{Sagrado Santuário} Capitulo 10


[::P.O.V. DONGHAE::] 

Já havia se passado uma semana, hoje eu veria Hyukjae ao meu lado novamente. Depois da minha conversa com… aquele… Ser, Leeteuk me proibiu de chegar á 200 metros perto da escadaria que leva até o calabouço. 

Estava no quarto, já era noite e a janela de meu quarto me dava à bela visão das estrelas e da lua. Olhava para aqueles pontos brilhantes imaginando como seria sua verdadeira forma. A porta foi aberta deixando um aroma amadeirado misturado com ferrugem, era ele, só pelo cheiro posso reconhecê-lo. Ouvi passos arrastados, mas pude ouvir algumas falhas no som, como se tivesse caído. 

Virei-me, deparando-me com Hyukjae adentrando no quarto com a ajuda de Kangin. Rapidamente os ajudei, colocando Eunhyuk em “nossa’‘cama. Não era bem nossa, mas a chamava assim por dividirmos ela. Kangin saiu rapidamente, deixando-nos a sós, pude perceber as mudanças em Hyukjae. 

Ele estava sem camisa, mostrando as antigas cicatrizes e os novos machucados com uma fina casca e um pequeno rastro de sangue. Percebi que a marca em seu braço esquerdo, havia se estendido até seu pescoço, estava claro que era arranhões que ele mesmo deve ter feito. Os arranhões tinham os desenhos de linhas e o que parecia ser algumas flores, que possivelmente teriam algum tipo de significado. Seus cabelos estavam metades descoloridas e metade natural, seus olhos estavam castanhos como sempre, o que me deixava aliviado. Sempre aquele besta ficava consciente os olhos de Hyukjae mudavam, o que me deixava bem apavorado. 

- Pareço horrível, não é? - Sua voz amargurada me fez percebe que eu olhava espantando 

- Desde que fique bem, eu não me importo com sua aparência - Eunhyuk estendeu sua mão, que à segura-la me puxou para sentar em seu colo. Seu braço esquerdo circundou minha cintura, enquanto a direita descansava em minhas pernas. 

- Como estão? 

- Estamos bem. - Disse sentindo sua mão repousar em minha barriga alisando-a. - Doeu? 

- O quê? 

- Essas marcas… Tudo. 

- Sim, doeu muito, mas só depois, na hora o que me dava vontade era de coçar - Mesmo a sua situação sendo a mais terrível ele ainda esboçava um sorriso, e era isso que me deixara apaixonado por ele. 

- Amanha, vamos sair. 

- Por quê? 

- Quero…. Apenas passar um tempo com você. - Senti meu rosto arder, possivelmente estava ruborizado, mas um dedo gelado a tocou me fazendo olhar aqueles olhos que sempre me deixam bobo. 

Os dedos de Eunhyuk acariciam meu rosto de uma forma leve provocando alguns arrepios. Seu rosto foi se aproximando do meu de forma lenta, e logo nosso lábios estavam matando a saudades de se abraçarem. Era tão bom senti-lo novamente, era como seu estivesse provando a mim mesmo que ele sempre estaria ao meu lado, que veria nosso filho crescer juntamente á mim. Que sempre estaria me olhando e me protegendo como se fosse á única coisa que o prendesse nesse mundo. Hyukjae me deitou ao seu lado deixando-nos de frente para o outro. 

- Boa noite Hae. 

- Boa noite Eunhyuk. 

Ao sentir os raios do sol invadir o quarto me acordando, avistei o rosto de Hyukjae perto do meu, mas ele estava dormindo com um sorriso no rosto. Isso me deixara feliz, uma grande energia não minha tomou conta de meu quarto. Levantei-me indo em direção ao banheiro, tomando um banho e fazendo minha higiene pessoal como de sempre. Saí do quarto indo em direção á cozinha, encontrando uma senhora olhando o cardápio. Ela prontamente percebeu minha presença, olhou para mim e lançou um sorriso. 

- Bom dia - Ela disse baixa e docemente. 

- Bom dia… éh eu queria fazer um café da manha para uma pessoa…. - Eu não conseguia dizer estava com vergonha demais. A mulher soltou um sorriso e me puxou levemente para aproximar do balcão em que estava encostada. 

- Bom imagino o que queira, tem alguma idéia do que quer fazer? 

- Algo que faça ele perceber o eu o am….. - Eu iria continuar a frase, mas a vergonha de dizer era muito grande, eu nunca conseguia dizer facilmente meus sentimentos a qualquer pessoa, por isso o meu rosto sempre me dedurava. 

- Ahh, deve ser para o garoto amaldiçoado - Ela disse sem mostrar repulsa nem nada disso. - Bom do que ele gosta? 

- Ele adora ovos e suco de uva. Mas como a senhora sabe que…. 

- era ele? - Ela sorriu - Você estava com o rosto corado e um pequeno sorriso nos lábios, seu brilho no olhar não te deixa mentir. Sei também por ter te visto melancólico e preocupado na janela ontem a noite. 

Bom se fosse possível, eu estava mais vermelho do que uma pimenta. A mulher me instruiu a fazer o café da manha, mas não tocou em nenhuma vez nas panelas e nos ingredientes. Depois de tudo estar pronto coloquei os pratos e copo de suco em uma bandeja e subi em direção ao quarto. Abri a porta com o meu cotovelo, adentro e fechando-a com o pé. Repousei a bandeja na escrivaninha que tinha ao lado da cama. Deitei ao lado de Hyukjae e fiquei admirando seu rosto. 

- Sei que sou bonito, mas você ficar me olhando me deixe envergonhada. - Ele disse abrindo seus olhos vagarosamente. 

- Bom dia Eunhyuk. 

- Bom dia Hae. 

- Trouxe seu café. - Peguei a bandeja em seu colo assim que ele se sentou. Eunhyuk me olhou surpreso, mas não demorou em provar dos ovos com bacon. Ele olhou para mim e esboçou um de seus belos sorrisos. 

- Foi você que fez? - Ele perguntou, senti meu rosto ruborizar novamente, assenti - Hae case comigo, você sabe cozinhar muito bem - Meu rosto começou a arder, meu corpo começou a suar, estava quente. - Adoro te deixar sem graça. 

- Que bom que gostou. - Disse em tom de voz baixo. Senti meu queixo ser puxado e seus lábios prensaram os meus, deixando um breve selar. - Se arrume, quero aproveitar o dia. 

Hyukjae terminou de tomar seu café logo foi para o banho. Depois de esperar a bela princesa terminar de se arrumar, saímos do Palazzo, indo em direção á um vilarejo que tinha perto. Segundo o Rei Doojoon, o vilarejo ficava perto de Memphis, que era praticamente uma cidade. Começamos a andar enquanto conversávamos coisas banais somente para não deixar o silêncio reinar. Eunhyuk fazia questão de segurar minhas mãos, achei que várias pessoas iriam nos olhar torto, mas nada disso ocorreu, muito pelo contrário, eles sorriam para gente, o que me fez abrir um grande sorriso. Caminhos pelas ruas de areia olhando as tendas. As frutas e as verduras pareciam bonitas e apetitosas, principalmente aqueles morangos. 

- Eunhyuk… - Disse manhoso, Hyukjae olhou para mim como se já soubesse o que eu queria. 

- Quem que quer você ou o bebê? 

- Nós dois. - Disse sorrindo. Eunhyuk suspirou e comprou uma bandejinha de palha com os morangos. Voltamos à caminha enquanto deliciávamos da pequena fruta, que estava totalmente doce. 

Começamos a olhar as tendas com roupinhas de bebê, queria saber o sexo de nosso filho para começar a preparar os enxovais. Cada roupinha linda, Eunhyuk olhava, mas não admirava, sabia que ele estava se segurando. Ri internamente. Ele sempre tinha essa pose de machão sendo que queria estar comprando tudo o que via. Eunhyuk parou e olhou uma toalha com um bordado amarelo escrito ’'Sou Do Papai”, perguntou o preço e perdeu para sua vontade, acabou comprando. Andamos por algumas tendas comprando roupinhas neutras. No final pegamos algumas frutas e sentamos debaixo de uma árvore. 

- Será que o Wookie consegue ver o sexo da criança? - Perguntei, tentando puxar assunto. 

- Sabe. 

- Como ele sabe disso? 

- Wookie passava o tempo livre estudando sobre fetos. Ele tem uma curiosidade que é difícil de saciar. 

- Hum, será que ele vai fazer o parto. - Hyukjae se estremeceu ao meu lado. - O que foi? 

- Não sei, está frio. Bom Wookie já fez parto de alguns animais antes para saber como se fazia, mas de humanos não. 

- Espero que ele faça certinho. 

- Não seria mais fácil se chamássemos um especialista? 

- Nenhum desconhecido toca no meu corpo. - Disse mostrando um rosto pensativo, Eunhyuk soltou uma risada. Olhei para cima e percebi que a arvore que nós estávamos era uma macieira. Mas uma maçã me chamou a atenção, ela era tão vermelhinha, parecia ser tão suculenta. Eu a queria. 

- Eunhyuk, pega aquela maçã para mim? - Perguntei manhoso. 

- Qual maçã? - Ele perguntou, apontei para a tal maça e Hyukjae soltou um gemido - Você quer justamente a que está mais no alto? 

- Sim - Sorri. 

Eunhyuk se levantou olhando para cima tentando calcular o que deveria fazer para obter a maçã. Não era tão difícil era só subir alguns galhos e pegar ela. Mas estamos falando de Hyukjae o cara mais problemático do mundo. Ele escalou a arvore sem muito esforço. Foi se pendurando nos galhos como um macaquinho, ele tentou chegar mais perto da maça mas algo o impedira. 

- Aconteceu alguma coisa? - Gritei para ele. 

- Se eu der mais um passo eu caio. 

- Pegue logo essa maçã que eu estou com fome. - Esbravejei. Eunhyuk me olhou assustado como se não esperasse aquilo de mim. 

- Você se importa só com a sua fome do que com o meu bem estar? 

- Eunhyuuuuuuuuuuukkkkkkkkk, anda logo. - Disse fazendo um biquinho, Hyukjae suspirou e deu pequenos passos e estendendo seu braço direito para pegar a maçã. 

Mais alguns passos e ele a pegaria, faltava pouco. Eunhyuk tentou dar mais um passo cuidadosamente, ficando na ponta do único galho grosso que a árvore tinha. Esticou até os dedos tentando pegar a maçã, finalmente a tocando. Tentou dar mais um passo, mas recuou assim que sentiu que iria cair, jogou seu tronco para frente tentando alcançar a maçã, e…… Conseguiu. A maçã caiu no chão, me agachei e a peguei limpando-a com a camisa. Ouvi um barulho, me virei e ví Hyukjae deitado sobre um montinho de folhas secas. 

- Está tudo bem aí Eunhyuk? 

- Que tal vir me ajudar a levantar? 

- Não dá, estou comendo. - Disse brincando, Eunhyuk fechou a cara, ahh ele estava bravo. - Obrigado. 

- Pelo menos não é mal agradecido como Kyunnie. 

- Você pegava frutas pro Kyunnie. 

- A diferença entre você e ele, é que ele tinha lombriga na barriga ao invés de um feto. Mas se for por você eu perdôo. - Depois de saborear a suculenta maçã voltamos ao nosso passeio desfrutando do dia, e rindo de tudo que nos cercava. 


[:: P.O.V. HENRY::] 

Estava andando pelo Palazzo quando vi Sungmin sentando em um banco perto do jardim. Estava sozinho parecia estar pensando. Essa seria uma chance boa para mim, afinal eu já não era mais aquele garotinho que ele sempre brincava, agora eu sou um homem tenho sentimentos e estou machucado por ver a pessoa que eu tanto amo se destruir por outro homem. Caminhei de vagarosamente até ele, sentando ao seu lado. Sungmin percebera a minha presença, olhou para mim e esboçou um sorriso. 

- O que faz aqui? - Perguntei. 

- Apenas pensando. 

- Sobre algo ou alguém? - Sabia que a respostas era Hyukjae. 

- Alguém…. Não sei o que devo fazer. 

- O que quer fazer? - Perguntei, não posso me declarar se eu não souber de seus sentimentos. 

- Não sei também. 

- Eu conversei com Hyukjae, antes de virmos para cá. - Sungmin, que antes olhava para frente, agora me encarava surpreso. - Antes de te conhecer ele já gostava de alguém. 

- Ahh sim o Donghae. 

- Pois é. - Vi algumas lagrimas caírem do rosto de Sungmin, me aproximei dele e as enxuguei. Sungmin me olhou como se estivesse me agradecendo. Como aquilo me doía, não quero vê-lo desse jeito, tenho que dizer a verdade, mesmo que isso o machuque agora, para no futuro trazer sorrisos á ele. - Acho que está na hora de você deixar ele viver. 

- O que quer dizer? Que devo desistir dele? - Perguntou começando a ficar nervoso. 

- Sungmin, não vê que isso está te machucando? Você só se importa com ele? 

- Henry o que voc… - Não permiti que ele continuasse apenas deixei o que pesava em meu coração. 

- Você só se importa com os seus sentimentos. Hyukjae está feliz com Donghae, eles estão esperando um filho, estamos no meio de uma batalha, Hyukjae precisa de alguém que o apóie a todos os momentos que enxugue suas lágrimas e esse alguém é o Donghae e não você. 

- Farei com que seja eu. - Sungmin não estava entendendo, já sentia as minhas lagrimas quererem sair, mas as segurei. 

- Você não está sofrendo aí, vendo a pessoa que você gosta sendo feliz? - Sungmin assentiu - Eu estou sofrendo porque a pessoa que eu AMO não me percebe. - Os olhos de Sungmin se arregalaram. 

- Donghae não te olha? - Aish estava começando a ficar mais irritado. 

- Como posso gostar de meu próprio irmão Sungmin. ESTOU FALANDO DE VOCÊ. - Não esperei muito e puxei Sungmin para perto de mim, dando-lhe um beijo. De início ele não fizera nada, mas logo respondeu as minhas carícias. 

O beijo foi salgado, suas lágrimas haviam se misturado, mas podia sentir o leve gosto de canela que os lábios de Sungmin me trazia. O beijo foi diminuindo, paramos por falta de ar. Sungmin me olhara surpreso, até eu fiquei estupefato nunca me imaginei fazendo tal ação, eu sempre fora um garoto envergonhado e tinha medo de confessar meus sentimentos, e agora eu tomei a iniciativa de beijar Sungmin. 

- Eu te amo Sungmin, e espero que nunca mais me machuque como está fazendo agora. - Disse saindo deixando ele sozinho com seus próprios pensamentos. 

Eu também precisava pensar mais, o fato de ter beijado Sungmin poderia até afetar nossa amizade, e eu não queria isso, mas eu precisava mostrar a ele que eu estou ao seu lado para ama-lo incondicionalmente. Quando passei pela porta da cozinha me deparei com o meu pai. Ele estava enconstado na porta olhando para mim com um olhar de preocupação. Sabia que ele havia visto. 

- Éeeh, pai… Me d-desc… 

- Não se preocupe, sei que andou sofrendo, sempre te espiei quando você ficava a sós com ele. 

- Não sei o que devo fazer - Abracei Leeteuk e deixei as lágrimas rolarem. Senti as mãos do líder em minha volta me aparando e me dando conforto. 

- Pode chorar meu pequeno, papai está aqui pra quando precisar. 


[::P.O.V. HYUKJAE::] 

Depois de voltarmos de nosso pequeno passeio, um guarda veio até mim e Donghae dizendo que o Rei Doojoon queria nos ver. Sem soltar a mão de Donghae seguimos até a sala de jantar onde todos nos aguardavam. Mas a atmosfera estava tensa, tentei olhar rapidamente para ver de onde vinha essa tensidade, e percebi que Henry se sentara longe de Sungmin, que o encara envergonhado. Olhei para Henry que me olhou como se dissesse que me contaria depois. 

- Finalmente chegaram, achei que teria que mandar alguém atrás de vocês. - Disse Doojoon. 

- Sei que sentiu minha falta general. 

- Acabo de perceber você fala comigo ironicamente. 

- Hum… Percebeu só agora? 

- Você é único que fala comigo desrespeitosamente. Não gosta de mim Hyukie - Senti minha mão se apertar, olhei para Hae que estava com a cara fechada, pelo visto ele não gostou de ver o “Rei” me dar um apelido. 

- Não gosto ou gosto não importa, só não acho que você seja um rei. 

- Bom, então voltando ao assunto. Recebi informações de Memphis. Gostaria de saber se Hyukjae está disposto á conquistá-la para mim. 

- Mas ela não é sua? - Perguntou Donghae. 

- Era, mas o bentidos Redentores me tomou quando eu estava prestes a mudar o Palazzo para cidade, para não perde-la pedi para meus guardas vigiá-la e quando eles virem que podíamos tomá-la de volta, eles avisariam. 

- E quem disse que o ajudarei? - Perguntei. 

- Redentores, sei que você está louco para matar um. 

- Você acaba de ter a minha atenção em você vossa “majestade”. - Doojoon soltou um riso abafado e explicou seu plano para nós nos mínimos detalhes. 

Deveríamos invadir Memphis durante a noite, que segundo Leeteuk era um período em que os Redentores rezavam e deixavam sua guarda baixa. A cidade de Memphis é protegida por Redentores, devem ser os que são especialistas em guerras e armas. Segundo Doojoon, eles ficam escondidos em moinhos e se revezam em turnos. Também foi dito que tais Redentores nunca permitiram que alguém de fora entrasse. Tínhamos que atacar de um dos moinhos mais altos, e com rapidez. Não seria fácil. 

Além de discutirmos sobre que tipo de armas usar e estratégias, Donghae implorou para que me acompanhasse. 

- Não – Disse autoritário. 

- Mas Eunhyuk, eu quero ir. – Resmungou ele. 

- Donghae, isso não é um passeio, é uma invasão. 

- Mas eu não quero que vá sozinho. 

- Não estou indo sozinho Hae-ah, apenas fique e me espere, eu vou voltar. 

- Eu quero ir junto – Resmungou novamente. 

- Donghae, você está grávido. – Pronto tudo o que eu menos queria aconteceu. Fiz Donghae chorar. 

Donghae saiu correndo da sala de jantar, Leeteuk me lançou um olhar de reprovação e seguiu o filho que provavelmente estaria no quarto. Olhei para os outros e logo estabeleci as minhas regras. 

- Apenas alguns vão, quero que alguém fique aqui com Donghae. Siwon KangIn, Kyuhyun e Leeteuk irão comigo, Sungmin e Henry fiquem. 

Todos os presentes assentiram. Marcamos de nos encontrar á meia noite, que seria o horário perfeito de começar a nos instalar. Enquanto os outros de preparavam, caminhei até o quarto onde Hae deveria estar. Abri a porta com cuidado pondo a cabeça primeira, vendo Leeteuk de costas sentado na cama. 

Andei até o líder, ao me aproximar dele toquei em seus ombros mostrando que deixasse comigo, ele assentiu e saiu me deixando a sós com o mais novo. Sentei na cama e respirei fundo. 

- Donghae. Está bravo comigo? – Perguntei. 

- Estou. – Suspirei, quando Hae tinha que ser teimoso ele era até os últimos segundos. 

- Hae, eu apenas não quero que vocês se machuquem, tente entender isso. – Donghae se sentou na cama me olhando. 

- Só por que eu estou grávido eu tenho que ficar incluso de tudo o que vocês fazem? – Donghae não deixou de segurar as lágrimas, que rolavam por seu rosto livremente. Sequei as mesma com as pontas de meus dedos. 

- Hae-ah, você não está grávido de um humano, lembre-se que eu estou passando por dificuldades, olha só o meu corpo, estou virando uma cicatriz gigante. 

- Mas isso não é motivo para me deixar sozinho. – Ah ele sabia que eu tinha uma grande obsessão por seus biquinhos, ele fazia aquilo de propósito. 

- Donghae, você é o homem que eu amo e está cuidado da segunda pessoa que amo, que é o nosso filho. Se algo acontecer com vocês dois, eu não terei motivos para viver. Estou lutando contra todas as minhas forças para não deixar a besta tomar conta do meu corpo, só por vocês. 

- Sim, eu sei, mas tenho medo de que você não volte. – Ah, então era isso que estava afligindo o meu pequeno. Apenas o abracei fortemente. 

- Donghae você não vai se livrar de mim tão fácil. 


Era a hora de irmos, estávamos todos prontos e parados no portão do Palazzo. Donghae não queria me largar já dei cerca de dez abraços nele. 

- Ah para com essa melação, não vamos demorar Donghae, então larga ele. – Reclamou Kangin. 

- Quando você arranjar alguém que te agüente você vai entender o que sinto seu chato. – Respondeu Donghae, tive que dar risada, até nesses momentos eles brigavam. 

- Heechul, cuida dele heim, se eu achar alguma coisa errada nele… 

- Você não vai fazer nada, hum, - Esbravejou Heechul logo depois soltando um sorriso – Apenas volte logo, posso ter o ouvido ele reclamar por cinco anos, mas agora que os hormônios estão a flor da pele, acho que vou precisar de muito ouvido. 

Depois de tanta despedida rumamos para Memphis juntamente com um exército que Doojoon fez questão de levasse. Chegamos no moinho Duffer juntamente com o ‘’exército’’. De onde estávamos podia-se notar cerca de 230 Redentores estavam de guarda no momento. 

- Fiquem de olho em tudo o que acontece a sua volta - Eu gritei para os outros – Pois um pequeno erro e a morte dá de cara com vocês. 

Para sabermos exatamente como eles atacariam, peguei algumas pedras e corri para outro ponto, deixando os outros sozinhos. Ataquei algumas pedras e prontamente uma chuva de flechas veio em minha direção. Com muita dificuldade consegui esquivar de todas. Voltei para onde os outros se encontravam e assim a as flechas pararam. 

- Viram, então fiquem atentos. – Todos assentiram. 

Dei uma rápida olhada nos Redentores e pude ver que aqueles deveriam ser os mais fracos, se não estariam aqui. 

Montados em cavalos, é nós levamos os pobres bichinho mesmo com Heechul gritando conosco dizendo que eles não mereciam tal morte, e fomos até a elevação do morro. Logos os soldados passaram pelo morro e aos poucos aumentavam a velocidade no meu ritmo, seguindo mais rápido em direção ao morro seguinte, enquanto os Redentores preparavam o próximo ataque. 

Os Redentores devem estar pensando nos soldados que estavam por vir, e não nos que estavam se escondendo próximo á eles. Os cavalos prontamente sentiram pavor, afinal não foram treinados para combate, e deixaram os soldados onde estavam, tínhamos que seguir á pé mesmo. Desmontamos rapidamente e fomos de encontro com os Redentores. 

A primeira fileira de Redentores praticamente sumiu, alguns soldados estavam com tanta raiva por ter deixado a vida boa de lado para estar fazendo aquilo, que acabaram descontando suas raivas nos Redentores. Segui á procura do Redentor líder, mas sentia que alguém estava a me seguir, me virei e pude ver Siwon e Kyuhyun tomando conta do Redentor que tentara me atacar. Mas se isso fosse o único estaria tudo bem, pois um garoto que parecia nos seus 18 anos vinha em minha direção. Bom não sou um homem gentil quando se tem alguém que quer me matar. 

Tirei a faca, que estava guardada em meu bolso, e acertei a garganta deixando a ponta do objeto sair pela nuca. Golpeei com muita força, fazendo com que os outros que estavam atrás do Redentor, que agora estava morto, me atacar de uma vez. Avancei agarrando o homem á minha esquerda pela cintura, e ao desequilibrá-lo joguei contra o segundo Redentor, impedindo que desse algum golpe. Usei umas das táticas mais ridículas e pisei no pé do Redentor, que gritava de agonia provavelmente eu quebrei algum osso. Ao cair, empurrei contra o terceiro Redentor que cambaleou de costas só para ser apunhalado por Leeteuk. O segundo Redentor se levantava não pude esperar a esfaqueei suas costas rasgando a carne do quadril até o pescoço. Prontamente um quarto Redentor apareceu tentando me atacar, mas dei um golpe em cima dos genitais, ele caiu apesar de toda a coragem, se contorcendo e agonizando. 

Os Redentores pararam por um tempo, assustados com o massacre que viram, alguns direcionavam os olhares para mim, que estava todo sujo de sangue. Dei um grito para juntar os soldados fazendo com que todos se reunissem á minha volta, e recomeçar a batalha. Eu sabia do perigo que corria naquele lugar, todos os Redentores, provavelmente, sabiam sobre mim e talvez saibam o que deve me fazer perder. Algumas flechas, vinda de monges quase me acertaram, mas consegui me esquivar de todas. Avancei para evitar as lanças, tendo Leeteuk e KangIn como escudos. Os Redentores tinham que nos atacar ou ficariam expostos, sabia que o plano daria certo, mas agora o declive que protegia os Redentores não era o suficiente para bloquear os ataques dos soldados reservas. Os soldados reservas tinham ficado no morro para atirar as chuvas de flechas quando necessários, ou seja, a toda hora. Os Redentores estavam espremidos pela parede de soldados que eu havia montado. Faltavam 30 metros para chegar perto de onde o Redentor líder estava, e a cidade seria nossa. 

O Redentor Líder deles era o Redentor Bosco, que apareceu entre os outros Redentores. Ele estava parado analisando e parece ter visto que a única maneira de nos parar era destruir a parede dos soldados. Ouvi dizer que ele adorava fazer da vida dos acólitos um verdadeiro inferno, nunca tive aulas com ele, pois tinha o Redentor Zhoumi para isso. Diziam os boatos que suas palavras eram como espinhos, e agora ele era o capeta em pessoa, convidando as almas a irem ao seu canto. Como a maioria dos Redentores, ele carregava uma espécie de pá. Tentei analisar o objeto, sendo protegido pelo meu sogro e cunhado. Credo pensar nisso me dava…. Concentração Hyukjae você está aqui para lutar analise logo essa pá. 

Ela Parecia ser leve cabo de bambu, um quadrado de aço afiado nos três lados. O tal Redentor gritou para que os outros o seguisse e assim ele conseguiu quebrar a minha parede. Atacando com habilidade e loucura divina lado a lado. Ele arrancou a cabeça de um dos soldados como se fosse um ovo do café da manhã. Uma morte instantânea e misericordiosa que chocou os soldados, deixando-os sem vontade de continuar a lutar. O soldado a seguir levou um golpe violento da pá bem no maxilar, deixando sua língua ser decepada. O golpe seguinte arrancou um braço e depois um pé. Eu queria vomitar de ver aquilo, mas estava muito ocupado me preparando psicologicamente para atacar o Redentor Bosco. 

O Redentor Bosco viu uma brecha para me atacar, sendo que eu recuei para a esquerda, mas não fora o suficiente, ele continuara a me atacar. Tudo acontecia de uma forma lente, os Redentores que seguiam Bosco agora pareciam estar cheios de vontade e coragem, enquanto os mesmo juntamente com os soldados eram mortos. Tudo ficara mais claro, eu e o Redentor Bosco frente a frente, mas ele deu uma brecha pra mim. Ao perder tempo me analisando e me desprezar por parecer tão jovem. Desviei de uma lança curta, que passou assoviando e acertou no calcanhar do soldado que tentava fugir. 

Peguei a lança do calcanhar do soldado, enquanto o Redentor abria o estomago de um dos soldados, segurei a lança em meu ombro dei dois passos e a atirei. Não é por nada não, mas a lança parecia dançar no ar o que me deixou impressionado. A lança acertou o Redentor que rompeu a bexiga, arrebentou a pélvis e saiu pela nádega. Ele desabou em agonia, sangue e urina, o maldito estava prestes a morrer mais ainda assim infernizava. 

- Você acha que você seu namoradinho grávido vão sair dessa? Estão enganados. 

Por ele ter falado de Donghae daquela maneira, peguei a lança retirei de seu corpo, sem nenhuma piedade, a lancei em seu peito, dando-lhe o gosto da morte. 

- Nunca fale de Donghae desse jeito. – Esbravejei. 

Mas um grito de ‘’cuidado’’ vindo de Kyuhyun me despertou, Redentores sedentos por vingança vieram em minha direção. Mas só um chegou, pois Kyuhyun, Siwon e Leeteuk conseguiram segurar os outros. O Redentor que me atacara poderia ter me matado se eu não tivesse esquivado, me pus a observar o Redentor que parecia estar levando aquilo como um briga de rua, pois seus golpes eram fracos e desajeitados, porém rápidos, uma flecha que quase me acertou me chamou a atenção, mas graças aos gritos voltei à realidade, deixando a bondade de lado. O fato de ter ficando distraído deve ter dado ao Redentor uma chance, pois ele tentou me chutar, mas não deu muito certo, pois eu devolvi o chute, mas no seu pé em que usava de apoio. Antes de ele cair segurei em sua cintura e o joguei no chão, virei o oponente com uma calma, não minha, e peguei a faca, lutávamos baixo, e eu sempre me mexendo para mudar a posição para segura-lo melhor, juntei as minhas forças soltei seu braço e o golpeei. O Redentor tremia no chão enquanto eu levantava para entender o que estava acontecendo ali. 

Os Redentores pareciam mais fracos depois da morte de Bosco, a chuva de flechas voltava 

Enquanto o inimigo recuava. Os soldados avançaram ainda mais, deixando a vida dos Redentores serem contadas em minutos. 

- VENCEMOS – Gritou Leeteuk, depois de contestarmos que todos os Redentores estavam no chão e sem vida. 

Voltaríamos para o Palazzo com a boa noticia, mas tivemos que acampar no meio do caminho, pois estávamos muito cansados da batalha. Montamos um acampamento com as coisas que estavam presas nos cavalos, e descansamos. Já estava amanhecendo, eu ainda não conseguia dormir, pois para fazer isso eu teria que ter Donghae ao meu lado. Estava cuidando de meus ferimos, colocando os venenos nas feridas, quando Siwon se aproximou. 

- Está bem? 

- Os machucados do Santuário eram piores, vou sobreviver. – Respondi. 

- Que bom que seu plano deu certo, não é? 

- Mas sinto que algo não está certo. 

- Bom, desde que possamos voltar… – Disse Siwon se levantando – Estou indo dormir, tente descansar. 

Assim que Siwon saiu, o silêncio reinou o local, estava começando a clarear, não iria pregar os olhos. Escutei passos vindo de algumas moitas, me levantei indo em direção ao barulho e vi um Redentor tentando gaguejar algo, não iria matá-lo, pois ele morreria em breve, pois ele estava totalmente banhado no sangue. 

- V-v-v-ocê AC-h-há que ga-ga-ganhou? Es-es-espere até a lu-lu-lua cheia. – Dito essas palavras ele morrera. Ignorei totalmente voltando ao acampamento. Tempo depois voltamos para o Palazzo. 

Logo que chegamos fui surpreendido por um abraço de Donghae. Ahh como eu adorava aquele abraço. Senti minha camisa ficar molhada, o pequeno deve estar chorando. Empurrei Donghae para que pudesse encará-lo e enxuguei suas lágrimas. 

- Não disse que voltaria? 

- Se você não voltasse, eu te buscaria. – Soltei um riso, para mostrar a ele como eu estava bem. 

- Bom acho que merecemos uma festa não é pessoal – Gritou o Rei Doojoon. 

Durante o resto do dia foi só festa, afinal Doojoon tinha Memphis de volta, o povo dançava nas ruas da cidade grande, enquanto eu olhava para a lua pensando. Eu realmente sentia que eu havia errado em algo, mas não sabia onde. Foi muito fácil derrotar o Redentor Bosco, sendo ele tão falado e temido no Santuário. Algo estava errado, Memphis é uma cidade grande e foi protegida por apenas 230 Redentores, no mínimo. Se eu fosse o dono dessa cidade botaria uns 500 guardas em cada fronteira, e além do mais o número de morto foi muito pequeno. De 220 soldados que eu levei apenas 20 morreram, e os Redentores, nenhum sobreviveu. Só teriam duas hipóteses para isso. Uma eles eram muito fracos, segundo isso poderia ser uma armadilha. Mas armadilha do quê, para quê e por quê? Sem falar no que o ultimo Redentor Dissera, esperar até a lua cheia. Pelo que eu saiba o Redentor Zhoumi gosta de atacar na lua cheia, sempre dizia que era como se ela o ajudasse em suas ambições, mas aquilo não fazia o menor sentido. 

- Pensando no quê – Escutara uma voz conhecida. 

- Acho que falhei em alguma coisa, Hae-ah. 

- Hum.. aconteceu algo na luta? 

- Apenas um Redentor disse que a lua cheia…. 

- Que a lua cheia…? – Eu iria terminar a frase, mas não poderia dizer á Donghae, senão ele iria começar a ficar preocupado. 

- Nada, acho que deve ser algo da minha cabeça.

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