{Baby You Are...} Capitulo 15 - Minha Visão


[::P.O.V. DONGHAE::]

Sentia-me leve, calmo, limpo como você preferir pensar, uma sensação de paz em mim que não me era igual. Abri os meus olhos vendo que estava de pé ao lado de meu corpo, novamente, entubado mostrando que a minha respiração estava fraca. Se aquela fosse a primeira vez, poderia ficar maluco, achando que estava dormindo em um sonho maluco, mas sei que estou aqui por algum motivo, que ainda me é desconhecido.

- Donghae, ainda não é sua hora, o que fazes aqui Meu menino? – Perguntou aquele Senhor de outra vez.

- Não sei, acredito que não aguentaria se não o vesse. – Disse enquanto olhava Hyukjae dormindo ao lado da cama.

- Tens razão, se não tivesse deixado sua alma sair de corpo nesse momento, não iria sobreviver. Mas dessa vez não fui Eu quem planejou essa ação.

- Acredito que é minha então, ou de meu coração.

Sorria, apenas isso, me sentia feliz em saber que Hyukjae estava ali do meu lado, dormindo como um anjo. Queria-lhe invadir os sonhos, acalma-lhe confortando-o de forma doce, apenas para vê-lo sorrir. Sei que minhas atitudes foram imprudentes, sei que Hyukjae deve ter ficado chateado com seu pai por deixar-me fazer tal loucura, mas acredito que se ele tivesse em minha pele, faria o mesmo.

Hyukjae suspirava, chamando meu nome em um tom baixo, agachei-me tocando com a ponta dos dedos os seus cabelos, de forma que não o acordasse. Vi uma lagrima escorrer em seu rosto, que por mais triste que fosse me senti feliz. Feliz em saber que ele chamara por meu nome antes, ele deve estar sonhando comigo, deve estar se sentindo culpado por não ter chego na hora. Sei disso, sinto isso, mas mesmo assim essa és a maior prova de que Lee Hyukjae realmente me ama.

- Eunhyuk, não chores, estou ao seu lado te acompanhando. – Disse-lhe em um sussurro, vendo que o mesmo abria os olhos, derramando algumas lagrimas, que pelo visto, tentara segurar. Ele olhou para o meu corpo, segurando minhas mãos, e acariciando meu rosto.

- Hae-ah, acorde, hum? Estou com saudades.

Sorri ao ver que seus sentimentos eram reais. Fazia um dia desde que nos vemos, que nos tocamos, nos beijamos e ele realmente sentia saudades de mim. Como um homem desses não pode ter uma imperfeição se quer?

Kyuhyun entrara no quarto com as mãos no bolso, pude sentir que ele queria confortar o amigo, mas não fazia ideia do que fazer. Ele se sentou ao lado de Hyukjae colocando as mãos em seu ombro, um ato de confiança, imaginei.

- Ele vai ficar bem, e você prescisa de energia para vê-lo acordar. – Começou Kyuhyun, pude entender que ele estava fazendo Hyukjae ir comer.

- Não irei sair daqui, e se ele acordar quando eu estiver fora?

- Trarei algo para comer.

- Não estou com fome. Se eu sentir como uma barra de cereal. – Hyukjae olhou para o amigo, que estava de pé prestes a ir embora. – Irei me virar, não se preocupe.

- Não me preocupar?

- Cuide de Sungmin, sinto que ele está bravo comigo.

- Não está bravo com você, apenas em choque. Nada sério.

- Vá cuidar dele.

Kyuhyun saiu do quarto, indo cuidar de Sungmin que conversava com a pequena July. Olhei para Hyukjae pensativo. Tinha algumas decisões a tomar, mas ainda estou indeciso em saber se me era certo cumpri-las.

- Donghae, pensas em muitas coisas, disso Tenho certeza. Mas suas escolhas lhe trarão beneficio á ele? – Perguntou o Senhor á respeito de meu amado.

- Uma coisa eu tenho certeza. Não voltarei até que ele e o seu pai acabem com a distancia que têm. Leve o tempo que durar, eu esperarei.

- Por que fazes isso?

- Pense bem, com todo o respeito, mas se eu voltar não quero que a família dele me odeie, nem que me culpem por afastar ele de sua família, quero ficar com Hyukjae para o resto de minha vida, não pretendo larga-lo.

- Não te contei sua uma coisa Meu filho. Você está aqui graças á sua energia física. Um dia nessa forma é um batimento cardíaco em seu peito.

- O que queres dizer?

- Seu corpo não está morto, a energia exercida pela ciência para manter seu coração batendo está sendo enviada para a forma em como se encontra. Poder tocar, sentir, ouvir Hyukjae não é nada mais e nada menos do que energia de teu corpo. Se esforçares muito te digo que não lhe restara outra saída.

- Entendo que agora Você quis dizer com Ainda não é a minha hora, pode não ser agora, mas sim daqui a dois minutos.

- A vida é uma caixa de surpresas.

Continuei a olhar Hyukjae, que tinha o rosto perdido em linhas de pensamentos que me eram desconhecidos. Se minhas ações são imprudentes, peço desculpas, mas não vejo outra saída para salvar Hyukjae de uma escuridão que eu já sentira

Sei como é ficar longe dos pais e culpar alguém por tal feito. É ruim, solitário, fiquei feliz em ter amigos como Sungmin e Yesung, sem contar da bela presença de minha pequena, mas nada preenchia o vazio, o calor de mão do qual sempre precisara. Mas Hyukjae me trouxera isso de volta, ele me ama incondicionalmente, cuida de mim de forma habilidosa, sempre que sorri me traz alegria, ele fez meu coração voltar à vida. Não quero que ele sinta a escuridão por minha causa, não quero que ser o motivo de seu sofrimento, mas sim de sua vida. E farei o que for necessário para fazer isso, trazer alegria ao meu anjo da vida.



Uma semana se passara, e nem se quer uma troca de olhares ocorreu entre os dois. Hyukjae não saiu de perto de mim um segundo se quer. Exatamente, fazia uma semana que não tomava banho, que não comia, tanto que ao seu lado tinha a bolsa de soro ligada á sua veia. Fico preocupado, mas a minha teimosia é muito maior. Não queria entrar em seus sonhos para lhe dizer o que eu quero, desejo que seja natural, que ambos sintam a vontade de se reconciliar.

Minhas energias, como se é de esperar, estão quase esgotadas. Sinto-me cansado e monitor de batimentos cardíacos não me deixa mentir. Cada batimento cardíaco a menos era um desespero á mais á Hyukjae, e isso me deixa triste. Sei que ele não teimoso, e que seu pai também não é, pois já o vira ir a voltar, apenas olhando da porta o desespero de seu filho, e o grande desejo de lhe confortar, mas mesmo assim, nenhum progresso.

Dessa vez era Wookie quem tentava fazer Hyuk comer, mas como sempre, se nega. Tudo o que faço é ficar no quarto olhando para ele, admirando tudo o que se passa em seu interior. Fico preocupado, pois nem dormir ele fazia. Apenas um cochilo de alguns minutos, nada muito sério, estava com medo de que algo acontecesse.

Duas semanas, isso é o que significa. Exatamente quatorze dias olhando Hyukjae sofrer. Depois da primeira semana, eu me sentia mais fraco ainda. Não consegui ficar em pé. Olhava apenas sentado ao lado de minha cama, Hyukjae chorar. Ele chorava, sentindo o coração vazio, sozinho. Não era isso o que eu queria, mas sinto que eu vou conseguir, sinto que irei vencer isso, bastava esperar. 

O pai dele, ainda se mantinha na soleira da porta, sofrendo silenciosamente com o filho, com medo de discutir com o mesmo, por não conseguir segurar seu ego. Bufafa quando via o mais velho se virando para voltar ao seu serviço, indo em direção do medo.

Três semanas. O monitor apitava dizendo que era risco, que se um batimento á menos tudo poderia se acabar. Meu estado agora nem sequer piscar eu conseguia, apenas com os olhos vidrados em Hyukjae vendo ele recusar mais comida, e as toalhas limpas para tomar um banho, ele recusava como uma criança. 

Iria aguentar até o ultimo minuto, sei que não passaria dessa semana, sei que eles irão conversar, pois o Senhor Lee entendeu o que quis dizer antes de tudo começar. E dessa vez a minha esperança era maior, já que o mesmo estava criando coragem para vim falar com o filho. Seria agora ou nunca.


[::P.O.V. HYUKJAE::]

Sem vida é assim que me sinto. Apesar de todos virem aqui tentarem falar comigo, me fazer comer tomar banho, ou agir como um ser humano eu recusava. Queria apenas ficar ao lado de Donghae que dormia profundamente. Cada dia é um sofrimento para mim, batimentos cardíacos abaixando a cada segundo, uma ponta de uma faca em meu coração dizendo que ele ficava longe de mim a cada instante.

Como posso ter deixado ele me levar tanto assim? O conhecera a pouco tempo e ele já ganhara meu coração? Lembro-me de quando o vi pela primeira vez, na faculdade, como ficara encantado com ele. Vê-lo no hospital fora um choque, mas ver seu interesse em mim, fora uma das melhores sensações. Nosso primeiro beijo, fora como mágica, me deixando nas nuvens, quebrando a minha realidade, me permitindo viver um sonho. A nossa primeira noite, como fora bom, como fora bom ouvi-lo chamar por meu nome, por fazê-lo sentir feliz e especial, o que realmente é para mim. Em tão pouco tempo ele conquistara um grande lugar em minha vida, um lugar grande e importante, me sinto feliz e completo com ele, e nada mais me importa.

Fui cortado de meus pensamentos vendo a figura de meu pai entrar no quarto, com uma mochila nas mãos, provavelmente ele fora mandando pela minha mãe para que eu tomasse banho, comer e ir dormir. Mas me assustei quando ele simplesmente jogou a mochila de lado e sentou-se ao meu lado dando um grande suspiro. Trançavas as mãos mostrando o quão nervoso estava, não posso imaginar o motivo de sua vinda, mas não iria ficar bravo com ele, sei que Donghae não iria gostar disso.

- Venho te pedir desculpas meu filho. – Começou ele, chamando a minha atenção. Virei meu rosto para lhe encarar, estava surpreso em vê-lo dizer tais palavras. – Sei que errei em tomar as atitudes que tomei, mas espero que me entenda.

- Entendo.

- Donghae realmente é um bom garoto, não irei mentir.

- Então porque agiu daquele jeito?

- Hyukjae, todo pai e mãe sentem isso. Quando os filhos nascem para todo o sempre eles serão nossos bebes que não estão prontos para o mundo. O tempo passa de forma rápida que nos deixa perdido. Quando piscamos lá está nossos filhos se formando na faculdade, e quando vem com a novidade de que está namorando, entramos em alerta, permitimos apenas aqueles que sentimos fieis, aqueles que possamos confiar nossos filhos. Se você me apresentasse uma garota, ficaria em alerta, mas por ter escondido o fato de gostar de outro homem, isso me deixou arrasado.

- Como se estivesse falhado em sua missão de ser pai?

- Exato. Realmente não suporto ver pessoas do mesmo sexo juntos. Mas durantes essas semanas venho aqui olha-lo vendo sofrer, isso abriu meus olhos. Espero que me perdoe.

Lagrimas saiam dos olhos de meu pai, o que me deixara novamente surpreso. Ele estava ali chorando pela primeira vez, na minha frente. O abracei mostrando que havia perdoado e que também pedia por perdão. Senti um alivio em meu peito, era isso que Donghae queria desde o inicio? Pois conseguira, me senti aliviado, como se um peso fosse tirado de minhas costas. Mas agora minha preocupação se voltara á aquele ser que ainda dormia profundamente.

O monitor apitou, mostrando que os batimentos cardíacos de Donghae haviam parado. Meu pai se soltara de mim, logo examinando Donghae. Senti meu peito doer, doer muito, não fisicamente, mas emocionalmente, como se tirasse de mim algum órgão. Médicos entraram na sala, uma enfermeira juntamente com Kyuhyun me puxaram para o lado de fora.

Tudo se passava em câmera lenta, eu tentando me livrar dos braços de Kyuhyun e da enfermeira, enquanto via o peito nu de Donghae recebendo os choques que o aparelho lhe dava, tentado salvar sua vida. Minha visão fora bloqueada quando a porta se fechou, me deixando sem ar. Estava fraco, cansado, sujo como poderia me manter em pé quando nesse exato momento a minha outra metade lutava para viver?

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