{Sagrado Santuário 2} Capitulo 4 - Sonhos


Já se passara duas horas desde que Sunny cairá no sono. A vontade de fechar os olhos e esvaziar a mente estava quase tomando conta de meu consciente. Queria deitar e descansar, mas não poderia, se não a besta entraria em minha mente e pegaria o manto de coro de animal forrado em ouro.

Siwon estava encarregado de cuidar do manto, Leeteuk e Junyoung olhava Sunny. Eu queria olhar a minha pequena de perto, queria poder protegê-la, mas nem chegar perto dela eu podia. Estava tão entediado que resolvi ler algum livro á respeito de Kaguya Hime, por que ela tinha essa ligação com a besta?

Estava tão interdito nos livros que mal vi as horas passarem. Logo Heechul entrou na sala aos prantos.

- O manto sumiu!

- O manto não está com Siwon?

- Então, estava comigo. – Pronunciou o moreno adentrando na sala. – mas de repente sumiu, como se fosse mágica.

Não demorei muito a correr em direção do quarto de Sunny, que estava em silêncio, olhei para ela, tentando ver se algo de anormal havia acontecido, mas tudo parecia normal. Me virei para sair do cômodo quando a voz da pequena se fez presente.

-‘’ Nunc obtento eo costumes quod non ardent in flamma extrema meorum, immortalis amica mea manicae sint sicci lacrimas meas et melancholia Video vos iterum hodie.’’* 

Olhei para trás vendo que Junyoung pensara em algo. Não era normal vê-la falando tais palavras, isso me deixa preocupado. Assim acordei a pequena e a levei para a sala junto comigo e com o resto do grupo.

- a manta sumiu, e precisamos saber como. Hyukjae acredito que poderás descansar agora.

- Por mais que eu queira, sinto impossível de fazer isso agora.

- Por quê?

- algo me diz que se eu cair no sono, algo de ruim acontecerá.

- você tem a gente aqui, pode dormir.

- não vou conseguir, não hoje.

- O MULEQUE OU VOCÊ DORME OU EU BOTO VOCÊ PRA DORMIR, ENTENDEU? – Gritou Heechul, e devo admitir estava com medo. Medo de encontra-lo e não ser capaz de salva-lo.

Me deitei no sofá, colocando a cabeça no colo de minha pequena criança, e fechei os olhos. Como era de se esperar de alguém cansado, caí no sono.

Novamente, eu e Donghae estávamos bem cima de um lago. Poderia dizer que é o mesmo, mas sentia que não era. Para ser mais exato tudo o que via era cinco lagos, onde dois brilhavam. Lembro-me bem, no lago de luz amarela foi onde a joia do dragão foi jogada, e na luz verde o galho de sakura. 

Donghae tinha seus olhos sem almas, em seus braços o manto. Como ele conseguira pegar, sem invadir a casa e os meus sonhos? Será que ao invés de mim ele pegou através de nossa Sunny?

Isso me deixava assustado, mas agora, nada me assusta. Sei que isso é um sonho, mesmo que seja real irei acreditar que é um sonho. Donghae jogou o pedaço de pano grosso, no lago abaixo de nós. Logo seus lábios começaram se mover.

- Se eu soubesse que esse manto queimaria sem deixar cinzas, eu não teria duvidado de sua veracidade; ao invés de lança-lo ás chamas, eu teria passado meus dias admirando-o.

Não, não sei sobre o que ele fala. Não, não consigo me mexer. Não, não tenho coragem o suficiente em puxar seus braços para mim, e acabar com a saudade que aos poucos me deteriorava. Aqui, nesse sonho eu era fraco, inútil. Era apenas um corpo.

Olhei para Donghae, que agora olhava para mim, pude ver que seus olhos estavam diferentes, era ele, ele estava de volta.

- Estarei te esperando Eunhyuk, eu acredito que você virá me salvar, por favor, continue humano, por favor...

Acabara acordando na melhor parte, se a besta era quem estivesse controlando meus sonhos, estava fazendo certo. Olhei para os outros que estavam ás espreitas dos livros. Sunny me olhava chorando, me sentei pegando a pequena em meus braços.

- Ele sabe Appa, ele sabe que você irá procura-lo.

Não tinha palavras para aquilo, Donghae ainda estava vivo, mas não sei até quando. Quanto tempo eu tinha? Olhei para o líder que logo entendeu a minha duvida.

- iremos voltar ao lago amanha, e dessa vez as crianças vão junto, não vamos arriscar deixa-los aqui sem proteção, por mais que alguém fique.

- e o que faremos agora, no momento?

- Hyukjae, pode começar a contar seu sonho, dessa vez eu irei levar o livro de maldições conosco, essa batalha está longe de ser lacrada como na ultima vez. – Suspirou Junyoung. – faremos o seguinte, Siwon, Heechul, Yesung vocês irão comigo para meu quarto o resto fique aqui.

O que sobraram, tiveram que ouvir o meu sonho. Uma coisa chamou a nossa atenção, Donghae me dissera ‘’continue humano’’, então o objetivo da besta é realmente usar o meu corpo para tomar forma, mas pelo que eu saiba, ela foi expulsa, a besta não pode voltar a menos que eu queira, e tenho certeza de que não quero.

Enquanto os outros se mantiam ocupados com o preparo de nossa viagem, eu estava divagando sobre formas de ter Donghae de volta. Estava com saudades do moreno, ficar perto de Sunny era difícil, pois seu sorriso, seu jeito me lembrava dele, seus beijos doces é o que mais sentia falta. Tudo era motivo de lembrança, cada cômodo daquela casa, era uma pequena peça de quebra cabeça chamada memória. 

Não aguentei e voltei a dormir, tentava escapar do mundo da qual pertencia para um que a felicidade era lei, se fosse infeliz era descartado. Em meu sonho estávamos todos juntos, felizes, sorrindo com cada besteira que Heechul falava. Nada era ruim, nada estava errado. Ali não existia ódio, inveja, luxuria avareza, nem medo.

Acordei com a minha filhinha, pedindo delicadamente para acordar, pois já estava na hora de partir. Sem qualquer motivo eu estava animado. Talvez por estar perto dele, ou do dia em que nos encontraremos de novo depois de alguns dias longe um do outro. Não sei ao certo. Durante o caminho, ficamos planejando o que faríamos. Deixamos claro, que não iríamos interromper a besta de continuar o ritual, ele irá invadir meus sonhos, colocando o Donghae, deixando meus sentimentos é flor da pele, me fazendo agir impulsivamente, correndo igual a um louco para fazer qualquer besteira que fosse só para deixar o meu amado vivo. Mas não era isso o que eu faria.

Claro que por Donghae eu faria qualquer coisa, mas eu não quero estar longe dele. Estou sofrendo silenciosamente, e claro que irei descontar naquela besta desocupada. Mas o que faríamos para alcançar a felicidade? Da ultima vez um encanto de julgamos ser eficiente, não nos ajudou muito, pois ele retornara e sequestrara Donghae. Agora Junyoung estuda uma forma de vencer a besta, mas para dessa vez dar certo, ele me proibiu de fiar sabendo sobre assunto. Não sei que tipo de encantamento é não sei o que será necessário para fazê-la, nem quando deve ser praticada.

Sunny e eu estávamos excluídos da sociedade, estava longe por precaução caso a besta invada nossos sonhos, ele pode descobrir o nosso plano. Mas o que o me deixava confuso era ele não invadir os sonhos dos outros. Segundo Junyoung, a besta viveu um longo tempo em meu corpo, ele criou um vinculo comigo, e por Sunny ter o mesmo sangue que o meu correndo em suas veias, ela também criou um vinculo com ele. Mas o vinculo de Sunny era mais fraco, por ela ser pequena, e a besta ter uma grande quantidade de energia. Por ele ter vivido tanto tempo em meu corpo, eu estou ‘’acostumado com sua presença’’.

Depois de seis horas de caminhada, paramos no mesmo lugar, onde estávamos da ultima vez. Se não fosse uma grande mudança no cenário. O castelo que antes era refletido no lago, agora era possível de se ver. Deixando mais claro, ele agora estava na superfície, estava ali uma passarela para entrar em um castelo, e julgando o tamanho, Donghae deve estar lá dentro e bem no topo.

- ótimo agora quem vai gritar para a Rapunzel jogar as trança, pra nós escalarmos? – Ironizou Heechul.

- Bem que você queria ser a Rapunzel, não é? – Rebateu Kangin

- Se o príncipe for Kibum, não ligo de ser o passivo.

- Então o Bummie é o passivo? – Perguntou Kangin malicioso.

- Não sei se vocês sabem, mas temos uma pessoa para salvar, então chega de brincadeiras.

- Falou tudo Appa. – respondeu Sunny.

Montamos o acampamento, esperando anoitecer, dessa vez caí no sono, sem ter visitas, me parecia que o próximo item do ritual iria demorar um pouco. Enquanto eu dormia, talvez não sei direito, Kangin e Kibum estariam vigiando o ‘’castelo’’, para ver se alguém saía de dentro.

Assim que acordei, tratei de ler alguns livros que Junyoung me mandara ler. Os livros falavam sobre Kaguya Hime. Todos os livros contavam as mesmas histórias. Mas qual era a ligação dos dois? Claro que algumas coisas entre os textos mudavam, como por exemplo, os cinco objetos, alguns ao invés do manto de coro de animal banhado em ouro, alguns falavam do manto do fogo de rato ou algo do gênero, mas nada que fizesse diferença.

- escutem isso. B- pronunciou Sungmin. – Além da lenda de Kaguya Hime dizer que a mesma voltara para seu reino na lua, á lendas que dizem que ao voltar um demônio, a engoliu para adquirir sua beleza e juventude eterna. Será que esse demônio não seria a besta?

- mas isso não refletiria no Hyukjae, assim a besta esteve dentro de seu corpo desde que nasceu.

- pode ser que a besta exista desde antes, vocês não lembram das palavras do Redentor Zhoumi? Ele disse que a besta era a fúria de Deus em carne e osso.

- então pense Kyuhyun essa lenda têm séculos, as visões de Zhoumi têm anos. Você não acha que têm uma grande diferença?

- O tio Kangin está certo Appa, e outra coisa que não faz sentido é dizer que a besta veio a mando de Deus.

- Minwoo, estou ficando com medo de você. – Disse Heechul, Siwon pegou o pequeno garoto no colo, escondendo o rosto dele em seu pescoço.

- Onde ele aprende isso? – Perguntei. 

- Minwoo puxou Siwon ele adora ler.

Deixamos a conversa fiada de lado e nos concentramos nos livros. Não tinha nada para se fizer ali, e o fato de eu estar tão perto de Donghae, me deixa ansioso, quero sair correndo e salva-lo, mas tinha que esperar a hora certa. Até eu tinha dado a ideia de invadir agora, já que a besta está em um momento vulnerável, mas Junyoung disse que enquanto a besta tiver o controle de Donghae, nada que fizéssemos ajudaria e sim pioraria.

O dia se passou, e tudo o que fizemos foi estudar maneiras de se invadir um castelo. Mas meus pensamentos estavam no topo daquela montanha, era lá que o meu Donghae estava então nada mais me importava, eu quero cumprir a minha promessa com Sunny eu vou trazer o meu marido de volta, iremos ser uma família feliz como fomos durante esses últimos quatros anos, e nada, nem sequer aquela besta irritante iria me impedir de realizar tal sonho.

A noite chegara, e uma coisa me chamara atenção. Era lua cheia, de novo. Desde que Donghae fora levado pela besta, as noites eram de lua cheia. Isso era irritante, aquela besta têm uma fascinação pela lua cheia ou é impressão minha? Mas nada falei, apenas fechei meus olhos e me pus a dormir novamente. Apesar de não estar cansado eu sentia a necessidade de fechar os olhos, de parar o mundo, parar o tempo.

Estava eu e ele de novo. Dessa vez andávamos em um caminho de pedras. Era noite e tudo estava silencioso. Andamos sem falar nenhuma palavra, queria aproveitar sua presença, que voltara a ser sem vida. Como aquilo mexia comigo. Andamos até uma criança, que dormia debaixo de uma arvore junto com seus amigos. Em seus braços estava um objeto, não sabia direito o que era. Donghae se abaixou pegando o tal objeto e logo voltou a caminhar.

Novamente, em cima de um lago. Um nome me veio á cabeça, talvez seja o nome do objeto que foi jogado nas águas escuras do quarto lago. Leque, ele brilhava como os raios do sol.

- Você não vinha a muito tempo, é verdade que eu esperei pelo Caurim absorvido de concha para não aproveitar sua presença, assim como lá não há pinheiros, nem conchas na desolada Enseada de Sumi, a qual ainda é evitada pelas ondas?

- O que é Caurim? – finalmente minha voz saiu de minha garganta.

- é o outro nome do leque, Hyukjae, falta apenas um item e logo nos encontraremos.

Os olhos sem alma, a voz sem vida, tudo era tão... Assustador. Apesar de minha visão com Donghae ter acabado, não pude acordar. Estava cansado, precisava de um tempo só meu, e seria agora. Se não fosse pela besta se infiltrar nos meu sossego.

- Olá Hyukjae, quanto tempo.

- Na até aqui você enche o saco?

- Vejo que você e seus amigos estão acampando no meu esconderijo.

- Esconderijo? Até um cego pode ver isso. – eita piada tosca.

- Não demore para me visitar. – logo Donghae estava ao seu lado, com um olhar de assustado, o braço da besta paçava pelo pescoço do moreno, - seu amado sente sua falta também.

- Larga ele. – A besta mostrou a língua e lambeu o rosto de Donghae, que soltara um gemido.

- Gostoso.

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