{Baby You Are...} Capitulo 2 - O despertar de uma paixão


[::P.O.V. HYUKJAE::]

Ainda olhava aquele ser deitado na cama do hospital, de forma surpresa. Nunca imaginaria que ele, um dia, seria um paciente e que eu teria que cuidar dele. Se não fosse pelo meu coração vacilante com certeza conseguiria fazer tal feito de uma maneira calma, mas era impossível não olhar para seus lábios abertos por contra a vontade que sustentavam um tubo, que ajudava em sua respiração. Olhei para o médico perto de mim, precisava saber o motivo dele estar ali.

- O que aconteceu com ele?

- Acidente de carro, segundo as testemunhas ele salvara uma criança de ser atropelada por um caminhão.


- Um caminhão, então ele estaria morto agora.

- Um milagre sempre acontece, Hyukjae, e esse é um deles, se esse rapaz sair dessa, digamos que irei superar as minhas expectativas.

O medico depois de dizer isso, saiu do quarto me deixando sozinho com o paciente. Não contive e cheguei perto dele, queria ver melhor o seu rosto. Seus olhos, apesar de fechados eram belos, seus lábios bem convidativos. Como uma criança, passei o dedo em seus lábios e depois nos meus, na esperança de sentir o seu gosto. E para a minha surpresa tinha gosto de cacau, será que ele passara um brilho? Ele não é mulher para ficar passando brilho, então seria sua pasta de dentes? Ah então antes de salvar uma criança ele comeu uma barra de chocolate?

Fiquei pensando nas hipóteses de como conseguira aquele leve gosto de chocolate, mas logo senti meu rosto queimar. Nós tivemos um beijo indireto? Pois eu passei meu indicado em seus lábios e depois nos meus... Pensar em tal coisa me fez ficar tão quente, levei minhas mãos no rosto sentindo as bochechas ficarem quentes, de repente um suor me inundou. Caminhei para perto da janela, abrindo ela totalmente deixando o ar levar embora o meu calor, e deixar o quarto mais arejado.

Olhei de relance e vi seu corpo suar, gotas de suor escorriam de sua testa, esse era um dos efeitos colaterais dos analgésicos, acredito eu. Saí do quarto, andei em direção da dispensa, peguei uma bacia pequena de inox e dois panos brancos e felpudos. 

Entrei novamente no quarto, deixei os panos em cima da cadeira que havia perto da cama, com a bacia em mãos fui ao banheiro enche-la. Voltei e coloquei-a na cadeira. Peguei um dos panos e a molhei na água, assim sentei na beirada da cama, tirei o lençol que cobria seu corpo, encarando o mesmo. Estava começando a ficar nervoso, nunca havia tocado em uma mulher, muito menos em um homem, mas tinha que fazer aquilo. 

Respirei fundo, desabotoei a camisa me deparando com seus músculos definidos. Seu abdome era tão definido que não perdi tempo, passei meus dedos sentindo a textura que seu corpo tinha, senti meu coração bater rapidamente me fazendo acordar do transe. Bati em meu rosto para acordar, passei a língua nos lábios para umedecer eles, e logo passei o pano em sua barriga, de forma leve não queria deixar marcas naquele corpo... O QUE EU ESTAVA PENSANDO?

Continuei a passar o pano subindo para seu peito, que subia e descia de acordo com sua fraca respiração. Assim umedeci novamente o pano e voltei a limpar, mas dessa vez mais calmo, subi para seu pescoço que era onde as gotas de suor pingavam. Ergui sua cabeça levemente, tomando cuidado para não mexer no tubo, assim passando o pano em sua nuca, enquanto segurava sua cabeça peguei o pano seco e sequei sua nuca, assim repousando a cabeça no travesseiro novamente. O rosto era o que faltava, enrolei o pano, que fora umedecido pela terceira vez, em meu dedo indicado, assim passei devagar pelo seu rosto, limpando o suor que parar de escorrer.

Assim que terminei de passar o pano seco, cobri o rapaz com o cobertor, logo pegando a bacia e jogando a água na pia. Ouvi a porta ser aberta, vendo o garoto que Donghae andava na faculdade, o menino que Kyuhyun gostava. Ele me olhara espantado, veio em minha direção, pude ver que seus olhos estavam marejados, sua voz soara fraca aos meus ouvidos.

- Como ele está? – não consegui responder, minha voz não saia, engoli em seco e finalmente pude dizer algo.

- Em coma.

Os olhos do tal Sungmin deixou soltar as lagrimas, senti meu coração apertar, então uma pequena presença me chamou a atenção. Era uma menina, deveria ter uns quatro anos de idade, seus cabelos eram longos deixando leves cachos nas pontas, ela segurava a camisa do mais velho, e me olhava como se estivesse analisando a minha alma, pude ver que seus braços e rosto estavam machucados, será que ela era a menina que Donghae salvou?

- Minnie oppa, como está o meu Appa? – Eu ouvi certo, ela disse Appa? 

- Appa? – perguntei, mas logo me arrependi.

- ah você estuda em nossa faculdade. – disse Sungmin limpando suas lágrimas. – ela é filha de Donghae. Ele a salvou do caminhão.

A voz de Sungmin tremia, era baixa e cautelosa, assim para me apresentar a pequena ele olhou para lhe mostrando um sorriso. Assim ele se abaixara para explicar a situação enquanto eu ficava sem chão. Como assim aquele moleque já era pai? Não tinha idade para isso, como ele poderia então... Ah deve ter feito besteira na adolescência, mesmo tendo esse pensamento senti um grande aperto no peito, senti vontade de chorar, mesmo sem saber do motivo.

Os dois ficaram fazendo companhia ao paciente, resolvi me retirar para deixa-los mais a vontade mesmo. Assim que o horário de visitas terminou Sungmin veio em minha direção com a pequena garota em seu colo dormindo.

- Cuide bem de Hae-ah, o faça recobrar a consciência, o queremos de volta.

Assim Sungmin sorria e saiu com a pequena garota em seu colo, me deixando atônito. Uma das enfermeiras me chamara pedindo ajuda para trocar os lençóis da cama de Donghae. Com ajuda de outra enfermeira, ela segurou o tubo, enquanto eu pegava Donghae no colo, deixando a outra enfermeira retirar os lençóis.

Ele não era pesado, muito bem pelo contrário era bem leve, para poder deixar a enfermeira passar em minha frente, dei um passo para trás, fazendo a cabeça de o paciente tombar em meu peito. Senti meu peito bater rápido, fiquei com medo de que ele escutasse, então redirecionei meu olhar para ele, me perdendo em seu rosto. Era tão belo que não me importaria de olha-lo para toda a eternidade. Logo o coloquei de volta á cama deixando-o confortável. Sem perceber dei um beijo em sua testa. Assim vendo o que acabara de fazer, peguei minhas coisas e fui em direção de casa. 

Quando chegara ao meu quarto, tomei um bom banho, deixando a água quente levar embora minhas preocupações, coloquei meu pijama e deitei em minha cama. Fechei os olhos esperando o sono vir, mas a sua imagem foi o que apareceu em meus pensamentos. Quem era ele para invadir minha mente sem pedir permissão? Por que sinto meu coração tão acelerado? Por que sinto vontade de protegê-lo? Por que quero ficar ao seu lado? Perdido no meio desses pensamentos, caí em um sono do qual o sonho era um grande ponto de interrogação.



O fato de fazer esse estagio realmente me trouxe sorte, nas provas me senti confiante e pude ter altas notas e, além disso, pude ficar perto aquele ser que eu ainda não sabia o que significava para mim.

Já faz duas semanas que estou cuidando de Donghae, o que me deixava cansado, pois ia dormir tarde para acordar cedo, e louco. Ás vezes eu ficava tão cansado que reclamava para Donghae, sabia que ele não me responderia e para mim isso acalmaria meu coração, então nem que as paredes me respondessem eu ainda me acharia louco, me senti como um fiel pecador contando de seus pecados para um padre.

Durante todos os dias Sungmin e a pequena menina, que descobri ser chamada de July, contei á Kyuhyun o que havia ocorrido e ele faz questão de vir ao hospital para ver e conversar com Sungmin, aquele nerd tirava aproveito da solidão que o garoto tinha para jogar suas cantadas de pedreiro.

Bom aqui estou eu, em um sonho muito bom, eu estava em uma praia deitado em uma rede na beira do mar tomando água de coco, quando vejo Donghae na minha frente sorrindo, ele se agacha esticando sua mão direita e passou no meu rosto. Sua mão era quente me lembrava do carinho que minha mãe fazia em mim, quente e confortante. Com muita luta contra a preguiça abri meus olhos, de primeira a minha visão estava embaçada, vendo apenas um esboço, parecia mulher cabelo acobreado com sua esticada em minha direção, mas assim que a visão ficou nítida, pude ver que não era mulher, mas o próprio Donghae, que realmente estava sorrindo.

- OOOOOOOOOOOHHHHH! VOCÊ ACORDOU!!!!

Quase, não eu realmente caí da cadeira, olhando para aquele ser que estava ajoelhado na cama com o braço estendido ainda olhando para a minha deplorável situação. Estava espantado, não demorei muito e me levantei olhei para ele com os olhos curiosos.

- Como está se sentido dói em algum lugar, ai meu Deus tenho que chamar o médico. – ia me virando quando voltei a olhar para ele. -não saia daí.

Corri no corredor em direção á sala do médico responsável pelo paciente, sem pedir licença nem nada do gênero, abri a porta ofegante.

- Ele acordou.

- Quem?

- Lee Donghae.


[::P.O.V. DONGHAE::]

Estava em uma sala pequena e branca, no centro havia uma mesa bege e duas cadeiras em um tom de amarelo claro. Não tinha porta nem janela, apenas a mesa e a cadeira. Sem ter o que admirar, fui me sentando com relutância em uma das cadeiras, quando olho para frente um homem, mas para mim ele não tinha rosto, sentia uma paz vinda dele que não ligaria para nada, apenas para poder sentir a calma que aquele ser emanava.

- Quem é você? – perguntei.

- Pode me chamar de O Criador ou de vossa Divindade ou até mesmo de Deus. – Disse o Senhor com uma voz bem grossa e rouca.

- Onde estou? Eu morri? – Comecei a ficar preocupado.

- Ainda não, Donghae, quero apenas te avisar que lhe enviei um anjo, um amuleto da sorte melhor dizendo.

- Anjo? Amuleto da sorte? Por quê? – Estava tentando entender a minha situação, minha voz estava soando calma, mas meus olhos clamavam por respostas.

- Calma Meu filho, ambos são para acabar com a solidão que sentes em seu coração puro. Saiba que Eu sei sobre suas escolhas e continuarei a te amar.

- Sabe como me sinto de verdade, então me diga o que sinto quando....

- Acalma-se, te digo apenas que tens um coração apaixonado pelo Meu pequeno...

A claridade que havia naquela sala aumentou, tomando conta de tudo em questão de tempo ela engolira as poucas coisas que havia naquela pequena sala, tudo desaparecera.

Não conseguia me mexer, estava em sã consciência, mas não mexia um dedo se quer. Parei de tentar de me mexer ao ouvir a voz da pequena July, contando como fora seu dia, fiquei apenas ali deitado escutando ela, depois a voz de Sungmin e uma terceira voz que não conhecia. A terceira voz era masculina, e deixara meu coração aquecido.

- Não sei o que faço aqui, tenho muita coisa para estudar, Quero férias. – a voz se tornou manhosa. – Quero a minha cama, sorte sua rapaz estar deitado no maior conforto enquanto fico te olhando.

Se pudesse me mover com certeza iria dar muita risada. Sua voz era gostosa de ouvir, manhosa a deixava tão interessante que me fez criar curiosidade quanto o seu rosto. Será ele o anjo falado? Se fosse entendera por que o chama de anjo, sua voz é tão doce e macia quanto o algodão doce. Queria ver seu rosto, será que era tão bela quanto sua voz? Quero saber como são seus olhos, sua boca sua fisionomia inteira, seu jeito do que gosta, se tinha a mesma opção sexual que eu tenho, tudo quero saber tudo sobre o dono dessa harmoniosa voz.

Mas sua voz se calara, esperei um momento esperando para que tal sujeito voltasse a dizer quaisquer palavras, mas nada escutava. Botei força em meus músculos, quero ver se ele está no mesmo lugar que eu, quero ver ele, a minha curiosidade é tanta que eu não sei do que sou capaz.

Depois de várias tentativas, me esforcei mais uma vez e consegui, senti meus olhos abrirem, tendo a visão embaçada da lâmpada, pisquei algumas vezes para me acostumar ao ambiente. Virei à cabeça para minha esquerda e vi alguns equipamentos, devo estar em um hospital, para ter aquela maquina que mostra os batimentos cardíacos do paciente. Virei para a direita vendo um sujeito sentado na cadeira, dormindo sentado para ser mais exato.

Conhecia-o, era aquele garoto da faculdade, como era seu nome mesmo? Hyukjae, ah, como era belo, logo o rapaz adormecido soltou uma risada, parecia estar sonhando com algo bom, sua risada deixara claro que ele era o dono daquela voz harmonioso, ele estava ali do meu lado, seria ele o meu anjo? Que traria a minha felicidade a luz do final do túnel da qual eu chamo de solidão? Pus-me a ver detalhes dele seu cabelo ainda estava descolorido, seu maxilar bem destacado, seus lábios carnudos e convidativos, seu nariz bonitinho, senti vontade de tocar nele, precisava sentir a textura de sua pele, ignorando totalmente o tubo que havia em minha boca, me sentei e logo em seguida fiquei de joelhos, estiquei minha mão para alcança-lo, toquei de leve os dedos.

Como era macia a sua pele, parecia veludo, além de branca era muito macia, podia ser facilmente confundida com a neve. Vi sua boca formar um sorriso, e logo seus olhos se abriram, como eram lindos um castanho amendoado, que logo se encheram de espanto, ver sua reação ao me ver me fez querer rir, mas o tubo em minha boa não permitia.

- OOOHHHHH!!!! VOCÊ ACORDOU.

Queria rir dele, não mudei minha posição apenas o segui com olhar, cair da cadeira, como era desajeitado, gostei disso. Ele me enchera de pergunta, não parava para respirar eu apenas o fitava como se quisesse responde-lo, mas algo me impedia. Logo sua presença desapareceu, ouvi sua voz gritando pelos corredores. Bufei, estava sozinho em um quarto de hospital, mas estava feliz, pois havia encontrado meu anjo. E ele se chamava Hyukjae.

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