{Sagrado Santuário} Capitulo 15


[::P.O.V. DONGHAE::] 

Novamente, eu estava olhando para aquele céu nublado. O sol se fora juntamente com os cinco meses. Finalmente a nossa grande espera estava prestes a chegar ao fim. 

Tantas coisas aconteceram nesses nove meses, que eu ficara surpreso em como minha vida havia mudado depois que conheci Hyukjae. Antes eu era um garoto destemido, treinava levemente para poder voltar ao Santuário e pegar de volta o homem que sempre amara, e no final das contas ele saiu. Isso não me deixou bravo, apenas surpreso, pois eu queria protegê-lo sendo que ele me protege. Antes eu pensava que o fato de estar grávido fosse um motivo para que todos me excluíssem de seus assuntos, como se falar de um plano de batalha, já fosse me deixar machucado. Sendo que na verdade, eles estavam me protegendo, ele estava me protegendo. 

Antes de Hyukjae parecer na floresta, considerava Sungmin um grande hyung, alguém que eu pudesse chorar sobre as saudades que eu tinha de Eunhyuk, e ele chorava comigo, pois também deixara alguém lá no Santuário. Quem diria que chorávamos pela mesma pessoa? Assim que vi Sungmin beijar Hyukjae no rio á noite, me senti com raiva, a minha vontade de deixar claro a todos que ele era meu foi tão grande, que me deixa sem palavras agora. De inicio comecei a odia-lo. Além de querer o meu homem, ele machucava os sentimentos de Henry. 

Henry, o garoto tímido que logo se tornou um homem, e eu não viramos. Em um instante ele não desgrudava de Sungmin, fazia beiçinhos e chorava por ciúmes do mais velho. E com todas as suas forças ele se declarou. De início, parecia que não ia dar certo, pois Sungmin claramente, sentia ciúmes de Henry quando ele chegava perto de mim, mas ele não se dava por vencido, era como se admitir que amara Henry machucasse o seu ego. Mas ele finalmente percebeu a quem seu coração pertencia. Agora os dois não se desgrudam, eles são o casal mais fofo que se tem por aqui. 

Heechul, sempre fora paciente, mas seus olhos sempre mostraram que morria de saudades de Kibum, assim que se reencontraram, não teve duvidas se beijaram e se trancafiaram dentro do quarto, o que fizeram lá? Não sei. 

Kangin virou o meu guarda-costas. Sempre me seguia em nome de Hyukjae. Apesar de ele ser todo metido machão, ele claramente se perdia no portão proibido, onde ficam as freiras. Às vezes ele desaparece e quando chega o perfume dele o entrega. 

Siwon e Kyuhyun, esses dois são calmos como sempre. Teve um mês que eles brigaram feio, com direitos a xingos e alguns tapas, ficaram semanas sem falar, nem se quer comiam onde o outro estava, mas não demorou muito, voltaram aos beijos. Deixaram claro que aquela briga apenas solidificou o amor entre eles. 

Leeteuk e Junyoung tiraram o atraso. Os dois sempre juntos, sempre com sorrisos, o que me deixava claramente feliz. Às vezes eles agiam como uma família camponesa com mais de sete filhos. Apesar de o Santuário exercer uma atmosfera sombria, eram eles deixavam o ar limpo. Sempre que eu ficava assustado com os treinos de Hyukjae, era sempre um dos dois me aconchegando e ouvindo os meus desabafos. 

Hyukjae. O homem de minha vida. Depois que voltara da Montanha Golan ele se dedicara aos treinos, acordava cedo, e sempre mantinha a sua promessa de fazer suas refeições ao meu lado. Logo depois de alimentado ia ao seu treino, sem se importar com os machucados. Aquele safado fazia o Maximo de arranhões possíveis, para que mais tarde eu fizesse curativo, ele fazia aquela cara de pidão e dizia para cuidar de seu ‘’dodói’. Eu ria com aquelas caras dele. Quando a noite chegava ele deitava sua cabeça em meu colo, enquanto eu afagava seus cabelos ele caia em um sono profundo. Como adorava vê-lo tão sereno. 

Ryeowook e Yesung, como sempre namoravam pensando que conseguiam esconder de nós. Ryeowook se aprofundou nos estudos, e Yesung dando-lhe apoio. Mas tenho que contar um segredo para vocês. Às vezes eu Kyu e Henry nos escondiam por detrás de algumas moitas, para poder olhar o casal junto. Eles eram muito fofos. No início era só nós três, depois vieram todo mundo. Quando eles descobriram que nós os espiávamos, fingiram estar bravos, sendo que tinham ficado com vergonha. 

Enquanto o Redentor Hyuseung, ele se declarou para mim, disse que havia sentimentos e que não estava conseguindo guarda-los, mas quem disse que Hyukjae era bobo? Hyukjae sabia desde o início, e quando escutou o Redentor falando isso para mim, começaram a brigar, eu fiquei louco, imagina se a raiva de Hyukjae chega no limite, não teria Redentor Hyunseung para contar história. Foi graças aos meus pais que eles pararam. Deixei claro que não abandonaria Hyukjae, nem que isso me custasse à vida. 

Redentor Zhoumi, ficava de picuinha com Hyunseung, os dois disputando o cargo de Padre, que no final foi para o Redentor Hankyung. Ele às vezes treinava Hyukjae e o mandava para missões, que eu não gostava nenhum pouco, mas quem era eu para argumentar? 

Sunny, a nossa filha, estava bem. Doojoon, que ainda estava no Santuário, disse que assim que saíssemos iria me dar um quarto dela. Mas fiz questão de apenas me dar o cômodo, pois o quarto eu queria pintar ao lado de Hyukjae, espero que esse momento vire uma das melhores memórias. Shindong, sempre me fez os exames, e todas às vezes Hyukjae me acompanhara, e é claro chorava. Leeteuk estava tricotando um sapatinho, ele parecia uma avó, ele disse que mimaria a neta, eu ria muito com ele, papai sempre viajava quando pensava na futura neta. 

O céu ainda estava nublado, nem parecia que á poucos minutos atrás tinha um grande sol brilhando. Estava no quarto de Henry, enquanto o menor dormia. Henry disse que estava com um mau pressentimento, e admito que eu também tenha. Ele estava dormindo em sua cama, sereno, o único som era o de sua respiração. Estava alisando a minha grande barriga. Ás vezes eu ficava perdido em pensamentos, me preparando mentalmente, pois a qualquer momento, segundo Shindong, a bolsa iria romper. 

Alguns passos foram escutados, a porta foi aberta ás pressas. Kangin ao lado de Heechul entraram se aproximando da grande janela em que eu estava. 

- Ele acordou. – Senti meu coração acelerar, fechei os olhos e abri novamente de forma lenta. Virei-me para fitar os homens que estavam assustados. 

- Heechul faça companhia para Henry, por favor, Kangin, me leve até ele. 

Andamos até o calabouço, ao chegar perto da porta de madeira grande, encontramos com Leeteuk e Junyoung. 

- Redentor Zhoumi está lá dentro. – Disse Leeteuk. 

- Os últimos ataques de Hyukjae sempre foram quando ele estava longe de mim, isso é estranho. – Comentei. 

-Deve ser por que ele acha que pode te machucar. – Respondeu Junyoung. 

Ficamos esperando na porta, ficava olhando para a antiga cela de meu pai, vendo pela pequena janela o tempo virar. Os sinos soaram quinze vezes, deixando claro que aquele era o horário, mas o tempo dizia totalmente o oposto. O céu estava totalmente negro, por conta da nuvens carregadas, os sons de trovões ecoavam pela pequena prisão. A visão do céu estava me deixando nervoso, nunca tive medo de tempestades, mas aquelas nuvens me diziam que era para eu temer por ela. Que eu devia correr para o colo de Hyukjae, afundar minha cabeça em seu peito, enquanto ele afagasse meus cabelos em sinal de proteção, mas não eu estava longe dele, enquanto o meu amado estava sofrendo. 

O Redentor Zhoumi saiu do quarto em que Hyukjae estava, olhou para mim e permitiu que eu entrasse. Adentrei no local, que se parecia com a ultima vez que estivera lá, uma parte escura, porém dava para ver Hyukjae. Ele estava normal, porém acorrentado. Aproximei-me dele, me sentando ao seu lado. Coloquei minha mãe esquerda sobre suas costas. Ele levantou seu rosto, esboçando um sorriso. Aquele era o meu Hyukjae. 

- Como se sente? – Perguntei calmo. 

- Horrível. Estou com uma dor de cabeça terrível, e longe de meu namorado. 

- Quem seria o seu namorado? – Perguntei, entrando na brincadeira dele. 

- É um garoto moreno, mais novo que eu, grávido. 

- Ele é ciumento? 

- Um pouco, na medida certa. 

- Será que eu tenho chances com você? – Perguntei, mas me espantei com sua resposta. 

- Não. – Hyukjae fez uma pausa. – Ele é único para mim. 

Senti meu rosto arder, esse era o seu efeito em mim, era isso que ele fazia comigo. Hyukjae se aproximou de mim selando meus lábios, iniciando um beijo. Senti que não era um beijo normal, parecia que aquele seria o nosso ultimo beijo, pois ele sugava meus lábios como se quisesse sempre se lembrar do gosto que lhe permitia sentir. Não queria que aquele fosse o nosso ultimo, mas sim mais um beijo entre infinitos. Passei meus braços ao redor de seu pescoço, Hyukjae, me segurou na cintura me sentando em seu colo. Tentava ao Maximo sentir ele, não queria parar. 

Hyukjae parou o beijo por falta de ar, ele me olhou e acariciou meu rosto com a ponta de seus dedos, passava seu indicador com tanta delicadeza que me fazia sentir uma boneca de porcelana. Olhava para seus olhos, dizendo que o amava e que sempre estaria ao seu lado. Juntei meu dedo mindinho direito, e com o dedo mindinho esquerdo dele, selamos a promessa, sempre estaríamos juntos, não importando com o que acontecesse. 

Ficamos trocando caricias por um bom tempo, ás vezes ele sentia a dor de cabeça, mas não demonstrava para mim o quão dolorosa era, sabia que não queria me deixar preocupado, mas era tarde de mais. Ficaria ali o resto da tarde, mas Leeteuk me puxou para fora, dizendo que depois de uma semana eu o teria de volta. 

Estava na cozinha, uma fome, não minha, mas de Sunny, tomou conta de mim. Estava vasculhando cada canto daquele lugar, á procura de algo digerível, mas estava difícil. Logo Junyoung, chegou, pegando alguns ingredientes e uma panela. 

- Está com fome não é? – Perguntou o mais velho, eu apenas assenti. – Irei fazer um mingau de chocolate para mim, você quer um pouco. 

-Sim. – Disse sorrindo, me senti uma criança de cinco anos. 

Ficamos ali na cozinha, apenas conversando, contei a ele como me apaixonara por Hyukjae, como treinei feito louco depois que saí, como eram meus sentimentos assim que o vi depois de cinco anos, e assim foi indo. Junyoung não me escondia nada, sempre respondia as minhas perguntas, me disse como conheceu Leeteuk Appa, como fez para conquista-lo, como se sentiu quando ficou longe do Appa de mim e dos meus dongsaengs. 

A conversa durou um bom tempo, assim Leeteuk Appa se juntou a nós contando suas experiências enquanto Junyoung Appa o contrariava, fazendo os dois fingirem uma discussão, o que me era engraçado. 

Tudo parecia estar indo bem, até que Siwon entra na cozinha correndo como um cavalo. Leeteuk pediu para o moreno se acalmar, enquanto eu dava um copo de água para ele. Siwon se acalmou olhou para nós finalmente dizendo o que tinha para falar. 

- Trago más noticias. 

- O que houve? – Perguntei. 

- Hyukjae, perdeu a consciência aquele maluco tomou conta dele. 

- E o que mais? – Perguntei afoito, o moreno havia feito uma pausa para respirar. 

- Ele escapou do calabouço. 

O medo e espanto tomou conta de mim, saí correndo em direção ao calabouço, corri rapidamente, ignorando o pedido dos meus appas de diminuir a velocidade. Assim que cheguei na porta do calabouço vi que a situação não era séria, mas sim critica. A porta de madeira estava no chão aos pedaços, o quarto por dentro totalmente bagunçado, voltei a andar pensando para onde ele estaria. 

Olhei para Leeteuk Appa, que segurou a minha mãe e andou ao meu lado. Voltamos a caminhar em direção ao escritório do Redentor Zhoumi. Batemos na porta e ele prontamente nos atendeu. 

- O que querem? – Perguntou ele com uma cara de que estava dormindo. 

- Você viu Hyukjae? – Perguntei. 

- Ele está no calabouço, afinal essa é a semana… 

- Ele fugiu de lá, por isso estamos procurando por ele. 

Os olhos do Redentor arregalaram-se, ele gritou um ‘’O que’’, e saiu correndo entre os corredores do Santuário. Entramos em cada quarto a procura dele, logo todos estavam reunidos procurando por Hyukjae. Ninguém sabia onde ele estava. 

- Bom para ele ter feito um estrago, então não era ele, então têm algum lugar que a besta iria? – Perguntou Junyoung. 

- Têm a Santa Capela. 

Corremos em direção á Santa Capela. Era uma capela não muito pequena, mas não muito grande. Ela era usada nas santas missas, mas somente os Redentores tinham o direito de entrar nela. É chamada de Santa, por que dizem os antigos Redentores, e Padres, que viram anjos nela. Mas ninguém acredita nisso, sabíamos quando era verdade ou não. 

Entramos na Santa Capela, que estaria totalmente escuro se não fosse pela cortina de luz que terminava onde um homem estava. Era ele, bem ali olhando para o altar. 

- HYUKJAE – Gritei chamando sua atenção, só então pude perceber que ele estava diferente. 

Seus cabelos ao invés de estarem descoloridos em um tom amarelado, estavam totalmente brancos, seus olhos ao invés de cinzas estavam roxos. Seu corpo estava normal, mas um sorriso diabólico surgiu em seus lábios. Prontamente ele se virou e correu em uma velocidade extremamente rápida, empurrando o Redentor Zhoumi para o lado de fora da capela. No viramos para ver o acontecera, Hyukjae tentava atacar o Redentor Zhoumi, de todas as formas, chutes socos, pegava algo que pudesse usar como armas, mas nada adiantava, pois Zhoumi era bem treinado. 

Logo fui puxado para o fundo da capela. Junyoung abaixou minha cabeça botando seu dedo indicador em seus lábios em sinal de silêncio. 

- Hyukjae não pode lutar dentro de locais Sagrados. – Murmurou Junyoung para que todos pudessem escuta-lo. 

Estávamos escondidos entre os bancos da capela, então a minha visão não era das melhores. Apenas conseguia ver Hyukjae tentando atingir Redentor Zhoumi. Este logo chamou por alguém, não demorando muito uns 50 Redentores tentavam atingir Hyukjae. Mas o mesmo não parava quieto, sempre estava se movimentando o que dificultava os Redentores. Ele pulava em cima das árvores e em seguida no Redentor que estava próximo á ele. 

Os Redentores foram caindo no chão, parecia um pesadelo. A cada homem que tentava se aproximar de Hyukjae, era como se estivesse indo para os portões da morte. Não sei de onde nem como, mas ele matava na hora. Logo os reforços chegaram, mas não durou muito tempo. Hyukjae lutava contra os Redentores de uma maneira tão demoníaca, que chegara a me deixar assustado. 

Hyukjae chegara perto de um corpo, tirando uma espécie da espada, a olhava e então sorriu. Começou a caminhar e logo ele transpassava a espada no corpo dos Redentores vivos. Parecia um espadachim, a cada passo que ele dava parecia uma valsa, o que era assustador. Gritos de dor e pânico tomaram conta do pequeno pátio. Logo um trovão ecoou me fazendo encolher ao lado de Leeteuk Appa. 

As nuvens começaram a descarregar, uma chuva fraca começara, olhei para Hyukjae e pude perceber que ele andava em direção ao Redentor Zhoumi, que o olhava atordoado. 

- Pare já Hyukjae, não é essa sua missão. – Implorou o Redentor, Hyukjae ergueu a espada, dando um grande sorriso. 

- O Senhor quer trocar algumas palavrinhas com você, Redentor. 

Logo a espada atravessou o corpo do Redentor, a ponta da espada estava totalmente coberta de sangue, assim que ele a retirou, o corpo do Redentor morto caiu no chão. Hyukjae se agachou passou o dedo no sangue e lambeu, fazendo uma de que comeu e não gostou. 

- Azedo. – Disse ele. 

- AIIIIIIIIIIIIIIIIIII. – Gritei assim que senti meu estomago reclamar. Uma pontada extremamente forte me atingira. Leeteuk me olhou espantado me perguntando o que acontecera, mas nem eu sabia o que dizer. 

- Aí vem ele. – Disse Kangin, ao seguir seu olhar pude ver Hyukjae vindo em direção á capela.

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