{Baby You Are...} Capitulo 14 - Aposta


[::P.O.V. DONGHAE::]

Sentia-me vazio, triste, inútil. Era tão difícil fazer Hyukjae gostar de sua família, sendo que a qualquer momento eles poderiam partir? Não quero o ver chorando se culpando por não ter sido um bom filho, essa é a ultima coisa que eu quero. Mas ele está tão devoto a mim que me sinto feliz, tenho certeza de que é com ele com quem passarei o resto de minha vida. O fato de Hyukjae ser tão determinado, em qualquer assunto que seja me deixa fascinado, se não fosse por sua voz, essa seria a primeira coisa por qual me encantaria.

Agora ele deve estar dando pontos no machucado em sua mão, mas de nada podia falar, já que ele quebrara o copo por ter ficado com raiva do que eu dissera. As únicas coisas que eu tenho que fazer é ficar bom, ter uma saúde boa e resolver o assunto de Hyukjae. Mas agora que eu paro para pensar, se ele saiu de casa, onde ele foi tomar banho? 

A porta de meu quarto foi aberta mostrando a figura de Sungmin, que me parecia preocupado, já que ao me ver acordado correu até a cadeira se sentando.

- Me dê uma boa razão para eu ter visto Hyukjae na enfermaria.

- Você não tinha ido embora?

- Fui, mas o Kyu esqueceu um copo aqui e eu vim buscar, mas me deparei com o Hyukjae na enfermaria dizendo que o copo estava quebrado.

- Ah, eu e ele discutimos.

- Por que?

Sungmin era como uma mãe para mim, sempre disposto a me ouvir e aconselhar, sem dizer na comida gostosa que ele faz que me lembra a minha mãe. Então eu não tinha motivos para esconder dele, contei-lhe tudo o que havia ocorrido desde que saíra, sem esconder um detalhe se quer, ele me ouvia sempre concordando, mas não fez nenhum comentário.

- É, realmente isso é tenso e me sinto culpado por ter te contado isso, mas tente segurar essa sua língua. – Disse Sungmin quando eu terminei de contar.

- Mas me senti preocupado, você sabe como me sinto, não têm como evitar.

- Tem sim, você é que não quer. Ele é novo quando o assunto é relacionamento, ele nunca brigou com o pai por causa de namoradas, quanto mais de homens, é claro que suas ações serão impulsivas.

- Entendo, mas me tire uma duvida, onde ele está dormindo?

- Na sua casa, onde mais? – Iria começar a argumentar mas ele me parou. – Pode parando, ele vai cuidar certinho de tudo, é só até a poeira na casa dele abaixar.

Pensar no Hyukjae dormindo na mesma cama em que eu dormira nesses últimos anos me deixou em um estado... Critico, posso dizer assim. E se ele usar de mesmas roupas que eu, se as que ele trouxe acabarem. Tenho que parar de pensar nisso, não é a melhor hora.

Sungmin saiu do quarto depois de conversarmos mais um pouco, Hyukjae ainda não chegara no quarto, o corte deve estar fundo para que demorasse tanto. Estava entediado naquele lugar, o único som era das maquinas ao meu lado, que apitavam a cada batida que meu coração dava. A porta foi aberta mostrando a figura do pai de Hyukjae, que se sentara ao meu lado dando um suspiro pesado.

- Venho aqui pedir desculpas, pelo o que fiz com seus pais. – Fiquei olhando ele, esperando que continuasse. – Sei que minhas ações não fora dignas de um homem de minha idade, mas acredito que você deve entender.

- Entendo. – Disso o mais compreensível o possível.

- Mas venho aqui a um pedido. – Continuei a olhar-lhe esperando o seu pedido, algo em mim dizia que eu precisaria de muita paciência pelo o que estava por vir. – Termine com o meu filho.

Senti perder meu chão, não poderia estar escutando aquilo, mas seu pedido era compreensível, eu sabia seus motivos, mas mesmo assim não iria fazê-lo, não depois do que Hyukjae me dissera mais cedo.

- Sinto muito, mas não posso fazê-lo.

- Por quê?

- Conversei com ele a respeito disso, eu quero que Hyukjae aproveite a família para mais tarde não ficar se culpado por algo que não fez. Mas ele disse que não, então de nada posso fazer.

- Converse com ele mais uma vez, se for preciso. – Sentia que ele tentava ser o mais calmo o possível. – Você sabe como eu me sinto em relação á isso.

- Senhor, sei que descobrir a opção sexual de seu filho pode ter sido chocante, mas uma coisa é necessária, compreensão. Eu lhe entendo que queira o melhor para seu filho, pois eu também o desejo, mas se Hyukjae diz que será feliz ao meu lado, nada farei a respeito disso.

- Não posso confiar em vocês. Sinto que ele será apunhalado pelas costas e eu não quero isso.

- Se esse sentimentos que sentes é duvida de meu amor pelo seu filho, então apostarei a minha vida ao senhor que nada o machucará, se ele conviver ao meu lado.

- Não fale besteiras, vocês não sabem o que é amor, são apenas jovens.

- Somos jovens, e precisamos aprender, e sei que o que eu sinto pelo seu filho é algo que nunca senti antes.

- Hyukjae não sente o mesmo que ti meu jovem, disso eu tenho certeza.

- Façamos o seguinte. Bata em meu peito. – Disse convicto, ele sabe o que eu quero dizer.

- Por que deveria?

- Apenas bata.

- Donghae se eu lhe bater as suas costelas...

- Irão se quebrar perfurando meu pulmão, eu sei disso.

- Então sabes que as chances de viver são mínimas.

- Sei disso e lhes digo, se eu sobreviver á isso é porque o meu amor por seu filho é tão grande que nem o destino pode interferir. 

- Isso não será um caso de sorte, isso têm a ver com sua saúde, você sabe que não sobreviveras. Não quero que Hyukjae me odeie.

- Acaba de deixar claro que sabe o teu filho sente em relação á mim, mas confio no que faço. Vou sobreviver irei me recuperar para poder ficar ao lado de Hyukjae.

- O que eu ganho com isso?

- Você irá ver em como está errado. Apenas veja como seu filho ficará ao saber que eu apostei a minha vida para poder mostrar a ti como eu o amo.

Poderia ser loucura, mas tinha certeza de que iria conseguir. Hyukjae não pode perder sua família, mas acredito que eu apostando a minha vida fará com que seu pai entenda como ele se sente. Hyukjae é tímido quando se trata de relacionamento, isso é algo muito bonito nele, mas parar de ver seu pai por minha causa é algo que não posso perdoar. Irei arriscar as poucas chances de vida que tenho, sei que vou sobreviver, pois foi isso o que Aquele Homem de meus sonhos dissera que enviaria um anjo para a escuridão de meu coração, esse anjo deve ficar para o resto de minha vida. 

Sei que Hyukjae ficaria bravo comigo, que provavelmente vai xingar aos montes por agir tão imprudentemente, mas seu pai irá ver como ele se sente e irá abrir o coração para Hyukjae. Ele merece uma segunda chance, pois tudo o que fizera é amor de pai, e quero que Hyukjae sinta isso.

O Senhor Lee parecia relutante, queria ver o meu limite, mas seu profissionalismo não lhe permite por a vida de um paciente em risco. Usei as minhas forças para segurar-lhe a mão e bati com força em meu peito. A força fora tão grande que pude ouvir os estalos vindo de meu peito. Não se demorou em sentir uma dor insuportável afligir meu peito, logo a dificuldade de respirar. Nada mais seria possível, agora estava tudo nas mãos do destino.


[::P.O.V. HYUKJAE::]

Minha mão agora estava enfaixada, realmente demorei ao fazer os pontos, mas esse é o preço de tentar descontar a minha raiva em qualquer outra coisa que não seja Donghae, não que ele seja uma coisa, mas prefiro me machucar a ver ele machucado por minha causa.

Passava pelos corredores, vendo alguns médicos e outros enfermeiros passarem por mim correndo, fiquei olhando eles entrarei no quarto de Donghae. Alguma coisa aconteceu a ele? Meu coração falhou uma batida, corri até o quarto, abrindo a porta aos prantos, o monitor dava que ele não respirava. Olhei para quem olhava atonitamente para Donghae, era meu pai. Quando nossos olhares se encontraram ele apenas abaixou a cabeça, fiquei olhando os médicos tirarem Donghae da cama, levando-o para outro lugar.

As lagrimas saiam de forma continua, não conseguia para-las, fiquei tão perdido que a única coisa que resolvera fazer fora segui-lo. Deveria estar calmo, não é a primeira vez que el vai para a sala de cirurgia, mas a dor em meu peito era tão grande que me deixava totalmente desconfortável. Olhei para meu pai que estava parado ao meu lado fitando a porta da sala de cirurgia.

- O que aconteceu?

- Ele fez isso, não fui eu. – Dizia ele olhando atonitamente para frente. – Ele apostou a vida dele, vamos ver se ele será capaz de cumprir a aposta.

A raiva pulsava em minhas veias, segurei fortemente o colarinho da camisa de meu pai, que me olhava sério, ele realmente não tem coração. Já matou os pais dele então deve ser fácil tentar fazer o mesmo com o filho. 

- Se algo acontecer á Donghae, eu juro que não ficarei calado.

Soltei ele, vendo meu pai se afastar para a sua sala, provavelmente para cuidar de outros pacientes. Não ficaria sozinho ali, peguei meu celular e enquanto procurava o numero de Kyuhyun, pude ver o quanto tremia, suspirei baixando o celular, uma enfermeira passou por perto, pedi á ela que ligasse para meu amigo.

Enquanto Kyuhyun vinha, provavelmente ás pressas, eu tentei achar um modo de me acalmar, mas nada encontrava. Tentei sentar na sala de espera e assistir a televisão, mas não surtira efeito. Queria ficar ao lado da sala de cirurgia, mas eu podia entrar, porém no estado em que me encontro eles iriam me por pra fora. Derrotado me sentei no chão cobrindo meu rosto com as mãos, não queria mostrar a ninguém o meu estado emocional. Lagrimas e soluços escapavam de mim, de forma tão natural que me odiei por um segundo, porque eu tinha que estar longe dele, por que tudo tinha que acontecer justo hoje?

Por que Donghae faria tal ação, não vejo motivos para ele apostar a sua vida por algo tão... Ele realmente queria se livrar de mim, esse é o jeito dele de terminar as coisas? Não, ele não faria isso, provavelmente essa seria a chance perfeita de fazer eu me aproximar de meu pai, mas ele sabe que eu odeio o velho mais ainda. Não vejo motivos concretos para Donghae fazer tal ação, ele sabe muito bem que uma força sobre seu peito significava ficar entre a vida e a morte, e ele fizera isso, deixara isso acontecer. E ainda mais com o meu pai ao seu lado, saboreando tudo de perto, como eu o odeio, como eu me odeio por não ter estado ao seu lado. Mas de uma coisa eu tenho certeza, se Donghae morrer, eu vou junto, pois não irei aguentar olhar para meu pai e lembrar tudo o que ele me fizera, posso acabar cometendo um crime.

Estava tão perdido em meus pensamentos que me assustara ao sentir mãos acolhedoras de Kyuhyun sobre meu ombro, como um gesto de que tudo estaria bem. O abracei com todas as minhas forças, não se demorou para Ryeowook chegar perto com água, peguei o copo de plástico tomando todo o conteúdo enquanto o Wookie enxugava minhas lagrimas.

- Quanto tempo ele está lá dentro? – Perguntou Wookie.

- Meia hora, não sei direito.

- Entrarei lá para ver o estado dele. – Dissera Yesung, agradeci á ele apenas movendo a cabeça.

Depois de Yesung ter entrado na sala de cirurgia, Kyuhyun e Ryeowook me levantaram ajudando-me a sentar na cadeira que havia perto. Sungmin estava lá sentado apenas olhando para o vazio. Senti-me culpado, parecia que Sungmin estava me odiando internamente, não tive coragem em lhe olhar por muito tempo muito menos de lhe proferir alguma palavra.

1h se passara, nem sequer Yesung saíra para dar noticias, Ryeowook dormira em meu ombro, Kyuhyun conversava com Sungmin em um modo de acalmar o parceiro. Eu estava quase arrancando meus cabelos de tão preocupado que estava com Donghae. Queria abrir aquela porta para saber os detalhes do que ele precisava, mas nem se quer eu poderia me levantar, não queria acordar o mais novo.

Não se demorou muito e logo Yesung saiu da sala de cirurgia com os aventais sujos de sangue, senti uma tontura, permaneci sentado apenas passando a mão no ombro de Ryeowook para que acordasse. O mais velho veio em nossa direção, com o rosto nenhum um pouco feliz.

- A coisa está séria.

- O que aconteceu? – Perguntei, quase perdendo a paciência.

- Conseguimos parar o sangramento, mas o problema é respiratório. Os pulmões dele estão arruinados por causa dos pequenos buracos que as costelas fizera.

- Yesung, somos humanos e não deuses, por favor, fale de um jeito que a gente entenda. – Pediu Sungmin.

- Ele está em coma. Não sei por quanto tempo, mas ele não irá aguentar por muito tempo.

- Têm como fazer um transplante?

- Não no caso dele, a única coisa que devemos fazer é rezar.

Senti tudo á minha volta girar, a escuridão se tornara constante em minha linha de visão. Donghae está em perigo, se ele morrer, não existirá vida que me prenda nesse mundo.

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