelas imagens que continham, os doces não somente pareciam apetitosos como também apresentam boa aparência. Yi Xing anotava mentalmente o nome dos doces e logo passava a escolher o prato que iria comer, juntamente com Jun Myeon.
O prato seria um mignon á parmegiana com um molho caseiro e especial, de acompanhamento teriam arroz londrino, contendo um tempero criado pelo chefe de cozinha do restaurante, e fritas. Jun Myeon pedira por alguma salada contendo tomate, alface e cebola e vinagrete, e para beberem apenas suco de laranja natural.
- Aqui é simplesmente lindo! – O ômega olhava a decoração e sorria largo em ver que o local atendia diversos tipos de públicos. Durante o dia poderia ser uma padaria comum e durante a noite um local que serve pratos completos. – Como sabia sobre aqui?
- Apenas encontrei durante as minhas caminhadas. – O alfa desviava o olhar para o balcão onde se encontravam alguns doces, conseguira reconhecê-los do cardápio. Jun Myeon observava o maior e balançava a cabeça deixando que um belo sorriso demonstrasse que havia percebido o interesse do maior.
- Vamos pedir um daqueles doces de sobremesa – Propusera o ômega, ganhando a atenção do alfa. – Devem ser deliciosos.
- É...apesar da cor ser um pouco mais escura do que no cardápio. – Torcendo os lábios o alfa voltou a olhar para o ômega sorrindo divertido – O que acha, faltar aula amanhã por sentir dor de barriga?
- Boa tentativa, não vou faltar aula.
- Bom...eu tentei.
O jantar fora servido e bem aproveitado pelo casal, os híbridos conversavam sobre assuntos corriqueiros e mal viram o tempo passar e o dia se encerrar. Como prometido, os dois compraram alguns dos doces do restaurante e logo seguiam para o apartamento. Yi Xing degustava e fazia alguns comentários que o próprio ômega não compreendia, mas que se sentia bem em ouvir o parceiro tão animado. Assim que chegaram no apartamento, Jun Myeon fora se deitar, por precisar levantar cedo e ir para a aula, já Yi Xing fora direto para a cozinha e logo começava a preparar o almoço do menor, dessa vez adicionando uma sobremesa, uma réplica caseira dos doces que havia experimentado mais cedo.
Coreia do Sul, 23 de agosto, 7 h da manhã
Nunca tivera passado uma noite em claro estudando, não seria necessário uma vez que prestava atenção nas aulas e fazia todas as anotações possíveis em seus cadernos. Todavia não era para uma matéria escola que Min Seok estudava, conseguira pegar emprestado da biblioteca da escola alguns exemplares que comentassem sobre mutação genética. Em casa enchia sua mesa de estudos com pequenos lembretes em papeis sobre como iniciar a sua pesquisa. Seria algo curto, mas que daria inicio á um movimento que pensava.
Durante todo aquele mês o ômega conseguia conquistar cada vez mais o alfa Jong Dae. Não agiam como um casal, andar de mãos dadas pelo corredor ou passar o almoço juntos, já que o alfa tinha problemas com alguns Phenex para resolver. Min Seok o encontrava durante ás tardes onde saíam para alguma coisa, cinema, tomar sorvete, pequenos encontros que os deixavam mais próximos ainda. Até mesmo um dormia na casa do outro, os pais do alfa não se importavam e até sabiam do relacionamento que cresciam, e isso deixava o padrasto de Jong Dae aliviado.
A relação familiar do alfa permanecia complicada, o principal problema era que Jong Dae não cedia informações sobre como Yi Xing estava em Londres para sua mãe. As brigas entre os dois ficavam cada vez mais corriqueiros e apenas não ouvia a voz deles quando o próprio ômega ia dormir por lá. O senhor Xing era quem mais recebia Min Seok, sempre pedia desculpas pelas discussões que presenciava e agradecia pelo apoio que dava á Jong Dae. Os dois criaram um laço de amizade bem intenso, o alfa mais velho sempre contava sobre o estado de saúde do enteado,
O senhor Xing trabalhava em um laboratório químico e contava para Min Seok sobre a doença, assim como entregava vários materiais de estudos para o ômega, alegando que o mesmo seria o único a ser capaz de ajudar Jong Dae. Enquanto isso a progenitora, quando longe do alfa, também mostrava sua preocupação e pedia, quase incansavelmente, que o ômega cuidasse de seu filho. Para o próprio Jong Dae era um alivio ficar na presença do ômega, não escondia suas dores e sua preocupação com o irmão mais novo, não escondia as lágrimas e até mesmo frustrações. Para o alfa, ficar com Min Seok era um benção.
Sendo assim não demorou em começar por a mão na massa e iniciar os seus estudos, com as pequenas amostras que o senhor Xing teria lhe dado, o ômega conseguia testas as misturas para poder iniciar um prévio tratamento. Mal vira quando o dia amanheceu, apenas sorria satisfeito ao atingir de seu objetivo depois de 12 horas tentando.
Rapidamente tomou de seu café da manhã e se arrumava, guardava o pequeno kit que criava, uma maleta contendo seus primeiros instrumentos médicos. Conseguira pedir alguns na enfermaria da escola, onde compartilhava sua empolgação com a enfermeira, a mesma o ajudava direcionando algumas curiosidades sobre o corpo humano que pudesse, e de fato seriam, importantes para o ômega. Saindo apressadamente de casa, o mesmo se quer ouvia o celular tocar ao receber uma nova mensagem.
Como era de seu hábito passou em frente á casa do alfa e seguia para a padaria onde pegaria mais um copo de café com leite para lhe manter desperto durante ás aulas. Correndo ás pressas cruzava os portões da escola indo diretamente para o primeiro prédio para pular os degraus e seguir no sentido da sala do grêmio estudantil. Suspirava aliviado em ver Jong Dae parado na janela com os braços cruzados e olhos fechados, uma pose que era típica de Yi Xing e que o alfa também tinha.
- Chegou cedo – Min Seok fechava a porta deixando sua mochila sobre a mesa, logo retirando dela a pequena maleta onde continha sua nova pesquisa.
- Fiz o que me pediu, estou de jejum há sete horas e vim mais cedo. – O alfa puxava a cadeira e se sentava diante do menor o olhando calmamente – Tem certeza disso?
- Não – O sorriso largo do ômega crescia cada vez mais enquanto preparava cuidadosamente de sua primeira medicação. – Mas passei doze horas preparando esse remédio, sem falar que foi quase um mês inteiro de pesquisas. Então, vale a pena tentar, não?
- Só quero avisar que deixei meu testamento debaixo do colchão.
- Ya! – Min Seok ria ajeitando a manga do uniforme do alfa, deixando exposto seu braço. Tocando em sua pele procurava por uma veia que pudesse espetar da seringa. – Se isso aqui der certo, terá tempo suficiente para que possamos juntar dinheiro e ir para Londres.
- Por que quer tanto que eu vá para lá?
- Porque eu quero você vivo – As bochechas avermelharam de imediato, e um sorriso largo cresciam no rosto do alfa.- Ainda tem que cumprir todos os seus castigos pela sua bagunça.
- Já disse que nem foi culpa minha. Mas tudo bem, eu deixo minha preciosa vida em suas mãos.
Min Seok apenas ria e logo injetava a primeira substância que havia criado na veia do alfa, o mesmo permanecia sério e calmo observando os cuidados que recebia. Assim que todo o liquido azulado fora disperso em sua corrente sanguínea, o ômega retirava a seringa e passava o algodão para estancar o pequeno sangramento. No mesmo momento a porta da sala fora aberta mostrando um alfa de cabelos platinados, com profundas olheiras abaixo de seus olhos. Os dois híbridos olhavam para aquele ser diante deles e se entreolhavam, já imaginando que um novo problema acerca de Baekhyun teria acontecido.
- O que houve Chanyeol?
Fechando a porta, o alfa se sentou próximo aos dois amigos e olhava para o braço de Jong Dae, a pele branca do hibrido destacava o azul do remédio que havia acabado de tomar, e parecia que se espalhava por seu corpo rapidamente. O ômega limpava o local e colocava um curativo logo ajeitando a manga do uniforme do alfa. Os dois olhavam para o mais alto entre eles e esperavam por sua explicação.
- Aconteceu algo contigo? – Chanyeol olhava para Jong Dae, sendo que o alfa sorria zombeteiramente.
- O que houve com Baekhyun heim? – A resposta que teria dado fez o alfa voltar a se lembrar do motivo de sua vinda.
- Baekhyun está esperando filhote. – Os dois híbridos olhavam para o alfa surpresos, Min Seok parou de guardar suas coisas para ouvir melhor da história. O alfa de cabelos platinados respirou fundo e se ajeitou na cadeira, baixando o tom de voz enquanto contava o que teria ocorrido. – O problema é...quem é o pai do filhote.
- Como assim quem é o pai?
- Eu dormi com o Baekhyun e acabei atado nele, só que alguns dias depois ocorreu...aquilo.
- Oh céus – O ômega passava a mão no rosto suspirando baixo enquanto Jong Dae coçava a nuca. Chanyeol contava sobre o teste de farmácia e o resultado exame médico que Baekhyun teria feito no dia anterior, apenas um exame de sangue que confirmasse a gravidez nada além disso, o ômega fora concreto em dizer que não queria saber mais. Com isso veio a questão de quem seria o pai do filhote que crescia em seu corpo. – Ok, a única coisa que posso te dizer é que se baseia na data da gestação.
- Ai me salve – Chanyeol segurava as mãos do ômega, mas com o rosnado que Jong Dae dera soltou de imediato. – Como que isso funciona? Eu preciso fazer algo porque to achando que eu vou enlouquecer.
- B-Bom, julgado que tudo ocorreu...na noite esquecida – O ômega corava porém deixou de lado sua vergonha e passou a fazer as contas – Se for seu filho então Baekhyun deverá estar indo para cinco semanas de gestação.
- E do outro cara? – Jong Dae olhava para o ômega que fazia as contas em sua mente, logo vendo o mesmo ficar confuso. – Que dia que Baekhyun foi estuprado?
- Que palavra feia –Rosnava Chanyeol infantilmente, logo passando a se lembrar – Não sei o dia, eu cheguei na casa dele no inicio desse mês, não sei quanto tempo aquele cara ficou com ele.
- Bom, considerando que foi depois de você e Baekhyun dormirem juntos – Min Seok olhava para o alfa depois de fazer as contas – No máximo quatro semanas ele terá.
- Então, se tiver cinco semanas é porque é meu filho...
- Mas convenhamos – Jong Dae se encostava na cadeira e cruzava os braços, mesmo sentindo dolorido onde havia levado a injeção. – Seria melhor fazer teste de DNA.
- Bom de qualquer forma, se basear pelas semanas pode ser uma ponta de esperança. – Sussurrava Chanyeol encarando as próprias mãos. – Que foda.
O alfa se levantara depois de alguns minutos em silencio, o casal hibrido ficou a olhar o amigo e se entreolhavam preocupados. Parecia que todos ali tinham de seus próprios problemas á serem resolvidos.
Os pensamentos que rondavam a mente se quer permitia que Chanyeol almoçasse bem, os Zagan teriam se acostumado com o alfa olhar o celular durante o almoço, porém naquele dia parecia ter uma nuvem negra sobre sua cabeça. Não conseguia imaginar o que ocorreria se Baekhyun tivesse esperando um filhote do alfa que lhe abusara, e sabia que esse assunto assombrava o ômega. Desde que o teste dera positivo os dois híbridos ficaram silenciosos e afastados, Chanyeol respeitava o espaço que o garoto precisava, porém temia o que ele poderia vir a decidir.
A única coisa da qual tinha plena certeza era de que Baekhyun não iria ficar sozinho, viveria consigo para sempre. Mas antes precisava conquistá-lo cada vez mais. Agora com a vinda de um filhote, o alfa sentia uma pressão pesar em seus ombros, o que pretendia fazer a partir daquilo? Amava Baekhyun e não deixaria com que o menor passasse necessidade, sendo assim seria capaz de criar um filho que não era seu?
Jong Dae sentara ao lado do alfa e bagunçava de seus cabelos, fazendo com que o maior rosnasse e risse em seguida. Roubando do lanche do rapaz de cabelos platinados, o outro hibrido ficava a olhá-lo e suspirava encarando sua própria mão.
- Está pensando se deve assumir ou não apenas por amar Baekhyun?
- É... – Chanyeol ria colocando o sanduiche natural diante de si, engolindo em seco começou a comer mesmo sem sentir fome. – É complicado.
- Vou mostrar um ponto de vista – Jong Dae olhou para o rapaz e sorria levemente. – Se você for capaz de amar essa criança, mesmo que ela seja a cara do pai dela, então não vejo motivo para pensar demais. Mas antes de tomar essa decisão, pergunte se Baekhyun realmente quer viver com você.
- Não vou dar opção á ele – O alfa resmungava entre dentes. Bebendo um grande gole do refrigerante, imaginou que haveria 50% de chances de Baekhyun não querer viver consigo. – O morderei antes que pense em fugir.
- Estou falando no ponto de vista...de uma criança que não terá o pai biológico por perto.
Chanyeol logo se lembrara de que Jong Dae foi uma criança que passou por aquela situação. Vivia com sua mãe e seu padrasto e constantemente brigavam, sabia disso por vivenciar parte das brigas quando ia visitar Xing. Temendo que houvesse aquele tipo de reação consigo, o alfa voltou a pensar no assunto se realmente valeria á pena adotar o filhote como seu. Talvez fosse diferente já que o alfa estaria com a criança desde seu nascimento, sendo assim poderia realmente fazê-lo se sentir seu filho, e no final das contas evitaria brigas como as que Jong Dae passa.
Não importava o que o futuro lhe aguardava, mas para manter Baekhyun ao seu lado, mesmo com o filhote, Chanyeol teria outra barreira á ultrapassar. Desde que vira sua mãe o alfa atendia ás suas ligações, porém com a descoberta da gravidez passou a evitá-las novamente. Sabia que a progenitora estava procurando por uma esposa com urgência, uma vez que ela saiba dos sentimentos do filho. O segundo problema era driblar de seu pai sobre herdeiros e empresas, teria conseguido deixar o assunto ausente por um tempo, mas agora tudo poderia mudar novamente. Tudo dependia do que Baekhyun decidiria fazer... e do que Chanyeol seria capaz de aguentar para ter Baekhyun.
Pegando de seu celular seguiu para fora do refeitório onde poderia discar o número que jamais teria imaginado telefonar. Olhando em volta subiu sobre uma árvore onde poderia ter uma conversa em paz, ouvindo a chamada ser atendida.
- Que surpresa você me ligar meu filho.
- Apenas quero tirar algumas duvidas – O alfa mexia em uma folha da árvore, a arrancando do galho passando a olhá-la – Por que quer me casar com uma mulher?
- Para obter herdeiros é claro. Do jeito como você tem se comportado, acredito que poderá demorar muito. Sem falar que nunca o vi com uma garota.
- Hum – Sorria de lado o alfa olhava para a escola onde os alunos almoçavam animados – Se eu te der um herdeiro, não precisarei me casar então.
- O que apronta Chanyeol  - A voz ríspida do senhor Park soara pelo telefone como se ele soubesse o que estaria acontecendo no cotidiano do filho.
- Faremos um trato, te darei um herdeiro e farei o que quer quanto ao meu futuro – Fazendo careta o alfa suspirava mexendo na folha – Estudarei e trabalharei contigo.
- Hum que interessante, mas o que vai querer em troca?
- Que não se intrometa em minha vida e nos meus planos. – Encostando a cabeça no tronco da árvore, o alfa ajeitava o cabelo bagunçado – Me juntarei á quem eu quiser, e cuidarei da criança como eu quiser.
- Ah... o trato não será feito se o filho não for seu Chanyeol. Se pensa que irá se juntar ao garoto que está na sua casa eu te digo que esse trato não renderá.
- Renderá, pois eu o morderei e assim não terá o que contestar. Esse é a sua única chance, caso contrário se quer pense em aparecer pintado de ouro, pois jamais irei trabalhar contigo ou voltar a vê-lo.
Desligando o celular Chanyeol assoprava a folha deixando a mesma voar e cair no chão. Suspirando olhava em volta e sentia que o seu futuro já parecia traçado. Mesmo pensando nisso ainda teria de conversar com Baekhyun e fazê-lo aceitar. Mesmo que fosse difícil compreender o que se passava na mente do ômega e o quais eram os seus medos.

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