{Dance For You} Capitulo 4 - What If


Sentindo minha pulsação ir além, é algo novo e gostoso de sentir. Seus lábios, mesmo colado em meu braço ao lado do corte que eu fizera, eram macios e doces com um toque extra de gentileza. Sua mínima preocupação era forte, pois ele correra atrás de mim e me protegera isso é o suficiente para mim, mesmo que ele tenha vindo á ordens de meu professor.

Donghae me olhava agora, como se tentasse ler meus pensamentos, mas eu estava completamente perdido em seu olhar, eu tentava procurar em mim se a resposta de todo esse reboliço de sentimentos seria mesmo o amor. Não posso acreditar que me apaixonei por um homem. Mas tenho que admitir, ele roubara meu mundo, desde a primeira vez que o vira no concurso eu o procurei para pedir desculpas, anos depois o encontro dançando na sala de dança. Lembrar de seu corpo se movendo daquele jeito me atormentara a noite inteira, quase fiquei louco quando o vi na sala de aula, e agora ele estava ali na minha frente, sentando no mesmo sofá que eu, olhando-me profundamente. Apesar do lugar não ser apropriado eu sentia algo em mim gritar, gritar loucamente para sentir aquele seus lábios nos meus, mas eu apenas acordei de meus pensamentos, ignorando qualquer desejo estranho.

Posso admitir que estou loucamente apaixonado por ele, se não qual seria outra doença que me faria pensar nele, se não o amor? Seus olhos negros, ah como eram misteriosos, eles simplesmente me chamavam para explorar seu interior, me chamavam para descobrir o seus segredos. Eles eram um imã para mim, algo que não seria necessário palavras apenas seus olhos belos.

- Aigoo, esqueci de que você está encharcado, irei pegar uma toalha.

Donghae se levantou em um tiro para o andar de cima, eu apenas fiquei sentado no sofá recuperando o fôlego que perdera minutos atrás. Não se demorou para ele descer com a toalha em mãos, e logo secando os meus cabelos. Suas mãos trabalhavam na toalha de forma delicada, com medo de me machucar, o que fizera-me soltar um sorriso. Ele era delicado, em tudo o que fazia, era com devida atenção. Isso me deixara feliz, ele era perfeito.

- Quer tomar um banho? – Perguntou ele, deixando a toalha pousar em minha cabeça. Senti o meu rosto ficar quente, tamanha era a besteira que havia imaginado com sua pergunta. – Ah, desculpe, mas tem um banheiro lá em cima e eu posso te emprestar algumas roupas. Se quiser.

- Como conhece essa casa tão bem?

- Hã?

- Serei sincero, acho isso tudo muito estranho, e agora estamos em uma casa de madeira abandonada, onde você conhece cada parte dele. Isso é estranho.

- É que...

- Estou indo para casa.

Larguei a toalha em cima da mesa, e caminhei para fora da casa. Escutei alguns gritos vindas de Donghae, onde ele me chamara para não ir embora. Mas o ignorei, eu tinha que ficar longe dele, sua presença me deixa em outro mundo, eu não quero que ele descubra sobre meus sentimentos. Mesmo com a chuva forte que cai sobre mim, eu caminhei pela rua de pedras da escola sombria, e saí indo pelo mesmo caminho de que vim, dessa vez indo para a minha casa.

-x-
- 38° de febre, fique deitado e descanse, mamãe irá até a farmácia comprar algum remédio para você.

Depois de ter caminhado até chegar em casa, eu me sentia cansado e dolorido. Cheguei em casa e minha mãe já me esperava, dizendo que a escola havia ligado para casa falando que eu havia desaparecido para sair em uma briga de escolas. Meu pai me deu a bronca, mas eu não liguei muito, estava quase dormindo em pé. Minha mãe me ajudou á subir as escadas, me ajudou no banho e agora estou deitado na cama, com uma febre.

Esse é o preço a se pagar por ter ido embora, apenas para acalmar meus sentimentos. Donghae, quem é você para me deixar tão atordoado assim? Fechei os olhos tentando imaginar algo que pudesse me ajudar a embarcar em um sono profundo, mas a única lembrança que se passava era a bofetada levada pelo meu professor.

Ele estava sentado no mesmo lugar de que a ultima vez, agora me olhava preocupado com uma das suas mãos em minha testa.

- Eu te chamei para voltar, eu sabia que isso iria acontecer, por que não me escutou?

- Porque está aqui?

- Porque eu me preocupo contigo, e quero estar do seu lado agora que está resfriado.

- Vai embora.

- Sei que estás chateado por eu estar omitindo algo de você, mas não me peça para ficar longe de ti.

- Donghae, você é fruto de minha imaginação, se eu te peço que vá embora, você deve ir.

Pude ver as lágrimas brotarem nos olhos dele, senti meu coração doer, doer muito. Donghae se levantou e caminhou até a porta, e saiu, dando uma olhada em mim, que mantive meu olhar duro, mesmo sentindo a vontade imensa de chorar.

- Mesmo que machucastes, continuarei a te seguir cegamente.

Acordei sentindo as lágrimas escorrerem em meu rosto. Limpei-as rapidamente, gritando em meu coração, para que ele voltasse, ainda agradeci aos céus por aquilo ter sido apenas um sonho. Um sonho que apenas me afetou, apenas á mim, não posso imaginar que eu poderia vê-lo chorar por minha causa, não me perdoaria.

Minha mãe entrou no quarto, me entregando o remédio e a água, ela esperou que caísse no sono, como uma boa mãe. Fechei os olhos pensando em como faria para encara-lo no dia seguinte. Quero conversar com ele, quero ter a certeza de que aquilo fora apenas um sonho, pois me parecera tão real. Até a dor em meu peito era real, e considerando o que eu havia visto hoje, nada mais me surpreenderia. Quem era Donghae?

-x-
Estou agora na escola, até agora Donghae não chegara na sala. Fiquei preocupado, mas algo na minha cabeça batucava na tecla da escola sombria. Os rumores que rolavam na escola era realmente que eu tinha me metido em uma briga, então já dá para imaginar a muvuca de gente me perguntando o que tinha acontecido quem ganhou quem perdeu qual fora o motivo da briga e etc.

Kangin e Siwon sabiam que o motivo de minha ausência não fora por briga, pois eles já chegaram me perguntando de onde eu tinha tirado aquela mentira, eu respondi á eles dizendo que conversaria sobre isso no almoço. O relógio que havia em cima do quadro negro, não se movia com a precisão da qual eu precisava. Eu ficava revezando o olhar entre o quadro negro e a porta, na esperança de que ele entraria. Mas nenhum sinal seu.

O sinal batera dando inicio ao almoço. Peguei os braços de meus amigos e corri para um lugar afastado. Ficamos sentados em um banco atrás da cantina, um lugar onde ninguém viria. Sentei e tomei coragem para contar tudo o que havia visto, mas é claro que omiti as partes em que Donghae estaria presente.

- uma vez eu vi o professor Jung Soo entrando lá. – disse Kangin.

- Vamos admitir que aquela escola ela é estranha, Será que ele traz alguma história assustadora, que envolve nossos professores? – disse Siwon.

- Vamos para a biblioteca publica, lá deve ter alguma coisa que se relacione com aquela escola. – Disse Kangin.


-x-
Estamos parados de frente para uma estante gigante de livros que me parecem ser velhos. A ideia de meu amigo em virmos para cá, seria para procurar algo que pudesse relacionar os boatos da escola sombria com algumas pessoas, como nossos professores. E para a minha curiosidade pessoal, estarei procurando algo que pudesse explicar, ou pelo menos chegar perto de uma explicação, do que ocorrera no dia anterior.

Kangin começou a procurar por livros que pudessem relatar o passado da escola, Siwon procurou por livros e registros de alunos da escola, e eu fiquei com a parte de lendas e ocorridos sobrenaturais. Um livro de capa marrom de coro me chamara atenção, peguei ele vendo que sua capa nada havia escrito. Abri o livro sentindo a poeira adentrar em minhas narinas, dando aquele toque de que o livro era velho.

As primeiras páginas, pareciam um sumario, dei uma lida rápida para ver se havia algo que pudesse ser de ajuda. Percebi que ao invés de capítulos, o livro era divido em ano como se aquele fosse um diário. Abri o livro no ano de 2002, onde seria o ano em que o primeiro aluno havia morrido, deixando para trás um livro. Esse tipo de boato corria pelas escolas, eu conheço essa história desde a primeira série, pois recebera advertência de chegar perto, sendo que o medo era de que os alunos daquela escola nos pudessem influência no homossexualismo.

‘’Um garoto jovem, havia caído na tentação de um espectro, e assim anotando suas experiências para que no final pudesse viver o sempre, tendo como premio a morte. Digo isso para vos manteres longes dessas criaturas, um fantasma pode ser seu inimigo,porém terás ajuda dele nas horas de grande sufoco o tornando seu melhor amigo.

Oras como pode a mente humana acreditar em tais bobagens? O humano não pode ser grato á aquilo que lhe foi concebido e tenta invadir o mundo dos mortos, revirando a história e tudo mais naquilo que acreditamos. Como podemos ser tão ambiciosos a ponto de escolher a morte, sendo que apenas confundimos um sentimento de amizade por amor?

Como explicar isso á humanidade tola e fútil, de que a vida após a morte, na verdade é um grande mar de mistérios, da qual deveríamos esperar pacientemente para descobrir?’’

Ficara confuso com tamanha implicância do autor, posso notar que ele não gostara nem um pouco de saber que um dos alunos se matou para viver no amor com um fantasma. Agora se eu acredito nisso? Não, para ser sincero, acredito que mais coisas aconteceram. Voltei ao sumario pegando a pagina do ano de 2009. Sentei-me no chão, lendo atentamente cada linha, interpretando cada palavra.

‘’Um garoto, sangue daquele que um dia deu sua vida ao amor, voltara aquele lugar para cumprir o recado que o pai havia deixado. Como pode uma criança entrar em um jogo sem sair vivo? Sei que não durou muito tempo, tendo isso em mente, contarei mais para frente.

Um garoto de cabelo de cobre e a pele clara, tendo seus olhos confundidos com o mar negro durante a noite, seu gesto é simples e doce, tendo uma grande paixão em salvar o irmão gêmeo, que em casa vive sem lembranças. Um garoto de alma tão pura desafiou o mundo paralelo ao seu, entrou na tumba do guardião, porém ficou preso, apenas tendo seus gritos desesperado por ajuda, rezando que quem o salvasse não fosse seu irmão.

De um olhar posso dizer que essa história é bela e com um final feliz, mas já te digo meu caro leitor, essa história não tem fim, pois o tema abordado aqui é a imortalidade.

O garoto sabia disso, sabia que no final ele encontraria algo para seu benefício, mas ele não soube pensar bem, ou pensara ele, que o Deus que acreditara tinha outros planos consigo. ‘’

Voltei ao sumario, indo ano de 2012, ano passado, onde teria a história do bravo garoto transferido, que conseguiu passar por cada etapa do livro, trazendo consigo a eternidade.

‘’ Pobre alma confinada no desespero de suas lagrimas. Não consegues derramar uma gota de lagrima em uma noite qualquer, pois vires seu irmão indo embora no eclipse lunar. Não sou velho, muito menos filosofo, não falo com estrelas, mas as entendo. O que o garoto sentia era saudades daquele que dividira o ventre da mãe.

Indo para o mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas com o toque do amor puro e doentio. Como aquele garoto de cabelos morenos conseguia aguentar tal fantasma perturbador? Ele aguentara tudo, não segurando sua intensa curiosidade e indo para o mundo da qual não era permitida a entrada de humanos.

Para muitos, aquele jovem é considerado um rei, um bravo escuda da coragem, para outros ele nada mais e nada menos do que um garoto simples, que a história toda é um grande blasfêmia, criada por alguém que não teria o que fazer.

Se és verdade que ele lutara com os espíritos perturbados, diria que sim. Se és verdade que se apaixonaste por um fantasma, diria que sim. Se és verdade que encontraste seu irmão, diria que sim. Se és verdade que no final de tudo, encontrara a imortalidade. Diria que não. Ele não achou a imortalidade, foi a imortalidade que o encontrou.

Por estar a beira da morte, seu irmão sem ambições desejou que seu gêmeo tivesse uma vida longe e feliz, pela eternidade que lhe era proporcionada, não importando onde estejas. O veneno fora escorrido por suas veias, sem a pedido do garoto moreno, apenas para sua existência que era necessitada no coração morto de seu amado. ’’

Já escutara tal história. O garoto transferido fora morto, então o vampiro que mora na casa de madeira o mordeu, transformando-o em vampiro. Voltei ao sumario novamente, vendo que havia uma página para o ano em que estamos 2013.

‘’Poucas palavras eu vos direi, pois poucos acontecimentos ocorreram. Apenas um grande pecado surgiu. Como podes um anjo se apaixonar por um humano? Eis que na virada de ano o garoto de cabelos de cobre fora morto. Como morreu, porque morreu, ninguém sabe. Ele simplesmente desapareceu, surgindo dias depois com a grande noticia de que havia virado um anjo.

Um anjo novato, que logo lhe fora resignado um humano da qual proteger. Em seu primeiro dia, ele se lembrou do humano, tendo suas lembranças de quando fora vivo, antes de entrar no colégio assombroso. Ele lembrara que o garoto era estranho, pois cometera um pecado por uma ambição. Pois não seria a ambição um pecado?

Ele cometera seu pecado ao se apaixonar perdidamente pelo humano. Como podes uma criatura divina erguer a cabeça e lutar por tais desejos? O que faria o humano ao saber de sua identidade? Fico a pensar, quando verei esse garoto na grande biblioteca publica, a ler o esse livro á procura de uma resposta para um ato sobrenatural, sendo que tens um anjo ao seu lado?

Devo perdoa-lo por tais palavras grossas. Humano, leia o livro e procurará por respostas, qual seria o motivo de quase ter invadido tal escola? Uma alma perdida clamando por ajuda, talvez, mas no final fora salvo por seu anjo de asas brancas e leves, com sua pureza canalizada em suas delicadas mãos. Agora ele se preocupa com tais sentimentos, que aos olhos da humanidade seria estranho e pecaminoso, contra as leis do Criador. Mas ele se importa com os sentimentos do garoto anjo? Ele sabe por acaso como diferenciar um sonho seu com a realidade, tendo acordado com os olhos lacrimejados e coração batendo descontroladamente?’’

Fechei o livro. Mas o abri para procurar pelo nome do autor, mas nada encontrara, era apenas aquele conteúdo, que para a minha pessoa, era realístico demais. Ele falara de coisas que eu poderia julgar com o que aconteceu comigo. Fui á um colégio com a fama de ser assombrado, mesmo assim invadi seus portões, indo até um laboratório, onde fora perseguido por um espírito e fora salvo por um garoto da qual tenho a certeza de que tenho sentimentos. Depois, não tenho um depois.

- Desisto de procurar, não achei nada. – Reclamou Kangin.

- Achei algo interessante. – Disse Siwon, logo nos levantamos e fomos para perto dele. – Aqui diz que os professores Cho Kyuhyun foi estudante de lá, eles se graduaram no ano passado, e Park Jung Soo se graduou em.... Aqui não fala. Só diz que ele foi aluno de lá.


-x-
Agora que estava sozinho em meu quarto, teria mais liberdade em pesquisar sobre sobrenaturalidade. Havia terminado de jantar já tinha tomado banho, agora eu brincava com a correntinha da qual o dono ainda não havia dado sinal de vida, apenas aquela letra D cintilando. Iria procurar pelo dono amanha.

Com o notebook em cima da mesinha, comecei a pesquisar sobre os anjos, as primeiras paginas deveria falar sobre o que as pessoas acreditam, e o que eu queria eram o que as pessoas sabem a respeito disso. Lendas seriam perfeitos para a minha pequena pesquisa.

Fui direto para a pagina dez, vendo que era a ultima página e o único site apresentado. Cliquei no link indo para uma página verde claro, com o titulo do post em uma fonte bem bonita. Comecei a ler o conteúdo que explicava uma dos milhares de lendas que o povo conta á seus filhos e netos.

‘’Acredita-se que os anjos ao virem para nosso planeta, recebem um colar com a inicial de seu nome, tendo no centro da letra uma pequena pérola de cor azul safira. Esse colares não podem sair de perto do anjo, pois é graças á ele que a criatura divina consegue ficar entre os humanos.

Reza-se algumas lendas que os anjos estão em guerra, por causa de uma típica história de amor fantasiosa entre um humano e um anjo. Algumas tribos indígenas dizem que os demônios não estão prometendo guerra por causa do amor divino, mas sim por saber que existem criaturas da noite vivendo sobre o mesmo teto que um anjo.

Poderíamos dizer que essas informações são estranhas, e parecem ser verdadeira, mas não podemos afirmar quem é anjo e quem é humano, pois tamanha semelhança nos deixa confusa. Mas o fato de carregar as correntes já deixa claro sua existência. ’’

Após o texto havia algumas imagens, que o autor do post julgara ser parecido com o colar que os anjos usavam. Por puro reflexo ergui a correntinha em minhas mãos, vendo que no centro da letra, havia um gancho que era parecido com a do desenho.

Arregalei os olhos por ver tamanha coincidência. Procurei pelo navegador algo que pudesse me ajudar a imaginar em como procurar o dono do colar. O site nada dizia, me deixando frustrado. Desliguei o notebook, e fui dormir.

Lá estava ele, de novo ao lado da cama me olhando, dessa vez nada falei apenas o observei. Ele suspirou e logo se levantou, olhando para a corrente que estava em cima de minha cômoda e saiu, me deixando chateado, estava esperando conversar com eles, pois em meus sonhos ele era quente e calmo.


-x-
Com corrente em minhas mãos tomei uma decisão. O fato de ler o livro ontem me deixou claro de que Donghae não era um garoto normal, ele deve no mínimo, ver espíritos. O site me ajudara no quesito de existência de anjos. Pude sentir uma pontada em minha cabeça, era informação de mais.

Com o sonho que tive algo em mim dizia que aquela corrente, que poderia ser de anjos, pertencia á Donghae, por isso acabei por ficar ansioso, e vim á escola antes do horário. Fui o primeiro a chegar à sala e o esperei.

Não demorou muito para ele entrar, fingi que eu não o vi, e ele nem se quer me cumprimentou. O cutuquei recebendo seu olhar frio e misterioso. Mostrei a corrente para ele, vendo seus olhos ficarem arregalados.

- É sua não é?

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