{Dance For You} Capitulo 6 - Blood Mary


Como é a sensação de ser abraçado pela pessoa da qual você ama? Só tenho uma resposta, é uma das melhores sensações que eu já senti. Donghae, meu anjo, está me abraçando com sua cabeça repousada em meu peito. Sua respiração tão próxima de mim me deixa arrepiado.

Por mais que quisesse ficar com ele, naquela posição, teríamos que voltar á sala de aula, pois o sinal batia naquele momento. Empurrei, de forma delicada, Donghae, acabando com a proximidade que havia entre nós. Seus olhos procuraram pelos meus, assim esboçando seu sorriso que me cativara. Baguncei seus cabelos de cobre sentindo a maciez de seus fios. Estiquei minha mão para que ele a segurasse e virei meu corpo para sairmos das escadas de emergência, para ir á sala de aula.

- Vamos?

- Não é muito seguro sairmos agora. – disse Donghae deixando seu rosto sério de repente.

Uma aura assustadora começou a pesar sobre o ambiente. Sentia uma presença atrás de mim, mas sentia meu corpo congelado no medo, assim não podendo me virar para ver quem seria. Olhei para Donghae, esperando algo dele como um aviso, mas ele simplesmente olhava para além de mim.

- Têm um espírito atrás de mim, não é?

- Não, na verdade não. Mas têm um espírito que está a sua procura.

- Como assim?

- Por ter ido até o Falls School, um espírito de chamou. Lembra que você machucou o braço? – Assenti ao lembrar-me do corte profundo, que provavelmente fora com um prego. – Então, seja lá o que te cortou tem algum vestígio de seu sangue. O espírito sentiu o cheiro do seu sangue, assim podendo sair á sua procura.

- E o que fazemos agora?

- Vamos sair daqui.

Donghae segurou minha mão e assim saímos das escadas, correndo pelos corredores. Alguns alunos nos olhavam assustados, mas alguns gritos de pavor, principalmente vindo de meninas, ecoaram pelo local. Olhei para trás vendo aquele ser, que havia visto no laboratório do colégio sombrio. Dessa vez seu rosto estava mais coberto pelos cabelos, nas mãos uma faca com sangue pingando no chão, formando uma trilha. Seu corpo curvado e cabelos negro lisos caindo pelo ombro, eram de dar uma sensação de medo, de que teria que correr muito para poder sentir a paz. A cada passo que dava aquele ser, uma luz se apagava, me fazendo sentir como em um filme de terror.

Olhei para frente, tentando descobrir para onde corríamos, estávamos indo para o lado de fora do prédio, onde provavelmente teríamos luz. Acredito que esse tipo de espírito não goste de luz natural. Novamente virei para trás, assim sentindo o ar gelado do rosto desestruturado do espírito, bater de contra o meu. Senti minha respiração pausar por causa do pânico, em mente pensava que iria morrer.não conseguia piscar, estava em pânico, eu via aqueles olhos cinzas mortos e a pele cheia de cicatrizes acinzentadas, a boca estava roxa e rachado.

Senti meu pulso ser puxado, Donghae tampou meus olhos, me pegando no colo.

- Mantenha os olhos fechados, abra apenas quando eu mandar.

Assenti, apenas pousando meu rosto nas costas de Donghae, sentindo seu corpo se mexer por causa da corrida. Não sei como ele poderia correr comigo em suas costas, eu deveria ser pesado demais para ele. Não demorou muito em parar de correr, assim sentindo meu corpo descer do seu, mesmo estando de pé não abri meus olhos, apenas o fiz quando senti as mãos de Donghae puxando meu rosto, assim pousando seus lábios em minha testa.

Abri meus olhos, vendo que estávamos em um jardim, não era um lugar da qual eu conhecia, muito bem pelo contrário, estávamos em um lugar desconhecido. Olhei ao redor, vendo que atrás de nós havia uma mansão branca e bem bonita. Fitei Donghae me perguntando que lugar seria aquele.

- É a minha casa. Ficarás seguro aqui.

- Um anjo mora em uma mansão?

- Bom não moro sozinho, moro com meu irmão gêmeo, meu cunhado e, digamos, meu tio e primo.

Suspirei admirado, ele parecia ser um garoto normal, com família normal, que mora numa mansão podre de rica. Como ele pode me surpreender cada vez mais?

Caminhamos até a porta da mansão, e fomos atendidos por um garoto baixinho e esminliguido, ele tinha um doce sorriso, e nos atendeu bem.

- Hae-ah, que bom que você chegou, estávamos preocupados. – O baixinho olhou para mim, fazendo uma cara de assustado. – O que ele faz aqui?

- Bom, se tiver uma ideia melhor, me diga.

Donghae entrou na casa segurando a minha mão com força, deve sentir medo de eu querer fugir. Passamos por uma sala, onde havia um grande sofá, com uma mesa de centro, e uma das paredes havia uma grande estante com uma televisão. No sofá estavam algumas pessoas sentadas sem silêncio. Ao ver que Donghae havia chegado todos se puseram de pé, e como o baixinho, me encaram com surpresa.

- Cedo ou tarde ele viria aqui. –Disse um cara de cabelo negro com cara assustadora.

- Bom, Hyukjae, - Donghae começou apontando a cada pessoa, primeiro o esmilinguido, depois o assustador, seguido de um menino fofo e depois aquele que eu já conhecia no colégio sombrio. – Esses são Ryeowook Yesung Henry e Sungmin.

- Prazer em conhecê-los. – Fiz uma breve referência.

Sungmin veio até mim, segurou meu braço e me conduziu até o sofá, me fazendo sentar, ele olhou para o tal de Henry que saiu do local, e voltara com um copo de suco de laranja, me ofereceu em forma de me acalmar.

- Bom, foi cedo, então poderiam os dois me contar o que aconteceu?

- Parece que o espírito do laboratório o chamou, assim conseguindo seu sangue e agora ele está livre. – Resumiu Donghae.

- Bom isso é estranho. – Comentou Sungmin. – lembro-me de quando entrei lá, nunca aconteceu de me machucar ou algo do tipo, porque agora o espírito iria querer agora?

- Você garoto. – Disse o assustador. – Passe a noite aqui, cuidaremos de seus pais. Ryeowook venha comigo.

Os dois saíram da mansão com um capuz, olhei para Donghae tentando achar alguma coisa que pudesse clarear a minha mente. Estava confuso de mais, a alguns minutos atrás eu estava na escada de emergência junto com Donghae, sentindo e me declarando para ele, depois uma atmosfera e um espírito veio atrás de nós, e agora estou na mansão de Donghae, junto com o carinha que gosta do meu professor de educação física.

Donghae se sentou ao meu lado, segurou minha mão de forma doce e gentil, transmitindo a sua calma para mim. Alguns segundos depois, ele me puxara levando-me até o segundo andar da mansão, abriu uma das portas, revelando um quarto bem arrumado e bem iluminado. Entrei no cômodo, ouvindo a porta se fechar atrás de mim.

- Irás dormir aqui, descanse.

- Pode me dizer o que está acontecendo? Quero saber de tudo, estou confuso de mais.

Donghae pousou suas mãos em meu rosto, selando nossos lábios rapidamente, logo depois segurando meu olhar sobre o seu.

- Eu sei que estás confuso, mas te peço que aguente mais um pouco, e logo tudo fará sentido.

- Entendo, tentarei ser paciente.

- Obrigado.

Donghae saiu do quarto, após deixar a instrução de que eu fosse tomar banho e fosse dormir. Entrei no banheiro, vendo que em cima da pia, havia uma muda de roupas limpas, provavelmente para eu coloca-las. Despi-me, e entrei na banheira, sentindo a água quente relaxar meus músculos, toda aquela tensão, aquele medo que sentira mais cedo, agora se fora. 

Minha mente divagava sobre os acontecimentos do dia, talvez eu esteja ficando louco, ou que isso seja apenas um sonho. Ver aquele espírito em minha mente me deixara tão assustado que pensar nele novamente, podia me trazer os arrepios, assim me fazendo abrir os olhos, mas nada adiantara, pois a figura estava na minha frente, sentada na banheira, na mesma posição que eu. Soltei um grito saindo da banheira. Coloquei uma toalha em minha cintura, fitando novamente o lugar onde o espírito estaria, mas nada encontrara.

Batidas na porta me assustaram, mas logo reconheci a voz de Donghae. Abri a porta, vendo que ele sentira-se envergonhado em me ver só de toalha. Do anda o professor Kyuhyun surgiu empurrando Donghae, e me olhava preocupado.

- O que aconteceu?

- E-ele, ES-es-es-es-tava ali, sentado na banheira, na-na-na minha frente.

- Ele quem?

- O espírito do laboratório, ele estava ali na banheira.

- Ele está muito assustado. Donghae leve ele para seu quarto, faça-o vestir uma roupa, e não o deixe dormir.

Donghae assentiu, passou seus braços sobre meus ombros, me fazendo andar até seu quarto. Ele abriu a porta, e a fechou assim, me sentando em sua cama. Ele abriu a porta do guarda roupa e as me deu para que as vestisse.

- Se acalmou?

- Sim,só preciso trocar de roupa.

- Ah.

O rosto de Donghae ruborizou o que deixara mais fofo. Levantei-me indo até seu banheiro, e fiz força para não pensar naquele espírito. Troquei de roupa, e sai do banheiro, sentando ao seu lado novamente. Donghae estava com o olhar vidrado em algo, parecia pensar em algo. Talvez eu o deixe preocupado, eu até poderia fazer algo para mantê-lo longe, assim não o fazendo passar por tais experiências. Mas acredito que não aguentaria ficar sem ele, agora que provara de seus doces lábios, e sabia de seus sentimentos, eu tenho certeza de que não terei forças o suficiente para poder ficar longe dele.

Segurei suas mãos com força, mostrando que eu estaria bem, desde que ficasse ao seu lado. Passei um dos braços em seus ombros, deixando sua cabeça pousar em meu peito. Senti o cheiro gostoso de morango que exalava seus cabelos.

- Hyukjae, me prometa, que se sentir algo o incomodando, irás me contar?

- Prometo, Donghae, eu prometo.

-x-
Estavam todos reunidos em um dos salões principais. Parece que eles finalmente acharam uma solução, ou apenas sabem do que se trata o assunto. Apenas sei que eu me sinto deslocado, não era para eu estar aqui, eu tenho a leve sensação de ser o único humano, pois nenhum dos outros comiam ou bebiam algo, eles eram pálidos mas pareciam ter muita energia e uma saúde de ferro.

- Bom, primeiro, baseado no que me contaram, Hyukjae entrou no colégio Falls School, assim deixando uma gota de seu sangue, certo? – Disse Yesung, logo continuando ao ver que assentimos. – Então o espírito, está atrás dele, e o encontrou porque sentiu seu cheiro.

- Isso não faz sentido, o que um espírito iria querer com o sangue dele? – Perguntou Ryeowook.

- Obvio, o espírito do laboratório, pelo menos aquele que vimos, fora o primeiro a morrer naquele lugar, digamos que era um homem. – Esclareceu Donghae.

- Tá e o que isso têm a haver?

- A primeira pessoa morta, teve seu sangue sugado, assim deixando sua alma perturbada divagando sobre o mundo dos humanos. – Respondi recebendo um olhar de surpresa dos outros. – O que foi? Estou errado?

- Como você sabe disso? – Perguntou Donghae.

- Quem nunca ouviu falar sobre as mortes daquele colégio.

- Bom, mas eu lembro que quando eu entrei pela primeira vez, eu desmaiei. E quando acordei tive as mesma visões, de que o espírito havia entrado no meu quarto. – Disse Sungmin.

- Porque você foi lá? – Perguntei.

- Já deve ter ouvido falar sobre o aluno transferido, pois é sou eu.

Fiquei boquiaberto ao saber tal revelação. Nunca imaginara que Sungmin era o aluno transferido. Bom entendo agora a relação deles. Naquele dia no jardim Sungmin segurava a mão de meu professor, mostrando que havia intimidade entre eles, então Kyuhyun deve ser o fantasma. Vendo que o esmilinguido e o assustador não se largam, eles devem os amigos, e o garoto pequeno deve ser o vampiro que esperava pelo dono, o tal de Henry. Então Donghae deve ser o irmão de um deles, e considerando o jeito fofo dos dois, deve ser irmão mais velho de Sungmin. Bom agora que penso desse jeito, posso acreditar que estou numa mansão de vampiros. Não sei o que é pior, mas enfim.

- O que acontecerá agora? – Perguntou Henry.

- Bom, Hyukjae irá demorar agora para esse espírito te largar, ele quer liberdade ou ele quer te levar á morte.

- Ou pedir ajuda. – Disse Donghae. – Existem espíritos que querem pedir por ajuda.

- Se ele quisesse ajuda, não andaria segurando uma faca, andaria? - Perguntei.

- É, faz sentido.

- Bom, vai dormir, Donghae irá ficar ao seu lado caso algo aconteça. O resto, iremos fazer algumas pesquisas, vamos procurar sobre algo que possa deixa-lo seguro durante o tempo em que Donghae não estará por perto.

- Como assim, terei dias em que ele não vai ficar perto de mim?

- Depois te explico, vamos dormir.

-x-
Estávamos deitados em uma cama de casal, um de frente para o outro. Assim o olhando me sentia calmo, porém o medo de fechar os olhos era tão grande, que fazia o possível e o impossível para me manter acordado.

Mas apenas uma coisa poderia me deixar ativo, e acredito que Donghae nunca iria fazer tal coisa. Mesmo que ele possa me deixar em uma situação precária, não acredito que ele poderia cometer tal pecado carnal.

Alisei seu rosto, vendo-o fechar os olhos para sentir meu toque. Não aguentei e o abracei, diminuindo o espaço que havia entre nós. Meus lábios clamavam pelos seus, e logo os procurei, iniciando com um selar.

Donghae me surpreendia, ele empurrara seu corpo para perto do meu, assim aprofundando o beijo, me deixando explorar de sua boca, sem que pedisse permissão. O beijo era quente, gostoso e calmante. Passava as mãos em suas costas, em seus cabelos finos e sedosos. Os dedos de Donghae tamborilavam pelo meu abdome, mas não ousavam ir para baixo, apenas ali, sentindo de minha textura.

O beijo parecia eterno, ar não existia. Donghae veio para cima de mim, deixando seu corpo colado ao meu assim suas pernas se entrelaçaram ás minhas quase nos tornando um só. Eu já podia sentir certo desconforto, algo exclamando por atenção, mas o ignorei apenas dando atenção á aquele ser que estava em minha frente, me beijando da forma mais apaixonante possível.

- Donghae, não provoque, eu sei que não deves fazer isso.

- Hyukjae, sei onde é meu limite, então não peça para me afastar, sendo que o desejo.

Abracei-o, sentindo de seu perfume, um aroma que só poderia ser dele, era único. Ficamos assim abraçados até que ele caísse no sono, mas eu estava tão vidrado que não consegui pregar os olhos. Uma vontade repentina de ir ao banheiro me adornara. Levantei-me de vagarosamente, indo até o banheiro, fazendo minhas necessidades. Fui até a pia, e lavei as mãos, olhando para meu reflexo no banheiro, um nome me veio á cabeça, mas nenhuma imagem ou algo do tipo. Apenas repeti o nome várias vezes, sem saber o que me esperava.

- Bloody Mary, Bloody Mary, Bloody Mary.

Uma mulher ressurgiu no espelho, senti meu sangue congelar ao ver tal pessoa no lugar de meu reflexo. Não sabia como e porque eu havia dito aquilo, mas o medo deixara meu grito entalado na garganta. Tentei abrir a porta do banheiro, mas ela estava trancada, a minha voz estava totalmente entalada em minha garganta. Eu estava preso no banheiro com uma assombração.

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