{Dance For You} Capitulo 3 - What Is Love


- Lee Donghae. – Seu sorriso era belo, podia sentir sua sinceridade.

- Você, por acaso, participou de uma competição em 2009?

- Ah, aquela em que seu amigo quebrou a minha perna. – Disse ele, me deixando nervoso, cocei a nuca mostrando a vergonha em meu rosto. – Isso é passado, não se preocupe com isso.

- Mesmo assim, necessito pedir desculpas.

- Tudo bem, eu estou bem.

Senti uma parte do peso, que havia em minhas costas, sumir. Agora falta a parte da coreografia, mas acredito que para isso eu deveria ter algumas semanas de amizade com ele. Agora que tenho seu rosto e seu nome, posso me permitir imagina-lo e procura-lo, mesmo sem motivo para fazer tais coisas.

Donghae se virou para prestar atenção na matéria que o professor Jung Soo passava no quadro. Continuei pensando em que assunto conversar com Donghae, agora que eu sentia confiança em mim mesmo para agir de forma natural. A porta da sala fora aberta mostrando meus dois amigos, que realmente chegaram atrasado. Kangin olhou para mim com um rosto preocupante e sério, Siwon apenas puxou-me pelos pulsos, me fazendo sair da sala sem a autorização do professor.

- Aconteceu alguma coisa? – Perguntei quando estávamos no corredor.

- Temos uma coisa para te contar, e quero que saiba através de nós do que por outros. – Disse Siwon.

- O que é?

- Somos gays. – Disse Kangin de forma séria.

- Como? – perguntei esperando ter escutado errado.

- Lembra-se do dia da aula vaga que nós fugimos? – assenti ao me lembrar da primeira vez que vira Donghae dançando. – As duas meninas eram dois meninos.

- Quer dizer então...

- Somos gays. – disse Siwon. – Estamos te contando porque alguns alunos nos viram e provavelmente virão falar contigo, esperando que faça alguma coisa.

- Meninos, eu entendo a opção sexual de você e deixo claro que não deixarei de ser amigo de vocês, mas tomem mais cuidado, não sou a babá de vocês para segui-lo a todo lugar.

Os dois me abraçaram de forma calorosa, assim sabendo que era a verdade de que meus amigos eram verdadeiros. Posso entender o motivo deles terem escondido, pois a sociedade de hoje em dia é muito preconceituosa, mas eu não sou, pois estou tão perdido em pensamento sobre um certo aluno novo, que estou duvidando de minha sexualidade.

Assim, voltamos a sala de aula, sentei na minha carteira, vendo um bilhete em cima dela. Abri o papel dobrado, lendo a caligrafia que me era desconhecido e também o autor não havia assinado o bilhete.

‘’Me encontre no portão do colégio Falls School, na hora do almoço. ’’

Guardei o bilhete já imaginando o que seria. Já havia ouvido falar desse colégio, dizem que no ano passado um aluno transferido seguiu um ritual e sobreviveu, para falar a verdade eu pesquisei sobre esse ritual, tendo em resultado que nada mais e nada menos era um livro de autor desconhecido, o garoto havia seguido todo o livro assim sobrevivendo. Dizem que antes dele teve alguns que tentaram, mas sempre eram encontrados mortos sem achar o assassino. O colégio é bem famoso por seu passado sombrio e pela qualidade de ensino, eu queria estudar lá, mas meus pais não deixaram. Seria um prazer ir até aqueles portões enferrujados seja lá para o que for.

Não contaria aos meus amigos sobre o bilhete, seja lá quem for que escreveu deve ser alguém que tenha pegado meus amigos no flagra e queira ignora-los ou envergonha-los por suas atitudes. Então por isso ficaria quieto, arranjarei um jeito de sair antes.

-x-
Faltam 10 minutos para o sinal do almoço tocar, teria que sair da sala agora. Levantei-me pedi para o professor ir ao banheiro, tendo a sorte dele ter me deixado sair. Andei pelos corredores, indo até o jardim onde o buraco secreto estaria a minha espera. Agachei-me passando por ele.

Estava agora do lado de fora do colégio, limpei minha calça e comecei a andar pelas ruas á procura do internato sombrio. Ignorei alguns avisos de não ultrapasse, sendo aquele um atalho, não seria pego pela patrulha escolar se fosse por aquele caminho. O atalho era na verdade um bosque que cerca o internato. Passei pelas arvores, pulei alguns galhos caídos no chão, desviei de algumas teias de aranhas até chegar ao lugar desejado.

Não havia ninguém por perto, não havia percebido que o céu ficara nublado, a chuva logo chegaria. Fiquei esperando e me encostei-me ao portão. Cai de costas no chão, ao ver que o portão estava aberto. Levantei-me caminhando pela rua de pedras olhando por todos os lados á procura de alguém que pudesse me ajudar, ou alguém da qual deveria me esconder.

Acabei caminhando até chegar á um jardim, onde havia muitas flores copo-de-leite, em frente á esse jardim tinha um banco branco vazio. Sentei-me no banco, talvez quem mandou o bilhete não havia chegado. Fitei o lugar sentindo a brisa se passar pelo meu rosto, trazendo um aroma estranho, parecia enxofre.

- O que faz aqui? – dei um pulo, sentindo meu coração bater descontrolavelmente por conta do susto.

- Professor Kyuhyun, o que está fazendo aqui?

- Eu que te pergunto moleque, está gazeando aula?

- Você não está fazendo o mesmo?

- Eita moleque. – o professor me acertou uma bofetada em minha cabeça. – Posso estar fora do colégio, mas ainda sou seu professor. E quero que me responda.

- Alguém me mandou um bilhete.

- Que bilhete? – peguei o papel que estava em meu bolso, entregando ao professor que lia o conteúdo. – deve ser aquele garoto. Bom volte para a sala.

- Não vou sair daqui até encontrar o ser que me mandou aqui.

- Tá certo, volte para a escola que eu converso com o garoto.

- Aish professor.

Eu já estava prestes a começar a fazer meu showzinho, mas um garoto loiro de aparência fofa chegou pousando as mãos nos ombros de meu professor.

- Um de seus alunos?

- O mais sem vergonha.

- Isso dói tá! – Reclamei ao ver que os dois tinham uma intimidade grande. – Enfim, professor você sabe quem é o garoto? Onde ele está? O que ele quer comigo?

- Hyukjae, saia daqui agora, ou levarei você á força.

- Yah Kyunnie, se ele quer ver deixe ele, venha tenho uma coisa para te mostrar. - O garoto loirinho saiu puxando o meu professor, logo ele se virou para mim com um sorriso muito lindo em seus lábios. – A propósito Hyukjae me chamo Sungmin, caso esse professor for malvado contigo, pode me chamar, darei uma lição nele.

Assenti ao homem que foi embora com o meu professor, a minha suspeita de que havia intimidade entre eles fora esvaída ao vê-los saírem de mãos dadas. Hoje todo mundo resolveu virar gay, ou é impressão minha?

Caminhei pela escola, tomando a liberdade de caminhar pelos corredores do primeiro prédio. Passei pela sala de pedagogia, que parecia estar vazia, andei na frente da biblioteca que também estava vazia. Subi as escadas encontrando as plaquinhas que mostravam as turmas. Todas as salas estavam vazias.

Subi até o quarto andar, me deparando com uma placa dizendo ‘’não ultrapasse’’, pulei ela, subindo as escadas, o máximo que deve acontecer é de aquele andar estar em reformas. Subi os degraus sentindo o ar ao meu redor ficar pesado. Quando cheguei ao quinto andar, notei que não havia nenhuma construção, nenhuma lona estendida no chão, nenhum sinal de latas de tintas ou de pincéis.

Fui caminhando olhando as salas, sentindo a aura ficar cada vez mais pesada e aquela sensação horripilante de estar sendo seguido. Comecei a apertar os passos, entrando em uma sala que parecia ser um laboratório. Raios e relâmpagos barravam o céu que agora estava prestes a cair uma chuva pesada.

Saia daí, dizia uma voz em minha cabeça. Saia o mais rápido daí. Como aquela voz, era parecida com a que eu tinha escutado hoje pela primeira vez, a voz de Donghae. Retornei a realidade, percebendo que estava fazendo uma besteira, estava em um internato esperando alguém, que provavelmente queria brincar comigo.

Dei um risada baixa ao notar a minha tolice, virei-me para sair daquele lugar, me deparando com uma garota de cabelos escuros e lisos, a pele era cinza, e seus olhos brancos, suas roupas me lembravam os pijamas de hospital, brancos porém estavam sujos de terra e rasgado nas bordas. Seu tronco era curvado deixando seus cabelos cobrirem seu rosto.

Senti um pânico me dominar, sai correndo da sala, indo á procura da saída. Olhei para trás e nada encontrara, mesmo correndo virei para frente, encontrando seu rosto colado no meu. Desvencilhei-me dela, batendo as minhas costas na parede, caindo aos poucos no chão. A garota estranha se aproximava aos poucos de mim seus braços se esticaram prontos para tocar em mim, mas do nada Donghae surgiu, me abraçando, ele esticou uma de suas mãos, emitindo uma luz contra o rosto da garota.

Quando ela se recuou, ele se levantou me puxando consigo, descendo as escadas com rapidez. Saímos do primeiro prédio indo até o jardim, sentindo as gotas pesadas da chuva bater em meu rosto, começando a me deixar encharcado.

- O que foi isso? – Perguntei analisando para ver se aquele que salvara era mesmo ele. – O que você está fazendo aqui?

- Aish, eu juro que te explico, mas em outra ocasião. – Donghae se aproximara de mim, pousando suas mãos em meu rosto, deixando seus olhos negros pousarem nos meus me fazendo refém de si. – Você está bem, tem algum machucado?

- Não sei, acho que não.

Donghae largara meu rosto segurando meu braço, onde tinha um corte profundo. Devo ter me machucado quando bati na parede, havia uma espécie de prego preso dela, mas na hora do pânico a dor era a de menos. Donghae me puxou, até o jardim, lá havia um muro com alguns arbustos e arvores. Ele afastou alguma delas, mostrando um buraco. Ele se agachou passando pelo buraco, e logo pediu para que o seguisse.

Assim o fiz, encontrando uma casa de madeira, a famosa casa de madeira, que os alunos juravam ser miragem a casa da qual um vampiro se escondera esperando quem o criou, os alunos daqui dizem ser mentira, sendo que agora eu estava entrando nela para esconder da chuva.

Donghae abriu a porta, e continuou a me puxar. Logo o tal de Sungmin apareceu, com um olhar assustado.

- Hyung, como foi? – quando ele me viu seus olhos se arregalaram. – Aigoo, você está machucado. Desculpa hyung eu tenho que ir para casa o Kyunnie deve estar um ataque de nervos.

- Tudo bem, eu cuido dele.

Sungmin saiu da casa com a mão sobre o rosto, como se o cheiro de meu sangue estivesse o deixando enjoado. Donghae me apontou o sofá, me pedindo para sentar e esperar. Ele subiu as escadas da casa, logo descendo com uma maletinha branca em mãos.

Ele sentou ao meu lado e abriu a maletinha, e logo começou a fazer um curativo em meu braço, dando pontos como um profissional. Mesmo sentindo a ardência em meu braço, só pelo fato de sentir ele me tocando, quando nós menos nos conhecemos, era algo encantado e acalmante.

- Agora poderia me explicar, o que aconteceu?

- Seus amigos ficaram preocupados com você, e o professor Kyuhyun pediu que eu viesse atrás de vocês, já que eu conheço essa escola.

- Hum, e aquela luz que saiu de sua mão?

- Você bateu a cabeça na parede, deve ter imaginado coisas.

Eu iria rebater, dizer que eu não havia batido a cabeça, de que eu havia visto a realidade. Mas minhas palavras se romperam, quando senti os lábios de Donghae se roçarem em meu braço, como um beijo de uma mãe dá quando seu filho se machuca. Em pequenas frações de segundos, pude sentir a maciez de seus lábios, criando o desejo de sentir sua boca colada na minha. O calor subia em mim de forma rápida, eu estava pensando em coisas demais, para um momento tão pequeno.

Com aquele simples gesto seu, cheguei á conclusão de que estava apaixonado perdidamente pelo misterioso Lee Donghae.

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