{Baby You Are...} Capitulo 10 - Admiradora Secreta


[::P.O.V. HYUKJAE::]

Todos os meus amigos estavam se divertindo nesse final de semana, aproveitando a companhia da pessoa amada, deve ser divertido. Mas para mim isso não passava de um desejo, um desejo que gostaria muito de realiza-lo, mas a pessoa que me acompanharia está indisposta em me ajudar a realiza-lo.

Donghae teve uma recaída. Antes de isso acontecer eu estava contando á ele sobre minha admiradora secreta. Não sei se o que fiz foi certo, mas sentia a necessidade de não ter segredos com ele, pois Donghae é meu primeiro namorado. Ele me escutava com atenção, não demonstrou ciúmes, nem nada do tipo, o que me deixara aliviado. Fui sincero no que sentia em relação á aquela pessoa que me era estranha. Nas cartas, nas palavras eu me sentia mais calmo, paciente, amoroso, quente, quente como um abraço de uma mãe. Mas não sabia quem era, e isso me deixa com muita curiosidade.

Donghae apenas falara que estava bem, que também gostaria de conhecer tal pessoa, mas eu sei que ele não se sentia bem. Sabia que ele estava se sentindo desconfortável, em saber que eu estava curioso em conhecer uma pessoa, que provavelmente, tenha sentimentos por mim.

Até aí tudo bem, depois dessa conversa, me senti próximo á Donghae, me senti como se o conhecesse á anos. Isso me deixou feliz. Sai para ir ao banheiro e quando voltei o monitor dos batimentos cardíacos estavam quase chegando ao zero. Chamei o médico responsável que veio com uma equipe pronta. Levamo-lo para a sala de cirurgia, segundo o médico uma das costelas que estavam trincadas quebrou passando de raspão em seu coração. 

Como eu me senti na hora? Inútil, triste, sozinho, tudo o que puderem imaginar. O médico pediu para uma enfermeira para que me tirasse da sala de cirurgia, pois chorava e muito. Pedi silenciosamente para que a equipe não reportasse tal acontecimento á meu pai, para não me trazer problemas, eles logo entenderam meu pedido. Fui com a enfermeira para a cafeteria, tomando um copo de água tentando acalmar meus nervos, que naquela hora não conseguia voltar ao lugar. Tudo parecia doer, o mundo de repente ficou triste, sem vida, sem motivo para viver. Pensei na possibilidade de que a cirurgia pudesse dar errado, me senti um lixo, me senti uma pessoa a mais no mundo que não tinha razão em viver. Fechei meus olhos e começara a rezar para o Deus que nunca pensara em acreditar, queria ver ele vivo, quero ter ele novamente. Não Donghae não estava correndo risco de vida, então por que fazer tanta algazarra para ver ele vivo, Donghae não irá embora, não me deixará sozinho. Se ele me deixar o seguirei, não vou ficar aqui sem ele. Tão pouco tempo que o conhecia, e já aprendera a amar tanto ele, como pode um sentimento tão pequeno trazer tantos significados?

Não sei a resposta, mas devo admitir que esse sentimento é algo muito bom e viciante, o amor virou a minha droga. Levantei-me e fui até a sala de cirurgia, o médico já estava terminando de operar Donghae, o que me dera um grande alivio no coração. 

- Ele ficará bem. – Disse o médico com a sua mão em meu ombro, numa tentativa de me acalmar.

Assim levei Donghae novamente á seu quarto, coloquei a mascara para melhorar sua respiração e que não expirasse alguma bactéria que pudesse deixar seu estado pior. Sentei-me na cadeira que havia ao lado de sua cama, olhando para ele. Deja vu novamente eu estava sentado naquela cadeira observando Donghae dormir. Da primeira vez não o conhecia, apenas sentia uma forte batida em meu peito pedindo para conhecer aquele anjo deitado na cama, agora esse anjo era meu. 

Com o celular em mãos, pensei se deveria avisar aos outros, mas eles devem estar aproveitando o sábado para tirar o estresse que a semana lhes proporcionaram, seria muito injusto fazer o sábado deles desabar com tal noticia. Mas se eu não avisasse, poderia acabar levando uma bronca de Sungmin. O que deveria fazer? Pensei no assunto tantas vezes, que resolvi mandar uma mensagem para Kyuhyun.

‘’Kyunnie, como está seu sábado? Está tudo certo? Pois bem, depois de pensar muito resolvi lhe avisar. Donghae acabou de sair de cirurgia, uma das costelas trincadas quebrou-se passando de raspão no coração. Acalme Sungmin que deve estar ao seu lado arrancando os cabelos, está tudo bem agora, Hae está dormindo.

--Hyukjae’

Assim que enviei a mensagem a respostas veio em seguida. Kyunnie dissera que no dia seguinte viriam ao hospital, deixariam Donghae descansar para escutar as reclamações no dia seguinte.

Suspirei, já era noite, a lua estava escondida no meio das nuvens. De uma maneira me senti tão indesejado, tão idiota que não sei como meu pequeno coração aguenta tais sentimentos, devo me considerar forte?

Olhei para Donghae que ainda dormia, seu rosto angelical me deixava de um jeito tão... Sem palavras para saber. Um sentimento grande, grande, volumosos, brilhante, feliz. Me debrucei na cama, tirando a mascara de seu rosto, aproximei meus lábios dos dele, selando eles. Queria sentir o gosto dele, mas não podia. Mesmo assim selei seus lábios milhões de vezes antes de botar a mascara no lugar. Assim que endireitei na cadeira, senti meu rosto ficar molhado, estava chorando.

- Fique bem, tá?

Acariciei seu rosto, sentindo sua pele macia sob meus dedos. Como aquele ser poderia ser tão perfeito? Ri sozinho, naquela escuridão me sentia sozinho, se eu não escutasse sua voz me sentiria assim. A porta do quarto foi aberta, mostrando uma das enfermeiras, ela me buscou com o olhar e assim que achou começou a falar.

- Hyukjae, têm alguém que quer falar com você, ela está esperando no terraço.

- Já estou indo, obrigado.

Assim que a enfermeira saiu, me pus a olhar novamente Donghae, alisei sua pele novamente, me levantando deixando o quarto. Caminhei até as escadas, subindo degrau por degrau sem nenhuma vontade. Cheguei no terraço que era iluminado por alguns postes de luz, vendo uma figura feminina olhando o movimento da cidade. Não a conhecia, seus cabelos eram negros e curtos, sua pele parecia ser branca.

- Eh... Quem é você? – Perguntei tirando a jovem moça de sua linha de pensamentos.

- Ah Kyukjae, desculpa incomoda-lo á essas horas, mas eu precisava vir te ver.

- Ah.

- Sou sua admiradora secreta.

Me senti feliz, mas foi assim de repente.

- Ah, você é quem coloca as cartas na minha mesa antes de eu chegar?

- Fico feliz que tenha curiosidade em saber quem eu era, mas nesses últimos dias não tenho visto você nas aulas depois do almoço, fiquei preocupada e tomei a decisão de mostrar a minha identidade.

- Ah, estou sem palavras.

A garota sorria, apenas sorria. Seus olhos eram negros porém me pareciam familiar, mas nunca a vira na faculdade. 

- Seu nome...

- Ah, ainda não lhe direi. Apenas vim aqui mostrar a minha aparência e lhe dar conforto.

- Conforto?

- Fiquei sabendo que seu namorado acabou sair de uma cirurgia, você deve estar se sentindo mal. Vim aqui para lhe confortar.

Minha mente virou uma confusão. Como aquela garota sabia de meu relacionamento com Donghae, sendo que ainda não oficializamos tal relação? Ninguém além de meus amigos e alguns enfermeiros xeretas do hospital, sabiam. Mas mesmo assim, me sentia quente. Ela se aproximou lentamente de mim, deixando seus braços rodarem meu pescoço fazendo minha cabeça pousar em seu ombro. Inalei seu doce perfume, que também me era familiar. Quando me dei conta minhas lágrimas desciam, toda a minha preocupação saia de mim sem a minha permissão. Como aquilo poderia acontecer? Posso me sentir confortável com as doces palavras que aquela garota me escrevia, mas ainda me era estranha, não poderia sair contando a torta direita tudo o que sentia. E se ela saísse contando para Deus e todo mundo o que aconteceu aqui? Não conseguiria pensar em outro jeito de encarar os olhares tortos. Mesmo assim, eu estava ali nos braços de uma mulher desconhecida, chorando e desabafando todos os meus medos de perder Donghae.

A garota passava a mão em meu cabelo, me senti tão seguro nos braços dela. Mas ela não dissera que gostava de mim? Como poderia aceitar o fato do garoto que ela gosta ser gay? Não entendi essa história direito, será que perdi alguma coisa?

- Vai ficar tudo bem Hyukie, a noona está ao seu lado. – Larguei seus braços, encarando a garota que estava na minha frente, ela apenas dera um sorriso.

- És mais velha que eu?

- Você vai descobrir sobre mim aos poucos, agora volte ao quarto e fique ao lado de Donghae.

A garota me deu um beijo na testa e saiu, fiquei no terraço pensando no que acabara de acontecer. Como poderia? Quem era ela? Quando me dei conta de que estava pensando besteira demais, voltei ao quarto de Donghae.

Assim que adentrei no quarto, a primeira coisa que vi foi o monitor com os batimentos cardíacos, estavam normais, o que me era alivio, amanha provavelmente ele estará acordado, sorrindo. Sentei-me novamente na cadeira, suspirando.

- Hae-ah, acredita que me encontrei com a garota das cartas? Ela não me disse seu nome, mas me confortou. Ela me abraçou, isso seria considerado traição? Espero que não. Mas não vou mentir Hae-ah, quando ela me abraçou, eu chorei. Não sei por que. – Ri quando me lembrara da primeira vez que o vira, falara sozinho jurando ter falado apenas com as paredes, e quando ele acordou, fez menção de repetir as palavras que eu usara. – Quando você acordar, você repetirá as minhas palavras como da ultima vez?

Debrucei-me na cama, e me pus a dormir, estava cansado. Se tive algum sonho eu não sei, apenas dormi, ansiando pelo dia seguinte para ver novamente o sorriso de Donghae.

Acordei com uma pequena mão acariciando meu rosto. Abri meus olhos me acostumando com a luz que sol fizera questão de deixar invadir o quarto. Vi uma pequena garotinha que a me ver acordando, dera um lindo sorriso, mostrando as janelinhas, seus dentes devem ter caído.

- Bom dia July.

- Bom dia oppa. Minnie oppa me trouxe aqui pra ver o Hae Appa, mas ele não está. – Como assim ele não estava?

Levantei-me olhando a cama, que estava vazia. Onde ele foi? Na condição em que Donghae estava ele não deveria estar andando. Levantei-me indo em direção do banheiro, lavando meu rosto. Assim que senti que havia acordado, olhei para o relógio, que marcavam dez horas da manha. Ah certo a ecografia. Tinha me esquecido que Donghae tinha que fazer.

Fui com July até a cafeteria, iríamos tomar um bom café da manha enquanto Donghae fazia o exame. Comemos e brincamos muito, como era bom, nunca havia percebido que fizera amizade rápida com a pequena. Ela era muito esperta para a idade, o que me deixava maravilhado. Onde Donghae encontroara esse pequeno anjo? Logo Sungmin se juntara a nós com um sorriso no rosto.

- Bom dia Hyukjae. July te acordou?

- Bom dia Minnie, mais ou menos, como se sente?

- Bom depois da mensagem que você mandou claro que fiquei preocupado, quando cheguei de manha Donghae não estava, e vocês estava dormindo. Perguntei a uma das enfermeiras e ela disse que ele estava na ecografia.

- Eu tinha me esquecido disso, com certeza eu vou levar um bronca por isso.

- Mas por que dormiu tarde?

- Não durmi tarde, estava cansado. Principalmente depois de ver a garota das cartas.

- A garota das cartas?

- Ah a minha admiradora secreta veio aqui ontem, e....

Acabei por contar todo o ocorrido para Sungmin, que me mandava o mesmo olhar que Donghae, quando falara sobre a garota. Donghae me mostrou força e coragem para continuar a contar, que não deveria temer sua reação. Agora seu melhor amigo dava o mesmo olhar para uma situação mais critica. Não sei de onde tirei a forma de traição. O fato de ter abraçado e chorado no ombro de mulher enquanto meu namorado estava no andar de baixo, dormindo depois de fazer uma cirurgia me parecia errada, parecia que eu fiz algo errado. A minha vontade era de contar tudo á Donghae, e seria isso o que eu faria quando ele acordar.

- Bom, ela não me parece gostar de você, mas mesmo assim, se você tiver vontade de contar para Donghae, eu acharia melhor.

- Para que ele não entendesse errado.

- E também para tirar a estranheza que ainda emana entre vocês. 

- Estranheza?

- Por mais que vocês dois saibam de seus sentimentos, nenhum toma iniciativa. Tudo bem vocês já se beijaram e tal, mas ainda estão tímidos um com outro. Se você seus segredos para ele, Donghae fará o meso e assim ficaram mais próximos.

- Mas eu não tenho nada a contar, e eu gosto da relação que eu tenho com ele.

- Hyukie, você espera o Donghae dormir, para dar um ataque de selos nele.

Senti meu rosto queimar, como ele sabia disso? Sempre tive vergonha de beijar Donghae quando ele está acordado, pois sinto medo de que ele não goste, por isso sempre espero ele cair no sono para selar seus lábios. Mas eu fazia isso quando tinha a pura certeza de que não havia ninguém olhando para me dedurar. Acho que fui pego.

- Como sabe disso?

- Todo mundo sabe, até o Donghae.

- ATÉ O DONGHAE? – Gritei, Sungmin tampou a minha boca, para que eu falasse mais baixo.

- Você acha que Donghae vai dormir cedo por estar cansado?

- Sim.

- Que inocente que você é Hyukjae, é claro que ele dorme cedo pra aproveitar dos seus beijos, ele sabe que assim você se sente mais confortável.

Continuamos a conversar sobre assuntos aleatórios. Estávamos esperando Donghae voltar da ecografia. Assim se passaram trinta minutos, quando a enfermeira avisou que Donghae estava acordado. Senti meu coração bater bem forte, pedi para que Sungmin e July fossem primeiro, não estava nas condições certas de encara-lo agora. Sungmin entrou no quarto, enquanto eu olhava para o relógio, não demorou muito tempo e ele logo saiu se despedindo, deixando Donghae totalmente livre para mim.

[::P.O.V. DONGHAE::]

Toda vez que fico inconsciente, eu escuto a voz de Hyukjae ficar embarcada de lagrimas, e isso deixa meu coração aflito. Ouvira-o dizer sobre sua admiradora secreta. Será que Hyukjae sabia que tal pessoa me deixava medroso? Quem era ela, eu não sabia, mas ela tinha um efeito sobre Hyukjae, que eu não tenho. Deixar ele confortável, abraçar ele e ainda deixar chorar em seu ombro, como uma pessoa estranha permitiria tal feito? Como Hyukjae pode se deixar levar? Será que eu não estou fazendo certo? Será que errei em algum ato em fazê-lo me amar? Sim Hyukjae já dissera uma vez que me amara, mas me sinto ameaçado. Sinto que essa garota está querendo tirar aquele homem que me pertence. Por mais que eu tente ser compreensível, no meu interior eu me desabo. Como ele pode sentir isso por uma pessoa que não conhece. E ainda me sinto pior em saber que ela sabe de meu relacionamento com Hyukjae, será que faz isso para provar que heterossexualismo seria melhor que o homossexualismo? Não me importo com isso só sei que, sem mesmo saber quem é ela, não deixarei levar Hyukjae para longe de mim. Eu recebi um aviso dizendo que um anjo viriam até mim para me tirar da escuridão e esse anjo é o Hyukjae, então ela que cace outro para ela, esse já tem dono.

Quando recuperei a consciência, estava no meio de um exame, não sei qual era, e muito menos me importara. Não demorei muito á voltar no meu quarto e acalmar meu coração com a visita da pequena July, que me dera um abraço cuidadoso, para não me machucar.

- Appa, você fez o Hyukie oppa chorar?

- Não por que?

- Quando eu vim aqui, ele estava dormindo e chorando.

Olhei para Sungmin. Como assim ele estava chorando enquanto dormia?

- Pode ficar calmo, fiquei conversando com ele, e claro que Hyukjae me contou, mas acho melhor você escutar dele.

Fiquei preocupado. O que se passa na cabeça de Hyukjae? O que faltava em mim para deixa-lo feliz? Sungmin pegou na mãozinha de July deixando o quarto. Não demorou e logo Hyukjae entrara. Ele parecia nervoso, não olhou em meus olhos, apenas se sentou na cadeira, suspirando.

- Como se sente?

- Bem, e você?

- Nenhum um pouco. – Meu coração se partiu, seria agora. – Donghae, eu tenho que te contar uma coisa.

- Fale.

Hyukjae começara a contar tudo o que ocorrera desde que eu perdera a consciência. Diz ter encontrado a garota das cartas, de ter chorado, tudo o que havia dito para as paredes na noite passada ele me dissera, dessa vez sem lagrimas. Suspirei sem saber como responder aquilo.

- Como espera que eu responda?

- Quero que seja sincero.

- Não, não me sinto traído, me sinto inútil, estou errando em algo Hyukjae? Teve alguma coisa que eu fiz e que não te agradou?

- Não é isso, mas... Donghae me sinto tão... Perdido.

- Hyukjae, não te entendo.

- Donghae, eu não conheço essa garota, mas sinto que já a vi em algum lugar, me sinto confortável e ontem quando ela me abraçou em me senti, forte, pude chorar e contar meus medos pra ela.

- E comigo? Como você se sente comigo?

- Donghae, disso eu tenho certeza, e não têm nada no mundo que me faça mudar de ideia, você eu amo. Eu te amo tanto, que se você morresse, eu me mataria, só para ficarmos juntos.

Senti-me seguro, agora sim, eu me sentia completo. Agora eu sentia a sinceridade nas palavras de Hyukjae. Não me aguentei e estiquei os braços, fazendo ele se encaixar neles, pousando sua cabeça em meu peito. Levantei seu queixo procurando seus lábios. Selei-os de forma leve, porém muito boa.

Fiquei com Hyukjae em meus braços por muito tempo. Não iria soltá-lo, não, nem que uma garota se intrometesse em nosso relacionamento. Lee Hyukjae pertence á Lee Donghae e a mais ninguém.

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