{Baby You Are...} Capitulo 1 - É apenas um acidente


[::P.O.V. DONGHAE::]

Sempre me considerei um garoto normal. Mas cheguei em um ponto que descobri, que a minha vida estava se tornando entediada. Tudo era igual, cada dia, cada passo, tudo era igual. 

Nos meu quatorze anos descobri algo que abriu o meu novo caminho. Nessa idade, queremos experimentar de tudo, como é o sabor do álcool, como é o chegar no ápice em uma noite de prazer, e como é ficar com alguém do sexo oposto. Sim eu experimentei tudo isso. 

Acabei ficando com um garoto de minha idade e com as mesmas curiosidades que eu. Ficamos, e logo uma onda de sentimentos me inundou. Na época não sabia como controla-los, não sabia distinguir se era amor ou apenas uma paixonite de adolescente.

Ficamos juntos por um tempo, tanto eu quanto Henry. Para nós dois estavam namorando. Agora que estou mais maduro, vejo que não foi tão mágico assim. Mas pude aproveitar tudo, cada vez que fugíamos da sala de aula e corríamos para o famoso armário do zelador, para poder matar nossas necessidades. 

Essa ‘’aventura’’ durou alguns anos. Para ser exato duraram dois anos. No meu ultimo ano do colegial, minha mãe e meu pai descobriram, e prontamente fizeram o maior escândalo, quando os pais de Henry souberam disso, se mudaram para o Canadá, sem nem se quer nos deixar despedir. 

No ano seguinte, passei na faculdade de Fotografia. Essa foi a única coisa que meus pais me deixaram escolher. Tanto é que eu estou noivo de uma mulher que nunca vi na vida, a única coisa mencionada era ser filha de alguém importante nos negócios.

Ao saber de tal noticia, briguei novamente, deixando claro que não sentia atração por mulheres, mas sim por homens. O resultado da briga, eu fui expulso de casa. 

Já faz cinco meses que eu estou morando sozinho em um pequeno apartamento. Literalmente pequeno, pois possui apenas um quarto, uma cozinha, a sala e o banheiro. E ainda por cima eu consegui com a pequena quantia de dinheiro que minha mãe me dera antes de eu passar pelos portões de casa. Digo pequena quantia, por eu gastar ela apenas no apartamento, nem sequer eu comia direito. 

Depois de comprar o apartamento, logo em seguida fui à procura de um emprego. O único que eu consegui foi de garçom em um restaurante italiano. Com o meu primeiro salário, abasteci a geladeira, com o segundo comprei algumas roupas, pois não levara muito. Agora, já estou totalmente instalado. Consigo administrar bem o tempo entre a faculdade e o trabalho, e o pequeno tempo que sobra, vou ao orfanato ver a pequena July.

Lembro-me até hoje de quando estava voltando do trabalho me deparei com aquela menina com roupas rasgadas e hematomas pelo corpo. Fiquei com tanto dó que parei para perguntar se estava tudo bem e onde se encontrava seus pais, mas ela não dissera nada. Levei-a para casa, e cuidei dela por alguns dias, logo tive que leva-la para o orfanato. Durante nosso curto tempo juntos, ela se acostumou em me chamar de Appa, o que me deixara feliz. Prometi á ela que sempre iria visita-la todos os dias, e nunca quebrei tal promessa.

Bom indo para a minha atual situação. Acabei de sair da faculdade e estou indo para o orfanato. Faltam 30 minutos para dar o meu horário para ir ao trabalho. Passei pelo pequeno parque, caminhando entre as sombras que as árvores me traziam. Mais alguns passos e estava na frente dos portões enferrujados. Em uma pequena escada que tinha na frente da porta do sobrado, estava uma pequena garota, seus cabelos longos e negros, olhos pequeno e acastanhados. Ela estava sentada com seus braços apoiados no joelho enquanto as mãos seguravam seu rosto. Assim que me viu abriu um grande sorriso, correndo em minha direção. Abriu o portão estendeu seus braçinhos me dando um grande abraço.

- APPA! - a pequena pulou em meus braços me fazendo a pegar no colo.

- July, desculpa se eu demorei. – Disse colocando no chão.

- Não foi nada, vamos comer Appa. 

Seu sorriso era a minha fonte de energia. Assim a pequena puxou meu braço em direção da cozinha do orfanato. Cumprimentei algumas supervisoras e crianças, já sentando em uma mesa só nossa. Enquanto comia, vi que July estava interessado no pequeno pacote que eu carregava nas mãos. 

- Isso é um presente para você.

Ela abriu um sorriso, que não pude deixar de sorrir também. Pegou o embrulho e tirou o papel decorador com tanta delicadeza, que me fez pensar em como era pequena e frágil. Assim que terminou de tirar o embrulho, pegou a caixa e abriu, pegando o pequeno aparelho celular que eu comprara para ela. O aparelho não era dos mais sofisticados, era apenas para fazer ligação e escutar musicas.

- Gostou? 

- Appa, gostei sim. Você gravou as suas musicas?

- Gravei todas que estavam na sua listinha. E meu telefone também. Quando sentir saudades é só me ligar.

July deu um pequeno sorriso em agradecimento e logo terminamos de almoçar. Despedi-me da pequena e fui em direção do serviço. Enquanto caminhava senti meu celular vibrar no bolso de trás na calça. Olhei no visor e reconheci o número.

- YA!!! ONDE VOCÊ ESTÁ QUE NÃO CHEGOU?

- Estou á caminho Chulla, por que aconteceu alguma coisa? – Logo a voz de meu gerente mudou para um sussurro.

- Ele está aqui. Venha rápido que eu não faço ideia do que fazer.

Dei uma risada desligando o celular enquanto aumentava o passo. Heechul era o gerente do restaurante, com as outras pessoas ele é um cara chato ríspido e todo o tipo de personalidade ruim que uma pessoa pode imaginar, mas comigo ele é como um pai. Mas às vezes eu me sinto o pai da história. Por ele ser bissexual nunca vi alguém ser tão tarado quanto ele. Atualmente ele está de olho em um homem, pelo que me lembro de ele era alto moreno e forte, sua voz era bem bonita, tenho que dizer, ele é bem bonito, mas não faz o meu tipo.

Assim que cheguei ao local, vi Chulla olhando para o tal moreno sorrindo, pareciam estar conversando. Assim que o gerente percebeu a minha presença, fez sinal de que já iria conversar comigo. Fui trocado por um cliente.

Depois de muito tempo, ele resolveu vir falar comigo, com um sorriso tão grande que eu tive que segurar o riso.

- Descobri o nome dele.

- E qual é? – Perguntei sem demonstrar tanto interesse, pois Chulla sabia de minha opção sexual e a ultima coisa que eu queria no momento era arranjar briga com ele por causa de homem.

- Siwon. Choi Siwon, ele é modelo.

Não aguentei e dei risada recebendo um tapa no braço. Depois, Heechul me contou tudo o que havia conversado com tal modelo, pude ver que tinha um brilho em seus olhos, mas nada comentei. Assim o dia passou rápido, logo meu turno terminou, e voltei para o apartamento. No meio do caminho recebi uma mensagem de July dando boa noite, estava indo dormir, respondi-a dando um pequeno beijo na tela do celular. 

Assim que cheguei em casa, coloquei na geladeira a pequena marmita que o chef me deu, e fui tomar banho. Quando a água tocou em meu corpo, senti meus músculos relaxarem, não tem uma sensação melhor do que essa. Ah não têm sim.

Depois de terminar meu banho, coloquei meu pijama e fui até a cozinha. Fiz um lámen e logo comi enquanto assistia as noticias que passavam no jornal. Depois lavei tudo o que havia sujado e dormir. Essa sim era a melhor sensação do mundo.

Acordei no dia seguinte ás seis e quinze da manha. Fiz minha higiene matinal, logo seguido de um bom banho para acordar. Fiz um desjejum rápido, logo em seguida peguei meu material e me pus a caminho da faculdade, que ficava á três quadras do apartamento.

Logo foi visto o gramado verde, destacando os grandes prédios. O numero de alunos ali eram tão grandes que eu me sentia uma formiga no meio deles. Mas um me chamou a atenção. 

Ele era loiro, seu maxilar era bem definido, seu sorriso gengival deixou uma grande marca em mim. Suas roupas eram normais, uma calça jeans clara uma camiseta branca com uma blusa xadrez vermelha por cima. Não era as suas roupas que me deixou tão atônito então o que era? Por que meu coração bate tão rápido por aquele ser que eu nunca vi na minha vida?

- É engraçado como todo mundo baba por ele. – Disse um voz vinda atrás de mim.

- O que foi Sungmin?

- Hyukjae, aluno novo de enfermaria. Chegou ontem e já faz sucesso entre as mulheres.

- Hum... Não vi ele ontem.

- Pois é e adivinhe de quem ele é amigo?

- Essa deve ser fácil, por você estar todo felizinho, deve ser o tal Kyuhyun.

- Não tal é O tal.

- Desculpa se sou um mero mortal.

Depois de brincarmos um pouco resolvemos entrar, já que éramos da mesma sala. Logo no corredor acabei vendo que Kyuhyun e tal Hyukjae, passavam pelo mesmo corredor. Sungmin segurou minha mão com força e entrelaçou os dedos. Ele deixava claro que estava nervoso quando o olhou. Continuei caminhando e passei bem do lado do aluno novo, tão do lado dele que pude sentir seu perfume de baunilha. Combina com ele, logo senti meu coração bater tão rápido que quase precisei de ajuda para chegar na sala.

As aulas estavam demorando para passar. Queria encontra-lo de novo, não sei por que, mas queria ver mais detalhes dele. Assim que deu sinal eu e Sungmin corremos em direção do refeitório. Tínhamos que correr ou ficaria em pé e sem almoço. Corremos feitos loucos, e pegamos as bandejas e tudo que poderíamos aproveitar antes que terminasse. Logo sentamos na nossa mesa de costume, que ficava de frente com a janela. Comíamos enquanto conversávamos, mas o rosto de Sungmin empalideceu.

- O que aconteceu Minnie? 

- Olhe para trás, mas disfarçado.

Olhei para trás na maior cara de pau e vi Kyuhyun e o aluno novo sentados na mesa atrás da nossa. Assim o nerd do Kyuhyun olhava para Sungmin, para fazer questão de botar fogo no circo, olhei para o Minnie que tinha uma de suas mãos em cima da mesa, e botei a minha acariciando a dele. Olhei para Sungmin de uma forma que pudesse acalma-lo, e logo ele entendeu e me direcionou um sorriso que eu entendi como um obrigado. Terminamos de almoçar, com as nossas mãos ainda juntas, e saímos. Não pude deixar de olhar para a mesa do nerd e ele nos olhava com raiva e espanto. Mas meus olhos me traíram direcionando o olhar para o aluno novo, que nos olhava surpreso também, senti meu peito doer e acelerar ao mesmo tempo.

Voltamos para a sala e logo as aulas terminaram, saí correndo indo em direção do orfanato. Logo passei um tempo com a pequena July, fiz um pequeno lanche com ela, indo direto para o restaurante. Estava virando a esquino logo após sair do orfanato, coloquei meus fones de ouvidos e me dediquei àquilo que ouvira. Mas um som parecido com um grito me chamara atenção, tirei o fone e olhei para trás, vi a pequena July correndo e atrás dela estava uma das supervisoras do orfanato.

Mas um som de buzina me tirou a atenção. July atravessava a rua sem olhar para os lados. Um caminhão vinha em direção dela buzinando provavelmente não tinha um jeito de frear. Não pensei duas vezes, joguei minhas coisas no chão e corri em direção da pequena, que ao ver o caminhão parou de correr olhando assustada. Assim que a alcancei empurrei a mais nova em direção da calçada. Não deu tempo de escapar, senti o meu corpo indo de encontro com o automóvel.


[::P.O.V. HYUKJAE::]

Ser aluno novo é horrível. Primeiro por que todo mundo fica te olhando para procurar algo que possa ser útil, para mulheres, ou algo para usar contra mim se algo acontecer, para os homens. 

A única pessoa que eu conhecia era o Kyuhyun, e ele nem é do tipo de pessoa que é popular, muito bem pelo contrário ele é tímido, mas quando alguém mete a besta com ele, ninguém o segura. Enfim, aquela universidade fora escolhida pelo meu pai, que faz questão de colocar para estudar enfermagem. Não estou indo fazer esse curso á minha vontade, mas sim por ser obrigado, mas algo me diz que se eu quiser que algo de interessante aconteça, terei que ficar nesse curso. Bom já que um ano se passou e nada aconteceu achei interessante trocar de faculdade. Mas para enganar o meu tédio, eu digo que entrei em outra universidade para poder ver o ser que Kyuhyun está de olho. 

No meu primeiro dia de aula achei que iria ser esquisito e foi. Pois todo mundo me olhava, o que me deixava meio envergonhado, mas Kyunnie falou que aquilo era normal e que dentro de alguns dias a poeira iria baixar.

Enquanto caminhava em direção do refeitório, Kyunnie me puxou para sentar em uma mesa perto da janela. Fiquei olhando para ele com cara de ‘’por que aqui?’’, mas ele só apontou o indicador de forma cautelosa, sem deixar de ser notado. Segui o seu dedo e vi um menino de costas para nós e na frente dele, um garoto loiro, com bochechas grandes e fofas, um sorriso bem infantil, ele parecia ter uns 18 anos.

- É ele? – perguntei.

- O nome dele é Sungmin, ele tem 21 anos.

- 21? Nem parece, e quem ta na frente dele?

- Donghae. – Disse ele com uma voz meio amargurada e meio alta, fazendo o tal Donghae olhar para nós. Senti meu coração bater forte, ele tinha os cabelo acobreados os olhos eram negros como um mar á noite, seus lábios pequenos, mas o suficiente para deseja-la.

Logo ele viu que não era nada e voltou a sua atenção. Na hora da saída fiz questão de perguntar tudo sobre aquele garoto. Kyuhyun me dissera que era estudante de fotografia tinha 19 anos, trabalha em um restaurante italiano, mora sozinho, pois brigou com os pais, mas não pude saber dos detalhes, pois segundo Kyuhyun, ele não gosta de ter muitos amigos, sendo o único o Sungmin.

O resto do dia se passara rapidamente, e como sempre eu estava estudando, não quero ficar com vermelha, se não meu pai me mata. No dia seguinte foi tudo igual, tirando o fato de meu pai me ligar, na hora da saída, me mandando direto para o seu hospital. É meu pai é dono de um hospital, por isso ele faz questão de que eu seja medico, mas para poder ver se é realmente isso o que eu quero, resolvi fazer enfermaria.

Despedi-me de Kyuhyun, e corri em direção de meu carro, indo direto ao hospital. Estacionei o carro, e entrei no local sendo recepcionado pelas enfermeiras de plantão, me dando a informação de que meu pai estava a minha espera em sua sala. Peguei o elevador para ir ao segundo andar, passando algumas salas, logo vendo uma porta com o nome de meu pai em uma placa. Bati na porta e logo fui entrando, vendo o velho senhor, que é o meu pai, sentado em sua cadeira de couro preta com alguns papeis em suas mãos.

- Me chamou? – Perguntei tendo iniciativa.

- Arranjei um estágio para você.

- Mas a faculdade já me toma tempo demais... – iria continuar a falar, mas fui cortado.

- Já cuidei disso, quero que cuide de um paciente, ele está em cirurgia no momento, quando ela acabar vá até o quarto 322. Lá o medico responsável irá lhe dar os detalhes.

Assenti e saí da sala pensando no tal estágio, a faculdade realmente me tomava tempo, não tinha como fazer o estágio, mas se meu pai diz então quem sou eu para desobedecê-lo? Posso parecer o filho perfeito, o que realmente sou sempre tirou notas altas por sempre ter meus pais na minha cola. Foram poucas as vezes que eu e meu pai discutíamos sobre algo, no final sempre guardava os rancores e chorava silenciosamente para a lua, sem deixar nenhum som saísse de minha boca. Era nessas horas que minha mãe aparecia, acariciava a minha cabeça e acalmava meu coração, para depois receber bronca de meu pai.

Durante toda a minha adolescência fui filho perfeito, só ativava o meu lado rebelde ao lado de Kyuhyun, mas quando botava os pés dentro de casa eu abaixava as orelhas. 

Olhei para o grande relógio, e perguntei á enfermeira quando a tal cirurgia iria terminar, tendo como respostas dez minutos. Estava com sede, resolvi ir até a maquina de bebidas inserindo a moeda logo escolhendo um refrigerante. Assim que me sentei na sala de espera dando atenção á televisão, que mostrava um programa de variedade. Logo a enfermeira me chamou, dizendo que a cirurgia havia terminado, peguei o elevador em fui em direção do quarto. 

Assim que adentrei no quarto, um rapaz me parecia familiar, estava deitado com um tubo em sua boca, estava com dificuldades respiratórias, pelo menos eu acho que é isso. Aproximei-me do médico que estava arrumando as maquinas, vendo que o batimento cardíaco do paciente estava bem fraco, pelo jeito demoraria a recobrar a consciência. O médico olhou para mim, me dando detalhes do que faria, como por exemplo, trocar o soro, limpar o corpo do paciente, ver os batimentos cardíacos e etc., assim que dando uma prancheta com os dados do paciente.


Assim que olhei seu nome, senti meu coração parar, uma dificuldade de respirar, não acreditava que ele estava ali na minha frente, desacordado. Olhei novamente para o homem deitado e pude reconhecer sua fisionomia, era ele não tinha duvidas. Sentei-me na cadeira que tinha perto, pois estava começando a ficar nervoso, sentia o suor escorrer pelo meu rosto. Aquele ser que me chamara atenção no dia anterior, seu nome, lembro quando Kyuhyun me falou. Lee Donghae estava deitado na cama na minha frente.

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